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O PRESIDIÁRIO LULA SOFRE MAIS UMA DERROTA NO STF

PEVISÃO DE PRISÃO LONGEVA

POR JOSIAS DE SOUZA

Inelegível, Lula frequenta as manchetes há 32 dias como um corrupto preso. Nesta quarta-feira, consolidou-se no julgamento virtual da Segunda Turma do Supremo a maioria pela rejeição do mais recente pedido de liberdade formulado por seus advogados. Desde que foi condenado por Sergio Moro no caso do tríplex, Lula coleciona meia dúzia de derrotas judiciais: duas no TRF-4, duas no STJ e duas no STF. Já não amarga apenas o isolamento da cela especial da Polícia Federal. Tornou-se prisioneiro de sua própria fábula.

O personagem vivia a ilusão de que comandaria uma ofensiva política. Hoje, verifica-se que seus ataques ao Judiciário surtiram o efeito de um bumerangue. As multidões solidárias revelaram-se inexistentes. Não há vestígio de agitação nas ruas. Os aliados da esquerda cuidam de suas próprias candidaturas. Os companheiros do PT dividem-se entre a fidelidade canina e o flerte com Ciro Gomes, visto como espécie de bote salva-vidas.

Diante da perspectiva de uma cana longeva, o petismo, já com água pelo nariz, confunde jacaré com tronco. Agarrou-se nos subterrâneos à tese do indulto. Longe dos refletores, tenta-se costurar um indulto para Lula. Deseja-se que o próximo presidente, seja quem for, comprometa-se a editar um decreto perdoando Lula dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Lula precisa decidir que personagem deseja ser. Ou é inocente e não precisa de indulto ou é um culpado à procura de clemência. Ou acredita na seriedade do Judiciário ou organiza uma revolução. Ou exerce o sacrossanto direito de defesa ou pega em armas contra o Estado que o persegue. Ou cai na real ou continua aprisionado em sua ficção.

IZABEL MONTENEGRO ANUNCIA DEBATE SOBRE LDO

PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL FALA SOBRE AUDIÊNCIA PÚBLICA

A Câmara Municipal de Mossoró realiza audiência pública para debater a Lei de Diretrizes Orçamentárias.

Sobre a reunião agendada para quinta-feira, às 9h, a presidente da Casa, Izabel Montenegro, destaca:

DE APARÊNCIAS EQUÍVOCAS

OPINIÃO

POR PAULO AFONSO LINHARES

Dona Rita, com aquele seu sorriso infinito, uma exótica constelação de dentes de ouro, gostava de repetir, entre incrédula e conformada com os desencontros das coisas humanas: “Quem vê cara, não vê coração”. Na sua singela filosofia, isso queria dizer dos enganos que podem ser cometidos quando se julga pelas aparências. Ora, na dimensão do real, nem sempre o que aparenta é o verdadeiro, embora a aparência quase sempre prevalece sobre a verdade.
Lastimável é que os enormes e lucíferos progressos científicos e tecnológicos no campo das comunicações e informações tenham acentuado essa tendência do aparente superar o que verdadeiramente. Aliás, todo um aparato midiático é devotado a esse desiderato malsão de iludir as massas, sempre a fazer com que estas confundam “a nuvem por Juno”, para usar expressão clássica, ou “compre gatos por lebres”, conforme anexim popular.
Folheando esquálido jornal – nestes tempos de redes sociais todos os jornais impressos parecem inermes, magros, sem vida – é inevitável que desavisado leitor seja atraído por um belo rosto de mulher que poderia significar muitas coisas: que uma jovem de classe média era a nova “Miss Brasil” (aí novo, hein?) ou uma bela cientista brasileira ganha o prêmio Nobel de Física. Claro, aquele belo rosto poderia estar nos dois lados da notícia na crônica policial, como vítima de algum malvado ou na pele da malvada favorita de muitos idiotas.
Nada disso. O belo rosto estampado nos veículos de comunicação brasileiros, nesta última semana, era de uma dessas pessoas que agora se afiguram como portadoras do fogo dos deuses, a juíza federal Carolina Moura Lebbos, da 12ª Vara Federal de Curitiba, responsável pela execução criminal. Claro, procurar construir um perfil dessa magistrada a partir de dados garimpados da Internet é quase impossível pois o que se diz dela, em alguns sítios, é ser ela um juíza “técnica e rígida”. Sem dúvida, uma classificação estúpida. Quantos anos tem a juíza Carolina Moura Lebbos? Impossível precisar, nem é preciso. Seguramente jovem e aprovada num dos concursos que impõem maior grau de dificuldades na área jurídica, pelo que se presume ser ela conhecedora da técnica do direito, ao menos daquilo que se conhece como dogmática jurídica.
Agora, a bela dra. Lebbos – quem vê cara, não vê coração! – assume o ‘relevatíssimo’ papel de cercereira do ex-presidente Lula. Aliás, goste ou não dele, mas, tudo que esse cabeça chata toca ou nele esbarra assume dimensões épicas, para o bem ou para o mal. No seu nefando mister, cabe à bela menina juíza da execução penal da seção judiciária do Paraná dizer quem deve falar ou não com Lula, encarcerado na sede do DPF em Curitiba. Dez governadores de Estado, senadores da República, ícones mundiais a exemplo do prêmio Nobel da Paz Perez Esquivel, além do teólogo Leonardo Boff, foram impedidos de ver o famoso detento, pela juíza Lebbos.
Nem os milicos da ditadura foram tão rígidos em permitir visitas a presos políticos. Os que cumprem penas merecem visitas. Isto faz parte do objetivo da sanção penal no direito brasileiro, que é o da ressocialização. Esse é um daqueles direitos inalienáveis, imemoriais, de que nos fala Antígona, personagem de Sófocles. Quem o escreveu? Ora, antes de estar nos (falíveis) códigos legais dos povos está nos corações dos humanos, segundo ensina Agostinho, o santo bispo de Hipona.
No entanto, Lebbos se superou quando não permitiu a visita de uma advogado constituído por Lula, Wadih Nemer Damous Filho, de “comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando estes se acharem presos, detidos ou recolhidos em estabelecimentos civis ou militares, ainda que considerados incomunicáveis”, como reza o art 7°,inciso III, do Estatuto da OAB. Do ponto de vista das prerrogativas dos advogados brasileiros, uma gravíssima agressão. A menina-juíza Lebbos exibiu nesses arroubos para mostrar, decerto, que os algozes (pronuncia-se “ô”) de Lula não se resumem ao juiz Moro nem o ministro Frachim (sic!).
Depois do incidente com Wadir Damous, advogado e deputado federal, ela recuou e passou a permitir que o líder petista possa ser visitado semanalmente, nas quintas-feiras, por duas pessoas que não sejam familiares ou advogados de Lula.
Por fim, o desastre politicamente (só de modo aparente) correto de limitar as tais prerrogativas de foro, foi mais uma decisão do Supremo Tribunal Federal contra texto expresso da Constituição. Ora, evitar que certas autoridades públicas seja submetidas ao crivo de juízes da primeiro grau, finda sendo uma garantia constitucional relevante não apenas dos deputados e senadores, mas, de magistrados e e executivos públicos de vários graus. As aparências, lastimavelmente, prevalecem, embora possam ser retumbantes equívocos. Tal é o caso.
O politicamente correto, expressão dos grandes veículos de comunicação que se arvoram intérpretes do sentimento das massas e exercem forte influência nos rumos das decisões de relevantes matérias tomadas pelo STF e outros tribunais pátrios. A contradição maior disso é que o STF passa um baita atestado de sua própria inércia e incapacidade, quando deseja que somente sejam de sua competência os processos e julgamentos de deputados federais e senadores que tenham praticado crimes em razão do exercício do mandato e dentro deste, aliás, repita-se, em desacordo com o que reza o texto constitucional. Agora, ficarão mais à mercê de decisões judiciais orientadas por interesses regionais ou mesmos paroquianos.
No palavrório grandiloquente do anódino Luiz Roberto Barroso, hoje enfant gatê do Supremo Tribunal Federal, dos coxinhas e conservadores de todas as extrações, faz-se necessária a superação das velhas estruturas de poder, no Brasil, com atitudes a exemplo dessa quebra da prerrogativa de foro dos parlamentares federais.
Certamente não se lembra que sem o beneplácito de políticos e partidos disso que considera como “velhas estruturas de poder” alguém do seu tipo, mesmo que medianamente versado nas teorias do constitucionalismo contemporâneo, jamais teria assento na mais alta Corte do país, de onde pode até recitar canhestras doutrinas contrárias à ordem republicana e o espírito da Constituição. E até quando continuará, juntamente com alguns outros de seus pares do STF, a abusar de nossa paciência, qual o senador Lucius Sergius Catilina (senador romano que através de conspiração buscava encher-se de riquezas, no que foi combatido em diversos discursos por Marco Túlio Cícero). Triste, simples assim. Coisas do Brasil.

*Paulo Afonso Linhares é jurista e diretor das Rádio Difusora AM, de Mossoró-RN e Costa Branca FM, de Areia Branca-RN

(RE)TWITTANDO

OPINIÃO

Parabéns ao líder dos trabalhadores que não trabalham – que transformou o Primeiro de Maio em Primeiro de Abril e hoje faz comício para as paredes

Sejamos claros: Gleisi Hoffmann não passa de uma alpinista social que aproveitou as chances oferecidas pela vida, e sempre à sombra do PT. Não tem envergadura política para ser o que é, senadora e presidente de partido. Seu mérito foi saber escolher bons padrinhos.

PORAMDUBAS

OPINIÃO 

POR GAUDÊNCIO TORQUATO

Abro a coluna com uma historinha de Jânio em Cuba.

Cadê a pistola de Fidel?

Ir-me-ei a Cuba. Encontrar-me-ei com Fidel Castro para ver e aprender o que estão fazendo por lá“.

O anúncio feito por Jânio Quadros em 1960 deixou de cabelos em pé os correligionários da UDN, partido conservador pelo qual concorria à presidência da República. Mas não houve quem o demovesse da ideia. O encontro com Fidel e Che Guevara na embaixada brasileira em Cuba foi regado a álcool e muitas histórias. Durante três hora e meia, a comitiva brasileira ouviu Fidel narrar empolgantes episódios da revolução. Nenhum copo ficou desguarnecido de rum durante o evento – o que se pode deduzir pela cara dos personagens na foto. Na saída, após abraços afetuosos, Fidel foi buscar a pistola que havia deixado na recepção da embaixada, a mesma que o acompanhava desde a revolução cubana. Após longos e tensos minutos, o embaixador Vasco Leitão da Cunha comunicou, assustado, que a arma histórica havia desaparecido. “Bem, só espero que quem a levou faça bom uso dela, como nós em Sierra Maestra“, respondeu Fidel. (Historinha enviada por Manuel Rezende Correa- CEO do Grupo Saint-Gobain)

Hauly e a reforma tributária

Este consultor ficou deveras impressionado com o vasto conhecimento expresso pelo experiente deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) na área dos tributos. É o relator da reforma tributária. Tanto em uma exposição pessoal quanto na aula que proferiu para empresários e políticos reunidos no 17º Fórum Empresarial, realizado em Recife, Hauly deu provas de denso domínio da matéria. A reforma tributária se faz absolutamente necessária. Ainda este ano. Não haverá perda de receita como teme a Receita Federal. O presidente Michel Temer e o ministro Eduardo Guardia devem se tranquilizar. O país ganhará mais uma alavanca para modernizar seu sistema de tributos. Parabéns, Hauly.

Quem vai ser presidente?

Essa foi a pergunta mais recorrente que este consultor recebeu no denso 17º Fórum Empresarial, ocorrido no Sheraton Reserva do Paiva no Cabo de Santo Agostinho, em Recife. Pelo menos um ligeiro desenho da situação político-eleitoral foi apresentado. Para quem não teve oportunidade de ouvir e, para os muitos leitores de Porandubas, apresento alguns traços do cenário, a começar pela nebulosa que obscurece as visões. Vamos lá.

Dispersão

Primeira observação: o pleito está muito perto, mas parece longe. Será daqui a pouco mais de cinco meses, mas dá impressão de que é coisa para 2019. Segunda: a planilha de pré-candidatos é vasta, contendo uns 20 perfis, que, decantadas as águas, deverão se estreitar em uma dúzia. Terceira: as forças de centro-esquerda tomam fôlego nesses tempos nebulosos, eis que alguns de seus integrantes receberão votos do custodiado Lula da Silva. Mais precisamente: ganham força Marina Silva, Ciro Gomes e Joaquim Barbosa. Quarta: os candidatos do centro estão dispersos, formando um arquipélago de ilhas distantes.

O meio e as pontas

O meio disperso favorece as pontas, a extrema direita e a extrema esquerda. Na direita, Bolsonaro reina isolado. Na esquerda, Lula continua liderando, mas à medida que a ficha for caindo no sistema cognitivo do eleitor, candidatos do centro-esquerda podem captar parcela dos votos lulistas. Mesmo com toda a pressão do PT, é praticamente impossível garantir a elegibilidade de Lula. Ciro Gomes tende a abocanhar parcela do lulismo no Nordeste; Joaquim se transforma em um logotipo ambulante; Marina, asséptica, pode avançar na direção do voto dos jovens. Mas o centro tem condições de reagir. E vai tentar.

MDB, DEM e PSDB

No centro, aparecem os nomes de Geraldo Alckmin, Michel Temer, Rodrigo Maia e Henrique Meirelles. Este consultor tende a crer que estes nomes e mais outros deverão, mais adiante, fazer uma avaliação de suas posições. O presidente Temer deverá ter seu índice aumentado, a partir de comunicação mais pesada sobre os feitos do governo em curto espaço de tempo. Maia também poderá ver subir sua avaliação. Trata-se de grande articulador. Meirelles, nesse caso, ficaria de stand by. Vai depender da decisão de Temer.

60 a 70% de chance

E Alckmin? Se subir na escada da intenção de voto, pode atrair forças centrais. Mas os tucanos não são bem vistos pelo leque partidário. São considerados autossuficientes e em cima do muro. Os tempos de rádio e TV do MDB, DEM e PSDB, juntos, abririam grande visibilidade para um candidato comum aos três partidos. Se esses três partidos se unirem, as chances de ter seu candidato no segundo turno ficam entre 60 a 70 numa régua de 100. Em São Paulo, as negociações para um acordo entre MDB e PSDB avançam. Paulo Skaf, ao que se sabe, luta contra essa possibilidade. É pequena sua chance de se eleger governador.

O potencial de MT

Se a comunicação do governo conseguir mostrar e demonstrar os grandes avanços do país no curto tempo de governo, o presidente pode ter seus índices melhorados. É o que inúmeros interlocutores apontam. O fato é: há abissal distância entre as coisas boas e avançadas feitas pelo governo e a avaliação negativa que dele se faz. Algo está errado. O MDB tem formidável espaço de mídia eleitoral. Somado ao espaço do DEM e do PSDB, os três partidos teriam condições de posicionar bem sua candidatura. Por outro lado, partidos médios, como o PSD de Kassab e o PP, além dos pequenos seriam atraídos pela força dos grandes.

O meio termo de Alckmin

E Geraldo Alckmin vai subir? Depende. Primeiro, vai depender da evolução das investigações que o MP tem solicitado. O ex-governador passou a ser alvo do tiroteio. Segundo, a índole de Alckmin é a do equilíbrio, da harmonia, valores que, nesses temos de batalhas campais e sangrentas, parece destoante. Cobra-se dele uma palavra incisiva, um murro na mesa. Se não tivesse tão tíbio por ocasião das denúncias contra o presidente Temer, o MDB já teria fechado parceria com o tucanato.

Na redoma de São Paulo

Alckmin é a cara de São Paulo, aqui confinado desde a era Covas, não sendo conhecido no país. Poderia ter circulado mais solto pelas regiões. Quarto, não se conhece uma grande ideia do ex-governador. Trata-se de um bom gestor atuando no dia a dia. Sem projetos de forte impacto. É o que se comenta.

Pode ser o imã?

O crescimento de Alckmin vai depender do clima eleitoral nos idos de julho. Lava Jato avançando ou recuando, acordos entre os grandes partidos, evolução das esquerdas etc. O PSDB tem estruturas em todo o país. São Paulo será decisivo com seu colégio eleitoral de 35 milhões de eleitores. Se Alckmin for bem avaliado e levar uma grande bacia de votos no Estado poderá compensar a perda de votação no Nordeste, que tem 27% dos votos válidos do país. São Paulo tem 24% dos votos válidos. E Minas Gerais, o 2º maior colégio eleitoral? Com Aécio Neves fora do jogo, resta ao PSDB apostar na chance do senador Antônio Anastasia para o governo. E se este não for candidato? Alckmin perderá largo palanque.

Rio e Bahia

No Rio e na Bahia, votos para a esquerda estão garantidos. Sob a imagem de Sérgio Cabral, que acumula uma pena de mais de 100 anos, será inviável a eleição de um governista para substituir Pezão. Eduardo Paes saiu do MDB para o PP, pode ser candidato, mas sua imagem ainda se liga a Cabral. Já a esquerda, com Chico Alencar, Freixo ou outro, poderá levar a melhor no Rio, 3º colégio eleitoral. Na Bahia, o candidato Rui Costa, do PT, é o favorito. Com a desistência de ACM Neto, que preferiu continuar como prefeito, Costa alavanca suas chances. Bahia é o 4º colégio eleitoral do país.

Quem no lugar do Lula?

Luis Inácio está fora do jogo como candidato, mas não como eleitor. E o PT não deve demorar para colocar alguém em seu lugar. O partido precisa garantir seu porte. Daí a necessidade de ter palanque em todos os Estados. Esperar pela palavra final do TSE sobre a elegibilidade de Lula é protelar uma campanha, que já será curta. (O ministro Gilmar, porém, admite a possibilidade de uma decisão da segunda Turma resultar na libertação de Lula). Para ter palanque, urge ter candidato. Um perfil para puxar votos e eleger bancadas estaduais e Federais de deputados. Haddad se firma como o nome mais adequado. Depois que Jaques Wagner foi alvo de denúncias, seu cacife arrefeceu. Haddad não terá chances, mas o PT, como partido, deve eleger um grupo de governadores e uma bancada razoável. Diz-se que Lula deu liberdade ao PT para o partido tomar decisões. Querelas internas ganharão volume.

Ciro, Barbosa e Marina

Um desses tem possibilidades de entrar no 2º turno. Ciro Gomes é o mais político e com melhor conhecimento da realidade brasileira. É destemperado, sem papas na língua, o que poderá prejudicá-lo. Marina tem ótima imagem, mas deixa passar fragilidade ante as pressões políticas e incapacidade de lidar com a contundência e o combate a céu aberto. Joaquim Barbosa tem uma grande história de vida. Subiu os degraus da escada da vida, desde o mais baixo. Chegou a ser presidente da mais alta Corte do país. A ele faltaria jogo de cintura, capacidade de dançar na corda bamba da política. Não aguentaria o tranco. Exemplo arrematado da dinâmica social brasileira. Os três, principalmente Marina, terão curto espaço de mídia eleitoral. Guilherme Boulos, do MTST, lançado pelo PSOL, será o fogueteiro da campanha. E Manuela d’Ávila, com bela estampa, poderá até aumentar sua cota no vácuo deixado na esquerda pela saída de Lula.

Álvaro Dias

Trata-se de um senador, que transita na área central, e tem boa imagem. Mas seu Podemos, novo partido, sofre limitações: estrutura, tempo de rádio e TV etc. Portanto, estaria diante do grande desafio: tornar-se conhecido no país. No Sudeste, há sinais de que fará boa performance, a partir de seu Estado, o Paraná.

Rocha, Amoedo, Rabello e Afif

Flávio Rocha, do PRB, João Amoedo, do Partido Novo, Paulo Rabello de Castro, do PSC, e Guilherme Afif Domingos, do PSD, formam o eixo mais forte do liberalismo clássico. Rocha, que vem do grupo Riachuelo, ao lado da defesa de princípios liberais, transita pelas veredas do conservadorismo, inclusive com matiz religioso do evangelismo (Igreja Sara Nossa Terra, bispo Rodovalho). Ele conta com o eleitorado evangélico, que chega a somar um terço da população eleitoral. Certa importância. P.S. Anunciou que vai ele mesmo bancar sua campanha.

Nova disposição

Amoedo é um liberal com ideias firmes no terreno do Estado restrito a cumprir suas funções constitucionais. Rocha conhece bem a política, tendo sido deputado por dois mandatos. E já foi candidato a presidente uma vez, desistindo no meio da campanha. Amoedo é centralizador e seu Partido Novo queima eventuais perfis da velha política que nele desejem ingressar. Disporão de pouco tempo e estruturas para tornar conhecidos seus ideários. Ambos, porém, trazem sangue novo e uma nova disposição para o pleito. Ponto em comum entre Rocha e Amoedo: ambos têm raízes familiares no RN. Flávio Gurgel Rocha nasceu em Recife, em 14 de fevereiro de 1958, é empresário filiado ao Partido Republicano Brasileiro (PRB). Foi presidente das Lojas Riachuelo, terceira maior rede de moda do país. João Dionísio Filgueira Barreto Amoedo nasceu no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1962, é bancário, engenheiro, administrador de empresas, economista, ativista político e palestrante brasileiro. Fundador do Partido Novo. Rabello, um dos mais renomados pensadores e economistas do país, deixou ótima impressão em Recife, ao participar do 17º Fórum Empresarial do Brasil – LIDE, e Afif, desfraldando a bandeira dos batalhadores do pequeno e médio empresariado! Rabello será o candidato do PSC e Afif pode sair pelo PSD!

Resumo da ópera

Em síntese, consideremos o arco ideológico dividido em três partes: a esquerda, o centro e a direita. Com imbricações e interpenetrações de alguns limites – o centro abocanhando espaços à sua direita e à sua esquerda, e estas áreas invadindo roças do centro. A média eleitoral deve contemplar mais o centro do que as margens. Digamos que o centro abocanhe entre 40% a 50%. Com as margens perfazendo, cada uma, 30% a 25%. Um pouco mais para lá ou para cá. Se houver muita dispersão, o 2º turno poderá abrigar candidatos até com 15% a 18%.

Bolsonaro tem chances?

Não, se formos aplicar um modelo racional de política. Sim, se avaliarmos suas chances pela régua emotiva. Pelo olhar racional, trata-se de um perfil não bem preparado. Sabe o elementar de economia. Seu principal discurso é na área da segurança pública. Representa o império da ordem, o uso da força para combater a bandidagem. “Bandido bom é bandido morto“. “Soldado bom é soldado que mata“. Defende distribuição de armas aos fazendeiros. Ganha aplausos de corações aflitos ante a corrente de insegurança.

Tempo escasso de mídia

Terá poucos segundos para dar seu recado na TV e no rádio. Portanto, será canibalizado por candidatos com grande tempo de mídia. Como a política não tem regras, as emoções da massa abrem espaço para ir em frente. Este consultor, porém, não crê em suas reais chances. Ou seja, terá poucas possibilidades de sustentar seu índice de intenção de voto.

Tempo de TV

Face à campanha mais curta – de 90 para 45 dias e de 45 dias para 35 de mídia eleitoral – o fator comunicação será de importância capital. Mais que nos pleitos passados. Daí o intenso trabalho dos líderes para fechar alianças e parcerias. O corre-corre é grande.

Joaquim versus Bolsonaro

As pesquisas atestam que em um 2º turno com Joaquim Barbosa e Jair Bolsonaro, o juiz venceria o deputado. O juiz carrega a marca da ética. O deputado simboliza o ideário da segurança. A questão é: quem garante que um dos dois estará no 2º turno?

PSB rachado

O PSB, em sua maioria, quer ver Joaquim Barbosa como seu candidato. Essa ala é a comandada pelo presidente do partido, Carlos Siqueira, apoiado pela família Campos (do falecido Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco). Mas o atual governador de São Paulo, Márcio França, defende o apoio do PSB ao pré-candidato Geraldo Alckmin. O filho de Eduardo, João Campos, que será candidato a deputado, apóia Barbosa. Foi o que este consultor viu nesses últimos dias no 17º Fórum Empresarial do Lide em Recife.

 

ESFORÇO TARDIO

FIM DE LINHA

O Velho Apache Antenado ouviu sobre a deflagração de um esforço concentrado e, com direito a reativação, de última hora, de certa adutora financeira.

Como no passado, compromissos assumidos; sem, entretanto, a certeza de que venham a ser cumpridos.

No episódio em epigrafe, o cumprimento da palavra empenhada revela-se tão eficaz quanto um risco n´água.

Todavia, porém, entretanto, no entanto, com forte sotaque de embromação.

É a pauta do dia na Rádio Oitão – eheheh…

 

 

Alegação de ‘seletividade’ vai virando uma balela

Opinião

JOSIAS DE SOUZA

Do UOL

Num mesmo dia, três fatos: uma semana depois de o Supremo ter convertido Aécio Neves em réu, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais confirmou a condenação de Eduardo Azeredo no caso do mensalão tucano, a Lava Jato realizou batidas nas casas e nos gabinetes de dois congressistas do Partido Progressista —Ciro Nogueira e Dudu da Fonte— e a Polícia Federal sugeriu que o presidiário Lula seja transferido de suas dependências em Curitiba.

Aos pouquinhos, a diversificação dos personagens e das legendas que movimentam o noticiário político-policial vai transformando em balela a alegada seletividade do processo punitivo.

A evidência de que a política precisa de uma faxina cresce a cada dia. Apodrecido, o sistema político guerreia no momento para derrubar a regra que permitiu a prisão de condenados em segunda instância e evitar limitações ao foro privilegiado.

A oligarquia tenta salvar seus valores mais tradicionais: o acobertamento, o compadrio, o patrimonialismo, o fisiologismo.

Quando alguém falar em seletividade do seu lado, segure a carteira. Se lhe disseram que estão criminalizando a política, saia correndo. Quem criminaliza a política são criminosos que estão na vida pública a negócios.

Os escândalos são pluripartidários. Num ambiente assim, não há seletividade que sempre dure nem cegueira que nunca se acabe. Abra os olhos.

“Ninguém acha que Aécio é uma ideia”

Artigo 

RICARDO RANGEL

EM O GLOBO

“Tancredo Neves dizia que político acompanha o féretro até a beira da sepultura, mas não entra na cova com o defunto. Aécio está morto e só. E não deixa saudades.

A reação à aceitação da denúncia é emblemática. Ninguém reclamou de falta de provas, nem que eleição sem Aécio é fraude. Ninguém vandalizou casa de ministro do Supremo, nem acampou em frente à casa do réu, nem organizou coro de bom dia. Ninguém incluiu ‘Aécio’ em seu nome, nem afirmou que ele é guerreiro do povo brasileiro. Ninguém acha que Aécio é uma ideia.

Os eleitores de Aécio, cientes de que foram traídos, não lhe dedicam amor, mas desprezo, e a esmagadora maioria comemora que mais um criminoso será punido. Uma minoria, cujos gritos de ‘e o Aécio?’ cessaram, está atônita, e de luto, pois a morte de Aécio inviabiliza a narrativa do ‘golpe’.

A cada passo, torna-se mais desconfortável defender Lula. Ignora-se a ‘direita’ na cadeia. Descarta-se um oceano de provas. Defende-se o fim da Ficha Limpa. Não se enxerga que Lula foi dos últimos a ser presos, o único a ficar solto até a segunda instância. Não se percebe que o Supremo quase o libertou. Combate-se a prisão na segunda instância. Joga-se fora o ideal de igualdade, razão de ser da esquerda há 200 anos. Faz-se que não se vê Paulo Preto na cadeia, nem aonde isso vai dar. E eis Aécio réu.”

O PT na “lata de lixo da história”

Artigo

LUIZ FELIPE PONDÉ 

NA FOLHA

“O PT é o único partido que é objeto de investigação por corrupção a contar com um exército de intelectuais, artistas, professores, diretores de audiovisual, jornalistas, sacerdotes religiosos, instituições internacionais, apoiando-o na sua cruzada de continuar nos fazendo escravos de seus esquemas de corrupção. Esse exército nega frontalmente a corrupção praticada pelo PT e destruirá toda forma de resistência a ele caso venha, de novo, a tomar o poder.

No ano de 2018 o país pode, de uma vez por todas, lançar o PT à lata de lixo da história e amadurecer politicamente, à esquerda e à direita.”

Se deixarem, cela vira sucursal do Instituto Lula

Artigo

POR JOSIAS DE SOUZA

De todos os flagelos brasileiros o mais imutável e constrangedor talvez seja a calamidade do sistema penitenciário. Mas a humanização das cadeias nunca foi propriamente uma prioridade dos congressistas. Ignora-se o tema porque a barbárie é popular. O Datafolha revelou em 2015 que 50% dos brasileiros concordam com a tese segundo a qual bandido bom é bandido morto. Ou seja: metade dos brasileiros acha bom quando os presidiários brigam, matando-se uns aos outros dentro das penitenciárias.

De repente, surgiu no Congresso a bancada da cadeia. Integram-na senadores e deputados companheiros. Curiosamente, ainda não acordaram para o cenário de século 19 que vigora nas cadeias do país. Estão preocupados com as condições carcerárias de Lula, recolhido à única cela do país onde se respira um aroma de século 21.

Nesta quarta-feira, ao negar pedido do Prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel para inspecionar a “sala de Estado Maior” em que Lula cumpre a pena de 12 anos de cana, a juíza que cuida da execução penal em Curitiba, Carolina Moura Lebbos, manifestou uma estranheza: no intervalo de duas semanas, formularam-se três pedidos de inspeção na Superintendência da Polícia Fedeal de Curitiba, que hospeda o preso mais ilustre da Lava Jato.

“A repetida efetivação de tais diligências, além de despida de motivação, apresenta-se incompatível com o regular funcionamento da repartição pública e dificulta a rotina do estabelecimento de custódia. Acaba por prejudicar o adequado cumprimento da pena e a segurança da unidade e de seus arredores.”

Alheios à manifestação da doutora, dez deputados formaram na Câmara uma “comissão externa” para inspecionar o cárcere especial de Lula nesta quinta-feira. Na terça, com autorização da juíza, 11 integrantes da Comissao de Direitos Humanos do Senado passaram duas horas com o preso. Atestaram os bons serviços da hospedaria. Mas avaliam que Lula merece mais regalias.

O senador Joao Capiberibe (PSB-AP) prepara um relatório. Nele, dirá que Lula precisa ser tratado como “um preso político”, pois as pesquisas informam que ele dispõe de “35% de preferência do eleitorado.” A Comissão de Direitos Humanos do Senado vai solicitar que Lula passe a receber outros visitantes além dos familiares.

Nas palavras de Capiberibe, “Lula tem 72 anos e é um homem muito interativo”. Hummmm. “Passava os dias conversando, discutindo, trabalhando, e hoje ele está muito isolado.” Heimmmm?!? “Esse isolamento é uma grande preocupação da comissão.” Ai, ai, ai…

Petistas e companheiros ainda não notaram. Mas Lula é um corrupto com sentença de segunda instância. Sua candidatura presidencial virou ficção. Sempre desrespeitoso com as autoridades judiciárias, ele recebe um tratamento respeitoso. Algo compatível com sua condição de ex-presidente. Mas não se pode permitir que confundam deferência com privilégio, coisa muito comum em qualquer casta.

É hora de levar o pé a porta da cadeia. Se as autoridades boberarem, o PT e seu séquito acabam transformando a cela especial de Curitiba numa sucursal do Instituto Lula em Curitiba. Ou coisa pior. O que não falta no país é presidiário precisando de atenção de congressista. Desnecessário lembrar que 40% da comunidade carcerária brasileira mofa atrás das grades sem sentença.