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O PT PERDE ATÉ EM VOTAÇÃO DE INTETVENÇÃO

ISSO É BOM PARA O BRASIL

POR REINALDO AZEVEDO

Câmara vota decreto sobre intervenção federal na área de segurança pública do Rio. Vitoria maiúscula do governo (Foto Alex Ferreira/Câmara dos Deputados)

O governo do presidente Michel Temer obteve na madrugada desta terça-feira uma vitória maiúscula. Por 340 votos a 72 e uma abstenção, a Câmara aprovou o decreto presidencial que determina a intervenção federal na área de segurança pública do Rio. A votação aconteceu depois de mais de sete horas de debates. O PT, o PSOL e o PCdoB fizeram um forte trabalho de obstrução, mas restaram vencidos. Aliás, a rejeição à proposta estava longe de ser um consenso entre os oposicionistas. Tanto é assim que o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), falando pela minoria, preferiu não encaminhar o voto contrário, liberando as respectivas bancadas.

Nem poderia ser diferente. O PDT, por exemplo, integra o grupo de partidos que faz oposição ao presidente Michel Temer. Conta com 21 deputados. Desse total, 15 estiveram presentes à sessão. E todos cravaram “sim”. Também o PSB, que decidiu se bandear para a oposição, preferiu não dar murro em ponta de faca. O partido tem 32 parlamentares na Câmara. Apareceram para votar 26. Só Janete Capiberibe, do Amapá, disse “não”. Até a Rede, com seus quatro minguados deputados, que costuma se opor a tudo que vem do governo, votou majoritariamente a favor. Só Alessandro Molon, oriundo do PT, disse “não”. Ele saiu do partido, mas o partido não saiu dele. Miro Teixeira, o líder, encaminhou um entusiasmado voto em favor do decreto.

Na oposição, o PHS conta com sete deputados. Todos eles aprovaram o texto. Fora da base, com nove deputados, o PPS deu seis para a intervenção, que contou ainda com 9 dos 16 votos do também oposicionista “Podemos”. Houve um “não”. O PSDB não é oposição, mas também não é mais governo. Nessa matéria, a legenda ficou majoritariamente com o Planalto. Dos seus 46 deputados, 43 compareceram para votar. Apenas João Gualberto, da Bahia, cravou o “não”.

O PMDB contou com uma abstenção —Newton Cardoso Junior (MG) — e um voto contrário: o de Celso Pansera (RJ). Alinharam-se com o governo 46 parlamentares. Ocorre que a bancada conta com 59 membros; logo, 11 não compareceram. É um número considerável, dada a importância da matéria. Dos 33 do DEM, 30 estiveram presentes. Todos disseram “sim”, exceção feita a Rodrigo Maia. Por presidir a Câmara, ele não vota, segundo dispõe o Artigo 17 do Regimento Interno. O parlamentar, no entanto, fez um enfático discurso em favor da aprovação.

Resolveram se opor para valer ao texto o trio de sempre: PT, PCdoB e PSOL. A bancada petista é a segunda maior da Casa, com 57 deputados. Apareceram para votar 49. E todos disseram “não”. O PCdoB deu 8 de seus 11 votos contra o texto. Os outros três se ausentaram. O PSOL, como de hábito, foi o partido que “lacrou”: tem apenas seis membros na Casa, e todos eles se entregaram apaixonadamente à tarefa de tentar derrubar o texto.

Matéria dessa natureza é aprovada por maioria simples — vale dizer: metade mais um dos votos dos presentes à sessão, desde que votem ao menos 50% dos deputados. Assim, a votação só poderia ser realizada com a presença de pelo menos 257 parlamentares; destes, um mínimo de 129 tinham de estar alinhados com o texto. Assim, a proposta do Planalto obteve 211 votos a mais do que o necessário. No Senado, a votação só acontece na presença de pelo menos 41 membros da Casa. De um grupo de 81 senadores, o decreto precisa, portanto, de apenas 21 votos. O PMDB, sozinho, tem uma bancada de 20 parlamentares. A aprovação será ainda mais tranquila.

Para o bem do Rio de Janeiro.

Esquerda Heineken’ é a vovozinha!

Opinião

POR PAULO AFONSO LINHARES

É por demais decantada a incapacidade do burguês de compreender o humor, segundo feliz parêmia de Hermann Hesse, no seu Der Steppenwolf (O lobo da estepe, já referido por mim noutros textos). Enfim, o espírito burguês, no máximo, atinge às raias do cinismo quando busca o humor que, na acepção latina, quer dizer líquido.

O espírito verdadeiramente burguês e conservador tem enorme dificuldade de acessar essa fluidez, essa ‘felicidade líquida’ que constitui um estado de espírito que se caracteriza pelo equilíbrio psicológico e emocional da pessoa que consegue vislumbrar graça e riso nos diversos aspectos da condição humana; não raro, o humor representa sempre perspectivas de rupturas de paradigmas e da construção de novos cenários da vivência humana.

Que os bondosos leitores deste escrito de quarta-feira de cinzas não se iludam: aquele famoso riso das hienas é apenas o esgar doloroso desses bichos que comem fezes e somente transam uma vez por ano…

A alma conservadora, contudo, não desiste de utilizar, na defesas de seus interesses políticos e propósitos ideológicos, imagens que chegam próximo às fronteiras do humor sem jamais ter energia suficiente para transpô-las. Assim é que, nas lutas político-ideológicas que trava, tende sempre lançar mão de formas diversionistas e raciocínios que desqualificam e diminuem seus adversários, mesmo que por vezes resvalem para grosserias e agressões à condição de existência da pessoa.

Tratar, por exemplo, o ex-presidente Lula de “Nove Dedos”, como fazem seus adversários, nas redes sociais e fora delas, não deixa de ser um menoscabo ridículo à dignidade da pessoa humana, pois, não é razoável imaginar que alguém em sã consciência deixe esmagar em engrenagem mecânica parte de seu corpo para disso extrair vantagem qualquer.

Pura maldade. Humor negro.

No atual momento em que, na sociedade brasileira, se confrontam projetos políticos radicalmente antagônicos na corrida presidencial de 2018, afloram absurdos de variados calibres.

No passado, quando existia ainda a União Soviética e seus satélites, os conservadores de muitos matizes, no Brasil, lançavam contra seus adversários o anátema de “esquerda caviar” para simbolizar, em forma de gracejo, uma desqualificação dos inimigos da ordem burguesa e liberal, da qual não escapavam nem mesmo os leitores de Stendhal que, por manterem exemplares do instigante “O vermelho e o negro”, em suas humildes bibliotecas, foram arrastados para as enxovias da ditadura de então e lá muitos até perderam suas vidas ou foram marcados para sempre por insanas sessões de tortura física e psíquica.

Nos tempos de hoje, o caviar não faz mais sentido com o desmoronamento da tal “cortina de ferro” e o fim de “guerra fria”. No pouco definido cenário político brasileiro de agora, à sombra dos poderosos rebenques judiciais, a imprensa conservadora e os reacionários de diversas extrações brandem seus porretes contra uma “esquerda Heineken”.

A inteligência rarefeita desses energúmenos chegou a tal resultado à vista de uma torturante estrela vermelha que estampa o rótulo da primeira cerveja premium da Holanda que, ao lado do nome da família do seu criador, Gerard Heineken, há 145 anos (1873-2018), tornou-se um dos símbolos nacionais daquele país e distribuída em mais de 190 países.

E agora, com o inimaginável segundo lugar da desconhecida escola de samba Paraíso do Tuiuti (ou simplesmente PT…) no desfile do carnaval 2018, do Rio de Janeiro, que levou para a Sapucaí um enredo com duríssima crítica social e até exibiu um avatar vampiro do presidente Temer, essa raiva vai aumentar. Comemoração certamente puxada à verdinha Heineken! E pensar que até bem pouco tempo diziam os brancosos da tosca direita verde-amarela que a Itaipava era de Lula…

Aliás, a estrela vermelha como emblema comunista somente foi usado a partir da Revolução Russa de 1917, a partir de famoso diálogo que teria ocorrido entre Leon Trótsky e Nikolai Krylenko.

Nestas paragens, tornou-se logomarca do Partido dos Trabalhadores. Daí a pecha atual de “esquerda Heineken”. Isso pode até parecer uma chiste inocente e bem humorada. Qual nada: nem uma nem outra coisa; é só veneno destilado. A invectiva é maldosa quando, no mínimo, associa a militância política de intelectuais, artistas, profissionais liberais e outros segmentos da classe média urbana brasileira, aos convescotes de mesa de bar regados a cerveja.

Vale lembrar que, no passado como hoje, os refutadores do pensamento socialista sempre tentaram (e ainda tentam!) desqualificar as ideias do filósofo alemão Karl Marx por ter sido ele um bebedor de cerveja, alguém que nunca trabalhou e que viveu às custas de sua esposa rica e do dinheiro franco de seu amigo, o também filósofo Friedrich Engels. Bobagens.

Quem leu qualquer relato biográfico de Marx, por mais ralo que seja, sabe que isso é idiotice por várias razões: beber cerveja jamais foi símbolo de devassidão ou algo assemelhado, tanto que algumas das melhores marcas da velha Europa eram feitas por ordens religiosas (Franziskanen, Dominikanen, Benediktinen etc.) e democraticamente apreciadas, até hoje, por todas as populações de países europeus.

No velho mundo, quem não bebe cerveja, vai de vinho, de conhaque, de vodca… Não sem razão, o comediógrafo irlandês George Bernard Shaw (1856-1950), prêmio Nobel de Literatura (1925), de finíssimo e inigualável humor, galhofa, na comédia Candida (de 1894, III): “I am only a beer teetotaller, not a champagne teetotaller!” Mais ou menos assim, numa tradução livre, “sou apenas abstêmio de cerveja, não um abstêmio de champanhe”. Estranho que o velho Shaw, na terra da famosa Guinness, a cerveja irlandesa mais famosa do mundo, cuja forma mais clássica exala um marcante sabor, com o equilíbrio perfeito entre o forte amargor e o doce suave, com toques de café e chocolate. Além das Pale e Bitter Ales, e as Porters/Stouts, também mundialmente famosas…

O casamento de Marx com Johanna “Jenny” von Westphalen, filha do Barão von Westphalen, pouco ou nada lhe acrescentou materialmente, mas, lhe deu uma feliz e profícua convivência de 40 anos, além de sete filho.

Marx trabalhou profusamente para escrever uma obra de milhares de páginas durante toda a sua vida, tendo ao lado sua Jenny que, a despeito de todas as dificuldades financeiras e de precária saúde, também copiava, penosa e copiosamente, os manuscritos do marido, que conformariam um dos pilares do pensamento ocidental.

Mesquinharias direitistas essas críticas ao filósofo de Trier, que deve e merece ser enfrentado no campo das ideias, não com tais bobagens. No mínimo, por lei natural e inalienável direito, como lembra Sófocles, na peça Antígona, cabe-lhe, sim, um obsequioso descanso na sua tumba londrina do bucólico Hyde Park…

Assim, denominar simpatizantes da esquerda em geral, os petistas ou os tais “lulopetistas”, de classe média, como “esquerda Heineken”, o que mais pode fazer é aumentar o consumo dessa cerveja que já tem uma presença importante no mercado mundial (ocupa o sétimo lugar no market share global) e no brasileiro (com a recente aquisição da Brasil Kirin – dona das  marcas especiais de cerveja Baden Baden e Eisenbahn e da Skin e Devassa – a Heineken salta para o segundo lugar entre as maiores cervejarias do Brasil, com uma participação de quase 19%), tudo mesmo é para alegria dos acionistas da cerveja Heineken, a preferida dos diabéticos e demais glico-inimigos graças à fama do baixíssimo teor de açúcar em sua composição, o que decerto poderia até impor, para desconsolo dos ‘coxinhas’ de todas as frituras, uma releitura daquela famosa frase de Marx-Engels, do tonitruante Manifesto Comunista, de 1848: “Cervejantes de todo o mundo, uni-vos”!

*Paulo Afonso Linhares é advogado e diretor das Rádio Difusora de Mossoró AM e Costa Branca de Areia Branca FM

QUEM É PRECONCEITUOSO?

OPINIÃO

POR EDUARDO MAHON

“Não, não é porque ela é negra. Nem tampouco porque foi favelada. Nem muito menos porque canta funk. Nem ainda porque representa um gueto social que é a periferia da zona oeste carioca. Não, não é por isso que eu não gosto de JOJO TODYNHO.
BILLIE HOLIDAY era negra, marginalizada, viciada e maravilhosa. Idem para uma Nina Simone, Ella, Sara etc. Amy Winehouse era branca, mas pobre, viciada, marginalizada. Morreu da mesma forma que uma Elis Regina. E Sandra Sá que é negra, gay, suburbana? E daí? Daí que eram excelentes! Ninguém tem nada com a vida sexual de Madona.
Nada tenho contra o pop, contra o popular. Michael Jackson vivia na Neverland dele sabe-se lá de que jeito e era bom, desde pequeno. Não sou preconceituoso com a Broadway ou com a off-Broadway. Gosto de coisas boas de Boal e gosto do Fantasma da Ópera. Há coisas péssimas em Augusto Boal e Gerald Thomas e coisas péssimas em cartaz em NY. Aliás, acho mesmo que temos aqui em MT grandes artistas sem oportunidade: pintores que fariam sucesso em Paris, fotógrafos que deixariam Berlim de boca aberta, músicos que roubariam a cena nos porões do jazz americano. No Brasil todo, talentos encobertos pela fábrica de sucessos do pop.
Por que acontece uma distorção dessas? É fácil entender: um estrupício artístico como Jojo Todynho aparece, mais como a celebração do exótico do que a certificação da burrice, abocanha o horário comercial do rádio e da tevê como animal em extinção para, depois, os intelectualóides tentarem “decifrar” o fenômeno com base em teorias sofisticadas. É apenas burrice. Nada mais do que burrice, uma catarse coletiva em que se opta pelo menor esforço. Reconheço que a arte é, também, entretenimento. Deus me livre se não fosse. Ninguém merece um Tchaikovsky num churrasco à beira da piscina. Evidente que esse padrão de sofisticação demanda atenção máxima como o próprio compositor demandou na criação. Nada mais sacal do que um cara metido a culturete no meio de uma farra, ouvindo Paganini. Nem Sonrisal dá jeito em um porre desses.
Na literatura, há muita mistificação e celebração da burrice. ”Fala sério, mãe!” é tão ruim quanto a péssima produção marginal que certos intelectualóides querem fazer acreditar que é boa. Não é. Tem gente que parou no tempo e não faz nada de novo, desde a década de 70. Para ser Leminski é preciso comer muito feijão com arroz. De vez em quando vejo um dinossauro que ainda está lendo Marx como se fosse um achado teórico. Discriminam os “burgueses capitalistas” quando, na maioria, o que mendigam é uma boquinha por falta de talento. Na pintura, por exemplo, a máxima sofisticação é ser simples, mas há aqueles que são simplórios. São coisas muito diferentes: ser simples por opção ou por falta de opção… Aqui no Brasil, um grupelho acha que é preciso ter tuberculose para fazer poesia ou escrever sobre as misérias de catadores de lixo para o reconhecimento literário. É a mentalidade da “reserva social” da arte, uma estupidez inominável.
De qualquer maneira, é insólito permitir que Ludmila, Jojo Todynho, Pablo Vittar e essa intrépida trupe roube o tempo em que poderíamos ouvir um funk melhor, um rap melhor, um punk melhor, uma música popular melhor. A arte de rua tem qualidade, assim como o samba, o sertanejo, o siriri, o funk, enfim, tudo tem uma escala. Ora, ora, Ney Matogrosso já nos apresentava um requebrado de muito mais qualidade nos Secos & Molhados do que um Vittar e o seu horrendo K.O. Aliás, adoro o Johnny Hooker com sua provocação brega, gay e inteligente. É mara!, como se diz. Até mesmo no brega, um Rossi é melhor que um Odair José. Isso para não falar do Lupicínio no melhor da fossa. No axé, por exemplo, há letras maravilhosas, consistentes que nos são queridas até hoje. A questão aqui não é preconceito por ser Jojo Todynho negra ou Pablo Vittar, LGBT. Há qualidade nos diversos gêneros, sejam eles populares ou eruditos. Salve Elza Soares! Salve Tereza Cristina! Salve Jorge Ben Jor! Salve o talento!
Há excelência em tudo na vida, da mesma forma como há porcaria. Quer escrever? Dedique-se como a negra, pobre e magica Carolina de Jesus! Quer pintar? Vá aprender a técnica de um Caribé. Quer dançar? Horas de treino como o negro Sammy Davis Jr. Não há quotas para ter talento. A arte exige esforço e inspiração. Não somos obrigados a admirar algo ou alguém por pena, por consideração ou por justificativas sociais. Se é ruim, é ruim, independentemente de quem tenha feito. Se é bom, pode ter sido o Bill Gates o artista e, nem por isso, deixará de ser bom. Se literatura pertencesse à pobreza, Guimarães Rosa seria odiado, Jorge Amado tinha apê em Paris, afinal de contas. Nada mais burro do que lavar as mãos e dizer a milhões de brasileiros: não escute. Ora, isso é muito cômodo, mas impossível num país de semi-analfabetos que assiste majoritariamente a um só canal de televisão.
Essa história de julgar a obra de acordo com a classe social do autor é o que há de mais idiota neste mundo. Como se apenas um grupo de “eleitos” tivesse a legitimidade para a arte. Volto a dizer: não é pela cor, nem pelo estilo, nem tampouco pela forma de se vestir. Cada macaco no seu galho. Gosto não se discute, lamenta-se. Absurdo mesmo é celebrar a mediocridade. Não vamos cair na tentação de encontrar explicações de ordem sociológica a legitimar o que é, no fundo, uma merda.”

*Eduardo Mahon é escritor e advogado

PETISTAS DESISTEM DE LULA E JÁ BUSCAM NOMES

JOÃO PEDRO STEDILE E GUILHERME BOULOS SÃO OPÇÕES CITADAS 

Os petistas demoraram um bocado, mas finalmente entenderam que a candidatura de Lula naufragou.

Janio de Freitas, por exemplo, já está pensando em nomes para a campanha presidencial.

Insatisfeito com o plano B e com o plano C, ou Jaques Wagner e Fernando Haddad, ele recomenda um plano D e um plano E:

“João Pedro Stedile é economista formado pela PUC-RS, com pós-graduação na Universidade Nacional do México. Muito inteligente, calmo, discreto.

Guilherme Boulos, ainda sem partido, é filho de professor universitário e professor ele também. Com formação em psicanálise, tem boa base cultural e liderança fácil, já mostrada no Movimento dos Sem-Teto. São cabeças organizadas, quanto aos preceitos e conclusões de cada um. E iguais como alvos do misto de pânico e ódio do empresariado dominante.”

O SUPREMO NÃO JULGARÁ O PEDIDO DE LULA…

…MAS A SI MESMO

POR JOSIAS DE SOUZA

Ao negar a liminar pedida pela defesa de Lula, o ministro Edson Fachin transferiupara o plenário do Supremo Tribunal Federal a decisão sobre o mérito do recurso que tenta impedir a prisão de Lula. Mas os 11 ministros do tribumal não julgarão apenas a petição dos advogados do condenado do PT. Os magistrados emitirão um veredicto sobre a própria Suprema Corte.

No essencial, Fachin seguiu o manual previsto na Súmula 691. Conforme já noticiado aqui, essa súmula estabelece que o Supremo não pode analisar recursos como o de Lula, que tratam de encrenca ainda pendentes de julgamento em outro tribunal superior, o STJ. Antevendo a decisão do relator da Lava Jato, a defesa de Lula javia solicitado que o habeas corpus fosse submetido à Segunda Turma. Não colou.

Há duas turmas no Supremo, cada uma com cinco ministros. A Primeira, mais draconiana no tratamento dos réus, foi apelidada de “Câmara de Gás.” Ali, respeita-se a súmula 691. Excetuando-se o ministro Marco Aurélio Mello, os outros quatro —Luís Roberto Barroso, Luiz Fux, Rosa Weber e até Alexandre de Moraes— costumam mandar para o arquivo recursos como o de Lula.

A Segunda Turma, mais benevolente, é chamada de “Jardim do Éden”. Nesse colegiado, a súmula 691 só é tomada ao pé da letra por Fachin. Por isso, ele se tornou um ministro minoritário. Seus colegas Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e, por vezes, até o decano Celso de Mello são, por assim dizer, concessivos ao julgar pedidos de habeas corpus.

A farejar o risco de derrota, Fachin saltou sobre o “Jardim do Éden” e jogou a batata quente diretamente no plenário do Supremo. Esse tipo de pulo do gato não deixa felizes os outros membros da turma. Mas está previsto no regimento interno do Supremo. Fachin já havia utilizado o artifício num caso envolvendo o ex-ministro petista Antonio Palocci.

Os advogados de Lula questionam no habeas corpus a regra que autoriza o encarceramento de condenados na primeira e na segunda instância. A matéria já foi analisada três vezes pelos ministros no Supremo. Em 2016, prevaleceu por maioria magra: 6 a 5. Cármen Lúcia, a presidente da Corte, já declarou que dar meia-volta agora significaria “apequenar” o Supremo.

Para além da punição de Lula, há na atmosfera uma fome de limpeza. A retórica da malandragem ainda engana um terço do eleitorado, mas agoniza. Na visão da grossa maioria dos brasileiros, a salvação dos condenados da Lava Jato seria a desmoralização do país.

Não parece razoável que um país inteiro tenha que fenecer para salvar uma biografia que não se deu ao respeito. Ao julgar qual deve ser o seu papel nesse enredo, o Supremo dirá que tamanho deseja ter.

Fonte; UOL

TIÃO COUTO EMITE NOTA DE ESCLARECIMENTO Á POPULAÇÃO

EMPRESÁRIO SE PRONUNCIA SOBRE QUESTÃO JUDICIAL

O empresário Tião Couto emitiu nota sobre processo eleitoral envolvendo seu nome. Confira:
NOTA
Venho por meio desta esclarecer ao Rio Grande do Norte o contexto e a desinformação constante em reportagens veiculadas neste dia 08/02/2018 em alguns órgãos de mídia do RN.
Todas as informações publicadas foram uma cópia quase que exata do texto do advogado da prefeita Rosalba Ciarlini  numa ação que ela ajuizou contra mim na justiça eleitoral de Mossoró, há cerca de um ano, portanto não se constituindo em nenhuma novidade.
As informações contidas nas matérias são exatamente os termos escritos pelo advogado de Rosalba na ação. Trata-se, portanto, de argumentos de uma só parte que sequer foram apreciados pelo juiz.
Aliás, só existem duas decisões judiciais tomadas pela justiça eleitoral de Mossoró sobre a prestação de contas da campanha eleitoral de 2016. A primeira aprovando integralmente minhas contas de campanha e a segunda desaprovando as contas de Rosalba.
A ação que Rosalba move contra mim é baseada em alegações jurídicas sem a menor chance de prosperar nas instâncias judiciárias, porque são desprovidas de fundamentação lógica e de provas. Mas, o intuito é outro, é criar um noticiário político paralelo negativo em torno do meu nome, confiando na morosidade do processo, que mesmo com o arquivamento que será o destino final desta ação, já se tenha tirado o devido proveito com a estratégia de “assassinato de reputações”.
Aliás, chama a atenção na publicação destas matérias, que em todas elas seja omitida o nome da autora da ação judicial, como se fosse uma ação anônima. Assim como nas matérias a construção dos enunciados se dá como se fossem fatos verdadeiros e não apenas alegações de uma das partes contra seu adversário político.
Feitas estas ponderações, esclareço que todos os pontos elencados com o objetivo de levantar suspeitas de conduta irregular de minha parte foram abordados, esclarecidos e acatados pela Justiça Eleitoral por ocasião da prestação de contas da campanha que ao final restaram aprovadas com trânsito em julgado.
Esclareço ainda que as matérias se equivocam quando citam o Ministério Público como origem dos pedidos de quebra de sigilo, quando na verdade são pedidos feitos pelo advogado de Rosalba.
Considerando que todas essas alegações patrocinadas por Rosalba Ciarlini  já tinham sido objeto de apreciação das minhas contas de campanha e que ao final a Justiça as declarou aprovadas, torna-se muito grave reportagens que usem expressões  como: fraude na minha campanha, abuso do poder econômico, uso de empresas fantasiosas, mascarar gastos, farsa na prestação de contas,  farsa descrita, fantasia ilusória e criminosa, fraude na eleição, comandante de um esquema, indícios de ilegalidade.
É por demais gravoso a quantidade de adjetivos pejorativos contra minha pessoa numa matéria que se pretende  jornalística e imparcial.
Feito o esclarecimento me dirijo a todos para pedir que levem em consideração dois fatos importantes.
Que se trata de uma ação judicial não julgada e que a matéria traz enfoque quase exclusivo no que escreveu o advogado de Rosalba.
Que só tem uma decisão tomada até agora pela justiça. Minhas contas foram aprovadas e as contas de Rosalba foram rejeitadas.
Não façam julgamento precipitado agora, nem a favor e nem contra mim. Peço encarecidamente que esperem o fim da ação, o julgamento final. Aí sim, todas as máscaras cairão.
Atenciosamente,
Tião Couto.

Em lugar de Temer, não retiraria emenda da Previdência nem com 513 a 0; derrota não será sua! Que saibamos quem quer o quê!

Derrota não será sua. Que saibamos quem quer o quê

POR REINALDO AZEVEDO

Presidente Michel Temer: que vá até o fim , mesmo que emenda seja derrotada

Chegou a hora de o presidente Michel Temer qualificar os vários tipos de trigo e de joio. A reforma da Previdência lhe dá essa oportunidade. Sim, direi aqui o que eu faria, o que deve explicar, em parte, por que não sou político, jamais seria e jamais serei. Não tenho estômago de avestruz. Não engulo pedra. Meu pavio é curtíssimo para a covardia e a deslealdade, falhas insanáveis de caráter. O que Temer tem de fazer, pois? Pôr para votar a reforma da Previdência, ainda que o texto possa ser rejeitado na Câmara por 513 a zero. Chega do véu diáfano da fantasia (Eça!) sobre a nudez crua da verdade.  Quem é quem nesse debate? Quem quer o quê? Quem está de que lado? Antes que avance, algumas considerações.

O governo negocia mudanças no texto da reforma. Servidores ainda podem ter algumas reivindicações contempladas. Também as viúvas de policiais, os trabalhadores rurais etc. Não deixa de ser peculiar o que fomos fazendo com a nossa história e com as contas públicas, noto à margem. Querem ver? As mulheres só se aposentam mais cedo do que os homens, e assim será também com o novo texto, se aprovado, porque elas têm a chamada “dupla jornada”. Isso quer dizer que o macho “analfa” não ajuda em casa, entendem? É machista e folgazão — geralmente com o apoio de sua (dele) mãe — e machismo de mãe é bem mais difícil de ser enfrentado. Como sabem, sem mãe, não tem Freud.

E a Previdência paga o pato. Como é que o Brasil combate a distribuição desigual de trabalho doméstico entre os gêneros? Ora, assaltando os cofres públicos! A Amélia, mulher de verdade, não tem a menor vaidade, mas custa caro. Da mesma sorte, resolvemos outras disfunções apelando ao caixa — sem fundo e sem fundos. Assim, o folgado que acha que lavar um prato desabona seus países baixos não será jamais um problema doméstico, cultural, antropológico ou psicanalítico. O macho “analfa” vira uma questão previdenciária.

Não conheço outro político, ou me sugiram um nome no campo da especulação teórica ao menos, com capacidade de sobreviver às tormentas enfrentadas por Temer. A lista de feitos em menos de dois anos de governo impressiona quando se considera o buraco em que estávamos e o lugar em que estamos. Reconhecê-lo, desde que se dominem as ferramentas de análise, deixou de ser matéria de opinião. Trata-se apenas de questão de fato. Havendo um esquerdista intelectualmente honesto, ele terá de reconhecer que, “no gênero” — vale dizer: para um governo que não é de esquerda —, os feitos são notáveis.

A reforma da Previdência é a peça que falta para que a menos se atravesse o umbral que nos leva ao futuro. Não há mal que a corrupção e a roubalheira possam fazer — e têm de ser combatidas sem trégua — que o rombo nas contas públicas não multiplique, sei lá, dezenas de vezes.

Saiba o senhor presidente que, em qualquer caso, as manchetes estão feitas. Ou será (com variações de estilo) “Temer é derrotado e retira reforma da Previdência” ou “Câmara derrota Temer e rejeita reforma da Previdência”. Em qualquer caso, o dólar vai subir, as bolsas vão cair, uma onda pessimista varrerá o noticiário e o país, mas nada, acho eu, que vá abalar o crescimento deste ano, que deve ficar em torno de 3,5%. Como afirmei aqui há meses, para o governo Temer, a reforma é irrelevante. Ela conta uma história do futuro, não do presente ou do passado.

Sim, se me der na telha, dou dicas ao Vaticano— já corrigi, e com acerto, uma tradução troncha da Santa Sé do latim para o português, o que foi reconhecido depois. Assim, por que não dizer a Temer o que eu faria? Digo. Levaria o texto à votação, convocaria Rede Nacional de Rádio e Televisão antes e depois do resultado (qualquer que seja), deixaria claro o que está em jogo, a quem cabe a decisão e quem arcará com o ônus e o bônus da aprovação e da recusa.

E que se revelem os corajosos e os covardes, os leais e os desleais, os omissos e os comprometidos com a causa e com as contas. Não se trata de uma questão pessoal. Aprovada a reforma, Temer e o Congresso deixam um legado e tanto ao próximo presidente. Se for recusada, que se evidencie que não faltou empenho do Planalto. “Pra que isso, Reinaldo?” Ora, por apreço à precisão. Que os irresponsáveis e os omissos, incluindo os pré-candidatos que andam por aí, ou mudos ou a falar bobagem, respondam por seus atos.

O melhor para o Brasil é Lula na cadeia

Editorial de O Estadão

O Estadão, em editorial, desmonta a farsa de que a prisão de Lula representa um perigo para a ordem democrática.

Leia um trecho:

“Esgotados os frágeis argumentos jurídicos de sua defesa, o sr. Lula da Silva apela para a farsa política, dando a entender que seria mais poderoso do que as instituições do País. O medo de que Lula seja transformado em mártir não é, assim, consequência de uma preocupação com o interesse nacional e a ordem pública. É a velha manipulação petista da realidade, numa canhestra tentativa de mais uma vez enganar a população. O engodo é evidente. Incapaz de mostrar a inocência do seu líder ante a condenação em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, a legenda em frangalhos deseja que o povo acredite que as instituições nacionais são frágeis e, portanto, não devem ousar enfrentar o mito Lula.

O bom funcionamento da Justiça não produz mártires. Quando o Poder Judiciário atua de forma isenta, aplicando a lei equanimemente, não há alvoroços políticos e sociais. O resultado, na verdade, é um ambiente de mais segurança, mais serenidade, mais racionalidade; enfim, mais paz. Foi o que se viu após o julgamento da 8.ª Turma do TRF-4 (…).

Se a lei diz que o sr. Lula da Silva, por força de seus atos criminosos, deve, em vez de ser candidato, ir para a cadeia, o melhor para o País é que, como todo cidadão, ele seja submetido à lei. Afinal, sem a espada e a venda, a Justiça nada é.”

O ENFADO DAS MORTES ANUNCIADAS

OPINIÃO

POR PAULO AFONSO LINHARES

Paulo Linhares é jurista e diretor geral das Rádios Difusora de Mossoró e Costa Branca de Areia Branca

Nada mais enfadonho que a linearidade das coisas, a mesmice mortalmente previsível, as
bobagens do politicamente correto, a cega crença em valores que nada valem, como é o caso da
justiça que, na certeira concepção do filósofo Nietzsche, é apenas uma concessão de quem detém
efetivamente o poder. Como um ser-em-si a justiça não existe. Justiça, não deixa de ser aquela
ilusão de equidade, categoria conceitualmente indefinida que não raro se converte na vontade
política de uma elite perversa e não menos grotesca que impõe à sociedade o seu modo de existirno-mundo.
É no poço da equidade que os juízes ‘encontram’ as razões de decidir que até podem
transcendem o direito posto – a lei, a jurisprudência, os uso e costumes – para formar seu livre
convencimento na apreciação das provas, mesmo quando estas não existem.
Lamentável que o “povo do PT”, além de outros equívocos, acreditava que a fronte áurea e
o argênteo peitoral da deusa Themis reluziriam a verdade no julgamento da apelação do expresidente
Lula pela 8ª Turma do TRF4, ocorrido em 24 de janeiro de 2018. Mortal engano.
Enquanto o fatigada divindade se consumia nalgum bordel do Olimpo, de Paris, Hong Kong, Miami
ou de Istambul, esses meninos traquinos, pomposamente denominados ‘desembargadores federais’,
em seu nome, solenes e circunspectos, envergaram mortalmente o direito, enxovalharam a
Constituição do Brasil, para impor terríveis castigos a esse retirante nordestino que um dia ousou,
como um Prometeu caboclo, inverter a equação dos senhores da Casa-Grande. Querem devorar o
seu fígado, sentença a sentença. Outros processos, igualmente aleijões jurídico-processuais, estão
nas retortas do Califado de Curitiba e desaguarão na mesma vala comum do caso recentemente
julgado em Porto Alegre. Resultados previsíveis.
Longas e não menos enfadonhas preleções destituída de juridicidade e da lógica mais
elementar, tornadas mais bizarras e desconexas à medida em que escorregavam das bocas togadas
desses meninos-juízes-poderosos do Tribunal Regional Federal da Quarta Região. Mentiras
ganharam foros de incontestáveis verdades; provas que eram meros simulacros de verdade passará à
condição de absolutas certezas. Sim, esse sonhador e não menos ingênuo retirante nordestino que
lutou para resgatar da miséria mais de trinta milhões de brasileiros deveria pagar por tamanha
ousadia. Ora, não deveriam ele e seus ‘protegidos’ esperar que o Mercado-deus lhes absolvesse,
sobretudo ele, o Lula que tantas concessão fez aos poderosos da “livre iniciativa”? Adjuva nos et
redime nos!
Coisa nenhuma! A chibata da lei tergiversante deve vergastar impiedosamente o lombo de
Lula até que ele se lembre de onde veio e para onde jamais poderia ter ido. A retórica implacável
do meninos-togados da 8ª Turma do TRF-5 vai jogá-lo naquele círculo do inferno destinado aos
ingênuos, que o poeta Dante sequer ousou descrever. E espicharam uma pena que já era ridícula em
nove para pesados doze anos, para gáudio da Rede Globo e congêneres do baronato midiático, dos
conservadores e idiotas de todos os matizes. Lula na cadeia tudo se resolve? Parece que sim, pelo
que se vê dessa confusão de vozes que grassa no terreno pantanoso das redes sociais.
Certo é que essas coisas anunciadas, como foi a manutenção da sentença do califa Sérgio
Moro pelos juízes da 8ª Turma do TRF4, no julgamento da apelação do ex-presidente Lula, ocorrido
em 24 de janeiro de 2018, não deixam de ser enfadonhas: de um ou de outro lado, todos sabiam que
‘ferrar’ uma possível candidatura presidencial do líder petista começaria com a sua condenação por
um órgão colegiado de segunda instância, nos marcos da Lei da Ficha Limpa que, aliás, recebeu a
sanção de Lula, à época poderoso inquilino do Palácio do Planalto. Ele foi na onda do politicamente
correto e ajudou trazer a lume uma lei que atropelou importantes direitos fundamentais, como a
presunção da inocência que proíbe a prisão antes de esgotados todos os recursos processuais.
Enfim, Lula fez o laço que agora querem apertar no seu pescoço.
A sentença de primeiro grau não apenas foi mantida, como ampliado o período de prisão de
Lula, de nove para doze anos, em regime fechado. De um lado, pessoas indignadas com essa pouco
compreensível livre convicção que ronda as cabeças dos empoderados juízes deste país e que
constitui num álibi perfeito para todas as teratologia que possam parir enquanto privilegiados
intérpretes e aplicadores das leis segundo suas próprias convicções. Do outro, aqueles que, por
múltiplas razões, querem ver esse cabeça-chata nordestino a espiar o grave pecado de ter sonhado
com um Brasil para todos, sem miséria e com cidadania. Infelizmente, para conseguir essas coisas,
ele se juntou com quem não devia. Lula e seu partido pagarão um alto preço pelas alianças espúrias
que fizeram com conservadores e corruptos de todas extrações, para garantir o acesso ao poder e a
governabilidade.
O artifício jurídico de impedir a candidatura de Lula não encerra a questão nem evita que o
seu nome continue na ponta das pesquisas eleitorais, algo que se ampliará com sua quase certa
prisão. Fato é que, onde quer que ele esteja terá peso na eleição presidencial deste 2018: o seu apoio
poderá eleger o próximo presidente da República. Isto nenhum tribunal poderá impedir. No mais, é
torcer para que as forças vivas desta nação tupiniquim possam acertar um projeto comum que
fortaleça as conquistas políticas e materiais da sociedade brasileira. Já é tempo.

EM DEFESA DE PRIVILÉGIOS 2: Em troca do combate à corrupção, 60 dias de férias, auxílio-moradia, auxílio-livro, auxílio-paletó, auxílio-creche, auxílio-mudança, auxílio-lanche, auxílio pós-graduação…

OPINIÃO

POR REINALDO AZEVEDO

Representantes de entidades que vão promover o ato de juízes e membros do Ministério Público nesta quinta falaram com a imprensa.

A presidente da Conamp (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público), Norma Cavalcanti, tem a coragem de perguntar: “Por que só nós? Porque estamos combatendo a corrupção?” Como assim? Que “só nós” é esse? A reforma da Previdência é para todos. Ademais, combater a corrupção não é um favor que o MP faz ao país, mas o cumprimento de uma obrigação.

Para o presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Jayme de Oliveira, há “movimentos coordenados que tentam enfraquecer a democracia no país”. Eu só não consegui entender em que medida a reforma da Previdência enfraquece a democracia. Pensei que ela saísse fortalecida à medida que não teremos mais brasileiros de primeira e de segunda classes.

Já Roberto Veloso, presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), cita o que considera a grande obra das duas categorias nestes tempos: a prisões de Eduardo Cunha, de Sérgio Cabral e a condenação de Lula. Entendi. Por isso, então, eles merecem os mais altos salários da República, 60 dias de férias, auxílio-livro, auxílio-paletó, auxílio-creche, auxílio-mudança, auxílio-lanche, auxílio pós-graduação…

Daqui a pouco alguém ainda tem a coragem de defender também a condenação sem provas…

Querem saber? Agradeço a toda essa gente. Quando eu dizia que boa parte do esforço para destruir a classe política era só uma tentativa de setores do Judiciário e do Ministério Público de se colocar como o “Poder dos Poderes” da República, alguns acusavam meu exagero.

Aí está. Vejam quanto custa por ao ano ao país só o auxílio-moradia — R$ 1,6 bilhão — e depois pensem quanto tem nos custado, considerando a aposentadoria integral, entre outras benesses, a dedicação dessa gente ao combate à corrupção.

Essa turma perdeu a noção do ridículo. Mas, aos menos, as coisas estão postas agora no seu devido lugar.