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Programa eleitoral do PSDB é triturado por ministros do próprio PSDB

Tasso Jereissati deve ser lançado fora da presidência interina

Parece que como presidente interino do PSDB, o senador Tasso Jereissati, atuou mais como esbirro de seu amigo, Ciro Gomes e detonou os próprios tucanos, em seu programa eleitoral que foi ao ar ontem.

O programa foi detonado pelos próprios ministros do PSDB. Confira:

DO MINISTRO DAS RELAÇÕES EXTERIORES, ALOISIO NUNES

Considerações sobre o programa partidário do PSDB

O programa partidário do PSDB é um monumento à inépcia publicitária e a expressão de uma confusão política digna de figurar numa antologia do gênero. Inépcia porque, já desde os spots que anunciavam o que estava por vir, afirmava-se que “o PSDB errou”, sem dizer exatamente onde está o erro.

Depois se viu: a fisiologia como sistema de governo, a troca de favores e a distribuição de vantagens espúrias como forma de obter votos nas assembleias representativas, coisa que o PSDB teria aceitado e praticado, segundo o programa.

Eu diria aos que conceberam e aprovaram essa mensagem: “alto lá!”

Os governos tucanos que apoiei ou dos quais participei não se reconhecem nessa caricatura. Tenho 30 anos de vida parlamentar e nunca recebi dinheiro ou pedi vantagens para apoiar as agendas em que acredito.

De quem o programa está falando?

O sujeito desses verbos que indicam práticas reprováveis são “os políticos”. É uma forma pantanosa e politicamente irresponsável de diluir as culpas pela degradação institucional que, ao lado da crise econômica e da desorganização administrativa, constitui o legado de um partido político.

E esse não é o PSDB. É o PT.

O PT, aliás, do Lula ao mais modesto dos seus aderentes, deve estar dando gargalhadas diante desse enorme tiro que a direção interina do PSDB desferiu no nosso próprio pé.

Os culpados não são apenas “os políticos”, expressão de um linguajar próprio da crítica vulgar dos que, no afã purificador muito característico da direita que rejeita “tudo o que aí está” e joga fora o bebê junto com a água do banho. Parece que quem erra, segundo o bordão repetido à exaustão nas inserções, foi o PSDB.

Como instrumento de luta política – se não for isso, para que serve? –, o programa não passa de uma jeremiada que não diz de que lado está nesse cenário no qual nos inserimos, combatendo toda forma de populismo.

Dirão alguns que o programa tem como objetivo a exaltação da opção parlamentarista que consta do nosso estatuto. Ora, a defesa do parlamentarismo não se faz no ambiente asséptico das ideias puras.

O programa vai ao ar no contexto de uma árdua luta política, em que o presidente Temer se empenha, com coragem e determinação, para fazer avançar um conjunto de reformas essenciais para chegarmos a 2018 com um país um pouco mais arrumado. E também, digamos francamente, no ambiente de uma luta interna em que uma ala do partido pretende rever a decisão da comissão executiva, reiterada em reunião da executiva ampliada, de apoiar o governo Temer e dele participar.

O governo é adjetivado como fraco, impopular, com dificuldades de governar se não recorrer ao fisiologismo. Ora, se a participação de membros de partidos aliados na administração é normal e recorrente tanto no presidencialismo como no parlamentarismo, mais ainda isso se explica no atual governo, que assumiu o encargo de dirigir a Nação a partir de uma reação congressual, impulsionada pela opinião pública, à derrocada do governo Dilma.

O presidente Temer teve a visão e a habilidade política de transformar o amálgama de forças heterogêneas que resultou independente, em uma maioria positiva para apoiar uma ambiciosa agenda reformista. Para isso, compôs um governo em que estão presentes representantes de partidos da antiga situação, com os da antiga oposição, PSDB inclusive.

Pergunto aos marqueteiros: o apoio do PSDB ao governo Temer, os cargos que ocupamos, foram negociados por baixo do pano, por fisiologismo ou apego aos cifrões que aparecem nos olhos dos bonequinhos em que o programa representa “os políticos”?

Talvez, então, nós sejamos os puros entre os impuros!

Que se aponte com clareza quem são os impuros, porque eu, como ministro, não visto a carapuça.

O locutor, a certa altura, lá pelo fim da peça, diz que o Brasil está paralisado há três anos. Não está, não! No meu ministério, não está, nem no da Luislinda, no do Bruno, ou do Imbassahy. No Congresso, a agenda legislativa avançou, e avançará mais, e muito mais, se o PSDB deixar de ser um fator de crise e de desorganização da base parlamentar. E, também na esfera administrativa, há movimento e inovação.

Em suma, esse programa não me representa. Não participei de sua concepção, e, em nenhum momento, minha opinião foi demandada. Ele passa ao largo dos problemas urgentes do país e das opções que o PSDB tem o dever de apresentar para seu enfrentamento.

O ministro Bruno Araújo, das Cidades, deputado licenciado do PSDB (PE), reagiu com dureza ao programa do PSDB. Leia a nota:

DO MINISTRO DAS CIDADES, BRUNO ARAÚJO

A mudança na Executiva do PSDB ocorrida em maio deste ano tinha como objetivo levar o partido a uma transição consensual até a realização de novas convenções. O programa partidário exibido hoje [ontem] não se enquadra nesse espírito. Tampouco o programa é justo com a história do partido.

Após o impeachment da ex-presidente, o PSDB tomou uma série de decisões no sentido de repactuar a agenda de reformas necessárias e consertar os erros do governo anterior. Os parlamentares do PSDB têm votado em ideias em que acreditam. Por outro lado, o partido tem ajudado a tirar o Brasil da crise criando novos programas sociais ou recuperando ações que estavam paralisadas.

Seguimos um caminho de compromisso e recuperação do País. Por tudo isso, esperamos da presidência interina que se conduza dentro dos limites das decisões tomadas na legítima instância do partido, a Executiva Nacional.

O programa não me representa.

Bruno Araújo, deputado federal licenciado  (PSDB-PE)

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UNIDOS PELA ADUERN

OPINIÃO

POR ANTÔNIO GOMES

A Universidade do Estado do Rio Grande do Norte é uma Instituição séria que, ao longo dos seus quase 50 anos, construiu, pela sua idoneidade, um perfil moral e ético no conceito educacional do Estado do RN e, porque não dizer, no contexto nacional.
Lamentável que algumas pessoas que almejam o poder, desde que a UERN existe, insistem em colocar no seio da mesma a mesma prática da política partidária, utilizando-se de plantar histórias fantasiosas e facciosas sempre que ocorre uma disputa em qualquer setor.
Dessa feita, infelizmente, num ato de desespero, insistem em querer plantar junto aos aposentados, de que caso a chapa UNIDOS PELA ADUERN, ganhe irá promover a separação da folha salarial colocando os aposentados na folha do IPE.
Acreditamos que somente o desespero e a ingenuidade dos intempestivos a atos indignos de ética, aliás, não nos surpreende quando os acusadores são os de sempre que insistem com a mesma técnica dos vencidos.
Gostaríamos, no entanto, de assegurar que durante todos os anos que trabalhei e me dediquei exclusivamente a esta Instituição ocupei todos os cargos administrativos, com exceção de reitor e vice-reitor; além disso, fui com muito orgulho vice-presidente da Aduern juntamente com o saudoso Professor Valmir Godeiro como Presidente. Jamais, em hipótese alguma, iria cometer tal despropósito junto aos aposentados, visto ser o que hoje sou, e por não me ater a falta de caráter para tal despropósito.
Para tanto, solicito humildemente a todos os que confiam na nossa retidão de caráter o voto para iniciarmos um sindicato sem bandeira político-partidária, somente e unicamente com o propósito de construirmos uma Universidade autônoma, transparente, responsável e digna do povo norte-rio-grandense.
Desde já nosso muito obrigado a todos os colegas professores, em especial, aos aposentados.

Fonte: Face de Antônio Gomes

 

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Carlos Fernando, o procurador buliçoso, joga lei no lixo e ataca futura titular da PGR

Ele fala em nome de uma lei que não existe

POR REINALDO AZEVEDO

Carlos Fernando, o mais virulento, ainda que não midiático, dos procuradores de Curitiba (a estrela é Deltan Dallganol), já resolveu se comportar como se fosse chefe ou ombudsman de Raquel Dodge, futura procuradora-geral da República. Em um evento sobre compliance, este senhor afirmou que a futura procuradora tem de se explicar sobre encontro com o presidente da República, que se deu fora da agenda, como não se cansa de noticiar por aí. Será que todos os encontros de Rodrigo Janot com o próprio presidente e com outros figurões da República, como deputados e senadores, estavam marcados?

Vamos lembrar? Janot se encontrou, secretamente, com José Eduardo Cardozo, então ministro da Justiça, em Buenos Aires, no dia 22 de novembro de 2014. Temer não é obrigado a divulgar a sua agenda. Mas o titular da Justiça é, sim. É o fim da picada! No dia 24 de fevereiro de 2015, houve outro encontro realmente secreto entre o procurador-geral e o ministro petista. Aguardava-se para aquela semana a chamada “Primeira Lista de Janot”. Como a coisa veio a público, ele esperou um pouquinho. Os nomes das pessoas que Janot queria investigar foram divulgados só no dia 6 de março daquele ano.

O que os dois discutiram? Ninguém quis revelar. Em Brasília, tinha-se uma certeza: a lista havia sido tema da conversa. Escrevo de novo: segundo a Lei 12.813, Cardozo era, sim, obrigado a divulgar a sua agenda. Que desculpa se deu? Ah, teria sido uma coisa fortuita, um mero acaso. E ficou tudo por isso mesmo! Raquel Dodge, como fica claro, pediu uma audiência por escrito.

Cheguei a censurar doutora Raquel hoje de manhã por ter divulgado o e-mail. Como se nota, ela estava, de algum modo, dando trela aos sequestradores de sua reputação, como faz Carlos Fernando, o homem que agride de maneira sistemática, determinada e metódica a Lei Complementar nº 75, que dispõe sobre a “organização, as atribuições e o estatuto do Ministério Público da União”.

Raquel não será a dona do Conselho Nacional do Ministério Público Federal. Tampouco mandará na Corregedoria. Mas se espera que, com a voz influente de uma procuradora-geral, cobre que tais órgãos enquadrem os comportamentos e falas que avancem a linha que separa o rigor da delinquência.

Como se Raquel, e não ele próprio, estivesse atuando fora de sua competência, afirmou Carlos Fernando: “Ela deu uma explicação e tem que ser cobrada pelas consequências desse ato”. Quais consequências? De que ato ele está falando? Observem que a criminalização do nada, que passou a ser a tarefa principal da Lava Jato, agora atinge membros do próprio Ministério Público que a Seita de Curitiba toma como adversários.

Em tal evento, o doutor desceu o pau nas escolhas do Congresso, atacou de forma indisfarçável prerrogativas do Poder e chegou a sugerir que o brasileiro não é um povo avançado o bastante. Vale dizer: o doutor transgredia uma penca de disposições do estatuto que rege a sua atividade. E, no entanto, resolveu se colocar como o bedel de Dodge: “Todo funcionário público é responsável pelos atos que tem. Infelizmente não há como fugir da responsabilização perante a sociedade.” Ele conferiu uma palestra sobre investigações anticorrupção, em fórum organizado pela Amcham (Câmara Americana de Comércio).

Observem que ele não diz que o funcionário público é obrigado a responder por seus atos segundo a lei. Ele escolhe como fórum “a sociedade”. Entenderam? Para gente como Carlos Fernando, o que importa é o alarido.

A quem atende? A Rodrigo Janot, o homem que celebrou o acordo com Joesley Batista, que é, este sim, personagem do maior escândalo da história do país. Considerando a impunidade garantida ao criminoso, é mais vexaminoso do que o próprio petrolão. Se Carlos Fernando combinou ou não com Janot o ataque a Raquel Dodge, não sei. Mas a sua fala se afina com a do ainda procurador-geral. Em recente entrevista à Folha, além de ameaçar o presidente da República, Janot expressou o temor de que sua sucessora passasse a atuar como engavetadora de investigações.

Carlos Fernando não age mais como procurador da República. Hoje, é um militante político. Se o Conselho Nacional do Ministério Público e a Corregedoria do órgão não os enquadrarem e a outros nos dispositivos da lei, teremos um Ministério Público que não mais zelará pelos fundamentos da República e pela defesa dos interesses dos cidadãos. Ao contrário: o MPF passará a ser a sede de uma seita disposta a, se necessário, em nome de suas idiossincrasias e de seus próprios preconceitos, levar o país ao abismo.

Tornaram-se os fanáticos do próprio oportunismo.

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BOM DOMINGO: ÓTIMO DIA DOS PAIS

PAI NOSSO

POR JESUS CRISTO

Oração do Pai Nosso

Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o Vosso nome.

Venha a nós o Vosso Reino.

Seja feita a Vossa vontade, assim na Terra como no Céu.

O pão nosso de cada dia nos dai hoje.

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido.

E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.

– Jesus Cristo (Mateus, 6:9-13)

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Randolfe, que fala fino com Maduro e é esbirro da “Lava J&J”, quer falar grosso comigo

Durante audiência, o senador que combina gravatas com um assassino, resolve ligar um post meu a uma ação da Abin. Então vou mostrar pra ele “O É da Coisa”. Pela ordem!

POR REINALDO AZEVEDO

No primeiro plano, Randolfe combina a sua gravata com a de Maduro; ao fundo Ivan Valente, que grita “Fora, Temer” todo dia, e Luciana Genro. Os cadáveres de Maduro não estão nessa foto

O senador Randolfe Rodrigues, do Amapá, meteu, nesta quinta, os pés pelos pés na sessão conjunta das comissões de Direitos Humanos e de Relações Exteriores e Defesa Nacional. Eu já o sabia equivocado, claro!, mas não o tinha na cota de um covarde — covardia política. O homem resolveu me atacar de maneira asquerosa. Já chego lá.

Os senadores ouviram o depoimento do general e chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Sergio Etchegoyen, a quem está subordinada a Abin (Agência Brasileira de Inteligência). Certa fantasia que circula em Brasília sustenta que o órgão foi mobilizado pelo governo Temer para espionar Rodrigo Janot, procurador-geral da República, e Edson Fachin, ministro do Supremo e relator dos processos do petrolão.

Antes de ir a detalhes, algumas observações prévias. Sempre considerei, por óbvio, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) equivocado. Afinal, ele é do PSOL, esse partido que já carrega no nome este oximoro homicida, de homicídio em massa mesmo: “socialismo e liberdade”. O mundo conheceu e conhece países livres. Conheceu e conhece países  socialistas. As duas coisas, no entanto, jamais se conjugaram. Quando muito, partidos socialistas fingem tolerar a democracia pelo tempo que avaliam útil a seus desígnios. Se 0 puderem, eles a golpeiam. Assim, o PSOL é, por si, uma desonestidade intelectual e a manifestação de uma farsa. Como Randolfe.

“Ah, Reinaldo, mas você mesmo diz que agora ele é Rede”. Bem, no máximo, poderia compor um dueto, ou desafio, de vozes com Marina Silva. Ele migrou para essa legenda por incompatibilidade com, acreditem!, o PSOL do Amapá. Mas ele segue sendo o mesmo em essência.

Este senhor, como sabemos, passou a ser o que chamo de “soprano do golpe”. Virou, ao lado de Alessandro Molon —um petista disfarçado de marineiro —, plantonista do “Jornal Nacional”. Ainda vai recorrer à Justiça cobrando vínculo empregatício… Também costuma dar, com a competência que tem, aula de deposição de presidente aos frequentadores da Casa de Caetano Veloso, onde certamente há a possibilidade de se ouvir boa música, mas não se corre o risco de aprender algo que preste em política.

Muito bem. Num dado momento de sua intervenção, Randolfe cita um texto publicado pela revista “Veja”, segundo o qual o general teria se encontrado com o próprio Temer e assessores no dia 3 de junho de 2017. E agora transcrevo a sua fala:
Segundo ainda a revista, a partir dessa data, se organizou ainda uma ofensiva contra a Operação Lava Jato, tendo como alvo o procurador-geral da República e o ministro Edson Fachin. Essa reunião teria definido uma “varredura” sobre a vida privada do ministro Fachin. E se teria suscitado nessa reunião que existiriam relações do ministro Fachin com membros da JBS, que passariam a ser utilizadas depois (…). Coincidência ou não, logo após essa data, no dia 5 de junho, que é conhecido por ser mais governista do que o próprio presidente Michel Temer, publicou uma matéria com o seguinte título: “Fachin em jantar com o Joesley, o Folgadão, e Renan, que varou a madrugada. Pode isso, não!” Esse é o título da matéria do jornalista Reinaldo Azevedo, que teria sido veiculada dois dias após esta reunião. Repito: é de conhecimento de todos a relação… Recentemente, o presidente da República só concedeu entrevista ao vivo, exclusivamente, ao jornalista Reinaldo Azevedo, quando sofria o processo de denúncia na Câmara dos Deputados.

Sim, já respondi em “O É da Coisa”, programa de rádio que ancoro na Band News FM, à fala do senador. O vídeo segue abaixo. E volto ao tema.

O Retorno
Randolfe, como afirmo hoje na Folha, é só um “Jean Wyllys que não ousa dizer seu nome”. Não passa, também ele, de um falastrão que cospe por outros meios, com seu jeitinho de comunista janota. Observem, no entanto, que ele pode ser bastante doloso quando quer. Na sua fantasia, o post que publiquei me foi soprado, ora vejam, pela Abin! Eu seria um mero repassador das coisas decididas no complô —     que, de resto, não aconteceu.

E quais são as evidências que a sua delinquência intelectual lhe aponta? Estas:
1: o meu post foi publicado dois dias depois da suposta reunião;
2: Temer concedeu só a mim entrevista exclusiva “quando sofria processo…” — até nisso, erra: a dita-cuja aconteceu no dia seguinte à vitória do presidente.

Não estranho que esse comunista que resolveu entrar no armário tenha Janot na conta de um grande jurista. Como se nota, eles operam com os mesmos critérios e têm, pelo visto, a mesma concepção do que seja “prova”. Digamos que a reunião com a Abin tivesse acontecido. Na cabeça perturbada desse comuna golpista, se o meu texto saiu depois, então é consequência daquele ato. É um caso clássico de falácia que os escolásticos já apontavam: “post hoc ergo propter hoc” — ou: “depois disso; logo, por causa disso”. Randolfe notou que o dia sempre amanhece depois que o galo canta e chegou à conclusão de que o dia amanhece porque o galo canta.

É um desclassificado intelectual.

E é também um covarde, um dos dois defeitos de caráter que mais abomino. O outro é a deslealdade.

Fui vítima
Como já disse no programa “O É da Coisa”, eu é que fui vítima de uma quadrilha de vazadores. Recorri à Justiça para saber em que lugar se acoita: na Procuradoria Geral da República ou na Polícia Federal. Tenho um palpite, mas prefiro aguardar a apuração. Em meio a milhares de gravações, duas que nada tinham a ver com a investigação foram tornadas públicas: uma conversa minha com uma fonte (Andrea Neves) e outra do ministro Gilmar Mendes, do STF, com o senador Aécio Neves.

Aí, sim, estão atos criminosos.

Sim, eu publiquei, sim, o texto a que se refere Randolfe. Leiam. Nenhum dos convivas o desmentiu.

E lamentei não ter podido publicar uma informação que me chegara então. Saiu pouco depois no “Poder 360”, a saber:
“Ao ser indicado para o STF (Supremo Tribunal Federal), em 2015, Edson Fachin percorreu os gabinetes dos 81 senadores. Amigos ajudaram a marcar audiências e a dar suporte à candidatura. O contato com alguns senadores foi facilitado também por Ricardo Saud, do grupo J&F, a empresa dona da JBS-Friboi.

Segundo o pensamento percuciente de Randolfe, tal post não foi pautado pela Abin porque publicado antes daquela suposta reunião. Já o meu foi publicado depois…

Ah, sim: sabem por que não consegui publicar a informação sobre a ajuda de Ricardo Saud — confessadamente o homem da mala de Joesley Batista — a Fachin? Porque eu ainda estava sem blog. Em razão daquele vazamento, havia pedido demissão da “Veja”. Por quê? Na conversa com Andrea, havia criticado uma reportagem da revista. Ainda que esta tivesse insistido para eu continuar, o que não aconteceu, eu não teria aceitado.

Randolfe poderia ter lembrado também que fui eu a publicar a informação de que a filha de Rodrigo Janot integra a equipe de advogados que cuida do acordo de leniência da Odebrecht e da OAS. Leia, se quiserem, os textos aquiaqui e aqui.

Ah, sim: são textos do dia 9 de maio. Não devem ter sido pautados pela Abin, né? Aliás, o site ainda estava hospedado na VEJA…

Se eu operasse com os critérios de Randolfe, escreveria: “Coincidência ou não, o vazamento da minha conversa aconteceu depois que revelei que a filha de Janot trabalha para empreiteiras investigadas pela Lava Jato”…

Uma das características mais evidentes do fascismo de direita e de esquerda é a rapidez com que saca contra a honra alheia.

Diz Randolfe que sou “mais governista do que Michel Temer”. Essa foi uma ironia que eu mesmo fiz com o presidente quando lhe pedi que citasse o que considerava feitos de seu governo. Ele não listou um dos que considero mais importantes, embora, digamos, invisível: a reestruturação do setor elétrico.

Entendo que a queda de Temer, se tivesse acontecido, teria sido desastrosa para o país. Mas não daria murro em ponta de faca se considerasse hígida a denúncia de Janot. O que ele apresentou até agora é, a meu ver, uma farsa que se erige sobre uma soma formidável de ilegalidades. E, como se sabe, o homem tem a desfaçatez de conceder uma entrevista com ameaças ao presidente da República.

Não vendo razões para a queda, acrescento a questão política: folgo com a permanência de Temer para que comunistas disfarçados de humanistas não triunfem. Não venha querer depor um governante legítimo, com reiteradas ações em defesa da democracia e do Estado de Direito, quem posa, sorridente, ao lado de um assassino, como faz Randolfe, com seu ar servil a Nicolás Maduro. Não venha me dar aula de moral e cívica quem tem a desfaçatez de harmonizar a sua gravata com a de um brucutu fascistoide que mata e prende opositores, que lidera um regime de terror, que condena gerações à miséria e ao atraso.

A foto que se vê no alto é de 2013. Foi tirada no auditório Darcy Ribeiro, da Universidade de Brasília. Os psolentos foram lamber as botas sujas de sangue do tirano. Estavam comemorando o ingresso da Venezuela no Mercosul.

Pois é… O governo Temer, que Randolfe quer derrubar, fez o contrário: botou Maduro para correr, como deixou claro o ministro Aloysio Nunes Ferreira na entrevista que me concedeu ontem.

Então ficamos assim: eu escolho o governo que baixou a inflação de 10% para menos de 3,5%; que tirou o país da recessão, que reestruturou o setor elétrico, que retomou a exploração do pré-sal, que baixou os juros para um dígito etc.

E Randolfe que continue mergulhado na poça de sangue e irresponsabilidade.

Escute uma coisa, rapaz! Você e a ala fascista da Lava Jato não me intimidam e vão ter de me engolir. Quando vagabundos, e alguns nomes eu já tenho, tentaram me pegar, só contribuíram para ampliar a minha voz.

Como diria Chico Buarque, pare, Randolfe, de falar fino com ditaduras e de tentar falar grosso com a democracia.

Não vai funcionar!

Fonte: Site da Rede TV

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PT faz o jogo de Doria

Prefeito de São Paulo declara que não teme ataques de petistas 

POR RICARDO NOBLAT

O dia de ontem começou bem para o prefeito João Doria  (PSDB), de São Paulo, e terminou melhor. Para quem é cada vez mais candidato a presidente da República, e, se não der, à sucessão do governador Geraldo Alckmin, o dia começou com elogios de Michel Temer e acabou em Salvador com uma chuva de ovos providenciada pela CUT e integrantes de movimentos sociais.

Tudo bem, elogios de um presidente com rala popularidade pouco ou nada acrescenta ao bornal de votos que Doria  carrega. Mas para alguém como ele que precisa de apoio dentro dos partidos e de espaço frequente na mídia, os elogios de um presidente da República serão sempre benvindos. Quanto à chuva de ovos, no momento em que chegava à Câmara Municipal de Salvador…

Nem por encomenda poderia ter sido melhor. Por muito menos, alvo de uma bolinha de papel quando foi candidato a presidente da República em 2010, o hoje senador José Serra (PSDB-SP) fez um escarcéu enorme. De certa forma, faturou o que seu partido tratou como uma inominável agressão. Ovo não machuca, mas suja. É prova provada de um ato hostil indesmentível.

Deu chance a Doria  de acusar o PT por intolerância e de polarizar mais uma vez com ele. Doria  se oferece ao mercado de votos como o anti-PT por excelência, o nome ideal para enfrentar Lula caso ele escape da Justiça e consiga ser candidato a presidente da República pela sexta vez. Estava na Bahia para receber o título de cidadão de Salvador. Acompanhava-o o prefeito ACM Neto (DEM)

Lula ainda conserva um grande contingente de votos na Bahia. Nos últimos 14 anos, o Estado foi governado por um petista – antes Jaques Wagner, ex-ministro de Lula e de Dilma, agora Rui Costa, que tentará se reeleger. Doria  foi ser homenageado num reduto do PT, portanto. Mostrou a seus admiradores que não foge à luta nem mesmo em território hostil.

Provocar o PT e ser provocado por ele tornou-se uma marca de Doria  que só o beneficia à medida em que se aproxima a data para que o PSDB escolha seu candidato à vaga de Temer. Alckmin terá dificuldade de disputar com Doria  nesse espaço. Poderá vencê-lo no espaço interno do partido e na montagem de uma ampla coligação de forças. A conferir mais adiante.

Fonte: Face do Noblat

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Folha prova que Temer disse a verdade sobre emendas que peixe podre

Opinião pode ser mais tóxica que peixe podre

POR REINALDO AZEVEDO

Entrevistei ontem, no programa “O É da Coisa”, o presidente Michel Temer. Perguntei a ele como respondia à crítica de que estava comprando votos dos deputados com a liberação de emendas. Ele negou a acusação, que eu já sabia ser falsa, diga-se. Mas tinha a obrigação de indagá-lo a respeito. Eu mesmo lembrei que a Emenda Constitucional 86 tornou impositiva as chamadas emendas parlamentares. O Orçamento reserva, neste ano, R$ 6,3 bilhões para este fim. Na conversa com Temer, destaquei o caso da deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), uma das que acusaram o presidente de comprar parlamentares. Ela própria está entre as que receberam as maiores dotações. Trato do assunto na minha coluna da Folha.

Pois é… Algumas línguas de trapo resolveram atacar a mim e ao presidente. Estaríamos, ora vejam!, mentindo sobre os números. Em conjunto. Clique aqui para ouvir  o que disse o presidente a respeito, a partir de 24min05s. A edição desta sexta da Folha traz uma reportagem sobre a distribuição de emendas. Ela prova, com dados, que Temer e eu falamos a verdade.

O problema é que a opinião pública está pilhada pela irresponsabilidade de vigaristas, de idiotas, de canalhas, que falam o que lhes dá na telha, sem nenhum compromisso com os fatos. Antes de tratar dos números da Folha, algumas considerações.

Não estou nesta profissão a passeio. Também estou aqui para exibir minha lindeza. Antes de opinar, pesquiso, investigo, pergunto, escarafuncho. Já disse algumas vezes: opinião é como orelha, joelho, cotovelo e traseiro: todo mundo tem. Existem as opiniões qualificadas e as desqualificadas.

Uma fala judiciosa que se ancore num dado errado, numa informação falsa, numa impossibilidade, é, por si, uma opinião errada. Ainda que possa apontar para um horizonte que consideremos correto. Eu exemplifico. Opino que é preciso que se adotem medidas duras para que as empresas paguem suas respectivas dívidas com a Previdência. Ok. Mas é um erro afirmar que, se isso for feito, então se pode dispensar a reforma do setor.

E por que é assim?

Porque a dívida das empresas com a Previdência, como lembrei na conversa de ontem com o presidente, é um estoque, é limitado, e o rombo do setor é um fluxo, é permanente, existe ano após ano. Assim, ainda que seja correto opinar que as empresas têm de pagar o que devem, trata-se de um erro afirmar que se trata de uma alternativa à reforma.

Querem o contrário? Pois não!

Se o Estado decidir eliminar de pronto todos os portadores de uma determinada doença contagiosa, em vez de tratá-los ou de permitir que se tratem, mais cedo o mal será debelado, e menos pessoas serão contaminadas. Pergunta: seria ético fazê-lo? É aceitável a opinião de que esse é um bom caminho?

Opinião é matéria delicada, queridos! Nas democracias, é, a um só tempo, esplendor e sepultura. Querem outro caso polêmico? Quantos de nós, ao passar pelas cracolândias da vida, já não pensamos: “Essa gente tem de sair daí!” E tem. Uns dirão: “Os viciados não podem privatizar o espaço público”. Outro ainda: “Meu direito de ir e vir não pode ser tolhido por essas pessoas”. Tudo verdade! Opiniões, no entanto, têm consequências. Como iremos tirá-los de lá?

Pessoas as mais distintas no credo, na ideologia, nos valores podem, ora vejam!, concordar quanto aos fins, os objetivos, aquilo que se quer alcançar. O que as diferencia são os meios — razão por que revi o que Maquiavel nunca disse e cravei: os meios qualificam os fins. Nunca se junte a alguém apenas porque ambos querem a mesma coisa. Cumpre que você pergunte a quais meios a pessoa está disposta a recorrer para alcançar seus objetivos.

Agora aos dados
De fato, os empenhos com emendas parlamentares foram crescendo: R$ 768 milhões em maio; R$ 1,6 bilhão em junho; R$ 1,9 bilhão em julho. Como aponta a Folha, não há nem correlação entre os votos dos deputados e a liberação de emendas: na média, cada parlamentar que votou com Temer teve liberados R$ 3,4 milhões, e os contrários, R$ 3,2 milhões. Isso é média. A comunista Alice Portugal conseguiu R$ 10,5 milhões.

A acusação é de tal sorte mentirosa que os petistas, que votaram unanimemente contra Temer, receberam mais, na média, do que os tucanos que votaram com o presidente: R$ 3,85 milhões contra R$ 3,53 milhões.

Assim, meu querido leitor, você tem todo o direito, claro!, de opinar que o presidente Temer comprou os votos dos parlamentares. Mas será uma opinião falsa, uma opinião burra, uma opinião mentirosa. Os números a desmentem.

Muito provavelmente, você está se deixando contaminar pela gritaria de pistoleiros e pistoleiras que falam o que lhes dá na telha porque, de resto, não são nem mesmo donos de sua opinião. Estão a serviço de candidaturas e de interesses nem sempre postos à luz do dia.

Para encerrar: segundo exigência da Emenda Constitucional 86, 50% do valor que for liberado em emenda têm de ser destinados à Saúde. E um número final: as emendas parlamentares correspondem a apenas 1,2% da receita corrente líquida prevista no projeto orçamentário enviado pelo governo.

Cuidado com a peixaria de onde saiu o produto que você anda consumindo. Opinião estragada é mais tóxica do que peixe podre.

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Ameaça a parlamentares que votaram em favor de Temer não passa de bobadagem

O que o povo quer é que seus representantes trabalhem em sua defesa 

Bobadagem.

Alguém aí imagina eleitores de municípios, a partir de Mossoró, que foram beneficiados, em várias áreas, por recursos oriundos de emendas parlamentares de autoria do deputado federal, Beto Rosado, criticando, condenando o parlamentar pelo benefício?

Mas, pelo que entendi, era o que estavam comentando, em um programa de TV, onde um convidado, com cara de gente séria – só a cara -, empostando a voz, tentava emprestar ares de ameaça ao mandato de Beto Rosado, por ele ter votado em favor do arquivamento de denúncia – infundada – contra o presidente, Michel Temer.

O tal convidado chegou, inclusive, a insinuar que as emendas parlamentares não eram os únicos “benefícios auferidos pelo parlamentar”.

Como se os recursos de emendas parlamentares fossem para a conta bancária do deputado, e não, diretamente para realização de obras nos municípios destinatários.

Eu desconfio, pelo que assisti nas visitas de Beto Rosado, durante o recesso parlamentar, que o deputado federal encaminhou sua reeleição. Ganhou votos.

O que o povo quer, de seus representantes, no caso especifico, cito Beto Rosado, por ser Mossoró sua base principal, é que os mesmos trabalhem pela vinda de recursos para realização de obras na educação, saúde e noutros setores.

O resto é prosopopeia flácida para acalentar bovinos.

 

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O vazaamento das fantasias da holding “J&J” e a subordinação intelectual à “FORCA TAREFA”

Artigo

POR REINALDO AZEVEDO

Se alguém me dissesse que o grupo JBS celebrou um acordo de delação com o Grupo Globo, não com a Procuradoria Geral da República, eu acabaria acreditando. Afinal, os tais documentos a que revista teve acesso para anunciar, na capa, um novo fim do mundo (o dito-cujo já acabou umas cinco vezes) deveriam ter sido enviados à PGR, selecionados, analisados etc. E depois se tornaria público o que é consistente. Mas quê… Uma longa reportagem empresta detalhes à tese absurda, estúpida, mas que é do agrado do Ministério Público Federal, de que só a JBS repassou a políticos R$ 1,1 bilhão entre 2006 e 2014. Sim, entende-se que era tudo propina.

Sabem o que isso significa?

Que a imprensa não está aprendendo nada com a crise.

Que o Ministério Público não está aprendendo nada com a crise,.

Que os brasileiros, na média, não estão aprendendo nada com a crise.

Quem lê o jogo logo constata que o país é hoje refém de mistificadores e vigaristas.

Vamos ver. Desde que Ricardo Saud, um dos ex-canalhas da ex-gangue do ex-bandido Joesley Batista anunciou que havia pagado propina a 1.829 candidatos eleitos — e há, claro!, os não-eleitos —, pensei: “Quer dizer que nunca houve uma doação em que o recebedor não estivesse praticando corrupção passiva? Se é assim, então os crimes de Joesley e seus ex-vagabundos morais não são apenas 245, como o confessado. Só de corrupção passiva, convenham, há um mínimo de 1.829 imputações.”

Ocorre que, na média, jornalista não quer pensar mais nada. Se alguém da “Forca Tarefa” — sim, escrevi “forca” mesmo… —, então deve ser verdade.

Espero que as pessoas empenhadas em barrar a denúncia mixuruca de Rodrigo Janot contra Michel Temer tenham feito o devido uso pragmático da reportagem de “Época”. O que está lá é uma advertência do que virá se o presidente cair. Ninguém, a não ser algum santo escolhido depois de um reality show no Projac, terá condições de assumir a Presidência da República. O que se faz, naquela reportagem, notem bem, é demonizar todo o processo político.

Ainda que aquele volume de “transferência” fosse verdadeiro, não se distinguem doações legais de ilegais; caixa dois com contrapartida de caixa dois sem contrapartida; caixa um sem contrapartida de caixa um com contrapartida. O que “Época” publica é, na verdade, parte do arranjo feito pela holding moral “J&J“: Joesley e Janot. Infelizmente, a maioria dos jornalistas e colunistas — em especial “os” e “as” que tentam aparentar independência — são intelectualmente dependentes da Lava Jato e não têm coragem de apontar a fraude. Como temem o alarido e não querem ser xingados nas redes sociais pelas hostes da ignorância militante, então fazem a análise do acochambramento.

Tornada pública na antevéspera da votação da Câmara que vai decidir se a denúncia feita por Janot contra Temer será ou não enviada ao Supremo, cumpriria que até os deputados de oposição — cujos partidos estão na lista — pensassem um pouquinho, não é mesmo? É claro que mais esse vazamento foi feito de olho no calendário, para influenciar os votos: afinal, é também uma reportagem anti-Temer. Ocorre que ninguém escapa ali.

Mais: levar aquela estrovenga a sério corresponde a comprar uma versão que a investigação, depois, não consegue sustentar. Vale a pena deixar que o processo político seja pautado por bandidos? A resposta, obviamente, é “não”.

Mais: Vejam o caso de Sérgio Machado. A Polícia Federal procurou evidências de que suas vítimas estavam tentando obstruir a Lava Jato e nada encontrou. Era uma ficção na qual só os procuradores e Sérgio Moro acreditaram. As delações feitas pela penca de diretores da Odebrecht já começam a dar problema. Ainda voltarei a esse assunto. Vem muita confusão por aí. E, acreditem, serão a própria Polícia Federal e as áreas salubres da Justiça a evidenciar o desastre provocado por Rodrigo Janot e seus fanáticos.

Ele tinha tudo para conduzir a operação para um lugar seguro e para fazer dela uma referência no combate à corrupção. Em vez de pensar como homem de Estado, dotado de um formidável poder, preferiu ser o gendarme de quarteirão, alimentando tentações golpistas.

O que traz as páginas de Época é expressão desse delírio. Creio que a reportagem tenha ajudado Temer a ganhar mais alguns votos.

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TEMER: O LEGAL E O LEGÍTIMO

ARTIGO

POR PAULO AFONSO LINHARES

A modernidade impôs ao mundo jurídico um dilema que não tem solução no âmbito do direito
positivo, mas, tão somente naquele campo da filosofia política que abriga a valoração como medida
das coisas. Em linguagem mais fácil de decifrar, é o eterno confronto entre o legal e o legítimo. Assim,
enquanto para alguns basta que exista a lei enquanto regra de conduta emanada da “autoridade
competente”, para outros é indispensável que essa mesma regra tenha origem no consenso majoritário
da sociedade, isto é, a partir de um mecanismo que se baseia simplesmente na prevalência da opção
comum à maioria dos membros da comunidade política.
Sem banalizações ou sacralizações desnecessárias, não é suficiente a lei formalmente
considerada, mas, que a sua origem seja baseada nos valores que representam escolhas valiosas para
a maioria dos componentes da sociedade, para colimar esse consenso majoritário que atende pela
denominação de “democracia”. Assim, é inevitável lembrar que nem tudo o que é legal pode ser
legítimo e muito do que se afigura como legítimo pode não estar nos trilhos da legalidade.
Exemplifica-se: com vencimentos que podem ser tido como condignos, numa média de R$ 30 mil
por mês, os membros de algumas carreiras jurídicas do Estado (magistrados, membros do Ministério
Público, procuradores estaduais etc.) ainda recebem uma verba mensal como auxilio-moradia, de
R$ 4.377,73/mês, conforme previsão legal, porém, algo ilegítimo se se imaginar que a maioria dos
assalariados deste país, aqueles que têm o ‘privilégio’ de ao menos ter um emprego, aufere apenas
R$ 937,00 ao mês e nada recebem como auxílio-moradia.
A legitimação política transcende os aspectos formais do que expressam as decisões tomadas
no contexto da democracia representativa. Em razão última, as decisões e atos do Poder Executivo e,
sobretudo, do Legislativo, devem expressar aquilo que majoritariamente seja o consenso social. Em
primeiro lugar, ressalte-se as dificuldades de aferição desse consenso que, de rigor, necessitaria de
um complexo sistema eleitoral. Entretanto, na impossibilidade de utilização mais imediata desses
mecanismos, cuja atuação exigem previsão legal e têm alto custo financeiro, valem as aferições
aproximativas do que se conhece como “opinião pública”, mormente aquelas expressadas pelo
levantamento estatístico com amostra específica da opinião pública.
Isto é lembrado para ressaltar que, na atual conjuntura política brasileira, a despeito do
presidente Temer conseguir na Câmara dos Deputados os votos necessários para impedir a apuração
da prática de crime pelo STF, há claras demonstrações de que não seria essa a expressão da vontade
da sociedade brasileira, a tirar pela rejeição do governo Temer de quase oitenta por cento dos
entrevistados pelo Ibope recentemente. Claro, nenhuma dessas amostragens estatísticas podem ser
absolutizadas como verdades, mas, não deixam de refletir um cenário do que expressa a enigmática
e não menos polêmica opinião pública.
Certo é que, por tudo de vexatório que politicamente vem apresentando a permanência de
Temer na presidência da República, em especial os aspectos revelados da prática de crimes comuns
a ele atribuídas, o natural seria um elegante e republicano gesto de renúncia. Nada mais dramático ou
até trágico de um solitário tiro no peito à Getúlio Vargas. Não, apenas uma solução negociada de
transição política até se retormar o caminho da escolha democrática nas eleições presidenciais de
2018.
Claro, não se pode esquecer que a despeito da defenestração da ex-presidente Dilma Rousseff
da presidência da República ter sido motivada por típico golpe branco de Estado, a sua substituição
por Temerse fez no âmbito da legalidade constitucional, todavia, por isto mesmo com um inequívoco
déficit de legitimidade, o que se tornou mais evidente quando configurada a sua conduta criminosa
no episódio traduzido na denúncia apresentada pelo procurador geral da República no Supremo
Tribunal Federal.
Certo é que Temer, embora com alguns acertos na condução da política econômica, alargou
além do que seria razoável o seu direito de conduzir a presidência da República até que fosse eleito
um novo supremo mandatário da nação nas próximas eleições presidenciais de 2018, pois, cada vez
mais se acentua a ilegitimidade de sua permanência como inquilino do Palácio do Planalto, a despeito
mesmo dos previsíveis votos que possa obter em “tenebrosas transações” na Câmara dos Deputados,
para atingir o legal, mas, acentuar insuportavelmente a sua ilegitimidade, com a continuidade de uma
crise política e moral, com temeroso e imprevisível desfecho. Triste Brasil.

*Paulo Afonso Linhares é jurista e diretor da Rádio Difusora de Mossoró

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