Category Archives: Artigos

KENNEDY SALVADOR: “VIVER EM SOCIEDADE É RESPEITAR OS DEMAIS”

ADVOGADO OPINA SOBRE CIUMEIRA CONTRA OUTDOOR DE BOLSONARO

POR KENNEDY SALVADOR

A palavra que mais se fala na atualidade é RESPEITO à raça; credo; opção sexual; política e a tudo mais. Andamos “pisando em ovos”, tudo agora é preconceito! O que vejo é que há um enorme abismo de conveniências entre o pensamento ético e a ação. Pro incrível que pareça os grupos que pregam esse tal respeito são os mais intolerantes. O que tem demais um simples outdoor? Os simpatizantes do Deputado Bolsonaro têm todo o direito de manifestar a sua preferência, obviamente respeitando os contrários e igualmente tem que ser respeitados. Viver em sociedade é respeitar os demais, as diferenças. A maior prova de idiotice é querer imputar a sua verdade como absoluta e irrefutável. As redes sociais estão abarrotadas de agressões/ataques entre pessoas pelo simples fato de um grupo ter resolvido fazer uma homenagem ao seu preferido em futura corrida presidencial. Coisa mais besta e sem propósito! É salutar a exposição de idéias oportunizando o debate. Precisamos pensar, refletir, discutir e agir, mas tudo isso deve acontecer respeitando opiniões diferentes, crenças, valores que cada um carrega. Está incomodado com o outdoor do Bolsonaro? Faça um; dois; dez; do seu candidato e comemore também, qual o problema?

Fonte: Face de Kennedy

 

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

CIRO GOMES: “NÃO VOU CHAMAR NINGUÉM DE FILHO DA P***”

UM PRESIDENCIÁVEL E SEU “DISCURSO IMPRÓPRIO PARA MENORES”

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e área interna

Pasmem: Ciro Gomes avisou que não vai mais desfilar impropérios contra desafetos – Foto:iPad Skarlack

“É pauta, é pedra é o fim do caminho”.

Bem que a anáfora do poeta-escritor, Antônio Carlos Jobim, poderia ser adotada pelo marqueteiro do pré-candidato à presidência da República, Ciro Gomes (PDT), para definir o nível do discurso do mesmo.

Ele que já foi traído por sua verborragia, quando em outros carnavais – leia-se eleições -, começou bem, todavia, desandou a vociferar impróprios contra tudo e contra todos, bem que poderia ter aprendido com os próprios erros.

Porém, até mesmo quando avisa que não cometerá os erros pretéritos, descamba para a baixaria.

Prova?

Foi o próprio Ciro Gomes, que nos legou, na noite desta terça-feira, 5, ao ministrar, em Mossoró, uma palestra par a representantes da UFERSA.

– Eles (os adversários) vão tentar me assassinar na mídia, mas dessa vez não vou errar -, filosofou, emendando: “Mas dessa vez eu não vou mandar ninguém para a p*** que o p****”.

O mesmo nível (?) também foi mantido, em momentos como o que comentou sobre a atuação dos defensores do também presidenciável, Jair Bolsonaro: “Vão lá – nas redes sociais – dizer que vai votar no Bolsonaro para a m*** virar lama”.

Nem mesmo o ex e possível futuro aliado, Lula, escapou do linguajar impróprio para menores de idade.

“Quando o Lula começou a fazer m*** eu sai de perto e vaja no que foi que deu”, ironizou, ao comentar o período em que foi ministro em um dos governos do líder petista, antes de pedir para sair.

Ao ser questionados sobre um movimento especializado em triturar sua campanha nas redes sociais, Ciro Gomes não se fez de rogado, e mandou ver: “É o movimento dos bostinhas liberais”.

Por essas outras, talvez, seja mais apropriado, mesmo, ao discurso do presidenciável do PDT, o polissíndeto de Olavo Bilac: ‘Luta ensanguenta, e rola, e tomba, e se espedaça”.

Esse filme o Velho Apache Antenado já assistiu!!!

 

 

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

NOTA DA UERN CONFIRMA O QUE ESTE BLOG NOTICIOU SOBRE INVASÃO DA REITORIA

INVASORES IMPEDEM SERVIDORES DE TEREM ACESSO AO SEUS RESPECTIVOS LOCAIS DE TRABALHO

Na semana passada, noticiei aqui que um grupo de invasores da Reitoria da UERN estavam proibindo funcionários de terem acesso aos seus locais de trabalho.

Logo, alguns bobalhões, começaram a relinchar nas redes sociais.

Hoje, a UERN, atavés de nota, confirma o que aqui noticiamos.

Confira a NOTA:

NOTA

Professores e estudantes acampados no prédio da reitoria da Uern desde a noite da última quinta-feira, decidiram manter a ocupação nesta segunda-feira e impedir a entrada dos servidores da universidade para trabalhar. A medida irá prejudicar o andamento de uma série de processos administrativos, já parados desde a sexta-feira, comprometendo inclusive o processamento da folha de pagamento dos servidores da universidade.

Neste domingo, a reitoria enviou ofício à presidente da Aduern, Rivânia Moura, pedindo uma resposta oficial sobre a continuidade ou não da ocupação. A resposta chegou na manhã desta segunda-feira, com a alteração na pauta de reivindicação e condicionando a desocupação do prédio a, entre outras coisas, a revisão do encerramento dos contratos dos professores provisórios, não renovados por cumprimento à legislação estadual e recomendação do Ministério Público Estadual.

A reitoria respeita a ocupação do prédio como forma de protesto, mas é totalmente contrária à restrição da entrada dos funcionários para trabalhar, imposta pelos ocupantes. No sábado, a comissão que lidera o movimento disse que permitiria a entrada de apenas algumas pessoas.

Por entender que tem negociado com os ocupantes desde a última quinta-feira, inclusive tendo feito um encaminhamento conjunto, com a Associação dos Docentes da Uern, para solução do problema, nesta semana, a reitoria não considera a medida dos ocupantes como uma forma de diálogo.

A ocupação é feita por professores substitutos da universidade, que reivindicam a renovação de seus contratos, impedida pelo que está previsto em lei estadual.

Os prédios da reitoria e Epílogo de Campos abrigam a vice-reitoria, o Gabinete da reitoria, as Pró-reitorias de Recursos Humanos e Estudantis (Prorhae), Planejamento (Proplan), Administração (Proad), Assessoria Jurídica, Diretorias de Informática (DINF) e Obras, Agência de Comunicação (AGECOM), Comissão de Controle Interno (CCI), Cerimonial, Avaliação Institucional, Ouvidoria e UernTV.

Por estes setores passam, todos os dias, processos jurídicos, administrativos, de licitações, de compras, de obras, de pagamentos, de colações de grau, entre outras coisas.

A paralisação dos serviços compromete ações importantes para toda a universidade. O processamento da segunda parcela do salário de outubro e do 13º salário, por exemplo, fica comprometido.

Na Assessoria Jurídica, 136 processos de convocação, dentre os quais 125 de professores,  podem ser revogados se não forem concluídos e encaminhados ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) a tempo, assim como o envio ao tribunal das análises financeiras que possibilitarão a convocação de mais 43 concursados para a instituição.

Pedro Fernades Ribeiro Neto

Reitor

Fátima Raquel Rosado Morais

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Grupo Globo precisa usar consigo mesmo critérios e práticas que empregou com governo Temer

A TV Globo deveria escalar seus repórteres investigativos para conseguir o áudio das acusações que envolvem o nome da emissora e colocá-los em horário nobre, repetindo em todos os jornalísticos. Em nome da isenção

POR REINALDO AZEVEDO

 

Buzarco, o homem da TyC: o que ele ganharia se mentisse sobre a TV Globo

O grupo Globo precisa começar a usar consigo mesmo os critérios que emprega com alguns terceiros — critérios que o levaram a pedir a cabeça de Michel Temer antes mesmo de uma investigação formal.

O envolvimento no nome da empresa em pagamento de propina referente à transmissão de jogos da Copa do Mundo e da Copa América preocupa, claro, o principal braço do conglomerado de comunicação: a TV Globo. Quem levou tão longe a histeria persecutória vê-se em lençóis quando menos incômodos quando recebe uma acusação formal de pagamento de propina.

Há indícios suficientes de que, naquele ambiente, as coisas seguiam padrões éticos muito peculiares. Leiam o que informa o Estadão. Volto em seguida.
*
O ex-funcionário da empresa argentina Torneos y Competencias José Eladio Rodríguez, testemunha de acusação no julgamento do ex-presidente da CBF José Maria Marin, apresentou nesta quinta-feira no Tribunal Federal do Brooklin, em Nova York, planilhas que registram pagamento de US$ 1 milhão ao ex-executivo da Rede Globo, Marcelo Campos Pinto. O atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também aparece como destinatário de pagamentos ilícitos.

Campos Pinto negociou a compra de direitos de transmissão para o Grupo Globo até o final de 2015, quando deixou a empresa. De acordo com documentos apresentados por Rodríguez, ele seria o ‘MCP’ que consta na planilha de pagamentos ilegais da empresa argentina — inicialmente havia dito que a sigla era referente a Del Nero; depois corrigiu. Os pagamentos teriam sido feitos em 2013. Mas o ex-funcionário da TyC, encarregado de fazer as remessas da empresa, disse ao júri que não conhecia Campos Pinto.

Nas planilhas também apareceu referência a ‘MP’, que seria Del Nero.  Ao depor no dia anterior, quarta-feira, Eladio Rodríguez afirmou ter pago US$ 4,8 milhões em propinas para Del Nero e Marin. Nesta quinta, a defesa do ex-presidente da CBF, que cumpre prisão domiciliar em Nova York, voltou a dizer ao júri que era Del Nero, e não Marin, que recebia propinas.

Para isso, exibiu alguns documentos, entre eles um e-mail de 6 de junho de 2013, enviado por Rodríguez a ele mesmo como um lembrete de atividades que teria de fazer. Entre elas consta ‘telefonar para Marco Polo para transferência’. Isso levou James Mitchell, advogado de Marin, a perguntar ao ex-funcionário da TyC se ele havia pago propina a Del Nero. A resposta foi positiva.

Rodríguez disse também que o termo ‘brasileiro’ usado nas planilhas indicavam pagamentos feitos a presidentes da CBF e que, para ele, Marin e Del Nero eram um só, pois ‘estavam sempre juntos’. A testemunha também foi confrontada por dois documentos, igualmente apresentados por James Mitchell. Num deles, havia referência a pagamento de US$ 900 mil feito a ‘brasileiro’ (MP) e outra pagamento no valor US$ 2 milhões pela Copa América de 2015 — US$ 1 milhão teria sido pago.

A citação a Campos Pinto apareceu quando a promotoria mostrou um documento de pagamento de US$ 10 milhões feito pela Globo à empresa holandesa TyC por um contrato de transmissão. Uma anotação em especial indicava um pagamento da T&C a Campos Pinto no valor de US$ 1 milhão. Rodríguez disse à promotoria que o pagamento foi feito.

Marcelo Campos Pinto não foi localizado. O Grupo Globo se manifestou por nota:
“Sobre a afirmação de uma testemunha no julgamento que acontece em Nova Iork de que o ex-diretor do Grupo Globo, Marcelo de Campos Pinto, recebeu em 2013 pagamento de uma empresa do Grupo Torneos Competencias, que atua na área de marketing esportivo, o Grupo Globo esclarece que nunca teve conhecimento de tal pagamento. Caso tal pagamento tenha ocorrido, foi, evidentemente, contrário aos interesses da empresa. O Grupo Globo reafirma que não tolera nem paga propina’.

Marco Polo Del Nero também reagiu por meio de nota: “Com referência à citação feita pelo delator premiado José Eladio Rodríguez na Corte de Justiça do Brooklin, New York, EUA, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, reitera que o depoimento se mostra contraditório, confuso e inverossímil, eis que afirma sequer saber quem era o presidente da CBF à época dos fatos ou identificar o significado de supostas iniciais lançadas em uma determinada planilha. Reitera definitivamente que não assinou nenhum contrato objeto das investigações seja pela CBF, entidade da qual não era o presidente à época, seja pela Conmebol, onde nunca exerceu nenhum cargo. Por fim, reafirma que nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade ao longo de todas atividades de representação que exerce ou tenha exercido”’.

Voltei
Convém não confundir as coisas.

Em dois depoimentos, o executivo Alejandro Burzaco acusou a Globo, a mexicana Televisa e a empresa Torneos y Competencias de terem pagado propina em troca dos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030. Juntas, teriam, como direi?, agraciado Julio Humberto Grondona, ex-chefe do futebol argentino, com US$ 15 milhões.

Burzaco disse ainda que ele conversou com Marcelo Campos Pinto, então o todo-poderoso do futebol na emissora a brasileira, sobre o pagamento de propinas para a Conmebol por intermédio da Torneos (empresa do argentino) em troca de direitos da Libertadores e da Copa Sul-Americana.

A partir de transferências bancárias à empresa holandesa, os valores eram repassados a dirigentes sul-americanos, como o ex-presidente da CBF José Maria Marin.

O tal José Eládio Rodriguez fez mais do que eventualmente dar a entender que o funcionário da Globo teria recebido propina em vez de pagar — como sugere nota da Globo. Braço direito de Burzaco, o dono da Torneos y Competencias (T&C), ele confirmou ao tribunal de Nova York que uma offshore dessa companhia foi criada na Holanda para receber os pagamentos de grupos de comunicação, inclusive a Globo.

Assim, a suspeita, referendada pela nota da Globo — de que o então representante da emissora possa ter recebido propina pessoal — não se sobrepõe ao fato de que a acusação principal de Burzaco é a de que a Globo integrou o grupo que pagou propina, coisa muito distinta de um desvio pessoal de funcionário.

Ao ponto
Vazamentos de depoimentos — áudios ou vídeos — viraram a coqueluche da Lava Jato. O jornalismo brasileiro, muito especialmente a Globo, nunca atentou para sua legalidade ou ilegalidade, não? Não assistimos a falas intermináveis de Ricardo Saud acusando Rodrigo Loures de aceitar os tais R$ 500 mil para dividir com Temer?

Se vocês se lembram, não há uma só gravação entre Saud e Loures em que isso seja dito. Nada! Convenham: se o deputado estava pegando propina para repassar ao presidente, seria, digamos, natural que abordasse o assunto com a fonte pagadora. Mas isso simplesmente inexiste. Como inexiste qualquer outra circunstância que aponte para algo semelhante.

O que há, de sobejo, são gravações de Saud com os procuradores, em que a acusação é feita. Então temos o seguinte mecanismo perverso:

1: o locutor do Jornal Nacional afirma que delator diz que dinheiro era para o presidente.

E a prova?

2: ora, é o depoimento do próprio delator ao procurador, como se ele conferisse à coisa ares de verdade.

E aí esse depoimento é reproduzido no “Bom Dia Brasil”, no “Jornal Hoje”, no “Jornal Nacional”, no “Fantástico” e umas 35 vezes na GloboNews…

Esse tipo de jornalismo não se faria em nenhuma outra democracia do mundo. Quem usa a palavra do acusador como prova são regimes como o venezuelano, o turco, o russo… As ditaduras escancaradas matam e pronto.

É claro que não emprego aqui a palavra “prova” em sentido técnico. Afirmo que, aos olhos do telespectador, a gravação da acusação de Saud soava como prova provada. Era receita para derrubar presidente. Mas ele não caiu nem atendeu ao editorial do Globo, que mandou que renunciasse.

Para arrematar: será que as gravações em que a fica clara a tramoia, a urdidura, a conspiração a que se dedicou a turma da JBS, em pareceria com membros do MPF, mereceu o mesmo destaque? A pergunta é retórica. A resposta é “não”.

Agora ao ponto
A Globo deveria escalar seus repórteres investigativos para conseguir o áudio das acusações que envolvem o nome da emissora e colocá-los em horário nobre, repetindo em todos os jornalísticos. Em nome da isenção.

Na hora do “outro lado”, em vez de baixar a voz de Deus na figura do âncora, apareceria alguém de carne e osso para falar a respeito.

A propósito: já sabemos o que ganham os delatores brasileiros se acusam aqueles que estão na listinha previamente elaborada pelos procuradores. Ganham a impunidade. Cabe fazer a pergunta: o Buzarco ganha acusando a Globo?

Delator que mente, no Brasil, ganha direito a entrevista exclusive a veículos empenhados em derrubar o presidente. Nos EUA, se isso acontecer, ganha é uma cana feia.

Fonte: Site da Rede TV

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

A “nova política” produziu só atraso; já a “velha” tirou o país do atoleiro petista

Já a “velha” tirou o país do atoleiro petista

POR REINALDO AZEVEDO

Aqui e ali leio e ouço reclamações sobre a “velha política”. Da extrema esquerda à extrema direita, reivindica-se a novidade como valor em si, como categoria política ou de pensamento. Até conservadores fazem dela um fetiche, o que é coisa de hospício.

Jair Bolsonaro, por exemplo, quer-se o novo, especialmente agora que arrumou um Paulo Guedes para chamar de seu, uma fórmula que, segundo o economista e financista, junta a “ordem” (suponho que seja o militar reformado) com o “progresso” (acho que se refere, com modéstia peculiar, a si mesmo).

A facilidade com que nossos “sedizentes” liberais se juntam a autoritários é já uma tradição. Lembrando um poema-piada de Oswald de Andrade, a um liberal à moda brasileira ocorreria vestir o índio, mas nunca despir o português.

Ao se referir ao rebento que nasceria do casamento (“hétero”, o deputado frisou; Deus do céu!) de Bolsonaro com Guedes, Elio Gaspari lembrou a suposta resposta de Bernard Shaw a Isadora Duncan quando esta lhe teria proposto que tivessem um filho, que nasceria, então, com o cérebro dele e o corpo dela. Teria declinado do convite alertando para o risco de a criança ter o corpo dele e o cérebro dela.

A história é boa, mas não aconteceu. Shaw a desmentiu. No máximo, admitiu que ela se ofereceu para dançar para ele sem véus. Segundo disse, esqueceu-se de comparecer ao encontro. Para Oswald, tudo indica, ela dançou ao passar por Banânia…

A minha metáfora é um pouco mais rural, caminhando também ela para o clichê. É a história do caipira que cruzou a vaca com o jumento para extrair de ambos o melhor. O híbrido nem dá leite nem puxa o arado. Pior: baba como um ruminante e dá coice como um asinino. O caipira do Mazzaropi, que, de tonto, só tinha o andado, não cairia nessa.
(…)

Foi a fantasia autoritária e dita modernizadora do “ilegalismo” militante da Lava Jato que conduziu o país, até aqui ao menos, a uma escolha entre Lula e Bolsonaro.
(…)
Já a “velha política” se encarregou de se articular com o Congresso para aprovar teto de gastos; mudança no marco do pré-sal; reestruturação do setor elétrico; reforma trabalhista; reconstrução do ensino médio e, quem sabe?, alguma reforma da Previdência.
(…)
Para ler a íntegra, clique aqui

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Falei há pouco com Temer no Sírio-Libanês: “Four more years”. E a “Oração aos Moços”, de Rui

E a “Oração aos Moços”, de Rui

POR REINALDO AZEVEDO

Presidente Michel Temer: intervenção bem sucedida e bom humor. Eis uma boa mistura

— Presidente?
— Oi, Reinaldo, como vai?
— “Four more years”, só pra recomeçar?
— [risos] Pois é… A gente não é dono do futuro. Mas você sabe que me disseram que o coração, agora, ficou muito bom!
— Foi o Kalil quem disse?
— Foi, sim!
— Ele é um craque.
— O senhor está se sentindo bem?
— Muito bem! 
— A voz está firme, sem nenhum sinal de que o senhor passou por um procedimento delicado.
— Sabe que já me falaram isso?
— Estou aqui torcendo para que o senhor se recupere logo.
— Estou com dois stents. Li que são feitos de uma mistura de aço e cobalto.
— Então… Nós dois agora pertencemos aos reinos animal e mineral. Tenho molas de platina e tungstênio no cérebro.
— Isso deve ser bom. Seu cérebro parece ir muito bem…
— Os críticos dizem que não; que arrancaram o cérebro e só deixaram o aneurisma [risos].
— Essas coisas são assim mesmo… Você se lembra daquela passagem da “Oração aos Moços”, do Rui Barbosa, em que ele fala da dívida que temos com os inimigos? Segundo o Rui, por mais mal que nos façam, o bem será sempre maior porque, em razão do que nos fazem, a gente se depura.
— Lembro, sim. Nem sempre é fácil a gente exercitar aquela lição, mas ele estava certo.
— É verdade!
— Liguei para expressar os votos de pronto restabelecimento. Fico feliz e tranquilo ao perceber que o senhor está tão bem!
— Muito obrigado, Reinaldo!

Essa foi a conversa que mantive há pouco, ao telefone, com o presidente Michel Temer, que está internado no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Ele passou nesta sexta por um cateterismo para desobstrução de três artérias do coração — duas delas receberam stents, microtubos expansíveis que impedem futuras obstruções. A equipe que o atendeu é chefiada pelo cardiologista Roberto Kalil Filho, que cuida, com a competência habitual, também do meu coração de manteiga.

Sendo o procedimento bem-sucedido, e o de Temer foi, o portador de tal, digamos, “artefato” não corre risco adicional nenhum na comparação com pessoas que tenham o coração saudável. Ah, o mesmo vale para as tais “molas” empregadas na embolização de aneurismas.

Sempre a calma
Ao longo desses meses, desde a crise deflagrada pelo vazamento da conversa que não existiu entre Temer e Joesley Batista — não nos termos anunciados —, falei, sei lá, umas dez vezes com o presidente. Em duas delas, ele estava internado: o papo de há pouco e o da internação anterior. Nunca o vi alterado, bilioso, com ódio. Mas essa constatação poderia retratar apenas, digamos, interiores, sendo mera cena privada, sem consequências na vida pública.

Mas isso não é verdade. Nesse tempo, a agenda avançou, e o presidente se saiu vitorioso em todas as matérias que foram votadas pelo Congresso; atuou, a despeito das dificuldades, em parceria com o Poder Legislativo.

Impressiona-me a dificuldade que tem a imprensa de reconhecer esses avanços. Ou porque está atrelada a pressupostos ideológicos que vêm de longe ou porque é refém de uma doxa, imposta pelo Ministério Público Federal e pelo rancor disfarçado de moral elevada, que a impede de ver o óbvio.

Poucos políticos, em circunstâncias normais — isto é, sem suceder a um presidente deposto e sem ser assediado por duas denúncias escandalosamente ilegais —, teriam ido tão longe. Acho que eu mesmo preciso refazer a frase: nenhum dos que o antecederam, ainda que em condições absurdamente mais favoráveis, foram tão longe. A reforma trabalhista que o diga. As intervenções cirúrgicas na economia (sem trocadilho com o momento) repuseram o Brasil na trilha do crescimento.

Se o país fizer a coisa certa — as reformas — e se os brasileiros fizerem a escolha certa, teremos um longo período de crescimento pela frente. E o crescimento é sempre o melhor motor da justiça social, da elevação de renda da população, da autonomia dos indivíduos.

Temer já é o presidente mais injustiçado da história do país.

E torço, pois, para que o tempo se encarregue de corrigir essa distorção

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

KADU CIARLINI “ESTÁ” ELEITO

É SÓ OBSERVAR A REAÇÃO DOS MENINÕES & MENINONAS

Bastou um simples registro, aqui, com exclusividade, sobre o caminhar para um estado de irreversibilidade no projeto do publicitário, Kadu Ciarlini, de disputar uma cadeira de deputado estadual – e, dependendo da conclusão das conversas -, até mesmo uma vaga na Câmara Federal, em 2018, para os “meninões & meninonas” acusarem o baque.

Não tive tempo de acompanhar, todavia, pelo que me sopraram, nos pós-informe sobre o debute de Kadu no embate urnístico, no próximo pleito, o publicitário caiu em desgraça – o que para ele é de se comemorar – perante os “meninões & meninonas” que na gestão municipal passada, tiveram trânsito livre ao cofre oficial.

O pretexto teria sido um texto que Kadu Ciarlini assinou em sua página no Facebook.

Então, se os “meninões & meninonas” (acostumar-se, doerá menos) não gostaram, claro que o texto aqui é reproduzido, em azul: 

POR KADU CIARLINI

Cadê o outro lado da informação?

Em Mossoró, foi alardeado em alto e bom som por parte da mídia (especialmente rádios) a notícia de que o município estaria com 60% dos gastos com folha de pessoal, que isto ultrapassaria o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal e que por essa razão havia ensejado uma recomendação por parte do MP recomendando a redução de gastos com pessoal. Num primeiro momento possível, em entrevista ao RN TV, o Consultor Geral do Município explicou e apontou que esse valor de 60% foi atingido porque nos gastos desse ano com pessoal, em dia diga-se de passagem, foi contabilizado também o gasto com os salários atrasados da gestão passada (mais de R$ 30 milhões) e que a nova administração já alcançou a grande maioria desses servidores que tiveram seus salários de novembro e dezembro de 2016 “esquecidos” pela administração anterior. E qual seria a postura mais digna da atual administração? A que está tendo: ao passo que paga servidores ao término de cada mês – uma exceção brasil afora nesses tempos de crise que gera atrasos – procura honrar também os salários lesados da administração anterior, administração esta que entre outros feitos temendo ver sua intenção de voto irrisória se comprovar nas urnas retirou a candidatura a reeleição do antigo “gestor”. Qual a minha estranheza diante desses fatos? Praticamente ninguém noticiou que este gasto de 60% com folha de pessoal foi de 60% porque foram somados as folhas atrasadas de novembro e dezembro de 2016, além do 13º salário de boa parte dos servidores efetivos e comissionados que a administração passada não pagou. Uma explicação relativamente simples e uma conclusão evidente. Vi em apenas um veículo de comunicação essa explicação que é um desdobramento do fato, uma vez que a prefeitura se pronunciou em entrevista através do seu Consultor Geral. Mais espantoso do que isso foi ver um programa de rádio da cidade convocar o ex-secretário de planejamento de Silveira para ensinar quantos cargos a prefeitura deveria ter , quantos deveria cortar , praticamente tentando ensinar a administrar. Se sabiam de tudo isso, por que não executaram na gestão que estavam sentados nas cadeiras que decidiam exatamente sobre estas questões? Por que o antigo planejamento, não planejou e o desastre aconteceu, percebido por todos os cidadãos da cidade. Por que não cortou, não geriu, não previu e terminou dando calote em novembro e dezembro, além de incontáveis terceirizadas (8 meses), suspensão de serviços essenciais como reposição de lâmpadas entre outros inúmeros que gastaria aqui horas escrevendo, mas para ser sucinto: a prefeitura em dezembro passado sequer podia abastecer uma ambulância porque devia muito ao fornecedor de combustível, sequer podia enviar uma correspondência porque devia aos correios.. É esse o pessoal que vai “ensinar” o que fazer? Será que não percebem que houve avanços substanciais se antes passavam 2 meses sem pagar salários e hoje se paga em dia e ainda se paga o atraso deles dentro das possibilidades financeiras existentes, será? Outra verdade mais que óbvia é que a prefeitura acertou no corte de cargos comissionados na medida certa e me orgulho de ter participado dessas decisões desde o período da discussão em torno do plano de governo. Num primeiro momento, numa fase inicial, de avaliação e estudos, 50% de cargos comissionados a menos e quando identificasse a capacidade de pagamento do município, definiu até quantos cargos poderia preencher sem alterar significativamente o gasto com a folha corrente. E assim foi feito. Se antes havia mais de 700 cargos em comissão e hoje são cerca de 500 segundo o que noticiam, tirando os da nova, importante e necessária Secretaria criada, a de Cultura. Ninguém percebe que houve uma redução de quase 30% de comissionados? e Ninguém noticia ? Pelo contrário, ex-secretários de Silveira e ex-defensores dele (ex ou atuais) aparecem na mídia para criticar o “alto número de cargos comissionados”. Que alto número se na gestão de vocês tinha cerca de 2 centenas a mais de cargos desse
tipo do que tem hoje? Por que não noticiam isto? Cadê o contraponto da informação? Nesse caso, a verdade. Por que não é noticiada?

Fonte: Face de Kadu

 

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

DE BICOS ROTOS E…

 

…ASAS PARTIDAS

POR PAULO AFONSO LINHARES

Quando no início da década de 1980 um seleto grupo de antigos componentes do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) resolveu deixar a sigla para fundar um partido mais de centro-esquerda, não fisiológico, moderno e bem próximo da Social-Democracia europeia – que estava no poder em vários países daquele continente -, abriu-se uma nova e positiva possibilidade de uma superação definitiva, sobretudo, do patrimonialismo que há séculos pautava a política brasileira, ademais de um enorme rosário de questões correlatas e dependentes, como os tantos vícios do sistema eleitoral então vigente, uma pesada herança que remonta à manipulação que as oligarquias costumavam fazer, a exemplo da política do “Café com Leite” com que São Paulo e Minas Gerais mantinham um rígido controle da Presidência da República, com a eleição alternada da paulistas e mineiros, na época da chamada “República Velha” (1889-1930).
Posto que reivindicassem a condição de representantes da Social Democracia aqui nos trópicos, foi inevitável concorrer com outras siglas que por aqui surgiram no mesmo período – o da reforma partidária ocorrida nos extertores da ditadura militar – com perfis ideológicos assemelhados, como o fortíssimo Partido Democrático Trabalhista (PDT), fundado por Leonel Brizola, a refundação do Partido Socialista Brasileiro (PSB) tendo com uma das figuras de proa o lendário político nordestino Miguel Arrais e mesmo o Partido dos Trabalhadores (PT), que nasceu ligado às alas mais à esquerda do movimento socialista-democrático europeu.
Entretanto, pela qualidade das lideranças que fundaram o PSDB (Mario Covas, Franco Montoro, Fernando Henrique Cardoso, José Richa, entre outros), a sigla surgiu com grande densidade política, a despeito do fracasso nas urnas da candidatura de Mário Covas, na eleição presidencial de 1989, quando todas as grandes lideranças políticas brasileiras foram derrotadas pelo até então obscuro ex-governador alagoano, Fernando Collor de Mello. Na eleição seguinte, em 1994, foi eleito presidente da República o sociólogo Fernando Henrique Cardoso, mandato que seria renovado em 1998.
Os oito anos de FHC frente à presidência foram marcados pelo abandono das teses da social-democracia e pela aproximação com o modelo neoliberal da primeira-ministra britânica Margareth Thatcher e, no flanco interno, celebrou alianças com as mesmas forças políticas conservadoras que apoiaram a ditadura militar, num crescendo de descaracterização política que permitiu a retumbante eleição de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, com início de um ciclo de governos petistas que duraria doze anos. Em suma, o PSDB disputou e perdeu as quatro últimas eleições presidenciais. Foi o inconformismo com essas derrotas que levou ao impeachment de Dilma Rousseff e lançou o país numa das maiores crises políticas de sua História.
Neste momento, o ninho dos tucanos está desarrumado, muito em função das estrepolias do senador mineiro Aécio Neves, seu presidente nacional. A briga interna dos tucanos, todavia, não se limita à indicação da candidatura para o pleito presidencial de 2018: a presidência nacional do PSDB tem sido alvo de renhida disputa. Com efeito, após a revelação de grave episódio que envolveu o senador Aécio Neves em caso de corrupção, sua permanência à frente do partido tornou-se inviável e desgastante, sobretudo, após o seu afastamento do exercício do mandato, por decisão do STF. Aécio se afastou do cago e indicou o senador Tasso Jereissati para assumir interinamente a presidência do PSDB. Posteriormente, Jereissati defendeu a renúncia de Aécio Neves do cargo de presidente nacional da sigla e foi mais além ao propor, também, a desfiliação daquele. Foi a gota d’água. Retornando ao mandato senatorial, Neves se sentiu forte o suficiente para reassumir a presidência tucana para novamente se licenciar do cargo, colocando em seu lugar o ex-governador paulista Alberto Goldman. Essa briga ainda vai render, pois o senador Jereissati é forte candidato à presidência do PSDB na eleição a ser realizada a curto prazo e, se eleito, talvez Aécio tenha que buscar um outro ninho.
Neste período que antecede o pleito presidencial de 2018, paradoxalmente, os tucanos do PSDB estão com a casa desarrumada, sobretudo, pelas dificuldades políticas vividas por suas principais lideranças: o octogenário FHC está fora da disputa, por problemas de saúde; os senadores Aécio Neves e José Serra perderam essa condição, também, em razão de graves acusações de participação em esquemas de corrupção; remanescem as figuras do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin e do prefeito da capital paulista, João Dória, que travam uma renhida luta interna pela indicação partidária, contudo, ambos aparecem com posições muito tímidas nas pesquisas de opinião até agora realizadas, sendo quase certo que vencedor da disputa no ninho tucano dificilmente emplacará uma vitória na corrida presidencial de 2018.
Claro, embora o ex-presidente Lula mantenha uma boa dianteira nessas pesquisas, onde ganharia a eleição presidencial em quaisquer dos cenários simulados, a sua candidatura igualmente enfrenta enormes dificuldades por ser réu em vários processos da Lava Jato, tornando incerta a sua condição de elegibilidade. Isso, porém, em nada beneficiaria o candidato peessedebista, seja Alckmin ou Dória, o que escapar da briga interna, desse ninho de cancões, ou melhor, de tucanos.
Em suma, não sendo Lula candidato é possível a eleição de alguém nos mesmos moldes de Collor, no pleito de 1989, todavia, dificilmente isso recairia em candidato do PSDB: poderá chegar ao Planalto Marina Silva, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes ou até o narigudo global Luciano Hulk, menos um tucano de asas partidas e bico roto, o que projeta um cenário que não favorece à ideia de uma urgente e necessária superação da crise político-institucional que asfixia o Brasil nestes albores de 2018. Aguardemos.

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Estou enganado, ou Temer é o único com agenda? Acho que o lançarei para 2018

Aqueles que são candidatos a substituir o atual mandatário tiveram a chance de mobilizar os brasileiros com suas ideias virtuosas… Quais?

POR REINALDO AZEVEDO

O presidente Michel Temer tem uma vantagem. Segundo os critérios adotados pelos institutos de pesquisa –e não os estou contestando necessariamente–, não há mais espaço para a queda de prestígio. Não acredito num novo surto de linchamento tendo como guias patriotas do quilate de Joesley Batista e Lúcio Funaro.
(…)
Aqueles que são candidatos a substituir o atual mandatário tiveram a chance de mobilizar os brasileiros com suas ideias virtuosas… Bem, um governo com uma aprovação abaixo de dois dígitos certamente haveria de engendrar contraditórios luminosos.

E o que se viu? Maia deu piti porque julgava que lhe estavam roubando parlamentares egressos do PSB. Era a sua pauta. O PSDB, em processo de desconstituição, começou a arrumar as malas para deixar o governo. Em São Paulo, seus convencionais gritaram “Fora, Aécio!”, de sorte que seu presidenciável, Geraldo Alckmin, dá partida à postulação com seus entusiastas a chutar tanto o PMDB como o braço mineiro do próprio partido.

Ciro Gomes falou mal dos juros, insultou adversários e criticou esta Folha.

De novo! Marina fez outro trocadilho de apelo telúrico-nativista-metafísico e propôs algo que não me sai da cabeça: disse ser necessário um intervalo político entre a “profunda crise atual” e a “instauração de um país republicano de fato”. Pensei em 204 milhões de brasileiros reféns de um mesmo lapso temporal, que ela chamou de “transição legitimada”.

Não entendi nada, mas quero saber o nome do remédio. Bolsonaro prometeu caçar pervertidos, facilitar porte de armas a todos os brasileiros, arrumar um economista que saiba o que é tripé macroeconômico e promover a independência do Banco Central. Eis aí: um país sem tarados e com BC independente! E Lula disse que nos perdoa.

Que coisa! Estou enganado, ou Temer é a única liderança com uma agenda? Desse jeito, eu ainda vou lançá-lo candidato à Presidência da República em 2018!!!

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

O cinegrafista Gil Moura conta a sua experiência de trinta anos com o “racista” William Waack

Nesta caminhada, fazendo imagens e contando histórias, poucos colegas foram tão solidários quanto o velho Waack. Ele faz parte dos pouquíssimos globais que carregam o tripé para o repórter cinematográfico preto ou branco. Na verdade, não me lembro de ninguém na Globo que o faça. O velho sabe para que serve cada botão da câmera e o peso do tripé

POR REINALDO AZEVEDO

William Waack: jornalista é, na verdade, a vítima, não o algoz. Poderia até ser acusado de fazer uma piada infeliz. Mas racismo? É uma acusação mentirosa. Sua vida, seu trabalho e suas convicções atestam o contrário

William Waack não é racista. Não o é de várias maneiras. E ainda pretendo voltar a este tema para perguntar onde estavam os movimentos negros, por exemplo, quando Paulo Henrique Amorim afirmou que o jornalista Heraldo Pereira só é bem-sucedido na Globo por ser um “preto de alma branca”. A Justiça brasileira, acusada frequentemente de omissa no tema, condenou o autor por injúria racial. Os ditos movimentos não quiseram se indispor com alguém que, hoje ao menos, se porta como se fosse de seu campo ideológico. Tampouco os veículos de imprensa se interessaram pelo assunto.

É um absurdo que se tenha de voltar a questões fundadoras de uma democracia de direito. Será que todos os que condenam o racismo de megafone na mão o combatem no seu dia a dia, na sua prática diária? Uma piada, em si boboca, feita em privado — mas tornada pública por circunstâncias que envolvem má-fé e cálculo —, pode resumir décadas de trabalho, substituí-las, mesmo tendo o seu autor pedido desculpas de forma clara e inequívoca? Mesmo que se saiba não ser ele racista?

E que primor de anti-racismo o tal rapaz, não é mesmo — isso a ser verdade o que se veicula por aí? Ainda tenho sinceras dúvidas. A minha hipótese ainda é a de que o troço vazou de dentro da Globo, no exato dia em que a eleição de Donald Trump completava um ano. E alguém teria se encarregado de lavar a origem. Mas vá lá. Tomo como verdadeira a versão que saiu por aí. Então, enquanto era funcionário da emissora, o tal guardou o vídeo: sabem como é… Ele achou que a causa não valia um emprego. Seu anti-racismo e sua entrega militante têm alguns limites, não é? “Os irmãos” poderiam esperar a sua conveniência pessoal antes de botar a boca no trombone…

Tenha paciência! Mas resolvi voltar ao assunto por outra razão.

Uma das coisas erradas que se disseram sobre William é que ele é de trato difícil, ríspido, com chefes e subordinados. Com chefes, não sei. Com subordinados, é certo que não. Até porque, dada a forma como se estruturam TVs e jornais, jornalistas quase nunca são subordinados de âncoras. Eu mesmo já fui acusado de ser “boca-dura” com quem está acima de mim na hierarquia. Não considero verdade, mas não sou dono da impressão dos outros. Sou franco. Mas de uma coisa não tenho dúvida: nunca fui grosseiro, indelicado, chiliquento com quem está abaixo na hierarquia. Tenho horror a grosseira. Costumo dizer que a competência é cordata. A incompetência é que gosta de sair dando esporros a três por quatro, quase sempre para se livrar de suas próprias irresponsabilidades.

Circula no Facebook um testemunho de Gil Moura. Ele trabalhou com William durante muito tempo. Reproduzo abaixo como está lá. Vale a pena ler.

“Eu sou preto. Já trabalhei com ele [William] na França, em Portugal, na Espanha, na Índia e em São Paulo.

Nesta caminhada de 30 anos, fazendo imagens e contando histórias, poucos colegas foram tão solidários quanto o velho Waack. Ele faz parte dos pouquíssimos globais que carregam o tripé para o repórter cinematográfico preto ou branco. Na verdade, não me lembro de ninguém na Globo que o faça. O velho sabe para que serve cada botão da câmera e o peso do tripé.

Quando um preto sugere um restaurante mais simples, ele não dá atenção porque paga a conta dos colegas que ganham menos no restaurante melhor. Como ele fez piada idiota de preto, ele faz dele próprio, suas olheiras, velhice etc.

O que a Globo mais tem são mocinhos e mocinhas de cabelos arrumadinhos, vindos da PUC ou da USP, que são moldados ao jeito da casa.

Posso dar o exemplo de quando estávamos gravando uma passagem no meio da rua, onde havia um acidente, e sugeri a uma patricinha repórter que prendesse o cabelo devido ao vento. Ela o fez. Gravamos na correria porque estávamos a duas horas do RJ. No dia seguinte, na redação, que aparece no cenário do JN, ela comenta.

— Você viu a matéria ontem?

— Não

— Sobrou uma ponta do cabelo, fiquei parecendo uma empregada doméstica.

Ao que respondi.

— Eu sou repórter cinematográfico, cabeleireiro não havia na equipe.

Posso lembrar-me de muitas coisas como, quando fazíamos uma matéria para o Fantástico, uma mesa de discussão, e, ao ouvido, ouço o repórter falar.

— Põe aquela pretinha mais para trás.

Isto faz parte do cotidiano. Os verdadeiros racistas estão por todas as partes, mas são discretos. Também tem a famosa, que chegou ao prédio onde vive, e uma moradora (namorada de um amigo) segurou o elevador.

A famosa negra não agradeceu, e ficou de braços cruzados. O elevador começou a subir.

Jornalista Famosa

— Você não sabe qual é o meu andar?

— Sei, mas não sou sua empregada.

No vídeo, ela é uma “querida”, jamais trata mal o entrevistado, se estiver gravando…

Voltando ao racista William Waack. Quando íamos para a Índia — eu vivia em Lisboa — fui três dias antes para Londres, de onde partiríamos para Dheli.

Eu ia ficar em um hotel, mas o racista que havia trabalhado comigo até então somente uma vez em Cannes convidou-me para ficar em sua casa, onde vivia com esposa e dois filhos, esposa essa a quem ele, preconceituosamente, chamava de “flaca” devido à sua magreza. Eu via como uma forma de carinho.

Comemos, bebemos bom vinho e, em nenhum momento, alguém quis se mostrar mais erudito que eu, nem mais racista.”

Gil Moura

 

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+