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Onde está o perdão?

Artigo 

POR CARLOS SKARLACK 

“Ele voltará a ter misericórdia de nós; sepultará  as nossas iniquidades, e lançará nas profundezas do mar todos os nossos pecados”.

Este texto bíblico, descrito no livro de Miquéias, capítulo 7, versículo 17, é apenas um dos inúmeros da Bíblia Sangrada, que revela o amor de Deus para com cada pecador, ao nível supremo de, por compaixão, perdoar todos os pecados.

E, quando afirma que “Ele voltará”, quer dizer que o mesmo Deus que já se compadeceu antes, o fará outras vezes e terá compaixão uma vez mais. Sempre!

E, quando a Palavra de Deus atesta que “…e lançará nas profundezas do mar todos os nossos pecados”, aproxima-se do pensamento segundo o qual “lançará os pecados no mar do esquecimento para não serem lembrados jamais”.

Igualmente, no livro de Hebreus, capítulo 10 e versículo 17, está escrito: “…e nunca mais Me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades”.

Estas verdades imperiosas da Palavra de Deus sobre o perdão, me ocorrem em face do verdadeiro massacre imposto ao cantor Thalles Roberto, desde que o mesmo fez algumas declarações, infelizes, até posso concordar, em que se coloca em um nível de superioridade sobre os demais artistas da música gospel do Brasil.

Nas mais diversas plataformas da Internet, não são poucos os cantores e outras lideranças do mundo cristão brasileiro que estão trucidando Thalles Roberto.

Porém, se um irmão pecar contra outrem, o que é que Jesus ensinou, ao ser questionado por Pedro? “Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: “Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?” Jesus respondeu: “Eu digo a você: Não até sete, mas até setenta vezes sete”, conforme Mateus, capítulo 18 e versículos 21 e 22.

Conforme avaliação do pastor Hernandes Dias Lopes, “Essa cifra não é literal. Ela aponta setenta vezes o número sete, o número da perfeição. O perdão é ilimitado, pois é dessa forma que Deus nos perdoa”.

Na parábola do credor incompassivo, ainda conforme o mesmo reverendo,Jesus deixou esse fato translúcido. Aquele servo que recebeu um perdão de dez mil talentos não perdoou seu conservo de uma pequena dívida de cem denários.

Dez mil talentos é seiscentas mil vezes mais que cem denários. Aquele que havia recebido um perdão seiscentas mil vezes maior negou-se a perdoar alguém que lhe devia uma dívida seiscentas mil vezes menor.

O rei, então, lhe entregou aos verdugos até que ele “pagasse” a dívida impagável. Um homem precisaria trabalhar cento e cinquenta mil anos para adquirir dez mil talentos recebendo o salário de um denário por dia.

A nossa dívida com Deus é impagável. Por isso, o perdão de Deus é ilimitado.

Todavia, o que é que estamos assistindo, no episódio Thalles Roberto?

Poucos foram os que vieram em socorro público do referido cantor. E, aqui, registro os casos dos cantores e compositores Leonardo Gonçalves e Irmão Lázaro – deputado federa (BA).

Depois de criticar Thalles, Leonardo pediu perdão, publicamente, de forma humilde e deletou sua crítica, revelando que não havia dormindo bem, depois que criticou Thalles Roberto.

Irmão Lázaro, defendeu que os verdadeiros cristãos, orem por Thalles, considerando que ele, possivelmente, esteja vivendo um momento de dificuldade e, talvez, tenha desabafado.

E, o baiano foi mais além, afirmado que no meio gospel conhece cantores que são muito mais arrogantes do que Thalles possa ter sido em suas palavras que abalaram o meio gospel.

Os posicionantes de Leonardo e Irmão Lázaro, são posturas de quem prega e viva o ensinamento de Jesus, segundo o qual ““Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão” como descrito no livro de Mateus, capítulo 18 e verso 35.

Isto posto, é imperioso não esquecer da sentença do educador físico francês, George Hérbet, segundo a qual “Aquele que não consegue perdoar aos outros, destrói a ponte por onde irá passar”.

 

Marina acha golpismo pedir o impeachment de Dilma, mas defende a saída de Cunha Marina

Artigo

Logo pela manhã deste domingo, 2, ao ler a entrevista de Marina Silva, que disputou a presidência da República, em 2014, fiz algumas observações.

Poucas horas depois, leio o conceituado blogueiro da Veja.com, Reinaldo Azevedo, um comentário mais amplo sobre algumas aberrações de Marina.

Opinião do editor desta página:

É incrível a inexistência de foco no discurso da ex-senadora, Marina Silva.

Em entrevista, neste domingo, 2, ao Jornal Folha de São Paulo, ela faz uma verdadeira viagem.

Apenas tenta ser diferente de todos.

Aliás, apenas elogia o ex-presidente FHC.

Diz que é um direito do povo ir para as ruas protestar.

Porém, crítica os políticos que externam apoio ao ato público do dia 16.

Sua grande proposta? Um pacto pelo Brasil…

Também discorre sobre “ciclo virtuoso de crescimento”. E abusa de jargões tipo “o mais do mesmo’.

Chega a defender Dilma, cobrando provas contra a mesma, porém, muda o critério quando se trata de Eduardo Cunha e revela-se favorável ao seu afastamento da presidência da Câmara Federal.

Ela prefere ficar no bem bom.

Silente, mergulhada, fazendo de conta que o país não vive um crise e apenas aguardando o tempo passar para em 2016, aparecer com areas de santidade…

Dessa forma esta senhora nunca será uma liderança nacional, respeitada além de seu ciclo íntimo.

Artigo de Reinaldo Azevedo: 

Marina acha golpismo pedir o impeachment de Dilma, mas defende a saída de Cunha

Marina Silva concedeu uma entrevista à Folha deste domingo. Como de hábito, seu pensamento parece ter atingido o lugar da santidade, só permitido aos mártires. Ela é contra o impeachment de Dilma Rousseff, mas quer o afastamento de Eduardo Cunha. E lamenta, coitadinha!, que tenha de enfrentar tanta incompreensão.

Diz a pensadora, depois de constatar que o país, sob Dilma, sofre perdas econômicas e sociais:
“Não podemos, em hipótese alguma, colocar em xeque o investimento que fizemos na democracia. Você não troca de presidente por discordar dele ou por não estar satisfeito. Se há materialidade dos fatos, não há por que tergiversar. Se não há, o caminho doloroso de respeito à democracia tem que prevalecer.”

Pela ordem:
1: quem está tentando trocar de presidente “só por discordar dela”?:
2: quem está disposto a pôr em xeque o investimento na democracia?;
3: os que pedem a saída de Dilma o fazem apontando “a materialidade dos fatos”.

Marina Silva já leu a Lei 1.079?

E que papo é esse de “caminho doloroso da democracia”? Doloroso, minha senhora, é abrir mão das faculdades que a democracia oferece — entre elas, o impeachment.

E ela prossegue:
“Alguns políticos estão tentando instrumentalizar a crise, em vez de resolvê-la. Na democracia, não se resolve a crise passando por cima do processo constitucional.”

É?

Marina é minha candidata, a partir de agora, a “resolver a crise, em vez de instrumentalizá-la”. E está obrigada a dizer quem está tentando “passar por cima do processo constitucional”. Ela não empregou a palavra “golpistas” para classificar os que defendem o impeachment, mas é o que acha que são: golpistas. Ou merece outra designação quem “passa por cima do processo constitucional”?

Com Eduardo Cunha, no entanto, ela é mais severa. Diz: “Uma vez denunciado, é óbvio que ele deve ser afastado, sem que isso seja um pré-julgamento”. Entendi. Não é pré-julgamento, mas ele tem de sair. Noto que Marina nem mesmo esperaria o Supremo aceitar ou recusar a denúncia: bastaria Rodrigo Janot estalar os dedos.

O mesmo Janot que não demonstrou, até agora, nem coragem nem autonomia para pedir ao menos a abertura de um inquérito contra Dilma, conforme autorizam a Constituição e a jurisprudência do Supremo. E Marina deve pensar o mesmo sobre Renan Calheiros, presidente do Senado. Nota à margem: ainda que o tribunal aceite denúncia contra ambos, não são obrigados a deixar os respectivos cargos.

Dilma deveria demitir Aloizio Mercadante e levar Marina para a Casa Civil. Ela saiu do PT, mas o PT obviamente não saiu dela.

E falta que a líder do ainda inexistente “Rede” aponte uma saída, certo? Sim, ela tem a resposta. Há, segundo disse, dois trilhos:
1: o da investigação, que tem de continuar autônoma…;
2: “o outro trilho é dos rumos da nação”.

Ah, bom! Agora ficou fácil!

Marina acha que, caso se encontrem os “rumos da nação”, o resto está resolvido.

Que bom!

Deve ser a isso que ela chama não ser sem nem situação nem oposição, mas “ter posição”.

Como diz a minha mulher, “dê um problema difícil para Marina, que ela lhe devolve um trocadilho”.

 

Lobo ou cordeiro?

Artigo

POR FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

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Fernando Henrique Cardoso é ex-presidente do Brasil

Passei três semanas de julho na Europa, entre o trabalho (pouco) e o descanso (a que reluto a me entregar). Ainda agora escrevo da Sardenha. Caminhando pelos pequenos portos da ilha, assim como pelos da Córsega, sentindo a placidez que ainda hoje envolve a vida dessa gente, não pude evitar a nostalgia pelo nunca vivido por nós metropolitanos.

Nostalgia e inveja, mesmo sabendo, pela leitura apaixonante de Fernand Braudel, cujo livro sobre o Mediterrâneo carrego comigo, que a placidez atual mal esconde as agitações do passado, quando sarracenos, fenícios, normandos, gregos, romanos e toda gama de diferentes povos lutavam pela conquista do Mare Nostrum.

As marcas de tudo isso estão esculpidas nos fortes, torres e casamatas que se espalham pela região, quando não pelas correntes que fechavam literalmente a entrada do porto de Bonifácio, uma fortificação erguida pelo Papa Bonifácio II, incumbido da defesa da Córsega, no final do século IX.

Naqueles tempos não havia o furor pela informação em tempo real. É verdade que a notícia de um ataque pirata a uma localidade entre Gênova e Split chegava a Nápoles em três horas, graças aos fogos que, nessas ocasiões, encarregados acendiam nas torres ao longo da costa de Portofino. Mas nenhuma informação, por certo, cruzaria rapidamente o Mediterrâneo de Chipre a Gibraltar, muito menos dali à costa brasileira do outro lado do Oceano Atlântico.

Hoje, não passa dia ou noite sem que o celular ou o e-mail perturbe a paz do pretendente ao sossego. Não há notícia, boa ou má, relevante ou não, que as tecnologias atuais e a ansiedade por comunicar “novidades” não façam chegar de imediato a quem deseje ou não dela saber.

Assim, tive minha tranquilidade entrecortada, não pela agitação dos mares, mas pelo lento e contínuo noticiário sobre o desmoronar de muito do que se construiu a partir da Constituição de 1988 no Brasil. A desagregação vem de longe, mas parece ter ricocheteado com mais força no mês de julho. Tornou-se claro para a opinião pública que a crise atual nada tem a ver com a “lá de fora”, e que ultrapassa o ridículo insistir em que a culpa é do FHC.

Tornou-se óbvio que há um acúmulo de crises: de crescimento, de desemprego, de funcionamento institucional, moral, de condução política. Tardiamente, círculos petistas se lembraram de que talvez fosse oportuno conversar com os tucanos… Parece a história do abraço do afogado. Calma, minha gente, há tempo para tudo. Há hora de conversar, hora de agir e hora de rezar.

Na ocasião da viagem que a presidente Dilma e os ex-presidentes fizemos juntos à África do Sul, em dezembro de 2013, para assistir ao funeral de Mandela, disse a todos que a descrença da sociedade no sistema político havia atingido limites perigosos.

Ainda não era possível antecipar o tamanho da crise em gestação, mas não restava dúvida de que o país enfrentaria dificuldades econômicas e que essas seriam ainda maiores se as suas lideranças políticas não dessem resposta ao problema da legitimidade do sistema político.

Disse também que todos nós ali presentes, independentemente do grau maior ou menor de responsabilidade de cada um, deveríamos nos entender e propor ao país um conjunto de reformas para fortalecer as instituições políticas. A sugestão caiu no esquecimento.

Naquela ocasião, como em outras, a resposta do dirigente máximo do PT foi, ora de descaso, ora de reiteração do confronto, pela repetição do refrão autorreferente de que antes dele tudo era pior. Para embasar tal despautério, o mesmo senhor, no afã de iludir, usou e abusou de comparações indevidas.

Mais uma vez agora, sem dizer palavra sobre a crise moral, voltará à cantilena de que a inflação e o desemprego de hoje são menores do que em 2002, omitindo que, naquele ano, a economia sofreu com o medo do que poderia vir a ser o seu governo, um sentimento generalizado que, em benefício do país, meu governo tratou de atenuar com uma transição administrativa que permitiu ao PT assumir o poder em melhores condições para governar. Sobre a crise de hoje, nenhuma palavra…

Perguntado por uma repórter sobre se o ex-presidente Lula me havia enviado emissários para abrir um diálogo, respondi que ele não precisa de intermediários para isso, pois tem meus telefones. E condicionei o eventual encontro: desde que seja para uma discussão de agenda de interesse nacional e pública. Por que isso?

Porque não terá legitimidade qualquer conversa que cheire a conchavo ou, pior, que permita a suspeita de que se deseja evitar a continuidade nas investigações em marcha, ou que seja percebida como uma manobra para desviar a atenção do país do foco principal, a apuração de responsabilidades.

Será que chegou o tempo de rezar pela sorte de alguns setores da vida empresarial e política? Talvez. Mas a hora para agir já não é mais, de imediato, do Congresso e dos partidos, mas, sim, da Justiça. Essa constatação não implica dizer um “não” intransigente ao diálogo.

Decidam a Justiça, o TCU e o Congresso o que decidirem, continuaremos a ter uma Constituição democrática a nos reger e a premência em reinventar nosso futuro. Tomara que as aflições pelas quais passam o PT e seus aliados lhes sirvam de lição e os afastem da arrogância e do contínuo desprezo pelos adversários, até agora tratados como inimigos.

É hora de reconhecerem de público que a política democrática é incompatível com a divisão do país entre “nós” e “eles”. Para dialogar, não adianta se vestir em pele de cordeiro. Fica a impressão de que o lobo quer apenas salvar a própria pele.

Mais ainda, passou da hora de o lulopetismo reconhecer que controlar a inflação e respeitar a Lei de Responsabilidade Fiscal nada têm a ver com neoliberalismo, senão que são condição para que as políticas sociais, tanto as universais como as específicas, possam ter efeitos duráveis.

Em suma, cabe aos donos do poder o mea-culpa de haver suposto sempre serem a única voz legítima a defender o interesse do povo.

UMA REUNIÃO, SEM PAUTA E SEM SOLUÇÕES

Artigo

POR ELVIRO REBOUÇAS 

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Elviro Rebouças é economista e empresário

Faltando apenas quatro dias para o reinício do ano legislativo no (hostil) Congresso Nacional, a Presidente Dilma Rousseff, com uma convocação de última hora, conseguiu agregar nesta última quinta-feira (dia 30 de julho) os Governadores dos Estados, alguns representados. Inicialmente presentes ao Palácio do Planalto, o encontro foi obrigado a ser transferido às pressas, com os participantes atônitos, e sem saber o que tratariam na reunião, para o Palácio da Alvorada, pois aproximadamente dois mil grevistas batucavam e vaiavam sem cessar em frente ao Planalto, mesmo acossados pela guarda presidencial. Dona Dilma Rousseff, acolitada pelo deslocado Vice-Presidente Michel Temer, abriu o encontro, contrafeita e visivelmente abatida, merecendo até compaixão de todos os presentes, correligionários e adversários. Segundo a grande imprensa nacional, não havia pauta estabelecida, a nossa Presidente clamou pelo apoio à governabilidade, mencionou a necessidade de ter os apoios dos parlamentares federais ligados aos governadores presentes, para poder atravessar o dificílimo momento nacional, com uma possível pauta bomba no reinício do Congresso, solicitando corte de despesas em todos os níveis. Segundo o jornal O Estado de São Paulo (edição de 31 de julho) houve um vácuo durante a sessão, quase ninguém entendendo as razões do chamamento, já que de concreto nada foi estabelecido, a não ser a fotografia da Presidente, Vice e Governadores, assim mesmo sem alegria ou sorrisos naturais a tais ocasiões. Não houve promessa nem de obras, ou melhoria de segurança pública, da saúde, da educação, enfim nada que viesse a minorar a angústia dos aflitos governantes presentes, todos com cofres vazios e problemas em cada estado para serem resolvidos já há bastante tempo, e nada. Quatro horas de conversa para nada, foi outro gol contra da Presidente, era o comentário ouvido dos governadores ligados ao PT e PMDB.

De Selic a conta de luz, o que encarece o crédito ao consumidor

A elevação da taxa básica de juros, a Selic, que passou agora para 14,25% ao ano, é um dos fatores que têm feito o crédito ao consumidor ficar mais caro nos últimos meses. Mas não é o único. Segundo economistas, cinco componentes influenciam o custo dos empréstimos e financiamentos: impostos, despesas operacionais, risco de inadimplência, margem de lucro dos bancos e, claro, a própria taxa Selic. Tomar dinheiro emprestado tem ficado cada vez mais caro, porque todos esses itens estão em tendência de alta.

Superávit primário do Brasil tem pior semestre da série histórica

Por causa dos gastos públicos que não param de crescer e da recessão econômica que fez minguar a arrecadação de impostos, o Estado brasileiro teve o pior resultado das contas públicas no primeiro semestre já visto. União, estados, municípios e empresas estatais economizaram apenas R$ 16,2 bilhões para pagar juros da dívida pública nos seis primeiros meses deste ano. Foi o desempenho mais baixo desde quando o Banco Central (BC) passou a registrar os dados em 2001. O resultado das contas públicas só ficou no azul (ou seja, houve superávit primário) porque os governos regionais conseguiram poupar, já que a União gastou muito mais do que arrecadou. O dado de junho também foi o pior da série histórica e ficou no vermelho, com déficit de R$ 9,3 bilhões.

De acordo com o BC, a União teve um déficit primário de R$ 1,9 bilhão no semestre. Por outro lado, estados e municípios economizaram R$ 19,3 bilhões no período. Já as empresas estatais tiveram desempenho negativo de R$ 1,2 bilhão. O PIB de 2015 deverá cair 2%, aproximadamente.

EM 12 MESES, DÉFICIT DE R$ 45 BI

Na quinta-feira, foi anunciado o dado referente ao governo central (formado por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), que registrou no período de janeiro a junho de 2015 um déficit primário de R$ 1,597 bilhão. Foi a primeira vez que o governo central teve resultado negativo no primeiro semestre de um ano. No mês de junho, o déficit chegou a R$ 8,205 bilhões. E, pelo segundo mês seguido, a equipe econômica não conseguiu poupar nenhum centavo para o pagamento de juros da dívida pública. O resultado de junho foi o pior da série histórica do Tesouro, iniciada em 1997.

Por causa dos sucessivos déficits no ano passado, o resultado das contas públicas nos últimos 12 meses é de déficit primário de R$ 45,7 bilhões. Isso corresponde a 0,8% do PIB. É o pior desempenho da série iniciada em 2001.

Esse descontrole de gastos públicos é ainda pior num cenário de alta de juros. O Brasil gastou nada menos que R$ 417 bilhões somente em juros da dívida pública nos últimos 12 meses. Isso corresponde a 7,32% do PIB: outro recorde. Por causa dessa despesa com encargos da dívida pública, faltaram R$ 462,7 bilhões para fechar as contas. Esse déficit nominal (de 8,12% do PIB) também é o pior da história.

Renato Duque ameaça tirar o PT de sua ficção

Se Lula e o PT tivessem acordado nessa época, tomando outro rumo, Renato Duque não lhes tiraria o sono agora

POR JOSIAS DE SOUZA 

Logo que explodiu a Lava Jato, o PT criou para si um Brasil alternativo. Um país fictício em que nada acontecera. Escaldados com o fracasso do discurso de que o mensalão não passara de caixa dois, dirigentes do partido e Lula propuseram e aceitaram a tese de que as propinas do petrolão eram doações legais, que o partido não tinha nada a explicar e que o assunto estava encerrado. Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, ameaça implodir essa ficção.

Caciques do PT e auxiliares petistas de Dilma Rousseff vivem a síndrome do que está por vir se o juiz da Lava Jato, Sérgio Moro, homologar o acordo de delação premiada que Duque alinhavou, ponto por ponto, com procuradores. O que mais inquieta o petismo é a sensação de que Duque, um delator tardio, terá de se aprofundar nas podridões para se credenciar às recompensas judiciais. A essa altura, com mais de duas dezenas de delatores, os investigadores já podem se dar ao privilégio de dispensar confissões rasas —dessas que uma formiga atravessa com água pelas canelas.

Desde que foi levado ao microondas pelo ex-diretor de Abastecimento Paulo Robeto Costa, como o homem dos “3% para o PT”, Renato Duque fazia o tipo durão. Foi amolecido pelo sítio das delações alheias e pela prisão longeva —foi em cana no dia 14 de novembro de 2014. Encanta-se com a possibilidade de ganhar uma tornozeleira eletrônica e migrar de um xilindró de oito meses e meio para uma prisão domiciliar. Para que isso ocorra, Duque terá de arrancar o PT da fantasia do dinheiro sujo lavado na Justiça Eleitoral.

Renato Duque empregou-se na Petrobras como engenheiro, em 1978. Virou diretor em 2003, no alvorecer da Era Lula. Os 25 nos de casa não lhe bastaram. Para subir do escalão gerencial para a diretoria, precisou do velho e bom apadrinhamento político. Bancou-o José Dirceu, nessa época o todo-poderoso chefe da Casa Civil de Lula.

Quem cuidou dos detalhes foi Silvio Pereira, então secretário-geral do PT. O mesmo Silvinho que, em 2004, ganharia de um fornecedor da Petrobras uma Land Rover. Pilhado em 2005 na direção do carro-propina, o companheiro virou réu no processo do mensalão. Num acordo com o Ministério Público, trocou o risco de condenação por mais de 700 horas de serviços comunitários. Se Lula e o PT tivessem acordado nessa época, tomando outro rumo, Renato Duque não lhes tiraria o sono agora.

Bomba caseira no Instituto Lula?

Quem terá jogado?

POR REINALDO AZEVEDO

Há um buraco na porta da garagem do Instituto Lula. A direção diz que foi provocada por uma bomba caseira, atirada de um carro, por volta das 22h, contra o prédio. Celso Marcondes, diretor da entidade, disse tratar-se de um “ataque político”. O instituto comunicou o corrido às Polícias Civil e Militar, à Secretaria de Segurança Pública e ao Ministério da Justiça. Como se dizia antigamente, só faltaram as autoridades eclesiásticas na lista… As civis e militares estão aí.

Comecemos do começo: foi coisa de delinquente, sim, de bandido. É a única certeza que dá para ter.

As certezas começam a diminuir quando a gente especula a natureza do bandido.

Aí pode ser um monte de coisa.

Celso Marcondes diz ter a certeza de ser um “ataque político”. Por que ele afirma isso antes da investigação? Porque, para a, digamos, metafísica petista, a suposição é útil. Afinal, os companheiros inventaram a tese de que o “antipetismo é igual ao nazismo” — afirmação que é, antes de mais nada, um crime moral.

Quem faria uma besteira dessas?

No dia 15 de março, entre 1 milhão e 2,5 milhões de críticos do PT foram às ruas, e não se registrou nenhum ato de violência contra o patrimônio público ou privado ou contra símbolos do poder vigente. Nada!

A quem interessariam hoje a violência, a luta campal, os ataques covardes? Com absoluta certeza, não àqueles que se opõem ao statu quo.

“Está sugerindo que isso é coisa dos próprios petistas?” Não estou sugerindo nada. Quando quero sugerir, não sugiro, afirmo. E eu estou afirmando que Celso Marcondes deve ser mais prudente.

Esse pessoal tem de aprender uma coisa de uma vez por todas: a luta para pôr fim às mazelas do país — e isso supõe, sim, o PT fora do poder, condição necessária, mas não suficiente — é democrática, pacífica e repudia crimes de qualquer natureza.

Qualquer ação fora dos parâmetros da civilizada só interessa àqueles que fazem da incivilidade, inclusive o roubo, um método.

Luiz Carlos joga discrição na latrina durante interinidade e sinaliza com rompimento com o prefeito

Francisco José Júnior reassume a Prefeitura de Mossoró sem muita condição de manter aliança político-administrativa com vice-prefeito 

Luiz Carlos surpreende com alguns atos e atitudes durante interinidade – Foto: Assessoria

O Velho Apache Antenado ficou meio que bestificado diante de alguns movimentos do vice-prefeito de Mossoró, Luiz Carlos de Mendonça Martins (PT), durante o período de interinidade na chefia do Poder Executivo.

Um exemplo foi um ato comandado nesta quinta-feira, 30, em que Luiz Carlos, empossou um chamado grupo de trabalho que vai elaborar e executar o orçamento democrático.

O ato foi realizada nesta quinta-feira, 30, no auditório da Estação das Artes Elizeu Ventania.

No texto oficial encaminhado pela assessoria da Prefeitura de Mossoró, está grifado que o “objetivo é contar com a participação popular na formulação de projetos orçamentários”.

Como do grupo empossado não consta o nome do prefeito do município, urge um questionamento: o chefe do Poder Executivo, Francisco José Júnior, não terá direito a assento neste colegiado?

Isto posto, ao prefeito que reassume o cargo, nesta sexta-feira, só restará desfazer este grupo ou assistir ao vice-prefeito comandar, com outros segmentos, a formatação do orçamento do Poder Executivo para 2016.

E, a surpresa maior decorre da postura pretérita do vice-prefeito, então, sempre discreta, ética.

Todavia, parece ao assumir a chefia do Executivo, pela segunda vez, Luiz Carlos foi contaminado pela mosca azul. E se deixou contaminar pelo poder.

Por algumas atitudes e, até, por atos adotados durante sua interinidade, o vice-prefeito Luiz Carlos de Mendonça Martins, lega reduzidas opções ao prefeito Francisco José Júnior, sendo a principal, a do rompimento político-administrativo.

Dilma é um retrato na parede

Grande verdade

POR RICARDO NOBLAT

Além de uma fotografia, o que restará, logo mais, do encontro no Palácio do Planalto da presidente Dilma Rousseff com os governadores de Estado?

Os governadores dependem da boa vontade do governo federal para governar com mais ou menos dinheiro.

Em momentos de aperto, como é o caso, o presidente precisa passar ao país a impressão de que politicamente ainda é forte.

Isso pode funcionar quando há espaço para a dúvida em relação à fortaleza ou à fraqueza do presidente. Não é o caso.

A popularidade da presidente compete, hoje, com a taxa de inflação. Na verdade, perde para a taxa.

Lembra da pesquisa que apontou a avaliação positiva de Dilma na casa dos 7,7%? Esqueça. Já diminuiu. A inflação aumentou. Para quase 10% ao ano.

Há governadores que não gostariam de ser vistos a essa altura na companhia de uma presidente tão rejeitada. Estão constrangidos.

Mas não se pode rejeitar um convite presidencial. Por mais que o presidente esteja abaixo do volume morto.

Os governadores voltarão aos seus Estados do mesmo jeito que chegaram a Brasília – de bolsos vazios.

Terão servido de figurantes para o brilho fugaz de uma presidente que mal se segura de pé.

É possível que ela não se perceba assim. Mas é assim que é.

A MAIS VIL PROFISSÃO

“O lisonjeador de preço baixo, aquele que agrada ou tenta agradar para obtenção de favores…”

POR GIVANILDO SILVA 

Grande engano pensar que a bajulação substitui o talento. O puxa-saco não passa de um interesseiro que se agarra à adulação, exatamente pela ausência de competência.

É inseguro e não merece confiança.Vassalo, súdito do soberano de plantão. Desprovido de moral e extremamente malicioso. Desleal, fingido, abastecido de cinismo, mas ainda encontra espaço, apesar da evidente inépcia e da frouxidão de caráter, da fraqueza de índole.

O lisonjeador de preço baixo, aquele que agrada ou tenta agradar para obtenção de favores, privilégios, não passa de um sem-vergonha. E mais descarado, inescrupuloso é quem deixa-se presentar por essa gente desprezível.

Dilma Rousseff cutuca o asfalto com vara curta 214 Josias de Souza

Artigo

POR JOSIAS DE SOUZA

Dilma Rousseff exibirá sua imagem estilhaçada numa rede nacional de tevê em pleno horário nobre. Aparecerá no programa de um PT levado no embrulho da onda de impopularidade. Sob a direção do marqueteiro João Santana, ela silenciará sobre a Lava Jato e sustentará que a crise econômica é momentânea e que o país logo voltará a crescer. Ainda não se deu conta. Mas cutuca a paciência coletiva com vara curta.

Depois de estrelar sete meses de um segundo mandato caótico, Dilma fará pose de otimista na noite de 6 de agosto, antessala do protesto que as redes sociais convocam contra o seu governo para o dia 16. Não são negligenciáveis as chances de o programa do PT, que terá Lula como ator coadjuvante, ir ao ar ao som de panelas —um veneno que já começou a ser instilado na web. Com taxa de aprovação variando entre 7,7% e 10%, conforme o instituto de pesquisa, Dilma tornou-se um convite ao protesto.

O mais irônico é que o oco da presidente e do partido dela está sendo preenchido pelo mesmo marqueteiro que ajudou a fabricar o enredo ficcional da última campanha presidencial. Hoje, todos os discursos estão vencidos, inclusive o de João Santana.

Nas pegadas da célebre jornada de junho de 2013, o marqueteiro do PT analisou os efeitos do ronco das ruas sobre a imagem de Dilma numa conversa com o repórter Luiz Maklouf Carvalho. Sustentou a tese segundo a qual a encrenca não tinha nada a ver com a presidente, uma pessoa “honesta” e com “comando”, que estava “gerindo bem” o governo.

João Santana transbordava confiança. Confiava no próprio taco e também na ineficiência dos adversários. “A Dilma vai ganhar no primeiro turno, em 2014, porque ocorrerá uma antropofagia de anões. Eles vão se comer, lá embaixo, e ela, sobranceira, vai planar no Olimpo.”

Os “anões” não eram canibais. Aécio Neves foi ao segundo turno. E arrastou Marina Silva para o seu córner. Dilma combateou-os a golpes de marketing. Prevaleceu sobre o rival tucano no segundo round. E não foi por nocaute. Saiu do ringue menor do que entrou. Desconstruiu os adversários sem se preocupar com a autoconstrução. Depois da posse, aderiu ao receituário do rival.

Hoje, o “olimpo” está situado no chão. Nas alturas, apenas a inflação, os juros e a impaciência alheia. A “honestidade” esbarra nas arcas eleitorais apinhadas de verbas sujas. A boa gestão é apenas um outro nome para a inépcia. Um tucano assumiu a economia. O PMDB se divide entre a coordenação política e a oposição.

Parte das ruas já grita ‘impeachment’. E tudo o que Dilma e o PT têm a oferecer é um pouco mais de João Santana.

Fonte: www.uol.com.br