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Desempredo e Inflação

Desemprego e Inflação: O Brasil a Caminho da Estagflação

Elviro

Elviro Rebouças é economista e empresário

O país registrou o menor saldo de criação de vagas de trabalho com carteira assinada para o mês de julho desde 1999. O total de empregos formais gerados no mês foi de 11.796, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (21) pelo Ministério do Trabalho. O saldo de criação de vagas é 71,5% inferior ao de julho do ano passado, quando foram geradas 41,5 mil vagas. O resultado de junho já havia sido ruim. Naquele mês, o total de vagas criadas (25.363) foi o pior para o mês desde 1998. De janeiro a julho, foram criados 632,2 mil novos postos no país, a previsão do governo era de 1,5 milhões de novas ocupações. Os dados fazem parte do insuspeito Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). O número de julho é a diferença entre 1,746 milhão de contratações e 1,735 milhão de desligamentos.

FUNDO DO POÇO

Para o próprio ministro do Trabalho, Manoel Dias, o país chegou ao “fundo do poço”, mas a partir de agosto haverá uma retomada do ritmo de criação de empregos. Ele defendeu que o país continua criando vagas, ao contrário de muitos países no mundo, que sofreram forte impacto no mercado de trabalho em decorrência da crise. Julho é o quarto mês seguido com fechamento de vagas na indústria de transformação. No mês, houve uma queda de 15,4 mil postos no saldo de vagas nesse setor. Para Manoel Dias, o governo ainda espera que o ano termine com saldo positivo de vagas nesse setor, o que é pouco provável. Outros setores que puxaram o fraco desempenho foram o de ensino, com menos 3.219 vagas, e o de serviços de alojamento e alimentação, com menos 1.231 postos – baixa registrada no mês de encerramento da Copa do Mundo. Os setores de serviço e agricultura foram os que mais contribuíram para o saldo de contratações do mês, com a criação de 11,9 mil e 10 mil vagas, respectivamente. As regiões que puxaram a criação de vagas no país foram Norte (9.438 novos postos), Centro-Oeste (6.324) e Nordeste (6.013 vagas).

OUTROS DADOS Mesmo após o fim da greve de funcionários da entidade, a pesquisa mensal de emprego do IBGE ficou comprometida e os dados de julho não foram divulgados por completo, sem uma média da taxa de desemprego. Os números deveriam ter sido divulgados nesta quinta-feira (21) pelo órgão. Trata-se do terceiro mês seguido sem uma taxa das seis regiões pesquisadas por conta do atraso na coleta, análise e processamento dos dados de Porto Alegre e Salvador. O maior estrago foi a postergação da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua), o primeiro dado oficial sobre mercado de trabalho formal e informal em nível nacional e com informações conjunturais, divulgada a cada três meses. O levantamento era prioridade do IBGE e começou a ser estruturado em 2009. Seus primeiros dados foram divulgados em janeiro deste ano, retroativos a 2012. Em nível nacional, o último dado disponível mostrou que o desemprego no país ficou em 7,1% no primeiro trimestre de 2014, acima dos 6,2% dos últimos três meses de 2013. Com a greve, o IBGE apresentará novos dados referentes ao segundo trimestre apenas em 6 de novembro, ou seja, após as eleições. Também nesta quinta-feira (21), o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) divulgou números sobre os acordos salariais que terminaram com reajuste acima da inflação. Segundo a entidade, de janeiro a julho deste ano, passou para 93% o percentual das negociações que terminaram com ganho real. Esse índice havia recuado para 83,5% em igual período do ano passado. Em 2012, considerado o melhor ano das negociações salarias, chegou a 95,6%.

INADIMPLÊNCIA PREOCUPA

O número de consumidores inadimplentes no Brasil chegou a exagerados 57 milhões em agosto deste ano e bateu recorde histórico para o mês, em levantamento da Serasa Experian, divulgado na última quinta-feira (dia 21). É o maior número desde 2012, quando o levantamento da empresa apontou 52 milhões de pessoas inadimplentes em agosto. No mesmo mês de 2013, foram registrados 55 milhões. O estudo mostra também que 60% dos inadimplentes têm contas mensais a pagar acima de 100% de sua renda mensal e 53% dos acumulam até duas dívidas não honradas. Parte da explicação para este número está no crescente endividamento da população, principalmente de 2008 para cá. Outro motivo é que não temos no Brasil um ambiente de auto eficiência no mercado de crédito pela falta de um cadastro positivo operando de forma plena. Na quarta-feira (20), o governo da presidente Dilma Rousseff lançou um pacote de estímulo ao crédito que combina injeção de dinheiro no sistema bancário, afrouxamento dos controles para a concessão de empréstimos e normas voltadas para o financiamento de imóveis e veículos. Pelos cálculos oficiais, a oferta pode ser elevada em R$ 25 bilhões. Em nota, o superintendente de Informações sobre Consumidores da Serasa Experian, Vander Nagata, afirma que a situação é preocupante, mas não alarmante, pois o volume de dívidas da maioria não é alto. Segundo dados divulgados no dia 12 de agosto pela Serasa Experian, a inadimplência de consumidores no Brasil subiu em julho sobre o mesmo mês do ano passado e também na comparação com junho. O indicador subiu 11% sobre julho de 2013 e 4% na comparação com junho, acumulando nos sete meses alta de 0,6% sobre igual período do ano passado. Enquanto o resto do mundo passa a última página da grave crise financeira instalada em 2008, o Brasil, meu caro leitor, amarga a inicial agudeza de uma estagflação (aumento da taxa de desemprego com elevação da inflação), com inimagináveis conseqüências à economia nacional. As reformas que deveríamos ter empreendido (sempre prometidas pelos políticos e todas adiadas) não foram realizadas, temos uma carga tributária muita pesada e, pior, sem retorno à sociedade. O que vemos são os brasileiros morrendo, cada vez mais, ou pela falta de segurança pública, pela falta da assistência médica ou pelo abandono às suas dores, princípios todos de responsabilidade dos governos, pela nossa magna carta constitucional que, ferida dia a dia, se tornou esquecida pelos que tinham obrigação, e juraram solenidade por isto, de respeitá-la. Na discografia brasileira, em 1955 (lá se vão 59 anos) o apreciado cantor e compositor Orlando Silva antevia o nosso padecimento quando compôs com a música “ Caprichos do Destino”, o imortal trecho: “ É doloroso, mas infelizmente é a verdade Eu não devia nem sequer pensar numa felicidade que não posso ter, mas sinto uma revolta dentro do meu peito, é muito triste não se ter direito, nem de viver”.

Djalma Pinto destaca a importância do livro e atuação do Juiz Herval Sampaio

Livro de Herval Sampaio será lançado na sexta-feira no Hotel Garbos em Mossoró 

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Juiz Herval Sampaio prepara-se para lançamento de novo livro – Foto: iPad Skarlack

É do renomado eleitoralista Djalma Pinto, o prefácio do livro “Abuso de poder nas eleições: ensaios” do Juiz Herval Sampaio.

Ele ressalta a importância da atuação dos Magistrados na Justiça Eleitoral, no sentido de coibir os abusos cometidos durante as eleições e dar efetividade às regras do Direito Eleitoral.

Confira:

Prefácio – Djalma Pinto

Qual o perfil do magistrado ideal para uma sociedade? Aquele que tem apenas elevado saber? Aquele que possui coragem, possui conhecimento jurídico, mas não tem compromisso algum com o ideal de justiça?

O mundo globalizado, marcado pelo intercâmbio em todos os segmentos da atividade humana, traçou o perfil do juiz ideal para garantir a efetividade do Direito: aquele que alia ao elevado saber jurídico, dedicação, coragem, retidão e permanente determinação para realizar justiça. A busca por promoções, o receio de desagradar poderosos e outros entraves acabam por provocar, em algumas situações, profundo desconforto com a atuação jurisdicional.

Para felicidade da nação, o Dr. José Herval Sampaio Júnior reúne todas as qualidades exigidas de um grande Magistrado: é sábio, íntegro, dedicado, destemido e devotado à causa da justiça.

A Constituição, é certo, assegura as garantias para o exercício com independência na função mais importante no grupo social que é a de solucionar litígios. Dirimir conflitos de natureza política, entretanto, exige do julgador acima de tudo “grandeza de espírito”, consciência absoluta de que é ele muito superior aos que buscam o poder por vaidade, motivos subalternos e outras razões inconfessáveis. Precisa compreender, enfim, que o poder, a riqueza, todas as honrarias são efêmeras. No final, ficará apenas o conceito, a respeitabilidade que distinguirá o grande juiz, credenciando-o a ter seu nome lançado no panteão sagrado, reservado aos grandes nomes da pátria.

No livro “Abuso do Poder nas Eleições triste realidade da política(agem) brasileira”, o autor relaciona os casos que lhe foram submetidos a julgamento, demonstra o seu profundo conhecimento sobre o Direito Eleitoral e, acima de tudo, o seu compromisso permanente em dar efetividade à legislação vigente, para que as eleições sejam transparentes e sem máculas comprometedoras da própria legitimidade dos eleitos.

Ao lado de Márlon Reis, Herval Sampaio e outros abnegados juízes, formam um seleto e honroso círculo de grandes magistrados contemporâneos que lutam, bravamente, pela moralização do processo eleitoral no Brasil. É certo que a absoluta falta de preocupação das escolas, das famílias e da sociedade em geral com a formação do homem para o exercício do poder; a falta de apreço ao bem comum encontra-se na raiz das distorções que levam à compra de votos, à venda de legenda e a outras aberrações que chocam a sociedade.

A surpreendente colocação da política no mercado, para extração de lucro, resulta na necessidade de maior atuação da Justiça Eleitoral por meio dos seus magistrados, comprometidos com a aplicação irredutível da lei para assegurar longevidade a nossa democracia. Ao longo de sua obra, o autor retrata o ambiente de predisposição para a violação das normas que disciplinam o processo eletivo pelas partes que buscam o poder, e a imperiosa necessidade de aplicação das sanções aos seus violadores.
Uma advertência do autor, em relação aos partidos políticos, deverá, por certo, merecer especial atenção da sociedade. Partidos e coligações, na sua dolorosa, mas precisa observação, “só servem para assegurar ou manter privilégios pessoais de alguns de seus integrantes, sem que haja qualquer interesse realmente partidário”.

De fato, como enfatizado na obra, não há ideologia nessas agremiações, apenas um aglomerado de pessoas que buscam o poder a qualquer custo, sem compromisso algum com a supremacia do interesse coletivo daí, a predisposição para a prática de “muitas das ilegalidades que viciam o processo eleitoral”, exigindo enérgica reação da Justiça Eleitoral.

Aqueles que acreditam na sociedade justa, livre e solidária mantêm vivas as chamas de sua esperança, acima de tudo, porque, no Poder Judiciário, existem homens como o juiz Herval Sampaio que fazem da realização do ideal de justiça a força determinante do seu existir.

Fortaleza, junho de 2014

Djalma Pinto

Viva William Bonner!!!

O verdadeiro jornalismo não morreu

Ainda bem que existe William Bonner.

Digo isto, pois que, por aqui grande parte das nossas lideranças e, em muitos casos aplaudidos por suas claques e puxadores de bandeiras virtuais na internet, por qualquer notinha de rodapé sobe no Luiz XV.

E já não temos mais muitos profissionais dispostos a perguntarem o que os candidatos não querem ouvir.

Ao empurrar a presidente da República, Dilma Rouseeff, para as cordas, durante entrevista que comandou no Jornal Nacional, na noite desta segunda-feira, 19, o editor-apresentador da Globo, também e, de novo, aparece como uma esperança de que o bom jornalismo não morra.

Na mossoroen (cidade) se se noticiar que uma governadora com 90% de reprovação foi vaiada – e ela sendo vaiada, sim -, é pecado capital.

Por aqui um Centro de Educação do Estado pode desabar, ferindo operários; viadutos podem ser construídos e não liberados ou serem reformados antes do fim da obra; policiais podem levar alimentos para o Batalhão, por falta de quentinha que deveria ser repassada pelo Governo; um Hospital da Mulher pode ter sido usado para desvio de R$ 8 milhões – foi o Ministério Público que anunciou; um Teatro Municipal pode passar três anos e meio com reforma inacabada…

Sim, tudo isso pode acontecer, na mossoroen (cidade), todavia, porém, entretanto, no entanto quem ousar informar algum destes descalabros administrativos, é logo apontado como xiita.

E quanto a um Governo do Estado passar 2011, 2012, 2013 e 2014 embolsando R$ 15 milhões de verba da saúde pública, recursos que legalmente, deveriam ter sido repassados para a Prefeitura Municipal de Mossoró?

Bem, se algum jornalista tiver coragem de, apenas repercutir o que foi revelado nesse sentido pelo prefeito da cidade e pela secretária de saúde, estará se expondo a ouvir alguma piadinha de bajuladores cor de rosa travestidos de homens da mídia.

E o que dizer sobre uma governante que prometeu um Estádio Padrão Fifa, mas que não é capaz de, depois de não – claro! – cumprir a promessa, nem ao menos reformar o velho Nogueirão?

Como diria certa personagem: “Isso, não pooooooddddddeeeeeeeeee”.

Sim, por aqui, esses e outros temas são proíbidos para algumas figurinhas carimbas.

Isto posto, registro um episódio ocorrido na noite desta segunda-feira, 19, quando este blog, ao apenas cumprir seu papel de informar, cobriu jornalisticamente as três reuniões políticas que foram comandadas, respectivamente, pelo prefeito Francisco José Júnior, por Fafá Rosado e Leonardo Nogueira e por Sandra e Larissa Rosado.

Ao chegar em uma das reuniões para uma simples cobertura, uma “ortoridade” correu, pendurou no pescoço da liderança maior, e sussurrou que “este que vos fala” tinha ido ao local só para publicar fotos contra o evento.

Ela com certeza não sabia que o blog havia sido convidado pela assessoria do encontro para a cobertura jornalística.

E muito menos suspeitava de que o Velho Apache Antenado teria a informação da indiscrição em tempo real.

Então, já que repórter da terra não faz milagre, seria bom ver certos governantes e governantas na bancada do JN para 15 minutos de fama – leia-se face to face – com Bonner!

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Só em 2014 – Brasileiros Já Pagaram Um Trilhão em Impostos 

Elviro

Elviro Rebouças é economista e empresário

De 1º de janeiro a 12 de agosto de 2014 – um período de 224 dias -, os brasileiros desembolsaram R$ 1 trilhão em impostos. O valor foi calculado pelo “Impostômetro”, ferramenta da Associação Comercial de São Paulo (ASCP) que contabiliza diariamente o total dos impostos pagos no País. A marca deste ano foi alcançada 15 dias antes do verificado em 2013. Em 2008, havia se chegado R$ 1 trilhão no dia 13 de dezembro. Dois anos depois, em 2010, ano de eleições, houve um enorme “avanço”, quando se alcançou o valor de R$ 1.000.000.000.000 no dia 18 de outubro. Em 2014, foi em 12 de agosto. Quando será em 2015? E em 2020? Lançado em 2005, o “Impostômetro” é uma ferramenta de conscientização tributária. O objetivo é apresentar ao cidadão o tamanho da carga tributária no País, incentivando-o a refletir e a cobrar do Estado serviços públicos de qualidade. A arrecadação cresce mais do que a economia brasileira. O contribuinte paga muito e não há um retorno compatível, pois os serviços públicos deixam a desejar”. O “Impostômetro” considera os valores arrecadados pelas três esferas de governo (União, Estados e Municípios) a título de tributos: impostos, taxas e contribuições, incluindo as multas, juros e correção monetária. Para o levantamento das arrecadações federais, por exemplo, a base de dados utilizada é a Receita Federal do Brasil, a Secretaria do Tesouro Nacional, a Caixa Econômica Federal, o Tribunal de Contas da União e o IBGE. Finalidade idêntica – a conscientização do tamanho da carga tributária paga pelo brasileiro – tem a Lei 12.741/12, que exige a discriminação dos impostos nas notas fiscais. A lei tornou obrigatório constar, nos documentos fiscais entregues ao consumidor por ocasião da venda de mercadorias e serviços, “o valor aproximado correspondente à totalidade dos tributos federais, estaduais e municipais”. No entanto, a obrigatoriedade da menção aos impostos na nota fiscal vem sendo adiada. A última prorrogação, feita pela presidente Dilma Rousseff através da Medida Provisória (MP) 649, estendeu o prazo para janeiro de 2015. O governo federal está receoso de como o consumidor analisará essa informação, acessível de forma habitual, no momento da compra. Momento este repleto de intensidade política, pois é nessa hora que o cidadão tem contato direto com a economia do País, com o alto custo de vida e com o tamanho do Estado. Segundo o ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif, “ao saber que paga imposto em tudo, o cidadão vai ser muito mais exigente em relação aos serviços públicos”. Não é necessária uma apurada exigência para constatar um paradoxo cada vez mais presente na vida pública brasileira. Ao mesmo tempo em que cada vez se gasta mais com a administração pública – não raramente se encara a responsabilidade fiscal como algo “optativo”, como se estivesse dentro da margem de discricionariedade do administrador público a opção por infringi-la ou como se a irresponsabilidade fosse uma legítima opção ideológica -, pior se gasta. Obras públicas mal-acabadas, atrasadas, não feitas ou refeitas três meses depois não são notícias esparsas. É a rotina de cada dia. E isso sem mencionar a baixa qualidade – ou a inexistência – de serviços públicos: educação, saúde, transporte, segurança pública. É preciso gastar menos e gastar melhor. R$ 1 trilhão é um símbolo. Símbolo do esforço crescente que o brasileiro tem de fazer para bancar o Estado, nas suas três esferas. Mas é também uma realidade sentida diariamente: em cada conta que se paga, em cada salário que se recebe, em cada negócio que se efetiva. Uma realidade que precisa ser enfrentada. Ao ritmo que vai avançando, o bolso do brasileiro não aguentará.

A TRAGÉDIA DE EDUARDO CAMPOS – Jovem aos seus 49 anos de idade, neto de Miguel Arraes de Alencar, mitológico político, nascido no Crato-CE., mas com larga vida pública em Pernambuco, se fazendo governador do estado em três mandatos,com vasta consagração popular. Esta morte brutal de Eduardo Campos enluta todo o Brasil, não só os 10% de eleitores que já estavam contabilizados pelas pesquisas, como seus eleitores no dia 05 de outubro que, infelizmente, ele não alcançou. Herdeiro de Arraes, ele governou, também, por dois mandatos consecutivos os pernambucanos, aonde realizou obra infra-estrutural que o consagrou nacionalmente. O Estado de Pernambuco hoje com 9,6 milhões de habitantes, e um PIB anual de R$.110 bilhões, foi, disparado, o rincão nordestino que mais se desenvolveu nos últimos dez anos, vindo ascendendo em escala superior ao maior estado do nordeste – a Bahia. Eduardo Campos contou, significativamente, com o beneplácito do seu conterrâneo Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente por dois mandatos, e, de mãos sempre juntas, elevaram o nível administrativo e social estado. O moderno porto de Suape, a refinaria da Petrobrás, a incompleta transposição do Rio São Francisco e de vastas obras de mobilidade urbana na grande Recife, atração de duas montadoras de automóveis que estão finalizando instalação ali, estímulos e dinheiro público carreado para a fruticultura irrigada na região de Petrolina, revolucionando a evolução de emprego e renda, o turismo sendo levado a sério, com uma divulgação até internacional nos Estados Unidos, Canadá e em toda a Europa, com a revitalização da alma e das tradições. Com a morte prematura e tão pranteada do recifense de Eduardo Henrique Accioly Campos, surge já a expectativa de que a sua candidata a Vice-Presidente, a ex-senadora acreana Marina Silva seja a substituta na chapa do PSB, elevando a perspectiva de um possível segundo turno às eleições presidenciais.

Artigo

Só em 2014 – Brasileiros Já Pagaram Um Trilhão Em Impostos

Elviro

Elviro Rebouças é economista e empresário

No artido deste final de semana o economista e empresário, Elviro Rebouças, discorre sobre o montante de impostos já pagos pelos brasileiros em 2014 e sobre a tragédia da morte de Eduardo Campos. Confira a primeira parte do artigo que terá sua publicação na íntegra neste domingo:

De 1º de janeiro a 12 de agosto de 2014 – um período de 224 dias -, os brasileiros desembolsaram R$ 1 trilhão em impostos. O valor foi calculado pelo “Impostômetro”, ferramenta da Associação Comercial de São Paulo (ASCP) que contabiliza diariamente o total dos impostos pagos no País. A marca deste ano foi alcançada 15 dias antes do verificado em 2013. Em 2008, havia se chegado R$ 1 trilhão no dia 13 de dezembro. Dois anos depois, em 2010, ano de eleições, houve um enorme “avanço”, quando se alcançou o valor de R$ 1.000.000.000.000 no dia 18 de outubro. Em 2014, foi em 12 de agosto. Quando será em 2015? E em 2020? Lançado em 2005, o “Impostômetro” é uma ferramenta de conscientização tributária. O objetivo é apresentar ao cidadão o tamanho da carga tributária no País, incentivando-o a refletir e a cobrar do Estado serviços públicos de qualidade. A arrecadação cresce mais do que a economia brasileira. O contribuinte paga muito e não há um retorno compatível, pois os serviços públicos deixam a desejar”. O “Impostômetro” considera os valores arrecadados pelas três esferas de governo (União, Estados e Municípios) a título de tributos: impostos, taxas e contribuições, incluindo as multas, juros e correção monetária. Para o levantamento das arrecadações federais, por exemplo, a base de dados utilizada é a Receita Federal do Brasil, a Secretaria do Tesouro Nacional, a Caixa Econômica Federal, o Tribunal de Contas da União e o IBGE. Finalidade idêntica – a conscientização do tamanho da carga tributária paga pelo brasileiro – tem a Lei 12.741/12, que exige a discriminação dos impostos nas notas fiscais. A lei tornou obrigatório constar, nos documentos fiscais entregues ao consumidor por ocasião da venda de mercadorias e serviços, “o valor aproximado correspondente à totalidade dos tributos federais, estaduais e municipais”. No entanto, a obrigatoriedade da menção aos impostos na nota fiscal vem sendo adiada. A última prorrogação, feita pela presidente Dilma Rousseff através da Medida Provisória (MP) 649, estendeu o prazo para janeiro de 2015. O governo federal está receoso de como o consumidor analisará essa informação, acessível de forma habitual, no momento da compra. Momento este repleto de intensidade política, pois é nessa hora que o cidadão tem contato direto com a economia do País, com o alto custo de vida e com o tamanho do Estado. Segundo o ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif, “ao saber que paga imposto em tudo, o cidadão vai ser muito mais exigente em relação aos serviços públicos”. Não é necessária uma apurada exigência para constatar um paradoxo cada vez mais presente na vida pública brasileira. Ao mesmo tempo em que cada vez se gasta mais com a administração pública – não raramente se encara a responsabilidade fiscal como algo “optativo”, como se estivesse dentro da margem de discricionariedade do administrador público a opção por infringi-la ou como se a irresponsabilidade fosse uma legítima opção ideológica -, pior se gasta. Obras públicas mal-acabadas, atrasadas, não feitas ou refeitas três meses depois não são notícias esparsas. É a rotina de cada dia. E isso sem mencionar a baixa qualidade – ou a inexistência – de serviços públicos: educação, saúde, transporte, segurança pública. É preciso gastar menos e gastar melhor. R$ 1 trilhão é um símbolo. Símbolo do esforço crescente que o brasileiro tem de fazer para bancar o Estado, nas suas três esferas. Mas é também uma realidade sentida diariamente: em cada conta que se paga, em cada salário que se recebe, em cada negócio que se efetiva. Uma realidade que precisa ser enfrentada. Ao ritmo que vai avançando, o bolso do brasileiro não aguentará…

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Banqueiros Ingratos 

Paulo-Afonso-Linhares

Paulo Afonso Linhares é jurista, secretário municipal e diretor da Rádio e Portal Difusora

Nunca “na história deste país” os bancos ganharam tanto dinheiro quanto nos governos petistas, o que, aliás, foi admitido pelo ex-presidente Lula em entrevista à imprensa. E isto não deixa de ser um enorme paradoxo. É bem verdade que o governo tucano de FHC, também, fez mimos impensáveis à banca nacional quando não apenas criou um mega socorro para instituições financeiras chamado PROER (Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional), como promoveu uma agressiva política de estímulo à concentração de capital na área financeira, causando o desaparecimento de todos os pequenos e médios bancos de varejo, chegando a atingir, também, até mesmo algumas das grandes redes bancárias como o Banco Nacional e o Bamerindus. Restaram poucos e grandes bancos controlados pelo capital privado, abrindo-se a possibilidades da instalação, no mercado brasileiro, de algumas redes de bancos estrangeiros (HSBC, Santander etc.).

Com efeito, sob o argumento de que deveria evitar uma crise econômica sistêmica, o governo Fernando Henrique Cardoso implementou uma política de recuperação das instituições financeiras que estavam com graves problemas de caixa, o PROER, resultando na injeção pelo Banco Central brasileiro de uma montanha de dinheiro: No período de 1995 a aproximadamente 2000, foram destinados em títulos de longo prazo mais de R$ 30 bilhões (corrigido pelo IGP-P, tal valor ultrapassa, hoje, R$ 150 bilhões!) a bancos brasileiros, aproximadamente 2,5% do PIB, o que foi posteriormente proibido com a advento da Lei Complementar nº 101/2000, a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal, que proibiu aportes de recursos públicos para saneamento do Sistema Financeiro Nacional).

Em 2013, o lucro dos bancos, no Brasil, bateu todos os recordes. A soma do lucro registrado por quatro bancos brasileiros (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander e Banco do Brasil,) em 2013, atingiu a cifra superlativa de aproximadamente US$ 20,5 bilhões (equivalente a R$ 47 bilhões), ultrapassando o Produto Interno Bruto (PIB) estimado de 83 países, no mesmo período, conforme levantamento feito com base em dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). O ranking dos lucros bancários ficou assim em 2013: o Banco do Brasil teve um lucro líquido de R$ 15,75 bilhões; o Itaú Unibanco, de R$ 15,6 bilhões, o maior da história de todos os bancos brasileiros de capital aberto; o Bradesco lucrou cerca de em 2013 ficou perto de R$ 12 bilhões; e o lucro do Santander foi de R$ 5,7 bilhões. Os resultados apresentados por estes quatro bancos em 2013 superou aqueles registrados em 2012. A posição atual é a de que o Banco do Brasil, Itaú e Bradesco são os bancos mais rentáveis das Américas. Os “assaltos” dos empréstimos consignados e os juros estratosféricos dos cheques especiais garantiram esses resultados. Banqueiros, todavia, são como os gatos: quanto mais comem, mais miam…

Estranho é que todos esses resultados favoráveis não têm dado um freio nas línguas nada presas dos banqueiros e analistas do mercado financeiro, a exemplo do recente episódio que envolveu o Banco Santander, que remeteu aos seus correntistas vips (com rendas mensais acima de R$ 10 mil) um informe alertando para os danos que poderiam gerar à economia uma vitória da presidente Dilma Rousseff nas eleições de outubro de 2014: “A economia brasileira continua apresentando baixo crescimento, inflação alta e déficit em conta-corrente. A quebra de confiança e o pessimismo crescente em relação ao Brasil em derrubar ainda mais a popularidade da presidente, que vem caindo nas últimas pesquisas, e que tem contribuído para a subida da Ibovespa. Difícil saber até quando vai durar esse cenário e qual será o desdobramento final de uma queda ainda maior de Dilma Rousseff nas pesquisas. Se a presidente se estabilizar ou voltar a subir nas pesquisas, um cenário de reversão pode surgir. O câmbio voltaria a se desvalorizar, juros longos retomariam alta e o índice da Bovespa cairia, revertendo parte das altas recentes.”

Uma pancada. Embora seja livre a expressão do pensamento, foi uma atitude grosseira e descabida que até agrediu mais os correntistas alvos da mensagem do que a Dilma Rousseff. Tanto que a direção do Santander se desculpou publicamente e despediu os quatro responsáveis pela veiculação do informe: “… Sendo assim, o Banco pede desculpas aos clientes que possam ter interpretado a mensagem de forma diversa dessa orientação, e reitera sua convicção de que a economia brasileira seguirá sua bem-sucedida trajetória de desenvolvimento.” Explicou, mas, não convenceu. Intramuros, os banqueiros continuam a torcer contra a reeleição de dona Dilma.

Afinal, noutro episódio recente, foi do rico camarote de celebridades e endinheirados que o Banco Itaú (repita-se, o detentor do maior lucro da história com os resultados de 2013), montou na Arena Itaquera, que partiram os xingamentos e chulas agressões à presidente da República, quando da abertura da Copa do Mundo. Tudo bem coerente com aquelas peças publicitárias desse banco, que começa com um dedo rodando e termina com uma imoral dedada. Horrível e de um mau gosto atroz. Assim, Quanto mais comem, mais miam esses vorazes banqueiros com seus lucros maravilhosos. Até quando?

Artigo: 60 Anos Se Completam

Getúlio Vargas e Carlos Lacerda Fizeram A História

Elviro

Elviro Rebouças é Economista e Empresário

Dois dos maiores personagens da história democrática do Brasil, desde da proclamação da república, em 15 de novembro de 1889, foram o gaúcho intrépido , populista e estrategista Getúlio Dornelles Vargas(PTB), nascido em São Borja,em 19 de abril de 1882, ancestrais políticos por ambas as famílias, e Carlos Frederico Werneck de Lacerda(UDN), de acendrado espírito público, tribuno insuperável, com inteligência e verve embriagadores, ladino jornalista e articulador, natural do Rio de Janeiro,em 30 de abril de 1914 (fez agora um século do seu nascimento), mas registrado em Vassouras,terra de sua ascendência lustrada nas letras, nas pugnas eleitorais fluminenses e na magistratura. O primeiro chegando por mais de uma vez à Presidência da República. O segundo, brilhante Deputado Federal e Governador do então estado da Guanabara, os dois se inscreveram definitivamente na história do Brasil, em agosto de 1954, portanto há exatos sessenta anos, que passam quase desapercebidos dos brasileiros, que hoje estão mais preocupados com a falta de espírito público dos que perseguem influência administrativa nas esferas federal, estadual e municipal, ou seja estão obrigados a exercer cidadania, com uma taxa de crescimento econômico próximo a zero, uma inflação que volta a saltitar a quase 6,5% ao ano, uma inclemente seca no Sudeste, Centro-Oeste e no Nordeste, causando pânico, pela falta d’água, à população, além do sucateamento à nossa industrialização. Era noite, do dia 05 de agosto de 1954, quando, escoltado por oficiais da aeronáutica que já lhe mostravam solidariedade, (a arma ameaçava se sublevar contra o moribundo governo Vargas), Lacerda, líder admirado e aplaudido pelo povo, da oposição na Câmara Federal, no Rio de Janeiro, era ferido à bala, no famoso atentado da rua Tonelero nº180, em Copacabana ,frente à sua residência, em triste episódio no qual, por erro de um dos projétis, perdeu a vida o Major Rubens Florentino Vaz, com um tiro alojado no seu coração, desencadeando uma série de acontecimentos, e se chegando logo à conclusão de que, mesmo sem o conhecimento pessoal do Presidente Getúlio, o atentado havia sido urdido nos porões do Palácio do Catete, com participação de um membro da família Vargas, e sob a operacionalização do anjo negro Gregório Fortunato, gaúcho e comandante da guarda pessoal do chefe da nação, inclusive com incontinenti prisão dos atiradores que confessaram a nefasta tratativa. Daí em diante foi só rastilho e muita pólvora. Lacerda escapou, denunciou à nação os responsáveis, com amplo apoio de quase toda a imprensa, ele que era dono do jornal Tribuna da Imprensa,com grande circulação no Rio de Janeiro, fazendo com que os militares (exército, marinha e aeronáutica) –atingidos pela morte do Major Vaz – pressionassem pela renúncia imediata ou afastamento , por licença, do presidente, com a imediata posse do seu vice, exatamente o nosso conterrâneo potiguar João Café Filho, natalense, eleito com Vargas, mas já distanciado deste. Instalou-se a República do Galeão, para onde foram levados à força, para serem inquiridos, sobre o atentado, pessoas próximas e familiares do presidente. O clima era devastador contra Vargas, a ponto de oficiais generais, no dia 22 de agosto, terem assinado uma declaração exigindo sua renúncia, nos seguintes termos “Os abaixo-assinados, oficiais generais do Exército…solidarizando com o pensamento dos camaradas da Aeronáutica e da Marinha, declaram julgar, como melhor caminho para tranqüilizar o povo e manter unidas as forças armadas, a renúncia do atual presidente da República, processando sua substituição de acordo com os preceitos constitucionais”. O então Ministro da Guerra, nomeado por Getúlio, mas atônito diante dos desdobramentos que vinham acontecendo, o general Zenóbio da Costa, numa dramática e última reunião ministerial que se encerrou pouco antes das cinco horas da madrugada do fatídico dia 24 de agosto de 1954, e à qual estavam presentes nomes condestáveis da república, como Oswaldo Aranha, Tancredo de Almeida Neves, Vasco Leitão da Cunha, José Américo de Almeida , Octávio Gouveia de Bulhões e Mário Pinotti, tentou obter o assentimento para a licença de Vargas, tendo o caudilho, inflexível, respondido duramente à ultima colocação do seu militar: “Ministro, daqui só me tirarão morto”.

O SUÍCIDIO –

No dia dedicado a São Bartolomeu, pouco depois das oito horas da manhã, nos aposentos residenciais do segundo andar do Palácio do Catete, foi ouvido o último tiro de toda a sinistra trama – Getúlio fora buscar fora de léxico o argumento para deixar a crise – e acionara o gatilho de seu revolver contra o próprio peito esquerdo, deixando ensangüentados o estigmatizado pijama listrado que vestia,com as iniciais GV, o seu corpo inerte e, como um todo, a cena político-governamental do país, com o povo voltando às ruas, agora não mais para pressionar pela renúncia, mas para prantear o presidente morto. Gegê não dormira, já o dia claro , antes de se deitar para cometer o gesto extremo,acomodou os braços na escrivaninha que mantinha no quarto e, de próprio punho, deixou a tão famosa carta-testamento: “Deixo à sanha de meus inimigos, o legado de minha morte. Levo o pesar de não ter podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro, e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia.A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos, numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa. Agradeço aos que de perto ou de longe me trouxeram o conforto de sua amizade. A resposta do povo, de quem fui escravo, e de quem jamais será escravo de ninguém, virá mais tarde…”. Vargas, mesmo no seu instante derradeiro de calvário, foi profético.

O TEMPO PASSOU –

Vargas e Lacerda deixaram os seus legados. O primeiro com a instituição, à época, de muito modernas leis trabalhistas e previdenciárias ainda vigorantes, sempre favoráveis aos trabalhadores, instituiu o salário mínimo no Brasil, criou a CLT, abriu a Companhia Siderúrgica Nacional e a CHESF, tomou excelentes medidas infra-estruturantes, a criação da Petrobrás,a ampliação dos portos, dentre outros. Lacerda, o mais brilhante Deputado Federal do nosso país, governou com rara honestidade a Guanabara, com uma obra admirada, diminuindo a favelização,construiu dezenas de conjuntos habitacionais para os de baixa renda, esquadrinhou a paisagem urbanística moderna da cidade do Rio de Janeiro, dando-lhe o papel futurista até os dias de hoje, arrojado nas suas destemidas convicções liberais, com zelo pela democracia, comandou, no campo civil, o encaminhamento de deposição de Jango em 1964, se decepcionando rápido com a revolução militar que havia se aboletado no poder. Teve, injustamente, os direitos políticos suspensos, voltou a conviver no exílio com os seus grandes inimigos do passado, Juscelino e João Goulart, tentando promover a “frente ampla” que restabeleceria a democracia no Brasil. O corvo, como lhe apelidaram os adversários, faleceu de infarto cardíaco fulminante em 21 de maio de 1977, no Rio de Janeiro. JK e JG, respectivamente, em acidente automobilístico em Rezende-RJ, ainda hoje pouco esclarecido, e Jango, de sofrimento e muita tristeza pela ausência do Brasil, também de angina coronariano, ainda exilado em Mercedes, no Uruguai. Getúlio Vargas e Carlos Lacerda, dois nomes, adversários ferrenhos, dois grandes brasileiros. Hoje, já distanciados da passionalidade da época, mas com a tecibilidade da nossa história, sessenta anos depois.Dois homens verdadeiros, cada um a sua maneira,até por via transversa, ambos com entusiasmo pelo Brasil e pelo povo brasileiro. Os políticos de hoje, salvo raras exceções, já não são mais os mesmos. E, com sua licença meu caro leitor, é tempo de sentirmos saudade de Deodoro da Fonsêca, Floriano Peixoto, Rui Barbosa, Benjamim Constant, Juscelino, Tancredo Neves, Hermes Lima, Francisco Clementino de San Tiago Dantas, Oswaldo Aranha, Miguel Couto Filho, Prado Kelly, Juraci Magalhães,Eduardo Gomes,Juarez Távora, dos grandes potiguares Aluízio Alves, Seabra Fagundes e Café Filho. Hoje, infelizmente, os tempos e os pensamentos são, geralmente, outros não tão úteis à cidadania.

Eleições 2014

Aécio massacra Dilma em São Paulo e Minas Gerais em eventual segundo turno 

ELEIÇÕES 2014: Datafolha mostra Aécio massacrando Dilma no 2º turno em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Se a isso somarmos uma provável virada em Minas e outros fatores, o quadro sorri para o tucano

Por: Ricardo Setti

(Fotos: Lia de Paula/Agência Senado :: Ueslei Marcelino/Reuters)
Se Aécio derrotar Dilma por larga margem nos dois principais colégios eleitorais do país, estará quase eliminando o total da diferença da presidente para Serra em 2010 (Fotos: Lia de Paula/Agência Senado :: Ueslei Marcelino/Reuters)
O presidenciável Aécio Neves (PSDB) tem como um dos principais desafios colocados à mesa alcançar uma grande vitória em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil — quase 32 milhões de eleitores, perto de 23% de todo o eleitorado brasileiro –, e a recente pesquisa Datafolha mostra que ele está chegando lá.

Se o segundo turno da eleição fosse hoje, informa o mais confiável instituto de pesquisa de intenções de voto do país, Aécio teria 50% dos votos válidos do maior Estado brasileiro, e a presidente Dilma apenas 31%.

Se projetarmos para a eleição de 5 de outubro o mesmo (e alto) índice de abstenção verificado no segundo turno da eleição de 2010 — 19,5% –, e supormos que haverá, de novo, 2,3% de votos em branco e 4,4% nulos, Aécio teria em números redondos 12 milhões de votos contra 7,4 milhões da presidente.

A diferença entre os dois seria de 4,6 milhões de votos em favor de Aécio.

José Serra venceu Dilma em 2010 em seu próprio Estado natal por apenas 1,8 milhão de votos.

É preciso considerar, também, que a campanha eleitoral mal começou, e mal começou o processo de transferência de votos do governador tucano Geraldo Alckmin para Aécio — Alckmin tem massacrante vantagem sobre todos os adversários no Estado, com 57% das intenções de voto e reeleição garantida no primeiro turno, se o pleito fosse hoje.

Com a campanha eleitoral engatinhando, ainda não é possível medir os efeitos da peregrinação intensa que fará, em boa parte dos 645 municípios paulistas, o candidato a vice de Aécio, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o senador mais votado da história, com mais de 11 milhões de votos alcançados em 2010. O senador permanecerá percorrendo o Estado durante quase toda a campanha, devendo acompanhar Aécio apenas em viagens pontuais a outros Estados.

Caso esse cenário se confirme, Aécio só com São Paulo diminuirá consideravelmente a diferença de 12 milhões de votos que Dilma livrou sobre Serra no país em 2010.

Se a São Paulo somarmos Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, com 15,3 milhões de eleitores, o quadro sorri para o candidato tucano.

Dilma derrotou Serra em Minas por 1,8 milhão de votos, e no Estado que governou duas vezes, deixando o poder com 77% de popularidade, as previsões são de que Aécio inverterá dramaticamente a situação. O candidato tucano a governador, o ex-ministro Pimenta da Veiga, estima que Aécio possa sair de do Estado com uma vantagem de 3,5 milhões de votos sobre a presidente — o que significaria, eliminada a vantagem da eleição anterior com os votos conquistados nesta, 5,3 milhões de votos menos naqueles 12 milhões de Dilma em 2010.

Só em São Paulo e em Minas, segundo essa estimativa, os 12 milhões terão caído para 1,8 milhão. E aí temos os Estados que votaram firmes em candidatos tucanos em eleições presidenciais anteriores — Goiás, os dois Mato Grossos, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo…

Aécio, além do mais, dispõe de palanques muito mais fortes do que os de Serra em Estados onde os tucanos foram triturados em 2010, como Bahia, Ceará, Amazonas e Maranhão. Em Pernambuco, onde Dilma explodiu e derrotou Serra por 2,3 milhões de votos, agora haverá um candidato da terra disputando o eleitorado. E por aí vai.

Completando o quadro, o percentual de eleitores que de forma alguma votarão em Dilma, segundo o Datafolha, é de 37% — ao passo que esse percentual negativo, para Aécio, é de 17%.

Fonte: www.veja.com.br

Dilma, os evangélicos, os políticos, Deus e o capeta

Artigo

Por: Reinaldo Azevedo

Pode haver outros, mas creio que poucos jornalistas combatem com tanta firmeza o preconceito que há no Brasil, nas camadas ditas mais cultas — no geral, são apenas pessoas orgulhosas do pouco que sabem e do muito que não sabem — contra os evangélicos. Na verdade, existe um preconceito muito forte contra os cristãos. Os católicos também são alvos constantes de desconfiança. Mas não vou tratar disso agora. O que me incomoda profundamente em período eleitoral é a busca desesperada dos políticos pelos votos dos crentes. Muitos chegam a afirmar até uma convicção que não têm só para conquistar o eleitor.

Nesta sexta, por exemplo, a presidente Dilma esteve na Assembleia de Deus do Brás, em São Paulo – um braço da Congregação de Madureira. Foi convidada a discursar no Congresso Nacional de Mulheres da Assembleia de Deus Madureira, que reuniu fiéis de todo o país. Lembrou que o Brasil é um país laico, mas citou o Salmo 33, de Davi: “Feliz é a nação cujo Deus é o Senhor”. Então tá bom. Eu preciso lembrar aqui algumas coisas.

Quando ministra do governo Lula, Dilma concedeu mais de uma entrevista dizendo-se favorável à legalização do aborto. Está tudo documentado. Eu lido com fatos, não com impressões. Notem, leitores: um candidato tem o direito de pensar o que quiser. Não pode, ou não deve, é fingir o que não pensa. A então ministra chegou a comparar a eliminação de um feto com a extração de um dente. Houve uma forte reação dos cristãos — e percebam que, aqui, eu não estou me posicionando sobre o aborto, mas sobre a hipocrisia política. E se inventou uma Dilma que seria contrária ao aborto.

A então candidata foi a um programa de TV e se disse católica — chegando a chamar Nossa Senhora de “deusa”. O cristianismo é monoteísta, vale dizer: crê num único Deus. Nossa Senhora, como se sabe, é uma santa. Chegou a ir a Aparecida e foi filmada persignando-se — de maneira errada, diga-se. Eleita presidente, nomeou para o Ministério da Mulheres Eleonora Menicucci, uma defensora fanática do aborto, que já havia confessado tê-lo feito, em outras mulheres, com as próprias mãos. Fatos. Eu só lido com fatos.

Os cristãos, com mais ênfase os evangélicos, fazem um intenso trabalho de convencimento contra a descriminação das drogas, por exemplo. O governo desta Dilma que vai a um templo evangélico citar um Salmo de Davi pôs em prática uma política pública escancaradamente favorável à descriminação, ainda que o faça de maneira um tanto oblíqua. Em maio de 2013, vários entes federais promoveram um seminário em Brasília, patrocinado com dinheiro público, em favor da descriminação e da legalização das drogas. Não se convidou para o evento um único representante que se opusesse a essas teses. Fatos. O governo Dilma, por intermédio do Ministério da Saúde — especialmente na atual gestão, de Arthur Chioro, combate com unhas e dentes as chamadas comunidades terapêuticas, que atuam com dependentes químicos — algumas são ligadas a igrejas evangélicas. Fatos.

No dia 27 de janeiro de 2012, no Fórum Social de Porto Alegre, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, afirmou que os petistas deveriam se preparar para travar com os evangélicos uma luta ideológica para disputar a chamada “classe C”. Entenderam? Para ele, seu partido e os cristãos dessas denominações têm interesses contraditórios.

Também não demonizo posições. Cada um pense o que quiser e dispute o coração do eleitor. O que estou cobrando é honestidade intelectual. Dilma tem o direito de defender a descriminação do aborto ou sua política simpática à descriminação das drogas. O que me desagrada, e isto vale para qualquer partido, é essa mania de alguns políticos de achar que Deus tem prazo de validade: geralmente, vai de julho a outubro dos anos pares, que são os eleitorais. Depois, quem costuma dar as cartas na política é mesmo o capeta do vale-tudo.

Fonte: www.veja.com.br

A farsa do PT na CPI da Petrobrás no Senado

Fraude da CPI – Petistas e governo cometem um crime contra o Congresso, contra a democracia e contra o estado de direito; só o mensalão foi mais grave do que isso!

Dilma

Assim como Lula, Dilma não sabe de nada? Foto: Arquivo

Veja o vídeo:

Por: Reinaldo Azevedo 

O PSDB pretende entrar com representações nas comissões de Ética do Senado e da própria Presidência da República contra a presidente Dilma Rousseff, funcionários da Petrobras, parlamentares, funcionários do Senado e da Secretaria de Relações Institucionais. Por quê? Fraude na CPI. Sim, leitores, vocês já devem ter lido a respeito. Reportagem de capa da VEJA desta semana demonstra que uma grande farsa foi armada na comissão destinada a investigar no Senado o prejuízo bilionário com a compra da refinaria de Pasadena. Trata-se de uma das maiores agressões jamais feitas contra o Poder Legislativo. Nessa matéria, a partir de agora, só o PT supera o PT. Um grande teatro foi armado para que não se investigasse nada. As perguntas elaboradas pelos parlamentares foram previamente passadas aos convocados, tudo sob a supervisão de funcionários graduados do governo e de políticos do alto escalão. Já entro em detalhes.

Já escrevi isto aqui algumas dezenas de vezes: é claro que o PT não inventou a corrupção e o malfeito na política. Já existiam antes dele; continuarão a existir depois. O partido inovou num aspecto: nunca antes na história deste país, como costuma dizer Lula, um partido tentou profissionalizar o crime político e fazer dele um método. Infelizmente, o PT trouxe essa novidade — e tomara que ela seja interrompida e não tenha continuadores. O que foi o mensalão? Cumpre lembrar: mais do que simples roubo de dinheiro público, mais do que peculato, mais do que corrupção ativa, mais do que corrupção passiva, mais do que formação de quadrilha, mais do que evasão de divisas, mais do que lavagem de dinheiro. O mensalão foi tudo isso para ser algo bem maior do que isso. Tratou-se de uma armação para criar um Congresso paralelo, movido pelo propinoduto, de sorte que o povo brasileiro tivesse solapado seu principal canal de expressão: o Poder Legislativo. Que passaria a se mover nas sombras. Esse, sim, foi o grande crime do mensalão. Mais do que o roubo, que já era muito grave, o que se viu foi o assalto ao estado de direito e ao estado brasileiro.

Muito bem: agora, VEJA revela mais um escândalo deplorável. Um vídeo de 20 minutos que veio a público traz uma reunião entre o chefe do escritório da Petrobras em Brasília, José Eduardo Sobral Barrocas, o advogado da empresa Bruno Ferreira e uma terceira personagem, ainda desconhecida. Gravado provavelmente com uma caneta-câmera, a reunião demonstra que as perguntas feitas pelos parlamentares na CPI foram previamente passadas ao grupo para que os depoentes pudessem ser “treinados”. Participaram da conspirata Paulo Argenta, assessor especial da Secretaria de Relações Institucionais; Marcos Rogério de Souza, assessor da liderança do governo no Senado; Carlos Hetzel, assessor da liderança do PT na Casa; o senador Delcídio Amaral (PT-MS); o senador José Pimentel (PT-CE), relator da CPI; Graça Foster, presidente da Petrobras, e José Eduardo Dutra, ex-presidente do PT e hoje um dos diretores da estatal.

O alvo maior da preocupação era mesmo Nestor Cerveró, aquele que omitiu do Conselho de Administração da Petrobras duas cláusulas essenciais na compra da refinaria de Pasadena. Barrocas, o chefe do escritório da empresa em Brasília, quer saber se as perguntas já estão com Cerveró e deixa claro que expediente idêntico foi empregado nos depoimentos de Gabrielli e de Graça. Pimentel, o relator da CPI, recorre à presidente da empresa e a Dutra para fazer um “gabarito” com as perguntas e respostas.

O PT se assustou com os desdobramentos da CPI dos Correios, que está na raiz da condenação da cúpula do partido, que foi parar na cadeia. Decidiu, então, desmoralizar esse expediente, que, na prática, já depôs um presidente e mandou para casa os tais “anões do Orçamento”. Eis aí: esse é o partido que diz querer fazer uma reforma política para moralizar o Congresso.

Estamos diante de um dos maiores crimes jamais cometidos contra a República. Ah, sim, o que Dilma tem com isso? Paulo Argenta é braço-direito de Ricardo Berzoini, ministro das Relações Institucionais. Berzoini foi nomeado justamente para tentar, digamos, segurar o escândalo da Petrobras na unha. Não custa lembrar que era ele o presidente do PT quando veio à luz o tal escândalo dos aloprados. Ficou claro que sabia de tudo. Quem escolhe um Berzoini escolhe também um método, não é mesmo, presidente Dilma?

Fonte: www.veja.com.br