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‘Quem só se comunica também se trumbica’

Jornalista afirma: “Lula conta com a mágica de Goebbels, que fabricava verdades de mentiras somadas”

Por José Nêumanne 

Quem é que o padim Lula de Caetés pensa que engana com essa lorota de que a enorme crise que tornou sua afilhada Dilma Rousseff uma pata manca no Palácio do Planalto se deve à desarticulação política de Aloizio Oliva, que usa o sobrenome da mãe, Mercadante, para ninguém se tocar de que o pai era figurinha carimbada na ditadura militar?

Ao completar seu terceiro mês de mandato um dia depois de o golpe de 1964 ter completado 51 anos, a escolhida dele empatou com José Sarney, recordista absoluto de impopularidade desde 1989, com 64% de respostas “ruim” ou “péssimo” à pergunta do Ibope sobre o desempenho de seu governo. Com uma má notícia por dia, alternando recordes negativos na economia com revelações de novas gatunagens ou anúncios de medidas impopulares para tentar corrigir o incorrigível, ninguém precisa ter um sexto sentido premonitório para prever que não demora muito para ela sair de lanterna em punho pelos desvãos e porões palacianos onde tenta se esconder da plebe. E enquanto a pesquisa não revela o novo retrato, Sarney virou arroz de cuxá nos bailes do Planalto Fiscal.

padim tirou do baú seu sermão de profeta da barcaça que afunda ao peso dos ratos do porão. Segundo a colega Vera Rosa, Sua ex-Excelência intensificou a pressão sobre a pupila para ela modificar a desarticulação política do governo, concentrando fogo no filho do general: “Mercadante vive falando de rating pra cá, rating pra lá. Que rating, que nada! A crise é política e o governo tem que resgatar a confiança. O resto vem naturalmente”. Resto de quê, cara hirsuta? Lula tem motivos para não gostar do Mazarino do cerrado. Pois foi surrado por Fernando Henrique no primeiro turno da eleição presidencial de 1994 após ter levado em conta a falácia dele de que o Plano Real seria estelionato eleitoral. E depois chamou de “aloprados” seus asseclas que falsificaram dossiê contra José Serra na disputa da eleição estadual paulista de 2006. Mas essa é uma questão dele e Dilma não abre mão do direito de errar.

Na última pesquisa Datafolha, em que a avaliação de “bom” ou “ótimo” do governo federal desceu a cabalísticos 13%, o Congresso Nacional foi lembrado positivamente por apenas 9%. Devoto praticante da verdade pela metade, a mais enganadora das formas da mentira, o demiurgo do ABC só olhou para um lado da questão. Sim, é verdade que a relação da presidente com o Congresso é péssima, como atesta pesquisa da consultoria política Arko Advice, que ouviu 102 deputados federais de 22 partidos e constatou que 61% deles avaliam como “ruim” ou “péssimo” o convívio do Legislativo com o Executivo. Mas a verdade completa é que somente melhorar tal relação em nada tornará a “comandanta” mais popular.

De um lado, porque a imagem de deputados e senadores está ainda mais emporcalhada que a dela. De outro, porque as boas relações entre esses dois Poderes dependem muito menos de qualidades que Oliva não ostenta do que da gana dos parlamentares por um butim palaciano cada vez mais escasso nestes idos de vacas magras. O convívio entre os dois lados da Praça dos Três Poderes só vai melhorar quando houver mais verbas e cargos a distribuir. Se houvesse, nenhum congressista se melindraria com o chefe da Casa Civil lhe fazendo ouvidos de Mercadante nem com o estilo “deixa que eu cuspo” da chefona irritadiça.

O PMDB desconfia da irrelevância de articulação política para salvar o que resta deste desgoverno. Por isso Eliseu Padilha recusou o lugar de Pepe Nada Legal Vargas no palácio. Embora tudo leve a crer que ele se arrastará Ladeira do Pelourinho abaixo até o canto do cisne de 2018. Seu desprestígio crescente não resulta da falta de saliva em corredor, mas da sobra de material orgânico à tona sempre que se levanta algum tapete ou capacho. As obras não iniciadas ou atrasadas em 57% da rede de saneamento básico no Brasil passaram a ser a metáfora pronta ao alcance do nariz.

Na verdade, Dilma mentiu tanto que nem seu espírito santo de orelha, João Patinhas Santana do Bendegó, será mais capaz de resgatar alguma verdade que ela tenha dito por acaso e dela criar uma peça publicitária para ressuscitá-la neste pós-Páscoa. Tudo depõe contra isso: da delação premiada de Paulinho de Lula às fotografias em que ela foi flagrada ao lado do cão de guarda do Partido dos Trabalhadores na Petrobrás, Renato Duque. Na imagem que esboroa a olhos nus, os restos de verniz de sua honestidade pessoal, que evitam um processo de impeachment, são apagados por pegadas de sua protegida Erenice Guerra no cofre da Viúva. Sob o manto protetor de Dilma, Erenice, esse embrião de Graciosa Foster no Ministério de Minas e Energia e na Casa Civil, para a qual – suprema infâmia contra a Pátria – ela a indicou, prosperou à sombra do ancestral benefício da dúvida. A Operação Zelotes ameaça revelar a explicação para a ascensão social que moveu a fiel factótum de uma cidade-satélite para as margens do Paranoá.

Como sabe disso tudo e de muito mais, Lula não acredita nas próprias bazófias de intriga florentina contra o filho do general. Logo ele, que vendeu à Nação a suprema inverdade da gerentona que entrará para a História como o pior presidente da República! E que agora recorre ao velho truque de continuar enganando para não se enganar nem ser enganado. Não o faz por burrice, pois inteligência tem de sobra, ou alienação, por mais soberba que exiba e arrote. Mas, sim, porque não têm saída. Só lhes resta apostar na sorte, essa deusa caprichosa e cega, que sempre esbanjaram. Lula não confia em Dilma, mas na própria capacidade de evitar que ela repita a saga do Pedro da lenda infantil, devorado pelo lobo diante da omissão da aldeia que, após ouvir muitos pedidos de socorro mentirosos, não lhe acudiu.

Lula conta com a mágica de Goebbels, que fabricava verdades de mentiras somadas. É que Chacrinha disse: “Quem não se comunica se trumbica”. Mas não contou que “quem só comunica também se trumbica”.

Fonte: O Estadão

Manifestação convocada por Lula dá com os burros n’água. Faltou gente, e sobrou truculência

É a morte do demiurgo; é a morte do partido que se queria hegemônico

Por Reinaldo Azevedo

Lula deu com os burros n’água. De novo! Lula se tornou o anti-Midas do PT e da política. A maldição do lendário rei era transformar em ouro tudo aquilo em que tocava. O mau augúrio que acompanha o companheiro-chefe hoje é outro:  tudo aquilo em que ele se mete dá errado, vira zerda. Na minha coluna da Folha de sexta, afirmei que o quase mítico chefe petista está morto. Eu me referia, obviamente, à morte não do homem, mas do demiurgo; não do político, mas daquele chefe que era capaz de encantar e de mesmerizar as multidões.

Um ex-presidente da República, comportando-se de forma notavelmente irresponsável, convocou seu partido a engrossar as manifestações desta terça, lideradas pela CUT, pelo MST e pelos ditos movimentos sociais contra o Projeto de Lei 4.330, que regulamenta as terceirizações. Lula chamou, Lula convocou, Lula se esgoelou, mas as ruas não compareceram. Em São Paulo, o protesto reuniu, segundo a Polícia Militar, 400 pessoas.

Em Brasília, os truculentos convocados pelo ex-poderoso chefão decidiram fazer um cerco ao Congresso e intimidar a democracia. Entraram em confronto com a Polícia Militar. Um dos manifestantes exibe, quem sabe com o orgulho, o rosto sujo de sangue. Eis Lula na parada.

Escrevi a respeito de sua tática ontem e hoje. O Babalorixá de Banânia quer que Dilma arrende seu governo para o PMDB — ao menos o PMDB que ele tem em mente —, que sele uma espécie de “pax” com o Congresso, e ele,  Lula, quer se encarregar de criar uma suposta nova agenda que chama “progressista”, com os sindicatos, outros partidos de esquerda e movimentos sociais.

Deu errado! Ninguém ouviu o chamado. Como de hábito, o que se viu foi um espetáculo de truculência em Brasília, que só reforça a necessidade de aprovar o Projeto de Lei 4.330. Os únicos que não gostam do seu conteúdo são os sindicalistas, muito especialmente aqueles ligados à CUT, que é, como todo mundo sabe, um dos braços operativos do PT.

Lula, é preciso deixar claro de novo, convocou uma manifestação que hostiliza o próprio governo Dilma. O homem chegou à conclusão de que a única saída para seu partido é se descolar das medidas do Planalto — especialmente as de caráter recessivo —, manter o clima da constante mobilização, mas sem derrubar a presidente. E, para tanto, ele contava com o PMDB: o aliado garantiria a estabilidade política, no limite do possível, para que ele, Lula, liderasse a instabilidade social e preparasse a sua candidatura a 2018.

Naufragou espetacularmente. Para o bem do Brasil. O Projeto de Lei 4.330 é um avanço e moderniza relações trabalhistas que hoje engessam a economia e suprimem empregos, em vez de garanti-los.

Lula, o demiurgo, o mito, reitero, está morto. Da mesma sorte, é defunto o partido que ousou um dia sonhar coma hegemonia política, de sorte que todas as outras legendas fossem seus satélites.

Há um Brasil novo surgindo. Lula e o PT não perceberam. Lula e o PT perderam o bonde. Lula e o PT foram superados pela história. Felizmente!

Fonte: www.veja.com.br

A ressurreição de Jesus descrita da época dos profetas até o Novo Testamento

A importância da ressurreição de Cristo

Da época dos profetas de antigamente até o Novo Testamento, a palavra de Deus fala da ressurreição do Cristo. 

Com um relato completo da palavra inspirada de Deus, junto com a visão histórica que os homens escreveram, parece que seria impossível a humanidade negar a ressurreição do nosso Senhor. Ainda assim há aqueles que negam este fato. 

Éigualmente alarmante saber que há muitas pessoas que acreditam na ressurreição mas falham em perceber a sua importância. 

As provas da morte de Cristo 

Para provar que Cristo voltou da morte é necessário repararmos primeiro que ele morreu e foi enterrado. Oferecemos a prova de sua morte porque há alguns que diriam que ele estava apenas inconsciente ou num transe. Marcos 15:37 diz que Jesus clamou em alta voz e entregou o seu espírito. Continue lendo neste mesmo capítulo, e você reparará nos versículos 43 e 45 que José veio pedindo o corpo de Cristo. Também verá que Pilatos se assegurou de que Cristo estava morto. João 19:31-34 relata que, por causa da preparação do sábado para os judeus, Pilatos fez com que quebrassem as pernas daqueles que foram crucificados, para que a morte viesse rapidamente. Contudo, quando chegaram em Jesus viram que ele já estava morto. 

Outra evidência é dada em relação a sua morte quando um soldado cortou o lado de Jesus com uma lança e saiu sangue e água. Homens estudiosos dizem que, quando se morre, há uma separação entre o sangue e a água nas veias conforme o sangue coagula ou engrossa. Isso, então, deveria ser prova suficiente de que o nosso Senhor verdadeiramente morreu. Se Cristo não tivesse morrido é uma outra lição, mas uma coisa é certa: se Cristo não morreu, ainda estamos sujeitos à velha lei (Hebreus 9:15-16). 

As provas da ressurreição de Cristo

Sim, Cristo morreu. Pelo que você sabe, ele morreu em vão? Se, até então, você não reconheceu a importância da morte, o sepultamento e a ressurreição de Cristo, confio que descobriremos neste estudo da palavra de Deus aquelas verdades que causarão sua chegada mais perto de um relacionamento com Cristo. 

Eu te peço que leia cuidadosamente a história da morte, do sepultamento e da ressurreição do nosso Cristo como dado nos quatro relatos do evangelho: Mateus 27:22-66; 28:1-10; Marcos 15:16-45; 16:1-14; Lucas 23:21-56; 24:1-53; João 20:13. Também leia e considere 1 Coríntios 15. Estaremos nos referindo a estas Escrituras no resto deste estudo. 

Tendo lido as referências acima, pode-se ver a prova da ressurreição. Queremos trazer alguns fatos novos, para que não esqueçamos como a ressurreição foi bem estabelecida. Em 1 Coríntios 15:4-8, aprendemos que ele se ressuscitou no terceiro dia. Ele foi visto por Cefas, pelos doze, por 500 irmãos de uma vez só, por Tiago, depois por todos os apóstolos. Por último ele foi visto por Paulo, como um nascido fora de época. Este relato vem de homens inspirados por Deus. 

Reconhecemos que o homem tem uma grande confiança na história que foi escrita, então notemos o que alguns historiadores tem escrito: 

Edersheim: “A ressurreição de Cristo pode sem hesitação ser chamado do fato melhor estabelecido da história.” 

Ewald: “Nada é mais certa historicamente do que Jesus se ressuscitou da morte e apareceu novamente a seus seguidores.” 

John A. Brodus: “Se não sabemos que Jesus o Nazareno se ressuscitou da morte, não sabemos nada na história.” 

Eu tenho certeza de que temos provas adequadas da ressurreição do Cristo. 

O propósito da ressurreição

A pergunta vem às nossas mentes: “O que foi conseguido através da ressurreição de Cristo?” Acredito que podemos responder esta pergunta em termos bíblicos simples e, ao mesmo tempo, começar a mostrar a importância da ressurreição de Cristo. 

O primeiro ponto que queremos notar é o cumprimento das profecias. Alguns acusaram Cristo de tentar destruir a lei e os profetas; mas Cristo disse que ele não vinha destruir, mas cumprir (Mateus 5:17). O profeta Isaías profetizou a respeito das coisas que Cristo sofreria e porque ele as sofreria quase 750 anos antes de ocorrerem. A palavra de Isaías e outras profecias em relação à ressurreição foram cumpridas (Isaías 50:6; 53:5). 

Cristo, como ele viveu, foi capaz de agüentar a tentação e viver acima do pecado (1 Pedro 2:22-23). Assim, ele superou o pecado na carne. O pecado, ao chegar neste mundo, trouxe a morte (Romanos 5:12). Quando Cristo foi crucificado ele teve que superar este obstáculo. Ele foi colocado no túmulo e no terceiro dia voltou, conquistando a morte. Ele demonstrou que nenhuma força na terra poderia impedi-lo de conquistar a morte (1 Coríntios 15:26). 

Quando a ressurreição estava completa, aprendemos do escritor hebreu (Hebreus 5:8-9) que Cristo se tornou perfeito e se tornou autor da vida eterna. Através de um homem, o pecado entrou no mundo e por um homem uma saída foi aberta para todos os que seguiriam o autor da salvação (Romanos 5:19, 1 Coríntios 15:21). Aprendemos, também, que renovou a esperança dos apóstolos, como também nos dá esperança da ressurreição (1 Coríntios 15:22-23). 

Resumo

Como a ressurreição nos afeta? 

1. A Semente morreu e nos trouxe vida através da ressurreição (João 12:23-24; 1 Coríntios 15:35-38,42-43). 

2. Através da morte de Cristo, o Novo Testamento teve efeito (Hebreus 9:15-18). 

3. Através dos fatos da sua ressurreição a nossa fé é fortalecida (1 Coríntios 15:55-57, 1 Tessalonicenses 4:14-17). 

4. Assim, Cristo é grande para nós, não como um governante terrestre, mas como um governante espiritual nos oferecendo a redenção (Colossenses 1:14). 

A grandeza de Cristo foi mais de que uma vida, pois a sua grandeza verdadeiramente vem de poder dar a vida através da ressurreição. Um plano para redimir o homem é construído nestes fatos e devemos nos aproveitar disso enquanto vivemos. O plano é dado em Romanos 6:1-23: Deixamos morrer o velho homem, o sepultando com Cristo, voltando na novidade da vida para vivermos seguindo o Espírito para sermos os servos de Deus. 

A ressurreição de Cristo é importante!

Por Jackie Richardson

Arrocha prefeito…

Pacote de contenção de despesas adotado por Francisco José Júnior é necessário

O coquetel composto por aumento de juros, inflação, desemprego, reajuste de combustíveis, energia e noutros segmentos faz explodir uma das piores crises econômicas no Brasil das últimas décadas.

Dizem até que já vivenciamos uma recessão.

Os números oficiais apontam essa realidade.

Isto posto, os reflexos se fazem sentir em todos os setores.

E não tem sido diferente nos municípios brasileiros.

Quadro agravado nas Prefeituras Municipais pelo contraste entre aumento de despesas e redução de receitas.

Assim sendo, não se faz necessário ser nenhum expert em economia, para se concluir que é imperiosa a adoção de medidas para, ao menos, atenuar a situação, por parte dos gestores.

Cenário de crise real, como não poderia deixar de ser, também no município de Mossoró.

Diante desse quadro, o prefeito da cidade, Francisco José Júnior, adotou e anunciou um pacote de medidas de contenção de despesas.

O que deve ser registrado e, enaltecido é a coragem do gestor, em adotar medidas duras e, evidentemente, impopulares, todavia, necessárias.

Em face dessa realidade incontestável, observo bestificado, a postura radical de algumas figuras que embora no exercício do que se pode definir como o jus sperniandis – direito do esperneio, de reclamar -, deveriam compreender que, neste momento, ou são adotadas medidas contendo gastos ou a situação pode agudizar-se.

Mais grave ainda, é que muito provavelmente, os que encontram uma fórmula mágica para criticar o pacato de medidas, seriam os mesmos que estariam a trombetear contra o gestor, se nenhuma medida anticrise viesse a ser implementada.

Então, faço minhas as palavras de um certo personagem: arrocha prefeito!

Lula “indignado com corrupção” é como comandante de navio revoltado com mar

A piada da semana

Por Josias de Souza 

“Hoje, se tem um brasileiro indignado sou eu, indignado com a corrupção.” Com essa frase, dita por Lula num ato público na noite desta terça-feira, o Brasil escalou uma espécie de cume do cinismo. Pior do que a presunção de Lula de que ninguém se lembraria da sua própria cumplicidade com os escândalos é a conclusão de que a presunção é desnecessária.

Mesmo sabendo que ninguém desconhece que os dois maiores escândalos da República —o mensalão e o petrolão— têm origem no seu reinado, Lula acredita piamente que ainda pode dizer o que bem entender. E no vácuo moral em que se encontra mergulhado o país talvez possa mesmo. Tudo pode ser dito e feito quando nada tem consequência.

Tanto que a “indignação” de Lula tem dois gumes. Serve para manifestar sua repulsa à corrupção e também para realçar sua aversão às delações que desnudaram a petrorroubalheira. Com a delação, “bandido vira herói”, resmungou o morubixaba do PT, antes de sapatear sobre o trabalho criterioso da Procuradoria e do juiz Sérgio Moro.

O delator “não precisa nem delatar”, prosseguiu Lula. “Vai lá e fala eu acho, eu penso, eu ouvi dizer que fulano de tal fez tal coisa. E já vira manchete. Não precisa mais de juiz, a imprensa já condenou, a manchete já condenou, as pessoas estão perdendo o direito de andar na rua, as pessoas estão sendo agredidas nos aviões, nos restaurantes, sem prova nenhuma —apenas porque alguém que foi acusado disse: ‘olha, eu fiz isso mas eu era tão bonzinho. Eu virei ruim depois.”

Num timbre antiatopeótico, Lula bradou: “Canalha já nasce canalha. Bandido já nasce bandido.” Chama-se Paulo Roberto Costa o primeiro “canalha” a celebrar com a força-tarefa da Lava Jato um acordo de delação premiada. Foi nomeado diretor de Abastecimento da Petrobras no primeiro reinado de Lula, que chamava o “bandido” de Paulinho. Só deixou o posto, sob elogios escritos, em 2012, já sob Dilma.

Lula lamentou “o que estão fazendo com a Petrobras”. Tentam “mostrar que é uma empresa corrupta”. Errou o tempo do verbo. O lamentável é o que fizeram com a estatal. O dinheiro dos cofres da empresa só saiu pelo ladrão porque os ladrões foram empurrados por partidos da coligação oficial dentro do cofre. Tudo com as bênçãos de Lula, o indignado.

“Se teve corrupção lá dentro não foi corrupção de uma totalidade”, constatou Lula, num flerte com o óbvio. “Foi corrupção de uma ou outra pessoa, que terá que pagar o preço por ter enganado o povo brasileiro.” Enganar o povo não foi nada. O inacreditável é que autoridades como Lula e Dilma fujam de suas responsabilidades, refugiando-se atrás da lorota do “eu não sabia”.

Sem mencionar-lhe o nome, Lula evocou a delação do ex-gerente Pedro Barusco. Referiu-se a ele como o “cidadão que vai fazer delação premiada e diz que tem não sei quantos milhões lá fora”. A Justiça não só quantificou o desvio (US$ 97 milhões) como já está repatriando a grana, que estava entesourada na Suíça.

“Esse cidadão repartiu com vocês?”, perguntou Lula aos militantes que o ouviam. “Ele repartiu com algum partido político ou ele repartiu com a conta bancária dele?” Lula deveria desperdiçar um naco do seu tempo lendo os depoimentos prestados por Barusco. São peças públicas. Nelas, lê-se que, na diretoria que abrigava Barusco, a de Engenharia e Serviços, cabia ao diretor Renato Duque, seu chefe, cuidar do repasse da parte da propina que cabia ao PT.

Para desassossego de Lula, Duque não era o único provedor do PT. A propósito, em depoimento prestado horas antes de Lula despejar sua “indignação” sobre o microfone, o doleiro Alberto Youssef contou que mandou entregar petropropinas ao tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, na porta do diretório nacional da legenda.

Lula nunca viu governos tão maravilhosos quanto os governos do PT. “Ninguém em sã consciência deve deixar de agradecer aos nossos 12 nos de governo, por ter tirado o tapete que escondia a corrupção da sala e escancarar a investigação nesse país. Fomos nós que escancaramos. Fomos nós que indicamos por quatro vezes representantes do Ministério Público indicados pela categoria, sem interferência do governo. Fomos nós que mais do que dobramos o número de agentes da Polícia Federal, mais que dobramos o investimento em inteligência, fomos nós…”

A lista de Lula ficaria mais completa se o orador emendasse: fomos nós que levamos a Petrobras ao balcão da baixa política; fomos nós que entregamos diretorias da estatal a apaniguados do PT, do PMDB e do PP; fomos nós que confiamos o comando da Transpetro a um apaniguado de Renan Calheiros por 12 anos, fomos nós que permitimos que o melado do petrolão continuasse escorrendo mesmo depois do envio da bancada do mensalão para a Papuda, fomos nós…

“Só tem um jeito de um homem ou uma mulher não ser molestado nesse país governado pelo PT: é ser honesto e não praticar nenhum desvio”, afirmou Lula, desobrigando o país de fazer sentido. Lula indignado com corrupção é algo tão inusitado quanto um comandante de navio rebelando-se contra o mar. O enredo atingiu o ápice. A partir de agora tudo é epílogo.

Fonte: www.uol.com.br

PETISTAS COMETEM SUICÍDIO COLETIVO

Diretórios estaduais redigem um documento aloprado, com a anuência de Lula e Falcão, em que insistem em hostilizar os brasileiros. Presidente do PT diz ser “impensável” acusar partido de corrupção!

Por Reinaldo Azevedo

Caramba! Chega a dar medo! O maior fator de risco hoje no país é o grau de alienação dos petistas. Os companheiros estão vivendo numa realidade paralela.  Perderam o bonde! Nesta segunda, dirigentes dos 27 diretórios estaduais do PT se reuniram e lançaram um manifesto, com o aval de Lula e de Rui Falcão, presidente do partido, que discursaram. A íntegra do texto está aqui, no site do partido. Seria cômico se aquilo não fosse uma tentativa de falar a sério.

Esses caras ainda acabarão fazendo uma grande bobagem. Eles estão doidinhos para ver cumpridas as suas piores — ou seriam as melhores para eles? — expectativas. Há momentos notavelmente aloprados no texto, mas, a meu juízo, o ápice está aqui, prestem atenção, quando tentam identificar por que os adversários não gostam do partido:
“Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.”

Entenderam?

Os brasileiros não estão enojados com a corrupção na Petrobras.

Os brasileiros não estão descontentes com a inflação acima de 8%.

Os brasileiros não estão insatisfeitos com juros de 12,75% ao ano.

Os brasileiros não estão inconformados com uma recessão que pode chegar perto de 2%.

Os brasileiros não estão furiosos com a penca de estelionatos eleitorais.

Os brasileiros não estão cansados de uma saúde capenga.

Os brasileiros não estão furiosos com uma educação medíocre.

Os brasileiros não estão fartos da incompetência arrogante.

Os brasileiros não estão estupefatos ao ver a Petrobras na lona.

Nada disso! Por que, afinal, a população iria se zangar com essas bobagens? Por que, afinal, esse povo bom e generoso iria reagir mal ao fato de um simples gerente da Petrobras aceitar devolver US$ 97 milhões que ele confessa oriundos da propina? Por que, afinal, a nossa brava gente se espantaria que José Dirceu tenha faturado quase R$ 2 milhões em consultorias só no período em que estava em cana? Nada disso é motivo!

Segundo o partido, seus adversários não suportam mesmo é ver supostos 36 milhões de pessoas saindo da miséria. A afirmação é de uma estupidez ímpar. Houve um tempo em que essa ladainha colava. Eis aí, leitor, revelado o verdadeiro espírito “petralha”. Quando criei a palavra, referia-me exatamente a isto: à justificação da roubalheira, do assalto aos cofres públicos, da ladroagem mais descarada, em nome da igualdade social.

O manifesto aloprado segue adiante:
“O PT precisa identificar melhor e enfrentar a maré conservadora em marcha. Combater, com argumentos e mobilização, a direita e a extrema-direita minoritárias que buscam converter-se em maioria todas as vezes que as mudanças aparecem no horizonte. Para isso, para sair da defensiva e retomar a iniciativa política, devemos assumir responsabilidades e corrigir rumos. Com transparência e coragem. Com a retomada de valores de nossas origens, entre as quais a ideia fundadora da construção de uma nova sociedade.”

Uau! Então os milhões que saíram às ruas são “de direita e extrema direita” e estão se opondo “às mudanças”, não à “sem-vergonhice”? Querem saber! Estou aqui vibrando com essa análise. Ela conduz o partido à extinção. Ninguém precisará, como diz o texto, “acabar com essa raça”. Essa raça está cometendo suicídio. A propósito: o texto diz que é preciso enfrentar os adversários com “argumento e mobilização”. Tá. Sei o que é “argumento”. Mas o que vem a ser “mobilização” nesse contexto?

O texto, na sua burrice teórica, abriga este notável momento:
“Ao nosso 5º Congresso, já em andamento, caberá promover um reencontro com o PT dos anos 80, quando nos constituímos num partido com vocação democrática e transformação da sociedade – e não num partido do ‘melhorismo’. Quando lutávamos por formas de democracia participativa no Brasil, cuja ausência, entre nós também, é causa direta de alguns desvios que abalaram a confiança no PT.”

O partido gigante, que se apoderou de todas as estruturas do estado, que aparelha estatais, fundos de pensão, autarquias e universidades; que se imiscuir até em fundações de direito privado para impor a linha justa, essa máquina gigante deveria, na visão dos valentes, se comportar como um partido pequeno, em formação, capaz de falar em nome da pureza, mesmo tendo nas costas o mensalão e o petrolão, entre outras barbaridades.

O documento lista ainda dez medidas a serem defendidas pelo partido. Entre elas, estão: campanha de agitação e defesa do PT; controle da mídia e imposto sobre grandes fortunas. E, claro!, a formação da tal frente ampla, formada por“partidos e setores partidários progressistas, centrais sindicais, movimentos sociais da cidade e do campo”. Entendi! O PT está com o saco cheio da sociedade brasileira. Acha que é hora de substituí-la.

Na minha coluna de sexta, na Folha, afirmei, apelando ironicamente a Karl Marx — que as esquerdas citam sem ler — que o PT hoje é “vítima de sua própria concepção de mundo”. Eis aí. Ah, sim: Lula também discursou e disse que seus sequazes têm de levantar a cabeça. De que adianta se eles se negam a abrir os olhos?

Numa entrevista depois do evento, Falcão teve a coragem de dizer: “É impensável que a gente possa ser acusado de corrupção”. Dizer o quê? Vai ver corrupção praticada por petista deva ser chamada de obra humanitária. A única chance de Dilma, se é que lhe resta alguma, é se afastar desse hospício.

Fonte: www.veja.com.br

O poste é inseparável do fabricante

Dilma será para Lula o que Pitta foi para Maluf

Por Augusto Nunes

Como um punguista de antigamente depois de afanada a carteira da vítima, Lula tenta afastar-se de Dilma Rousseff com cara de paisagem, assoviando um sambinha enquanto caminha nem tão depressa que pareça medo nem tão devagar que pareça provocação. A malandragem deu certo no escândalo do mensalão. O chefão caiu fora da cena do crime e a patente de comandante do bando acabou enfeitando os ombros do subchefe José Dirceu.

Mas não se terceiriza o pessoal e intransferível. A segunda-dama Rose Noronha, o prefeito Fernando Haddad e a instalação de uma usina de maracutaias nas catacumbas da Petrobras, por exemplo, são coisa de Lula. Dilma Rousseff também. Lula logo aprenderá que um poste é inseparável de quem o inventou — e um produto de péssima qualidade pode levar seu fabricante à falência política. Dilma Rousseff será para Lula o que Celso Pitta foi para Paulo Maluf.

Ambos deslumbrados com os altos índices de aprovação reiterados pelas usinas de pesquisas, o prefeito Maluf em 1995 e o presidente Lula em 2007 resolveram mostrar que conseguiriam transformar qualquer nulidade em ocupante provisório do trono. Para que os escolhidos cumprissem sem resmungos a missão de guardar o lugar até que o chefe voltasse, constatou um post de 2010, o marajá de São Paulo e o reizinho do Brasil decidiram-se, sem consultar ninguém, por figuras sem autonomia de voo nem luz própria.

O primeiro pinçou na Secretaria de Finanças do município um negro economista. O segundo pinçou na Casa Civil uma mulher economista. Ao apresentar o sucessor, o prefeito repetiu que foi Maluf quem fez São Paulo.Mas quem arranjou o dinheiro, revelou, foi aquele gênio da raça chamado Celso Pitta. Ao apresentar a sucessora, o presidente reterou que foi Lula o parteiro do Brasil Maravilha. Mas quem amamentou o colosso, ressalvou, foi aquela sumidade político-administrativa por ele promovida a Mãe do PAC.

Obediente a Maluf e monitorado pelo marqueteiro Duda Mendonça, Pitta atravessou a campanha driblando debates e entrevistas, declamando obviedades e louvando o criador de meia em meia hora. Como herdaria uma cidade sem problemas, sua missão seria torná-la mais que perfeita com espantos de matar de inveja a rainha da Inglaterra. Grávido de orgulho, o padrinho ordenou aos eleitores que nunca mais votassem em Paulo Maluf se o afilhado fracassasse.

Obediente a Lula e tutelada pelo marqueteiro João Santana,  Dilma percorreu o atallho para o Planalto desconversando em debates e entrevistas, gaguejando platitudes e bajulando o criador a cada 15 minutos. Como lhe cairia no colo um país pronto, caberia à herdeira tocar em frente o pouco que faltava para torná-lo uma espécie de Noruega com praia, mulher bonita e carnaval. Grávido de confiança, o padrinho comunicou ao eleitorado que ele e ela eram a mesma coisa. Votar em Dilma seria a mesma coisa que votar no maior dos governantes desde o Descobrimento.

São Paulo demorou três anos para entender que estava nas mãos do pior prefeito de todos os tempos. Descoberta a tapeação, milhões de iludidos escorraçaram Pitta do emprego e atenderam à vontade do seu inventor: nunca mais Paulo Maluf foi eleito para qualquer cargo executivo. O Brasil demorou quatro anos para compreender que, ao conferir um segundo mandato a Dilma Rousseff, ratificara a mais desastrosa opção presidencial de todos os tempos.

Pena que as multidões não tenham acordado algumas semanas mais cedo. Mas enfim despertaram — e despertaram de vez, berram as manifestações de rua e o sumiço do único “líder de massas” do mundo que só discursa para plateias amestradas. Antes do fiasco de Alexandre Padilha nas urnas de outubro, Lula caprichou na ironia presunçosa: “De poste em poste estou iluminando o Brasil”, repetia.

O terceiro poste afundou a muitas léguas do Palácio dos Bandeirantes. O segundo, Fernando Haddad, pedala no mundaréu de ciclovias para fugir do naufrágio inevitável. O poste inaugural vai sendo tragada pelo mar de corrupção e incompetência. Dilma Rousseff debate-se furiosamente milímetros acima da superfície. Lula quer que afunde sozinha. Mas não escapará do abraço de afogado.

Fonte: www.veja.com.br

Não é Dilma quem se navega, quem a navega é a crise. Ou: Levy presta contas às… contas, e Janine, a Lula

Dilma é a rainha sem a Inglaterra…

Por Reinaldo Azevedo

Já que citar Paulinho da Viola pode conferir a poderosos a suspeita de sublime, daqui a pouco, ouviremos por aí Dilma Rousseff a cantarolar:
“Não sou eu quem me navega
quem me navega é o mar

Não sou eu quem me navega
Quem me navega é o mar
É ele quem me carrega
(…)

Timoneiro nunca fui
Que eu não sou de velejar
O leme da minha vida
Deus é quem faz governar
E quando alguém me pergunta
Como se faz pra nadar
Explico que eu não navego
Quem me navega é o mar”

Na música, esse deixar-se levar assume, assim, ares de poesia, de uma vida leve, sem ambições desmedidas nem rancores acumulados, o verdadeiro estado da ataraxia virtuosa. Não! Não é por isso que Dilma sairia cantarolando.

A presidente já não é a timoneira. Ela já não se navega. É o mar que a navega, para ficar na sintaxe paulinho-violana. Perdeu o controle do governo pela direita e pela esquerda. Está sendo “bypassada” por “conservadores” e “progressistas”. E, Santo Deus!, Dilma ainda tem, na melhor das hipóteses para ela, 45 meses de governo. A que me refiro?

Em encontro com ex-alunos da escola de negócios da Universidade de Chicago, na terça-feira passada, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, afirmou que sua chefe nem sempre age “da maneira mais efetiva”. Dilma não gostou. Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil, deixou isso claro a Levy. Mas o que ela pode fazer além de nada? É refém dele, como já escrevi aqui. Se a presidente demitir seu ministro, ele arruma um empregaço na iniciativa privada, de onde é oriundo. Não precisa do governo. Mas o governo precisa dele. A eventual demissão seria um desastre. Por isso Dilma minimizou o episódio. Ao se referir ao caso, disse a presidente: “Ele ficou bastante triste com isso e me explicou. Mas eu li, eu tenho clareza que ele foi mal interpretado”. É, não foi. Mas assim é quando não existe alternativa.

Na outra ponta do espectro, Dilma nomeou o esquerdista Renato Janine Ribeiro para o Ministério da Educação, que hoje está cercado por alunos do Pronatec e do Fies que levaram um beiço do governo. O homem nem tomou posse ainda, e sabem com quem se encontrou para “discutir a conjuntura política”? Com Luiz Inácio Apedeuta da Silva. Não! Não foi o cidadão Lula quem pediu uma audiência ao ministro indicado. Isso seria o normal. Quando o PT é protagonista da notícia, quase sempre é o menino que morde o cachorro. O papinho aconteceu no Instituto Lula, em companhia de outros “companheiros”.

Um dos presentes era o faz-tudo de Lula Paulo Okamotto, que virou uma espécie de porta-voz do encontro: “Falamos com ele [Janine], como falamos com economistas e intelectuais. Já estava marcado antes”, afirmou.  Okamotto é aquele rapaz que, em recente entrevista ao Estadão, disse o seguinte sobre a relação do PT com as empreiteiras: ““Funciona assim: ‘Você está ganhando dinheiro? Estou. Você pode dar um pouquinho do seu lucro para o PT? Posso, não posso’”. Janine, professor de ética e petista envergonhado, foi aprender um pouco de moral com Okamotto…

Não é Dilma quem se navega. Quem a navega é a crise.

Fonte: www.veja.com.br

O PARTIDO QUE JÁ NÃO OUSA DIZER SEU NOME

PT planeja se esconder nas próximas eleições e criar uma tal “Frente Ampla” para enganar o eleitor

Por Reinaldo Azevedo

Informei aqui no dia 11 de fevereiro que o ex-presidente Lula andava pensando na criação de um novo partido. Alguns acharam que eu estava ficando doido. Não! Era só uma informação. Não que Lula pense em criar uma nova agremiação, com outro nome. A coisa é um pouco diferente, segundo reportagem de Catia Seabra na Folha deste domingo. O Babalorixá de Banânina teria decidido importar do Uruguai o modelo da Frente Ampla. Assim, para disputar o poder, o PT comporia uma grande frente envolvendo partidos, sindicatos, ONGs e movimentos sociais.

Ah, bom… A ideia, parece evidente, é disputar a eleição dando destaque ao nome fantasia da coalizão. Vamos ver. Em 2014, a coligação liderada por Dilma se chamou “Com a Força do Povo”; a comandada por Aécio, “Muda Brasil”, e a estrelada por Marina Silva, “Unidos Pelo Brasil”. Tais nomes apareciam no horário eleitoral em letras minúsculas, apenas para justificar a soma dos tempos de cada partido. As respectivas campanhas, no entanto, davam relevo às legendas. Mas nada impedia os postulantes que fizessem praça da coligação.

Lula, pelo visto, quer algo um pouco diferente. Ele pensa mesmo, vejam que esperto!, é em mudanças da legislação eleitoral para que a eleição seja disputada por aglomerados que não são partidos, entenderam? Assim, ora vejam!, sindicatos, ONGs e movimentos sociais poderiam ir para as urnas. É uma piada. E o homem propõe esse troço porque é um democrata? Não! O que ele pretende é esconder o nome do PT, do qual as ruas, hoje, não podem nem ouvir falar. Ou posto de outro modo: sua intenção é arrumar uns “laranjas” para atuar em nome do seu partido.

Incrível! Os companheiros chegaram à fase em que buscam desesperadamente mecanismos para tirar a população da jogada. O partido, como é sabido, luta pelo financiamento público de campanha e pela aprovação do voto em lista — aquele em que o eleitor escolheria apenas uma legenda, sem nem saber direito quais deputados estariam indo para a Câmara. Agora, os valentes querem esconder até mesmo a… legenda!

Segundo informa a Folha, Rui Falcão, presidente do PT, vê a tese com simpatia e quer que ela seja debatida no 5º Congresso do partido, que acontece em junho, na Bahia: “Vejo com simpatia a ideia de que, no bojo da reforma política, se abra espaço para a criação de um movimento que leve à experiência como a da Frente Ampla, no Uruguai, e a da Concertação, no Chile”.
Ou por outra: o PT chegou ao poder brandindo a sua bandeira em todo canto. No quarto mandato presidencial, o partido concluiu que, para continuar no poder, precisa desesperadamente se esconder do povo.

Combinar com os adversários
Como se nota, Lula almeja mais do que simplesmente dar destaque ao nome fantasia de uma coligação. Agora ele propõe que “não partidos” — desde que comandados pelo “partido” — disputem a eleição. A lei vigente não permite essa excrescência, e o ex-presidente terá de convencer as demais legendas, especialmente o PMDB, de que isso é uma boa ideia. Ao longo da vida, este senhor tem razões de sobra para achar que tanto seus adversários como seus aliados são trouxas. Não creio que vá prosperar desta vez.

Que coisa, né? O partido está mais sujo do que pau de galinheiro e acha que o Brasil precisa fazer uma reforma política que sirva para disfarçar essa sujeira. Não passará.

Fonte: www.veja.com.br

REFORMA POLÍTICA PARA QUÊ?

“Ora, quando algo precisa de mudar é porque efetivamente há erros a serem mitigados ou corrigidos, a depender de cada situação concreta”, escreve Paulo Afonso Linhares 

Por Paulo Afonso Linhares 

Paulo Linhares

Paulo Afonso Linhares é jurista e diretor da rádio e portal Difusora de Mossoró

Sempre que as tensões entre as forças políticas que atuam no cenário das grandes decisões nacionais atingem um nível crítico, a atitude padrão de todos os agentes políticos é apelar para alguma mudança: lenta (reforma) ou célere (revolução), a depender, também, do grau de aprofundamento das mudanças  Ora, quando algo precisa de mudar é porque efetivamente há erros a serem mitigados ou corrigidos, a depender de cada situação concreta. Claro, a velha filosofia do futebol está corretíssima: em time que está a ganhar não se mexe.  Enfim, mudança requer aquilo que não está correto, que é inadequado, que não funciona.

Quando se fala em reforma política, uma coisa vem à nossa mente quase que instantaneamente: se tornou inadiável  uma série de alterações nos perfis da instituições jurídico-políticas relacionados com os processos de legitimação do Estado Democrático de Direito e do poder político. Com efeito, as novas instituições moldadas pelo constituinte de 1988, que tratam do sistema político-eleitoral, da estrutura partidária, do financiamento das campanhas eleitorais, apenas para citar os temas mais importantes, posto que genéricos, ou aquelas, bem mais antigas, porém, recepcionadas pelo Constituição vigente, que trazem incrustrados  vícios bem arraigados e incompatíveis com o  momento vivido, atualmente, pela sociedade brasileira.

Indubitável que o Brasil vem experimentado, nas três últimas décadas, uma incrível mudança de paradigmas sócio-políticos, tendo como pano de fundo o repúdio crescente à corrupção da vida pública e, ao lado da sedimentação de uma cultura de cidadania, uma condenação cada vez mais afirmativa das formas clientelísticas que contaminam as atividades político-partidárias, o sistema eleitoral e demais mecanismos de formação, desenvolvimento e atuação, em múltiplos domínios, das instituições do Estado, bem assim, sobretudo, na inarredável tendência contemporânea de superação do paternalismo ainda centrado na velha lógica do perverso olhar da casa-grande em face da senzala ou dos sobrados diante dos mocambos.

Enfim, é a confluência de uma gama de complexos fatores sociais, políticos, econômicos e culturais, tanto internos, eminentemente nacionais, como aqueles de origem externa ditados por uma ordem mundial em constantes e cada vez mais velozes mutações. A própria vivência em bases democráticas e de sobrelevação da cidadania a partir de uma plataforma referenciada a valores éticos, passou a exigir transformações nos sistemas de legitimação política da ordem política, mesmo porque se tornou cada vez mais evidente a desconfiança das pessoas, do chamado homo medius, nas instituições sociais e políticas, tudo agravado pelas constantes descobertas de casos graves de corrupção nas diversas esferas federativas, ademais da insatisfação gerada pela ineficiência de máquinas administrativas emperradas por uma burocracia ineficiente e muito dispendiosa, ainda fortemente marcada pela presença renitente de privilégios nada republicanos, como é o caso de certas vantagens auferidas por algumas castas de servidores públicos e agentes políticos.

Assim, para responder aos grandes desafios colocados pela conjuntura político-institucional brasileira, imprescindível se faz uma reforma política profunda que possa corrigir enormes distorções e erros  albergadas nos sistemas eleitoral e partidário, aliás, verdadeiros aleijões jurídicos a exemplo da possibilidade de celebração de coligações partidárias nas eleições proporcionais que, ao que se afigura, será o primeiro a ser banido  já que o Senado Federal recentemente decretou o seu fim, em dois turno de votação de proposta de emenda constitucional aprovada. Urgente e inadiável, sim, uma reforma, política profunda, verdadeira e que corrija importantes rumos institucionais e políticos.

A propósito, o básico dessas mudanças ocorrerá no Congresso Nacional, com alterações a serem encetadas na própria Constituição, bem assim num cipoal de regras infraconstitucionais (através de leis complementares e ordinárias). A despeito do fundado receio de que a reforma política tão decantada nos meio de comunicação e nas mais diversas tribunas (ela foi um dos pontos fortes do discurso de posse da presidente Dilma) possa repetir fracassos anteriores, percebe-se uma benfazeja e não menos inusitada mobilização em prol de sua efetiva realização, por parte de segmentos importantes da sociedade civil brasileira.

Por isto, vale a aposta para desmentir a lógica proposta por Tancredi Falconeri, personagem mais importante e ambíguo do romance Il Gattopardo, de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, tão a gosto das elites políticas brasileira de ontem e, lastimavelmente, também,  de hoje: tudo deve mudar para que tudo fique como está. “Se vogliamo che tutto rimanga come è, bisogna che tutto cambi.” Que venha a reforma política para mudar ao menos um pouco do tanto que nos incomoda e abusa de nossa paciência cidadã.