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Delfim: ‘A Dilma é simplesmente uma trapalhona’

Entrevista 

POR JOSIAS DE SOUZA

Em entrevista à repórter Eliane Cantanhêde, veiculada no Estadão, o ex-ministro e ex-deputado federal Delfim Netto, 87, emitiu opiniões corrosivas sobre Dilma Rousseff. Admitiu ter votado nela. Mas disse que não repetiria o gesto. Considera a presidente “absolutamente honesta”. Mas fulmina o mito da gerentona: “…Ela é simplesmente uma trapalhona.”

Delfim referiu-se à decisão do governo de enviar ao Congresso um orçamento deficitário para 2016 como “a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil”. Vão abaixo algumas das declarações do economista:

— Dilma X Ex-Dilma: […] As pessoas sabem que a presidente é uma mulher com espírito muito forte, com vontades muito duras, e ela nunca explicou porque ela deu aquela conversão na estrada de Damasco. Ela deveria ter ido à televisão, já no primeiro momento, e dizer: “Errei. Achei que o modelo que nós tínhamos ia dar certo e não deu”. Mas, não. Ela mudou sem avisar e sem explicar nada para ninguém. Como confiar?

— Direção do vento: Ela mudou um programa econômico extremamente defeituoso, que foi usado para se reeleger. Em 2011, a Dilma fez um ajuste importante, aprovou a previdência do funcionalismo público, o PIB cresceu praticamente no nível do Lula. Mas o vento que era de cauda e que ajudou muito o Lula tinha mudado e virado um vento de frente. […] Então, ela foi confrontada em 2012 com essa mudança e com a expectativa de que a inflação ia aumentar e o crescimento ia diminuir e ela alterou tudo. Passou para uma política voluntarista, intervencionista, foi pondo a mão numa coisa, noutra, noutra, noutra… Aquilo tudo foi minando a confiança do mundo empresarial e, de 2012 a 2014, o crescimento vai diminuindo, murchando.

— Efeito urna: A tragédia, na verdade, foi 2014, porque ela [Dilma] usou um axioma da política, que diz que ‘o primeiro dever do poder é continuar poder’. No momento em que ela assumiu isso, ela passou a insistir nos seus equívocos. Aliás, contra o seu ministro da Fazenda, o Guido Mantega, que tinha preparado a mudança, tanto que as primeiras medidas anunciadas pelo Joaquim Levy já estavam prontas, tinham sido feitas pelo Guido. […] O Guido não tem culpa nenhuma. E, para falar a verdade, nenhum ministro da Fazenda da Dilma tem culpa nenhuma, porque o ministro da Fazenda é a Dilma, é ela. E o custo da eleição é o grande desequilíbrio de 2014.

— Déficit de credibilidade: Como a credibilidade do governo é muito baixa, o ajuste que ele [Joaquim Levy] fez encontrou muitas dificuldades, não teve sucesso porque não foi possível dizer que o ajuste era simplesmente uma ponte.

— Barbeiragem histórica: O primeiro equívoco mortal foi encaminhar para o Congresso uma proposta de Orçamento com déficit. Foi a maior barbeiragem política e econômica da história recente do Brasil. A interpretação do mercado foi a seguinte: o governo jogou a toalha, abriu mão de sua responsabilidade, é impotente, então, seja o que Deus quiser, o Congresso que se vire aí.

— Governo Frankenstein: A briga interna ocorre em qualquer governo, mas o presidente tem de ter uma coisa muito clara: ele opta por um e manda o outro embora. Um governo não pode ter dentro de si essas contradições, senão vira um Frankenstein. […] Quem tem de sair [Levy, Nelson Barbosa ou Aloizio Mercadante?] é problema da Dilma, mas quem assessorou isso do Orçamento com déficit levou o governo a uma decisão extremamente perigosa e desmoralizadora. E isso produziu um efeito devastador.

— Corte na carne dos outros: O aumento da Cide seria infinitamente melhor. CPMF é um imposto cumulativo, regressivo, inflacionário, tem efeito negativo sobre o crescimento e quem paga é o pobre mesmo. Ele está sendo usado porque o programa do governo é uma fraude, um truque, uma decepção – não tem corte nenhum, só substituição de uma despesa por outra e o que parece corte é verba cortada do outro. Dizem que vão usar a verba do sistema S. Ora, meu Deus do céu! R$ 1 do sistema S produz infinitamente mais do que R$ 1 na mão do governo. Alguém duvida de que o governo é ineficiente?

— Cobra mordendo o rabo: Eles vão ter de negociar [o pacote fiscal] com a CUT e com o PT, que é o verdadeiro sindicato do funcionalismo público. Então, é quase inconcebível e vai ter uma greve geral que vai reduzir ainda mais a receita. É uma cobra que mordeu o rabo. O aumento de imposto é 55% do programa; o corte, se você acreditar que há corte, é de 19%; e a substituição interna representa 26%. Ou seja, para cada real que o governo finge que vai economizar com salários, ele quer receber R$ 3 com as transferências e o aumento de imposto. No fundo, o esforço é nulo.

— Em quem votou? Na Dilma. Mas acho que o Aécio era perfeitamente ‘servível’. Teria as mesmas dificuldades que a Dilma enfrenta, porque consertar esse negócio que está aí não é uma coisa simples para ninguém, mas ele entraria com uma outra concepção de mundo, faria um ajuste com muito menos custo e a recuperação do crescimento teria sido muito mais rápida.

— Votaria de novo? Não, primeiro porque ela não pode ser candidata. É preciso dizer que eu acho a Dilma absolutamente honesta, com absoluta honestidade de propósito, e que ela é simplesmente uma trapalhona.

— Michel Temer seguraria o rojão? Acho que sim. Nós somos muito amigos. O Temer tem qualidades, é uma pessoa extraordinária, um gentleman e um sujeito ponderado, tem tudo, mas eu refugo essa hipótese enquanto não houver provas [contra Dilma], e vou te dizer: ele também.

Fonte: www.uol.com.br

‘Se o PT planeja ter candidatura própria, eu acho isso uma traição’, diz aliado de Silveira

O presidente da Câmara Municipal de Mossoró e da FECAM, Jório Nogueira, no “Cafezinho com César Santos”

Blog do César Santos

Se o Partido dos Trabalhadores (PT) pretende ter candidatura própria à sucessão municipal de Mossoró, deve deixar o governo e seguir o seu rumo.

A opinião, em forma de aviso, é do presidente da Câmara Municipal de Mossoró e aliado de primeira hora do Palácio da Resistência, Jório Nogueira (PSD).

Ele entende que se o PT está no governo e prepara a candidatura do vice-prefeito Luiz Carlos Martins, é uma traição. E para deixar claro que não está para brincadeira, Jório Nogueira faz duras críticas à gestão do PT à frente da Secretaria de Cultura do Município.

“Não tem projeto”, afirma.

“Até o nosso Corredor Cultural está esquecido”, reforça, para em seguida defender mudanças.

“Sem não tem projeto, não fica.”

Jório, que também é presidente da Federação das Câmaras Municipais do Rio Grande do Norte (FECAM), tomou o “Cafezinho com César Santos” na sede do JORNAL DE FATO e ao defato.com falou de política e de gestão pública.

Ele prestou conta de sua gestão, disse que tem procurado melhorar o acesso da população à Casa do Povo e que esse trabalho tem recebido o reconhecimento. Jório Nogueira disse que o seu candidato em 2016 é o prefeito Silveira Júnior, mas não descartou a sua própria candidatura, caso seja a vontade do seu líder, governador Robinson Faria (PSD).

JORNAL DE FATO – O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RN) recomendou que Prefeituras, Câmaras e o próprio Governo do Estado investigassem a folha de servidores públicos, diante de graves distorções encontradas pela própria Corte. O senhor, como presidente da Fecam, como vê essa situação?

JÓRIO NOGUEIRA – Em primeiro lugar, quando eu assumi a presidência da Fecam, no início deste ano, senti a dificuldade de relacionamento dos Legislativos municipais com o Tribunal de Contas. Os presidentes de Câmaras reclamavam que as consultas que eram feitas ao TCE demoravam a ter uma resposta. Muitas vezes, as medidas tinham de ser tomadas em determinado tempo, e as respostas só chegavam depois. O presidente achava que tinha agido de forma certa, mas o TCE entendia que era errado, só que já havia sido feita. Então, quero dizer que acho muito importante o trabalho preventivo que o Tribunal de Contas está fazendo agora, inclusive, quero parabenizar ao presidente da Corte, conselheiro Carlos Thompson, por essa iniciativa.

DE QUE forma a Afecam vai colaborar com o trabalho preventivo do TCE?

FIRMAMOS um convênio com o Tribunal de Contas e com a Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (FEMURN), para a realização de uma série de encontros educativos. Esses encontros servem para que o corpo técnico do TCE oriente os gestores no trato correto dos recursos públicos, principalmente sob o ponto de vista técnico. O Tribunal mostra exatamente o que o gestor pode fazer e aquilo que não pode ser feito. Vamos realizar os encontros em todas as regiões do Estado. O primeiro aconteceu em Mossoró, com gestores do Médio Oeste; o segundo em Pau dos Ferros, abrangendo todo o Alto Oeste. Os próximos serão em Natal e Caicó e depois seguiremos para outras regiões.  Entendemos que isso é um avanço e quando o Tribunal de Contas nos oferece esse tipo de assessoria, nós só podemos agradecer, porque a partir daí os presidentes de Câmaras terão a exata noção do que é certo ou errado.

A RECOMENDAÇÃO do TCE-RN revelando irregularidades graves não passa a ideia de denúncia antes da orientação?

NÃO vejo assim. Acho importante essa iniciativa do presidente do Tribunal de Contas, Carlos Thompson, de tornar público a existência de várias irregularidades, inclusive algumas bastante graves, porque a partir daí será possível fazer um trabalho de depuração nas Câmaras e Prefeituras. Quero dizer aos meus colegas presidentes que tomem as providências urgentes e necessárias, porque o Tribunal está oferecendo a oportunidade de consertar os erros antes da punição. A partir daí, será possível todos exercerem os seus mandatos com mais transparência, mais segurança e, acima de tudo, zelando pelo bem público.

A CÂMARA Municipal de Mossoró está listada na série de irregularidades reveladas pelo Tribunal de Contas?

OLHE, eu ainda não tive acesso à relação elaborada pelo TCE, no entanto, pelas recomendações que chegaram ao meu conhecimento, é provável que existam alguns casos de irregularidades. Inclusive, a minha assessoria jurídica detectou alguns pontos que precisam ser resolvidos, como cargos que existiam na Câmara de forma errada. Na auditoria realizada pelo Tribunal de Contas, algumas irregularidades foram constatadas e nós tomamos as providências. Quero dizer que nós estamos atendendo o mais rápido possível todas as recomendações do TCE, não apenas para mostrar a nossa determinação de fazer a coisa certa, mas de cumprir com o nosso dever de homem público, que é zelar pelo patrimônio do povo.

A SUA gestão tem se destacado com medidas pontuais e que recebe, de certa forma, a aprovação popular. O senhor definiu uma pauta positiva pensando em projetos futuros?

MEU projeto é fazer uma boa gestão. Isso é uma questão de espírito público. Eu já estou cumprindo o meu quarto mandato, tenho experiência suficiente para realizar uma gestão que seja compatível com a ansiedade da população. Por exemplo, as pessoas quando visitavam a Câmara reclamavam das dificuldades de acessibilidade, principalmente de portadores de deficiência física. Decidimos melhorar essa condição. É uma obra de pequeno investimento, mas de grande importância. Estamos colocando um novo elevador para atender a essas pessoas que precisam de atenção especial. É bom ressaltar que fizemos um apelo aos proprietários do imóvel de nossa sede para que eles assumissem essa conta e fomos atendidos. A obra de melhorias não tem recursos públicos, o que é muito importante neste momento de crise.

ESSE tipo de obra torna o gestor popular, o que sugere projeto político-eleitoral mais audacioso, o senhor não concorda?

VEJA, não estou pensando sobre eleições, mas sim fazer uma boa gestão. Veja a criação da TV Câmara, que é o marco na comunicação do Legislativo mossoroense. É um novo veículo de comunicação social, com uma programação diversificada, programas ao vivo, com o canal 24 horas no ar. Na grade, já temos programas produzidos por profissionais da cidade, como o Jornal da Câmara e Esporte Legal, que estreará nesta segunda-feira (24). Muito em breve, teremos outros programas valorizando a cultura, saúde, comportamento etc.. Esse é um ponto positivo da minha gestão, que creio que é recebido pela população.

A SUA gestão também acaba de criar a Fundação Vereador Aldenor Nogueira, que será responsável pela coordenação da TV Câmara. Essa entidade, no entanto, vem criando polêmica, com queixas de vereadores da oposição. Isso não pode trazer prejuízo à imagem do Legislativo?

NÃO. O debate é natural, inclusive, deve existir sempre. Agora, o mais importante é o papel que a fundação vai cumprir. É preciso ser dito que o nome do meu pai (Aldenor Nogueira) na fundação não foi iniciativa minha, mas sim dos meus colegas vereadores. Eu não legislo em causa própria. A iniciativa dos colegas, quero dizer, é felicidade muito grande para mim, porque o nome do meu pai é colocado numa entidade que vai exercer um papel muito importante na comunicação social no Legislativo e na cidade de Mossoró. Além da fundação e da obra de acessibilidade, realizamos muitas outras ações importantes, como o projeto Câmara Cultural, que estamos levando a outros pontos da cidade, inclusive, servindo para resgatar o Corredor Cultural da cidade, que está esquecido pela Secretaria de Cultura; implantação do ponto eletrônico; antecipação de 40% do décimo terceiro salário dos servidores públicos; criamos as cabines da imprensa, entre tantas outras. Então, acho que estamos no caminho certo.

HOUVE reação em relação ao controle da Fundação Vereador Aldenor Nogueira, inclusive, de vereadores da bancada governista. A sessão que criaria a fundação foi suspensa, com discursos inflamados de lado a lado. Esse impasse dividiu a base de apoio de sua gestão?

HOUVE o desentendimento, é verdade. Faltou diálogo de nosso grupo para conduzir melhor essa questão. O problema não foi Jório Nogueira, é bom que se deixe claro. Cinco vereadores da nossa bancada entenderam de se juntar à oposição, que até hoje não sei por qual motivo. Vou até citar os nomes: Celso Lanche (PV), Alex do Frango (PV), Tassyo Mardonyy (PSDB), Lucélio (PTB) e Genilson Alves (PTN). Esse grupo tentou uma manobra para ficar com a direção da fundação. Eu apenas chamei todos da bancada para dialogar e disse que não queria ser visto como o político que ganhou as presidências da Câmara, da Afecam e da fundação, inclusive, coloquei de forma bem clara que eles ficassem à vontade para tomar o rumo que quisessem.

MAS, o que aconteceu, presidente?

OLHE, só eles podem responder. Agora, depois do episódio, onze vereadores da bancada governista estiveram comigo, repudiando o comportamento desses cinco companheiros que, ao invés de dialogar com a nossa bancada, foram procurar a oposição. Isso provocou o desentendimento dentro da nossa bancada e eu me coloquei à disposição de abrir o diálogo com todos, para apaziguar a situação. De minha parte, não tenho problema com nenhum dos vereadores. Acredito que o diálogo será restabelecido e a situação será resolvida (nota do blog: a Fundação Vereador Aldenor Nogueira foi criada em sessão extraordinária nesta sexta-feira, 21, sem a presença dos vereadores de oposição e dos cinco governistas rebelados).

O SENHOR citou agora pouco, ao falar sobre o projeto Câmara Cultural, que o Corredor Cultural de Mossoró estava esquecido. Essa é uma crítica à gestão do prefeito Silveira Júnior (PSD)?

OLHE, César, a gente vê que o Município passa por algumas dificuldades, por crise, para ser mais justo. A Secretaria de Cultura mostra que tem algumas dificuldades para realizar a sua missão, principalmente na organização de alguns eventos do nosso calendário. Não acho que a culpa é do prefeito. Quando o gestor nomeia um secretário, ele tem de ser preparado para realizar a sua função com competência. É preciso ter ideias, projetos. Acho que a Secretaria de Cultura não tem apresentado projetos e o prefeito é quem fica com essa dificuldade, mas a culpa não é dele, e sim de quem está conduzindo a pasta da cultura. Todos nós sabemos que o Corredor Cultural era bastante movimentado, com muitos projetos, atividades, e agora praticamente não acontece nada. Mas, para não deixar morrer, vamos fazer a nossa parte, preenchendo essa lacuna com o projeto Câmara Cultural.

O SENHOR faz duras críticas à Secretaria de Cultura. Essa pasta é conduzida pelo PT, que indicou Izolda Dantas. Quer dizer que o PT não sabe administrar?

O PT tem dificuldade de administrar a partir do Governo Federal, ou seja, essa questão do PT não é só local, mas sim nacional. Acho que falta habilidade de o PT gerir alguma pasta, e olhe que o PT tem a cara da cultura. Então, a cultura está nas mãos do PT e ele não está fazendo uma boa gestão, não está fazendo acontecer da forma que deveria acontecer.

COMO presidente da Câmara e parceiro da gestão Silveira Júnior, não caberia uma cobrança mais efetiva?

EU TENHO cobrado muito. Inclusive, tenho dito que quem tem projeto, fica; quem não tem, sai. O prefeito deu oportunidade a alguns secretários e os que não estão correspondendo devem sair. O prefeito não pode pagar por erros de auxiliares. Defendo que o prefeito tenha atitude, que faça as mudanças que precisam ser feitas.

PEGANDO o gancho do que o senhor disse: quem tem projeto, fica; quem não tem, sai. Uma parte do PT tem projeto de candidatura própria com o nome do vice-prefeito Luiz Carlos Martins. É o caso de sair ou ficar?

SE O PT tem essa pretensão de candidatura própria, a primeira coisa que deveria fazer é romper com o prefeito. Não acho certo o partido ficar dentro do governo preparando uma arapuca para o prefeito. O prefeito precisa de aliados que ele possa confiar e que possa contar nas eleições de 2016. Então, se o PT tem a pretensão de candidatura própria, está no momento de deixar o governo e seguir o seu rumo. E se eles, realmente, estão planejando uma candidatura, eu considero isso uma traição.

A SITUAÇÃO do PMDB não é parecida com a do PT. O presidente estadual, ministro Henrique Alves, veio a Mossoró para dizer que o PMDB terá candidatura própria à Prefeitura em 2016. Mesmo assim, o partido, com três vereadores, faz parte da base governista. Não é uma incoerência?

A QUESTÃO do PMDB é diferente. Os três vereadores do partido, Alex Moacir, Izabel Montenegro e Claudionor dos Santos, têm sido muito corretos com o governo municipal. Eles, inclusive, vêm sinalizando que querem apoiar a reeleição do prefeito. Hoje, existe um apoio administrativo, e no próximo ano poderá ter o apoio político-eleitoral. Essa posição dos vereadores não é a mesma do PT, que, ao que sabe, quer ter candidato próprio à sucessão municipal.

O NOME do senhor surge como alternativa dentro do PSD para disputar a Prefeitura, caso o prefeito Silveira Júnior continue com alto índice de desaprovação popular. O senhor tem essa pretensão?

O MEU nome está à disposição para uma candidatura à reeleição de vereador. Esse é o meu projeto político para 2016. Agora, o PSD tem vários nomes, todos bons, e vamos ter novos filiados, igualmente, com condições de serem candidatos. Não posso negar que o meu nome esteja à disposição do partido, mas quero deixar bem claro que a minha convivência com o prefeito Francisco José Júnior é muito boa. Eu desejo que ele supere as dificuldades que vem enfrentando e que possa ter condições de renovar o mandato no próximo ano. Meu candidato a prefeito será ele. Eu sou liderado pelo governador Robinson Faria, presidente estadual do nosso partido, e se Robinson tem o projeto de apoiar o prefeito, nós também vamos apoiar.

QUAL a avaliação que o senhor faz da gestão Silveira Júnior?

AQUELA avaliação negativa de 70% de reprovação faz parte do quadro daquele momento. Acredito que a situação hoje é outra, e que ele possa ter melhorado. Acho que o prefeito precisa modificar alguns secretários, tomar de conta de sua gestão, cobrar mais dos auxiliares, para que ele possa recuperar a sua popularidade. Ele precisa fazer um trabalho que chegue à população. Precisa fazer que a sua assessoria de comunicação possa trabalhar com capacidade de melhorar a sua imagem. É verdade que tem muitas coisas que precisam melhorar, mas creio que o prefeito já tem algum avanço.

O SENHOR acha possível que o prefeito ainda tem condições de se viabilizar como candidato à reeleição, mediante o quadro negativo que vive hoje?

É POSSÍVEL, até porque acho que ele é um rapaz inteligente. Não foi à toa que ele ganhou uma campanha (eleições suplementares com a candidatura sub judice de Larissa Rosado, em 2014) com maioria esmagadora. É jovem e determinado. Então, tem condições de se recuperar. Se o prefeito fizer as mudanças que precisam ser feitas, acho possível uma recuperação para disputar a Prefeitura em 2016.

* FOTOS DE MARCOS GARCIA

Fonte: www.defato.com

Entrevista: Francisco Lavor

Professor ministrará Curso de Oratória em Mossoró

Professor Francisco Lavor

O advogado, professor em Língua Portuguesa e Especialista em Comunicação e Expressão, Francisco Luiz Lavor, o “Professor Lavor, dará novo Curso de Oratória em Mossoró, onde já realizou esse trabalho. Será entre os dias 15 e 16 próximos, no auditório do Vitória Palace Hotel. Há 15 anos ministra este curso de oratória, que é considerado hoje, como um dos melhores do país. Conquistou o respeito, a admiração e os elogios de todos que já o fizeram. Ele destaca que é um curso prático e de resultado imediato. Visto e elogiado por mais de 30 mil pessoas nas principais cidades brasileiras, o curso já preparou muitas pessoas de Mossoró. As inscrições poderão ser feitas pelo site  (AQUI) ou pelo fone: (87) 98799.9179. Nesta entrevista ele fala sobre o curso e sua importância.

Professor Francisco Lavor, quais as maiores dificuldades enfrentadas por pessoas que desejam falar em público?

– As maiores dificuldade que as pessoas têm para falar bem em público são oriundas do medo e da timidez de se expor diante de pequenos e grandes grupos. Oratória é algo que se pode aprender. Qualquer pessoa pode falar bem em público, desde que não seja muda.

Existem pessoas com maior facilidade para se expressar em público do que outras?

Claro.  Também existe a herança genética. Algumas pessoas já nascem com a facilidade de aprender línguas e falar com muita fluência. Todavia, existe também a herança cultural, aquela que pode ser aprendida.

Qual os objetivos desse curso, professor Lavor?

– Ajudar pessoas tímidas a superar o medo de falar em público e ensinar as técnicas da oratória para que elas sejam bem-sucedidas em discursos, palestras e apresentações diversas. Mesmo aqueles que já têm experiência em qualquer atividade, da política à docência, têm o que aprender – afirma.

Qual o público Alvo?

– Profissionais de todas as áreas, independentemente de idade e de escolaridade. Pessoas que tenham interesse em dominar as técnicas da oratória, podendo empolgar e convencer  em público, passando messagem sólida e confiança – acrescenta.

Qual a metodologia empregada?

– São aulas expositivas e práticas utilizando recursos auditivos, visuais e cinestésicos diante de microfones, tribunas e câmeras. O valor do curso é de R$ 300,00, podendo ser pago também via cartão em até seis parcelas.

Fernando Henrique Cardoso: “…impossível que Lula não soubesse do mensalão”

Entrevista

Fabio Braga/Folhapress

Em entrevista a revista alemã, Fernando Henrique Cardoso afirma que escândalos começaram no governo Lula, a quem ele atribui responsabilidade política pela atual crise no Brasil.

Em entrevista à revista alemã de economia Capital, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu a presidente Dilma Rousseff, afirmando que ela não está envolvida no escândalo de corrupção na Petrobras.

“Não, não diretamente. Mas o partido dela, sim, claro. O tesoureiro está na cadeia”, afirma FHC em entrevista publicada – em alemão – na edição deste sábado (01/08) da revista. “Eu a considero uma pessoa honrada, e eu não tenho nenhuma consideração por ódio na política, também não pelo ódio dentro do meu partido, [ódio] que se volta agora contra o PT.”

FHC atribui ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade política pelo escândalo de corrupção na Petrobras. “Os escândalos começaram no governo dele”, argumenta. “Tudo começou bem antes, em 2004, com o Lula, com o escândalo do mensalão.”

Questionado se Lula estaria envolvido, FHC responde: “Não sei em que medida. Politicamente responsável ele é com certeza. Os escândalos começaram no governo dele”.

O ex-presidente, uma das principais lideranças do PSDB, afirma que era impossível que Lula não soubesse do mensalão. “Para colocá-lo atrás das grades, é necessário haver algo muito concreto. Talvez ele tenha que depor como testemunha. Isso já seria suficientemente desmoralizante”, comenta.

Mas FHC afirma que seria ir longe demais colocar Lula na cadeia: “Isso dividiria o país. Lula é um líder popular. Não se deve quebrar esse símbolo, mesmo que isso fosse vantajoso para o meu próprio partido. É necessário sempre ter em mente o futuro do país.”

Em outro ponto da entrevista, FHC elogia Lula. “Ele certamente tem muitos méritos e uma história pessoal emocionante. Um trabalhador humilde que conseguiu ser presidente da sétima maior economia do mundo.”

Mais adiante, FHC afirma que Lula era como um Cristo. “Eles fizeram dele um deus, mas ele apenas levou adiante a minha política.”

FHC diz ainda que há um lado bom na atual crise. “Os cidadãos veem: as instituições funcionam – Ministério Público, Polícia Federal, toda essa operação Lava Jato.

Fonte: www.uol.com.br

ENTREVISTA

Augusto Nardes: “O Tribunal já havia alertado para as pedaladas”

O relator no julgamento das contas do governo diz que as irregularidades são graves. Uma reprovação do Tribunal pode dar munição aos que querem o impeachment de Dilma Rousseff

LEANDRO LOYOLA E MURILO RAMOS

O ministro Augusto Nardes voltou ao Tribunal de Contas da União (TCU) há duas semanas, após sete dias de afastamento. “Saí um pouco para evitar a pressão”, afirma. As circunstâncias transformam Nardes em um dos personagens mais visados hoje por governo e oposição. Ele é o relator das contas do governo da presidente Dilma Rousseff em 2014. São significativas as chances de, no julgamento em agosto, ele e os colegas reprovarem as contas devido às alquimias da contabilidade criativa da equipe do então ministro Guido Mantega. Na pior delas, por falta de dinheiro do governo, bancos oficiais pagaram benefícios sociais para receber depois, uma inversão de papéis proibida e que ficou conhecida como “pedalada”. Caso isso aconteça, o Congresso pode rejeitar as contas de Dilma – e fornecer um argumento concreto para os que querem o impeachment da presidente. “O Tribunal já vinha alertando o governo para a questão das pedaladas”, afirma Nardes nesta entrevista a ÉPOCA. Até o julgamento, Nardes andará acompanhado por seguranças.
ÉPOCA – Como está a pressão sobre o senhor e o Tribunal por causa das pedaladas?

Augusto Nardes – Faz parte do jogo. Recebi quatro ministros do governo. O mais importante foi o (ministro da Fazenda) Joaquim Levy. O (advogado-geral da União, Luís Inácio) Adams veio várias vezes.
ÉPOCA – O que eles disseram ao senhor?

Nardes – O (ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio) Mercadante disse que as pedaladas já tinham acontecido em outros anos, o Adams também falou. Mas nós já estamos alertando o governo sobre as pedaladas há algum tempo.
ÉPOCA – O que disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy?

Nardes – Ele tentou ponderar esses aspectos, mas não entrou muito nos detalhes da situação anterior, que era do ministro Guido Mantega. O Levy está fazendo um trabalho muito importante para o país, de tentar acertar uma situação pela qual ele não é responsável. Eu o achei muito equilibrado.

ÉPOCA – Ele se comprometeu em acabar com as pedaladas?

Nardes – Ele colocou isso, mas não com uma ênfase maior. Contou o que estava fazendo para tentar buscar o equilíbrio do país, todo o esforço que estava fazendo.
ÉPOCA – O que os ministros querem?

Nardes – Eles defendem as posições do governo que estão aí em público. Faz parte. Eu recebi também pessoas da oposição, senadores, o Aécio Neves, o Aloysio Nunes, o Ronaldo Caiado, deputados. Acho que faz parte do jogo democrático. O TCU é um dos guardiões da Lei de Responsabilidade Fiscal e tem de ficar atento ao que está acontecendo. Nossa decisão não foi inventada por mim: foi feito um trabalho técnico, pelos auditores, e o ministro José Múcio relatou. Há dois pontos que considero mais importantes: as pedaladas e o contingenciamento. Sobre as pedaladas, já foi tomada uma decisão, há um acórdão. O ministro José Múcio disse: o caso das pedaladas é como se fosse um cheque especial. Sem autorização do Congresso, o governo gastou próximo de R$ 40 bilhões. E tem o contingenciamento, outro aspecto importante. Eu mostro o que aconteceu em 2011, 2012 e 2013. No caso de 2014, período de eleição, não foi feito contingenciamento de R$ 28,5 bilhões – e, além de não fazer, foram autorizados (gastos) de R$ 10 bilhões a mais. As contas não fecharam de forma positiva, tivemos um deficit de R$ 22,5 bilhões. São dois fatos importantes. Há também a questão do FGTS: foram usados R$ 6,5 bilhões do trabalhador, sem data de retorno.

ÉPOCA – O governo trata as pedaladas como uma operação rotineira, um ajuste de cálculos. O que o senhor acha desse argumento?

Nardes – O Tribunal já vinha alertando o governo para essa questão, como também para a contabilidade criativa. Já vínhamos alertando de que excessos vinham sendo cometidos. No ano passado, conversei longamente com a presidente Dilma, tentando auxiliar o governo. Disse a ela que R$ 2,3 trilhões – não estou falando de bilhões, estou falando de trilhões – não foram contabilizados da previdência autuarial, que é a projeção da aposentadoria de todos os brasileiros. Por que isso é importante? Porque, se não tomarmos medidas preventivas, iremos pelo mesmo caminho de países como Espanha, Portugal e Grécia – e, em curtíssimo espaço de tempo, não poderemos pagar os aposentados. Eu alertei a presidente Dilma. Eles contabilizaram uma parte neste ano, não tudo. Mas, mesmo com a contabilidade, não dá para fazer uma avaliação se o patrimônio do país é positivo ou negativo.

Eu alertei a presidente Dilma no ano passado, durante o período da Copa

ÉPOCA – Quando foi isso?

Nardes – Eu alertei a presidente no ano passado, durante o período da Copa. Ela chamou o Mantega, e ele tomou algumas providências. A proposta no ano passado já era pela rejeição das contas (do governo). Eu disse no meu voto que as contas “não estão em condições de ser aprovadas”. O ministro Raimundo Carreiro falou comigo, eu estava na presidência, eu falei com o governo e chamamos o Mantega aqui.

ÉPOCA – O que o ministro Guido Mantega disse?

Nardes – Ele foi chamado, veio aqui. O Mantega conversou com o ministro Raimundo Carreiro e tomou algumas providências. No ano passado, o Tribunal propôs aprovar com ressalvas as contas do governo. Mas aí nós fomos ver, as pedaladas eram graves. O fato de eu propor 30 dias para o governo se defender é para estabelecer o contraditório. Estou esperando que o governo consiga trazer uma explicação plausível.
ÉPOCA – Assusta o senhor a reação do governo diante da postura do TCU?

Nardes – A reação é natural, porque qualquer governo quer que tudo corra bem. O voto foi basicamente técnico e baseado em uma decisão já tomada pelo Tribunal. O fato de termos alertado e não termos sido ouvidos leva a uma situação dessas, em que pela primeira vez se propõe um contraditório para tomar uma decisão sobre um tema que há muitos anos o Congresso não examina (desde 1992 o Congresso não vota os relatórios do TCU sobre contas dos governos). As instituições têm de ser fortes, cada uma tem de cumprir com seu papel. Nós cumprimos nosso papel técnico. Isso foi elaborado por uma equipe de mais de 30 auditores que encontraram esses números. Eu sou o porta-voz desse trabalho do Tribunal de Contas da União. O governo tem de responder a isso, porque a sociedade quer transparência em relação aos recursos pagos pelos impostos.
ÉPOCA – O governo argumenta que as pedaladas existiram nas gestões anteriores e que o TCU nunca ligou. 

Nardes – O Tribunal alertou o governo várias vezes.

ÉPOCA – O julgamento no TCU poderá levar o Congresso a rejeitar as contas do governo Dilma e abrir caminho para o impeachment. O senhor pensa nisso?

Nardes – Nosso juízo é técnico. Estamos fundamentados em números, feitos por uma equipe de excelência.
ÉPOCA – A AGU estuda, se perder, contestar o julgamento no Supremo Tribunal Federal. Vai dizer que o senhor não poderia se manifestar antes do voto. 

Nardes – Eu não me manifestei antes. Estou falando em cima do relatório que foi feito pelo ministro José Múcio. Eu não me manifestei em relação ao meu voto futuro.
ÉPOCA – O advogado Thiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal, Aroldo Cedraz, é acusado na Operação Lava Jato de fazer tráfico de influência aqui no Tribunal. Como fica a imagem da instituição?

Nardes – Eu não conheço bem a situação, então não posso me manifestar.
ÉPOCA – O senhor passou a andar com seguranças por causa do caso das pedaladas ou é usual?

Nardes – Eu tenho família, não é? Então, tenho de proteger a família. Eu andei mais com segurança nos dias dos votos. Agora, estou mais tranquilo.
ÉPOCA – Houve ameaças por causa desse caso?

Nardes – Por enquanto, só por mensagens. O que está acontecendo é uma guerra de informações.

Os dias ao lado de Canindé Queiroz

No ano em que a GAZETA completa 38 anos, jornalistas que compõem a Redação se uniram no sentido de entrevistar Canindé Queiroz, o homem que tem seu nome marcado na história do jornalismo potiguar.

Por: Iuska Freire, Kalidja Sibéria e Luciana Araújo

Com apoio de toda a Redação

Metódico e observador, ele está presente diariamente na GAZETA DO OESTE, onde acompanha, a seu modo, todo o processo da edição do jornal – Foto Ednilto Neves

Há casos em que a obra supera o criador – A Divina Comédia, de Dante Alighieri, e os poemas gregos Ilíada e Odisseia, de Homero, são exemplos clássicos dessa relação. Outras vezes, criador e criação se fundem de tal forma que é impossível dissociar e medir a importância de um e do outro. Canindé Queiroz e a GAZETA DO OESTE pertencem ao segundo grupo.

No ano em que a GAZETA completa 38 anos, jornalistas que compõem a Redação se uniram no sentido de entrevistar Canindé Queiroz, o homem que tem seu nome marcado na história do jornalismo potiguar. A tarefa é carregada de responsabilidade e nervosismo, afinal não é um entrevistado comum.

Afastado da escrita há mais de 10 anos por problemas de saúde, Canindé não perde certos hábitos. Metódico e observador está presente diariamente na GAZETA DO OESTE, onde acompanha, a seu modo, todo o processo da edição do jornal. A companheira de trabalho, uma Olivetti Studio 45, permanece em seu birô, hoje silenciosa. Mossoró sente falta do bater dessas teclas, ele também revela ter saudades.

Os leitores que acompanhavam seu estilo visionário, certeiro e polêmico demonstram curiosidade em saber como é a rotina de Canindé Queiroz. Nós, que convivemos com ele diariamente, tentaremos revelar parte desses dias ao lado de Canindé.

Sentado em sua cadeira de balanço, vestindo a tradicional camisa polo branca e a calça cáqui, ele interage com todos os repórteres, quer saber para onde vão e quem irão entrevistar. Quando não gosta do assunto é taxativo: “Sem futuro” ou “Não faça essa matéria!”. Como todo bom jornalista, não abandonou as interrogações. A maioria de suas interações é acompanhada de perguntas: Está fazendo o quê? Quem mandou você fazer isso? Vai sair com quem? Isso presta?

Com Inácio Pé de Quenga, personagem que ganhou fama em sua coluna, a vigilância é permanente. Parece conhecer, como ninguém, as manias de um dos funcionários mais antigos. Com a amiga Bárbara Fernandes, assistente administrativa, Canindé desarma toda seriedade. A diferença de idade de quase 50 anos se desfaz, ambos fazem piadas relacionadas a todos do jornal.

Com funcionários mais antigos, que o acompanham na GAZETA no decorrer desses 38 anos, como Maria José e Manoel Galdino, o respeito é cristalizado em gestos e palavras, muitas vezes, também, em silêncio.

Ao lado de Maria Emília Lopes Pereira, sua companheira de vida e com quem compartilha a paixão pelo Jornalismo, Canindé passa os dias observando os fatos locais. Faz questão de cumprimentar funcionários e amigos em datas natalícias. Sua ligação no dia do aniversário já é esperada por muitas pessoas. Abaixo, a entrevista com Canindé Queiroz.

 

ENTREVISTA

 

Canindé Queiroz - diretor presidente - WM– Como surgiu a ideia de criar o jornal em 1977?

Mossoró estava sem jornal na época, então criamos a GAZETA.

– E o senhor já imaginava que a GAZETA seria o principal jornal da cidade?

Imaginava sim, ela já nasceu para ser grande.

– O senhor sente falta de escrever?

Sim, sinto. Mas não penso em voltar.

– Qual foi o momento mais difícil para o senhor nesses 38 anos de jornalismo?

Quando deixei de escrever.

– Sente falta de pessoas que trabalharam com o senhor?

Sinceramente não lembro de todas, mas tenho saudades de Ferreira e Ivonete de Paula.

– O senhor se arrepende de algo que escreveu?

Não. Não me arrependo de nada e escreveria tudo do mesmo jeito.

– Se voltasse a escrever hoje, seguiria a mesma linha?

Sim, continuaria com as mesmas críticas.

– O que o senhor tem a dizer sobre a atual gestão municipal? Como enxerga a situação atual do município?

A gestão do prefeito é muito ruim, assim como a situação do município. Não está nada bom… Veja a situação do transporte público.

– Sua sala sempre foi bem frequentada por políticos e autoridades… Sente falta de alguém?

Só de Padre Sátiro para falar sobre religião.

– Gostaria de voltar a receber essas visitas?

Não. Só Padre Sátiro.

– Do que o senhor sente falta na cidade? Algo que havia no passado e que deixou de existir?

Sinto falta dos cafés de antigamente. De sentar para conversar com as pessoas.

– Muito se fala em extinção dos jornais impressos devido à concorrência da internet. O senhor acredita nisso?

Não. O jornal impresso nunca vai acabar.

– E sobre o aniversário do jornal?

Que continue assim e com essa equipe.

– Nesses 38 anos de jornal, qual o momento mais marcante para o senhor?

Foi quando a GAZETA saiu pela primeira vez.

– Sua esposa, dona Maria Emília, vem conduzindo o jornal há algum tempo. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Que ela é gente boa e competente. Eu não confiaria o meu jornal a mais ninguém, além dela.

– O que gostaria de dizer para os seus leitores?

Que está tudo bem comigo.

 

BIOGRAFIA CANINDÉ QUEIROZ

Francisco Canindé Queiroz e Silva, natural de Pau dos Ferros, nascido a 14 de abril de 1942, filho do natalense José Luiz da Silva e Raimunda Florêncio de Queiroz e Silva. Canindé foi alfabetizado em sua terra natal. Em Mossoró, estudou o ginásio na Escola Normal, no Colégio Diocesano Santa Luzia cursou o 2º Grau, atual ensino fundamental, que concluiu em Natal, no Atheneu. Membro da Academia Mossoroense de Letras, cadeira nº 36, Canindé Queiroz é leitor assíduo.

Na capital do Estado, deu os primeiros passos na vida pública. Foi presidente da Casa do Estudante de Natal durante um período conturbado, no auge da ditadura militar, formou grandes elos de amizades e teve os primeiros contatos com algumas das lideranças políticas mais expressivas da política norte-rio-grandense como Dinarte Mariz e Aluízio Alves.

A vida pessoal e profissional de Canindé sempre foi marcada por momentos intensos. Na política, chegou a ser vice-prefeito de Mossoró durante a segunda administração de Dix-huit Rosado eleito em 15 de novembro de 1972 e posse em 31 de janeiro de 1973. Neste mesmo período, de 1973 a 1975, assumiu a presidência da Fundação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, sendo responsável pela Expansão do Campus Central. No pleito municipal seguinte se candidatou a prefeito e foi derrotado por Dix-huit Rosado decidindo então abandonar a política.

Apesar de formado em Economia pela Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN), hoje Uern, e em Direito na cidade de Sousa, interior paraibano, a grande paixão profissional foi o Jornalismo. O sonho começou a ser idealizado com a formação da Astecam e foi consolidado em 30 de abril de 1977 (três anos depois da Astecam), com a fundação da GAZETA DO OESTE, um jornal inicialmente semanal que se tornou referência para o jornalismo do interior potiguar.

Fonte: www.gazetadooeste.com.br

30 ANOS SEM DOUTOR TANCREDO

“Acordado pelo meu irmão Everardo Rebouças, às 05 horas da manhã, do dia 15 de março, em minha residência, na Rua Quintino Bocaiúva, para dizer que Tancredo estava hospitalizado e não tomaria posse, eu que fora dormir sem saber” 

Por Elviro Rebouças 

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Elviro Rebouças é economista e empresário

No último dia 21 de abril, Dia de Tiradentes, o Brasil atual, desfocando-se dos nossos múltiplos problemas e percalços, escândalos da Petrobrás, dos seus males de crescimento negativo na economia, dos políticos atabalhoados que povoam a atual cena pública (com raríssimas exceções) e da inflação galopante que volta, parou um pouco para, 30 anos depois, reverenciar a figura sempre presente do mineiro, de São João Del Rey, Tancredo de Almeida Neves, nascido em 04.03.1910 e que, após longo calvário acompanhado por uma nação inteira, por quase quarenta dias, faleceu no Hospital do Coração, em São Paulo, em 21.04.1985. Foi um advogado, empresário e político brasileiro, Deputado Estadual, Federal, Senador da República, tendo sido Primeiro-Ministro de 1961 a 1962, ministro da Justiça e Negócios Interiores de 1953 a 1954, Ministro da Fazenda em 1962, governador do estado de Minas Gerais de 1983 a 1984 e Presidente eleito do Brasil em 1985. Três quadros eu guardei modestamente do Presidente Tancredo Neves: 01) Sua eleição maiúscula pelo Colégio Eleitoral, assistí no meu escritório no Banco Mossoró, voto após voto, 02) Acordado pelo meu irmão Everardo Rebouças, às 05 horas da manhã, do dia 15 de março, em minha residência, na Rua Quintino Bocaiúva, para dizer que Tancredo estava hospitalizado e não tomaria posse, eu que fora dormir sem saber, 03) Também em casa, pela TV Globo, às 22;30 horas do dia 21.04.1985, Antonio Brito, jornalista, amigo, companheiro de sofrimento nas sempre péssimas notícias e Secretário de Imprensa, anunciando oficialmente e ao “vivo” o seu falecimento. Doutor Tancredo Neves foi o brasileiro mais presente à cena política nacional, desde que galgou o seu primeiro mandato de Deputado Estadual em Minas Gerais, em 1947, até hoje, final de abril de 2015. Ministro da Justiça de Getúlio Vargas, na fatídica manhã de 24 de agosto de 1954, ao lado da filha do presidente, Alzira Vargas, adentrou à suíte presidencial incontinenti ao tiro no coração disparado por Vargas, e descreveu o horror do quadro com lucidez fulgurante, Getúlio nos estertores da morte, com o olhar perdido entre a filha e o fiel amigo, sangrando abundantemente, sem que nada pudesse ser feito. Sete anos depois, com a surpreendente renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, João Goulart, Vice-Presidente em viagem à China comunista, foi forçado, entre a Legalidade e os quartéis militares aceitar a criação do regime parlamentarista de governo, para Tancredo ser ungido como nosso Chefe de Governo, para permitir à posse de Jango, única condição aceita pelos militares que já não viam o gaúcho dos pampas com bons olhos. Em 1962 Jango, através do plebiscito retorna ao sistema presidencialista, Tancredo vai, por pouco tempo para o Ministério da Fazenda, mas logo sai , retornando à Câmara dos Deputados onde manteve o apoio ao governo João Goulart até que o mesmo fosse deposto pelo Golpe Militar de 1964. Tancredo foi um dos poucos políticos que foram se despedir de João Goulart no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, quando este partiu para o exílio no Uruguai. Foi o único membro do PSD que não votou, em 11 de abril de 1964, no general Humberto de Alencar Castelo Branco, na eleição à Presidência da República pelo Congresso Nacional. Extinto o pluripartidarismo foi convidado a ingressar na ARENA, oferta polidamente recusada em razão da presença de adversários seus da UDN, especialmente José de Magalhães Pinto, na nova agremiação situacionista. Apesar de ter sido amigo e primeiro-ministro de João Goulart, Tancredo não teve seus direitos políticos cassados durante o Regime Militar, devido ao seu prestígio junto aos militares. Opositor moderado do Regime Militar de 1964 logo procurou abrigo no MDB sendo reeleito deputado federal em 1966, 1970 e 1974. Em sua atuação parlamentar evitou sobremaneira criar atritos com o governo militar e fez parte da ala moderada do MDB não se negando, inclusive, ao diálogo com, postura contrária àquela adotada pelo grupo “autêntico” do MDB. Em 1978 foi eleito senador por Minas Gerais.Em 1982 é eleito Governador de Minas, derrotando Elizeu Resende. Renuncia dois anos depois, para poder ser Presidente da República. Com a derrota da emenda Dante de Oliveira, das Diretas Já em 1984, restou a disposição de ir ao Colégio Eleitoral em 15.01.1985, para derrotando o candidato do governo, Paulo Maluf, ser sagrado o primeiro Presidente depois da ditadura militar. Ganhou folgado, mas não assumiu. Uma diverticulite (inflamação na membrana intestinal), 12 horas antes da sessão solene de posse, no Congresso Nacional, fez com que o nosso intrépido senhor democracia fosse quedado ao Hospital de Base, em Brasília, para sucessivas cirurgias que não lhe pouparam à vida, fazendo com que o seu Vice-Presidente José Sarney, da Aliança Democrática, assumisse o posto e cumprisse todo o mandato. A tese de que Tancredo Neves, assim como Getulio Vargas, fez política com seu próprio corpo, defendida pelo ex-porta-voz Antonio Brito utilizando-se dos dotes de jornalista e político, dá bem a dimensão do sacrifício desse homem, que sempre pautou sua atuação política pela defesa dos princípios democráticos. Getulio saiu da vida para entrar na História com a reação radical e dramática do tiro no peito contra os adversários. Tancredo, temendo que sua ausência, mesmo temporária, prejudicasse a transição do regime militar para o que chamou de Nova República, forçou o corpo até seu limite máximo, não conseguiu assumir a presidência da República, mas garantiu a transição para um governo civil utilizando- se do colégio eleitoral, um instrumento da ditadura para eleger o presidente da República de maneira indireta e controlada. Sua morte produziu uma das mais belas páginas de nossa história recente, com o povo, em milhares de pessoas reunidas, em São Paulo, no Rio de

Janeiro, em Brasília, Belo Horizonte, em Mossoró, em Natal, em todos os quadrantes do País, nas ruas lamentando o governo que poderia ter sido e não foi. Difícil dizer se Tancredo seria o grande presidente de que o país necessitava, ou se seu projeto de governo daria certo. O certo é que ele reunia todas as condições para ser bem sucedido. Foi um brasileiro por excelência. O Seu nome jamais será esquecido.

Entrevista: Sandra Rosado

Ex-deputada federal concedeu entrevista ao Jornal Difusora da rádio Difusora de Mossoró 

Por Paulo Afonso Linhares e Paulo César Oliveira 

Fotos Karla Viegas 

A ex-deputada federal, Sandra Rosado (PSD), concedeu sua primeira entrevista, depois das eleições de 2014, quando não se reelegeu, ao Jornal Difusora, da rádio Difusora de Mossoró, na quarta-feira, 16, às 18. Na conversa com o apresentador do Jornal Difusora, Carlos Skarlack e com o diretor geral da emissora, jurista Paulo Afonso Linhares e com o publicitário e blogueiro, Paulo César Oliveira, Sandra Rosado falou sobre passado, presente e futuro político. Confira, a seguir, alguns dos trechos da entrevista:

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Sandra Rosado em entrevista ao Jornal Difusora, da Rádio Difusora de Mossoró-RN – Foto: Karla Viegas

Jornal Difusora – Ex-deputada federal, Sandra Rosado, a senhora foi sondada para assumir algum cargo de assessoria, em Brasília? 

Sandra Rosado – Eu só volto para Brasília se o povo de Mossoró me mandar. Agora, voltei para a minha cidade. Eu precisava ficar um pouco mais perto de minha família; de minha mãe que vai completar 80 anos. Mas, realmente, houve conversas nesse sentido, mas eu tomei a decisão de voltar para minha cidade, onde meu trabalho independe de ocupar cargo político.

Jornal Difusora – A Senhora continua no PSB?

Sandra Rosado – Eu continuo no PSB. É um partido que sofreu um grande baque com a morte de Eduardo Campos, mas ficamos com esse legado de trabalhar por um país mais justo, onde sejam respeitados os direitos dos pobres. Um país que ainda precisa que aconteça um governo em que as pessoas mais necessitadas sejam respeitadas.

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Jornal Difusora – Diante dos últimos resultados adversos, a senhora pensa em abandonar a política?

Sandra Rosado – Eu, desde que saiu o resultado das últimas eleições de 2014, afirmei e quero reafirmar aqui, que não deixo a política, não. Para mim a política é algo inerente, é minha grande paixão. Eu faço política como um sacerdócio, com devotamento. Estou preparada, sempre estive preparada para a vida pública, e sei que a vida pública não é feita só de sucessos. Existem momentos de amargura. Na política o único momento de alegria é quando você obtém uma vitória, pois, no cumprimento do mandato existe sempre muito trabalho, muita luta para realizar os compromissos assumidos com o povo.

Jornal Difusora – Como a senhora encara a derrota de 2014?

Sandra Rosado – Quando se ganha uma eleição, então, se tem muito trabalho pela frente. Mas, é sempre bom vencer. Mas, no Rio Grande do Norte não tem um político que não tenha tido uma derrota. Todos já sofreram derrotas, mas, depois, voltaram a vencer.

Jornal Difusora – Como a senhora avalia o atual cenário político do município de Mossoró?

Sandra Rosado – Mossoró vem vivendo momentos de muita instabilidade. Um componente de pessoas que chegaram a Prefeitura Municipal e não corresponderam aos anseios populares. Em 2012, a política mossoroense foi maculada por atos de improbidade por parte de quem ganhou as eleições (Cláudia Regina e seu grupo político). Depois, houve a posse na Prefeitura Municipal, de um presidente da Câmara Municipal (Francisco José Júnior) e depois uma eleição suplementar.

Jornal Difusora – Mas, o então presidente da Câmara Municipal, Francisco José Júnior assumiu a Prefeitura de Mossoró em cumprimento ao que determina a legislação, depois da cassação da prefeita que fora eleita, Cláudia Regina…

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Sandra Rosado – Ele assumiu a Prefeitura Municipal e disputou um pleito em que enfrentamos o juiz eleitoral (Herval Sampaio), que ia para o rádio ou para a televisão e dizia que Larissa (Rosado), era candidata, mas, que ele não iria computar os votos dela. Então o eleitor chegou a conclusão que não iria valer a pena, e acabou votando no adversário.

Jornal Difusora – Mas, esta não foi apenas mais uma derrota de seu grupo político…

Sandra Rosado – Tivemos insucesso nessa eleição suplementar, quando o próprio juiz (Herval Sampaio), todo dia declarava que Larissa era candidata por conta e risco. Em ação que foi colocada pelo presidente da Câmara Municipal (Francisco José Júnior) e que naquela hora era ocupante do Palácio da Resistência e ele era candidato a reeleição. A reeleição, aliás, é uma norma, uma regra que tem que ser muito bem avaliada, pois, normalmente, quem está no comando usa e abusa do poder.

Jornal Difusora – Como a senhora avalia a gestão do prefeito Francisco José Júnior?

Sandra Rosado – Agora mesmo, um grupo de Natal, que inclusive tem ligações com o governador do Estado, Robinson Faria, publicou uma pesquisa que foi colocada por um blog de um dos assessores do governador, e apresenta um resultado de agora, em que o prefeito da cidade de Mossoró tem uma rejeição de quase 80%. A cidade de Mossoró, se formos analisar, é uma cidade que tem muitas riquezas naturais, mas que o seu povo está mais pobre agora do que era antes. O poder público está se preocupando apenas com um aspecto personalista. Temos uma grave crise na cidade, com as ruas esburacadas; falta de médicos e medicamentos nas unidades de saúde, com aumento da insegurança e tudo isso sem nenhuma perspectiva de solução por parte da gestão municipal. Temos quase todo dia um jovem assassinado. Pode se dizer que isso não é responsabilidade da Prefeitura, mas, tem que se ter responsabilidade com essa situação. Mossoró está vivendo uma época em que se fala que pagar em dia ao servidor público é um ato histórico, quando isso é apenas uma dever do governante. A população etá cançada. Precisamos de alguém que pense grande, do tamanho de Mossoró.

Jornal Difusora – Como o grupo político liderado pela senhora deverá se posicionar paras eleições de 2016?

Sandra Rosado – Eu, primeiro vou lhe dizer que, estamos começando um debate sobre a campanha que se avizinha. Mas, quero dizer que tanto eu quanto a deputada Larissa Rosado, vamos participar da disputa. Ela também sabe, e conscientemente afirmou, que não deixa a política. Poderemos servir a Mossoró de várias formas. Não vou dizer que nosso grupo que tem representação expressiva, pelo trabalho no dia a dia, onde sempre tivemos envolvidos, não vamos participar do pleito. Estamos preparados para aprticipar a campanha municipal.
Podemos fazer composição com outros grupos políticos de Mossoró. Temos o vereador Lairinho (Rosado), mas, podemos participar da disputa. eu e Larissa poderemos disputar um mandato de vereador.

Jornal Difusora – A ex-deputada estadual Larissa Rosado teve um encontro, em Natal, com o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado…

Sandra Rosado – Eu converso de vez em quando com Carlos Augusto (marido da ex-governador Rosalba Ciarlini), sobre coisas de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Mas, esse encontro foi meramente casual. Larissa estava esperando uma filha e uma sobrinha que estudam em Natal; estava aguardando, e Carlos Augusto Rosado chegou, e quem é da política fala sempre de política. Hoje todas as pessoas conversam com todas os outras. Agora mesmo, os senadores Garibaldi Filho e José Agripino, procuraram o governador Robinson Faria, para apoiar os projetos que forem de interesse do Estado. Se tiver que me encontrar com Rosalba (Ciarlini) vou conversar sobre política.

Jornal Difusora – E com está a relação com o PMDB?

Sandra Rosado – Não há nada que impeça uma aliança nossa com o PMDB.

Jornal Difusora – Como a senhora avalia a situação do PSB, no momento?

Sandra Rosado – O PSB está precisando de uma abertura maior. Tivemos decisão em nível nacional, para se fazer novas eleições nos Estados onde os diretórios do PSB não tiveram 5% dos votos para deputado federal. Fui convocada (na quarta-feira, 16) para uma reunião do diretório nacional, mas não pude ir. Mas, tenho conversado com Carlos Siqueira. Estamos conversando sobre o comando do PSB, mas não temos ainda unificado um pensamento sobre as eleições estaduais. Mas para as eleições municipais vamos seguir a orientação de alianças com os partidos de esquerda.

Jornal Difusora – Durante as eleições de 2014, na disputa para o Governo do Estado, o seu grupo política contava com a possibilidade de vitória de Robinson Faria?

Sandra Rosado – Olhe, eu acho que nem o próprio Robinson Faria acreditava nisso. Tanto que estamos vendo os cem primeiros dias de gestão sem grande projetos.

Jornal Difusora – As lideranças de oposição poderão se unirem em torno do governo Robinson Faria?

Sandra Rosado – Não será muito fácil a junção dessas lideranças em torno do governador Robinson. Eu acredito que está faltando uma sustentação política mais forte para o governador Robinson.

Jornal Difusora – Como a senhora avalia a união de forças que ocorreu em torno do então candidato ao Governo, Henrique Alves?

Sandra Rosado – Quando se juntam duas forças que são adversárias nos municipios, não é bom, pois o povo não gosta. A polarização municipal fala mais alto. Eu mesma falei isso para Henrique Alves durante a campanha eleitoral.

Jornal Difusora – O município de Mossoró, pelos problemas que enfrenta, não estaria precisando de uma junção de forças para se pensar o soerguimento econômico?

Sandra Rosado – Essa questão me faz lembrar uma figura expressiva, que o saudoso empresário, Diran Ramos do Amaral. E ele fez um movimento para recuperar a BR-304, e conseguiu. Na paz que eu vivo, hoje, lamento a paciência, a falta de indignação pública, as pessoas não expressando isso. Acho que sua ideia é muita boa. Não podemos dizer que Mossoró está bem, que o Rio Grande do Norte está bem, que não está. Precisamos fazer com que Mossoró seja participativa.

Erick Pereira defende reforma política com mandato inicial de 6 anos e os seguintes com cinco

Doutor em Direito Eleitoral advoga fim de coligações

O constitucionalista e especialista em direito eleitoral pela PUC de São Paulo, Erick Wilson Pereira defende uma ampla reforma política no país, inclusive estabelecendo o fim das coligações já para as próximas eleições no país. “O fim das coligações representa um avanço porque deve fortalecer os partidos políticos e sua representatividade.  Erick lembrou que “casos espúrios de celebridades ou outros candidatos que canalizam votos de protesto e terminam por favorecer candidatos com votações pífias não mais representarão um constrangimento para a sociedade”.

Segue a entrevista ao Diário do Poder:

1 – Com tantas notícias de escândalos no Brasil, envolvendo parlamentares federais, é possível falar em credibilidade das instituições?

EWP.: A credibilidade desse atual Congresso foi dada pelos milhões de votos depositados nos representantes de cada estado-membro, em eleição recentíssima. Instigar o descrédito do Legislativo, por crise provocada por uma série de delações premiadas e ainda em fase de inquérito, implica em ato atentatório aos valores democráticos. Ou seja, transformar investigação em antecipação de condenação significativa ofender o grau de civilidade de uma Nação que é medido pelo princípio da inocência. Não se deve permitir a decretação da morte social das pessoas ainda investigadas e sem condenação penal.

2 – Diante dessas investigações há necessidade de afastamento dos presidentes do Senado e da Câmara?

EWP.: Não. A influência de fatores extrajurídicos – ideologia ou pressão da opinião pública – é muito comum nas peculiaridades dos sistema investigativo brasileiro. O timbre do “segredo de justiça” só serve para o investigado porque todos os demais atores da sociedade tem acesso aos frequentes vazamentos de informações. Penso que o afastamento dos presidentes da Câmara e do Senado incorreria numa espécie de confissão social, pois assim será percebida pela maioria da população, em que pese investigação não ser sinônimo de culpa, com patente comprometimento do capital político e moral. A reputação, afinal, é vantagem competitiva que leva uma vida para ser construída. O momento requer estabilidade política e amadurecimento institucional, especialmente se considerarmos que não há previsão para o julgamento dos casos, caso sejam transformados em denúncias.

3 – Esses acontecimentos ensejam a necessidade de uma reforma política?

EWP.: Penso que sim. Crises sempre impulsionam mudanças mais rápidas e facilitam a renovação de formas de representação. Entretanto, reformas políticas efetivas passam pelo diálogo e acordos estabelecidos entre partidos, organizações da sociedade civil e representações políticas. Tais aspectos parcialmente explicam as dificuldades que até hoje enfrentamos para realizar uma reforma política estruturante e abrangente. A atual crise parece ter o condão de aproximar partidos, antes antagônicos, que não demonstram receio em provocar instabilidade para o atual sistema mediante confrontos com o Executivo e o Judiciário. Os debates extrapolaram o Legislativo e começaram a expor os conflitos intramuros e os acordos de bastidores que sempre conseguem evitar a participação da sociedade nas decisões políticas e disfarçar a cisão casuística entre pontos essenciais de uma ampla e efetiva reforma.

4 – Qual a sua opinião sobre o fim das coligações proporcionais?

EWP.: Penso que o fim das coligações representa um avanço porque deve fortalecer os partidos políticos e sua representatividade. Casos espúrios de celebridades ou outros candidatos que canalizam votos de protesto e terminam por favorecer candidatos com votações pífias não mais representarão um constrangimento para a sociedade. Porém, não acredito que a Câmara aprove essa mudança que o Senado irá encaminhar.

5 – Haverá mandato tampão de dois anos ou eleição com mandato inicial de seis anos, coincidindo as eleições

EWP.: Não concordo com o mandato tampão. Entendo que seria mais viável o mandato inicial de seis anos e os seguintes de cinco anos, o que redundaria em benefícios patentes para o Estado e o eleitorado, a exemplo da coincidênciadas eleições, a diminuição dos gastos e da burocracia dos tribunais eleitorais, além da facilitação da mobilidade e seleção de candidatos pelos eleitores. O amadurecimento democrática acontece pelo fortalecimento da Educação e, não somente, pela participação a cada dois anos. O tempo para realização de eleições independe quando o nível cultura de uma sociedade atinge a compreensão do que seja o conceito de cidadania plena.

6 – Considera que há elementos para um impeachment de Dilma Rousseff?

EWP.: Não. Porque no atual contexto não se constata a existência da prática de crime ou mesmo indícios nesses três meses iniciais. Só haverá possibilidade de impeachment quando existir a comprovação de prática de crime neste segundo mandato. Não há sentido em se falar em impeachment. No momento atual, impeachment representa instabilidade para o sistema político e as instituições do governo, apesar da crise de valores e dos escândalos de corrupção que abalam a República.

Entrevista: Ivan Júnior

Prefeito de Assu no “Cafezinho com César Santos” no jornal e portal De Fato

Por César Santos

César Santos conversa com Ivan Júnior: Fotos: Narcos Garcia

 

O prefeito de Assu, Ivan Júnior, decidiu mudar o perfil de gestor público. Abriu mão do conforto do gabinete, de práticas da política antiga, para imprimir um novo modelo de administrar a Prefeitura.

Ao invés da ação assistencialista, o trabalho para melhorar a vida das pessoas, fincado em projetos modernos, principalmente nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento econômico.

Para isso, teve que adotar medidas e, principalmente mudar o conceito de gestão pública.

Ivan Júnior trabalha nas ruas, visitando obras, repartições públicas, para fiscalizar os serviços e propor a parceria com a sociedade para alcançar a excelência do serviço público.

O prefeito Ivan tomou o “Cafezinho com César Santos”, quando falou de gestão pública e de política, sem fugir de nenhum tema, inclusive, sobre a sua sucessão revelou que tem bons nomes para ser candidato, revelando quatro deles.

DE FATO – O ano de 2015, provavelmente, será o mais difícil das últimas duas décadas, em consequência da crise política e econômica que afeta o País. As consequências serão sentidas pelas gestões públicas, principalmente dos municípios. A sua gestão se preparou para enfrentar esse momento?

IVAN JÚNIOR – Essas dificuldades, destacadas agora, na verdade, já são uma constante nas gestões municipais. Desde 2009, os municípios vêm amargando quedas de receitas, o que afeta sobremaneira áreas vitais como saúde, educação, desenvolvimento social. Isso, porém, não nos desestimulou, pois nossa função é de administrar bem o município com o que temos à disposição. Então, estamos fazendo uma gestão com muita responsabilidade, zelo com dinheiro público, acompanhando de perto todos os investimentos, como forma de aplicar da melhor forma possível. Estamos fazendo isso desde o primeiro momento da nossa primeira gestão, por isso, Assú está conseguindo enfrentar as dificuldades.

 

COMO é possível investir se os recursos são poucos?

DIMINUINDO despesas e elegendo prioridades. Alguns investimentos que estão previstos, decidimos aguardar para outro momento. A partir daí, passamos a executar as prioridades, principalmente nas áreas da saúde e educação. Também priorizamos obras de infraestrutura que são necessárias para atrair novos investimentos.

 

ONDE foi possível cortar, prefeito?

NA ÁREA de eventos fizemos cortes, mas com o cuidado de não comprometer festas tradicionais, como é o caso do nosso São João, que chega a 289 anos, e é considerado o mais antigo São João do mundo. O São João está preservado, mas respeitando o orçamento que podemos ter. Interessante é que a nossa festa continua grande, com a tradição mantida, mesmo tendo que investir menos. Importante afirmar que, com os recursos bem aplicados, foi possível garantir outros eventos inseridos no nosso calendário anual. Fizemos cortes em outras áreas e direcionamos recursos para setores vitais, com resultado bastante satisfatório. Então, assim, é possível, apesar das dificuldades, fazer uma gestão profícua.

APESAR das dificuldades, prefeito, é possível pensar fazer investimentos no ano de 2015?

É POSSÍVEL e vamos fazer. Na hora que o gestor elege prioridade, é possível fazer, mas desde que trabalhe de forma eficiente. O trabalho com eficiência, que eu cito, é acompanhar de perto os investimentos, visitando e fiscalizando obras, buscando melhoria na qualidade das obras e, principalmente, aplicando cada centavo de real de forma correta e em prol do bem da coletividade. É interessante ressaltar que estamos fazendo isso e chamando a população para participar e acompanhar de perto as ações do nosso governo. Os resultados têm sido interessantes, bastante observar o nível de satisfação das pessoas.

 

BASEADO na máxima da participação popular é o que senhor tem ido muito mais às ruas do que ao gabinete?

EXATAMENTE. Fizemos isso já no primeiro mandato, inclusive, essa postura é pioneira no município de Assú. A população só recebia visitas, no caso de políticos ou do prefeito, em período de campanha eleitoral, mas decidimos mudar o perfil de gestor público. Desde o primeiro momento que vamos às ruas, visitamos comunidades e acompanhamos de perto as ações da nossa gestão. Nossas visitas se estendem a todo o município, desde a menor localidade rural até ao mais nobre bairro do perímetro urbano, sem discriminar ninguém, e isso ajuda a gestão a buscar resultados positivos daquilo que é feito.

MAS a oposição, vez por outra, diz que essas visitas são eleitoreiras?

NÃO se incomoda, porque a oposição fala por falar. Veja: no primeiro mandato, quando eu fazia as visitas, diziam que eu estava nas ruas porque era candidato à reeleição. Agora, reeleito, estou no terceiro ano do segundo mandato e continuou fazendo as visitas, administrando Assú próximo das pessoas. Então, o importante é sentir o sentimento da população, ficar próximo, pois só assim é possível realizar uma administração que venha atender as demandas populares. Quero dizer que vou intensificar cada vez mais as visitas, para atender a todos, e realizar a gestão que as pessoas esperam do prefeito.

 

ESSAS visitas são uma forma de atestar a eficiência dos serviços e, ao mesmo tempo, verificar o que está errado para consertar?

TENHO feito isso e com esse objetivo. Vou às escolas para saber como estão a merenda escolar, a qualidade dos transportes dos estudantes, a eficiência dos professores em sala de aula. Vou às unidades de saúde para ver de perto o serviço prestado à população, para saber se os agentes de saúde estão fazendo as visitas como devem ser feitas, se as vacinas estão sendo aplicadas devidamente. Muitas vezes as pessoas cobram obras estruturantes, e isso estamos fazendo, mas o gestor público precisa ter a consciência de oferecer serviços de qualidade nas necessidades básicas da população.

O SENHOR, então, é o fiscal de sua própria gestão?

EXATAMENTE. E sou um fiscal exigente porque quero a excelência dos serviços públicos. E assim continuarei até o último dia de nossa gestão, fiscalizando e adotando medidas para melhorar o que ainda não está bom. O interessante é que nessas visitas a gente escuta sugestões das pessoas, e dentro de uma análise responsável nós adotamos essas sugestões, o que configura numa gestão compartilhada.

 

CITE um exemplo concreto dessa gestão compartilhada que o senhor fala?

RECENTEMENTE, estivemos visitando uma localidade, onde estamos executando obras de convivência com a seca, e lá tem o exemplo claro da gestão compartilhada. Convocamos os moradores para executar as obras em regime de mutirão e todos aceitaram. O importante é que o cidadão que constrói com a Prefeitura, tem o zelo maior na qualidade do serviço, na fiscalização e execução do trabalho. Também serve para transmitir a toda população a forma como as ações são realizadas com eficiência e zelo.

 

PREFEITO, Assú contará, a partir de 2016, com o campus da Ufersa, que vai oferecer o curso de Medicina. Sem dúvida, um avanço para o ensino superior da cidade e região. Como foi possível Assú atrair esse importante investimento?

POSSO historiar essa luta. Tudo começou a partir de uma realidade difícil enfrentada por estudantes de ensino superior que precisavam se deslocar para outras cidades em busca de sua formação. Eles buscaram ajuda da Prefeitura para terem pelo menos o transporte. O que a gente observava: se outras cidades ofereciam essas oportunidades, Assú também tinha capacidade para oferecer o mesmo, ou melhor. A nossa cidade não podia continuar apenas transportando alunos como se fosse uma rodoviária. Estão fomos à luta. Primeiro, fizemos um cadastramento dos alunos que estudavam fora, distribuídos em cidades como Mossoró e Natal principalmente. Em seguida, apresentamos o projeto ao Ministério da Educação, solicitando para Assú novas vagas de ensino superior. Fomos à Ufersa e à UFRN, sendo que a Ufersa por uma questão geográfica era mais viável. Então, com o apoio da deputada e hoje senadora Fátima Bezerra (PT), conseguimos o curso de Medicina, que será o avanço não só para Assú, mas para toda a região.

 

O PROCESSO de implantação está em que estágio?

VAI funcionar a partir do segundo semestre de 2016, com a seleção dos alunos sendo feita através do Enem que será realizado no final de 2015. O concurso para contratação de profissionais está caminhando. A Prefeitura ofereceu uma área onde será construído o campus, que é um centro de ciência em medicina. Então, o processo está bem encaminhado e a partir de 2016 os nossos jovens terão mais essa importante oportunidade.

 

MEDICINA é bastante concorrido, em qualquer concurso de seleção. Como as vagas serão definidas pelo Enem, essa concorrência aumenta. Como os jovens de Assú estão se preparando para essa concorrência?

OS JOVENS de Assú vão ter plenas condições de entrar na Universidade, de cursar Medicina, que é o sonho de muitos. Para isso, vamos oferecer todas as condições de uma boa preparação. Iniciaremos um cursinho em parceria com a Ufersa, campus de Angicos. Como será essa parceria? Os estudantes da Ufersa serão bolsistas, capacitados pela própria Universidade, para ministrar as aulas para os jovens de Assú. É um curso pré-vestibular, gratuito, que vai preparar os alunos da rede municipal para entrar no mercado tão concorrido.

 

MAS prefeito, o cursinho pré-vestibular pouco adiantará se o ensino básico oferecido não é de qualidade. A sua gestão vem cuidando do ensino fundamental e médio?

CONCORDO. É preciso preparar a partir do ensino básico. Isso nós estamos fazendo. Primeiro, ampliamos a política de valorização dos profissionais, garantindo a satisfação dos professores da rede municipal. Respeitamos o piso nacional do Magistério e trabalhamos na capacitação. Investimentos na estrutura da Educação, com construção de novas escolas, reforma e ampliação das existentes. Posso afirmar que quase todas as escolas municipais foram reformadas e ampliadas. Além disso, temos estabelecido diálogo permanente com os segmentos da educação, aí eu falo os diretores de escolas, professores e as famílias dos alunos. Então, o resultado tem sido satisfatório, com a qualidade de ensino básico que vai permitir que nossos alunos sejam capacitados para o ensino superior.

 

COMO cidade-polo, Assú atrai os investimentos de toda a região, mas também desperta a atenção dos profissionais que não têm oportunidade em seus municípios, determinando assim forte concorrência no mercado de trabalho. A sua gestão tem políticas para preparar a mão de obra local, principalmente jovens?

ESSA pergunta é pertinente, porque essa é uma preocupação constante. A nossa gestão vem trabalhando em várias frentes para oportunizar às pessoas de Assú, principalmente os jovens, a qualificação necessária e exigida pelo mercado de trabalho. Primeiro, criamos um programa, o Prodia, para atrair novas empresas. O incentivo dado pelo Município, como a doação de áreas, tem sido importante e as empresas estão chegando. Paralelamente, estamos cuidando da formação profissional para que as empresas tenham certeza que em Assú encontram mão de obra qualificada. Oferecemos cursos profissionalizantes em várias áreas. Temos parceiros importantes como a UFRN, Uern, Ufersa, Sebrae, entre outros. Então, as pessoas querem trabalhar e fazer carreira na cidade do Assú, eles têm a oportunidade da qualificação através das nossas ações.

 

ATÉ que ponto o Programa de Desenvolvimento Industrial de Assú, o Prodia, fez avançar o crescimento socioeconômico da cidade?

A CIDADE do Assú tinha o foco voltado para a agricultura e a pecuária, mas sofria muito com secas e enchentes, afetando diretamente a nossa economia. Então, para a cidade não ficar dependente de fatores climáticos, buscamos alternativas interessantes. Uma das alternativas é a incubadora de uma fábrica que produz para a Hering. Através do Prodia, instalamos um galpão na área do Centro Administrativo, onde três unidades estão em plena produção, gerando emprego e renda. Os profissionais, todos de Assú, têm salários acima do piso nacional, além da qualificação permanente para ocupar outras atividades da indústria têxtil. Veja que essa área não existia em Assú, mas tivemos a visão de buscar essa nova alternativa através da boa aplicação das políticas públicas. O Prodia já permitiu a doação de mais de 40 áreas para pequenas e médias empresas, que com as suas atividades empregam e geram renda. Então, são essas ideias criativas que superam a mesmice e oferecem novas oportunidades para a cidade e nosso povo.

 

PREFEITO, vamos falar sobre política. E a primeira pergunta não seria diferente: o senhor já está pensando na sucessão municipal?

OLHE, César, esse é o assunto que, penso, todos os políticos já estão pensando, e eu não sou diferente. Porém, quero dizer que não há, neste momento, um trabalho direcionado para a minha sucessão. Estou comprometido com a gestão, decidido a realizar as ações que a população espera da Prefeitura e, para isso, me dedico totalmente. Agora, no momento oportuno, claro, vamos cuidar das eleições municipais, como forma de nosso grupo político ter as condições de continuar com o nosso projeto administrativo.

 

MAS o senhor já deve ter nomes que possam, no momento oportuno, apresentar à população. Pode citar alguns desses nomes?

TEMOS grandes quadros, pessoas públicas comprometidas com as causas da população. São pessoas que já colaboram com a nossa gestão, têm uma visão moderna e comprometida com o futuro da nossa cidade. São pessoas competentes, que já fizeram e fazem por Assú. Portanto, nosso grupo tem quadros para disputar as eleições com chances de vitória.

NOMES, prefeito…

TEMOS o empresário Patrício Júnior, uma pessoa competente, com visão de futuro, e que já contribui bastante com o desenvolvimento do município, gerando emprego e renda através de sua atividade empresarial. Ele é sério, responsável e tem espírito público. Temos o atual presidente da Câmara Municipal, vereador Breno Lopes, jovem e com a visão de uma política diferente, que tem muito a oferecer ao município de Assú. Temos Alberto Luiz, ex-vice-prefeito e nosso atual secretário de Educação, que é muito preparado, um grande conhecedor do setor público e que tem muito a contribuir. É um homem sério, honesto e competente. Temos Maira Leiliane, ex-secretária nossa e que hoje empresta a sua competência como secretária-adjunta da Sethas do Governo do Estado. Ela fez um brilhante trabalho no nosso município, destaca-se no setor do desenvolvimento social e que pode perfeitamente administrar Assú. Temos outros nomes interessantes, todos com capacidade de fazer muito por nosso município. O mais importante, creio, é que essas opções estão inseridas dentro da nova realidade de gestão do município, longe dos vícios do passado, que o povo de Assú não deseja mais.

 

COMO assim, prefeito? O senhor está criticando os gestores do passado?

A POPULAÇÃO sabe muito bem o que tinha antes e o que tem hoje. Sabe que antes o cidadão era refém das ações municipais, e hoje são parceiros, dentro do modelo participativo que implantamos. O povo de Assú está livre e assim quer continuar. Não se trata aqui de críticas ao passado, mas apenas a constatação do que Assú tinha antes e do que Assú tem hoje.

 

ESSE debate da gestão de hoje versus a gestão do passado será o mote da sua sucessão?

ACHO que a população já comparou e decidiu isso nas eleições de 2012, quando eu fui reeleito com quase 70% dos votos do município (derrotou o deputado George Soares, filho do ex-prefeito Ronaldo Soares). A população comparou o que a nossa gestão fez e faz e o que passado fazia. Penso que o grande desafio agora é fazer mais, avançar mais, manter essa linha de desenvolvimento, e isso só será possível se a cidade não voltar para as mãos do passado.

Fonte: www.defato.com