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SOMOS UM PAÍS FELIZ! MPB – ELIS REGINA E CAUBY PEIXOTO

“Dá vergonha mesmo o que estamos (estupefatos) assistindo, com os poderosos mal disfarçando que nada sabiam” 

Por Elviro Rebouças

elviro_rebouas

Elviro Rebouças é economista e empresário

 

A semana que encerramos, foi aberta no domingo (15), e no campo político com uma espontânea e majestosa manifestação de mais de 2,5 milhões de pessoas nas ruas, de São Paulo à praia Tibáu, aqui no Rio Grande do Norte, clamando pelo “Fora Dilma”, pelo “delenda” do modus operandi do PT-Partido dos Trabalhadores, e pelo basta à corrupção governamental, (só da Petrobrás consta que dilapidaram, sem que ninguém visse nada, mais de R$.60 bilhões, ao longo de nove anos). Foi a maior movimentação popular de que se tem notícia, desde as diretas já, em 1984,que deu início à redemocratização do Brasil, com o gênio da política, o Doutor Tancredo de Almeida Neves, acolitado por Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, Leonel Brizola, Franco Montoro e Dante de Oliveira, arrebatando multidões das capitais aos grotões, clamando pelo fim da pérfida ditadura miliar. Entretanto, duas passagens, ambas ligadas à música popular brasileira, me chamaram muito a atenção nessa semana que passou. Até porque estou achando a política sem graça ultimamente, com a alopração do número de “artistas” e palhaços, e a exagerada carência do verdadeiro espírito público, que deveria ser o nutriente principal emanado pelos detentores de mandatos e cargos públicos, em todos os níveis. Falo sobre a passagem dos setenta anos de nascimento de Elis Regina (em 17 de março), que a ví cantar e encantar, uma única vez no Canecão, no Rio de Janeiro. A outra, a súbita melhora do estado de saúde de Cauby Peixoto que, safenado, diabético e imóvel a uma cadeira de rodas há anos, passou mais de 30 dias hospitalizado no Santa Izabel, em São Paulo, mas já voltou para casa também no dia 17.Ele saiu dizendo que em breve voltará a cantar, exclusivamente como já é tradição, toda segunda-feira às 22 horas, no Bar Brahma, cruzamento da Ipiranga com a São João, em Sampa. Cauby, eu ainda menino, o assistí, encantado, em Mossoró, no famoso auditório da Rádio Difusora, nos áureos tempos dos pioneiros Paulo Guttemberg e Genildo Miranda, por onde passaram os grandes nomes do cenário nacional. E não vamos nos esquecer da famosa orquestra espanhola Casino de Servilla, do maestro Pill Torrecillas, em excursão no Brasil. Os dois, permitam-me a opinião, são verdadeiros artistas, dois ídolos que ficarão na nossa história musical, mesmo daqui a um século, e nunca vão ser rotulados de achacadores, bizarros ou mercenários.

ELIS REGINA Carvalho Costa- A Pimentinha – Nasceu em Porto Alegre-RS, no ano 1945, foi a maior cantora do Brasil de todos os tempos, ultrapassando as magníficas divas do rádio Dalva de Oliveira, Ângela Maria, as irmãs Batista e Elizeth Cardoso. Como muitos outros artistas do Brasil, Elis surgiu dos festivais de música na década de 1960 e mostrava interesse em desenvolver seu talento através de apresentações dramáticas. Seu estilo era altamente influenciado pelos cantores do rádio, especialmente Ângela Maria, e a fez ser a grande revelação do famoso festival da TV Excelsior em 1965, quando cantou e fez toda uma plateia se arrastar pelo chão para vibrar com o “Arrastão”, de Vinicius de Moraes e Edu Lobo. Tal feito lhe conferiu o título de primeira estrela da canção popular brasileira na era da TV. Enquanto outras excelentes cantoras contemporâneas como Maria Bethânia e Nara Leão haviam se especializado e surgido em teatros, ela deu preferência aos rádios e televisões. Seus primeiros discos, iniciando com Viva a Brotolândia (1961), refletem o momento em que transferiu-se do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, e que teve exigências de mercado e mídia. Mudando-se para São Paulo em 1964, onde ficaria até sua morte, aos 37 anos incompletos, em 19 de janeiro de 1982. Vida privada tumultuada, temperamento sempre em exasperação, sem paz consigo mesmo, logrou sucesso com os espetáculos de Samba e na influente Bossa Nova,e encontrou uma cidade efervescente onde conseguiria realizar seus planos artísticos. Em 1967, casou-se com Ronaldo Bôscoli, diretor do Fino da Bossa, e tiveram o filho João Marcelo Bôscoli. Com o segundo marido, o pianista e instrumentista famoso César Camargo Mariano, teve os filhos Pedro Mariano e Maria Rita. Não encontrou no recôndito da vida privada a felicidade que experimentou nos palcos por onde passou e de onde recolheu inolvidáveis ovações. Para mim, é apenas uma opinião pessoal, sua maior interpretação foi “Marcha da Quarta feira de Cinzas”, uma composição engenhosa de dois magos da bossa, Carlos Lyra / e o poetinha Vinicius de Moraes: “Acabou nosso carnaval, ninguém, ouve cantar canções , ninguém passa mais brincando feliz, e nos corações saudades e cinzas foi o que restou. Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê Que nem se sorri, se beija e se abraça E sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor”.

CAUBY PEIXOTO – A VOZ: Nascido em Niterói-RJ, em 10 de fevereiro de 1931, portanto largos 84 anos de vida, é uma das mais belas vozes do mundo – caracterizada pelo timbre grave e aveludado, mas principalmente pelo estilo “dândi”, que inclui figurinos e penteados excêntricos. Em atividade desde o final da década de 1940, Cauby é conhecido no meio artístico como Professor. Proveniente de uma família de músicos, o pai tocava violão, a mãe bandolim, os irmãos eram instrumentistas e o tio pianista. Cauby é primo do cantor Ciro Monteiro, portanto o talento musical vem no sangue. Teve suas roupas rasgadas, várias vezes, pelas milhares de fãs que não se continham em vê-lo cantar, mas queriam beijá-lo e abraçá-lo, seja no Rio, em São Paulo, em Belo Horizonte ou até no México e na Espanha. Em 1956, gravou três LPs. Em “Você, a música e Cauby” lançou o grande sucesso do ano e sua interpretação mais famosa, o samba-canção “Conceição”, de Jair Amorim e Dunga. Em uma excursão pelos Estados Unidos, na década de 1980, foi levado à presença de Sua Excelência Francis Albert “Frank” Sinatra, a quem deixou vivamente impressionado pela sua excelente performance artística, De improviso, Cauby cantou para Sinatra os principais sucessos americanos “My Way” e “New York, New York”. Foi o bastante para os olhos azuis nunca mais esquecer do professor, o referenciando sempre, como “A Voz”. Na minha avaliação Cauby se superou ao exuberante Blue Gardênia, quando fala em flor de recordações, e ao Sorri (Smile) versão traduzida do genial Charles Chaplin, ao cantar Ninguém é de Ninguém: “Ninguém é de ninguém, Na vida tudo passa, Ninguém é de ninguém, até quem nos abraça, não há recordação que não tenha seu fim, Ninguém é de ninguém, O mundo é mesmo assim”. E você leitor, claro que não vai de petróleo misturado com propina e ladravazes? Dá vergonha mesmo o que estamos (estupefatos) assistindo, com os poderosos mal disfarçando que nada sabiam. Então faço votos que você prefira solfejar, para espantar tantos males. Eu, já escolhi. Mesmo triste e desencantado com o noticiário político (que passou a ser policial), fico com a saudade permanente de Elis Regina, e com o vigor da inconfundível voz de Cauby Peixoto. (Os) Dois são, diferentemente da matemática, ímpares.

Publicado originalmente às 9h30, do domingo, 22 

Dia 12 de abril vem aí: “Coxinhas de todo o mundo, uni-vos!”

Ou: Depois da Guerra dos Mascates e da Revolta dos Alfaiates, o grito libertador da “Revolução dos Coxinhas”

Por Reinaldo Azevedo

Algumas revoltas se tornaram famosas no Brasil. Há, por exemplo, a Guerra dos Mascates, que opôs, em 1710 e 1711, senhores de engenho de Olinda e comerciantes portugueses de Recife, chamados, pelos adversários, de “mascates”. Houve a “Revolta dos Alfaiates”, ou Conjuração Baiana, de 1798, um movimento de caráter emancipatório e republicano, influenciado pela Revolução Francesa. O país assistiu, em 1835, até a uma revolta que misturava a luta contra a escravidão com questão religiosa: a Revolta dos Malês, em Salvador, liderada por escravos muçulmanos. Cito apenas três movimentos entre muitos ocorridos no Brasil colonial ou já independente. Em 2015, nem mascates, nem alfaiates, nem malês! Assistimos, nestes dias, à inédita “Revolução dos Coxinhas”.

Não há por que fugir do rótulo. Ao contrário: que seja este um traço a unir os manifestantes. “Eu sou co-xi-nha/ com mui-to or-gu-lho/ com mui-to a-mo-or.”

O coxinha trabalha? Viva o coxinha!
O coxinha estuda? Viva o coxinha!
O coxinha gera os impostos que viram caridade pública? Viva o coxinha!
O coxinha não gosta que lhe batam a carteira? Viva o coxinha!
O coxinha quer pagar menos imposto? Viva o coxinha!
O coxinha é contra a violência? Viva o coxinha!
O coxinha é contra a depredação de patrimônio público? Viva o coxinha!
O coxinha é contra o ataque à propriedade privada? Viva o coxinha!

Os coxinhas, ao longo da história, fizeram a riqueza das nações. Geraram os excedentes que permitiram à humanidade ir além do reino da necessidade. Já os utopistas deram à luz todas as ideias que matam muitos milhões — de direita ou de esquerda. E antes ainda que essa terminologia pudesse ser empregada.

Atenção, meus caros! A Revolução dos Coxinhas — uma revolução sem armas — é hoje majoritária porque expressa a vontade da esmagadora maioria dos brasileiros. Mas ela também é contramajoritária porque é alvo da fúria dos aparelhos ideológicos e de pensamento dominados pelas esquerdas.

Onde é que os manifestantes, os “coxinhas”, mais apanham hoje em dia? Na academia, especialmente nas universidades públicas, que concentram a suposta elite intelectual do país. Também é grande o rancor contra os manifestantes em setores importantes da imprensa. Hoje, até jornalistas se dedicam a uma espécie de “caça às bruxas da direita”, que estariam estimulando os protestos.

E, no entanto, pergunto: que grande ofensa à democracia está nas ruas? Grupelhos sem nenhuma importância, que defendem um governo militar, são vaiados pelos coxinhas em cena aberta. O que as esquerdas não suportam é que muitos milhares, milhões talvez, possam ocupar o espaço público e pedir democracia e moralidade vestindo as cores nacionais, sem portar as tradicionais bandeiras vermelhas das esquerdas, que democráticas nunca foram porque a esquerda, a esquerda de verdade, nunca quis democracia — a menos que alguém me exiba um texto teórico em que um esquerdista autêntico defenda o regime democrático.

É a direta que está na rua? Aqui já se disse: são as pessoas direitas, inclusive as de direita — e com todo o direito de sê-lo, a menos que alguém me cite um fundamento da Constituição e das leis que evidenciem que as ruas são um monopólio das esquerdas.

Os que trabalham cansaram de ser governados por aqueles que só pensam em distribuir o fruto do esforço alheio. Uma distribuição que não busca fazer justiça social, mas alimentar um aparelho partidário que tenta se impor na base do grito e da trapaça — inclusive a eleitoral.

Os coxinhas vão hoje às ruas contra a pregação de intelectuais, contra a pregação dos aparelhos universitários, contra a pregação esquerdista de boa parte da imprensa — que o petismo ainda tem o topete de chamar de “golpista” para justificar o financiamento da pistolagem dos blogs sujos, confessado por um documento da Secom.

Esses tais coxinhas, em suma, formam hoje a maioria do povo brasileiro, mas são tratados como seres desprezíveis, crias do reacionarismo, ignorantes rematados que estariam preocupados apenas em proteger seus privilégios — como se a defesa do mérito e do esforço significasse uma agressão aos direitos humanos.

O dia 12 de abril vem por aí. Outro domingo! É que os coxinhas trabalham e estudam nos demais dias da semana. Não recebem pensão de partido. Não estão no comando de nenhuma ONG ligada à legenda. Não ocupam cargo público por indicação política. Não compõem a diretoria de aparelhos sindicais. Não vivem do leite de pata que alimenta os ditos movimentos sociais.

Dilma pode dar um murro na mesa e ordenar que os petistas façam seus milicianos enfiar a viola no saco, deixando a democracia correr livre, leve e solta, sem hostilidades desnecessárias. Ou pode deixar que os companheiros, mais uma vez, tenham a ideia asnal de promover seu “antiato” antes do ato. Nesse caso, quem sabe estimulem a reunião não de dois milhões de coxinhas, mas de quatro milhões…

O petista André Singer vê na rua a “nova direita” e diz tratar-se de uma “reação” ao lulismo. Entendo: ele não consegue pensar fora da camisa de força da dialética, a dama de honra de todo esquerdista errado. Singer ainda não aprendeu que, para que assim fosse, os que agora se manifestam precisariam ter construído uma “contrautopia” para se opor à do petismo. Ocorre que pessoas saudavelmente conservadoras — e os coxinhas são saudavelmente conservadores — não têm utopia nenhuma que não seja um governo eficiente, honesto e que não encha o seu saco.

O diabo é que o governo do PT não é eficiente, não é honesto e enche o saco! No mundo lulocêntrico de Singer, Lula cria até a sua própria contradição. Que coisa triste!

Não sei quantas pessoas haverá nas ruas no dia 12. Não fiz previsões antes e não farei agora. Uma coisa eu sei: os coxinhas vieram para ficar. Contra a vontade da academia. Contra a vontade da imprensa esquerdizada. Contra a vontade dos que achavam que o assalto ao estado brasileiro coincidia com o fim da história e que nada mais de novo iria acontecer.

Vai acontecer. Já está acontecendo! Pra cima com a viga, coxinhas!

Fonte: www.veja.com.br

OCASO

“Desabastecidos de primavera, de vigor, o que faremos, então?” 

Por Givanildo Silva

E agora, coração?
Será que suportaremos mais uma estação?
Logo nós, folhas que caíram em pleno verão?
Porventura não terá chegado um poente impiedoso, outono abarrotado de vermelhidão?
Talvez, enrubescimento de mau agouro ou de uma fadiga sem solução?
Presságio de noite negrume, de trevas, de escuridão?
Intuição de que depois do entardecer, o frio do inverno não poupará a lembrança singela, nem sequer a mais pura intenção?
E agora, coração?
Desabastecidos de primavera, de vigor, o que faremos, então?
Ou melhor: falemos o que aos que continuarão?
Que pela educação se viabiliza a construção?
Que é a deturpação que provoca o estrago, a danificação?
Que a caridade não constitui só coisa de cristão?
Que a tolerância pode converter-se na mais professada religião?
Que Maria pode se casar com Francisca e José pode amigar-se com João?
Que a generosidade faz-se de ombro, de colo e de pão?
Que a solidariedade aproxima os iguais, todo mundo fica irmão?
Que a fraternidade devolve ao “cego” a visão?
Que mais candente é o despojamento da compreensão do que a arrogância do perdão?
E agora, coração?
Devo letrar uma canção ou basta, de amor, uma declaração para um querido companheiro, cúmplice sessentão? Pois muito bem. Se em algum momento, decidir não voltar é por não  ter podido suportar a separação de um compassivo e apaixonado coração.

Fonte: www.givva.com.br

Atuação de Jório Nogueira pelos ambulantes

“O presidente da Câmara Municipal assumiu a postura de protagonista na busca de uma solução para o problema” 

Por Gutemberg Moura 

Desde que a polêmica retirada dos ambulantes das ruas do centro de Mossoró foi determinada pela Justiça, o vereador Jório Nogueira (PSD) iniciou uma cruzada em defesa dos comerciantes. O presidente da Câmara Municipal assumiu a postura de protagonista na busca de uma solução para o problema, conciliando a decisão judicial com as necessidades dos comerciantes.

Daí, Jório passou a defender mudanças na decisão judicial. Primeiro, ele esteve com o juiz da Fazenda Pública, Pedro Cordeiro. Com uma comissão de ambulantes discutiu com o magistrado a possibilidade de prorrogação do prazo para a saída dos camelos das ruas, prevista para ocorrer até o final do próximo mês de abril.

E, mais adiante, nesse sábado (21), Jório Nogueira se reuniu novamente os ambulantes, na Câmara Municipal, para repassar os detalhes das negociações com a Justiça e, ao mesmo tempo, articular a criação de uma associação para atuar em nome dos camelôs da Cidade. Para o edil, o que está em jogo é a sobrevivência de dezenas de vendedores.

_ É fundamental que se dê as condições necessárias para que esses pequenos comerciantes possam trabalhar e ganhar o sustento de suas famílias _ resume o presidente da Câmara.

Fonte: www.gutembergmoura.com.br

SOMOS UM PAÍS FELIZ! MPB – ELIS REGINA E CAUBY PEIXOTO

“Dá vergonha mesmo o que estamos (estupefatos) assistindo, com os poderosos mal disfarçando que nada sabiam” 

Por Elviro Rebouças 

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Elviro Rebouças é economista e empresário

 

A semana que encerramos, foi aberta no domingo (15), e no campo político com uma espontânea e majestosa manifestação de mais de 2,5 milhões de pessoas nas ruas, de São Paulo à praia Tibáu, aqui no Rio Grande do Norte, clamando pelo “Fora Dilma”, pelo “delenda” do modus operandi do PT-Partido dos Trabalhadores, e pelo basta à corrupção governamental, (só da Petrobrás consta que dilapidaram, sem que ninguém visse nada, mais de R$.60 bilhões, ao longo de nove anos). Foi a maior movimentação popular de que se tem notícia, desde as diretas já, em 1984,que deu início à redemocratização do Brasil, com o gênio da política, o Doutor Tancredo de Almeida Neves, acolitado por Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, Leonel Brizola, Franco Montoro e Dante de Oliveira, arrebatando multidões das capitais aos grotões, clamando pelo fim da pérfida ditadura miliar. Entretanto, duas passagens, ambas ligadas à música popular brasileira, me chamaram muito a atenção nessa semana que passou. Até porque estou achando a política sem graça ultimamente, com a alopração do número de “artistas” e palhaços, e a exagerada carência do verdadeiro espírito público, que deveria ser o nutriente principal emanado pelos detentores de mandatos e cargos públicos, em todos os níveis. Falo sobre a passagem dos setenta anos de nascimento de Elis Regina (em 17 de março), que a ví cantar e encantar, uma única vez no Canecão, no Rio de Janeiro. A outra, a súbita melhora do estado de saúde de Cauby Peixoto que, safenado, diabético e imóvel a uma cadeira de rodas há anos, passou mais de 30 dias hospitalizado no Santa Izabel, em São Paulo, mas já voltou para casa também no dia 17.Ele saiu dizendo que em breve voltará a cantar, exclusivamente como já é tradição, toda segunda-feira às 22 horas, no Bar Brahma, cruzamento da Ipiranga com a São João, em Sampa. Cauby, eu ainda menino, o assistí, encantado, em Mossoró, no famoso auditório da Rádio Difusora, nos áureos tempos dos pioneiros Paulo Guttemberg e Genildo Miranda, por onde passaram os grandes nomes do cenário nacional. E não vamos nos esquecer da famosa orquestra espanhola Casino de Servilla, do maestro Pill Torrecillas, em excursão no Brasil. Os dois, permitam-me a opinião, são verdadeiros artistas, dois ídolos que ficarão na nossa história musical, mesmo daqui a um século, e nunca vão ser rotulados de achacadores, bizarros ou mercenários.

ELIS REGINA Carvalho Costa- A Pimentinha – Nasceu em Porto Alegre-RS, no ano 1945, foi a maior cantora do Brasil de todos os tempos, ultrapassando as magníficas divas do rádio Dalva de Oliveira, Ângela Maria, as irmãs Batista e Elizeth Cardoso. Como muitos outros artistas do Brasil, Elis surgiu dos festivais de música na década de 1960 e mostrava interesse em desenvolver seu talento através de apresentações dramáticas. Seu estilo era altamente influenciado pelos cantores do rádio, especialmente Ângela Maria, e a fez ser a grande revelação do famoso festival da TV Excelsior em 1965, quando cantou e fez toda uma plateia se arrastar pelo chão para vibrar com o “Arrastão”, de Vinicius de Moraes e Edu Lobo. Tal feito lhe conferiu o título de primeira estrela da canção popular brasileira na era da TV. Enquanto outras excelentes cantoras contemporâneas como Maria Bethânia e Nara Leão haviam se especializado e surgido em teatros, ela deu preferência aos rádios e televisões. Seus primeiros discos, iniciando com Viva a Brotolândia (1961), refletem o momento em que transferiu-se do Rio Grande do Sul ao Rio de Janeiro, e que teve exigências de mercado e mídia. Mudando-se para São Paulo em 1964, onde ficaria até sua morte, aos 37 anos incompletos, em 19 de janeiro de 1982. Vida privada tumultuada, temperamento sempre em exasperação, sem paz consigo mesmo, logrou sucesso com os espetáculos de Samba e na influente Bossa Nova,e encontrou uma cidade efervescente onde conseguiria realizar seus planos artísticos. Em 1967, casou-se com Ronaldo Bôscoli, diretor do Fino da Bossa, e tiveram o filho João Marcelo Bôscoli. Com o segundo marido, o pianista e instrumentista famoso César Camargo Mariano, teve os filhos Pedro Mariano e Maria Rita. Não encontrou no recôndito da vida privada a felicidade que experimentou nos palcos por onde passou e de onde recolheu inolvidáveis ovações. Para mim, é apenas uma opinião pessoal, sua maior interpretação foi “Marcha da Quarta feira de Cinzas”, uma composição engenhosa de dois magos da bossa, Carlos Lyra / e o poetinha Vinicius de Moraes: “Acabou nosso carnaval, ninguém, ouve cantar canções , ninguém passa mais brincando feliz, e nos corações saudades e cinzas foi o que restou. Pelas ruas o que se vê é uma gente que nem se vê Que nem se sorri, se beija e se abraça E sai caminhando, dançando e cantando cantigas de amor”.

CAUBY PEIXOTO – A VOZ: Nascido em Niterói-RJ, em 10 de fevereiro de 1931, portanto largos 84 anos de vida, é uma das mais belas vozes do mundo – caracterizada pelo timbre grave e aveludado, mas principalmente pelo estilo “dândi”, que inclui figurinos e penteados excêntricos. Em atividade desde o final da década de 1940, Cauby é conhecido no meio artístico como Professor. Proveniente de uma família de músicos, o pai tocava violão, a mãe bandolim, os irmãos eram instrumentistas e o tio pianista. Cauby é primo do cantor Ciro Monteiro, portanto o talento musical vem no sangue. Teve suas roupas rasgadas, várias vezes, pelas milhares de fãs que não se continham em vê-lo cantar, mas queriam beijá-lo e abraçá-lo, seja no Rio, em São Paulo, em Belo Horizonte ou até no México e na Espanha. Em 1956, gravou três LPs. Em “Você, a música e Cauby” lançou o grande sucesso do ano e sua interpretação mais famosa, o samba-canção “Conceição”, de Jair Amorim e Dunga. Em uma excursão pelos Estados Unidos, na década de 1980, foi levado à presença de Sua Excelência Francis Albert “Frank” Sinatra, a quem deixou vivamente impressionado pela sua excelente performance artística, De improviso, Cauby cantou para Sinatra os principais sucessos americanos “My Way” e “New York, New York”. Foi o bastante para os olhos azuis nunca mais esquecer do professor, o referenciando sempre, como “A Voz”. Na minha avaliação Cauby se superou ao exuberante Blue Gardênia, quando fala em flor de recordações, e ao Sorri (Smile) versão traduzida do genial Charles Chaplin, ao cantar Ninguém é de Ninguém: “Ninguém é de ninguém, Na vida tudo passa, Ninguém é de ninguém, até quem nos abraça, não há recordação que não tenha seu fim, Ninguém é de ninguém, O mundo é mesmo assim”. E você leitor, claro que não vai de petróleo misturado com propina e ladravazes? Dá vergonha mesmo o que estamos (estupefatos) assistindo, com os poderosos mal disfarçando que nada sabiam. Então faço votos que você prefira solfejar, para espantar tantos males. Eu, já escolhi. Mesmo triste e desencantado com o noticiário político (que passou a ser policial), fico com a saudade permanente de Elis Regina, e com o vigor da inconfundível voz de Cauby Peixoto. (Os) Dois são, diferentemente da matemática, ímpares.

 

O CANGACEIRO DO CEARÁ

“O destempero com as palavras sempre têm consequências muitas vezes devastadoras para quem as profere”

Por Paulo Afonso Linhares 

Paulo Linhares

Paulo Afonso Linhares é jurista e diretor da Rádio e do Portal Difusora

Confesso: até que gosto às vezes desse estilo “arrasa-quarteirão”, pois não é que tenha pavio curto, mas, na verdade, nem sempre posso detectar em mim algum pavio… Entretanto, quando a  vida tem como referência preceitos republicanos é inevitável algumas cautelas, porquanto o nosso cotidiano há de se pautar pelos viveres de outras pessoas. Daí que uma regra básica é a de que nem sempre devemos dizer o que pensamos, embora possa ser isto uma coisa justa e correta. Nesses momentos, efetivamente o silêncio tem valor do ouro mais puro.

 O destempero com as palavras sempre têm consequências muitas vezes devastadoras para quem as profere. Veja o  recentíssimo exemplo do ex-ministro da Educação Cid Gomes: num desnecessário arroubo puxado a cangaceirice lampionesca, afirmou publicamente que na Câmara Federal havia “400 achacadores”.  De princípio, nada demais, pois Lula igualmente afirmou, noutro momento, que no Parlamento nacional “havia 300 picaretas”. Na época, ele próprio era deputado federal. Daí que não levaram tão a sério a assertiva, mesmo porque não ficou bem esclarecido se ele se referia a seus colegas deputados ou às ferramentas próprias para cavar à terra, as picaretas, que certamente são utilizadas largamente por diversos departamentos administrativos do Senado e da Câmara dos
Deputados…

O caso do então ministro Cid Gomes foi bem pior: sem razão alguma jogou essa bomba cujo único alvo foi a própria relação – deterioradíssima – entre o Executivo federal e o Congresso. Fosse um desse ministro cujo nome sequer conhecemos, de uma pasta que jamais mereceria ser chamada “departamento” de alguma coisa inexpressiva, em nada perturbaria os céus já plúmbeos da Esplanada dos Ministérios. A coisa pegou, todavia, porque se tratava de um ministro de grande expressão para o (combalido) governo Dilma: o festejadíssimo ex-governador do Estado do Ceará que, num  gesto de enorme ousadia, conseguiu eleger praticamente um poste  (o atual governador Camilo Santana, do PT), ademais de garantir cerca de 3 milhões de votos para a candidata Dilma Rousseff às eleições de 2014. Sem dúvida, mais esse rebento do clã sobralense dos Ferreira Gomes se mostrou competente enquanto operador político, a exemplo do mano Ciro Gomes, porém, igualmente um empedernido  boquirroto.

O mais interessante é que o então ministro e ex-governador Cid Gomes, que nada tem a ver com a temperança de El Cid Campeador, como chamavam aquele nobre guerreiro castelhano Rodrigo Díaz de Vivar, resolveu diretamente afrontar os “400 achacadores”: à frente de uma enorme comitiva de políticos seus conterrâneos e correligionários, foi ao Plenário da Câmara dos Deputados para dar explicações sobre o seu gesto. Na tribuna da Câmara virou o cão-chupando-manga e colocou bem mais lenha na fogueira que arde entre o Congresso e o Palácio do Planalto, inclusive quando expressou uma postura extremamente agressiva contra o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a quem cobrou que “largasse o osso” antes de literalmente sitiar o governo Dilma/Temer. Um enorme e jamais imaginado constrangimento. Uma atitude em nada republicana do ex-governador cearense.  Lastimável.

A atitude jaguncesca de Cid Gomes trouxe à memória o gesto tresloucado de Antonio Tejero Molina, ex-tenente-coronel da Guarda Civil espanhola, que liderou de uma solitária  tentativa de golpe de Estado da ultradireita, em 23 de fevereiro de 1981, quando  invadiu o Parlamento espanhol a dar tiros para o alto  e fez vários reféns. Gesto patético e absolutamente fora de época e propósito. Lixo, puro lixo.

Por fim, a fanfarronice de Cid Gomes fez lembrar a atitude de Carlos Lacerda, em maio de 1957, quando fez sua defesa por dez horas seguidas perante a Comissão de Constituição e Justiça da Câmera Federal, no Rio de Janeiro, no inquérito instaurado a pedido da Justiça Militar, que conseguiu quebrar sua a imunidade parlamentar. Claro, o Corvo apesar de todos os pesares mostrou enorme genialidade. Deu um enorme banho que ainda hoje serve de lição para os que admiram os dons da oratória. Cid nem de longe conseguiu isso. Apenas agravou em muito as agruras do governo Dilma que, ao menos, deveria ser poupado disso. E nem precisa de cangaceiro algum, posto que particularmente até aprecie eu  algumas cangaceirices. É que elas só complicam neste delicado momento da vida nacional.  É osso!

 

Em crise, PT perdeu o recato, o discurso e a rua

Artigo 

Por Josias de Souza 

Quando estourou o mensalão, o PT simulou desconforto. Chegou mesmo a encenar o expurgo do então tesoureiro Delúbio Soares dos seus quadros. Hoje, no auge do petrolão, o partido não consegue exibir nem mesmo um mal-estar fingido. Perdeu inteiramente o recato.

Quando a cúpula do PT foi parar na cadeia, o partido fez pose de vítima injustiçada. Hoje, com o tesoureiro João Vaccari Neto denunciado pela Procuradoria e o mito José Dirceu devolvido às manchetes policiais, a legenda finge-se de morta. O PT perdeu o discurso.

No primeiro mandato de Lula, quando a oposição ensaiou um coro de impeachment, o PT ameaçou convulsionar o asfalto. Há uma semana, o meio-fio rosnou para o petismo e pediu a saída de Dilma. O PT perdeu o monopólio da rua.

No comando do poder federal desde 2003, o PT atravessa a mais grave crise de sua curta existência de 35 anos. A legenda chega ao seu 5º Congresso, marcado para junho, de ponta-cabeça.

Considerando-se a pauta do Congresso —da “atualidade do socialismo petista” até “a economia política pós-neoliberal”— o PT está perdido. Não é que o partido não tenha farejado uma solução para o seu problema. Em verdade, o PT ainda não enxergou nem o problema.

O PT assiste à hemorragia da recém-instalada segunda administração de Dilma Rousseff com a passividade de quem se julga capaz de ressuscitar com Lula em 2018. Erro primário. Sem Dilma, pode não haver Lula daqui a três anos e nove meses.

Pregoeiro do “nós-contra-eles”, o PT testemunha o crescimento do “quase-todos-contra-nós”. Acusa os adversários de estimularem o ódio contra o PT. Mas esquece de levar em conta que o antipetismo é uma reação ao ódio destilado pelo PT.

O manual anticrise do PT está com o prazo de validade vencido. Qualquer um que não reze pelo catecismo da legenda é um lacaio da elite branca de olhos azuis. Mas a crise moral e a ruína política que fazem a caveira do PT não carregam as digitais da oposição. Com a imagem e as práticas estilhaçadas, o PT afunda sozinho.

Fonte: www.uol.com.br

No reino dos suricatos. Não dos suricatos. Dos lugares comuns

Quem anda escrevendo o que Dilma lê?

Por Ricardo Noblat

Leiam com atenção a frase abaixo, dita, ontem, pela presidente Dilma em viagem ao Rio Grande do Sul.

–  “Tem gente no Brasil que aposta no quanto pior, melhor. São os chamados pescadores de águas turvas. O que querem não me interessa. O fato é que apostam contra o Brasil. Você não pode apostar contra o seu país.

Despetalando a margarida:

– (…) aposta no quanto pior, melhor.

Frase feita. Velha, Lugar comum. Clichê.

Pode fazer jus à inteligência de quem a disse. Jamais à inteligência que a escutou.

– (…) pescadores de águas turvas.

Outro deplorável lugar comum. Para se fazer entender, você não precisa fazer concessões à pobreza de vocabulário e de imaginação.

– (…) apostar contra seu país.

Outra frase feita. Pobre. Gasta. Sem brilho. Nivela todo mundo por baixo.

Quem anda escrevendo o que Dilma lê?

Fonte: www.blogdonoblat.com.br

Enquanto PT alopra, PMDB testa caminhos da governabilidade

Ou: Temer e um certo ar presidencial…

Por Reinaldo Azevedo

Na quarta-feira, Michel Temer (PMDB), vice-presidente da República, concedeu uma entrevista a Roberto d’Avila, na GloboNews. Lembrava, assim, autoridade de antigamente. De quando? De antigamente! Não me refiro a um tempo histórico. Falava com cuidado, evitava inimigos, condescendia com os adversários, entendia as ruas, mantinha o tom sempre sereno. Temer, em suma, não parecia pertencer àquele suposto “país do caos”,  retratado num documento da Secom que recomenda à presidente que caia na ilegalidade.

O vice-presidente tem procurado líderes da oposição para conversar… Já falou com Aécio Neves, com José Serra, com Fernando Henrique Cardoso, com ACM Neto… Enquanto isso, Rui Falcão, presidente do PT, prefere lançar um grito de guerra contra a mídia e denuncia golpismo. Os auroproclamados “movimentos sociais” — meras franjas do próprio petismo — saem por aí a bloquear estradas e avenidas, a incitar Dilma a dar um guinada à esquerda e a pedir a cabeça de Joaquim Levy. Em sua mente perturbada, querem aproveitar a crise para radicalizar.

Vale dizer: embora a presidente legal seja Dilma; embora o PT domine a quase totalidade da máquina pública; embora os companheiros estejam maciçamente aboletados no estado, é o PMDB que está se ocupando da governabilidade — dessa precária, que está aí, ou de outra que possa sucedê-la.

Temer tem conversado ainda com empresários. Nesta sexta, almoça no Secovi, o Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo.  E, obviamente, ninguém deve supor — porque seria mesmo falso — que ele conjecture sobre qualquer outra possibilidade que não seja Dilma concluir o seu mandato. Ao contrário: o vice-presidente expressa a convicção de que a crise vai arrefecer. E conversa.

Dilma, com suas escolhas incompreensíveis, presta um favor imenso a seu vice: resolveu deixar claro que ele não é governo e pronto! A esta altura, convenham, só restaria a Temer um embevecido agradecimento, não é mesmo? Embora a “Lista de Janot” inclua Eduardo Cunha (RJ) e Renan Calheiros (AL) — presidentes da Câmara e do Senado, respectivamente —, o PMDB não está no olho do furacão.

É bem verdade que Cunha ocupou, na legenda, parte do espaço que antes cabia ao vice. Há, e isto é inescapável, certa tensão no ar, mas nada que não se resolva com uma boa conversa. Erra quem apostar num curto-circuito nessa relação. De resto, o presidente da Câmara também tem buscado ampliar a sua interlocução.

Assisti à entrevista de Temer em companhia da minha mulher. Depois de alguns minutos de respostas monocórdias, pautada por um rigoroso decoro institucional, ela comentou, com alguma ironia: “Não é a isso que chamavam antigamente de ‘ar presidencial?”. Respondo: é, sim!

Não custa destacar que ninguém se lembrou do PMDB nas ruas. O nome do vice não foi pronunciado. Se Temer tivesse vestido uma camiseta amarela e gritado “Fora Dilma”, poucos o reconheceriam. A crise política tem sigla. A crise política tem cara.

Não estou sendo oblíquo, não. Não estou “batendo na cangalha para o burro entender”, como se diz na minha terra. Estou sendo até bem claro: no campo governista, alguém precisa fazer alguma política que não seja só a do desespero e da porra-louquice.
Não sei se Dilma vai ou fica. Com ela ou sem ela, o tão malhado PMDB, vejam que coisa!, começa a surgir como uma garantia contra o “caos”, aquele que, segundo a Secom, já estaria por aí.

Fonte: www.veja.com.br

Cid Gomes dá seu show, posa de herói, e perde o palanque que o Ministério da Educação lhe garantia

O pau cantou nos deputados 

Por Ricardo Noblat

Há muito de farsa e pouco de verdade em tudo o que foi dito, ontem, por personagens de primeiro plano e de bastidores da trapalhada cometida por Cid Gomes, ex-governador do Ceará, e que lhe custou o cargo de ministro de Educação do que a presidente Dilma chama de “Pátria Educadora”, o novo slogan do seu segundo governo.

Tudo começou com uma visita de Cid, no último dia 27, a Belém do Pará. Para fazer jus à sua imagem de boquirroto, não resistiu a dizer o que pensava do Congresso durante um debate com professores e alunos. Chamou o Congresso de antro de “achacadores”. Afirmou que existem ali entre 300 e 400 achacadores.

Uma fita com as declarações de Cid bateu nas mãos de Hélder Barbalho (PMDB-PA), ministro da Pesca, filho do ex-senador Jáder Barbalho. De Hélder a fita passou para o líder do PMDB na Câmara dos Deputados. E deu origem à convocação feita pela Câmara para que Cid se explicasse.

Dilma não gostou da confusão que se armava. Ela quer tudo, menos se atritar com o PMDB. Recomendou a Cid que desse um jeito de recuar do que dissera, salvando a própria face se isso fosse possível. Primeiro Ciro inventou que estava muito doente, e se internou no Hospital Sírio Libanês para fugir à convocação.

Uma junta de três médicos, que são também deputados, visitou Cid no hospital. E constatou que ele sofria de “sinusite leve”. Cid foi então reconvocado. E, ontem, apresentou-se no plenário da Câmara para enfrentar os deputados. Dois de seus quatro irmãos, entre eles o ex-ministro Ciro Gomes, estavam em Brasília.

Os Gomes têm fama no Ceará de não levar desaforo para casa. Ciro aconselhou Cid a reafirmar tudo o que havia dito em Belém. Perderia o cargo de ministro, é fato. Mas sairia como herói por ter enfrentado os deputados. Especialmente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, a quem chamou de “achacador”.

Cid telefonou para amigos dizendo como se comportaria na Câmara. E pedindo que o assistissem pela televisão. Um dos amigos avisado por ele foi o cantor Fagner, que estará esta tarde em Brasília. O show de Cid foi ao ar exatamente como ele imaginara. Da Câmara, ele foi ao encontro de Dilma para pedir demissão.

Sabia que se não o fizesse seria demitido. Antes que ele saísse do Palácio do Planalto, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, telefonou para Eduardo e informou que Dilma demitira Cid. Pouco importa se ele pediu demissão ou se ela o demitiu. Cid perdeu um palanque. Dilma ganhou uma vaga no governo para negociar com os que a apoiam.

Se dependesse de Lula, Cid seria substituído por Mercadante. E Jaques Wagner, ex-governador da Bahia e atual ministro da Defesa, ocuparia a Casa Civil. O PMDB cobra um ministério de peso a Dilma, o sexto. Não quer o da Educação porque acha que ele não tem autonomia para, digamos, facilitar a vida do partido.

Um emprego com bom salário espera Cid no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).