A maior retração da industria brasileira em 10 anos

Economista afirma que existe desaceleração preocupante com a indúsdtria do Brasil

Elviro

Por: Elviro Rebouças

Todos os dados copilados pelo IBGE, Banco Central, Ministério do Desenvolvimento Econômico, CNI, FIESP e IPEA são convergentes. Há uma desaceleração preocupante com a indústria brasileira, com a diminuição das vendas, quer no mercado doméstico, e acentuadamente com a involução nas exportações dos nossos produtos.

A produção de veículos, por exemplo, continua em trajetória de queda, diante da forte freada do mercado doméstico e do entrave com a Argentina, principal destino das exportações da indústria automobilística brasileira.

Em maio foram fabricadas 282,5 mil unidades, queda de 18% na comparação com igual mês do ano passado, informou nesta última sexta-feira (dia 06) a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Esta é a terceira queda anual consecutiva. Em relação a abril, entretanto, a produção cresceu 1,9% no mês passado. No acumulado do ano, a fabricação de veículos também teve uma queda significativa de 13,3% em relação ao mesmo período do ano passado, para 1,35 milhão de unidades, de acordo com a Anfavea.

A produção brasileira de veículos despencou mais de 8 por cento no primeiro trimestre, com estoques crescendo 11 por cento e exportações desabando 15 por cento. O quadro tem feito representantes da indústria automotiva se reunirem com o governo federal em busca de medidas que incluem aumento no período de afastamento temporário de trabalhadores para além de cinco meses.

Mesmo com essa queda na produção automotiva as vendas de laminados da Usiminas no mercado brasileiro no período cresceram 10 por cento, com consumo de estoques da companhia.

Porém, para o segundo trimestre a empresa não espera um novo aumento nas vendas, com a produção se mantendo no mesmo 1,6 milhão de toneladas verificado no final de 2013. O ritmo morno da economia levou indústrias de diferentes áreas, especialmente dos setores de eletrodomésticos e de motocicletas, a dar férias coletivas aos empregados a partir deste mês. Além disso, os feriados previstos para a Copa também têm efeito na indústria.

Desde segunda-feira, a Electrolux colocou em férias coletivas cerca de 4.600 dos 8.600 funcionários de suas três fábricas no país — localizadas em Curitiba, São Carlos (SP) e Manaus. As paralisações vão variar de 10 a 30 dias.

De acordo com a empresa, a decisão de reduzir a produção se deve à “economia desacelerada e à Copa do Mundo”. A Whirlpool, dona das marcas Consul e Brastemp, também colocou funcionários em férias coletivas.

Levantamento junto a 550 empresas do setor feito pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) constatou que 58% delas prevêem perdas na produção por causa dos horários diferenciados dos jogos da Copa. E que um terço delas programou “jornada especial” para os dias das partidas a fim de “amenizar as perdas”.

Tem sido exceção a este desânimo, inclusive como manutenção à regra, os fabricantes de televisores modernos, com tecnologia digital, que já incrementam vendas em torno de 45 %, de janeiro a maio, em relação ao ano passado, tudo muito a ver com a chegada da copa do mundo aqui no Brasil.

Em Manaus, o Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (Cieam) confirmou que boa parte das grandes fabricantes de eletroeletrônicos (Semp Toshiba, Panasonic, Samsung, Sony) e de motocicletas (Honda e Yamaha) está antecipando o início das férias coletivas para junho.

A Eletros não dispõe de dados sobre as vendas da linha branca (geladeiras, e máquinas de lavar), mas aposta numa recuperação após a Copa, a partir de agosto até o fim do ano, impulsionada por itens que continuam com as alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) menores do que tinham no início de 2013.

O fraco desempenho de máquinas e equipamentos para construção prenuncia redução nos investimentos. A queda atingiu 70% dos itens pesquisados. A Copa elevou produção de bebidas alcoólicas, refrigerantes e TVs.

Diante do pessimismo de empresários, inflação alta e juros elevados, a indústria crescerá pouco neste ano e sentirá o efeito de uma economia fraca e um consumo menor, prevêem analistas. Com alguma sorte, a ajuda da Copa e uma aceleração ainda incerta no segundo semestre, dizem, sua produção conseguirá avançar, no máximo, 0,5% neste ano.

O IBGE divulgou nesta última segunda-feira, dia 02 de junho, o dado de abril: frente a março, a indústria manteve a tendência de retração e caiu 0,3% -em linha com as projeções. Em relação a abril de 2013, o setor registrou forte queda de 5,8%, a maior desde setembro de 2009, quando a indústria sofria os efeitos da crise global daquele ano.

Para analistas, o pior sinal da pesquisa de abril, que sofreu com menos dias úteis e uma base elevada em igual mês de 2013 (alta de 9,9%), foi que o segundo trimestre já começou em baixa. Tal movimento já fez bancos e consultorias revisarem para baixo suas previsões para o Produto Interno Bruto (PIB) anualizado de 2014.

Agora o nosso crescimento não passaria de 1% (hum por cento) em todo o ano. Muito abaixo do que o Ministério da Fazenda preconizava em janeiro, que seria em torno de 3%.

(*) Elviro Rebouças é empresário e economista

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