Category Archives: Entrevistas

ENTREVISTA – “EL CHACO”

Frases de “El Chaco” publicadas pela revista americana Rolling Stones 

POR SEAN PENN

 O narcotraficante Joaquín 'El Chapo' Guzmán cumprimenta Sean Penn - Divulgação

A vaidade do traficante mexicano Joaquín “El Chapo” Guzmán, que foi recapturado na sexta-feira em Sinaloa, cidade onde ele fundou um dos maiores e mais violentos cartéis de drogas do planeta, pode ter contribuído para que ele fosse encontrado pelas autoridades mexicanas. O criminoso chegou a conceder uma entrevista ao ator americano Sean Penn para a revista Rolling Stone – e o relato ajudou a polícia a capturá-lo, afirma o governo do México. Confira frases publicadas pela revista no final de semana, enquanto governo do México encaminha extradição de “El Chapo” 

1 Número Um

“Eu forneço mais heroína, metafetamina, cocaína e maconha que qualquer outro no mundo. Eu tenho uma frota de submarinos, aeronavas, caminhões e barcos.”

2 Consciência
“É uma realidade que as droagas destroem. Infelizmente, como lhes digo, onde eu cresci não havia outra maneira e não há outra forma de sobreviver, não há outro caminho de trabalho.”

3Oportunidade
“A única maneira de obter dinheiro e comprar comida, de sobreviver, era cultivando papoula e maconha. Então com aquela idade (15 anos) eu comecei a cultivar e vender. Isso é o que eu posso ter dizer.”

4 Cárcere
“Eu acredito que se eles (governo maxicano) me encontrarem, eles vão me prender com certeza.”

5 Narcos
“eu o encontrei (Pablo Escobar) uma vez, na casa dele. Uma grande casa.”

6 Família
“Eu vejo (a mãe) sempre. Esperava que a gente pudesse se encontrar no meu sítio e vocês conhecessem minha mãe. Ela sabe mais de mim do que eu, mas algo deu errado e os planos mudaram.”

7 Cerco
“Em 6 de outubro, helicópteres iniciaram confronto logo que chegaram. As famílias tiveram que escapar e abanonar as suas casas com medo de morrer. Não sabemos quantos ao total. Eu só machuquei a perna um pouco.”

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Entrevista: Jório Nogueira no Jornal De Fato

Presidente da Câmara e da FECAM é entrevistado pelo jornalista Magnos Alves 

O presidente da Câmara Municipal de Mossoró e da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FECAM), vereador Jório Nogueira (PSD), foi o entrevistado especial do jornal e portal De Fato, no final de semana. Veja a entrevista do jornalista-blogueiro, Magnos Alves:

POR MAGNOS ALVES 

Jório Nogueira em entrevista ao Jornal de Fato – Foto: Edilberto Barros

Você se colocou contrário à votação do projeto dos royalties da forma como foi feita, por qual motivo já que se tratava de uma orientação de Silveira?

Eu nunca me coloquei contra. Defendia apenas que fosse realizada a Audiência Pública da forma que havia sido combinado. Vi também que existia um pedido de urgência feito pela bancada de situação, para que o Projeto fosse aprovado naquela semana, pois o prefeito Francisco José Júnior, falou que havia um prazo que iria até sexta-feira, dia 13. Então, sugeri que a Audiência que estava marcada para o dia 16, fosse antecipada para a quinta-feira, 12, e se convocasse uma extraordinária para o dia seguinte, no caso dia 13. Essa foi a minha posição.

Como você avalia o comportamento das bancadas de situação e oposição?

Analiso que no Parlamento é natural que cada um defenda a posição que acha correta. Quem integra a bancada de situação, faz seu trabalho e, igualmente, os vereadores de oposição fazem seu trabalho. Mas, considero louvável que esse projeto pois vai atualizar alguns pagamentos em diversas áreas. E a oposição não aceita pois acha que o prefeito pode se beneficiar.

O prefeito tem conseguido aprovar tudo que tem interesse na Câmara por força de sua bancada, como você, como presidente, ver o Executivo atuando como rolo compressor sobre o Legislativo?

Eu não vejo nenhum rolo compressor do Poder Executivo sobre o Legislativo. A bancada de situação tem  aprovado o que tem sido apresentado pelo prefeito Francisco José Júnior, em benefício do povo. Mas, acho que é necessário que sempre seja mantido um debate sobre os projetos para que a população saiba o que está sendo aprovado e qual a finalidade.

A forma como a maioria dos vereadores, que forma a bancada do prefeito, está se comportando não piora a imagem que o cidadão tem da Câmara?

Não entendo que a bancada de situação venha se comportando de forma a comprometer a imagem da Câmara Municipal de Mossoró. Muito pelo contrário. Vejo cada vereador governista trabalhando em benefício da população, da mesma forma que os vereadores de oposição.

A criação da Fundação Aldenor Nogueira foi cercada de muita polêmica, quando ela de fato passa a existir e serão feitas as contratações previstas em sua formação?

Toda televisão legislativa que funcionar no Brasil é mantida por uma fundação. E a Fundação Aldenor Nogueira foi criada exatamente para viabilizar a manutenção da TV Câmara Mossoró que tem prestado um grande serviço ao povo de Mossoró. E dentro do que determina a lei, quando for necessário, serão feitas as contratações para preenchimento de vagas no quadro de servidores da Câmara Municipal.

Silveira desencadeou uma campanha na midia contra Rosalba Ciarlini e tem agido nos bastidores para que ele continue inelegível, você também torce pela inelegibilidade da ex-governadora?

Eu desconheço qualquer campanha do prefeito Francisco José Júnior contra a ex-governadora do Estado, Rosalba Ciarlini. Até pelo fato de o grupo político da ex-governadora ter uma boa relação com o governador Robinson Faria, inclusive o deputado federal Beto Rosado é nosso aliado. Pelo contrário, o prefeito tem dito que uma parceria com Rosalba e seu grupo é importante para o município de Mossoró.

O governador concedeu entrevista em Natal demonstrando certa incerteza sobre a candidatura de Silveira a reeleição, como você ver a situação do prefeito para 2016?

O governador Robinson Faria tem deixado claro que o PSD terá um candidato a prefeito de Mossoró e que esse candidato é o prefeito, Francisco José Júnior. Então, não existe o que se questionar.

Você está à disposição para ser o candidato do PSD caso Silveira não seja candidato?

O PSD entende que o prefeito de Mossoró, Francisco José Júnior, é o candidato natural à reeleição. E o meu nome sempre esteve e continuará a disposição para colaborar com o PSD e apoiar a reeleição do prefeito Francisco José Júnior.

O governado Robinson foi eleito com a contribuição decisiva de Mossoró, mas sumiu da cidade, qual o motivo?

O governador Robinson Faria, em nenhum momento, sumiu da cidade de Mossoró. Ele tem percorrido o Estado e, inclusive, prepara uma agenda positiva para Mossoró. O seu governo tem trabalhado em todo Estado, e no momento oportuno o governador desembarcará em Mossoró com grandes projetos que estão sendo elaborados por sua equipe.

Para concluir. Qual é a marca positiva do PSD no Governo, Município e na Câmara?

Eu acredito que a marca positiva do PSD, em primeiro lugar é ter eleito Robinson Faria, governador. Robinson é competente e sério. Ele estando à frente do Governo será um grande governador para o Rio Grande do Norte.

Em Mossoró, o PSD, com o prefeito Francisco José Júnior, tem contribuído para o desenvolvimento do município. Claro, que com essa crise econômica que acontece no Brasil, a Prefeitura de Mossoró enfrenta algumas dificuldades. Mas, o prefeito tem tentado realizar algumas ações. Acredito que só em ter boas intenções e buscar solucionar os problemas existentes nas áreas da saúde, educação, segurança, como vem fazendo, o prefeito já realiza uma grande ação. Sobre nosso trabalho como presidente da Câmara Municipal de Mossoró, quem chega na Casa, já sente a diferença. A partir da transparência com a implantação da TV Câmara Mossoró que já tem prestado um grande serviço. Realizamos a acessibilidade com instalação de um novo elevador; tornamos a Câmara Cultural um evento que tem homenageado um amplo espaço da classe artística. Também, já estamos trabalhando para a instalação da Rádio Câmara Mossoró. E isso tudo e outras ações iremos apresentar em um balanço sobre nossa gestão.

Fonte: Blog do Magnos Alves

 

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

FHC: “É difícil Dilma se recuperar”

Na semana em que lança suas memórias, o ex-presidente explica a VEJA a decisão de publicá-las agora, fala sobre a crise e reflete sobre o exercício da Presidência

Por: Pedro Dias Leite e Vera Magalhães

EM CASA - Fernando Henrique: “Não tenho mais ambições”

EM CASA – Fernando Henrique: “Não tenho mais ambições”(Laílson Santos/VEJA)

Mais de vinte anos depois do início dos registros históricos de seu tempo na Presidência que surgem em seus diários, Fernando Henrique Cardoso mantém um olhar atento – e crítico – sobre o que se passa em Brasília e no Brasil. O ex-presidente avalia que o país já se distanciou do início da crise, mas ainda não está perto do fim dela. Mesmo que não chegue a cravar que o governo de Dilma Rousseff não tem mais salvação – “em política, o futuro é inventado, não está dado” -, avalia que as chances de recuperação da petista são ínfimas. Guarda as palavras mais duras para seu sucessor, Luiz Inácio Lula da Silva, que está “enterrando a própria história” por continuar persistentemente a fazer “escolhas erradas”. O tucano também dissipa as dúvidas sobre a saída que o PSDB busca para a crise e afirma que o partido defende a cassação da chapa de Dilma, por ter recebido dinheiro do petrolão na campanha, e que vai votar a favor do impeachment quando, e se, a questão do afastamento constitucional da presidente chegar ao plenário da Câmara dos Deputados.

Mas na entrevista de uma hora e meia que concedeu a VEJA em seu apartamento em Higienópolis, na manhã de quarta-feira, o ex-presidente não falou só da atualidade. Expôs os motivos que o levaram a publicar em vida seus diários – um deles foi definir as regras para a edição do gigantesco material se porventura a saúde lhe faltar antes do fim da empreitada – e afirmou que não teme o julgamento da História, tampouco a repercussão da divulgação de suas memórias. “Quem entra para a vida política tem de ter muita firmeza interior. Quando você entra para a política, você é responsável pelos seus atos. Fiz com boa intenção, não roubei, não censurei, não protegi, não persegui.”

FHC defende a tese de que tudo o que fez no governo foi porque tinha, e ainda tem, um projeto claro de país. Ele afirma que a virtude do homem público, do “homem de Estado” (termo que usou algumas vezes, sem jamais mencionar a palavra estadista), é conseguir levar adiante seus projetos – não é a mesma virtude individual, não tem a ver com as “verdades íntimas, convicções, ética pessoal”.

Em que ponto estamos da crise?

No meio. Quando houve a crise do Collor, que foi diferente desta, chegou um momento em que ficou nítido que era insustentável. Ele teve maioria, mas não dava atenção ao Congresso, que o percebia como soberbo – um pouco como acontece com a presidente Dilma. E isso é complicado. Os presidentes que não entenderam a dinâmica da tradição política brasileira, que pensam que o presidencialismo “imperial” tem toda essa força, não se aguentam. Getúlio usou essa força, fechou o Congresso, deu numa ditadura, não é bom. Os presidentes só conseguem levar a coisa adiante quando têm rumo, apoio da opinião pública e, por consequência, do Congresso. Essa é a ordem. O governo perdeu o rumo, perdeu o apoio da opinião pública. Aí fica rodando em falso. Vi isso no tempo do Jango. Os governos não podem deixar de produzir resultados. Por que estamos no meio da crise? Porque nosso governo está deixando de produzir resultados.

O senhor citou dois presidentes depostos e um que se suicidou. Isso demonstra que o senhor avalia que Dilma não tem como se recuperar?

Acho difícil. Em política, o futuro é inventado, não está dado. Então não vou dizer que não há possibilidade, mas que a probabilidade de recuperação é baixa, isso é.

A crise ainda vai se aprofundar?

Sim, até porque a crise econômica ainda vai se agravar. Boa parte das pessoas que têm posição institucional importante está sob ameaça da Lava-Jato. E, para sair de uma situação intrincada como essa, vai ter de haver uma orquestração. Na crise do Collor, quando ficou inviável, o Sarney me chamou e falou: está na hora de reunirmos o congresso dos cardeais. E o que era isso? Eram pessoas que tinham sensibilidade institucional, em diversas posições, que pudessem ajudar a conduzir o processo, inclusive gente do governo. Em um dado momento, você tem de formar uma rede de pessoas que tenham compromisso com o país e com as instituições. Não chegou ainda esse momento.

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, implementa um ajuste que boa parte do governo rejeita. O senhor teme uma saída à esquerda para essa crise, com abandono do ajuste fiscal?

Se for por aí, vai enveredar para o caos. É preciso entender como funciona o mundo atual, que é interligado. Se você não atentar a certas regras de equilíbrio orçamentário, não vai ter crédito. E, se não tiver crédito, não funciona. Eu não sou monetarista, nunca fui, não acho que a dívida em si seja um pecado, entendi bem o Keynes. Mas imaginar que se criou um modelo de crescimento mágico dá no que deu.

Fonte: www.veja.com.br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Delfim: ‘A Dilma é simplesmente uma trapalhona’

Entrevista 

POR JOSIAS DE SOUZA

Em entrevista à repórter Eliane Cantanhêde, veiculada no Estadão, o ex-ministro e ex-deputado federal Delfim Netto, 87, emitiu opiniões corrosivas sobre Dilma Rousseff. Admitiu ter votado nela. Mas disse que não repetiria o gesto. Considera a presidente “absolutamente honesta”. Mas fulmina o mito da gerentona: “…Ela é simplesmente uma trapalhona.”

Delfim referiu-se à decisão do governo de enviar ao Congresso um orçamento deficitário para 2016 como “a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil”. Vão abaixo algumas das declarações do economista:

— Dilma X Ex-Dilma: […] As pessoas sabem que a presidente é uma mulher com espírito muito forte, com vontades muito duras, e ela nunca explicou porque ela deu aquela conversão na estrada de Damasco. Ela deveria ter ido à televisão, já no primeiro momento, e dizer: “Errei. Achei que o modelo que nós tínhamos ia dar certo e não deu”. Mas, não. Ela mudou sem avisar e sem explicar nada para ninguém. Como confiar?

— Direção do vento: Ela mudou um programa econômico extremamente defeituoso, que foi usado para se reeleger. Em 2011, a Dilma fez um ajuste importante, aprovou a previdência do funcionalismo público, o PIB cresceu praticamente no nível do Lula. Mas o vento que era de cauda e que ajudou muito o Lula tinha mudado e virado um vento de frente. […] Então, ela foi confrontada em 2012 com essa mudança e com a expectativa de que a inflação ia aumentar e o crescimento ia diminuir e ela alterou tudo. Passou para uma política voluntarista, intervencionista, foi pondo a mão numa coisa, noutra, noutra, noutra… Aquilo tudo foi minando a confiança do mundo empresarial e, de 2012 a 2014, o crescimento vai diminuindo, murchando.

— Efeito urna: A tragédia, na verdade, foi 2014, porque ela [Dilma] usou um axioma da política, que diz que ‘o primeiro dever do poder é continuar poder’. No momento em que ela assumiu isso, ela passou a insistir nos seus equívocos. Aliás, contra o seu ministro da Fazenda, o Guido Mantega, que tinha preparado a mudança, tanto que as primeiras medidas anunciadas pelo Joaquim Levy já estavam prontas, tinham sido feitas pelo Guido. […] O Guido não tem culpa nenhuma. E, para falar a verdade, nenhum ministro da Fazenda da Dilma tem culpa nenhuma, porque o ministro da Fazenda é a Dilma, é ela. E o custo da eleição é o grande desequilíbrio de 2014.

— Déficit de credibilidade: Como a credibilidade do governo é muito baixa, o ajuste que ele [Joaquim Levy] fez encontrou muitas dificuldades, não teve sucesso porque não foi possível dizer que o ajuste era simplesmente uma ponte.

— Barbeiragem histórica: O primeiro equívoco mortal foi encaminhar para o Congresso uma proposta de Orçamento com déficit. Foi a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil. A interpretação do mercado foi a seguinte: o governo jogou a toalha, abriu mão de sua responsabilidade, é impotente, então, seja o que Deus quiser, o Congresso que se vire aí.

— Governo Frankenstein: A briga interna ocorre em qualquer governo, mas o presidente tem de ter uma coisa muito clara: ele opta por um e manda o outro embora. Um governo não pode ter dentro de si essas contradições, senão vira um Frankenstein. […] Quem tem de sair [Levy, Nelson Barbosa ou Aloizio Mercadante?] é problema da Dilma, mas quem assessorou isso do Orçamento com déficit levou o governo a uma decisão extremamente perigosa e desmoralizadora. E isso produziu um efeito devastador.

— Corte na carne dos outros: O aumento da Cide seria infinitamente melhor. CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre mesmo. Ele está sendo usado porque o programa do governo é uma fraude, um truque, uma decepção – não tem corte nenhum, só substituição de uma despesa por outra e o que parece corte é verba cortada do outro. Dizem que vão usar a verba do sistema S. Ora, meu Deus do céu! R$ 1 do sistema S produz infinitamente mais do que R$ 1 na mão do governo. Alguém duvida de que o governo é ineficiente?

— Cobra mordendo o rabo: Eles vão ter de negociar [o pacote fiscal] com a CUT e com o PT, que é o verdadeiro sindicato do funcionalismo público. Então, é quase inconcebível e vai ter uma greve geral que vai reduzir ainda mais a receita. É uma cobra que mordeu o rabo. O aumento de imposto é 55% do programa; o corte, se você acreditar que há corte, é de 19%; e a substituição interna representa 26%. Ou seja, para cada real que o governo finge que vai economizar com salários, ele quer receber R$ 3 com as transferências e o aumento de imposto. No fundo, o esforço é nulo.

— Em quem votou? Na Dilma. Mas acho que o Aécio era perfeitamente ‘servível’. Teria as mesmas dificuldades que a Dilma enfrenta, porque consertar esse negócio que está aí não é uma coisa simples para ninguém, mas ele entraria com uma outra concepção de mundo, faria um ajuste com muito menos custo e a recuperação do crescimento teria sido muito mais rápida.

— Votaria de novo? Não, primeiro porque ela não pode ser candidata. É preciso dizer que eu acho a Dilma absolutamente honesta, com absoluta honestidade de propósito, e que ela é simplesmente uma trapalhona.

— Michel Temer seguraria o rojão? Acho que sim. Nós somos muito amigos. O Temer tem qualidades, é uma pessoa extraordinária, um gentleman e um sujeito ponderado, tem tudo, mas eu refugo essa hipótese enquanto não houver provas [contra Dilma], e vou te dizer: ele também.

Fonte: www.uol.com.br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

‘Se o PT planeja ter candidatura própria, eu acho isso uma traição’, diz aliado de Silveira

O presidente da Câmara Municipal de Mossoró e da FECAM, Jório Nogueira, no “Cafezinho com César Santos”

Blog do César Santos

Se o Partido dos Trabalhadores (PT) pretende ter candidatura própria à sucessão municipal de Mossoró, deve deixar o governo e seguir o seu rumo.

A opinião, em forma de aviso, é do presidente da Câmara Municipal de Mossoró e aliado de primeira hora do Palácio da Resistência, Jório Nogueira (PSD).

Ele entende que se o PT está no governo e prepara a candidatura do vice-prefeito Luiz Carlos Martins, é uma traição. E para deixar claro que não está para brincadeira, Jório Nogueira faz duras críticas à gestão do PT à frente da Secretaria de Cultura do Município.

“Não tem projeto”, afirma.

“Até o nosso Corredor Cultural está esquecido”, reforça, para em seguida defender mudanças.

“Sem não tem projeto, não fica.”

Jório, que também é presidente da Federação das Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte (FECAM), tomou o “Cafezinho com César Santos” na sede do JORNAL DE FATO e ao defato.com falou de política e de gestão pública.

Ele prestou conta de sua gestão, disse que tem procurado melhorar o acesso da população à Casa do Povo e que esse trabalho tem recebido o reconhecimento. Jório Nogueira disse que o seu candidato em 2016 é o prefeito Silveira Júnior, mas não descartou a sua própria candidatura, caso seja a vontade do seu líder, governador Robinson Faria (PSD).

JORNAL DE FATO – O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) recomendou que Prefeituras, Câmaras e o próprio Governo do Estado investigassem a folha de servidores públicos, diante de graves distorções encontradas pela própria Corte. O senhor, como presidente da Fecam, como vê essa situação?

JÓRIO NOGUEIRA – Em primeiro lugar, quando eu assumi a presidência da Fecam, no início deste ano, senti a dificuldade de relacionamento dos Legislativos municipais com o Tribunal de Contas. Os presidentes de Câmaras reclamavam que as consultas que eram feitas ao TCE demoravam a ter uma resposta. Muitas vezes, as medidas tinham de ser tomadas em determinado tempo, e as respostas só chegavam depois. O presidente achava que tinha agido de forma certa, mas o TCE entendia que era errado, só que já havia sido feita. Então, quero dizer que acho muito importante o trabalho preventivo que o Tribunal de Contas está fazendo agora, inclusive, quero parabenizar ao presidente da Corte, conselheiro Carlos Thompson, por essa iniciativa.

DE QUE forma a Afecam vai colaborar com o trabalho preventivo do TCE?

FIRMAMOS um convênio com o Tribunal de Contas e com a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), para a realização de uma série de encontros educativos. Esses encontros servem para que o corpo técnico do TCE oriente os gestores no trato correto dos recursos públicos, principalmente sob o ponto de vista técnico. O Tribunal mostra exatamente o que o gestor pode fazer e aquilo que não pode ser feito. Vamos realizar os encontros em todas as regiões do Estado. O primeiro aconteceu em Mossoró, com gestores do Médio Oeste; o segundo em Pau dos Ferros, abrangendo todo o Alto Oeste. Os próximos serão em Natal e Caicó e depois seguiremos para outras regiões.  Entendemos que isso é um avanço e quando o Tribunal de Contas nos oferece esse tipo de assessoria, nós só podemos agradecer, porque a partir daí os presidentes de Câmaras terão a exata noção do que é certo ou errado.

A RECOMENDAÇÃO do TCE-RN revelando irregularidades graves não passa a ideia de denúncia antes da orientação?

NÃO vejo assim. Acho importante essa iniciativa do presidente do Tribunal de Contas, Carlos Thompson, de tornar público a existência de várias irregularidades, inclusive algumas bastante graves, porque a partir daí será possível fazer um trabalho de depuração nas Câmaras e Prefeituras. Quero dizer aos meus colegas presidentes que tomem as providências urgentes e necessárias, porque o Tribunal está oferecendo a oportunidade de consertar os erros antes da punição. A partir daí, será possível todos exercerem os seus mandatos com mais transparência, mais segurança e, acima de tudo, zelando pelo bem público.

A CÂMARA Municipal de Mossoró está listada na série de irregularidades reveladas pelo Tribunal de Contas?

OLHE, eu ainda não tive acesso à relação elaborada pelo TCE, no entanto, pelas recomendações que chegaram ao meu conhecimento, é provável que existam alguns casos de irregularidades. Inclusive, a minha assessoria jurídica detectou alguns pontos que precisam ser resolvidos, como cargos que existiam na Câmara de forma errada. Na auditoria realizada pelo Tribunal de Contas, algumas irregularidades foram constatadas e nós tomamos as providências. Quero dizer que nós estamos atendendo o mais rápido possível todas as recomendações do TCE, não apenas para mostrar a nossa determinação de fazer a coisa certa, mas de cumprir com o nosso dever de homem público, que é zelar pelo patrimônio do povo.

A SUA gestão tem se destacado com medidas pontuais e que recebe, de certa forma, a aprovação popular. O senhor definiu uma pauta positiva pensando em projetos futuros?

MEU projeto é fazer uma boa gestão. Isso é uma questão de espírito público. Eu já estou cumprindo o meu quarto mandato, tenho experiência suficiente para realizar uma gestão que seja compatível com a ansiedade da população. Por exemplo, as pessoas quando visitavam a Câmara reclamavam das dificuldades de acessibilidade, principalmente de portadores de deficiência física. Decidimos melhorar essa condição. É uma obra de pequeno investimento, mas de grande importância. Estamos colocando um novo elevador para atender a essas pessoas que precisam de atenção especial. É bom ressaltar que fizemos um apelo aos proprietários do imóvel de nossa sede para que eles assumissem essa conta e fomos atendidos. A obra de melhorias não tem recursos públicos, o que é muito importante neste momento de crise.

ESSE tipo de obra torna o gestor popular, o que sugere projeto político-eleitoral mais audacioso, o senhor não concorda?

VEJA, não estou pensando sobre eleições, mas sim fazer uma boa gestão. Veja a criação da TV Câmara, que é o marco na comunicação do Legislativo mossoroense. É um novo veículo de comunicação social, com uma programação diversificada, programas ao vivo, com o canal 24 horas no ar. Na grade, já temos programas produzidos por profissionais da cidade, como o Jornal da Câmara e Esporte Legal, que estreará nesta segunda-feira (24). Muito em breve, teremos outros programas valorizando a cultura, saúde, comportamento etc.. Esse é um ponto positivo da minha gestão, que creio que é recebido pela população.

A SUA gestão também acaba de criar a Fundação Vereador Aldenor Nogueira, que será responsável pela coordenação da TV Câmara. Essa entidade, no entanto, vem criando polêmica, com queixas de vereadores da oposição. Isso não pode trazer prejuízo à imagem do Legislativo?

NÃO. O debate é natural, inclusive, deve existir sempre. Agora, o mais importante é o papel que a fundação vai cumprir. É preciso ser dito que o nome do meu pai (Aldenor Nogueira) na fundação não foi iniciativa minha, mas sim dos meus colegas vereadores. Eu não legislo em causa própria. A iniciativa dos colegas, quero dizer, é felicidade muito grande para mim, porque o nome do meu pai é colocado numa entidade que vai exercer um papel muito importante na comunicação social no Legislativo e na cidade de Mossoró. Além da fundação e da obra de acessibilidade, realizamos muitas outras ações importantes, como o projeto Câmara Cultural, que estamos levando a outros pontos da cidade, inclusive, servindo para resgatar o Corredor Cultural da cidade, que está esquecido pela Secretaria de Cultura; implantação do ponto eletrônico; antecipação de 40% do décimo terceiro salário dos servidores públicos; criamos as cabines da imprensa, entre tantas outras. Então, acho que estamos no caminho certo.

HOUVE reação em relação ao controle da Fundação Vereador Aldenor Nogueira, inclusive, de vereadores da bancada governista. A sessão que criaria a fundação foi suspensa, com discursos inflamados de lado a lado. Esse impasse dividiu a base de apoio de sua gestão?

HOUVE o desentendimento, é verdade. Faltou diálogo de nosso grupo para conduzir melhor essa questão. O problema não foi Jório Nogueira, é bom que se deixe claro. Cinco vereadores da nossa bancada entenderam de se juntar à oposição, que até hoje não sei por qual motivo. Vou até citar os nomes: Celso Lanche (PV), Alex do Frango (PV), Tassyo Mardonyy (PSDB), Lucélio (PTB) e Genilson Alves (PTN). Esse grupo tentou uma manobra para ficar com a direção da fundação. Eu apenas chamei todos da bancada para dialogar e disse que não queria ser visto como o político que ganhou as presidências da Câmara, da Afecam e da fundação, inclusive, coloquei de forma bem clara que eles ficassem à vontade para tomar o rumo que quisessem.

MAS, o que aconteceu, presidente?

OLHE, só eles podem responder. Agora, depois do episódio, onze vereadores da bancada governista estiveram comigo, repudiando o comportamento desses cinco companheiros que, ao invés de dialogar com a nossa bancada, foram procurar a oposição. Isso provocou o desentendimento dentro da nossa bancada e eu me coloquei à disposição de abrir o diálogo com todos, para apaziguar a situação. De minha parte, não tenho problema com nenhum dos vereadores. Acredito que o diálogo será restabelecido e a situação será resolvida (nota do blog: a Fundação Vereador Aldenor Nogueira foi criada em sessão extraordinária nesta sexta-feira, 21, sem a presença dos vereadores de oposição e dos cinco governistas rebelados).

O SENHOR citou agora pouco, ao falar sobre o projeto Câmara Cultural, que o Corredor Cultural de Mossoró estava esquecido. Essa é uma crítica à gestão do prefeito Silveira Júnior (PSD)?

OLHE, César, a gente vê que o Município passa por algumas dificuldades, por crise, para ser mais justo. A Secretaria de Cultura mostra que tem algumas dificuldades para realizar a sua missão, principalmente na organização de alguns eventos do nosso calendário. Não acho que a culpa é do prefeito. Quando o gestor nomeia um secretário, ele tem de ser preparado para realizar a sua função com competência. É preciso ter ideias, projetos. Acho que a Secretaria de Cultura não tem apresentado projetos e o prefeito é quem fica com essa dificuldade, mas a culpa não é dele, e sim de quem está conduzindo a pasta da cultura. Todos nós sabemos que o Corredor Cultural era bastante movimentado, com muitos projetos, atividades, e agora praticamente não acontece nada. Mas, para não deixar morrer, vamos fazer a nossa parte, preenchendo essa lacuna com o projeto Câmara Cultural.

O SENHOR faz duras críticas à Secretaria de Cultura. Essa pasta é conduzida pelo PT, que indicou Izolda Dantas. Quer dizer que o PT não sabe administrar?

O PT tem dificuldade de administrar a partir do Governo Federal, ou seja, essa questão do PT não é só local, mas sim nacional. Acho que falta habilidade de o PT gerir alguma pasta, e olhe que o PT tem a cara da cultura. Então, a cultura está nas mãos do PT e ele não está fazendo uma boa gestão, não está fazendo acontecer da forma que deveria acontecer.

COMO presidente da Câmara e parceiro da gestão Silveira Júnior, não caberia uma cobrança mais efetiva?

EU TENHO cobrado muito. Inclusive, tenho dito que quem tem projeto, fica; quem não tem, sai. O prefeito deu oportunidade a alguns secretários e os que não estão correspondendo devem sair. O prefeito não pode pagar por erros de auxiliares. Defendo que o prefeito tenha atitude, que faça as mudanças que precisam ser feitas.

PEGANDO o gancho do que o senhor disse: quem tem projeto, fica; quem não tem, sai. Uma parte do PT tem projeto de candidatura própria com o nome do vice-prefeito Luiz Carlos Martins. É o caso de sair ou ficar?

SE O PT tem essa pretensão de candidatura própria, a primeira coisa que deveria fazer é romper com o prefeito. Não acho certo o partido ficar dentro do governo preparando uma arapuca para o prefeito. O prefeito precisa de aliados que ele possa confiar e que possa contar nas eleições de 2016. Então, se o PT tem a pretensão de candidatura própria, está no momento de deixar o governo e seguir o seu rumo. E se eles, realmente, estão planejando uma candidatura, eu considero isso uma traição.

A SITUAÇÃO do PMDB não é parecida com a do PT. O presidente estadual, ministro Henrique Alves, veio a Mossoró para dizer que o PMDB terá candidatura própria à Prefeitura em 2016. Mesmo assim, o partido, com três vereadores, faz parte da base governista. Não é uma incoerência?

A QUESTÃO do PMDB é diferente. Os três vereadores do partido, Alex Moacir, Izabel Montenegro e Claudionor dos Santos, têm sido muito corretos com o governo municipal. Eles, inclusive, vêm sinalizando que querem apoiar a reeleição do prefeito. Hoje, existe um apoio administrativo, e no próximo ano poderá ter o apoio político-eleitoral. Essa posição dos vereadores não é a mesma do PT, que, ao que sabe, quer ter candidato próprio à sucessão municipal.

O NOME do senhor surge como alternativa dentro do PSD para disputar a Prefeitura, caso o prefeito Silveira Júnior continue com alto índice de desaprovação popular. O senhor tem essa pretensão?

O MEU nome está à disposição para uma candidatura à reeleição de vereador. Esse é o meu projeto político para 2016. Agora, o PSD tem vários nomes, todos bons, e vamos ter novos filiados, igualmente, com condições de serem candidatos. Não posso negar que o meu nome esteja à disposição do partido, mas quero deixar bem claro que a minha convivência com o prefeito Francisco José Júnior é muito boa. Eu desejo que ele supere as dificuldades que vem enfrentando e que possa ter condições de renovar o mandato no próximo ano. Meu candidato a prefeito será ele. Eu sou liderado pelo governador Robinson Faria, presidente estadual do nosso partido, e se Robinson tem o projeto de apoiar o prefeito, nós também vamos apoiar.

QUAL a avaliação que o senhor faz da gestão Silveira Júnior?

AQUELA avaliação negativa de 70% de reprovação faz parte do quadro daquele momento. Acredito que a situação hoje é outra, e que ele possa ter melhorado. Acho que o prefeito precisa modificar alguns secretários, tomar de conta de sua gestão, cobrar mais dos auxiliares, para que ele possa recuperar a sua popularidade. Ele precisa fazer um trabalho que chegue à população. Precisa fazer que a sua assessoria de comunicação possa trabalhar com capacidade de melhorar a sua imagem. É verdade que tem muitas coisas que precisam melhorar, mas creio que o prefeito já tem algum avanço.

O SENHOR acha possível que o prefeito ainda tem condições de se viabilizar como candidato à reeleição, mediante o quadro negativo que vive hoje?

É POSSÍVEL, até porque acho que ele é um rapaz inteligente. Não foi à toa que ele ganhou uma campanha (eleições suplementares com a candidatura sub judice de Larissa Rosado, em 2014) com maioria esmagadora. É jovem e determinado. Então, tem condições de se recuperar. Se o prefeito fizer as mudanças que precisam ser feitas, acho possível uma recuperação para disputar a Prefeitura em 2016.

* FOTOS DE MARCOS GARCIA

Fonte: www.defato.com

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Entrevista: Francisco Lavor

Professor ministrará Curso de Oratória em Mossoró

Professor Francisco Lavor

O advogado, professor em Língua Portuguesa e Especialista em Comunicação e Expressão, Francisco Luiz Lavor, o “Professor Lavor, dará novo Curso de Oratória em Mossoró, onde já realizou esse trabalho. Será entre os dias 15 e 16 próximos, no auditório do Vitória Palace Hotel. Há 15 anos ministra este curso de oratória, que é considerado hoje, como um dos melhores do país. Conquistou o respeito, a admiração e os elogios de todos que já o fizeram. Ele destaca que é um curso prático e de resultado imediato. Visto e elogiado por mais de 30 mil pessoas nas principais cidades brasileiras, o curso já preparou muitas pessoas de Mossoró. As inscrições poderão ser feitas pelo site  (AQUI) ou pelo fone: (87) 98799.9179. Nesta entrevista ele fala sobre o curso e sua importância.

Professor Francisco Lavor, quais as maiores dificuldades enfrentadas por pessoas que desejam falar em público?

– As maiores dificuldade que as pessoas têm para falar bem em público são oriundas do medo e da timidez de se expor diante de pequenos e grandes grupos. Oratória é algo que se pode aprender. Qualquer pessoa pode falar bem em público, desde que não seja muda.

Existem pessoas com maior facilidade para se expressar em público do que outras?

Claro.  Também existe a herança genética. Algumas pessoas já nascem com a facilidade de aprender línguas e falar com muita fluência. Todavia, existe também a herança cultural, aquela que pode ser aprendida.

Qual os objetivos desse curso, professor Lavor?

– Ajudar pessoas tímidas a superar o medo de falar em público e ensinar as técnicas da oratória para que elas sejam bem-sucedidas em discursos, palestras e apresentações diversas. Mesmo aqueles que já têm experiência em qualquer atividade, da política à docência, têm o que aprender – afirma.

Qual o público Alvo?

– Profissionais de todas as áreas, independentemente de idade e de escolaridade. Pessoas que tenham interesse em dominar as técnicas da oratória, podendo empolgar e convencer  em público, passando messagem sólida e confiança – acrescenta.

Qual a metodologia empregada?

– São aulas expositivas e práticas utilizando recursos auditivos, visuais e cinestésicos diante de microfones, tribunas e câmeras. O valor do curso é de R$ 300,00, podendo ser pago também via cartão em até seis parcelas.

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Fernando Henrique Cardoso: “…impossível que Lula não soubesse do mensalão”

Entrevista

Fabio Braga/Folhapress

Em entrevista a revista alemã, Fernando Henrique Cardoso afirma que escândalos começaram no governo Lula, a quem ele atribui responsabilidade política pela atual crise no Brasil.

Em entrevista à revista alemã de economia Capital, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu a presidente Dilma Rousseff, afirmando que ela não está envolvida no escândalo de corrupção na Petrobras.

“Não, não diretamente. Mas o partido dela, sim, claro. O tesoureiro está na cadeia”, afirma FHC em entrevista publicada – em alemão – na edição deste sábado (01/08) da revista. “Eu a considero uma pessoa honrada, e eu não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, [ódio] que se volta agora contra o PT.”

FHC atribui ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade política pelo escândalo de corrupção na Petrobras. “Os escândalos começaram no governo dele”, argumenta. “Tudo começou bem antes, em 2004, com o Lula, com o escândalo do mensalão.”

Questionado se Lula estaria envolvido, FHC responde: “Não sei em que medida. Politicamente responsável ele é com certeza. Os escândalos começaram no governo dele”.

O ex-presidente, uma das principais lideranças do PSDB, afirma que era impossível que Lula não soubesse do mensalão. “Para colocá-lo atrás das grades, é necessário haver algo muito concreto. Talvez ele tenha que depor como testemunha. Isso já seria suficientemente desmoralizante”, comenta.

Mas FHC afirma que seria ir longe demais colocar Lula na cadeia: “Isso dividiria o país. Lula é um líder popular. Não se deve quebrar esse símbolo, mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido. É necessário sempre ter em mente o futuro do país.”

Em outro ponto da entrevista, FHC elogia Lula. “Ele certamente tem muitos méritos e uma história pessoal emocionante. Um trabalhador humilde que conseguiu ser presidente da sétima maior economia do mundo.”

Mais adiante, FHC afirma que Lula era como um Cristo. “Eles fizeram dele um deus, mas ele apenas levou adiante a minha política.”

FHC diz ainda que há um lado bom na atual crise. “Os cidadãos veem: as instituições funcionam – Ministério Público, Polícia Federal, toda essa operação Lava Jato.

Fonte: www.uol.com.br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

ENTREVISTA

Augusto Nardes: “O Tribunal já havia alertado para as pedaladas”

O relator no julgamento das contas do governo diz que as irregularidades são graves. Uma reprovação do Tribunal pode dar munição aos que querem o impeachment de Dilma Rousseff

LEANDRO LOYOLA E MURILO RAMOS

O ministro Augusto Nardes voltou ao Tribunal de Contas da União (TCU) há duas semanas, após sete dias de afastamento. “Saí um pouco para evitar a pressão”, afirma. As circunstâncias transformam Nardes em um dos personagens mais visados hoje por governo e oposição. Ele é o relator das contas do governo da presidente Dilma Rousseff em 2014. São significativas as chances de, no julgamento em agosto, ele e os colegas reprovarem as contas devido às alquimias da contabilidade criativa da equipe do então ministro Guido Mantega. Na pior delas, por falta de dinheiro do governo, bancos oficiais pagaram benefícios sociais para receber depois, uma inversão de papéis proibida e que ficou conhecida como “pedalada”. Caso isso aconteça, o Congresso pode rejeitar as contas de Dilma – e fornecer um argumento concreto para os que querem o impeachment da presidente. “O Tribunal já vinha alertando o governo para a questão das pedaladas”, afirma Nardes nesta entrevista a ÉPOCA. Até o julgamento, Nardes andará acompanhado por seguranças.
ÉPOCA – Como está a pressão sobre o senhor e o Tribunal por causa das pedaladas?

Augusto Nardes – Faz parte do jogo. Recebi quatro ministros do governo. O mais importante foi o (ministro da Fazenda) Joaquim Levy. O (advogado-geral da União, Luís Inácio) Adams veio várias vezes.
ÉPOCA – O que eles disseram ao senhor?

Nardes – O (ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio) Mercadante disse que as pedaladas já tinham acontecido em outros anos, o Adams também falou. Mas nós já estamos alertando o governo sobre as pedaladas há algum tempo.
ÉPOCA – O que disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy?

Nardes – Ele tentou ponderar esses aspectos, mas não entrou muito nos detalhes da situação anterior, que era do ministro Guido Mantega. O Levy está fazendo um trabalho muito importante para o país, de tentar acertar uma situação pela qual ele não é responsável. Eu o achei muito equilibrado.

ÉPOCA – Ele se comprometeu em acabar com as pedaladas?

Nardes – Ele colocou isso, mas não com uma ênfase maior. Contou o que estava fazendo para tentar buscar o equilíbrio do país, todo o esforço que estava fazendo.
ÉPOCA – O que os ministros querem?

Nardes – Eles defendem as posições do governo que estão aí em público. Faz parte. Eu recebi também pessoas da oposição, senadores, o Aécio Neves, o Aloysio Nunes, o Ronaldo Caiado, deputados. Acho que faz parte do jogo democrático. O TCU é um dos guardiões da Lei de Responsabilidade Fiscal e tem de ficar atento ao que está acontecendo. Nossa decisão não foi inventada por mim: foi feito um trabalho técnico, pelos auditores, e o ministro José Múcio relatou. Há dois pontos que considero mais importantes: as pedaladas e o contingenciamento. Sobre as pedaladas, já foi tomada uma decisão, há um acórdão. O ministro José Múcio disse: o caso das pedaladas é como se fosse um cheque especial. Sem autorização do Congresso, o governo gastou próximo de R$ 40 bilhões. E tem o contingenciamento, outro aspecto importante. Eu mostro o que aconteceu em 2011, 2012 e 2013. No caso de 2014, período de eleição, não foi feito contingenciamento de R$ 28,5 bilhões – e, além de não fazer, foram autorizados (gastos) de R$ 10 bilhões a mais. As contas não fecharam de forma positiva, tivemos um deficit de R$ 22,5 bilhões. São dois fatos importantes. Há também a questão do FGTS: foram usados R$ 6,5 bilhões do trabalhador, sem data de retorno.

ÉPOCA – O governo trata as pedaladas como uma operação rotineira, um ajuste de cálculos. O que o senhor acha desse argumento?

Nardes – O Tribunal já vinha alertando o governo para essa questão, como também para a contabilidade criativa. Já vínhamos alertando de que excessos vinham sendo cometidos. No ano passado, conversei longamente com a presidente Dilma, tentando auxiliar o governo. Disse a ela que R$ 2,3 trilhões – não estou falando de bilhões, estou falando de trilhões – não foram contabilizados da previdência autuarial, que é a projeção da aposentadoria de todos os brasileiros. Por que isso é importante? Porque, se não tomarmos medidas preventivas, iremos pelo mesmo caminho de países como Espanha, Portugal e Grécia – e, em curtíssimo espaço de tempo, não poderemos pagar os aposentados. Eu alertei a presidente Dilma. Eles contabilizaram uma parte neste ano, não tudo. Mas, mesmo com a contabilidade, não dá para fazer uma avaliação se o patrimônio do país é positivo ou negativo.

Eu alertei a presidente Dilma no ano passado, durante o período da Copa

ÉPOCA – Quando foi isso?

Nardes – Eu alertei a presidente no ano passado, durante o período da Copa. Ela chamou o Mantega, e ele tomou algumas providências. A proposta no ano passado já era pela rejeição das contas (do governo). Eu disse no meu voto que as contas “não estão em condições de ser aprovadas”. O ministro Raimundo Carreiro falou comigo, eu estava na presidência, eu falei com o governo e chamamos o Mantega aqui.

ÉPOCA – O que o ministro Guido Mantega disse?

Nardes – Ele foi chamado, veio aqui. O Mantega conversou com o ministro Raimundo Carreiro e tomou algumas providências. No ano passado, o Tribunal propôs aprovar com ressalvas as contas do governo. Mas aí nós fomos ver, as pedaladas eram graves. O fato de eu propor 30 dias para o governo se defender é para estabelecer o contraditório. Estou esperando que o governo consiga trazer uma explicação plausível.
ÉPOCA – Assusta o senhor a reação do governo diante da postura do TCU?

Nardes – A reação é natural, porque qualquer governo quer que tudo corra bem. O voto foi basicamente técnico e baseado em uma decisão já tomada pelo Tribunal. O fato de termos alertado e não termos sido ouvidos leva a uma situação dessas, em que pela primeira vez se propõe um contraditório para tomar uma decisão sobre um tema que há muitos anos o Congresso não examina (desde 1992 o Congresso não vota os relatórios do TCU sobre contas dos governos). As instituições têm de ser fortes, cada uma tem de cumprir com seu papel. Nós cumprimos nosso papel técnico. Isso foi elaborado por uma equipe de mais de 30 auditores que encontraram esses números. Eu sou o porta-voz desse trabalho do Tribunal de Contas da União. O governo tem de responder a isso, porque a sociedade quer transparência em relação aos recursos pagos pelos impostos.
ÉPOCA – O governo argumenta que as pedaladas existiram nas gestões anteriores e que o TCU nunca ligou. 

Nardes – O Tribunal alertou o governo várias vezes.

ÉPOCA – O julgamento no TCU poderá levar o Congresso a rejeitar as contas do governo Dilma e abrir caminho para o impeachment. O senhor pensa nisso?

Nardes – Nosso juízo é técnico. Estamos fundamentados em números, feitos por uma equipe de excelência.
ÉPOCA – A AGU estuda, se perder, contestar o julgamento no Supremo Tribunal Federal. Vai dizer que o senhor não poderia se manifestar antes do voto. 

Nardes – Eu não me manifestei antes. Estou falando em cima do relatório que foi feito pelo ministro José Múcio. Eu não me manifestei em relação ao meu voto futuro.
ÉPOCA – O advogado Thiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal, Aroldo Cedraz, é acusado na Operação Lava Jato de fazer tráfico de influência aqui no Tribunal. Como fica a imagem da instituição?

Nardes – Eu não conheço bem a situação, então não posso me manifestar.
ÉPOCA – O senhor passou a andar com seguranças por causa do caso das pedaladas ou é usual?

Nardes – Eu tenho família, não é? Então, tenho de proteger a família. Eu andei mais com segurança nos dias dos votos. Agora, estou mais tranquilo.
ÉPOCA – Houve ameaças por causa desse caso?

Nardes – Por enquanto, só por mensagens. O que está acontecendo é uma guerra de informações.

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Os dias ao lado de Canindé Queiroz

No ano em que a GAZETA completa 38 anos, jornalistas que compõem a Redação se uniram no sentido de entrevistar Canindé Queiroz, o homem que tem seu nome marcado na história do jornalismo potiguar.

Por: Iuska Freire, Kalidja Sibéria e Luciana Araújo

Com apoio de toda a Redação

Metódico e observador, ele está presente diariamente na GAZETA DO OESTE, onde acompanha, a seu modo, todo o processo da edição do jornal – Foto Ednilto Neves

Há casos em que a obra supera o criador – A Divina Comédia, de Dante Alighieri, e os poemas gregos Ilíada e Odisseia, de Homero, são exemplos clássicos dessa relação. Outras vezes, criador e criação se fundem de tal forma que é impossível dissociar e medir a importância de um e do outro. Canindé Queiroz e a GAZETA DO OESTE pertencem ao segundo grupo.

No ano em que a GAZETA completa 38 anos, jornalistas que compõem a Redação se uniram no sentido de entrevistar Canindé Queiroz, o homem que tem seu nome marcado na história do jornalismo potiguar. A tarefa é carregada de responsabilidade e nervosismo, afinal não é um entrevistado comum.

Afastado da escrita há mais de 10 anos por problemas de saúde, Canindé não perde certos hábitos. Metódico e observador está presente diariamente na GAZETA DO OESTE, onde acompanha, a seu modo, todo o processo da edição do jornal. A companheira de trabalho, uma Olivetti Studio 45, permanece em seu birô, hoje silenciosa. Mossoró sente falta do bater dessas teclas, ele também revela ter saudades.

Os leitores que acompanhavam seu estilo visionário, certeiro e polêmico demonstram curiosidade em saber como é a rotina de Canindé Queiroz. Nós, que convivemos com ele diariamente, tentaremos revelar parte desses dias ao lado de Canindé.

Sentado em sua cadeira de balanço, vestindo a tradicional camisa polo branca e a calça cáqui, ele interage com todos os repórteres, quer saber para onde vão e quem irão entrevistar. Quando não gosta do assunto é taxativo: “Sem futuro” ou “Não faça essa matéria!”. Como todo bom jornalista, não abandonou as interrogações. A maioria de suas interações é acompanhada de perguntas: Está fazendo o quê? Quem mandou você fazer isso? Vai sair com quem? Isso presta?

Com Inácio Pé de Quenga, personagem que ganhou fama em sua coluna, a vigilância é permanente. Parece conhecer, como ninguém, as manias de um dos funcionários mais antigos. Com a amiga Bárbara Fernandes, assistente administrativa, Canindé desarma toda seriedade. A diferença de idade de quase 50 anos se desfaz, ambos fazem piadas relacionadas a todos do jornal.

Com funcionários mais antigos, que o acompanham na GAZETA no decorrer desses 38 anos, como Maria José e Manoel Galdino, o respeito é cristalizado em gestos e palavras, muitas vezes, também, em silêncio.

Ao lado de Maria Emília Lopes Pereira, sua companheira de vida e com quem compartilha a paixão pelo Jornalismo, Canindé passa os dias observando os fatos locais. Faz questão de cumprimentar funcionários e amigos em datas natalícias. Sua ligação no dia do aniversário já é esperada por muitas pessoas. Abaixo, a entrevista com Canindé Queiroz.

 

ENTREVISTA

 

Canindé Queiroz - diretor presidente - WM– Como surgiu a ideia de criar o jornal em 1977?

Mossoró estava sem jornal na época, então criamos a GAZETA.

– E o senhor já imaginava que a GAZETA seria o principal jornal da cidade?

Imaginava sim, ela já nasceu para ser grande.

– O senhor sente falta de escrever?

Sim, sinto. Mas não penso em voltar.

– Qual foi o momento mais difícil para o senhor nesses 38 anos de jornalismo?

Quando deixei de escrever.

– Sente falta de pessoas que trabalharam com o senhor?

Sinceramente não lembro de todas, mas tenho saudades de Ferreira e Ivonete de Paula.

– O senhor se arrepende de algo que escreveu?

Não. Não me arrependo de nada e escreveria tudo do mesmo jeito.

– Se voltasse a escrever hoje, seguiria a mesma linha?

Sim, continuaria com as mesmas críticas.

– O que o senhor tem a dizer sobre a atual gestão municipal? Como enxerga a situação atual do município?

A gestão do prefeito é muito ruim, assim como a situação do município. Não está nada bom… Veja a situação do transporte público.

– Sua sala sempre foi bem frequentada por políticos e autoridades… Sente falta de alguém?

Só de Padre Sátiro para falar sobre religião.

– Gostaria de voltar a receber essas visitas?

Não. Só Padre Sátiro.

– Do que o senhor sente falta na cidade? Algo que havia no passado e que deixou de existir?

Sinto falta dos cafés de antigamente. De sentar para conversar com as pessoas.

– Muito se fala em extinção dos jornais impressos devido à concorrência da internet. O senhor acredita nisso?

Não. O jornal impresso nunca vai acabar.

– E sobre o aniversário do jornal?

Que continue assim e com essa equipe.

– Nesses 38 anos de jornal, qual o momento mais marcante para o senhor?

Foi quando a GAZETA saiu pela primeira vez.

– Sua esposa, dona Maria Emília, vem conduzindo o jornal há algum tempo. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Que ela é gente boa e competente. Eu não confiaria o meu jornal a mais ninguém, além dela.

– O que gostaria de dizer para os seus leitores?

Que está tudo bem comigo.

 

BIOGRAFIA CANINDÉ QUEIROZ

Francisco Canindé Queiroz e Silva, natural de Pau dos Ferros, nascido a 14 de abril de 1942, filho do natalense José Luiz da Silva e Raimunda Florêncio de Queiroz e Silva. Canindé foi alfabetizado em sua terra natal. Em Mossoró, estudou o ginásio na Escola Normal, no Colégio Diocesano Santa Luzia cursou o 2º Grau, atual ensino fundamental, que concluiu em Natal, no Atheneu. Membro da Academia Mossoroense de Letras, cadeira nº 36, Canindé Queiroz é leitor assíduo.

Na capital do Estado, deu os primeiros passos na vida pública. Foi presidente da Casa do Estudante de Natal durante um período conturbado, no auge da ditadura militar, formou grandes elos de amizades e teve os primeiros contatos com algumas das lideranças políticas mais expressivas da política norte-rio-grandense como Dinarte Mariz e Aluízio Alves.

A vida pessoal e profissional de Canindé sempre foi marcada por momentos intensos. Na política, chegou a ser vice-prefeito de Mossoró durante a segunda administração de Dix-huit Rosado eleito em 15 de novembro de 1972 e posse em 31 de janeiro de 1973. Neste mesmo período, de 1973 a 1975, assumiu a presidência da Fundação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, sendo responsável pela Expansão do Campus Central. No pleito municipal seguinte se candidatou a prefeito e foi derrotado por Dix-huit Rosado decidindo então abandonar a política.

Apesar de formado em Economia pela Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN), hoje Uern, e em Direito na cidade de Sousa, interior paraibano, a grande paixão profissional foi o Jornalismo. O sonho começou a ser idealizado com a formação da Astecam e foi consolidado em 30 de abril de 1977 (três anos depois da Astecam), com a fundação da GAZETA DO OESTE, um jornal inicialmente semanal que se tornou referência para o jornalismo do interior potiguar.

Fonte: www.gazetadooeste.com.br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

30 ANOS SEM DOUTOR TANCREDO

“Acordado pelo meu irmão Everardo Rebouças, às 05 horas da manhã, do dia 15 de março, em minha residência, na Rua Quintino Bocaiúva, para dizer que Tancredo estava hospitalizado e não tomaria posse, eu que fora dormir sem saber” 

Por Elviro Rebouças 

elviro_rebouas

Elviro Rebouças é economista e empresário

No último dia 21 de abril, Dia de Tiradentes, o Brasil atual, desfocando-se dos nossos múltiplos problemas e percalços, escândalos da Petrobrás, dos seus males de crescimento negativo na economia, dos políticos atabalhoados que povoam a atual cena pública (com raríssimas exceções) e da inflação galopante que volta, parou um pouco para, 30 anos depois, reverenciar a figura sempre presente do mineiro, de São João Del Rey, Tancredo de Almeida Neves, nascido em 04.03.1910 e que, após longo calvário acompanhado por uma nação inteira, por quase quarenta dias, faleceu no Hospital do Coração, em São Paulo, em 21.04.1985. Foi um advogado, empresário e político brasileiro, Deputado Estadual, Federal, Senador da República, tendo sido Primeiro-Ministro de 1961 a 1962, ministro da Justiça e Negócios Interiores de 1953 a 1954, Ministro da Fazenda em 1962, governador do estado de Minas Gerais de 1983 a 1984 e Presidente eleito do Brasil em 1985. Três quadros eu guardei modestamente do Presidente Tancredo Neves: 01) Sua eleição maiúscula pelo Colégio Eleitoral, assistí no meu escritório no Banco Mossoró, voto após voto, 02) Acordado pelo meu irmão Everardo Rebouças, às 05 horas da manhã, do dia 15 de março, em minha residência, na Rua Quintino Bocaiúva, para dizer que Tancredo estava hospitalizado e não tomaria posse, eu que fora dormir sem saber, 03) Também em casa, pela TV Globo, às 22;30 horas do dia 21.04.1985, Antonio Brito, jornalista, amigo, companheiro de sofrimento nas sempre péssimas notícias e Secretário de Imprensa, anunciando oficialmente e ao “vivo” o seu falecimento. Doutor Tancredo Neves foi o brasileiro mais presente à cena política nacional, desde que galgou o seu primeiro mandato de Deputado Estadual em Minas Gerais, em 1947, até hoje, final de abril de 2015. Ministro da Justiça de Getúlio Vargas, na fatídica manhã de 24 de agosto de 1954, ao lado da filha do presidente, Alzira Vargas, adentrou à suíte presidencial incontinenti ao tiro no coração disparado por Vargas, e descreveu o horror do quadro com lucidez fulgurante, Getúlio nos estertores da morte, com o olhar perdido entre a filha e o fiel amigo, sangrando abundantemente, sem que nada pudesse ser feito. Sete anos depois, com a surpreendente renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, João Goulart, Vice-Presidente em viagem à China comunista, foi forçado, entre a Legalidade e os quartéis militares aceitar a criação do regime parlamentarista de governo, para Tancredo ser ungido como nosso Chefe de Governo, para permitir à posse de Jango, única condição aceita pelos militares que já não viam o gaúcho dos pampas com bons olhos. Em 1962 Jango, através do plebiscito retorna ao sistema presidencialista, Tancredo vai, por pouco tempo para o Ministério da Fazenda, mas logo sai , retornando à Câmara dos Deputados onde manteve o apoio ao governo João Goulart até que o mesmo fosse deposto pelo Golpe Militar de 1964. Tancredo foi um dos poucos políticos que foram se despedir de João Goulart no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, quando este partiu para o exílio no Uruguai. Foi o único membro do PSD que não votou, em 11 de abril de 1964, no general Humberto de Alencar Castelo Branco, na eleição à Presidência da República pelo Congresso Nacional. Extinto o pluripartidarismo foi convidado a ingressar na ARENA, oferta polidamente recusada em razão da presença de adversários seus da UDN, especialmente José de Magalhães Pinto, na nova agremiação situacionista. Apesar de ter sido amigo e primeiro-ministro de João Goulart, Tancredo não teve seus direitos políticos cassados durante o Regime Militar, devido ao seu prestígio junto aos militares. Opositor moderado do Regime Militar de 1964 logo procurou abrigo no MDB sendo reeleito deputado federal em 1966, 1970 e 1974. Em sua atuação parlamentar evitou sobremaneira criar atritos com o governo militar e fez parte da ala moderada do MDB não se negando, inclusive, ao diálogo com, postura contrária àquela adotada pelo grupo “autêntico” do MDB. Em 1978 foi eleito senador por Minas Gerais.Em 1982 é eleito Governador de Minas, derrotando Elizeu Resende. Renuncia dois anos depois, para poder ser Presidente da República. Com a derrota da emenda Dante de Oliveira, das Diretas Já em 1984, restou a disposição de ir ao Colégio Eleitoral em 15.01.1985, para derrotando o candidato do governo, Paulo Maluf, ser sagrado o primeiro Presidente depois da ditadura militar. Ganhou folgado, mas não assumiu. Uma diverticulite (inflamação na membrana intestinal), 12 horas antes da sessão solene de posse, no Congresso Nacional, fez com que o nosso intrépido senhor democracia fosse quedado ao Hospital de Base, em Brasília, para sucessivas cirurgias que não lhe pouparam à vida, fazendo com que o seu Vice-Presidente José Sarney, da Aliança Democrática, assumisse o posto e cumprisse todo o mandato. A tese de que Tancredo Neves, assim como Getulio Vargas, fez política com seu próprio corpo, defendida pelo ex-porta-voz Antonio Brito utilizando-se dos dotes de jornalista e político, dá bem a dimensão do sacrifício desse homem, que sempre pautou sua atuação política pela defesa dos princípios democráticos. Getulio saiu da vida para entrar na História com a reação radical e dramática do tiro no peito contra os adversários. Tancredo, temendo que sua ausência, mesmo temporária, prejudicasse a transição do regime militar para o que chamou de Nova República, forçou o corpo até seu limite máximo, não conseguiu assumir a presidência da República, mas garantiu a transição para um governo civil utilizando- se do colégio eleitoral, um instrumento da ditadura para eleger o presidente da República de maneira indireta e controlada. Sua morte produziu uma das mais belas páginas de nossa história recente, com o povo, em milhares de pessoas reunidas, em São Paulo, no Rio de

Janeiro, em Brasília, Belo Horizonte, em Mossoró, em Natal, em todos os quadrantes do País, nas ruas lamentando o governo que poderia ter sido e não foi. Difícil dizer se Tancredo seria o grande presidente de que o país necessitava, ou se seu projeto de governo daria certo. O certo é que ele reunia todas as condições para ser bem sucedido. Foi um brasileiro por excelência. O Seu nome jamais será esquecido.

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+