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Jornalismo de panfleto: a onda de satanização da oposição na imprensa paulistana

Leita artigo de colunista da Veja.com.br

Por: Reinaldo Azevedo

A força do governismo — ou, para ser mais preciso, do petismo — na imprensa é avassaladora. Muito maior do que na sociedade. Nas urnas, vocês viram o resultado: Dilma venceu por uma diferença de pouco mais de três pontos. Muito cuidado com o que você lê. Muito cuidado com o que você vê. Muito cuidado com o que você ouve — sim, também com o que você lê aqui. Eu não quero nem preciso que você acredite em mim; eu quero que você tenha compromisso com os fatos. É por isso que este blog existe.

No sábado, 2.500 pessoas, segundo a PM, se reuniram na Paulista para cobrar uma auditoria na eleição; muitas delas pediram, sim, o impeachment de Dilma se comprovado que ela sabia da roubalheira na Petrobras, conforme sustenta Alberto Youssef, no âmbito da delação premiada. Bem, caso isso fique mesmo evidente, é claro que a presidente terá de sair. Mas, antes, será preciso provar.

Muito bem: alguns poucos gatos-pingados, no protesto, chegaram a pedir uma intervenção militar, o que é, obviamente, uma tolice. Eram tão poucos os que assim se manifestavam que tanto o repórter da Folha como o do Estadão entrevistaram a mesma pessoa. Foi o bastante para que a questão ganhasse enorme destaque nos dois veículos. Ainda nesta segunda, o Estadão decidiu ouvir o governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) a respeito do assunto, como se isso fosse relevante.

Tenta-se colocar em quem se manifesta contra a roubalheira e a truculência a pecha de golpista. Veículos de comunicação, o que é asqueroso, não têm se distinguido das páginas do PT nas redes sociais. O protesto de sábado se organizou em favor da auditoria e, reitero, do impeachment caso fique comprovado que Dilma sabia de tudo.

Esse procedimento é nojento. Um bando de brucutus resolveu atacar a editora Abril com camisetas da Dilma. Era composto, inequivocamente, de pessoas que faziam a campanha da petista. Ninguém tratou, porque seria mesmo incorreto, todos os dilmistas como fascitoides que não respeitam a liberdade de imprensa, ainda que a pregação do partido na TV desse azo a atos violentos.

Mas basta que duas ou três pessoas, num ato de eleitores de oposição — às vezes, uma —, digam uma bobagem para que esta se transforme no centro das atenções. A luta que as oposições têm pela frente não será fácil. Terão de enfrentar a propaganda do governo federal e a disposição clara, já manifesta, de setores da grande imprensa, alinhados com o partido do poder, de desmoralizar a resistência.

Cumpre lembrar aqui uma vez mais: em ditaduras, também há governos, mas só nas democracias existe oposição. Desrespeitá-la corresponde a atacar o cerne do próprio regime de liberdades públicas. Os senhores editores têm de ficar atentos para impedir que grandes veículos de comunicação se transformem em panfletos partidários — na hipótese, é claro, de que eles próprios não sejam panfletários.

Fonte: www.veja.com.br

Diálogo ou novas imposturas?

Em uma democracia não cabe às oposições, como ao povo em geral, senão aceitar o resultado das urnas

Por: Fernando Henrique Cardoso

Em uma democracia não cabe às oposições, como ao povo em geral, senão aceitar o resultado das urnas. Mas nem por isso devemos calar sobre o como se conseguiu vencer, nem sobre o por que se perdeu.

Os resultados eleitorais mostram que a aprovação ao atual governo apenas roçou um pouco acima da metade dos votos. Ainda que a vitória se desse por 80% ou 90% deles, embora o respeito à decisão devesse ser idêntico ao que se tem hoje com a escassa maioria obtida pelo lulopetismo, nem por isso os críticos deveriam calar-se.

É bom retomar logo a ofensiva na agenda e nos debates políticos. Para começar, não se pode aceitar passivamente que a “desconstrução” do adversário, a propaganda negativa à custa de calúnias e deturpações de fatos, seja instrumento da luta democrática.

Foi o que aconteceu, primeiro com Marina Silva, em seguida com Aécio Neves. O vale-tudo na política não é compatível com a legitimidade democrática do voto.

Marina, de lutadora popular e mulher de visão e princípios, foi transformada em porta-bandeira do capital financeiro, o que não é somente falso, mas inescrupuloso. Aécio, que milita há 30 anos na política, governou Minas duas vezes com excelente aprovação popular, presidiu a Câmara e é senador, foi reduzido a playboy, farrista contumaz e “candidato dos ricos”.

Até eu, que nem candidato era, fui sistematicamente atacado pelo PT, como se tivesse “quebrado” o Brasil três vezes (quando, como ministro da Fazenda, ajudei o país a sair da moratória), como se tivesse deixado a Presidência com a economia corroída pela inflação (como se não fôssemos eu e minha equipe os autores do Plano Real, que a reduziu de 900% ao ano para um dígito), como se os 12% de inflação em 2002 fossem responsabilidade de meu governo (quando se deveram ao temor de eventuais desmandos de Lula e do PT).

Não me refiro à língua solta de Lula, que diz o que quer quando lhe convém, mas ao fato de a própria presidenta e sua campanha terem endossado que o PSDB arruinou o Banco do Brasil e a Caixa, quando os repôs em sadias condições de funcionamento.

E assim por diante, num rosário de mentiras e distorções, insinuando terem sido postos embaixo do tapete vários “escândalos”, como o “da Pasta Rosa” ou o “do Sivam”, ou “da compra de votos” da minha reeleição etc., factoides construídos com matéria falsa, levantada pelo PT, submetida a CPIs, investigações várias e julgamentos que deram em nada por falta de veracidade nas acusações.

Mas isso não é o mais grave. Mais grave ainda é ver a reeleita colocando-se como campeã da moralidade pública. Entretanto, não respondeu à pergunta de Aécio Neves sobre se era ou não solidária com seus companheiros que estão presos na Papuda.

Calou ainda diante da afirmação feita no processo sobre o Petrolão de que o tesoureiro do PT, senhor Vaccari, era quem recolhia propinas para seu partido. Havendo suspeitas, vá lá que não se condene antes do julgamento, mas até prova do contrário deve-se afastar o indiciado, como fez Itamar Franco com um ministro, e eu fiz com auxiliares, inocentados depois no caso Sivam. Então por que manter o tesoureiro do PT no Conselho de Itaipu?

Pior. A propaganda incentivada pela liderança maior do PT inventou uma batalha dos “pobres contra os ricos”. Eu não sabia que metade do eleitorado brasileiro, que votou em Aécio, é composta por ricos… É difícil acreditar na boa-fé do argumento quando se sabe que 70% dos eleitores do candidato do PSDB, segundo o Datafolha, compunham-se de pessoas que ganham até três salários mínimos.

A propaganda falaciosa, no caso, não está defendendo uma classe da exploração de outra, mas enganando uma parte do eleitorado em benefício dos seus autores. Isso não é política de esquerda nem de direita, é má-fé política para a manutenção do poder a qualquer custo. Igual embuste foi a insinuação de que a oposição é “contra os nordestinos”, como se não houvesse nordestinos líderes do PSDB, assim como eleitores do partido no Nordeste.

Também houve erros da oposição. Quem está na oposição precisa bradar suas razões e persistir na convicção, apontar os defeitos do adversário até que o eleitorado aceite sua visão. Para isso precisa organizar-se melhor e enraizar-se nos movimentos da sociedade. Felizmente, desta vez, Aécio Neves foi firme na defesa de seus pontos de vista e, sem perder a compostura, retrucou os adversários à altura, firmando-se como um verdadeiro líder.

Diante do apelo ao diálogo da candidata eleita, devemos responder com desconfiança: primeiro, mostre que não será leniente com a corrupção. Deixe que os mais poderosos e próximos (ministros, aliados ou grandes líderes) respondam pelas acusações.

Que se os julgue, antes de condenar, mas que não se obstruam os procedimentos investigatórios e legais (Lula tentou postergar a decisão do STF sobre o mensalão o quanto pôde). Que primeiro a reeleita se comprometa com o tipo de reforma política que deseja e esclareça melhor o sentido da “consulta popular” a que se refere (plebiscito ou referendo?).

Que se debata, sim, na sociedade civil e no Congresso, mas que se explicite o que ela entende por reforma política. Do mesmo modo, que tome as medidas econômicas para vermos em que rumo irá o seu governo.

Só se pode confiar em quem demonstra com fatos a sinceridade de seus propósitos. Depois de uma campanha de infâmias, fica difícil crer que o diálogo proposto não seja manipulação. Só o tempo poderá restabelecer a confiança, se houver mudança real de comportamento. A confiança é como um vaso de cristal, uma pequena rachadura danifica a peça inteira.

Fonte: Blog do Noblat

Dilma Rousseff: Uma vencedora frente a muitos desafios

“..mulher de muita fibra e sólida formação intelectual, está comemorando a sua reeleição desde domingo (26)”

Elviro

Elviro Rebouças é economista e empresário

A presidente Dilma Vana Rousseff (PT), nascida em Belo Horizonte-MG., economista de 66 anos de idade, mulher de muita fibra e sólida formação intelectual, está comemorando a sua reeleição desde domingo (26), quando ganhou do mineiro Aécio Neves (PSDB), neto de imortal presidente Tancredo de Almeida Neves, por 51,6% contra 48,4% do tucano.

Porém, não vai haver muito tempo para comemorar, em meio aos desafios que o seu novo governo terá em 2015 – e que já vem se refletindo neste ano. Recuperar a confiança do empresariado, retomar o crescimento da economia, e também há a questão da governabilidade.

Não são triviais as dificuldades de ordem política que a presidente Dilma terá de enfrentar após ter conquistado, legitimamente, o direito de continuar a comandar o governo federal por mais quatro anos. A vitória apertada nas urnas não parece representar um problema, ao contrário, pode até trabalhar a favor, caso tenha sido absorvida como sinal de alerta e incentivo à correção de rumos na economia e na política.

As dificuldades começam pelo revigoramento da oposição, o PSDB saiu da eleição mais aparelhado para combater programaticamente o PT e, por conta do jogo bruto da campanha, muito provavelmente, mais disposto a marcar sob pressão o novo governo, e para isto já existe um ícone, Aécio Neves.

Os problemas também atingem a base aliada: os conflitos passados e outros que surgiram nesta eleição, especialmente com o PMDB, exigirão cuidadoso trabalho de reparação de danos por parte dos operadores políticos do governo. Além disso, a fragmentação do Congresso também imporá mais dificuldades à relação do Planalto com a Câmara e o Senado.

E agitar a bandeira da reforma política, como fez no domingo, dia 26 de outubro, não ajudará a vigorosa Dilma a enfrentar esses múltiplos problemas. Para eles, a reforma política, por certo, é uma demanda crescente da sociedade. Porém, ao menos até o momento, não se traduz em medidas concretas. A reforma política mais divide do que une os partidos.

E mobilizar um plebiscito para tratar do assunto em meio a um ambiente político conturbado pode ser bastante perturbador. Vale ressaltar que, logo após a reeleição da presidente, a Câmara já impôs a primeira derrota a ela, após votação anular o decreto da Política Nacional de Participação Social.

Em seu discurso no domingo à noite, a presidente Dilma afirmou que está mais madura, preparada e serena para enfrentar o segundo mandato. Precisará mesmo de muita maturidade, preparo e serenidade, pois a tempestade perfeita que ameaçou a economia este ano e acabou se dissipando, poderá desabar sobre o Planalto em 2015 sob a forma de crise política.

Em editorial na edição da última terça-feira (28), o jornal britânico Financial Times destacou o que Dilma precisa fazer. Para a publicação, “o Brasil precisa desesperadamente de um choque de credibilidade”. “Dilma Rousseff deve agora traçar um novo curso para um país dividido que sofre de desaceleração da economia em meio a um ambiente global cada vez mais difícil.

A necessidade de mudança é urgente”, afirmou. Para a publicação, a presidente reeleita tem que fazer esse choque de modo a retomar a confiança do sul do País, que votou em peso a favor do seu adversário nas eleições de domingo. O FT disse que, sem o apoio da região, “há pouca esperança de alcançar o maior investimento que o Brasil precisa”. A receita para isso é extensa, mas consiste como medida mais urgente nomear um novo ministro da Fazenda “com estatura e autonomia suficientes para resolver os problemas econômicos do Brasil”.

“Se ela não o fizer, os mercados financeiros irão forçar um ajuste. Os investidores não estão dispostos a dar o benefício da dúvida”. Em matéria do blog BeyondBrics, do FT, a publicação fez recomendações para Dilma em seu novo mandato. Reequilíbrio fiscal, estabilização dos fundamentos macroeconômicos em meio ao cenário de crescimento baixo e inflação alta, fechamento dos gargalos de infraestrutura, melhorar a qualidade da educação e aumentar o comércio internacional são alguns dos compromissos que a presidente deveria assumir.

Assim, Dilma também terá que delegar mais e ser menos centralizadora, além de adotar medidas impopulares no início para retomar a estabilidade macroeconômica. Agora, após a comemoração, Dilma terá que retomar rapidamente os trabalhos para ter um início de segundo mandato mais tranqüilo.

Só saberemos quais são as verdadeiras intenções da presidente Dilma reeleita quando ela anunciar os integrantes de seu futuro ministério, especialmente o ministro da Fazenda e o da negociação política. A presidente e o PT saem das urnas vitoriosas, mas enfraquecidos, com menos votos que jamais conseguiram, tanto para a presidência da República quanto para o Congresso. Por região, é possível ver-se a redução de votação do PT.

Em 2010, a candidata Dilma venceu em três regiões: norte, nordeste e sudeste. No domingo, venceu no norte e no nordeste. Sua votação cresceu apenas no nordeste, onde obteve 72% dos votos contra 70% em 2010. No norte, repetiu o mesmo índice: 57%.

No centro-oeste, em vez de um empate virtual em 2010, perdeu de 57% a 43%. Já no sudeste, apesar da vitória em Minas, perdeu de 56% a 44%. Em 2010, venceu na região de 51% a 48%. No Sul, perdeu de 59% a 41%, quando teve em 2010 46% dos votos. O novo governo tem pela frente um mandato dificílimo, basicamente devido à própria “herança maldita” com que terão que lidar.

Não apenas na parte econômica, mas, sobretudo, no combate à corrupção, com o caso da Petrobras já em processo de delação premiada que levará ao envolvimento de inúmeros políticos do Congresso, e do Executivo. O PT continua com a maior bancada da Câmara, mas perdeu nada menos que 18 deputados federais. No Senado, continuará sendo a segunda maior bancada, mas com um senador a menos.

Elegeu cinco governadores, sendo que a jóia da coroa é sem dúvida Minas Gerais, arrebatada do grupo político do senador Aécio Neves, graças ao prestígio de Fernando Pimentel. Mas será o partido que governará a menor percentagem do PIB nacional entre os três maiores, com 16,1%.

O PSDB continuará a governar a maior parcela do PIB (44,4%). Em segundo lugar no PIB está o PMDB, com (22,4%), que ficou com o maior número de governadores e dois dos maiores colégios eleitorais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

A cada um de nós brasileiros, natalense ou mossoroense, gaúcho ou catarinense, roraimense ou amapaense, cabe o papel de, cumprindo todo dia com o dever de cidadão, aguardar do novo Governo por dias melhores. Você não acha leitor?

Perigosos Atalhos

Artigo

Paulo-Afonso-Linhares

Por Paulo Afonso Linhares

No último dia 26 de outubro, o Brasil realizou uma das maiores eleições do planeta, quando compareceram às urnas 105.542.273 eleitores para escolher o presidente da República para o quadriênio que se inicia em 1º de janeiro de 2015. Aliás, diga-se de passagem, a despeito do tom acalorado e muitas vezes agressivo dos debates entre os candidatos à presidência e a alguns governos estaduais, no segundo turno o pleito foi absolutamente pacífico e sem maiores incidentes, merecendo especial destaque a excelente, precisa e eficaz atuação da mega estrutura montada pela Justiça Eleitoral, que de modo eficiente e retilíneo fez efetivos os preceitos legais que regulam os diversos aspectos da campanha e do processo eleitoral, sobretudo, para garantir a expressão concreta da soberania popular aludida no caput do artigo 14 da Constituição da República.

Sob o influxo das pesquisas de opinião, que serviram a todos os gostos, desgostos e apetites, ademais dos fortes bombardeios midiáticos contra a candidata à reeleição Dilma Rousseff, patrocinado pelos grandes veículos de comunicação, a eleição presidencial chegou meio indefinida nos albores da votação do dia 26 de outubro, inclusive pelo acirramento visível em todo país dos confrontos entre partidários das candidaturas presidenciais, embora tenham as sondagens feitas pelos maiores institutos de pesquisa (Ibope, Datafolha, Vox Populi etc.), nos últimos dias, já apresentassem números, postos que modestos, que apontavam uma vitória eleitoral do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, com a recondução da atual presidente da República ao comando supremo do Estado brasileiro.

Deu Dilma na cabeça, como se fala na gíria das ruas. Em números finais celeremente conhecidos, graças à eficiência dos sistemas adotados pela Justiça Eleitoral brasileira, que é um bom exemplo para o mundo, Dilma Rousseff obteve 54.501.118 votos (51,64%) e seu adversário, Aécio Neves, recebeu 51.041.155 votos (48,36%), resultando numa maioria de 3.459.963. No duelo que travam há duas décadas, PT e PSDB, os números favoreceram o primeiro, embora não tenha havido mudanças mais visíveis nas composições do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, a não ser a perda de cadeiras por parte dos maiores partidos, porém, os nove partidos da coligação que apoiou Dilma Rousseff vão ocupar 65% das cadeiras do Senado e 59% das cadeiras da Câmara dos Deputados. O PMDB, o PT e o PSDB são os partidos com maiores bancadas, nas duas Casas do Congresso. Quanto aos governos estaduais, o PMDB fez sete, o PT cinco, o PSDB cinco, o PSB quatro, o PSD dois, o PDT dois, o PC do B fez um e o PP elegeu a única mulher (Suely Campos, de Roraima). Prevaleceu um bom e saudável equilíbrio de forças político-partidárias.

Apesar do visível cenário de “balanços e contrapesos” dessas forças políticas que emergiram das urnas de 2014, os partidários da candidatura Aécio Neves, inclusive seus poderosíssimos aliados midiáticos, têm mostrado grande insatisfação com os resultados, quando falam em “país dividido” ou nos pequenos percentual da maioria obtida pela presidente eleita. Bobagem. A insatisfação é até legítima, desde que não coloque em cheque as bases do processo democrático. Não é o que fez a direção do PSDB, no último dia 30 de outubro, quando requereu ao Tribunal Superior Eleitoral uma “auditoria especial” no resultado da eleição presidencial,, em face de ter surgido nas redes sociais principalmente, logo que anunciada a reeleição de Dilma, “uma somatória de denúncias e desconfianças por parte da população brasileira”. Como se vê, algo bem vago e sem apontar nenhum fato relevante e hábil a comprometer a lisura do processo eleitoral.

Em derradeira análise, a ação proposta pelo PSDB terá como réu muito mais a própria Justiça Eleitoral do que Dilma e os partidos que a apoiaram. Enfim, os tucanos terão a difícil tarefa de convencer os ministros do Tribunal Superior Eleitoral que a enorme máquina montada para a realização das eleições de 2014 falhou por completo no segundo turno do pleito presidencial. Coisa difícil de convencer, até porque a Justiça Eleitoral agiu com eficiência e, sobretudo, com absoluta independência em suas decisões. Quanto a isto, nada a reparar.

Talvez, quem sabe, não esperam que, num passe de perversa magia jurídica, todos ou a maioria dos sete ministros do TSE resolvam substituir os mais de 54 milhões de eleitores que sufragaram o nome de Dilma? A sociedade brasileira ainda abriga, lastimavelmente, uma forte cultura autoritária e democraticida: as vivandeiras alvoroçadas e descontentes com a derrota nas urnas do projeto representado por Aécio, já rodam ferozes os bivaques dos granadeiros, vistam estes fardas ou togas, pouco importa. E pode ser mais um perigoso e cruel atalho a ser lastimado por décadas. Infelizmente, já vimos essa desbotada e bolorenta fita.

 

O fiasco da ofensiva contra verdades reveladas por VEJA ampliou a epidemia de insônia causada pela devassa do Petrolão

Colunista da Veja comenta tentativa de se desmentir depoimento em que doleiro cita Dilma e Lula

Por: Augusto Nunes

Auxiliados pela inépcia de repórteres que só conferem a hora da sessão na academia e pela preguiça de redatores que só conferem a data da consulta com o geriatra, colunistas estatizados tentaram desmentir a notícia divulgada por VEJA neste 24 de outubro: Lula e Dilma sabiam das maracutaias bilionárias engendradas nos porões da Petrobras. Os textos publicados por Reinaldo Azevedo no começo da tarde e porRicardo Setti no início da noite desta quinta-feira provam  que não há uma única e escassa frase equivocada na reportagem de capa que tornou pública a explosiva revelação feita pelo doleiro Alberto Youssef.

Para aflição dos figurões enrascados no Petrolão e dos comparsas disfarçados de jornalistas, a lama que transbordou da estatal transformada em usina de negociatas já chegou ao Palácio do Planalto. Em troca dos benefícios da delação premiada, o que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef já contaram bastou para assombrar o país. Mas é só o prólogo da história de horror: está longe do fim o tsunami de revelações produzido pela dupla de depoentes, que se tornará ainda mais assustador depois da entrada em cena de mais bandidos prontos para abrir o bico.

Concluída a coleta de provas e informações, a nação conhecerá os detalhes do maior e mais escabroso escândalo político-policial registrado desde o Descobrimento. Concebida para financiar a perpetuação do PT no poder, a organização criminosa montada por diretores corruptos nomeados por Lula e mantidos por Dilma logo incorporou senadores, deputados, ministros de Estado, dirigentes partidários e empresários ─ além de chefes de governo. Nunca se roubou tanto e com tamanha desfaçatez. Um bilhão de dólares virou unidade monetária para a medição do produto do roubo. Algumas propinas superaram os ganhos anuais de superexecutivo americano. Comparado ao Petrolão, o Mensalão acabará reduzido a gatunagem de amador.

É compreensível que Lula e os Altos Companheiros estejam tão inquietos. O chefe supremo da seita sabe que, para voltar a sentar-se na cadeira de presidente, terá de contornar o banco dos réus. Desta vez será bem mais complicado fingir que nunca soube de nada. Não há como repassar, por exemplo, a paternidade da refinaria Abreu e Lima, parida pelo ex-presidente e Hugo Chávez. Deveria custar 2 bilhões de dólares. Já passou de 20, inteiramente herdados pela Petrobras depois do calote aplicado pelo parceiro.

Tantos anos depois daquele que enriqueceu com a rapidez de pistoleiro de faroeste, Lula criou um filhote que engole dinheiro com a velocidade da luz. O pai diz que o primeiro é um fenômeno. Os fatos informam que o segundo é um caso de polícia capaz de transformar qualquer culpado em fortíssimo candidato à cadeia.

Fonte: www.veja.com.br

 

Mercados reagem bem à elevação de juros, é claro! Ou: Do estelionato

Aloysio Nunes Ferreira:  “É a prova de que o que a candidata Dilma falava, a presidente Dilma não escreve. Duas caras”.

Por: Reinaldo Azevedo

Pois é…

O governo Dilma resolveu dar uma piscadela para os “mercados” — aqueles contra os quais, segundo Lula, o PT ganha todas as eleições (podem rir!) —, e o BC elevou a taxa Selic de 11% para 11,25%. Ninguém esperava que fosse fazê-lo porque, a rigor, não existem razões objetivas para isso e porque a ata de setembro dizia que os 11% eram suficientes para levar, com o tempo, a inflação para o centro da meta.

A decisão, como antevi aqui ontem, seria lida pelo mercado como um sinal de que Dilma não vai querer brincar com a inflação; tomará, ela sim (não Aécio, né?), “medidas amargas” se necessário etc. É o jogo de sempre do PT. Faz discurso de ultraesquerda se necessário; ajoelha-se no altar da ortodoxia tosca se necessário; vai empurrando com a barriga até onde der. Ora está lá, ora está cá. Se a gente olha, no entanto, a trajetória de longo prazo, o país vai definhando e perdendo importância. É apenas um fato.

A decisão de elevar a Selic, conforme o esperado, fez o dólar cair — opera agora a menos de R$ 2,40 — e a Bolsa subir. A Vale despencou, mas nada teve a ver com esse movimento.

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), vice de Aécio Neves na chapa tucana, comentou a elevação da taxa de juros: “É a prova de que o que a candidata Dilma falava, a presidente Dilma não escreve. Duas caras”. Outro senador de oposição também criticou a decisão: “Lamentavelmente, vamos assistir depois desse aumento, negado a campanha inteira, a reajustes nos combustíveis e nas tarifas de energia elétrica. Como sempre, o PT nos acusa daquilo que eles vão fazer, daquilo que é a prática deles”, afirmou Agripino Maia (DEM-RN).

É isso aí. Não demorou para começar o estelionato

A bravura, a força e a altivez exibidas neste outubro reafirmam que a resistência democrática nunca esteve tão musculosa

Direto ao Ponto

Por: Augusto Nunes

Um post de 5 de outubro constatou que Aécio Neves começou a cruzar a fronteira do segundo turno no momento em que ignorou o palavrório de marqueteiros poltrões, assumiu o comando da própria campanha, declarou guerra à corrupção impune e se transformou no candidato do Brasil indignado com o clube dos cafajestes no poder. Os 35 milhões de brasileiros que votaram no candidato do PSDB compreenderam que a oposição real enfim se sentia representada por um candidato da oposição oficial.

Além do Jesus Cristo de chanchada e da protetora de bandidos que finge combater, os 34% obtidos por Aécio no primeiro turno derrotaram blogueiros canalhas, parteiros de boatos infamantes, esquartejadores da honra alheia, comerciantes da base alugada, colunistas sabujos, analistas de araque, milicianos da esgotosfera e fabricantes de profecias encomendadas.

Ao longo desse confronto com a tribo dos sem-vergonha, o senador mineiro também ministrou uma aula de tenacidade, coragem e altivez aos aliados pusilânimes e a cabos eleitorais que se vergam a malandragens tramadas por qualquer Maquiavel de picadeiro. Candidatos testados por tantos reveses sucessivos costumam sucumbir ao desânimo, ressalvou o texto. Aécio não parou de sonhar com a arrancada improvável ─ e sobreviveu à epidemia de descrença.

A performance foi reprisada com brilho ainda maior no segundo turno, envilecido pela selvageria das milícias açuladas por Lula. A entrada em cena do especialista na disseminação de calúnias, injúrias, difamações e outras invencionices abjetas transformou o que já era uma campanha repulsiva na mais calhorda da história da República. E nem por isso Aécio revogou o código de honra que balizou a conduta das legiões antipetistas.

Insinuadas por Dilma, recitadas aos berros por Lula e vendidas como fatos comprovados pela rede de esgoto digital, torpezas de variado calibre tentaram reduzir o candidato do PSDB a “bêbado”, “drogado”, “agressor de mulheres”, “grosseiro com a presidenta”, “playboy” ─ não houve limites para o vale-tudo. Valente, Aécio cumpriu a promessa que fizera quando as tropas petistas intensificaram a ferocidade dos ataques: “Quanto mais mentiras contarem sobre nós, mais verdades contaremos sobre eles”.

Mais de 51 milhões de votos confirmam que Aécio combateu o bom combate, e se identificou exemplarmente com os brasileiros que, à margem dos partidos, arrostam há 12 anos a seita cujos devotos aprendem que o único pecado mortal é perder uma eleição. Pela primeira vez, um líder tucano enfrentou de peito aberto o bando que institucionalizou a corrupção impune, aparelhou a máquina federal e sonha com a destruição do Estado Democrático de Direito.

O PT e seus parceiros alugados não metem medo em mais ninguém. A sigla que prometia modernizar o país vai sendo confinada nos grotões atulhados de gente que acredita em qualquer patifaria espalhada por coronéis fantasiados de guerrilheiros do povo. A sobrevivência do partido, quem diria, hoje depende dos dependentes do governo.

Para a companheirada, é essencial manter ou ampliar o tamanho da freguesia do Bolsa Família; se o maior programa oficial de compra de votos do planeta perder clientes, o PT perderá todas as eleições. Da mesma forma, não convém ao governo melhorar o sistema de educação. Quem estuda e aprende acaba descobrindo o que é o PT ─ e vota na oposição.

Dilma Rousseff, que nunca soube conjugar sse verbo, descobriu subitamente a importância de “dialogar”? Que fale sozinha. A oposição não tem tempo a perder com conversa fiada. Deve investi-lo integralmente em opor-se o tempo todo, em todas as frentes, a uma presidente que tem complicações políticas a superar, complicações econômicas a resolver e complicações policiais a administrar.

O partido vitorioso nas urnas é uma velharia agonizante. Pode até durar alguns anos, mas já respira por instrumentos. Em contrapartida, a resistência democrática esbanjou força e bravura nos duelos deste outubro. Triunfante no Brasil que faz, inova, progride, planta, colhe, produz, cria empregos, exporta, importa, avança, a frente formada pelos que pensam e prestam tem programa, tem voto, tem o líder que faltava, tem mais de  51 milhões de eleitores.

Tem, sobretudo, consciência de que, se a eleição terminou com a derrota mais que honrosa, a guerra pela salvação nacional não será interrompida sequer por algumas horas. A oposição nunca foi tão musculosa. E jamais se mostrou tão decidida a retomar a nação das mãos dos ladrões do futuro e dos assassinos do futuro da esperança.

Fonte: www.veja.com.br

Quanto vale uma Dilma de branco, no discurso da vitória, ao lado de Ciro Nogueira, citado no escândalo do petrolão?

Ou: De terno branco, com alma vermelha. Ou: Ainda não será desta vez que Dilma vai sentir falta do meu mel

Por: Reinaldo Azevedo

A presidente reeleita, Dilma Rousseff, resolveu tirar o terninho vermelho de campanha e de debates. Em seu lugar, vestiu o branco. Há a hora do Falcão e a hora da pomba. No discurso da vitória, falou em nome da paz. Cumprimentou todos os parceiros de jornada, com salamaleques especiais a Lula — nem poderia ser diferente. Entre os presentes, Ciro Nogueira, o presidente do PP, citado no escândalo do petrolão. No discurso, aquela que, segundo Alberto Youssef, sabia das vigarices na Petrobras, prometeu combater a corrupção. Ciro Nogueira aplaudiu com entusiasmo.

Dilma negou que o país esteja dividido, rachado ao meio — embora ela saiba que está, mas esse é tema para outro comentário, que ainda farei aqui. Venceu a eleição com pouco mais da metade dos votos válidos, numa disputa em que 27,44% dos eleitores se negaram a sufragar um nome: 1,71% dos votantes decidiram pelo branco; 4,63%, pelos nulos, e 21,1% se ausentaram. De fato, ela é presidente por vontade de 38% dos eleitores aptos a participar do pleito. É bem menos do que a metade. É a reeleita legítima, mas isso não muda os números.

Assim, cumpre que Dilma busque ganhar a confiança não apenas dos 51.041.155 que votaram em Aécio, mas também dos 32.277.085 que não quiseram votar em ninguém. Juntos, eles são 83.100.453, bem mais do que os 54.501.118 que a escolheram. Neste blog, eu adverti várias vezes para esse fato, não é mesmo? Critiquei severamente a campanha suja movida pelo PT porque ela acabaria deixando um rastro de ressentimentos, de rancor.

No discurso da vitória, leiam a íntegra abaixo, Dilma afirma, por exemplo:
“Toda eleição tem que ser vista como forma pacífica e segura. Toda eleição é uma forma de mudança. Principalmente para nós que vivemos em uma das maiores democracias do mundo.”

Pois é. Posso concordar em parte ao menos, embora, de fato, nas democracias, eleições signifiquem, antes de mais nada, conservação de um método: recorre-se às urnas para decidir quem governará o país. Mas sigamos. Quando o PT e Dilma transformaram os adversários em verdadeiros satãs, que fariam o país recuar nas conquistas sociais; quando os acusaram de representantes de “fantasmas do passado” — sim, essa expressão foi empregada; quando lhes atribuíram um passado que não tiveram e intenção que não teriam, será que a presidente e seu partido expressavam, de fato, fé na democracia?

Quando a chefe da nação, ainda que nas vestes da candidata, investe contra um veículo de comunicação que apenas cumpriu o seu dever, estimulando milicianos a atacar uma empresa jornalística, onde estava essa Dilma que agora veste o branco? Quando Lula comparou os opositores do PT a nazistas, acusando-os de golpistas, onde estava o PT da paz e do entendimento? “Ah, mas Aécio Neves não criticou Dilma?” É certo que sim! Mas nunca deixou de reconhecer avanços nas gestões petistas. Uma coisa é criticar a condução de políticas; outra, distinta, é acusar o adversário de articular, de forma deliberada, o mal do país.

A fala pacificadora de Dilma não me convence — até porque Gilberto Carvalho, seu secretário-geral da Presidência, quase ao mesmo tempo, falava uma linguagem de guerra. Tratarei dele em outra oportunidade. E não me convence por quê? Porque Dilma afirmou que a principal e mais urgente tarefa de seu governo é a reforma política. Ainda voltarei muitas vezes a esse assunto. Mas a tese é falaciosa. Diz a presidente reeleita que pretende conduzir o debate por meio de plebiscito — para que e com que pergunta? Em debates na TV, expressou o entendimento absurdo de que o mal essencial do nosso sistema está no financiamento de campanhas por empresas. Errado! O mal essencial no que diz respeito ao Estado está no aparelhamento do bem público em favor de partidos e camarilhas. Ou não vimos um agente do petismo, disfarçado de presidente da Agência Nacional de Águas, a fazer proselitismo eleitoral em São Paulo de maneira descarada?

Ignorar a crise de fundamentos — para ser genérico — que hoje assola a economia brasileira e que deixa o país sem perspectiva de futuro para brincar de plebiscito, constituinte exclusiva, como ela já defendeu, e reforma política corresponde a apagar incêndio com gasolina. Dilma não tenha a ilusão de que gozará de um período de lua de mel. Com ou sem razão, espero que sem (e também sobre isso falarei em outra ocasião), naquelas partes do Brasil em que pouco se olha quem sobe ou desce a rampa, desconfia-se até da inviolabilidade das urnas eleitorais.

Se a dita reforma política vai ser o seu “chamamento à união”, então, posso afirmar, com pouca chance de errar, que ela está é querendo provocar ainda mais conflitos. Não adianta vestir um terninho branco quando a alma segue vermelha, governanta.

Em seu discurso, Dilma insiste que o Brasil votou para mudar — é, talvez para que o governo mude os métodos. No que concerne às instituições, o voto crescente é para “conservar” — no caso, conservar instituições. Espero que também as oposições se deem conta disso e não tergiversem, como já fizeram no passado, na defesa dos fundamentos da democracia representativa.

No que me que diz respeito, é preciso bem mais do que um terninho branco para me comover. Ademais, sigo a máxima de que um indivíduo se dá a conhecer muito mais por seus atos do que por suas palavras.

As palavras recentes da presidente-candidata estimularam uma milícia de vagabundos a atacar uma empresa de comunicação. Por enquanto, não tem a minha simpatia nem meu voto pessoal de confiança — sei que é irrelevante para ela, mas é meu, e dele, cuido eu. E também não consigo imaginar que alguém que proponha constituinte exclusiva para fazer reforma política esteja com boa intenção. Bondade assim, já vi antes na Venezuela, no Equador e na Bolívia.

Ainda não será desta vez que Dilma vai sentir falta do meu mel.

Fonte: www.veja.com.br

A Rosa que derrotou Agripino, agora tenta vencer a batalha da comunicação contra o prefeito

Governadora tenta assumir paternidade – ou seria maternidade? – da vitória de Robinson Faria em Mossoró 

A governadora do Estado, Rosalba Ciarlini (DEM), venceu, fácil, a batalha da comunicação contra o senador, José Agripino (DEM).

Mesmo estando inelegível, o que a teria impedido de disputar o Governo do Estado, agora em 2014, a Rosa e sua equipe insistem em culpar Agripino pelo fato de a governanta não ter disputado um segundo mandato.

Conversa fiada, potoca, balela, embromação, burla, calúnia, caraminhola, carapetão.

Mesmo que Agripino tivesse batido o martelo e imposto a candidatura de Rosalba, ela não poderia ter sido candidata pois, repito, está inelegível por crimes eleitorais praticados nas eleições municipais de 2012.

Todavia, porém, entretanto, no entanto, até em lágrimas, Rosalba tem culpado Agripino por seu fracasso.

Talvez, a palavra de ordem para justificar esse teatro seja a sentença de Homer Simpson, quando ele proclama: “Eu não estava mentindo! Estava escrevendo ficção com a boca”.

E, é seguindo a mesma tática, quiçá, acrescentando uma pitada de Mark Twain, quando ele apregoou que “A diferença entre a verdade e a ficção é que a ficção faz mais sentido” a governadora e sua equipe parece que querem fazer valer outra inverdade: a de que ela é a responsável pela vitória do governador eleito, Robinson Faria.

Esta espécie de “ópera-bufa” teve seu clímax no final da tarde deste domingo, 26, quando a própria governadora, fez publicar através de sua assessoria e de militantes, uma foto em que aparece com um boton com o número 55, de Robinson Faria.

A verdade verdadeira e sem máscara é que a ilustre governadora, só apareceu através de seus órgãos de comunicação, e ainda assim, apenas insinuando, jamais pedindo voto abertamente, para Robinson, ao apagar das luzes da ribalta eleitoral quando tudo e todos assinavam o script apontando a vitória do vice-governador.

Sim, vice-governador, Robinson Faria, que depois de ter sido colocado para fora da gestão, de forma deselegante, prepotente e até petulante, pela governadora e seu marido, o chefe da Casa Civil, Carlos Augusto Rosado, passou a ser tratado por rosalbistas de carteirinha como “forasteiro”, sempre que cumpria agenda em Mossoró.

Resta saber se o prefeito de Mossoró, Francisco José Júnior, vai se deixar atropelar por essa caraminhola e repetir José Agripino nessa guerra de comunicação.

Receita de Aécio para acabar com a corrupção: tire o PT do poder

Jornalista do jornal O Globo avalia o debate entre Aécio e Dilma

Ricardo Noblat

Nem que a vaca tussa, Dilma Rousseff responderá à pergunta que Aécio Neves lhe fez duas vezes, ontem à noite, durante o debate entre os candidatos a presidente promovido pela Rede Globo de Televisão.

A pergunta: “O que a senhora tem a dizer sobre os mensaleiros do PT condenados pela Justiça e que estão presos?”

Dilma nada tem a dizer. Não teve no debate da Globo e tampouco nos demais debates do primeiro ou do segundo turno. Como é possível que uma presidente da República nada tenha a dizer sobre um assunto desses?

Como se viu, entre nós, é possível sim. Não responder a perguntas incômodas é considerado por um povo que se acha esperto uma prova de grande esperteza – de fraqueza ou medo, jamais.

O debate foi dividido em quatro blocos. Em dois, candidato perguntou a candidato. Nos outros dois, eleitores indecisos perguntaram aos candidatos. O primeiro bloco, onde os candidatos se confrontaram, terminou empatado.

Aécio ganhou com folga os três blocos seguintes. Respondeu às perguntas com tranquilidade. Protagonizou os momentos marcantes do debate. Deixou Dilma atrapalhada várias vezes. E se saiu melhor ao ser interrogado pelos eleitores indecisos.

Cometeu uma frase matadora, destinada à passar à história dos debates. Foi quando uma eleitora perguntou o que poderia ser feito para acabar com a corrupção. Aécio disse: “Existe uma medida para acabar com a corrupção: tirar o PT do governo!”

O melhor do debate: as perguntas dos eleitores indecisos, que expuseram a dura realidade da vida das pessoas de carne e osso. Nada a ver com as pessoas que desfilaram na propaganda eleitoral de Dilma.

Um garoto contou que perdera um primo assassinado pelo tráfico de drogas. A professora, a trágica história do aluno que abandonou a escola para se tornar um dos chefes do tráfico. O florista cobrou uma solução para o problema das moradias. Afinal, o aluguel triplicou em quatro anos.

O mico da noite foi para… Dilma, naturalmente. Uma economista do Ceará, de 55 anos de idade, disse que não consegue mais emprego. Resposta de Dilma: faça o Pronatec, um curso de qualificação. Puxa, a mulher já é qualificada. Precisa de emprego, não de curso técnico.

A vitória de Aécio em mais um debate, dificilmente, será capaz de imprimir um novo rumo à eleição. A tendência é que os eleitores de Dilma achem que ela venceu o debate. Os eleitores de Aécio acharão que o vencedor foi ele. É assim que costuma acontecer.

De resto, algo como 84% dos eleitores de Dilma e dos eleitores de Aécio diz que não há hipótese de mudar seu voto. Um por cento dos eleitores de cada um diz que é alta a probabilidade de mudar. Para 4% de cada, existe alguma possibilidade de mudar. E 11% não respondem ou não sabem.

Fonte: www.oglobo.com