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A Velha Dilma de sempre

“Ligado ao PT há muitos anos, Barbosa desmoralizou-se. Aceitou a reprimenda sem chiar. Baixou a cabeça. Aferrou-se ao emprego com gosto. E sem um pingo de vergonha”, escreve jornalista

Por Ricardo Noblat

Ninguém em Brasília, por mais próximo que fosse de Dilma, acertaria um bolão que perguntasse assim: “No segundo governo, quanto tempo a presidenta levará para desautorizar publicamente um dos seus auxiliares?”

O mais esperto dos apostadores talvez cravasse “uma semana”. E logo seria apontado como desafeto de Dilma.

Resposta certa: menos de um dia. A vítima: Nelson Barbosa, ministro do Planejamento.

No meio da tarde da última sexta-feira, uma vez empossado, Barbosa se viu no centro de uma roda de jornalistas carentes de informações sobre o ajuste fiscal que vem por aí.

Quem circula com passe livre pelo Palácio do Planalto informa que o ajuste será mais duro do que o imaginado aqui fora. Crivado de perguntas, o ministro resolveu saciar a curiosidade dos jornalistas.

E disse que o governo irá propor ao Congresso uma nova regra para o reajuste do salário mínimo a partir de 2016. A regra atual, criada em 2008, cairá em desuso até dezembro.

Barbosa teve o cuidado de garantir que “continuará a haver aumento real do salário mínimo”, cláusula pétrea da Era PT. Segundo ele, “a política do reajuste do salário mínimo é correta, mas precisa ser reavaliada”.

Dilma não gostou quando soube da entrevista. E no sábado de manhã, na Base Naval de Aratu, na Bahia, onde descansa, subiu nas tamancas ao ler o que os jornais publicaram a respeito.

Um telefonema de Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, deu conta a Dilma da reação negativa das centrais sindicais à entrevista de Barbosa.

Se não fosse a pessoa autoritária que é, acostumada a infundir medo e a humilhar subordinados, de uma simples secretária ao general que um dia saiu chorando do Palácio do Planalto depois de tratado aos gritos, Dilma poderia ter telefonado para Barbosa e tirado tudo por menos.

Afinal, o ministro nada disse que não tivesse sido antes negociado com ela. E aprovado por ela.

Uma Dilma tolerante, disposta a criar um ambiente favorável ao trabalho em equipe, a ouvir antes de falar, e a compartilhar o poder, na verdade seria outra Dilma e não essa que temos.

Dividir o poder não se resume ao loteamento de cargos do governo entre partidos que o apoiam, mais ainda sabendo que tal prática favorece a corrupção acima de tudo. Como demonstrado.

Mas quem disse que Dilma admite abrir mão de nacos do poder? Somente ela mesma…

Barbosa distribuiu uma nota oficial na tarde do sábado dando o dito pelo não dito: “A proposta de valorização do salário mínimo a partir de 2016 seguirá a regra atualmente vigente”.

Ou seja: um ponto importante da nova política econômica foi revogado mal o governo começou. E começou mal.

Para provar que manda, Dilma desmoralizou seu ministro. Não satisfeita em fazê-lo, deixou que assessores vazassem para a imprensa sua indignação com “declarações consideradas inoportunas”.

Ligado ao PT há muitos anos, Barbosa desmoralizou-se. Aceitou a reprimenda sem chiar. Baixou a cabeça. Aferrou-se ao emprego com gosto. E sem um pingo de vergonha.

Nos fim do governo passado, Guido Mantega, da Fazenda, foi um ministro demissionário no exercício do cargo. Dilma antecipou que o mandaria embora caso se reelegesse.

Barbosa poderá atravessar no cargo os próximos quatro anos. Nem por isso recuperará a autoridade perdida em menos de 24 horas.

A sorte do novo governo depende cada vez mais de Joaquim Levy, sucessor de Mantega. Saiba Dilma que ele não é de levar desaforo para casa.

Fonte: Blog do Noblat

Carta aberta

Irmão de jovem morto por bala perdida no município de Martins faz um relato dramatico

Por Cabecinha Carvalho 

MARTINS /RN: RELATO DE JUDSON NUNES, IRMÃO DO JOVEM “HUGO NUNES” QUE FALECEU VITIMA DE BALA PERDIDA

A cidade de Martins/RN,  cidade turística, bela, privilegiada pelo seu clima, amada por todos que nela reside, e visita em finais de semana e datas festivas, que tem cerca de oito mil habitantes, e em período de 27 de dezembro a 06 de janeiro é comemorado a festa da padroeira, passa a se aglomerar entorno de 10.000 a 12.000 pessoas, onde deveria ser assistido pelos poderes público no mínimo com segurança e saúde.

Neste período, os filhos ausentes aproveitam para visitar seus pais, e os turistas procuram-se confortar nos hotéis e pontos turísticos, sem ao menos terem esses direitos.
Isto aconteceu comigo, e levo ao conhecimento de todos para que não aconteça com outras famílias, e não se repita com quem já passou por essa situação.
Exija, denuncie, evitando assim a dor, o sofrimento, a angustia, a perca de um familiar, de um amigo, de um inocente, um realizado, jovem, querido e amado por todos. Ciente por estar cumprindo o seu dever de homem de bem.
Pois estou sentindo na pele o que ninguém imagina como é, se nunca estiver passado por isto.
O meu irmão HUGO NUNES, ao chegar em Martins/RN, a cerca de 30 minutos, foi alvejado por uma bala perdida, e em busca de socorro médico, ao hospital da mesma cidade, fui informado na porta, que não existia medico e nem ambulância nem ao mesmo um atendimento digno de Humanidade.
Dirige-me a próxima cidade e obtivemos as mesmas informações.
O que fazer? Como salva-lo? Se é que ainda existia chance.
O meu irmão corria risco de morte, tivemos essa certeza apos viajar ao Hospital Regional de Pau dos Ferros, entorno de uma hora do ocorrido.
Ciente que houve omissão e negligencia de atendimento, e a falta de respeito com o próximo, isso é descaso do Poder Publico com a saúde.
Enfim restou a saudade, a revolta, com a perca de um jovem, que ainda tinha muito a realizar aqui na terra, um Grande Homem, tornarei a repetir sempre.
Enfatizo, quando meu pai ao tomar conhecimento do caso, dirigiu-se ao hospital em busca de noticias vivencias, se deparou com uma ambulância na porta e enfermeiros, na cidade de Martins, que neste mesmo momento estávamos em Pau dos Ferros e já tínhamos a certeza de que meu irmão já estava sem vida.
E o que me deixa mais consternado, é que fui informado pelo legista de Mossoró, que se meu irmão tivesse recebido o atendimento na cidade do ocorrido “MARTINS/RN” o mesmo teria sido salvo.
Pois este medico informou que a bala não havia atingido local vital.
Estou ciente que este relato não trará o meu irmão, mais vai evitar que outros passem por esta mesma situação tão dolorosa.
Deixo o meu clamor e um pedido de socorro, em nome de população carente de atendimento e de informações, se calam, sofrem, e se humilham (pedindo favores) no que resulta o ABUSO DE PODER.
JUSTIÇA SEJA FEITA…
Natal/RN, 04 de janeiro de 2015
Ass.: Judson Nunes

Sem Decreto da Esperança

Artigo

Por Paulo Afonso Linhares
Paulo-Afonso-Linhares

Paulo Afonso Linhares é jurista, secretário municipal e diretor da Rádio e do Portal Difusora

Em trecho do poema Receita de Ano Novo, publicado no "Jornal do Brasil" em dezembro de 1997, Carlos Drummond de Andrade aconselha sobre como devem ser renovadas as expectativas a cada novo ano: "Não precisa fazer lista de boas intenções/ para arquivá-las na gaveta./ Não precisa chorar de arrependido/ pelas besteiras consumadas/ nem parvamente acreditar/ que por decreto da esperança/ a partir de janeiro as coisas mudem/ e seja tudo claridade, recompensa,/ justiça entre os homens e as nações,/ liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,/ direitos respeitados, começando/ pelo direito augusto de viver." Uma bela advertência para aqueles que ingenuamente acreditam poder zerar todos os problemas, próprios e do mundo todo, a cada 31 de dezembro. Ano novo é apenas resultante de uma "genial partição do tempo", para usar outra boa imagem de Drummond, mera convenção que ajuda às pessoas a suportar as cargas e encargos do dia a dia, pela vida a fora.

Uma coisa, porém, é certa: mesmo tendo a convicção de que mágicas transformações não podem ser feitas, de que as coisas não melhoram com mero decreto da esperança, a renovação dos mandatos da presidente e do vice-presidente da República, além do início de novos governos nos 27 Estados da federação, embora alguns tenham sido meras renovações de mandatos, injetam expectativas positivas na sociedade brasileira. E não poderia ser diferente, sobretudo, quando se projetam para o ano de 2015 turbulências políticas e dificuldades econômicas. 

O affair da Petrobrás, já cognominado de "Petrolão", tem potencial de gerar ainda muita instabilidade política, principalmente em face da possibilidade do surgimento de um "núcleo político" no processo, ou seja, ao lado de executivos de empreiteiras contratantes da Petrobrás, de executivos da própria empresa envolvidos em graves e vultosos casos de corrupção, deve o Ministério Público Federal, já nos dois primeiros meses de 2015, oferecer denúncias contra políticos - parlamentares federais e governadores estaduais - citados nos vários depoimentos colhidos em delações estimuladas do ex-diretor daquela empresa, Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, além de diretores de empreiteiras. Ainda não é possível prever que impactos terão as denúncias a serem formuladas contra esses políticos ligados à base aliada do governo Dilma Rousseff.

No front da economia, tem revelado o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que serão adotados remédios amargos para corrigir rumos. Em regra geral, várias ações terão como objetivo o aperto do crédito e dos salários, para segurar a inflação. Além das decisões governamentais, ressalte-se a instabilidade do mercado de ações, embora tenha havido uma boa recuperação do índice Ibovespa nas últimas semanas de 2014, mas, as perspectivas de recuperar das perdas do ano recém findo ainda se mostram sombrias, mesmo porque enquanto durarem as apurações dos casos de corrupção na Petrobrás, o carro-chefe das empresas com ações na Bovespa, os negócios continuarão em dificuldade. Aliás, ao apagar das luzes de 2014 o governo federal, através de medida provisória, modificou várias regras previdenciárias que, a despeito da correção de várias distorções do Regime Geral de Previdência Social, criam mais dificuldades para os segurados, em especial os aposentados e pensionistas. 

No geral, é imprescindível o corte de gastos públicos nas diversas esferas federativas, da União, Estados e Municípios, o que projeta uma enorme desconformidade com as promessas que os empossados (ou reempossados) fizeram para conquistar seus mandados, inclusive a presidente Dilma. Qual governador prometeu aos seus eleitores, nos palanques de campanha, corte de gastos e, por conseguinte, a redução de ações e programas governamentais? Seguramente, nenhum deles; tudo o que disseram ou prometeram naquele período ampliam o propósito de aumento gastança desenfreada, sempre na esperança de poderem suprir os depauperados cofres públicos saqueando o indefeso e iludido cidadão-eleitor, inclusive alguns novos governadores até falam na exumação da famigerada CPMF. Certamente, vão abrir as caixas de ruindades nesses começos ou recomeços de governos, para seguir aquela velha lição do florentino Machiavelli segunda a qual o governante, no exercício do poder, deve tomar todas as medidas amargas de uma vez e logo no começo do governo. De esperar, apenas, que, pelos votos que receberam, ao menos possam lembrar que o cidadão, longe da esperança por decreto, deve ter garantido aquilo que o poeta denomina como "direito augusto de viver."

Reflexão da coluna Só Cristo Salva na Gazeta do Oeste com Michele Fonseca

JESUS – Presente Eterno!

As mais poéticas profecias a respeito do nascimento do Messias e, que anteciparam os nomes do salvador da humanidade – que na época funcionou como consolo e incentivo ao povo de Deus, foram as do profeta Isaías.

Inicialmente, no versículo 14 do capítulo 7 do livro do profeta ele antecipa: “Portanto o Senhor mesmo vos dará sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e lhe chamará Emanuel.” E, no capítulo 9 e versículo 6, ele profetiza: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”

Ali, entre 765 e 681 a.C. Isaías não apenas previa a vinda de Deus (Filho) ao mundo, como igualmente, antecipava e identificava alguns dos inúmeros nomes pelos quais JESUS CRISTO seria definido.

E, na obra de Shakespeare, Julieta questiona Romeo: “O que é um nome? Uma rosa com qualquer outro nome teria a mesma doce fragrância.”

Em parte, concordamos com o tratado da personagem, pois que o nome em si não modifica a quem é nomeado. Todavia, nomes são de extrema relevância, se não para modificar, mas, com ênfase, para identificar.

Na Bíblia Sagrada, quando Deus nomina alguém, é para identificá-lo, pelo seu caráter – lide Gênesis 4:26. E, Isaias começa profetizando que o menino que nasceria da virgem se chamaria Emanuel. Ou seja: DEUS Conosco.

Isto posto, podemos afirmar que, eis aqui o maior presente que um ser humano pode receber, que é ter o próprio DEUS. Portanto, neste período entre Natal e Passagem de Ano, mormente, marcado pela troca de presentes entre familiares e/ou amigos, JESUS é o maior presente que você pode ganhar em sua vida!

Para isso, basta que você o receba, pois, Ele mesmo afirma que “Em verdade, em verdade, vos digo: Quem receber aquele que Eu enviar, estará me recebendo e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (João 13;20).

Quem recebe Jesus, ganha, não um presente com prazo de validade, mas é laureado com a vida eterna!

Afinal, Só Cristo Salva!

Fonte: http://gazetadooeste.com.br/coluna/so-cristo-salva/

 

Yes, nós temos Mamãe Noel

No reino encantado do Elefante

Por Velho Apache Antenado 

Papai Noel (português brasileiro) ou Pai Natal (português europeu) (“Noël” é natal em francês) é uma figura lendária que, em muitas culturas ocidentais, traz presentes aos lares de crianças bem-comportadas na noite da Véspera de Natal, o dia 24 de dezembro, ou no Dia de São Nicolau (6 de dezembro).

Em um Estado do Brasil que tem o Elefante como símbolo, pelo que a mandante proclama, temos uma lenda administrativa para cada cultura regional. Na saúde, na segurança, na habitação e nos demais setores tem presente para todos. É pegar ou largar.

E, quem tiver um mínino de gratidão terá que agradecer, e pelas futuras gerações, por tudo que aqui foi realizado, idealizado, projetado e vier a ser realizado no Reino da Mamãe Noel.

A lenda pode ter se baseado em parte em contos hagiográficos sobre a figura histórica de São Nicolau. Uma história quase idêntica é atribuída no folclore grego e bizantino a Basílio de Cesareia. O Dia de São Basílio, 1 ou 1.º de janeiro, é considerado a época de troca de presentes na Grécia.

Por aqui, o que se anuncia é que no dia 1º de janeiro, quem chegará ao comando do Elefante, estará recebendo um presente – não seria de grego? -, para governar. Ao menos na fala oficial.

O Velho Apache Antenado prefere considerar essas ilações como mera quimera.

Como o personagem que foi inspirado em São Nicolau, arcebispo de Mira na Turquia, no século IV, que costumava ajudar, anonimamente, quem estivesse em dificuldades financeiras, nossa Mamãe Noel estará (na ficção chapa branca) deixando uma fonte inesgotável para quem lhe sucederá. Nicolau colocava o saco com moedas de ouro a ser ofertado na chaminé das casas.

Por aqui, o presente estará ao alcance nos Bancos Oficiais. Os federais e até internacionais. Com apenas um estalar de dedos se terá dinheiro para resolver todos os problemas da governança. O problema é saber quem vai pagar a conta no futuro. Mas, em qualquer reino de fantasia que se preza a realidade nunca será bem-vinda.

Nicolau foi declarado santo depois que muitos milagres lhe foram atribuídos. Por aqui os miligres autoproclamado por Mamãe Noel são muito mais estelares. Só lhe falta a canonização.

A diferença é que ao contrário de Nicolou teve sua transformação em símbolo natalino na Alemanha e daí correu o mundo inteiro, nossa heroína sairá daqui para ser cultuada entre os alemãos.

Enquanto São Nicolau era originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente Papai Noel é geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas de bainha branca, e cinto e botas de couro preto.

Por aqui algum estilista dotado de poderes especiais terá que esmerar na produção de alguma indumentária – ou não seria melhor uma fantasia? – para a nova “santa” do sertão.

E para substituir a imagem que se tornou popular nos EUA e Canadá no século XIX devido à influência da Coca-Cola, que na época lançou um comercial do bom velhinho com as vestes vermelhas e que  tem se mantido e reforçado por meio da/dos mídia (português brasileiro) ou meios (português europeu) publicitária(os), como músicas, filmes e propagandas?

Bem, pelos feitos que estão sendo anunciados pela crônica palaciana, a comunicação oficial que voltou a ser culpada pelo que não se fez – na lenda foi muito pouco, ou quase nada que restou por se fazer, terá a oportunidade se redimir.

Conforme a lenda, Papai Noel teria como morada o Extremo Norte, numa terra de neve eterna. Na versão americana, ele mora em sua casa no Polo Norte, enquanto na versão britânica frequentemente se diz que ele reside nas montanhas de Korvatunturi na Lapônia, Finlândia.

A nossa Mamãe Noel, todavia, apenas mudou de mansão, mas anuncia que vai continuar sendo cultuada na capital dos Reis Magos.

Se lá, Papai Noel vive com sua esposa Mamãe Noel, in ontáveis elfos mágicos e oito ou nove renas voadoras, aqui, é a Mamãe Noel que comanda – como sempre na ficção.

Outra lenda popular diz que ele faz uma lista de crianças ao redor do mundo, classificando-as de acordo com seu comportamento, e que entrega presentes, como brinquedos ou doces, a todos os garotos e garotas bem-comportados no mundo, e às vezes carvão às crianças mal comportadas, na noite da véspera de Natal. Papai Noel consegue esse feito anual com o auxílio de elfos, que fazem os brinquedos na oficina, e das renas que puxam o trenó.

Aqui, quem opera o milagre fantasioso da multiplicação dos presentes para quem sonha com melhores saúde, segurança, educação, habitação, nem precisa de auxiliares – eles são apenas um detalhe, objeto decorativo mas com direito aos seus invejáveis soldos.

Há bastante tempo existe certa oposição a que se ensine crianças a acreditar em Papai Noel. Aqui, a oposição terá trabalho para provar que tudo anunciado oficialmente, está mais para brincadeira de menino sabido querendo engabelar os coleguinhas – leia-se eleitores.

Os cristãos dizem que a tradição de Papai Noel desvia das origens religiosas e do propósito verdadeiro do Natal. Outros críticos sentem que Papai Noel é uma mentira elaborada e que é eticamente incorreto que os pais ensinem os filhos a crer em sua existência. Ainda outros se opõem a Papai Noel como um símbolo da comercialização do Natal, ou como uma intrusão em suas próprias tradições nacionais.

Tudo a ver com nossa Mamãe Noel.

Todavia, porém, entretanto, no entanto, qualquer semelhança entre o Bom Velinho do país nórdico com algum reinado encantado ornamentado de rosa por este semiárido não terá sido mera conscidência.

 

Muitas Leis…

…POUCAS SOLUÇÕES

Por Paulo Afonso Linhares

Paulo-Afonso-Linhares

Uma característica da imaturidade das instituições jurídico-políticas de um Estado é a propensão natural às tentativas de resolver problemas a partir de uma farta produção legislativa, seja em estruturas autoritárias seja em contexto democráticos. Nesses casos, imagina-se, quase tudo se resolve com novas leis, a exemplo daquela republiqueta centro-americana que estabeleceu a hora da sesta por via legislativa. O costume de fazer leis por qualquer coisa é tão arraigado nos povos de origem latina que é comum julgar os parlamentares não pela qualidade dos projetos de lei ou de emendas constitucionais que apresentou, mas, a quantidade deles. Aliás, tanto gostam de fazer leis como igualmente desrespeitá-las. Um horror.

Por isso, é comum ouvir a crítica despropositada: “em ‘x’ anos na condição de deputado (ou vereador ou senador) fulano nunca teve um só projeto de lei de sua autoria aprovado”. Uma bobagem: a rotina do parlamentar não se resume na apresentação de projeto de lei ou de emenda à Constituição; sua participação nos processos legislativos vai mais além, com inserções nas diversas fases deste, quer nas subscrições imprescindíveis nas iniciativas de certas matérias, seja nas comissões permanentes ou diretamente com seu voto em plenário, nas audiências públicas ou nos colóquios e eventos que ocorrem fora das casas legislativas, inclusive em organismos internacionais.

Grave é que, aliada a essa estúpida propensão de entupir com leis a vida das pessoas, há a ojeriza às leis antigas, como se a circunstância de terem sido feitas num passado distante as desqualificassem, mesmo que se mantenham plenamente aplicáveis, atuais e operantes. Aliás, às leis é válida a máxima que aplicam aos vinhos: quanto mais velhos melhores. E isto, mais do que tocante aos vinhos, tem uma lógica certeira, porquanto podem ser tidas como boas as leis cuja eficácia o tempo não corrói e que por anos, décadas ou até séculos serviram para regrar as vidas de pessoas ou de nações. Os vinhos nem tanto: por mais tempo que passe, séculos até, jamais um Sangue de Boi será um Romanée-Conti. Contudo, mais de dois séculos em vigor e a Constituição norte-americana, p. ex., continua sendo a grande pilastra institucional daquela nação e uma perene inspiração à feitura das leis, à correção do direito incorretamente legislado e ao balizamento político e institucional da sociedade. Leis não devem ser vistas como automóveis, a serem trocadas anualmente.

As mudanças nas leis, sobretudo, quando se trata de códigos, traz enormes dificuldades para o mundo do direito. Veja-se a propósito a adoção próxima de um novo Código de Processo Civil, já aprovado no Congresso e à espera da sanção presidencial: toda literatura (abundantíssima) escrita sobre o CPC de 1974 ficará caduca; milhares de livros, caras brochuras, coleções inteiras, apenas servirão à função pouco nobre de escorar móveis. O pior é que quase sempre a entrada em vigor de certos

institutos jurídicos inevitavelmente acarretam enormes problemas de interpretação e aplicação desse direito novo, cuja pacificação de entendimento por parte dos juízes de todas as instâncias podem demorar muitas décadas ou não ocorrer.

Recentemente a presidente Dilma Rousseff sancionou a Lei nº 13.058, de 22/12/2014 (publicada no Diário Oficial da União de 23/12/2014), que regulamenta a guarda compartilhada no país. Estabelece essa Lei que a Justiça deverá conceder guarda compartilhada aos pais mesmo quando não houver acordo entre eles quanto à guarda do filho”, ressaltando-se que pela regra anterior ela tinha caráter facultativo e por isso era aplicada “sempre que possível”. E isto muda o quê? Nada ou quase nada de bom. Na verdade, vai criar mais problemas que soluções. Ora, é comum aos pais separados usarem os filhos como massa de manobra, sempre um contra o(a) outro(a), já em sintonia com os novos tempos da homoafetividade.

Com efeito, agora tudo sobre a vida dos filhos menores será decidido por duas pessoas que não mais vivem juntas porque são incapazes de chegar a consensos, certamente em razão de enormes “incompatibilidades de gênios”, como se dizia antanho. Segundo a nova Lei, o tempo de convivência com os filhos deve ser dividido de forma “equilibrada” entre mãe e pai, que serão responsáveis por decidir, em conjunto, a forma de criação e educação da criança, autorização de viagens ao exterior e mudança de residência para outra cidade. Chegar a decisões sobre a melhor maneira de criar e educar filhos, conforme a nova lei, não será tarefa fácil para pais que, entre si, não se suportam.

E muitas das soluções nesses casos terão de vir mesmo dos juízes. Por fim, lastimável em todos os sentidos é que a nova Lei não reconheça a primazia da mãe tocante à guarda dos filhos. É insubstituível a presença da mãe – que amamenta e acalenta – sobretudo na infância mais tenra dos filhos. Bem a propósito, não dá para ignorar a advertência do poeta Goethe: “Se você educar um homem, educa um indivíduo; mas se educar uma mulher, educa uma família.” Enfim, isto não mudará com mais uma lei.

Hermanos Americanos

Artigo da semana

Por Paulo Afonso Linhares

Paulo-Afonso-Linhares

Manobras diplomáticas realizadas em várias frentes, porém, sob uma espessa camada de sigilo, prepararam certamente a maior das surpresas ocorridas na política internacional nesta década: o anúncio do reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos da América, com reflexos que em muito transcendem o âmbito bilateral e se projetam por todo o continente americano, do Cabo Horn (ponto extremo meridional da América) à Ilha Kaffeklubben, naGroenlândia (ponto extremo setentrional americano). Desde que Barack Obama se tornou presidente dos Estados Unidos da América a expectativa é que fosse dada uma nova orientação em face do cruel e absurdo bloqueio político e comercial que mantém há mais de cinco décadas contra Cuba, absolutamente injustificável na atual conjuntura mundial.

Aqueles saudosistas da Guerra Fria, que não conseguem ver o mundo noutro cenário que não aquele maniqueísta em que povos e nações são divididos simplesmente em mocinhos e bandidos, os do bem e os mal, anjos e demônios. Coisa mesmo de gente idiota, reacionária empedernida e sem imaginação. Ora, há décadas os EUA reataram relações diplomáticas com a China comunista que, nesse meio tempo, se tornou sua principal parceira comercial. Depois de tudo que o Estado iraniano aprontou, inclusive com invasão da embaixada norte-americana em Teerã, os norte-americanos mudaram em muito sua retórica belicista e têm celebrados diversos acordos bilaterais com o Irã, de modo que as relações diplomáticas poderão ser normalizadas em breve tempo. Até mesmo com o caricato ditador Kim Jong-un, da Coreia do Norte, planeja Washington manter um relacionamento respeitoso. E por que não com fazer o mesmo com Cuba, país vizinho, situado a menos de noventa milhas do Estado da Flórida?

Em 1975, ao discursar na Assembleia Geral da ONU, o chanceler cubano por Felipe Perez Roque assim resume as agruras do povo, diante do bloqueio decretado pelos EUA há mais de 50 anos: “O bloqueio tem custado ao povo de Cuba (…) mais de 82 bilhões de dólares. Não há atividade econômica ou social em Cuba que não sofra as suas consequências. Não há um direito humano dos cubanos que não esteja agredido pelo bloqueio. Em virtude do bloqueio, Cuba não pode exportar nenhum produto aos Estados Unidos (…). Cuba também não pode importar desde os Estados Unidos outras mercadorias que não sejam produtos agrícolas, e isso com amplas e renovadas restrições. Cuba não pode receber turismo desde os Estados Unidos. No ano 2004, se tivesse recebido apenas 15% dos 11 milhões de turistas norte-americanos que visitaram o Caribe, Cuba teria faturado mais do que um bilhão de dólares (…) Por causa do bloqueio, Cuba também não pode utilizar o dólar em suas transações comerciais com o estrangeiro, nem tem acesso a créditos nem pode realizar operações com instituições financeiras norte-americanas, suas filiais e inclusive instituições regionais ou multilaterais. Cuba é o único país da América Latina e do Caribe que em 47 anos nunca recebeu um crédito do Banco Mundial, nem do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Se o bloqueio for apenas um assunto bilateral entre Cuba e os Estados Unidos já isso seria muito grave para o nosso país. Mas é muito mais do que isso. O bloqueio é uma guerra econômica aplicada com zelo incomparável a escala global.”

O mais interessante dessa reaproximação entre Cuba e EUA foi a atuação brilhante e precisa do papa Francisco, pelo que teve reforçada a sua imagem de líder mundial de grande expressão. Para alguns, prevaleceu a reza forte do pontífice da Igreja Católica. Pode ser: se efetivamente a fé move montanhas, como professado em Mateus 17:20, mais fácil é afastar um bloqueio iníquo, renitente e sem qualquer fundamento no Direito das Gentes, como ocorre com esse cinquentenário bloqueio norte-americano a Cuba. A atitude do papa Francisco, de grande largueza humanística e moral, traz à mente uns bons versos do poeta norte-americano T.S. Eliot, assim cantados nos coros de “A Rocha”: “Where the bricks are fallen/We will build with new stone/Where the beams are rottern/We will build with new timbers/Where the word is unspoken/ We will build with new speech/ There is work together/A Church  for all/ And a job for each/ Every man to his work” (“Onde os tijolos se quebrarem/Com novas pedras edificaremos/Onde as vigas apodrecerem/Com novas tábuas edificaremos/Onde a palavra permanece inexpressa/Com uma nova linguagem edificaremos/Com nosso esforço coletivo/Uma nova Igreja para todos/E um emprego para cada um/Cada qual ao seu trabalho.”).

Uma coisa é certa: sepultado mais esse resquício da Guerra Fria, a esperança é que cada vez mais se alastre o sentimento de solidariedade entre os povos e a paz entre as nações do mundo. No mais, é preciso ter paciência, pois o simples anúncio dessa reaproximação Cuba/EUA é apenas um primeiro passo, pois muitas barreiras ainda terão de ser removidas até que se normalizem as suas relações bilaterais. Será enorme a reação conservadora contra essa reaproximação, sobretudo, dos membros do Partido Republicano, que agora é majoritário no Congresso norte-americano. O mesmo se diga no tocante à comunidade de exilados cubanos nos EUA. Enfim, muitos espinhos ainda juncam esse caminho, mas, ao que tudo indica, são incapazes de deter esses bons ventos que anunciam um novo tempo para os povos americanos, do norte, do centro, do sul. Como num trecho da “Canción con todos” imortalizada por Mercedes Sosa: “ […] todas las voces, todas/ todas las manos, todas/ toda la sangre puede/ ser canción en el viento/canta conmigo, canta/hermano americano/libera tu esperanza/con un grito en la voz!

 

E aquela diretoria que fura poço?

O governo como incubadora de escândalos

Por Ricardo Noblat

Nada de mais exato foi dito até aqui para definir a pretensão dos partidos políticos na hora de lotearem o governo em nome da governabilidade. “

Aquela diretoria que fura poço” é uma expressão cunhada por Severino Cavalcanti (PP-PE), ex-presidente da Câmara dos Deputados, que renunciou ao mandato para escapar de ser cassado. Havia recebido um “mensalinho” de concessionário de restaurantes da Câmara.

Severino não queria um cargo qualquer para alguém do seu partido – de preferência, um nome escolhido por ele.

Queria algo equivalente a uma diretoria da Petrobras responsável por “furar poço”.

Um emprego desses mexe com muito dinheiro. E por mexer, permitiria a transferência de uma fatia dele para financiar campanhas eleitorais e enriquecer os mais destacados membros do PP.

Por que o espanto? Guarde seu espanto para o que lhe passo a contar.

Você já deve ter ouvido falar do ex-deputado Valdemar Costa Neto, ex-presidente do Partido da República (PR).

Sim, é aquele mesmo do processo do mensalão, condenado a sete anos e 10 meses de prisão em regime semiaberto por corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro. Ficou preso 11 meses.

Cumpre o resto da pena em casa, em Brasília. Pode ser encontrado com frequência na sede do PR, uma sala alugada no Bloco D, Torre A do edifício Liberty Mall.

O presidente de direito do PR é Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes, demitido por Dilma em 2011 sob suspeita de corrupção.

O presidente de fato é Valdemar. Nada se faz dentro no PR sem a aprovação dele.

O PR é um partido de porte médio. Saiu da eleição deste ano com 34 deputados federais – tinha 32. E com quatro senadores, o mesmo número que tinha.

Seu apoio na eleição para presidente da República foi intensamente disputado por Dilma e Aécio Neves.

Tudo porque ele dispunha de um minuto e poucos segundos de propaganda eleitoral. Mercadoria que valia ouro.

Dilma venceu a disputa. Para tal foi obrigada por Valdemar a chafurdar na lama.

De dentro da Penitenciária da Papuda, onde ainda estava preso, ele cobrou de Dilma a cabeça de César Borges, ministro dos Transportes.

César é do PR, mas uma vez ministro passou a ignorar Valdemar. Só fazia o que Dilma mandava. Foi submetido à humilhação de ser transferido para uma função menos importante.

Ainda não satisfeito, Valdemar cobrou também a cabeça do general Jorge Ernesto Fraxe, diretor-geral do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes (DNIT), subordinado ao ministro dos Transportes.

Trata-se de um dos cargos mais cobiçados na República. Lida com muito dinheiro. Até 2016, somente na recuperação de estradas federais, gastará R$ 16 bilhões. Imagine!

Valdemar levou a cabeça do general. Pelo acordo firmado com Dilma, uma vez que ela se reelegesse, o PR indicaria o novo ministro dos Transportes e o diretor-geral do DNIT.

Valdemar espera que ela cumpra a palavra. Não é tão simples para ele manter unido o PR a serviço do governo.

De resto, sai caro. Deputados e senadores pedem ajuda o tempo todo. Alguns mensalmente.

Ah, se a Polícia Federal escutasse os acertos que rolam para a montagem do futuro governo.

Reproduzem-se as condições necessárias para que ele funcione como uma incubadora de escândalos. Meritocracia?

Salvo raras exceções, esqueça. Prevalecerá o tome lá (cargos e grana fácil) me dê cá (votos no Congresso).

Era uma vez o mensalão.

O petrolão ainda está no forno.

A seguir… Aguardem. Só um pouco.

 

Fonte: Blog do Noblat

Se Dilma tiver ao menos 5% de sua grande cabeça ocupada pelo juízo, Graça Foster sai agora

Ou: O Falcão expõe as garras nos Estados

Por Reinaldo Azevedo

É detestável que a Petrobras me obrigue a interromper aquele que é, a rigor, meu primeiro dia de férias. E por quê? Porque entregaram a empresa a uma quadrilha, e essa quadrilha, por sua vez, era a operadora de um projeto de poder que tem como protagonista um partido político. Já chego lá.

Estava viajando quando o Fantástico foi ao ar. Na noite deste domingo. Assisti à entrevista de Venina Velosa da Fonseca, a executiva da estatal que botou a boca no trombone, na reapresentação do programa, na GloboNews. Se Dilma tiver ao menos 5% de sua avantajada cabeça tomada pelo juízo, Graça Foster amanhece ex-presidente da Petrobras nesta terça. Aliás, a própria Graça poderia fazer um favor à sua amiga e cair fora.

Não resta dúvida: Venina advertiu, sim, Graça para uma série de desmandos na Petrobras. Também José Carlos Cosenza, atual diretor de Abastecimento e sucessor de Paulo Roberto Costa, tomou conhecimento das denúncias. Sérgio Gabrielli, ex-presidente da empresa, idem. Os e-mails são evidentes. Se Venina só veio ou não a público em razão de algum ressentimento, isso é irrelevante.

Ela reafirmou todas as suas denúncias  na entrevista ao Fantástico, deixou claro que a diretoria sabia de tudo e disse ter fornecido documentos ao Ministério Público Federal. Dilma confia em Graça? Pior para o país. Venina está determinada e parece disposta, se preciso, a enfrentar a presidente da Petrobras cara a cara. Aliás, o comando da emprsa insiste em desqualificar aquela que, até outro dia, era considerada tão competente que até mereceu um alto cargo em Cingapura.

E que se note: o caso de Venina é muito diferente do de seu ex-chefe Paulo Roberto. Ela não é investigada em nada. Contar o que sabe não lhe traz vantagem nenhuma – a rigor, só lhe causa prejuízo. Mesmo assim, sem contar com nenhum benefício futuro, como Paulo Roberto ou Alberto Youssef, decidiu dizer o que sabe.

Venina reafirmou que, ao confrontar Paulo Roberto sobre superfaturamento, este teria apontado para o retrato de Lula, então presidente da República, e para a sala de Gabrielli, indagando: “Você quer derrubar todo mundo?” .É evidente que, ao dizê-lo, o então diretor de Abastecimento sugeria que Lula sabia de tudo.

Não, ouvintes, eu não vou abandonar a minha tese! A Petrobras não é exceção, mas regra. O que se viu na estatal se repete em toda parte. É um método. E quem o comprova é Rui Falcão, presidente do PT.

Neste domingo, no Estadão, Falcão confessa que o partido está mapeando os cargos do governo federal nos Estados para fazer o que ele chama de “recall”. Nas suas palavras: “Estamos fazendo um mapa dos cargos federais nos Estados para saber quem é quem, quem indicou, qual a avaliação que a gente tem disso, e fazer uma proposta (de nomes à presidente”.

É claro que ele deveria ter vergonha de dizer essas coisas, mas ele não tem. É que o PT pode perder alguns cargos na Esplanada dos Ministérios, e os companheiros já estão pensando uma forma de compensação.

Um desastre como o que está em curso na Petrobras é parte de um modo de entender a coisa pública.

Será que o Projeto Reinaldo Ensolarado começa nesta segunda? No país em que a política é caso de polícia, nunca se sabe.

Fonte: www.veja.com.br

Paulo Linhares: “Uma coisa é certa: sepultado mais esse resquício da Guerra Fria…”

Hermanos Americanos 

Por Paulo Afonso Linhares 

Paulo-Afonso-Linhares

Paulo Afonso Linhares é jurista, secretário municipal e diretor da Rádio e Portal Difusora

Manobras diplomáticas realizadas em várias frentes, porém, sob uma espessa camada de sigilo, prepararam certamente a maior das surpresas ocorridas na política internacional nesta década: o anúncio do reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos da América, com reflexos que em muito transcendem o âmbito bilateral e se projetam por todo o continente americano, do Cabo Horn (ponto extremo meridional da América) à Ilha Kaffeklubben, naGroenlândia (ponto extremo setentrional americano). Desde que Barack Obama se tornou presidente dos Estados Unidos da América a expectativa é que fosse dada uma nova orientação em face do cruel e absurdo bloqueio político e comercial que mantém há mais de cinco décadas contra Cuba, absolutamente injustificável na atual conjuntura mundial.

Aqueles saudosistas da Guerra Fria, que não conseguem ver o mundo noutro cenário que não aquele maniqueísta em que povos e nações são divididos simplesmente em mocinhos e bandidos, os do bem e os mal, anjos e demônios. Coisa mesmo de gente idiota, reacionária empedernida e sem imaginação. Ora, há décadas os EUA reataram relações diplomáticas com a China comunista que, nesse meio tempo, se tornou sua principal parceira comercial. Depois de tudo que o Estado iraniano aprontou, inclusive com invasão da embaixada norte-americana em Teerã, os norte-americanos mudaram em muito sua retórica belicista e têm celebrados diversos acordos bilaterais com o Irã, de modo que as relações diplomáticas poderão ser normalizadas em breve tempo. Até mesmo com o caricato ditador Kim Jong-un, da Coreia do Norte, planeja Washington manter um relacionamento respeitoso. E por que não com fazer o mesmo com Cuba, país vizinho, situado a menos de noventa milhas do Estado da Flórida?

Em 1975, ao discursar na Assembleia Geral da ONU, o chanceler cubano por Felipe Perez Roque assim resume as agruras do povo, diante do bloqueio decretado pelos EUA há mais de 50 anos: “O bloqueio tem custado ao povo de Cuba (…) mais de 82 bilhões de dólares. Não há atividade econômica ou social em Cuba que não sofra as suas consequências. Não há um direito humano dos cubanos que não esteja agredido pelo bloqueio. Em virtude do bloqueio, Cuba não pode exportar nenhum produto aos Estados Unidos (…). Cuba também não pode importar desde os Estados Unidos outras mercadorias que não sejam produtos agrícolas, e isso com amplas e renovadas restrições. Cuba não pode receber turismo desde os Estados Unidos. No ano 2004, se tivesse recebido apenas 15% dos 11 milhões de turistas norte-americanos que visitaram o Caribe, Cuba teria faturado mais do que um bilhão de dólares (…) Por causa do bloqueio, Cuba também não pode utilizar o dólar em suas transações comerciais com o estrangeiro, nem tem acesso a créditos nem pode realizar operações com instituições financeiras norte-americanas, suas filiais e inclusive instituições regionais ou multilaterais. Cuba é o único país da América Latina e do Caribe que em 47 anos nunca recebeu um crédito do Banco Mundial, nem do Banco Interamericano de Desenvolvimento. Se o bloqueio for apenas um assunto bilateral entre Cuba e os Estados Unidos já isso seria muito grave para o nosso país. Mas é muito mais do que isso. O bloqueio é uma guerra econômica aplicada com zelo incomparável a escala global.”

O mais interessante dessa reaproximação entre Cuba e EUA foi a atuação brilhante e precisa do papa Francisco, pelo que teve reforçada a sua imagem de líder mundial de grande expressão. Para alguns, prevaleceu a reza forte do pontífice da Igreja Católica. Pode ser: se efetivamente a fé move montanhas, como professado em Mateus 17:20, mais fácil é afastar um bloqueio iníquo, renitente e sem qualquer fundamento no Direito das Gentes, como ocorre com esse cinquentenário bloqueio norte-americano a Cuba. A atitude do papa Francisco, de grande largueza humanística e moral, traz à mente uns bons versos do poeta norte-americano T.S. Eliot, assim cantados nos coros de “A Rocha”: “Where the bricks are fallen/We will build with new stone/Where the beams are rottern/We will build with new timbers/Where the word is unspoken/ We will build with new speech/ There is work together/A Church  for all/ And a job for each/ Every man to his work” (“Onde os tijolos se quebrarem/Com novas pedras edificaremos/Onde as vigas apodrecerem/Com novas tábuas edificaremos/Onde a palavra permanece inexpressa/Com uma nova linguagem edificaremos/Com nosso esforço coletivo/Uma nova Igreja para todos/E um emprego para cada um/Cada qual ao seu trabalho.”).

Uma coisa é certa: sepultado mais esse resquício da Guerra Fria, a esperança é que cada vez mais se alastre o sentimento de solidariedade entre os povos e a paz entre as nações do mundo. No mais, é preciso ter paciência, pois o simples anúncio dessa reaproximação Cuba/EUA é apenas um primeiro passo, pois muitas barreiras ainda terão de ser removidas até que se normalizem as suas relações bilaterais. Será enorme a reação conservadora contra essa reaproximação, sobretudo, dos membros do Partido Republicano, que agora é majoritário no Congresso norte-americano. O mesmo se diga no tocante à comunidade de exilados cubanos nos EUA. Enfim, muitos espinhos ainda juncam esse caminho, mas, ao que tudo indica, são incapazes de deter esses bons ventos que anunciam um novo tempo para os povos americanos, do norte, do centro, do sul. Como num trecho da “Canción con todos” imortalizada por Mercedes Sosa: “ […] todas las voces, todas/ todas las manos, todas/ toda la sangre puede/ ser canción en el viento/canta conmigo, canta/hermano americano/libera tu esperanza/con un grito en la voz!”