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Perplexidade em Brasília

A casa continua caindo

Por Gerson Camaroti 
Um clima de perplexidade tomou conta do mundo político em Brasília com a nova etapa da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Parlamentares da base aliada estão preocupados com o que consideram um avanço rápido das investigações em cima dos corruptores – os executivos de grandes empreiteiras.

No Palácio do Planalto o ambiente é de preocupação. Apesar da ressalva de assessores do governo de que pessoalmente a presidente Dilma Rousseff está blindada, há o reconhecimento interno de que o aprofundamento das investigações vai criar uma crise política sem precedentes, além de fragilizar a imagem da Petrobras, a maior estatal do país.

Um integrante do governo reconhece, porém, que apesar da blindagem de Dilma, a gestão da estatal durante o período do governo Lula já está atingida. Assessores mais próximos da presidente já defendem internamente que é preciso fazer um discurso preventivo para mostrar que Dilma iniciou mudanças na estatal, com demissão dos ex-diretores. E que, por isso, é preciso estabelecer uma separação entre as administrações da Petrobras no período Lula e no período Dilma.

Se aliados estão em pânico, no PT a situação consegue ser pior, com a prisão do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, ligado diretamente ao partido. Quando foi nomeado para a Diretoria de Serviços da estatal, em 2004, o padrinho político dele era conhecido por todos no Palácio do Planalto: o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que depois foi condenado no processo do mensalão.

O dúvida no PT é sobre a capacidade de resistência de Duque dentro da prisão. No partido, todos citam que a resistência do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa foi enorme. Mas que fragilizado psicologicamente depois de meses de prisão num regime rígido, acabou entregando todo mundo. O mesmo aconteceu com o doleiro Alberto Youssef.

Advogados de políticos estão sendo consultados pelos clientes desde que foi noticiada a operação da PF no início da manhã desta sexta (14). Senadores e deputados de partidos aliados foram surpreendidos com a prisão dos diretores e executivos das empreiteiras fornecedoras da Petrobras. Muitos desses executivos têm relação de proximidade com políticos já citados nas delações premiadas.

“Todo mundo está querendo entender a extensão dessa investigação. Ninguém imaginava uma operação dessa dimensão da Polícia Federal. Tudo está andando numa velocidade muito maior do que foi no escândalo do mensalão. Muito em breve, a operação vai atingir a classe política. Já é a maior crise política depois do impeachment de Collor”, avaliou um senador da base aliada, para em seguida completar: “E esse ambiente irá contaminar definitivamente o governo Dilma”.

Fonte: G1

Ladrões nativos não conseguem impedir que roubalheira na Petrobras seja investigada nos EUA e na Holanda…

É um vexame internacional! Ou: o estranho tempo da CGU

Por Reinaldo Azevedo

Que coisa! Muito ágil a Controladoria-Geral da União, não é mesmo? Vamos ver. Como vocês sabem, o Ministério Público da Holanda anunciou, nesta quarta-feira, que a empresa SBM Offshore foi multada em US$ 240 milhões por ter pagado US$ 200 milhões em propina para obter contratos em vários países, entre 2007 e 2011. O Brasil, claro!, está entre eles. A SBM é a maior fornecedora mundial de plataformas de petróleo e mantém contratos com a Petrobras que chegam a US$ 27 bilhões. A empresa confessou os seus crimes mundo afora, inclusive em nosso país: pagou suborno a funcionários e intermediários da Petrobras estimados em US$ 139 milhões. Atenção! Não se trata mais de suspeita. É um fato. O criminoso confessou.

O vexame é gigantesco. O caso foi denunciado pela VEJA em fevereiro. Em março, a Petrobras concluiu uma apuração interna, em tempo recorde, e, acreditem!, não viu nada de errado. Nesta quarta, horas depois de o Ministério Público da Holanda ter anunciado a punição da SBM, eis que o ministro Jorge Hage vem a público para informar que a Controladoria-Geral da União também constatou irregularidades. É mesmo?

Não quero maldar! Mas acho a coincidência, para dizer pouco, estranha. O caso de corrupção só veio a público porque um ex-funcionário a SBM tentou chantagear a empresa em 3 milhões de euros para não contar o que sabia. Ela não aceitou, e o escândalo veio à luz, com uma penca de evidências. A Petrobras, no entanto, não encontrou nada de errado. Não me digam!

“Sem dúvida houve irregularidade no relacionamento entre a SBM e seus representantes no Brasil e a Petrobras”, afirma Hage. A empresa — leiam aqui — já afirmou que está disposta a colaborar com as investigações e se dispõe a fornecer informações à Controladoria.

Tchau, Graça!
Graça Foster, a presidente da Petrobras, tem um mal semelhante ao de sua chefe e amiga, a Dilma: como está com o ar sempre enfezado, passa a impressão de que sempre tem razão ou de que pensa mais do que… pensa. Em maio, esta senhora negou que houvesse qualquer irregularidade na relação com a SBM e ainda lembrou que há contratos oriundos da era FHC. Ora, claro que sim! A empresa é a maior do setor. O ponto é outro: a corrupção admitida pela empresa se deu entre 2007 e 2011, quando o petista José Sérgio Gabrielli presidia a Petrobras.

O ar de severidade de Graça não me intimida. Ela deveria ter deixado a direção da empresa quando ficou claro que participara de uma conspirata para fraudar o funcionamento normal de uma CPI. Há agora mais um motivo — um escandaloso motivo.

Terceirizar o Brasil
Nessa toada, o nosso país ainda será salvo — ou, ao menos, conseguirá se livrar de certos problemas — em razão das leis vigentes em outras democracias. Foi preciso que a Price ameaçasse suspender a análise de balanço da Transpetro para que Sérgio Machado se afastasse da presidência da subsidiária da Petrobras. A estatal brasileira está sendo investigada hoje pelo órgão americano que regula as empresas que atuam em Bolsa nos EUA e por uma divisão do Departamento de Justiça. Se assarem pizza por aqui, ela não será assada por lá.

Agora, vemos a Holanda punindo uma empresa holandesa em razão de relações corruptas mantidas mundo agora, inclusive no Brasil. E só então a CGU anuncia que a investigação está chegando a algum lugar.

Será que é o caso de terceirizar o Brasil? Isso tudo explica por que tropa de choque do governo faz de tudo para sabotar a CPI, como voltou a fazer nesta quarta. O nome disso é medo.

Fonte: www.veja.com.br

Sistema político brasileiro apresenta situação intolerável e que precisa ser urgentemente mudada

Magistrado avalia que não é necessário quaisquer atributos e formação de propostas concretas para aquisição e exercício de mandato 

Por Herval Sampaio Júnior

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Herval Sampaio Júnior é juiz de Direito – Foto: iPad Skarlack (Arquivo)

A desnecessidade de quaisquer atributos e formulação de propostas concretas para aquisição e exercício de mandato no sistema político brasileiro: uma situação intolerável e que precisa ser urgentemente mudada

Nesse meu período de convalescença assisti a um filme interessante intitulado “As aparências enganam” que retrata justamente o fato de que dentro do sistema político norte americano, uma mulher muito conceituada sobre o aspecto técnico, com plano de governo devidamente estabelecido, fazendo campanhas com propostas concretas nunca conseguiu se eleger para o Congresso Nacional.

Então diante de tal situação, resolveu apostar na possibilidade de eleger uma pessoa simples que almejava ser representante de vendas e que não tinha nenhuma experiência política, somente apostando nos atributos físicos e que poderia moldá-lo junto ao eleitorado com o objetivo de alcançar sua eleição, desafiando o próprio sistema de representação política propriamente dita e principalmente das qualidades de uma pessoa que pudesse vir a ser congressista.

O referido filme retrata ao longo de sua passagem, como o próprio título intitula “As aparências enganam”, pois aquele jovem conseguiu justamente levar a sua mensagem ao público, mostrando uma habilidade até então não percebida, mesmo não obtendo êxito junto à eleição por uma pequena diferença, destacou-se durante o filme justamente porque as aparências realmente enganam, mas o que tem haver este filme e o título com o objetivo de nosso texto no presente momento abordando sobre o sistema político brasileiro?

Se pudesse também ocorrer gratas surpresas, mesmo que pequenas com relação a pessoas que não tem pelo menos a primeira vista condições adequadas de exercer um cargo junto ao congresso, ou seja, ser um político, mas não um político profissional, mas um político que tenha justamente o que mais o político precisa ter que é a arte de fazer o bem, a arte de ajudar a coletividade, sem satisfação de interesses pessoais.

Para nós o interessante é destacar como o sistema político brasileiro, ou melhor, o próprio esquema de politicagem brasileira, como a gente ousa dizer que atualmente se encontra o nosso sistema político, ressaltando a

possibilidade de qualquer pessoa se eleger a qualquer cargo, mesmo tendo consciência de que estamos a exagerar um pouco, pois talvez com relação aos cargos mais altos tenhamos algumas dificuldades, como por exemplo: os casos de Governador e Presidente da república, mas não temos a menor dúvida de que os cargos que envolvem o legislativo, até mesmo o de Senador, pode ser ocupado, dependendo de quem esteja por trás de uma dada campanha e foi isso que em um primeiro momento a sinopse do filme nos chamou a atenção, eleger um total desconhecido, sem nenhuma história política, sem nenhuma história de ajuda a coletividade, sem nenhuma história de participação política propriamente dita ou seja, participação não com exercício de mandato, mas participação ao nível de ajudar a sociedade, participar de lutas sociais, participação de movimentos sociais, enfim envolvimento na arte de fazer bem a comunidade na qual está inserido.

Será que é possível eleger no atual sistema político brasileiro uma pessoa que não tenha qualquer desses adjetivos, ou seja, sem nenhuma qualidade propriamente dita, sem nenhuma experiência de servir ao bem comum, ora, eu queria responder não a esta afirmativa, mas não tenho a menor dúvida de que no cenário atual é mais do que possível, na realidade provável que dependendo de quem esteja por trás daquela postulação, qualquer pessoa possa ser eleita, e a ultima eleição demonstrou isso claramente, onde a força do poder econômico, a força dos grandes doadores, na realidade investidores, mudou totalmente a dinâmica do nosso Congresso Nacional, a troco de quê?

Não tivemos a mesma representação de outrora, por exemplo: nenhum índio obteve qualquer tipo de mandato, na realidade há muito tempo não acontece isso, poucas mulheres conseguiram obter, várias camadas da população não obtiveram a sua devida representação, a maioria das pessoas que vão ocupar a partir do próximo ano o Congresso Nacional, são pessoas que foram financiadas justamente por várias empresas, sabe-se lá com que interesse.

É muito triste de ver que nosso sistema – sob o lado formal como a Constituição assegura uma efetiva democracia com o poder que deveria ser realmente do povo = fica vulnerável a interferência do abuso de poder de forma geral e possibilita com que as pessoas se elejam, não pelas suas qualidades, não pelas suas propostas, não pela sua experiência, não pela sua

possibilidade de se estabelecer um plano de governo, de se estabelecer um plano de metas, de se ter durante o período de mandato uma feição de fiscalização da coisa pública, ora, se elege pessoas que vão defender interesses espúrios e que buscarão no exercício do mandato instrumentos de manutenção do poder pelo poder.

Portanto, infelizmente não temos a menor dúvida em afirmar que o atual sistema político precisa ser drasticamente alterado e possamos realmente eleger pessoas que tenham as qualidades e predicados necessários para o exercício dos domínios públicos, e que essa interferência do poder econômico, político, midiático deixe de ser o móvel central para conduzir as pessoas para o exercício do cargo público e a gente possa obter uma efetiva representação de todos os segmentos de nossa sociedade, e aí sim poderemos ter a esperança de que esse país avance em todos os níveis, principalmente o avanço econômico, o avanço social, o avanço de bem estar da população brasileira, nunca dependendo justamente do Estado, dependendo dessa política assistencialista, dessa busca de satisfação pessoal e individual que não mais contenta um país que procura ser, no âmbito do cenário internacional, um país de primeiro mundo.

Nunca seremos um país de primeiro mundo, enquanto nossos eleitores não tiverem a consciência que as pessoas que devem ser eleitas por suas qualidades, suas propostas, pelos seus objetivos de lutar para a satisfação social, e é com esses objetivos que escrevemos esse texto com a perspectiva, e a esperança de que, quem sabe no ano de 2015, possamos ter uma verdadeira e efetiva reforma do sistema político.

É a nossa esperança, como brasileiro, como patriota que somos apaixonados pelo nosso país, podemos sim nos juntar e mudarmos essa triste realidade do Brasil, que de uma vez por todas precisa pelo menos transformar a corrupção eleitoral em exceção, pois hodiernamente não tenho o menor receio de afirmar que é a regra geral e o pior é tido pelo povo como algo normal e já ínsito em nossa cultura e isso sinceramente não vou aceitar nunca, por isso serei, enquanto não houver mudança substancial, um cidadão indignado com todo esse cenário de desvio de dinheiro público para satisfação de interesses pessoais e manutenção do poder pelo poder. Vamos acreditar pessoal na nossa força enquanto povo e cobrarmos urgentemente dos políticos a reforma de nosso sistema político!

Marta Suplicy disse em público que o governo Dilma está nu

Demissão da ministra da Cultura mostra o PT fracionado

2015 será o pior ano do partido desde sua chegada ao poder

Petistas estão sem rumo para alinhar a sucessão de 2018

Aaron Cadena Ovalle/Efe - 9.set.2014

Por Fernando Rodrigues 

Desde a chegada de Luiz Inácio Lula da Silva ao Palácio do Planalto, em 1º.jan.2003, nunca um ministro do PT saiu da cadeira chutando tantas portas como Marta Suplicy, que entregou sua carta de demissão nesta terça-feira (11.nov.2014).

No trecho mais explosivo de sua carta, Marta escreveu: “Todos nós, brasileiros, desejamos, neste momento, que a senhora [Dilma Rousseff] seja iluminada ao escolher sua nova equipe de trabalho, a começar por uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo e que, acima de tudo, esteja comprometida com uma nova agenda de estabilidade e crescimento para o nosso país”.

Como é senadora pelo PT de São Paulo, Marta terá pela frente mais 4 anos de mandato para azucrinar a vida do Palácio do Planalto.

Quem olha de fora e não acompanha política poderá dizer: “Qual é a importância política da saída da ministra da Cultura? Nenhuma”. É um erro pensar dessa forma e minimizar esse fato. Trata-se do sinal mais relevante e eloquente desta fase pós-eleitoral. A saída de Marta sintetiza a seguinte conjuntura:

1) PT fracionado: o partido da presidente da República tem várias alas insatisfeitas a respeito da forma como o governo vem sendo tocado. Marta representa uma dessas facções, de tamanho não desprezível: ela foi eleita senadora em 2010 com8.314.027 votos.

Marta raramente esteve à vontade para conversar sobre política com Dilma. É verdade que a agora ex-ministra da Cultura cometeu um erro tático ao defender em público, no primeiro semestre deste ano, a volta de Luiz Inácio Lula da Silva.

Só que Dilma venceu a eleição. O que teria custado ter uma atitude magnânima e chamar os petistas que viraram o nariz para ela durante a campanha? Ocorre que a presidente reeleita preferiu se isolar ainda mais após a vitória. Apesar do discurso protocolar de governar com e para todos, sua atitude exalou um recado diferente: “Os incomodados que se retirem”.

Quem governa com o fígado acaba tornando os problemas maiores do que já são. Dilma pode odiar Marta Suplicy. Faz parte. Mas a ministra demissionária pertence ao PT e agora será por muito tempo uma voz discordante no Senado –o Palácio do Planalto poderia ter evitado esse desfecho, mas deixou tudo correr solto.

Como consequência, em 2015, o PT começará seu pior ano (em termos de coesão interna) desde a chegada ao poder, há 12 anos;

2) 2018 em aberto: tudo o que um presidente da República não precisa é começar um novo mandato com a sua sucessão completamente em aberto. Hoje, no PT, não há o menor consenso a respeito de quem poderia ser o nome para disputar o Planalto em 2018. Pior do que isso. Começam a aparecer teses como a do governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), que sugere uma frente de esquerda escolhendo um candidato presidencial não necessariamente petista.

Nesse ambiente, o partido gastará energia numa disputa interna fratricida em prejuízo do segundo mandato de Dilma Rousseff;

3) Base aliada desarranjada: o PT é o maior partido da Câmara a partir de 2015, mas terá apenas 69 deputados –só 3 a mais do que os 66 do PMDB. Um peemedebista, Eduardo Cunha (RJ), é hoje o candidato mais forte a presidir a Câmara, mesmo sendo um desafeto de Dilma Rousseff.

Em fevereiro de 2015, Dilma terá de enfrentar um cenário que combinará a) uma economia ainda anêmica (ou em recessão) e b) a chegada oficial ao Congresso de todas as acusações contra políticos aliados do governo no escândalo da Petrobras.

Como Dilma Rousseff poderia contornar todo esse cenário adverso? No curto prazo, terá de “obedecer” Marta Suplicy e nomear “uma equipe econômica independente, experiente e comprovada, que resgate a confiança e credibilidade ao seu governo”. Só que o efeito psicológico inicial será diluído ao longo do tempo. Não haverá consequência prática a ser sentida pelos brasileiros, que continuarão a viver num clima de crescimento medíocre da economia (ou até de recessão).

No fundo, resta a Dilma Rousseff torcer para que o país retorne rapidamente a uma rota de crescimento mais acelerado –pois aí terá sua popularidade resgatada e o apoio político no Congresso então se materializa por decantação.

Ocorre que esse cenário mais tranquilo para Dilma só existe nas análises edulcoradas de alguns governistas.

A verdade é a que Marta Suplicy deixou explícita em sua carta: mostrou que o governo de Dilma Rousseff está nu neste momento.

Fonte: Blog de Fernando Rodrigues – UOL

Depoimento de Youssef deixa claro que existiam vasos comunicantes entre mensalão e petrolão

Mais: a coisa assume dimensões de máfia mesmo. Quem é o “capo di tutti i capi”?

Por Reinaldo Azevedo

Dia desses, quem deitava falação num grande veículo da imprensa brasileira? Ele: Henrique Pizzolato. Para quê? Ora, para sustentar que o mensalão não existiu. Condenado a 12 anos e sete meses por peculato, que é roubo de dinheiro público, corrupção passiva e lavagem de dinheiro; foragido da Justiça brasileira; processado por ter entrado na Itália com documentos falsos, a palavra lhe foi franqueada para que desancasse a Justiça brasileira e as oposições, para cantar as glórias de Lula e do petismo e para bater no peito e jurar inocência. Logo, daremos a Marcola, o chefão do PCC, o direito ao “outro lado”. E vamos dar a outra face ao capeta. Tenham paciência!

Por que essa introdução? Porque não é só Pizzolato que jura que o mensalão não existiu. Repetem essa mesma ladainha Lula, a cúpula do PT e alguns colunistas que só não estão de joelhos porque é uma posição desconfortável para lamber os sapatos do petismo. Pois bem: algo importante se deu na 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná nesta segunda. Alberto Youssef, o doleiro enroscado na operação Lava Jato, não apenas confirmou a existência do mensalão — ninguém precisava dele para isso; é claro que existiu! — como demonstrou os vasos comunicantes entre aquele escândalo e o petrolão.

Atenção! Youssef já aparecia no escândalo do mensalão. Isso não é o novo. O depoimento desta segunda, diga-se, prestado ao juiz Sérgio Moro e ao procurador da República Roberson Pozzobon, é parte da ação penal em que o doleiro é acusado de ter lavado a origem ilícita de R$ 1,16 milhão recebido pelo então deputado José Janene (PP), já morto, no âmbito do mensalão.

O doleiro deixou claro que administrava com Janene uma espécie de conta conjunta. O dinheiro era distribuído, segundo ele, a “agentes públicos e políticos”, por orientação do deputado. Para tanto, usava um outro doleiro, Carlos Habib. Até aí muito bem. Prestem atenção agora ao ponto que interessa. O juiz Moro perguntou a Youssef qual era a origem do dinheiro. E ele respondeu: “Comissionamento de empreiteiras”. O juiz insistiu: “Decorrente de contratos com a administração pública em geral, propinas?”. E o homem confirmou: “Sim, senhor, excelência”.

Confirma-se, assim, aquilo de que sempre se suspeitou. Tudo o que ficamos sabendo do mensalão foi, para usar um clichê que eu detesto, mas que se faz inevitável, a ponta do iceberg; conhecemos, na verdade, apenas uma das cabeças da hidra. Como se percebe pelo depoimento de Youssef, o desvio do Fundo Visanet, do Banco do Brasil — da ordem R$ 76 milhões — não foi a única grana pública movimentada pelo mensalão.

Os dois esquemas de ladroagem tinham vasos comunicantes. O mais impressionante é que, enquanto uma das cabeças do monstro estava sob escrutínio, as outras operavam a todo vapor. Esse depoimento de Youssef é mais sério e importante do que parece. Sim, o mensalão existiu — e disso nós sabíamos. Existiu e movimentou mais dinheiro público do que estávamos informados. Espantoso é saber que a máfia não se intimidou nem com o processo que estava em curso no STF, tal era a certeza da impunidade.

E que se note, para arrematar: até agora, a gente não sabe quem era o “capo di tutti i capi”, o chefe dos chefes. Porque não se enganem: uma roubalheira dessa dimensão, com tantas frentes, que pode gerar desentendimentos entre os quadrilheiros, tem sempre alguém que bate na mesa para desempatar o jogo. Saberemos algum dia?

Fonte: www.veja.com.br

Mais uma conquista do PT:

Petrobras é alvo de uma dupla investigação nos EUA — uma delas é do Departamento de Justiça. Suspeita: corrupção!

Por Reinaldo Azevedo

Ai, ai… Vamos lá. Sérgio Machado só se licenciou — e consta que não volta ao cargo — da presidência da Transpetro, uma subsidiária da Petrobras, porque a Price ameaçou deixar de auditar o balanço da empresa. A decisão seria informada à SEC (Securities Exchange Commission), que é órgão regulador do mercado de capitais nos EUA. Seria o mesmo que banir a empresa do mercado americano. Pois é… Quem diria? As leis em vigor nos EUA, um país onde não há estatais, podem servir para coibir a sem-vergonhice no Brasil — ainda que isso signifique um vexame para o nosso país e seu povo. A coisa agora subiu de patamar.

O Departamento de Justiça dos EUA e a própria SEC estão investigando é a Petrobras mesmo, a empresa-mãe. As autoridades daquele país querem saber se a estatal brasileira ou algum de seus representantes, empregados, intermediários ou afins violaram a FCPA (Foreign Corrupt Practices Act). O que vem a ser essa FCPA? Trata-se de um conjunto de regras de combate à corrupção que têm de ser seguido por empresas americanas ou que negociam suas ações em bolsas americanas. A Petrobras, como é sabido, atua na Bolsa de Nova York. A notícia foi publicada pelo Financial Times. Os advogados ouvidos pelo jornal afirmam que a FCPA deve investigar a contabilidade da empresa e seus controles internos. Caso se constatem irregularidades, pode haver responsabilização civil e criminal.

No momento em que duas comissões de inquérito no Congresso podem resultar em nada, o Brasil passa pela humilhação de ver a sua principal empresa investigada por dois órgãos americanos. E não porque os EUA estejam se imiscuindo em assuntos internos. Nada disso! Acontece que uma gigante como a Petrobras precisa estar no mercado americano, e isso supõe a obediência a algumas regras.

Nunca antes na história deste país, como diria aquele notório senhor, uma empresa pública brasileira mereceu tamanha distinção: ser investigada tanto pelo órgão que regula o mercado de ações nos EUA como pelo Departamento de Justiça daquele país. Lula e os petistas sempre prometeram levar o Brasil a patamares inéditos, não é mesmo? Não se pode dizer que não estejam cumprindo a sua promessa.

A Petrobras atravessa, sem dúvida, um dos momentos mais delicados de sua história. Como todos já sabemos, foi assaltada por uma verdadeira quadrilha — voltarei ao tema daqui a pouco. Durante a campanha eleitoral, a candidata Dilma Rousseff, ora presidente reeleita, chegou a sugerir que os que apontavam lambanças na empresa estariam empenhados em privatizá-la. Infelizmente, era só mais uma mentira de campanha.

Fonte: www.veja.com.br

Jornalismo de panfleto: a onda de satanização da oposição na imprensa paulistana

Leita artigo de colunista da Veja.com.br

Por: Reinaldo Azevedo

A força do governismo — ou, para ser mais preciso, do petismo — na imprensa é avassaladora. Muito maior do que na sociedade. Nas urnas, vocês viram o resultado: Dilma venceu por uma diferença de pouco mais de três pontos. Muito cuidado com o que você lê. Muito cuidado com o que você vê. Muito cuidado com o que você ouve — sim, também com o que você lê aqui. Eu não quero nem preciso que você acredite em mim; eu quero que você tenha compromisso com os fatos. É por isso que este blog existe.

No sábado, 2.500 pessoas, segundo a PM, se reuniram na Paulista para cobrar uma auditoria na eleição; muitas delas pediram, sim, o impeachment de Dilma se comprovado que ela sabia da roubalheira na Petrobras, conforme sustenta Alberto Youssef, no âmbito da delação premiada. Bem, caso isso fique mesmo evidente, é claro que a presidente terá de sair. Mas, antes, será preciso provar.

Muito bem: alguns poucos gatos-pingados, no protesto, chegaram a pedir uma intervenção militar, o que é, obviamente, uma tolice. Eram tão poucos os que assim se manifestavam que tanto o repórter da Folha como o do Estadão entrevistaram a mesma pessoa. Foi o bastante para que a questão ganhasse enorme destaque nos dois veículos. Ainda nesta segunda, o Estadão decidiu ouvir o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) a respeito do assunto, como se isso fosse relevante.

Tenta-se colocar em quem se manifesta contra a roubalheira e a truculência a pecha de golpista. Veículos de comunicação, o que é asqueroso, não têm se distinguido das páginas do PT nas redes sociais. O protesto de sábado se organizou em favor da auditoria e, reitero, do impeachment caso fique comprovado que Dilma sabia de tudo.

Esse procedimento é nojento. Um bando de brucutus resolveu atacar a editora Abril com camisetas da Dilma. Era composto, inequivocamente, de pessoas que faziam a campanha da petista. Ninguém tratou, porque seria mesmo incorreto, todos os dilmistas como fascitoides que não respeitam a liberdade de imprensa, ainda que a pregação do partido na TV desse azo a atos violentos.

Mas basta que duas ou três pessoas, num ato de eleitores de oposição — às vezes, uma —, digam uma bobagem para que esta se transforme no centro das atenções. A luta que as oposições têm pela frente não será fácil. Terão de enfrentar a propaganda do governo federal e a disposição clara, já manifesta, de setores da grande imprensa, alinhados com o partido do poder, de desmoralizar a resistência.

Cumpre lembrar aqui uma vez mais: em ditaduras, também há governos, mas só nas democracias existe oposição. Desrespeitá-la corresponde a atacar o cerne do próprio regime de liberdades públicas. Os senhores editores têm de ficar atentos para impedir que grandes veículos de comunicação se transformem em panfletos partidários — na hipótese, é claro, de que eles próprios não sejam panfletários.

Fonte: www.veja.com.br

Diálogo ou novas imposturas?

Em uma democracia não cabe às oposições, como ao povo em geral, senão aceitar o resultado das urnas

Por: Fernando Henrique Cardoso

Em uma democracia não cabe às oposições, como ao povo em geral, senão aceitar o resultado das urnas. Mas nem por isso devemos calar sobre o como se conseguiu vencer, nem sobre o por que se perdeu.

Os resultados eleitorais mostram que a aprovação ao atual governo apenas roçou um pouco acima da metade dos votos. Ainda que a vitória se desse por 80% ou 90% deles, embora o respeito à decisão devesse ser idêntico ao que se tem hoje com a escassa maioria obtida pelo lulopetismo, nem por isso os críticos deveriam calar-se.

É bom retomar logo a ofensiva na agenda e nos debates políticos. Para começar, não se pode aceitar passivamente que a “desconstrução” do adversário, a propaganda negativa à custa de calúnias e deturpações de fatos, seja instrumento da luta democrática.

Foi o que aconteceu, primeiro com Marina Silva, em seguida com Aécio Neves. O vale-tudo na política não é compatível com a legitimidade democrática do voto.

Marina, de lutadora popular e mulher de visão e princípios, foi transformada em porta-bandeira do capital financeiro, o que não é somente falso, mas inescrupuloso. Aécio, que milita há 30 anos na política, governou Minas duas vezes com excelente aprovação popular, presidiu a Câmara e é senador, foi reduzido a playboy, farrista contumaz e “candidato dos ricos”.

Até eu, que nem candidato era, fui sistematicamente atacado pelo PT, como se tivesse “quebrado” o Brasil três vezes (quando, como ministro da Fazenda, ajudei o país a sair da moratória), como se tivesse deixado a Presidência com a economia corroída pela inflação (como se não fôssemos eu e minha equipe os autores do Plano Real, que a reduziu de 900% ao ano para um dígito), como se os 12% de inflação em 2002 fossem responsabilidade de meu governo (quando se deveram ao temor de eventuais desmandos de Lula e do PT).

Não me refiro à língua solta de Lula, que diz o que quer quando lhe convém, mas ao fato de a própria presidenta e sua campanha terem endossado que o PSDB arruinou o Banco do Brasil e a Caixa, quando os repôs em sadias condições de funcionamento.

E assim por diante, num rosário de mentiras e distorções, insinuando terem sido postos embaixo do tapete vários “escândalos”, como o “da Pasta Rosa” ou o “do Sivam”, ou “da compra de votos” da minha reeleição etc., factoides construídos com matéria falsa, levantada pelo PT, submetida a CPIs, investigações várias e julgamentos que deram em nada por falta de veracidade nas acusações.

Mas isso não é o mais grave. Mais grave ainda é ver a reeleita colocando-se como campeã da moralidade pública. Entretanto, não respondeu à pergunta de Aécio Neves sobre se era ou não solidária com seus companheiros que estão presos na Papuda.

Calou ainda diante da afirmação feita no processo sobre o Petrolão de que o tesoureiro do PT, senhor Vaccari, era quem recolhia propinas para seu partido. Havendo suspeitas, vá lá que não se condene antes do julgamento, mas até prova do contrário deve-se afastar o indiciado, como fez Itamar Franco com um ministro, e eu fiz com auxiliares, inocentados depois no caso Sivam. Então por que manter o tesoureiro do PT no Conselho de Itaipu?

Pior. A propaganda incentivada pela liderança maior do PT inventou uma batalha dos “pobres contra os ricos”. Eu não sabia que metade do eleitorado brasileiro, que votou em Aécio, é composta por ricos… É difícil acreditar na boa-fé do argumento quando se sabe que 70% dos eleitores do candidato do PSDB, segundo o Datafolha, compunham-se de pessoas que ganham até três salários mínimos.

A propaganda falaciosa, no caso, não está defendendo uma classe da exploração de outra, mas enganando uma parte do eleitorado em benefício dos seus autores. Isso não é política de esquerda nem de direita, é má-fé política para a manutenção do poder a qualquer custo. Igual embuste foi a insinuação de que a oposição é “contra os nordestinos”, como se não houvesse nordestinos líderes do PSDB, assim como eleitores do partido no Nordeste.

Também houve erros da oposição. Quem está na oposição precisa bradar suas razões e persistir na convicção, apontar os defeitos do adversário até que o eleitorado aceite sua visão. Para isso precisa organizar-se melhor e enraizar-se nos movimentos da sociedade. Felizmente, desta vez, Aécio Neves foi firme na defesa de seus pontos de vista e, sem perder a compostura, retrucou os adversários à altura, firmando-se como um verdadeiro líder.

Diante do apelo ao diálogo da candidata eleita, devemos responder com desconfiança: primeiro, mostre que não será leniente com a corrupção. Deixe que os mais poderosos e próximos (ministros, aliados ou grandes líderes) respondam pelas acusações.

Que se os julgue, antes de condenar, mas que não se obstruam os procedimentos investigatórios e legais (Lula tentou postergar a decisão do STF sobre o mensalão o quanto pôde). Que primeiro a reeleita se comprometa com o tipo de reforma política que deseja e esclareça melhor o sentido da “consulta popular” a que se refere (plebiscito ou referendo?).

Que se debata, sim, na sociedade civil e no Congresso, mas que se explicite o que ela entende por reforma política. Do mesmo modo, que tome as medidas econômicas para vermos em que rumo irá o seu governo.

Só se pode confiar em quem demonstra com fatos a sinceridade de seus propósitos. Depois de uma campanha de infâmias, fica difícil crer que o diálogo proposto não seja manipulação. Só o tempo poderá restabelecer a confiança, se houver mudança real de comportamento. A confiança é como um vaso de cristal, uma pequena rachadura danifica a peça inteira.

Fonte: Blog do Noblat

Dilma Rousseff: Uma vencedora frente a muitos desafios

“..mulher de muita fibra e sólida formação intelectual, está comemorando a sua reeleição desde domingo (26)”

Elviro

Elviro Rebouças é economista e empresário

A presidente Dilma Vana Rousseff (PT), nascida em Belo Horizonte-MG., economista de 66 anos de idade, mulher de muita fibra e sólida formação intelectual, está comemorando a sua reeleição desde domingo (26), quando ganhou do mineiro Aécio Neves (PSDB), neto de imortal presidente Tancredo de Almeida Neves, por 51,6% contra 48,4% do tucano.

Porém, não vai haver muito tempo para comemorar, em meio aos desafios que o seu novo governo terá em 2015 – e que já vem se refletindo neste ano. Recuperar a confiança do empresariado, retomar o crescimento da economia, e também há a questão da governabilidade.

Não são triviais as dificuldades de ordem política que a presidente Dilma terá de enfrentar após ter conquistado, legitimamente, o direito de continuar a comandar o governo federal por mais quatro anos. A vitória apertada nas urnas não parece representar um problema, ao contrário, pode até trabalhar a favor, caso tenha sido absorvida como sinal de alerta e incentivo à correção de rumos na economia e na política.

As dificuldades começam pelo revigoramento da oposição, o PSDB saiu da eleição mais aparelhado para combater programaticamente o PT e, por conta do jogo bruto da campanha, muito provavelmente, mais disposto a marcar sob pressão o novo governo, e para isto já existe um ícone, Aécio Neves.

Os problemas também atingem a base aliada: os conflitos passados e outros que surgiram nesta eleição, especialmente com o PMDB, exigirão cuidadoso trabalho de reparação de danos por parte dos operadores políticos do governo. Além disso, a fragmentação do Congresso também imporá mais dificuldades à relação do Planalto com a Câmara e o Senado.

E agitar a bandeira da reforma política, como fez no domingo, dia 26 de outubro, não ajudará a vigorosa Dilma a enfrentar esses múltiplos problemas. Para eles, a reforma política, por certo, é uma demanda crescente da sociedade. Porém, ao menos até o momento, não se traduz em medidas concretas. A reforma política mais divide do que une os partidos.

E mobilizar um plebiscito para tratar do assunto em meio a um ambiente político conturbado pode ser bastante perturbador. Vale ressaltar que, logo após a reeleição da presidente, a Câmara já impôs a primeira derrota a ela, após votação anular o decreto da Política Nacional de Participação Social.

Em seu discurso no domingo à noite, a presidente Dilma afirmou que está mais madura, preparada e serena para enfrentar o segundo mandato. Precisará mesmo de muita maturidade, preparo e serenidade, pois a tempestade perfeita que ameaçou a economia este ano e acabou se dissipando, poderá desabar sobre o Planalto em 2015 sob a forma de crise política.

Em editorial na edição da última terça-feira (28), o jornal britânico Financial Times destacou o que Dilma precisa fazer. Para a publicação, “o Brasil precisa desesperadamente de um choque de credibilidade”. “Dilma Rousseff deve agora traçar um novo curso para um país dividido que sofre de desaceleração da economia em meio a um ambiente global cada vez mais difícil.

A necessidade de mudança é urgente”, afirmou. Para a publicação, a presidente reeleita tem que fazer esse choque de modo a retomar a confiança do sul do País, que votou em peso a favor do seu adversário nas eleições de domingo. O FT disse que, sem o apoio da região, “há pouca esperança de alcançar o maior investimento que o Brasil precisa”. A receita para isso é extensa, mas consiste como medida mais urgente nomear um novo ministro da Fazenda “com estatura e autonomia suficientes para resolver os problemas econômicos do Brasil”.

“Se ela não o fizer, os mercados financeiros irão forçar um ajuste. Os investidores não estão dispostos a dar o benefício da dúvida”. Em matéria do blog BeyondBrics, do FT, a publicação fez recomendações para Dilma em seu novo mandato. Reequilíbrio fiscal, estabilização dos fundamentos macroeconômicos em meio ao cenário de crescimento baixo e inflação alta, fechamento dos gargalos de infraestrutura, melhorar a qualidade da educação e aumentar o comércio internacional são alguns dos compromissos que a presidente deveria assumir.

Assim, Dilma também terá que delegar mais e ser menos centralizadora, além de adotar medidas impopulares no início para retomar a estabilidade macroeconômica. Agora, após a comemoração, Dilma terá que retomar rapidamente os trabalhos para ter um início de segundo mandato mais tranqüilo.

Só saberemos quais são as verdadeiras intenções da presidente Dilma reeleita quando ela anunciar os integrantes de seu futuro ministério, especialmente o ministro da Fazenda e o da negociação política. A presidente e o PT saem das urnas vitoriosas, mas enfraquecidos, com menos votos que jamais conseguiram, tanto para a presidência da República quanto para o Congresso. Por região, é possível ver-se a redução de votação do PT.

Em 2010, a candidata Dilma venceu em três regiões: norte, nordeste e sudeste. No domingo, venceu no norte e no nordeste. Sua votação cresceu apenas no nordeste, onde obteve 72% dos votos contra 70% em 2010. No norte, repetiu o mesmo índice: 57%.

No centro-oeste, em vez de um empate virtual em 2010, perdeu de 57% a 43%. Já no sudeste, apesar da vitória em Minas, perdeu de 56% a 44%. Em 2010, venceu na região de 51% a 48%. No Sul, perdeu de 59% a 41%, quando teve em 2010 46% dos votos. O novo governo tem pela frente um mandato dificílimo, basicamente devido à própria “herança maldita” com que terão que lidar.

Não apenas na parte econômica, mas, sobretudo, no combate à corrupção, com o caso da Petrobras já em processo de delação premiada que levará ao envolvimento de inúmeros políticos do Congresso, e do Executivo. O PT continua com a maior bancada da Câmara, mas perdeu nada menos que 18 deputados federais. No Senado, continuará sendo a segunda maior bancada, mas com um senador a menos.

Elegeu cinco governadores, sendo que a jóia da coroa é sem dúvida Minas Gerais, arrebatada do grupo político do senador Aécio Neves, graças ao prestígio de Fernando Pimentel. Mas será o partido que governará a menor percentagem do PIB nacional entre os três maiores, com 16,1%.

O PSDB continuará a governar a maior parcela do PIB (44,4%). Em segundo lugar no PIB está o PMDB, com (22,4%), que ficou com o maior número de governadores e dois dos maiores colégios eleitorais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

A cada um de nós brasileiros, natalense ou mossoroense, gaúcho ou catarinense, roraimense ou amapaense, cabe o papel de, cumprindo todo dia com o dever de cidadão, aguardar do novo Governo por dias melhores. Você não acha leitor?

Perigosos Atalhos

Artigo

Paulo-Afonso-Linhares

Por Paulo Afonso Linhares

No último dia 26 de outubro, o Brasil realizou uma das maiores eleições do planeta, quando compareceram às urnas 105.542.273 eleitores para escolher o presidente da República para o quadriênio que se inicia em 1º de janeiro de 2015. Aliás, diga-se de passagem, a despeito do tom acalorado e muitas vezes agressivo dos debates entre os candidatos à presidência e a alguns governos estaduais, no segundo turno o pleito foi absolutamente pacífico e sem maiores incidentes, merecendo especial destaque a excelente, precisa e eficaz atuação da mega estrutura montada pela Justiça Eleitoral, que de modo eficiente e retilíneo fez efetivos os preceitos legais que regulam os diversos aspectos da campanha e do processo eleitoral, sobretudo, para garantir a expressão concreta da soberania popular aludida no caput do artigo 14 da Constituição da República.

Sob o influxo das pesquisas de opinião, que serviram a todos os gostos, desgostos e apetites, ademais dos fortes bombardeios midiáticos contra a candidata à reeleição Dilma Rousseff, patrocinado pelos grandes veículos de comunicação, a eleição presidencial chegou meio indefinida nos albores da votação do dia 26 de outubro, inclusive pelo acirramento visível em todo país dos confrontos entre partidários das candidaturas presidenciais, embora tenham as sondagens feitas pelos maiores institutos de pesquisa (Ibope, Datafolha, Vox Populi etc.), nos últimos dias, já apresentassem números, postos que modestos, que apontavam uma vitória eleitoral do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, com a recondução da atual presidente da República ao comando supremo do Estado brasileiro.

Deu Dilma na cabeça, como se fala na gíria das ruas. Em números finais celeremente conhecidos, graças à eficiência dos sistemas adotados pela Justiça Eleitoral brasileira, que é um bom exemplo para o mundo, Dilma Rousseff obteve 54.501.118 votos (51,64%) e seu adversário, Aécio Neves, recebeu 51.041.155 votos (48,36%), resultando numa maioria de 3.459.963. No duelo que travam há duas décadas, PT e PSDB, os números favoreceram o primeiro, embora não tenha havido mudanças mais visíveis nas composições do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, a não ser a perda de cadeiras por parte dos maiores partidos, porém, os nove partidos da coligação que apoiou Dilma Rousseff vão ocupar 65% das cadeiras do Senado e 59% das cadeiras da Câmara dos Deputados. O PMDB, o PT e o PSDB são os partidos com maiores bancadas, nas duas Casas do Congresso. Quanto aos governos estaduais, o PMDB fez sete, o PT cinco, o PSDB cinco, o PSB quatro, o PSD dois, o PDT dois, o PC do B fez um e o PP elegeu a única mulher (Suely Campos, de Roraima). Prevaleceu um bom e saudável equilíbrio de forças político-partidárias.

Apesar do visível cenário de “balanços e contrapesos” dessas forças políticas que emergiram das urnas de 2014, os partidários da candidatura Aécio Neves, inclusive seus poderosíssimos aliados midiáticos, têm mostrado grande insatisfação com os resultados, quando falam em “país dividido” ou nos pequenos percentual da maioria obtida pela presidente eleita. Bobagem. A insatisfação é até legítima, desde que não coloque em cheque as bases do processo democrático. Não é o que fez a direção do PSDB, no último dia 30 de outubro, quando requereu ao Tribunal Superior Eleitoral uma “auditoria especial” no resultado da eleição presidencial,, em face de ter surgido nas redes sociais principalmente, logo que anunciada a reeleição de Dilma, “uma somatória de denúncias e desconfianças por parte da população brasileira”. Como se vê, algo bem vago e sem apontar nenhum fato relevante e hábil a comprometer a lisura do processo eleitoral.

Em derradeira análise, a ação proposta pelo PSDB terá como réu muito mais a própria Justiça Eleitoral do que Dilma e os partidos que a apoiaram. Enfim, os tucanos terão a difícil tarefa de convencer os ministros do Tribunal Superior Eleitoral que a enorme máquina montada para a realização das eleições de 2014 falhou por completo no segundo turno do pleito presidencial. Coisa difícil de convencer, até porque a Justiça Eleitoral agiu com eficiência e, sobretudo, com absoluta independência em suas decisões. Quanto a isto, nada a reparar.

Talvez, quem sabe, não esperam que, num passe de perversa magia jurídica, todos ou a maioria dos sete ministros do TSE resolvam substituir os mais de 54 milhões de eleitores que sufragaram o nome de Dilma? A sociedade brasileira ainda abriga, lastimavelmente, uma forte cultura autoritária e democraticida: as vivandeiras alvoroçadas e descontentes com a derrota nas urnas do projeto representado por Aécio, já rodam ferozes os bivaques dos granadeiros, vistam estes fardas ou togas, pouco importa. E pode ser mais um perigoso e cruel atalho a ser lastimado por décadas. Infelizmente, já vimos essa desbotada e bolorenta fita.