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ENTREVISTA

Augusto Nardes: “O Tribunal já havia alertado para as pedaladas”

O relator no julgamento das contas do governo diz que as irregularidades são graves. Uma reprovação do Tribunal pode dar munição aos que querem o impeachment de Dilma Rousseff

LEANDRO LOYOLA E MURILO RAMOS

O ministro Augusto Nardes voltou ao Tribunal de Contas da União (TCU) há duas semanas, após sete dias de afastamento. “Saí um pouco para evitar a pressão”, afirma. As circunstâncias transformam Nardes em um dos personagens mais visados hoje por governo e oposição. Ele é o relator das contas do governo da presidente Dilma Rousseff em 2014. São significativas as chances de, no julgamento em agosto, ele e os colegas reprovarem as contas devido às alquimias da contabilidade criativa da equipe do então ministro Guido Mantega. Na pior delas, por falta de dinheiro do governo, bancos oficiais pagaram benefícios sociais para receber depois, uma inversão de papéis proibida e que ficou conhecida como “pedalada”. Caso isso aconteça, o Congresso pode rejeitar as contas de Dilma – e fornecer um argumento concreto para os que querem o impeachment da presidente. “O Tribunal já vinha alertando o governo para a questão das pedaladas”, afirma Nardes nesta entrevista a ÉPOCA. Até o julgamento, Nardes andará acompanhado por seguranças.
ÉPOCA – Como está a pressão sobre o senhor e o Tribunal por causa das pedaladas?

Augusto Nardes – Faz parte do jogo. Recebi quatro ministros do governo. O mais importante foi o (ministro da Fazenda) Joaquim Levy. O (advogado-geral da União, Luís Inácio) Adams veio várias vezes.
ÉPOCA – O que eles disseram ao senhor?

Nardes – O (ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio) Mercadante disse que as pedaladas já tinham acontecido em outros anos, o Adams também falou. Mas nós já estamos alertando o governo sobre as pedaladas há algum tempo.
ÉPOCA – O que disse o ministro da Fazenda, Joaquim Levy?

Nardes – Ele tentou ponderar esses aspectos, mas não entrou muito nos detalhes da situação anterior, que era do ministro Guido Mantega. O Levy está fazendo um trabalho muito importante para o país, de tentar acertar uma situação pela qual ele não é responsável. Eu o achei muito equilibrado.

ÉPOCA – Ele se comprometeu em acabar com as pedaladas?

Nardes – Ele colocou isso, mas não com uma ênfase maior. Contou o que estava fazendo para tentar buscar o equilíbrio do país, todo o esforço que estava fazendo.
ÉPOCA – O que os ministros querem?

Nardes – Eles defendem as posições do governo que estão aí em público. Faz parte. Eu recebi também pessoas da oposição, senadores, o Aécio Neves, o Aloysio Nunes, o Ronaldo Caiado, deputados. Acho que faz parte do jogo democrático. O TCU é um dos guardiões da Lei de Responsabilidade Fiscal e tem de ficar atento ao que está acontecendo. Nossa decisão não foi inventada por mim: foi feito um trabalho técnico, pelos auditores, e o ministro José Múcio relatou. Há dois pontos que considero mais importantes: as pedaladas e o contingenciamento. Sobre as pedaladas, já foi tomada uma decisão, há um acórdão. O ministro José Múcio disse: o caso das pedaladas é como se fosse um cheque especial. Sem autorização do Congresso, o governo gastou próximo de R$ 40 bilhões. E tem o contingenciamento, outro aspecto importante. Eu mostro o que aconteceu em 2011, 2012 e 2013. No caso de 2014, período de eleição, não foi feito contingenciamento de R$ 28,5 bilhões – e, além de não fazer, foram autorizados (gastos) de R$ 10 bilhões a mais. As contas não fecharam de forma positiva, tivemos um deficit de R$ 22,5 bilhões. São dois fatos importantes. Há também a questão do FGTS: foram usados R$ 6,5 bilhões do trabalhador, sem data de retorno.

ÉPOCA – O governo trata as pedaladas como uma operação rotineira, um ajuste de cálculos. O que o senhor acha desse argumento?

Nardes – O Tribunal já vinha alertando o governo para essa questão, como também para a contabilidade criativa. Já vínhamos alertando de que excessos vinham sendo cometidos. No ano passado, conversei longamente com a presidente Dilma, tentando auxiliar o governo. Disse a ela que R$ 2,3 trilhões – não estou falando de bilhões, estou falando de trilhões – não foram contabilizados da previdência autuarial, que é a projeção da aposentadoria de todos os brasileiros. Por que isso é importante? Porque, se não tomarmos medidas preventivas, iremos pelo mesmo caminho de países como Espanha, Portugal e Grécia – e, em curtíssimo espaço de tempo, não poderemos pagar os aposentados. Eu alertei a presidente Dilma. Eles contabilizaram uma parte neste ano, não tudo. Mas, mesmo com a contabilidade, não dá para fazer uma avaliação se o patrimônio do país é positivo ou negativo.

Eu alertei a presidente Dilma no ano passado, durante o período da Copa

ÉPOCA – Quando foi isso?

Nardes – Eu alertei a presidente no ano passado, durante o período da Copa. Ela chamou o Mantega, e ele tomou algumas providências. A proposta no ano passado já era pela rejeição das contas (do governo). Eu disse no meu voto que as contas “não estão em condições de ser aprovadas”. O ministro Raimundo Carreiro falou comigo, eu estava na presidência, eu falei com o governo e chamamos o Mantega aqui.

ÉPOCA – O que o ministro Guido Mantega disse?

Nardes – Ele foi chamado, veio aqui. O Mantega conversou com o ministro Raimundo Carreiro e tomou algumas providências. No ano passado, o Tribunal propôs aprovar com ressalvas as contas do governo. Mas aí nós fomos ver, as pedaladas eram graves. O fato de eu propor 30 dias para o governo se defender é para estabelecer o contraditório. Estou esperando que o governo consiga trazer uma explicação plausível.
ÉPOCA – Assusta o senhor a reação do governo diante da postura do TCU?

Nardes – A reação é natural, porque qualquer governo quer que tudo corra bem. O voto foi basicamente técnico e baseado em uma decisão já tomada pelo Tribunal. O fato de termos alertado e não termos sido ouvidos leva a uma situação dessas, em que pela primeira vez se propõe um contraditório para tomar uma decisão sobre um tema que há muitos anos o Congresso não examina (desde 1992 o Congresso não vota os relatórios do TCU sobre contas dos governos). As instituições têm de ser fortes, cada uma tem de cumprir com seu papel. Nós cumprimos nosso papel técnico. Isso foi elaborado por uma equipe de mais de 30 auditores que encontraram esses números. Eu sou o porta-voz desse trabalho do Tribunal de Contas da União. O governo tem de responder a isso, porque a sociedade quer transparência em relação aos recursos pagos pelos impostos.
ÉPOCA – O governo argumenta que as pedaladas existiram nas gestões anteriores e que o TCU nunca ligou. 

Nardes – O Tribunal alertou o governo várias vezes.

ÉPOCA – O julgamento no TCU poderá levar o Congresso a rejeitar as contas do governo Dilma e abrir caminho para o impeachment. O senhor pensa nisso?

Nardes – Nosso juízo é técnico. Estamos fundamentados em números, feitos por uma equipe de excelência.
ÉPOCA – A AGU estuda, se perder, contestar o julgamento no Supremo Tribunal Federal. Vai dizer que o senhor não poderia se manifestar antes do voto. 

Nardes – Eu não me manifestei antes. Estou falando em cima do relatório que foi feito pelo ministro José Múcio. Eu não me manifestei em relação ao meu voto futuro.
ÉPOCA – O advogado Thiago Cedraz, filho do presidente do Tribunal, Aroldo Cedraz, é acusado na Operação Lava Jato de fazer tráfico de influência aqui no Tribunal. Como fica a imagem da instituição?

Nardes – Eu não conheço bem a situação, então não posso me manifestar.
ÉPOCA – O senhor passou a andar com seguranças por causa do caso das pedaladas ou é usual?

Nardes – Eu tenho família, não é? Então, tenho de proteger a família. Eu andei mais com segurança nos dias dos votos. Agora, estou mais tranquilo.
ÉPOCA – Houve ameaças por causa desse caso?

Nardes – Por enquanto, só por mensagens. O que está acontecendo é uma guerra de informações.

Os dias ao lado de Canindé Queiroz

No ano em que a GAZETA completa 38 anos, jornalistas que compõem a Redação se uniram no sentido de entrevistar Canindé Queiroz, o homem que tem seu nome marcado na história do jornalismo potiguar.

Por: Iuska Freire, Kalidja Sibéria e Luciana Araújo

Com apoio de toda a Redação

Metódico e observador, ele está presente diariamente na GAZETA DO OESTE, onde acompanha, a seu modo, todo o processo da edição do jornal – Foto Ednilto Neves

Há casos em que a obra supera o criador – A Divina Comédia, de Dante Alighieri, e os poemas gregos Ilíada e Odisseia, de Homero, são exemplos clássicos dessa relação. Outras vezes, criador e criação se fundem de tal forma que é impossível dissociar e medir a importância de um e do outro. Canindé Queiroz e a GAZETA DO OESTE pertencem ao segundo grupo.

No ano em que a GAZETA completa 38 anos, jornalistas que compõem a Redação se uniram no sentido de entrevistar Canindé Queiroz, o homem que tem seu nome marcado na história do jornalismo potiguar. A tarefa é carregada de responsabilidade e nervosismo, afinal não é um entrevistado comum.

Afastado da escrita há mais de 10 anos por problemas de saúde, Canindé não perde certos hábitos. Metódico e observador está presente diariamente na GAZETA DO OESTE, onde acompanha, a seu modo, todo o processo da edição do jornal. A companheira de trabalho, uma Olivetti Studio 45, permanece em seu birô, hoje silenciosa. Mossoró sente falta do bater dessas teclas, ele também revela ter saudades.

Os leitores que acompanhavam seu estilo visionário, certeiro e polêmico demonstram curiosidade em saber como é a rotina de Canindé Queiroz. Nós, que convivemos com ele diariamente, tentaremos revelar parte desses dias ao lado de Canindé.

Sentado em sua cadeira de balanço, vestindo a tradicional camisa polo branca e a calça cáqui, ele interage com todos os repórteres, quer saber para onde vão e quem irão entrevistar. Quando não gosta do assunto é taxativo: “Sem futuro” ou “Não faça essa matéria!”. Como todo bom jornalista, não abandonou as interrogações. A maioria de suas interações é acompanhada de perguntas: Está fazendo o quê? Quem mandou você fazer isso? Vai sair com quem? Isso presta?

Com Inácio Pé de Quenga, personagem que ganhou fama em sua coluna, a vigilância é permanente. Parece conhecer, como ninguém, as manias de um dos funcionários mais antigos. Com a amiga Bárbara Fernandes, assistente administrativa, Canindé desarma toda seriedade. A diferença de idade de quase 50 anos se desfaz, ambos fazem piadas relacionadas a todos do jornal.

Com funcionários mais antigos, que o acompanham na GAZETA no decorrer desses 38 anos, como Maria José e Manoel Galdino, o respeito é cristalizado em gestos e palavras, muitas vezes, também, em silêncio.

Ao lado de Maria Emília Lopes Pereira, sua companheira de vida e com quem compartilha a paixão pelo Jornalismo, Canindé passa os dias observando os fatos locais. Faz questão de cumprimentar funcionários e amigos em datas natalícias. Sua ligação no dia do aniversário já é esperada por muitas pessoas. Abaixo, a entrevista com Canindé Queiroz.

 

ENTREVISTA

 

Canindé Queiroz - diretor presidente - WM– Como surgiu a ideia de criar o jornal em 1977?

Mossoró estava sem jornal na época, então criamos a GAZETA.

– E o senhor já imaginava que a GAZETA seria o principal jornal da cidade?

Imaginava sim, ela já nasceu para ser grande.

– O senhor sente falta de escrever?

Sim, sinto. Mas não penso em voltar.

– Qual foi o momento mais difícil para o senhor nesses 38 anos de jornalismo?

Quando deixei de escrever.

– Sente falta de pessoas que trabalharam com o senhor?

Sinceramente não lembro de todas, mas tenho saudades de Ferreira e Ivonete de Paula.

– O senhor se arrepende de algo que escreveu?

Não. Não me arrependo de nada e escreveria tudo do mesmo jeito.

– Se voltasse a escrever hoje, seguiria a mesma linha?

Sim, continuaria com as mesmas críticas.

– O que o senhor tem a dizer sobre a atual gestão municipal? Como enxerga a situação atual do município?

A gestão do prefeito é muito ruim, assim como a situação do município. Não está nada bom… Veja a situação do transporte público.

– Sua sala sempre foi bem frequentada por políticos e autoridades… Sente falta de alguém?

Só de Padre Sátiro para falar sobre religião.

– Gostaria de voltar a receber essas visitas?

Não. Só Padre Sátiro.

– Do que o senhor sente falta na cidade? Algo que havia no passado e que deixou de existir?

Sinto falta dos cafés de antigamente. De sentar para conversar com as pessoas.

– Muito se fala em extinção dos jornais impressos devido à concorrência da internet. O senhor acredita nisso?

Não. O jornal impresso nunca vai acabar.

– E sobre o aniversário do jornal?

Que continue assim e com essa equipe.

– Nesses 38 anos de jornal, qual o momento mais marcante para o senhor?

Foi quando a GAZETA saiu pela primeira vez.

– Sua esposa, dona Maria Emília, vem conduzindo o jornal há algum tempo. O que o senhor tem a dizer sobre isso?

Que ela é gente boa e competente. Eu não confiaria o meu jornal a mais ninguém, além dela.

– O que gostaria de dizer para os seus leitores?

Que está tudo bem comigo.

 

BIOGRAFIA CANINDÉ QUEIROZ

Francisco Canindé Queiroz e Silva, natural de Pau dos Ferros, nascido a 14 de abril de 1942, filho do natalense José Luiz da Silva e Raimunda Florêncio de Queiroz e Silva. Canindé foi alfabetizado em sua terra natal. Em Mossoró, estudou o ginásio na Escola Normal, no Colégio Diocesano Santa Luzia cursou o 2º Grau, atual ensino fundamental, que concluiu em Natal, no Atheneu. Membro da Academia Mossoroense de Letras, cadeira nº 36, Canindé Queiroz é leitor assíduo.

Na capital do Estado, deu os primeiros passos na vida pública. Foi presidente da Casa do Estudante de Natal durante um período conturbado, no auge da ditadura militar, formou grandes elos de amizades e teve os primeiros contatos com algumas das lideranças políticas mais expressivas da política norte-rio-grandense como Dinarte Mariz e Aluízio Alves.

A vida pessoal e profissional de Canindé sempre foi marcada por momentos intensos. Na política, chegou a ser vice-prefeito de Mossoró durante a segunda administração de Dix-huit Rosado eleito em 15 de novembro de 1972 e posse em 31 de janeiro de 1973. Neste mesmo período, de 1973 a 1975, assumiu a presidência da Fundação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, sendo responsável pela Expansão do Campus Central. No pleito municipal seguinte se candidatou a prefeito e foi derrotado por Dix-huit Rosado decidindo então abandonar a política.

Apesar de formado em Economia pela Fundação Universidade Regional do Rio Grande do Norte (FURRN), hoje Uern, e em Direito na cidade de Sousa, interior paraibano, a grande paixão profissional foi o Jornalismo. O sonho começou a ser idealizado com a formação da Astecam e foi consolidado em 30 de abril de 1977 (três anos depois da Astecam), com a fundação da GAZETA DO OESTE, um jornal inicialmente semanal que se tornou referência para o jornalismo do interior potiguar.

Fonte: www.gazetadooeste.com.br

30 ANOS SEM DOUTOR TANCREDO

“Acordado pelo meu irmão Everardo Rebouças, às 05 horas da manhã, do dia 15 de março, em minha residência, na Rua Quintino Bocaiúva, para dizer que Tancredo estava hospitalizado e não tomaria posse, eu que fora dormir sem saber” 

Por Elviro Rebouças 

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Elviro Rebouças é economista e empresário

No último dia 21 de abril, Dia de Tiradentes, o Brasil atual, desfocando-se dos nossos múltiplos problemas e percalços, escândalos da Petrobrás, dos seus males de crescimento negativo na economia, dos políticos atabalhoados que povoam a atual cena pública (com raríssimas exceções) e da inflação galopante que volta, parou um pouco para, 30 anos depois, reverenciar a figura sempre presente do mineiro, de São João Del Rey, Tancredo de Almeida Neves, nascido em 04.03.1910 e que, após longo calvário acompanhado por uma nação inteira, por quase quarenta dias, faleceu no Hospital do Coração, em São Paulo, em 21.04.1985. Foi um advogado, empresário e político brasileiro, Deputado Estadual, Federal, Senador da República, tendo sido Primeiro-Ministro de 1961 a 1962, ministro da Justiça e Negócios Interiores de 1953 a 1954, Ministro da Fazenda em 1962, governador do estado de Minas Gerais de 1983 a 1984 e Presidente eleito do Brasil em 1985. Três quadros eu guardei modestamente do Presidente Tancredo Neves: 01) Sua eleição maiúscula pelo Colégio Eleitoral, assistí no meu escritório no Banco Mossoró, voto após voto, 02) Acordado pelo meu irmão Everardo Rebouças, às 05 horas da manhã, do dia 15 de março, em minha residência, na Rua Quintino Bocaiúva, para dizer que Tancredo estava hospitalizado e não tomaria posse, eu que fora dormir sem saber, 03) Também em casa, pela TV Globo, às 22;30 horas do dia 21.04.1985, Antonio Brito, jornalista, amigo, companheiro de sofrimento nas sempre péssimas notícias e Secretário de Imprensa, anunciando oficialmente e ao “vivo” o seu falecimento. Doutor Tancredo Neves foi o brasileiro mais presente à cena política nacional, desde que galgou o seu primeiro mandato de Deputado Estadual em Minas Gerais, em 1947, até hoje, final de abril de 2015. Ministro da Justiça de Getúlio Vargas, na fatídica manhã de 24 de agosto de 1954, ao lado da filha do presidente, Alzira Vargas, adentrou à suíte presidencial incontinenti ao tiro no coração disparado por Vargas, e descreveu o horror do quadro com lucidez fulgurante, Getúlio nos estertores da morte, com o olhar perdido entre a filha e o fiel amigo, sangrando abundantemente, sem que nada pudesse ser feito. Sete anos depois, com a surpreendente renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto de 1961, João Goulart, Vice-Presidente em viagem à China comunista, foi forçado, entre a Legalidade e os quartéis militares aceitar a criação do regime parlamentarista de governo, para Tancredo ser ungido como nosso Chefe de Governo, para permitir à posse de Jango, única condição aceita pelos militares que já não viam o gaúcho dos pampas com bons olhos. Em 1962 Jango, através do plebiscito retorna ao sistema presidencialista, Tancredo vai, por pouco tempo para o Ministério da Fazenda, mas logo sai , retornando à Câmara dos Deputados onde manteve o apoio ao governo João Goulart até que o mesmo fosse deposto pelo Golpe Militar de 1964. Tancredo foi um dos poucos políticos que foram se despedir de João Goulart no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, quando este partiu para o exílio no Uruguai. Foi o único membro do PSD que não votou, em 11 de abril de 1964, no general Humberto de Alencar Castelo Branco, na eleição à Presidência da República pelo Congresso Nacional. Extinto o pluripartidarismo foi convidado a ingressar na ARENA, oferta polidamente recusada em razão da presença de adversários seus da UDN, especialmente José de Magalhães Pinto, na nova agremiação situacionista. Apesar de ter sido amigo e primeiro-ministro de João Goulart, Tancredo não teve seus direitos políticos cassados durante o Regime Militar, devido ao seu prestígio junto aos militares. Opositor moderado do Regime Militar de 1964 logo procurou abrigo no MDB sendo reeleito deputado federal em 1966, 1970 e 1974. Em sua atuação parlamentar evitou sobremaneira criar atritos com o governo militar e fez parte da ala moderada do MDB não se negando, inclusive, ao diálogo com, postura contrária àquela adotada pelo grupo “autêntico” do MDB. Em 1978 foi eleito senador por Minas Gerais.Em 1982 é eleito Governador de Minas, derrotando Elizeu Resende. Renuncia dois anos depois, para poder ser Presidente da República. Com a derrota da emenda Dante de Oliveira, das Diretas Já em 1984, restou a disposição de ir ao Colégio Eleitoral em 15.01.1985, para derrotando o candidato do governo, Paulo Maluf, ser sagrado o primeiro Presidente depois da ditadura militar. Ganhou folgado, mas não assumiu. Uma diverticulite (inflamação na membrana intestinal), 12 horas antes da sessão solene de posse, no Congresso Nacional, fez com que o nosso intrépido senhor democracia fosse quedado ao Hospital de Base, em Brasília, para sucessivas cirurgias que não lhe pouparam à vida, fazendo com que o seu Vice-Presidente José Sarney, da Aliança Democrática, assumisse o posto e cumprisse todo o mandato. A tese de que Tancredo Neves, assim como Getulio Vargas, fez política com seu próprio corpo, defendida pelo ex-porta-voz Antonio Brito utilizando-se dos dotes de jornalista e político, dá bem a dimensão do sacrifício desse homem, que sempre pautou sua atuação política pela defesa dos princípios democráticos. Getulio saiu da vida para entrar na História com a reação radical e dramática do tiro no peito contra os adversários. Tancredo, temendo que sua ausência, mesmo temporária, prejudicasse a transição do regime militar para o que chamou de Nova República, forçou o corpo até seu limite máximo, não conseguiu assumir a presidência da República, mas garantiu a transição para um governo civil utilizando- se do colégio eleitoral, um instrumento da ditadura para eleger o presidente da República de maneira indireta e controlada. Sua morte produziu uma das mais belas páginas de nossa história recente, com o povo, em milhares de pessoas reunidas, em São Paulo, no Rio de

Janeiro, em Brasília, Belo Horizonte, em Mossoró, em Natal, em todos os quadrantes do País, nas ruas lamentando o governo que poderia ter sido e não foi. Difícil dizer se Tancredo seria o grande presidente de que o país necessitava, ou se seu projeto de governo daria certo. O certo é que ele reunia todas as condições para ser bem sucedido. Foi um brasileiro por excelência. O Seu nome jamais será esquecido.

Entrevista: Sandra Rosado

Ex-deputada federal concedeu entrevista ao Jornal Difusora da rádio Difusora de Mossoró 

Por Paulo Afonso Linhares e Paulo César Oliveira 

Fotos Karla Viegas 

A ex-deputada federal, Sandra Rosado (PSD), concedeu sua primeira entrevista, depois das eleições de 2014, quando não se reelegeu, ao Jornal Difusora, da rádio Difusora de Mossoró, na quarta-feira, 16, às 18. Na conversa com o apresentador do Jornal Difusora, Carlos Skarlack e com o diretor geral da emissora, jurista Paulo Afonso Linhares e com o publicitário e blogueiro, Paulo César Oliveira, Sandra Rosado falou sobre passado, presente e futuro político. Confira, a seguir, alguns dos trechos da entrevista:

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Sandra Rosado em entrevista ao Jornal Difusora, da Rádio Difusora de Mossoró-RN – Foto: Karla Viegas

Jornal Difusora – Ex-deputada federal, Sandra Rosado, a senhora foi sondada para assumir algum cargo de assessoria, em Brasília? 

Sandra Rosado – Eu só volto para Brasília se o povo de Mossoró me mandar. Agora, voltei para a minha cidade. Eu precisava ficar um pouco mais perto de minha família; de minha mãe que vai completar 80 anos. Mas, realmente, houve conversas nesse sentido, mas eu tomei a decisão de voltar para minha cidade, onde meu trabalho independe de ocupar cargo político.

Jornal Difusora – A Senhora continua no PSB?

Sandra Rosado – Eu continuo no PSB. É um partido que sofreu um grande baque com a morte de Eduardo Campos, mas ficamos com esse legado de trabalhar por um país mais justo, onde sejam respeitados os direitos dos pobres. Um país que ainda precisa que aconteça um governo em que as pessoas mais necessitadas sejam respeitadas.

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Jornal Difusora – Diante dos últimos resultados adversos, a senhora pensa em abandonar a política?

Sandra Rosado – Eu, desde que saiu o resultado das últimas eleições de 2014, afirmei e quero reafirmar aqui, que não deixo a política, não. Para mim a política é algo inerente, é minha grande paixão. Eu faço política como um sacerdócio, com devotamento. Estou preparada, sempre estive preparada para a vida pública, e sei que a vida pública não é feita só de sucessos. Existem momentos de amargura. Na política o único momento de alegria é quando você obtém uma vitória, pois, no cumprimento do mandato existe sempre muito trabalho, muita luta para realizar os compromissos assumidos com o povo.

Jornal Difusora – Como a senhora encara a derrota de 2014?

Sandra Rosado – Quando se ganha uma eleição, então, se tem muito trabalho pela frente. Mas, é sempre bom vencer. Mas, no Rio Grande do Norte não tem um político que não tenha tido uma derrota. Todos já sofreram derrotas, mas, depois, voltaram a vencer.

Jornal Difusora – Como a senhora avalia o atual cenário político do município de Mossoró?

Sandra Rosado – Mossoró vem vivendo momentos de muita instabilidade. Um componente de pessoas que chegaram a Prefeitura Municipal e não corresponderam aos anseios populares. Em 2012, a política mossoroense foi maculada por atos de improbidade por parte de quem ganhou as eleições (Cláudia Regina e seu grupo político). Depois, houve a posse na Prefeitura Municipal, de um presidente da Câmara Municipal (Francisco José Júnior) e depois uma eleição suplementar.

Jornal Difusora – Mas, o então presidente da Câmara Municipal, Francisco José Júnior assumiu a Prefeitura de Mossoró em cumprimento ao que determina a legislação, depois da cassação da prefeita que fora eleita, Cláudia Regina…

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Sandra Rosado – Ele assumiu a Prefeitura Municipal e disputou um pleito em que enfrentamos o juiz eleitoral (Herval Sampaio), que ia para o rádio ou para a televisão e dizia que Larissa (Rosado), era candidata, mas, que ele não iria computar os votos dela. Então o eleitor chegou a conclusão que não iria valer a pena, e acabou votando no adversário.

Jornal Difusora – Mas, esta não foi apenas mais uma derrota de seu grupo político…

Sandra Rosado – Tivemos insucesso nessa eleição suplementar, quando o próprio juiz (Herval Sampaio), todo dia declarava que Larissa era candidata por conta e risco. Em ação que foi colocada pelo presidente da Câmara Municipal (Francisco José Júnior) e que naquela hora era ocupante do Palácio da Resistência e ele era candidato a reeleição. A reeleição, aliás, é uma norma, uma regra que tem que ser muito bem avaliada, pois, normalmente, quem está no comando usa e abusa do poder.

Jornal Difusora – Como a senhora avalia a gestão do prefeito Francisco José Júnior?

Sandra Rosado – Agora mesmo, um grupo de Natal, que inclusive tem ligações com o governador do Estado, Robinson Faria, publicou uma pesquisa que foi colocada por um blog de um dos assessores do governador, e apresenta um resultado de agora, em que o prefeito da cidade de Mossoró tem uma rejeição de quase 80%. A cidade de Mossoró, se formos analisar, é uma cidade que tem muitas riquezas naturais, mas que o seu povo está mais pobre agora do que era antes. O poder público está se preocupando apenas com um aspecto personalista. Temos uma grave crise na cidade, com as ruas esburacadas; falta de médicos e medicamentos nas unidades de saúde, com aumento da insegurança e tudo isso sem nenhuma perspectiva de solução por parte da gestão municipal. Temos quase todo dia um jovem assassinado. Pode se dizer que isso não é responsabilidade da Prefeitura, mas, tem que se ter responsabilidade com essa situação. Mossoró está vivendo uma época em que se fala que pagar em dia ao servidor público é um ato histórico, quando isso é apenas uma dever do governante. A população etá cançada. Precisamos de alguém que pense grande, do tamanho de Mossoró.

Jornal Difusora – Como o grupo político liderado pela senhora deverá se posicionar paras eleições de 2016?

Sandra Rosado – Eu, primeiro vou lhe dizer que, estamos começando um debate sobre a campanha que se avizinha. Mas, quero dizer que tanto eu quanto a deputada Larissa Rosado, vamos participar da disputa. Ela também sabe, e conscientemente afirmou, que não deixa a política. Poderemos servir a Mossoró de várias formas. Não vou dizer que nosso grupo que tem representação expressiva, pelo trabalho no dia a dia, onde sempre tivemos envolvidos, não vamos participar do pleito. Estamos preparados para aprticipar a campanha municipal.
Podemos fazer composição com outros grupos políticos de Mossoró. Temos o vereador Lairinho (Rosado), mas, podemos participar da disputa. eu e Larissa poderemos disputar um mandato de vereador.

Jornal Difusora – A ex-deputada estadual Larissa Rosado teve um encontro, em Natal, com o ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado…

Sandra Rosado – Eu converso de vez em quando com Carlos Augusto (marido da ex-governador Rosalba Ciarlini), sobre coisas de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Mas, esse encontro foi meramente casual. Larissa estava esperando uma filha e uma sobrinha que estudam em Natal; estava aguardando, e Carlos Augusto Rosado chegou, e quem é da política fala sempre de política. Hoje todas as pessoas conversam com todas os outras. Agora mesmo, os senadores Garibaldi Filho e José Agripino, procuraram o governador Robinson Faria, para apoiar os projetos que forem de interesse do Estado. Se tiver que me encontrar com Rosalba (Ciarlini) vou conversar sobre política.

Jornal Difusora – E com está a relação com o PMDB?

Sandra Rosado – Não há nada que impeça uma aliança nossa com o PMDB.

Jornal Difusora – Como a senhora avalia a situação do PSB, no momento?

Sandra Rosado – O PSB está precisando de uma abertura maior. Tivemos decisão em nível nacional, para se fazer novas eleições nos Estados onde os diretórios do PSB não tiveram 5% dos votos para deputado federal. Fui convocada (na quarta-feira, 16) para uma reunião do diretório nacional, mas não pude ir. Mas, tenho conversado com Carlos Siqueira. Estamos conversando sobre o comando do PSB, mas não temos ainda unificado um pensamento sobre as eleições estaduais. Mas para as eleições municipais vamos seguir a orientação de alianças com os partidos de esquerda.

Jornal Difusora – Durante as eleições de 2014, na disputa para o Governo do Estado, o seu grupo política contava com a possibilidade de vitória de Robinson Faria?

Sandra Rosado – Olhe, eu acho que nem o próprio Robinson Faria acreditava nisso. Tanto que estamos vendo os cem primeiros dias de gestão sem grande projetos.

Jornal Difusora – As lideranças de oposição poderão se unirem em torno do governo Robinson Faria?

Sandra Rosado – Não será muito fácil a junção dessas lideranças em torno do governador Robinson. Eu acredito que está faltando uma sustentação política mais forte para o governador Robinson.

Jornal Difusora – Como a senhora avalia a união de forças que ocorreu em torno do então candidato ao Governo, Henrique Alves?

Sandra Rosado – Quando se juntam duas forças que são adversárias nos municipios, não é bom, pois o povo não gosta. A polarização municipal fala mais alto. Eu mesma falei isso para Henrique Alves durante a campanha eleitoral.

Jornal Difusora – O município de Mossoró, pelos problemas que enfrenta, não estaria precisando de uma junção de forças para se pensar o soerguimento econômico?

Sandra Rosado – Essa questão me faz lembrar uma figura expressiva, que o saudoso empresário, Diran Ramos do Amaral. E ele fez um movimento para recuperar a BR-304, e conseguiu. Na paz que eu vivo, hoje, lamento a paciência, a falta de indignação pública, as pessoas não expressando isso. Acho que sua ideia é muita boa. Não podemos dizer que Mossoró está bem, que o Rio Grande do Norte está bem, que não está. Precisamos fazer com que Mossoró seja participativa.

Erick Pereira defende reforma política com mandato inicial de 6 anos e os seguintes com cinco

Doutor em Direito Eleitoral advoga fim de coligações

O constitucionalista e especialista em direito eleitoral pela PUC de São Paulo, Erick Wilson Pereira defende uma ampla reforma política no país, inclusive estabelecendo o fim das coligações já para as próximas eleições no país. “O fim das coligações representa um avanço porque deve fortalecer os partidos políticos e sua representatividade.  Erick lembrou que “casos espúrios de celebridades ou outros candidatos que canalizam votos de protesto e terminam por favorecer candidatos com votações pífias não mais representarão um constrangimento para a sociedade”.

Segue a entrevista ao Diário do Poder:

1 – Com tantas notícias de escândalos no Brasil, envolvendo parlamentares federais, é possível falar em credibilidade das instituições?

EWP.: A credibilidade desse atual Congresso foi dada pelos milhões de votos depositados nos representantes de cada estado-membro, em eleição recentíssima. Instigar o descrédito do Legislativo, por crise provocada por uma série de delações premiadas e ainda em fase de inquérito, implica em ato atentatório aos valores democráticos. Ou seja, transformar investigação em antecipação de condenação significativa ofender o grau de civilidade de uma Nação que é medido pelo princípio da inocência. Não se deve permitir a decretação da morte social das pessoas ainda investigadas e sem condenação penal.

2 – Diante dessas investigações há necessidade de afastamento dos presidentes do Senado e da Câmara?

EWP.: Não. A influência de fatores extrajurídicos – ideologia ou pressão da opinião pública – é muito comum nas peculiaridades dos sistema investigativo brasileiro. O timbre do “segredo de justiça” só serve para o investigado porque todos os demais atores da sociedade tem acesso aos frequentes vazamentos de informações. Penso que o afastamento dos presidentes da Câmara e do Senado incorreria numa espécie de confissão social, pois assim será percebida pela maioria da população, em que pese investigação não ser sinônimo de culpa, com patente comprometimento do capital político e moral. A reputação, afinal, é vantagem competitiva que leva uma vida para ser construída. O momento requer estabilidade política e amadurecimento institucional, especialmente se considerarmos que não há previsão para o julgamento dos casos, caso sejam transformados em denúncias.

3 – Esses acontecimentos ensejam a necessidade de uma reforma política?

EWP.: Penso que sim. Crises sempre impulsionam mudanças mais rápidas e facilitam a renovação de formas de representação. Entretanto, reformas políticas efetivas passam pelo diálogo e acordos estabelecidos entre partidos, organizações da sociedade civil e representações políticas. Tais aspectos parcialmente explicam as dificuldades que até hoje enfrentamos para realizar uma reforma política estruturante e abrangente. A atual crise parece ter o condão de aproximar partidos, antes antagônicos, que não demonstram receio em provocar instabilidade para o atual sistema mediante confrontos com o Executivo e o Judiciário. Os debates extrapolaram o Legislativo e começaram a expor os conflitos intramuros e os acordos de bastidores que sempre conseguem evitar a participação da sociedade nas decisões políticas e disfarçar a cisão casuística entre pontos essenciais de uma ampla e efetiva reforma.

4 – Qual a sua opinião sobre o fim das coligações proporcionais?

EWP.: Penso que o fim das coligações representa um avanço porque deve fortalecer os partidos políticos e sua representatividade. Casos espúrios de celebridades ou outros candidatos que canalizam votos de protesto e terminam por favorecer candidatos com votações pífias não mais representarão um constrangimento para a sociedade. Porém, não acredito que a Câmara aprove essa mudança que o Senado irá encaminhar.

5 – Haverá mandato tampão de dois anos ou eleição com mandato inicial de seis anos, coincidindo as eleições

EWP.: Não concordo com o mandato tampão. Entendo que seria mais viável o mandato inicial de seis anos e os seguintes de cinco anos, o que redundaria em benefícios patentes para o Estado e o eleitorado, a exemplo da coincidênciadas eleições, a diminuição dos gastos e da burocracia dos tribunais eleitorais, além da facilitação da mobilidade e seleção de candidatos pelos eleitores. O amadurecimento democrática acontece pelo fortalecimento da Educação e, não somente, pela participação a cada dois anos. O tempo para realização de eleições independe quando o nível cultura de uma sociedade atinge a compreensão do que seja o conceito de cidadania plena.

6 – Considera que há elementos para um impeachment de Dilma Rousseff?

EWP.: Não. Porque no atual contexto não se constata a existência da prática de crime ou mesmo indícios nesses três meses iniciais. Só haverá possibilidade de impeachment quando existir a comprovação de prática de crime neste segundo mandato. Não há sentido em se falar em impeachment. No momento atual, impeachment representa instabilidade para o sistema político e as instituições do governo, apesar da crise de valores e dos escândalos de corrupção que abalam a República.

Entrevista: Ivan Júnior

Prefeito de Assu no “Cafezinho com César Santos” no jornal e portal De Fato

Por César Santos

César Santos conversa com Ivan Júnior: Fotos: Narcos Garcia

 

O prefeito de Assu, Ivan Júnior, decidiu mudar o perfil de gestor público. Abriu mão do conforto do gabinete, de práticas da política antiga, para imprimir um novo modelo de administrar a Prefeitura.

Ao invés da ação assistencialista, o trabalho para melhorar a vida das pessoas, fincado em projetos modernos, principalmente nas áreas de saúde, educação e desenvolvimento econômico.

Para isso, teve que adotar medidas e, principalmente mudar o conceito de gestão pública.

Ivan Júnior trabalha nas ruas, visitando obras, repartições públicas, para fiscalizar os serviços e propor a parceria com a sociedade para alcançar a excelência do serviço público.

O prefeito Ivan tomou o “Cafezinho com César Santos”, quando falou de gestão pública e de política, sem fugir de nenhum tema, inclusive, sobre a sua sucessão revelou que tem bons nomes para ser candidato, revelando quatro deles.

DE FATO – O ano de 2015, provavelmente, será o mais difícil das últimas duas décadas, em consequência da crise política e econômica que afeta o País. As consequências serão sentidas pelas gestões públicas, principalmente dos municípios. A sua gestão se preparou para enfrentar esse momento?

IVAN JÚNIOR – Essas dificuldades, destacadas agora, na verdade, já são uma constante nas gestões municipais. Desde 2009, os municípios vêm amargando quedas de receitas, o que afeta sobremaneira áreas vitais como saúde, educação, desenvolvimento social. Isso, porém, não nos desestimulou, pois nossa função é de administrar bem o município com o que temos à disposição. Então, estamos fazendo uma gestão com muita responsabilidade, zelo com dinheiro público, acompanhando de perto todos os investimentos, como forma de aplicar da melhor forma possível. Estamos fazendo isso desde o primeiro momento da nossa primeira gestão, por isso, Assú está conseguindo enfrentar as dificuldades.

 

COMO é possível investir se os recursos são poucos?

DIMINUINDO despesas e elegendo prioridades. Alguns investimentos que estão previstos, decidimos aguardar para outro momento. A partir daí, passamos a executar as prioridades, principalmente nas áreas da saúde e educação. Também priorizamos obras de infraestrutura que são necessárias para atrair novos investimentos.

 

ONDE foi possível cortar, prefeito?

NA ÁREA de eventos fizemos cortes, mas com o cuidado de não comprometer festas tradicionais, como é o caso do nosso São João, que chega a 289 anos, e é considerado o mais antigo São João do mundo. O São João está preservado, mas respeitando o orçamento que podemos ter. Interessante é que a nossa festa continua grande, com a tradição mantida, mesmo tendo que investir menos. Importante afirmar que, com os recursos bem aplicados, foi possível garantir outros eventos inseridos no nosso calendário anual. Fizemos cortes em outras áreas e direcionamos recursos para setores vitais, com resultado bastante satisfatório. Então, assim, é possível, apesar das dificuldades, fazer uma gestão profícua.

APESAR das dificuldades, prefeito, é possível pensar fazer investimentos no ano de 2015?

É POSSÍVEL e vamos fazer. Na hora que o gestor elege prioridade, é possível fazer, mas desde que trabalhe de forma eficiente. O trabalho com eficiência, que eu cito, é acompanhar de perto os investimentos, visitando e fiscalizando obras, buscando melhoria na qualidade das obras e, principalmente, aplicando cada centavo de real de forma correta e em prol do bem da coletividade. É interessante ressaltar que estamos fazendo isso e chamando a população para participar e acompanhar de perto as ações do nosso governo. Os resultados têm sido interessantes, bastante observar o nível de satisfação das pessoas.

 

BASEADO na máxima da participação popular é o que senhor tem ido muito mais às ruas do que ao gabinete?

EXATAMENTE. Fizemos isso já no primeiro mandato, inclusive, essa postura é pioneira no município de Assú. A população só recebia visitas, no caso de políticos ou do prefeito, em período de campanha eleitoral, mas decidimos mudar o perfil de gestor público. Desde o primeiro momento que vamos às ruas, visitamos comunidades e acompanhamos de perto as ações da nossa gestão. Nossas visitas se estendem a todo o município, desde a menor localidade rural até ao mais nobre bairro do perímetro urbano, sem discriminar ninguém, e isso ajuda a gestão a buscar resultados positivos daquilo que é feito.

MAS a oposição, vez por outra, diz que essas visitas são eleitoreiras?

NÃO se incomoda, porque a oposição fala por falar. Veja: no primeiro mandato, quando eu fazia as visitas, diziam que eu estava nas ruas porque era candidato à reeleição. Agora, reeleito, estou no terceiro ano do segundo mandato e continuou fazendo as visitas, administrando Assú próximo das pessoas. Então, o importante é sentir o sentimento da população, ficar próximo, pois só assim é possível realizar uma administração que venha atender as demandas populares. Quero dizer que vou intensificar cada vez mais as visitas, para atender a todos, e realizar a gestão que as pessoas esperam do prefeito.

 

ESSAS visitas são uma forma de atestar a eficiência dos serviços e, ao mesmo tempo, verificar o que está errado para consertar?

TENHO feito isso e com esse objetivo. Vou às escolas para saber como estão a merenda escolar, a qualidade dos transportes dos estudantes, a eficiência dos professores em sala de aula. Vou às unidades de saúde para ver de perto o serviço prestado à população, para saber se os agentes de saúde estão fazendo as visitas como devem ser feitas, se as vacinas estão sendo aplicadas devidamente. Muitas vezes as pessoas cobram obras estruturantes, e isso estamos fazendo, mas o gestor público precisa ter a consciência de oferecer serviços de qualidade nas necessidades básicas da população.

O SENHOR, então, é o fiscal de sua própria gestão?

EXATAMENTE. E sou um fiscal exigente porque quero a excelência dos serviços públicos. E assim continuarei até o último dia de nossa gestão, fiscalizando e adotando medidas para melhorar o que ainda não está bom. O interessante é que nessas visitas a gente escuta sugestões das pessoas, e dentro de uma análise responsável nós adotamos essas sugestões, o que configura numa gestão compartilhada.

 

CITE um exemplo concreto dessa gestão compartilhada que o senhor fala?

RECENTEMENTE, estivemos visitando uma localidade, onde estamos executando obras de convivência com a seca, e lá tem o exemplo claro da gestão compartilhada. Convocamos os moradores para executar as obras em regime de mutirão e todos aceitaram. O importante é que o cidadão que constrói com a Prefeitura, tem o zelo maior na qualidade do serviço, na fiscalização e execução do trabalho. Também serve para transmitir a toda população a forma como as ações são realizadas com eficiência e zelo.

 

PREFEITO, Assú contará, a partir de 2016, com o campus da Ufersa, que vai oferecer o curso de Medicina. Sem dúvida, um avanço para o ensino superior da cidade e região. Como foi possível Assú atrair esse importante investimento?

POSSO historiar essa luta. Tudo começou a partir de uma realidade difícil enfrentada por estudantes de ensino superior que precisavam se deslocar para outras cidades em busca de sua formação. Eles buscaram ajuda da Prefeitura para terem pelo menos o transporte. O que a gente observava: se outras cidades ofereciam essas oportunidades, Assú também tinha capacidade para oferecer o mesmo, ou melhor. A nossa cidade não podia continuar apenas transportando alunos como se fosse uma rodoviária. Estão fomos à luta. Primeiro, fizemos um cadastramento dos alunos que estudavam fora, distribuídos em cidades como Mossoró e Natal principalmente. Em seguida, apresentamos o projeto ao Ministério da Educação, solicitando para Assú novas vagas de ensino superior. Fomos à Ufersa e à UFRN, sendo que a Ufersa por uma questão geográfica era mais viável. Então, com o apoio da deputada e hoje senadora Fátima Bezerra (PT), conseguimos o curso de Medicina, que será o avanço não só para Assú, mas para toda a região.

 

O PROCESSO de implantação está em que estágio?

VAI funcionar a partir do segundo semestre de 2016, com a seleção dos alunos sendo feita através do Enem que será realizado no final de 2015. O concurso para contratação de profissionais está caminhando. A Prefeitura ofereceu uma área onde será construído o campus, que é um centro de ciência em medicina. Então, o processo está bem encaminhado e a partir de 2016 os nossos jovens terão mais essa importante oportunidade.

 

MEDICINA é bastante concorrido, em qualquer concurso de seleção. Como as vagas serão definidas pelo Enem, essa concorrência aumenta. Como os jovens de Assú estão se preparando para essa concorrência?

OS JOVENS de Assú vão ter plenas condições de entrar na Universidade, de cursar Medicina, que é o sonho de muitos. Para isso, vamos oferecer todas as condições de uma boa preparação. Iniciaremos um cursinho em parceria com a Ufersa, campus de Angicos. Como será essa parceria? Os estudantes da Ufersa serão bolsistas, capacitados pela própria Universidade, para ministrar as aulas para os jovens de Assú. É um curso pré-vestibular, gratuito, que vai preparar os alunos da rede municipal para entrar no mercado tão concorrido.

 

MAS prefeito, o cursinho pré-vestibular pouco adiantará se o ensino básico oferecido não é de qualidade. A sua gestão vem cuidando do ensino fundamental e médio?

CONCORDO. É preciso preparar a partir do ensino básico. Isso nós estamos fazendo. Primeiro, ampliamos a política de valorização dos profissionais, garantindo a satisfação dos professores da rede municipal. Respeitamos o piso nacional do Magistério e trabalhamos na capacitação. Investimentos na estrutura da Educação, com construção de novas escolas, reforma e ampliação das existentes. Posso afirmar que quase todas as escolas municipais foram reformadas e ampliadas. Além disso, temos estabelecido diálogo permanente com os segmentos da educação, aí eu falo os diretores de escolas, professores e as famílias dos alunos. Então, o resultado tem sido satisfatório, com a qualidade de ensino básico que vai permitir que nossos alunos sejam capacitados para o ensino superior.

 

COMO cidade-polo, Assú atrai os investimentos de toda a região, mas também desperta a atenção dos profissionais que não têm oportunidade em seus municípios, determinando assim forte concorrência no mercado de trabalho. A sua gestão tem políticas para preparar a mão de obra local, principalmente jovens?

ESSA pergunta é pertinente, porque essa é uma preocupação constante. A nossa gestão vem trabalhando em várias frentes para oportunizar às pessoas de Assú, principalmente os jovens, a qualificação necessária e exigida pelo mercado de trabalho. Primeiro, criamos um programa, o Prodia, para atrair novas empresas. O incentivo dado pelo Município, como a doação de áreas, tem sido importante e as empresas estão chegando. Paralelamente, estamos cuidando da formação profissional para que as empresas tenham certeza que em Assú encontram mão de obra qualificada. Oferecemos cursos profissionalizantes em várias áreas. Temos parceiros importantes como a UFRN, Uern, Ufersa, Sebrae, entre outros. Então, as pessoas querem trabalhar e fazer carreira na cidade do Assú, eles têm a oportunidade da qualificação através das nossas ações.

 

ATÉ que ponto o Programa de Desenvolvimento Industrial de Assú, o Prodia, fez avançar o crescimento socioeconômico da cidade?

A CIDADE do Assú tinha o foco voltado para a agricultura e a pecuária, mas sofria muito com secas e enchentes, afetando diretamente a nossa economia. Então, para a cidade não ficar dependente de fatores climáticos, buscamos alternativas interessantes. Uma das alternativas é a incubadora de uma fábrica que produz para a Hering. Através do Prodia, instalamos um galpão na área do Centro Administrativo, onde três unidades estão em plena produção, gerando emprego e renda. Os profissionais, todos de Assú, têm salários acima do piso nacional, além da qualificação permanente para ocupar outras atividades da indústria têxtil. Veja que essa área não existia em Assú, mas tivemos a visão de buscar essa nova alternativa através da boa aplicação das políticas públicas. O Prodia já permitiu a doação de mais de 40 áreas para pequenas e médias empresas, que com as suas atividades empregam e geram renda. Então, são essas ideias criativas que superam a mesmice e oferecem novas oportunidades para a cidade e nosso povo.

 

PREFEITO, vamos falar sobre política. E a primeira pergunta não seria diferente: o senhor já está pensando na sucessão municipal?

OLHE, César, esse é o assunto que, penso, todos os políticos já estão pensando, e eu não sou diferente. Porém, quero dizer que não há, neste momento, um trabalho direcionado para a minha sucessão. Estou comprometido com a gestão, decidido a realizar as ações que a população espera da Prefeitura e, para isso, me dedico totalmente. Agora, no momento oportuno, claro, vamos cuidar das eleições municipais, como forma de nosso grupo político ter as condições de continuar com o nosso projeto administrativo.

 

MAS o senhor já deve ter nomes que possam, no momento oportuno, apresentar à população. Pode citar alguns desses nomes?

TEMOS grandes quadros, pessoas públicas comprometidas com as causas da população. São pessoas que já colaboram com a nossa gestão, têm uma visão moderna e comprometida com o futuro da nossa cidade. São pessoas competentes, que já fizeram e fazem por Assú. Portanto, nosso grupo tem quadros para disputar as eleições com chances de vitória.

NOMES, prefeito…

TEMOS o empresário Patrício Júnior, uma pessoa competente, com visão de futuro, e que já contribui bastante com o desenvolvimento do município, gerando emprego e renda através de sua atividade empresarial. Ele é sério, responsável e tem espírito público. Temos o atual presidente da Câmara Municipal, vereador Breno Lopes, jovem e com a visão de uma política diferente, que tem muito a oferecer ao município de Assú. Temos Alberto Luiz, ex-vice-prefeito e nosso atual secretário de Educação, que é muito preparado, um grande conhecedor do setor público e que tem muito a contribuir. É um homem sério, honesto e competente. Temos Maira Leiliane, ex-secretária nossa e que hoje empresta a sua competência como secretária-adjunta da Sethas do Governo do Estado. Ela fez um brilhante trabalho no nosso município, destaca-se no setor do desenvolvimento social e que pode perfeitamente administrar Assú. Temos outros nomes interessantes, todos com capacidade de fazer muito por nosso município. O mais importante, creio, é que essas opções estão inseridas dentro da nova realidade de gestão do município, longe dos vícios do passado, que o povo de Assú não deseja mais.

 

COMO assim, prefeito? O senhor está criticando os gestores do passado?

A POPULAÇÃO sabe muito bem o que tinha antes e o que tem hoje. Sabe que antes o cidadão era refém das ações municipais, e hoje são parceiros, dentro do modelo participativo que implantamos. O povo de Assú está livre e assim quer continuar. Não se trata aqui de críticas ao passado, mas apenas a constatação do que Assú tinha antes e do que Assú tem hoje.

 

ESSE debate da gestão de hoje versus a gestão do passado será o mote da sua sucessão?

ACHO que a população já comparou e decidiu isso nas eleições de 2012, quando eu fui reeleito com quase 70% dos votos do município (derrotou o deputado George Soares, filho do ex-prefeito Ronaldo Soares). A população comparou o que a nossa gestão fez e faz e o que passado fazia. Penso que o grande desafio agora é fazer mais, avançar mais, manter essa linha de desenvolvimento, e isso só será possível se a cidade não voltar para as mãos do passado.

Fonte: www.defato.com

Paulo Paim: ‘Governo pune trabalhador mas não cuida da corrupção’

Palavra de petista: 

Senador gaúcho afirma que a população foi ‘enganada” e ameaça deixar o PT se o Congresso aprovar as propostas para mudar benefícios trabalhistas

Paulo Paim

Petista histórico, o ex-deputado constituinte e senador Paulo Paim (RS) está prestes a deixar o partido a que se filiou há 30 anos. Ele intergra a lista de pelo menos 16 senadores que apresentaram recentemente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consultas sobre regras de migração partidária. Mas, ao contrário das motivações político-eleitorais que regem os interesses, por exemplo, da senadora Marta Suplicy (PT), que pretende disputar a prefeitura de São Paulo, Paim admite se filiar ao PMDB, PDT ou PSB e até mesmo fundar uma nova sigla se o governo insistir em aprovar, no Congresso Nacional, medidas que endurecem as regras para concessão de benefícios trabalhistas – como seguro-desemprego, pensão por morte e seguro-defeso. Para o senador, a população se sente “enganada” pelo governo, que nas eleições de outubro prometera manter intactas as conquistas previstas em lei. “Em vez de aumentar a fiscalização contra a corrupção, o trabalhador é mais uma vez chamado para pagar a conta”, diz. Leia a entrevista ao site de VEJA.

Como o senhor pretende atuar nas duas medidas provisórias que afetam os direitos dos trabalhadores? Eu fiquei constrangido e perplexo com as duas medidas provisórias que tiram direito dos trabalhadores. E essa não é uma reação só minha, é de todas as centrais, de todas as confederações, sindicatos, associações de trabalhadores, que não concordam com o que o governo fez. Sou o último dos parlamentares do PT que participou da Constituinte e hoje ainda está em atividade, sempre em uma linha de coerência. Como é que a essa altura do campeonato eu vou votar contra pescador, contra a viúva, contra o trabalhador desempregado? Não tem sentido. Não tem como mexermos nesses direitos trabalhistas.

O governo alega que são apenas correções e não supressão de direitos adquiridos. Claro que sou a favor de medidas moralizadoras. Mas a questão é ampliar a fiscalização, cruzar os dados nesses tempos de tecnologia para detectar as irregularidades. A gente sabe que dá para fazer. Podemos combater casos específicos de irregularidades, mas não fazer como o governo, mudar a lei e diminuir o valor dos benefícios dos trabalhadores. Não podemos aceitar que o governo use a desculpa de moralizar quando na verdade quer trazer prejuízo para o conjunto dos assalariados brasileiros e aposentados. Está aí o PIB de 0,1%. Em época de recessão, todos sabemos que o desemprego está aumentando. No Rio Grande do Sul, mais de 22.000 trabalhadores no polo naval foram demitidos. Como vou aceitar essa nova quarentena para o seguro-desemprego quando sabemos que a alta rotatividade é real?

Por que acha que a presidente Dilma decidiu editar as MPs contra os trabalhadores? Essas MPs vão na contramão de tudo que pregamos ao longo de nossas vidas. A base está, de fato, constrangida. Talvez a máquina do governo não quis enfrentar um outro debate, que é reforma tributária profunda para que de fato quem ganhe mais pague mais. Mas nesse país parece que é tudo ao contrário. Poderíamos ter enfrentado o debate de aumentar a fiscalização, mas o governo Dilma foi pelo caminho mais fácil. Poderíamos discutir como tributar fortunas, uma proposta defendida até pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Deveríamos chamar os empresários, os trabalhadores, a base do governo, a oposição e dialogar sobre esses temas.

A presidente Dilma então optou por punir os trabalhadores? Não usaria esse termo. Conheço Dilma há mais de 30 anos, como conheço o Lula há mais de 30 também. Na minha primeira candidatura à Presidência do sindicato dos metalúrgicos, a presidente Dilma e o então marido dela Carlos Araújo me ajudavam a entregar boletim na porta de fábrica. Por isso, não consigo assimilar que ela tenha optado por essas medidas contra os trabalhadores. Acho que o núcleo duro dentro do governo, liderado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, ganhou o debate interno e defende esse lado, que nos preocupa muito.

O senhor manifestou interesse de deixar o PT por causa do pacote de ajuste fiscal? Nos debates internos do PT me disseram que, como eu discordava tanto do pacote antitrabalhador, eu deveria sair do PT. Se tiver que sair, eu saio mesmo, não tem problema nenhum. Não vou votar contra aquilo que eu escrevi durante toda a minha vida. O PT também escreveu esse discurso a favor do trabalhador durante toda a vida e agora mudou. Se não houver negociação, eu não tenho outro caminho a não ser deixar o PT. Será meio que natural, como as águas do rio irem em direção ao mar A luta interna no PT é muito forte e muito dura. Se o Lula, com toda a popularidade que tinha na época, negociou a reforma da Previdência no seu governo e acabou concordando em votar um texto alternativo que ficou conhecido como PEC Paralela, por que nesse momento de crise a gente não negocia?

Que consequências projeta para a imagem do governo caso as medidas sejam aprovadas e diminuam os direitos do trabalhador? Ainda que o governo ganhe e consiga emplacar as medidas de ajuste fiscal, isso vai ser um tiro no pé. O povo humilde, que já está indignado, quando vir que o próprio Congresso consolidou esse desastre, vai se rebelar e alguém vai ter que pagar a conta politicamente. E quem vai pagar são todo o Congresso e os partidos aliados. Como vão explicar que votaram contra o trabalhador? Não tem como explicar.

Principalmente diante da promessa nas eleições de não mudar os direitos trabalhistas. Isso é fato e é real. Com essas medidas, o governo está se voltando contra eleitores que o apoiaram. E não tenho nenhuma dúvida de que essa fatia da população pode engrossar os protestos de rua marcados para 12 de abril. Sou um defensor da democracia, mas estamos colocando o próprio regime em xeque com medidas que não cabem.

Como o senhor avalia a situação do governo, que quer rever os benefícios trabalhistas ao mesmo tempo em que tem de lidar com escândalos de corrupção? Nesse escândalo do Carf, por exemplo, estimam fraudes de 19 bilhões de reais. Devemos combater a impunidade e a corrupção e aprovarmos uma lei dura para que aquele que roubou dinheiro da saúde, da educação e da habitação, além de condenações de cadeia, seja penalizado a devolver pelo menos o dobro do que roubou. Temos que assustar os corruptos. Já apresentei emenda à Constituição para tornar o crime de corrupção inafiançável e sem prescrição. Veja esse escândalo da Petrobras. Todos nós, em sã consciência, temos obrigação de exigir que se aprofunde a investigação doa a quem doer. Quem se apropriou do dinheiro público vai ter que responder pelo que fez. Será que cortar o 14º salário a pessoas que ganham até dois salários mínimos é o que dá o impacto negativo nas contas da Previdência? Ou são os bilhões e bilhões que são desviados em escândalos de corrupção? Em vez de aumentar a fiscalização, o trabalhador é mais uma vez chamado para pagar a conta.

O senhor acha que o eleitor vai se insurgir contra essas medidas? O governo vai ficar em uma situação muito difícil se não buscar uma saída negociada nessas medidas trabalhistas. Queiramos ou não, a população se sente enganada. Essa população que tanto nos apoiou e que sempre votou no PT se sente enganada. Vai ser muito ruim e o reflexo vai ser já nas eleições do ano que vem, com o povo rejeitando os políticos que ele vincula a este governo. Seria muito mais fácil eu ficar quietinho no meu canto vendo a tempestade passar e dar uma de avestruz, mas aí o povo vem e dá um chute na bunda. É o que vai acontecer.

Fonte: www.veja.com.br

Sérgio Reis defende impeachement de Dilma Rousseff

Cantor-deputado declara que se Dilma e Lula não sabiam da roubalheira, então são incompetentes e devem mudar de profissão

Por Congresso em Foco

Em 55 anos de carreira artística, ele transitou da Jovem Guarda para o sertanejo. Deu voz a canções como “Coração de papel”, “Menino da porteira”, “Panela velha” e “Pinga ni mim”, todas com lugar cativo no cancioneiro popular. Há duas semanas na Câmara, o agora deputado Sérgio Reis (PRB-SP) ainda aprende como toca a banda em seu novo palco – o plenário e as comissões. Mas já se revela mais afinado com os integrantes da oposição do que com seus parceiros de partido, o governista PRB. Sérgio brada em alto e bom som aquilo que os oposicionistas sussurram, alguns ainda de maneira constrangida: a defesa do impeachment da presidenta reeleita Dilma Rousseff (PT).

“Não podemos mais ficar assim. Tem de ter impeachment e dar satisfação sobre o que fizeram com o dinheiro. Este pessoal está quebrando o Brasil. Este povo não é dono do país. Este país é do povo que trabalha”, vocifera o deputado, do alto de seus quase dois metros de altura, nesta entrevista ao Congresso em Foco.

Eleitor de Aécio Neves (PSDB) nos dois turnos da disputa presidencial, apesar de seu partido ter apoiado a reeleição de Dilma e integrar o governo, Sérgio Reis classifica as irregularidades apontadas pela Operação Lava Jato, na Petrobras, como “o maior rombo do planeta” e diz não acreditar que Dilma e Lula não soubessem dos desvios. “Ela foi presidente do conselho da Petrobras. Se ela não sabe de nada, se o Lula não sabe de nada, que mudem de emprego. São incompetentes. Se você não controla sua casa, muda, vai pra outra”, dispara.

Até lideranças da oposição, como o próprio Aécio e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) admitem que não há elementos políticos ou jurídicos atualmente para o impedimento da petista. Os governistas alegam que qualquer tentativa nesse sentido é um golpe. Sérgio discorda. “O PT que criou essa situação delicada para o Brasil. Não queremos bagunça no país, não queremos tirar a presidente, mas queremos paz. Do jeito que está, não conseguimos.”

Amizade com Lula

Filiado ao PRB a convite do deputado Celso Russomanno (PRB-SP) – campeão de votos entre todos os 513 deputados –, o cantor diz manter boa relação com Dilma e seu irmão, Igor Rousseff, que vive em Minas Gerais, e considerar Lula um amigo. Mas ressalta que não mistura amizade com política. Em sua primeira semana de mandato, Sérgio foi um dos 52 deputados da base aliada a assinar o pedido de criação de uma nova CPI da Petrobras na Câmara.

O deputado afirma que não está preocupado com eventual reprimenda de seu partido por se insurgir contra a orientação partidária. “Se reclamar, eu pego as minhas trouxas e vou embora. Eu não vim aqui para mexer com partido, vim para defender meu povo. Tenho 55 anos de carreira e de caráter”, afirma o artista, eleito com 45.330 votos. “Se eu tiver medo de falar as coisas, largo e vou cantar”, acrescenta.

Falta de educação

Um dos quatro parlamentares do PRB que chegaram à Câmara graças à sobra da votação de Russomanno, que recebeu mais de 1,5 milhão de votos em outubro, Sérgio conta que ainda não se acostumou a ser chamado de deputado. Ele também se queixa da falta de educação dos novos colegas.

“É um pouco assustador. É muita gente falando junto. Acho isso uma baita falta de respeito, cada um tem o direito de falar. Quer conversar? Vem aqui no boteco”, diz. “É muita distância da verdade, porque se eu venho à Mesa falar de projetos, os caras não estão nem aí. Não sabe se o projeto é bom ou se é ruim, nem ouvem. Acho isso uma baita falta de educação”, completa.

Música e TV

Paulistano nascido no tradicional bairro de Santana em 22 de junho de 1940, Sérgio Reis fez parte da Jovem Guarda na década de 1960, criando em 1967 a música “Coração de papel”. Gravou seu primeiro disco de música sertaneja, em 1972, lançando a música “Menino da gaita”. Emplacou diversos sucessos como “Menino da porteira”, “Adeus, Mariana”, “Disco voador”, “Panela velha”, “Filho adotivo”, “Pinga ni Mim”, entre outros. Seu disco “O melhor de Sérgio Reis”, lançado em 1981, vendeu mais de um milhão de cópias.

O cantor optou por adotar o sobrenome de sua mãe, pois não achava o seu sobrenome Bavini, herdado do pai, adequado para o ramo artístico. Com 57 discos gravados e atuação em novelas como Pantanal e A história de Ana Raio e Zé Trovão, na extinta TV Manchete, e em Paraíso e O Rei do Gado, na Globo, Sérgio Reis diz que agora é hora de retribuir ao povo brasileiro tudo o que lhe foi dado em sua trajetória.

Bem-humorado, ele conversou por uma hora com os entrevistadores em uma mesa do “cafezinho” da Câmara, espécie de lanchonete com televisão, sofás, computadores, caixa eletrônico e acesso direto ao plenário. Alheio à estrutura parlamentar, iniciou a entrevista pegando um dos gravadores e, simulando que falava ao microfone, fez-se ouvir com seu sotaque caipira. Alternando instantes de seriedade, indignação, ironia e leveza, contou “causos”, cantarolou um ou outro verso, e fez rir com a franqueza de suas sentenças. “Se formos prender todo corrupto que roubou este país, vão ter de esvaziar o plenário e os palácios. Vai tudo pra cadeia”, fustigou.

Leia a íntegra da entrevista de Sérgio Reis

 

Entrevista: Larissa Rosado

Deputada estadual anuncia que vai comandar um programa de rádio e que seu grupo está aberto para conversas com Rosalba e Fafá 

Por César Santos Cafezinho-71

Deputada Larissa Rosado (PSB) a data de 31 de janeiro, quando a senhora conclui o mandato na Assembleia Legislativa, será um adeus ou um até já?

A pergunta feita à parlamentar, no “Cafezinho com César Santos”, teve na resposta a certeza que Larissa está mais do que viva para a sucessão municipal de Mossoró de 2016:

“Não é um adeus, nem um até já, porque vamos continuar a nossa luta em prol das pessoas.”

Larissa Rosado ficará sem mandato depois de 12 anos na Assembleia Legislativa. Isso, porém, não assusta a parlamentar. Para trabalhar pela população, diz, não é preciso ocupar mandato, mas, sim, ter vontade de servir às pessoas. O ensinamento, segundo ela, herdou do avô, deputado Vingt Rosado, transmitido pela mãe, deputada federal Sandra Rosado (PSB).

Nesta entrevista, Larissa Rosado faz uma avaliação dos seus três mandatos na Assembleia Legislativa, reconhece que o seu grupo político atravessa um momento de adversidade, mas garante que está inteiro para futuras disputas. No caso da sucessão mossoroense, a deputada manda o aviso:

“Vamos dialogar com os políticos, com os partidos e com a sociedade.”

A senhora vai ficar sem mandato a partir do dia 31 de janeiro, depois 12 anos na Assembleia Legislativa. Evidentemente, é uma mudança na sua vida pessoal e política. A senhora já definiu o que vai fazer a partir daí?

Primeiro, quero dizer que os nossos mandatos na Assembleia Legislativa foram bastante produtivos, principalmente em benefício para Mossoró e para toda nossa região. Tivemos uma atuação bem focada nos direitos das minorias, tivemos uma preocupação com a nossa economia, com a saúde, com habitação, com a educação. Através de nossa voz na Assembleia o clamor do povo chegou ao conhecimento das autoridades e assim fortalecemos a luta pela justiça social. Portanto, me sinto realizada pelo trabalho que fizemos e acredito que a população reconhece esse nosso trabalho, o que nos deixa com a sensação do dever cumprido.

 

E daqui pra frente, deputada?

Olha, César, embora eu tenha a consciência de que o nosso grupo passa por um momento de adversidade, quero afirmar que nós, tanto eu como a deputada Sandra Rosado, vamos continuar servindo ao povo de Mossoró. A deputada Sandra é assistente social, é advogada e com certeza continuará uma voz importante em defesa das pessoas. Cada um tem sempre um papel a desempenhar na sociedade e, para isso, não precisa de cargo político, por isso afirmo, o fato de ficar sem mandato não vai diminuir o nosso trabalho em prol de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Então, tem muita coisa a ser feita, temos projetos que serão colocados em prática em breve e esses projetos vão mostrar que a nossa voz vai continuar firme em defesa de nossa cidade e do nosso estado.

Que projetos são esses?

Vou citar um exemplo de nossa participação no dia a dia da sociedade mossoroense. Nós temos em vista para logo após o nosso mandato a apresentação de um programa de rádio que terá o caráter social e com participação popular. Através do programa daremos a oportunidade da população se expressar, apresentar as suas reivindicações, reclamar do que está errado e elogiar o que é certo. Então, mesmo a nossa voz não estando mais na Assembleia Legislativa durante um período, porque da política não vamos desistir, estaremos através do programa de rádio trabalhando em prol das pessoas, da nossa cidade e do nosso estado.

 

A senhora falou que a voz não estará na Assembleia Legislativa durante um período. É o indicativo de que pretende voltar?

Não estou aqui afirmando que serei candidata, nem é o momento para falar sobre isso. Quero apenas dizer que para trabalhar pelas pessoas não é preciso ter mandato, mas sim o interesse da coletividade. Então, através do programa de rádio, a nossa voz continuará a missão de defender os interesses da população. Tenho gratidão pelos mandatos que o povo a mim conferiu e tenho muita fé e coragem para continuar a nossa caminhada, seja através de um programa de rádio ou de um trabalho social. Vamos continuar trabalhando pelas pessoas, isso é uma certeza.

 

A senhora disputou as últimas quatro eleições pela Prefeitura de Mossoró, sem sucesso, mas sempre deixou claro que não iria desistir do projeto político. É certo afirmar que a senhora tentará outra vez em 2016?

Olha, César, é natural que você me pergunte isso, é natural que se especule isso, principalmente por parte dos jornalistas que escrevem sobre política ou das pessoas que gostam de conversar sobre política. E isso não me incomoda, pelo contrário. É certo que o nosso grupo participará da disputa municipal do próximo ano, mas seria precipitado dizer aqui e agora que temos o candidato escolhido. Nós vamos, naturalmente, apresentar um candidato no momento certo. Veja bem, embora não tenhamos alcançado êxito nas eleições de 2014, a nossa votação em Mossoró foi expressiva, fomos a mais votada na cidade para a Assembleia Legislativa. Por isso, acredito que essa aceitação dos mossoroenses nos coloca sempre na lista de possíveis candidatos. Mas quero dizer que nesse momento não estamos pensando nas eleições, até porque ainda é certo e muita coisa tem para acontecer.

 

A senhora recebeu mais de 25 mil votos e superou em votação candidatos que foram eleitos por força da regra eleitoral. Essa votação, apesar de a senhora não ter sido reeleita, lhe garantirá a candidatura em 2016?

A votação que recebi principalmente em Mossoró nos deixou muito felizes, porque é a certeza de que as pessoas aprovaram o nosso mandato na Assembleia Legislativa. A nossa votação realmente foi expressiva em nossa cidade. Se você observar os números das últimas eleições vai ver que nenhum deputado eleito teve uma concentração de votos em uma cidade como eu tive em Mossoró. Guardadas as devidas proporções, quem chega mais perto é o deputado Fernando Mineiro (PT) que foi bem votado em Natal, mas menos votos do que eu na cidade de Mossoró. Isso, porém, não significa dizer que serei candidata em 2016. A discussão de um nome para disputar a Prefeitura vai ficar um pouco mais pra frente e envolverá todos os políticos e partidos que estejam abertos ao diálogo. Essa abertura de diálogo, quero aqui dizer, não se limitará apenas a quem tem mandato ou aos partidos políticos, mas à toda sociedade que esteja à disposição para discutir um projeto para Mossoró.

 

Nas eleições municipais de 2008 e 2012 a senhora teve a companhia do PT, inclusive, compondo chapa com o candidato a vice-prefeito. Hoje, o PT faz parte do atual governo municipal. Outros grupos, como o da ex-governadora Rosalba Ciarlini e da ex-prefeita Fafá Rosado estão distantes do seu grupo. Como é que a senhora vai costurar apoios para a sucessão de 2016?

Quando chegarmos mais próximos a 2016 nós vamos ter conversa com todos os partidos e grupos que queiram dialogar com o nosso grupo. Não vejo dificuldade de conversa com qualquer partido, até porque fazemos política dialogando. Hoje, é verdade, o PT ocupa um espaço no governo do prefeito Silveira Júnior (PSD), tendo a vice-prefeitura com Luiz Carlos Martins, mas não sei se até 2016 eles estarão fechados para conversa. A política é dinâmica e o quadro muda de acordo com o momento. O certo é que nós estaremos abertos para dialogar com nossos parceiros políticos e futuros aliados. Poderemos, por exemplo, dialogar com a ex-governadora Rosalba Ciarlini. Imagino que a dinâmica da política mossoroense, exposta nos últimos processos eleitorais, hoje todo mundo pode conversar com todo mundo. Assistimos recentemente mudanças em curto tempo e isso acabou formando um novo quadro.

 

Como assim, deputada?

Nas eleições de 2014, por exemplo, Rosalba Ciarlini declarou apoio à deputada federal do PT Fátima Bezerra para o Senado. Quem acreditaria nisso no passado recente? Então, da mesma maneira que Rosalba, até então filiada ao Democratas, que é adversário histórico do PT, deu esse apoio a Fátima, nós também estamos abertos a conversar com novos parceiros políticos. Mas vou repetir: nós vamos procurar tanto os partidos políticos que tenham a legitimidade de participar do processo eleitoral, como abriremos diálogo com a população. Vamos ouvir as pessoas porque elas é que vão dizer qual será a nossa posição política.

* VÍDEO SOBRE DIÁLOGO POLÍTICO: https://www.youtube.com/watch?v=mYdlBQpgA5Q&feature=youtu.be

 

Essa abertura de diálogo que a senhora defende inclui o grupo da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB), com quem o seu grupo briga, no sentido político, desde 2003?

É possível sim. Não vamos fechar portas para nenhum grupo político. Agora, não sei qual é a disposição e o que eles pensam para o futuro. O fato é que o nosso grupo, formado por nossa militância, amigos e dois vereadores (Lairinho Rosado e Vingt-un Neto, irmão e primo de Larissa, ambos do PSB), estará aberto para as conversas com vista às eleições do próximo ano.

Deputada, o seu grupo político estará fragilizado em termos de mandato a partir do dia 1º de fevereiro. Sem a cadeira na Câmara dos Deputados, que tinha há mais de cinco décadas, desde o mandato do seu avô Vingt Rosado, sem a vaga na Assembleia Legislativa, que era exercida desde 1986 com o mandato do seu pai, Laíre Rosado. Como o grupo pretende se reerguer na política do RN?

Eu não partiria do ponto que o nosso grupo se resume a mandatos, porque embora não tenhamos os mandatos, nós vamos continuar a nossa atuação, a nossa luta em defesa das pessoas. Eu vou lembrar uma passagem importante do meu avô Vingt Rosado: No momento que ele estava com muita dificuldade de saúde e já não exercia mais o mandato de deputado federal, ele recebeu uma visita do então governador Garibaldi Filho (PMDB) e, naquele momento, ao invés de lamentar dos problemas de saúde que enfrentava, ele entregou um papelzinho anotado o que Mossoró precisava; ele já estava reivindicando ao governador benefícios para a nossa cidade. Então, baseado no exemplo do meu Vingt Rosado, nós vamos continuar trabalhando pelas pessoas, e a nossa representatividade está legitimada pela grande quantidade de votos que tivemos em Mossoró e no Estado. Eu tenho certeza de que quando precisarmos falar com o governador Robinson Faria (PSD) ou precisar fazer uma reivindicação ao prefeito de Mossoró, eles não vão se negar a receber, porque nós vamos levar o desejo do povo de nossa cidade e do nosso Estado. É esse trabalho incansável que sempre realizamos e vamos continuar realizando. Isso vai fazer com que o nosso grupo permaneça grande.

* VÍDEO LEMBRA O AVÔ VINGT ROSADO: https://www.youtube.com/watch?v=VAti3R8UOzI&feature=youtu.be

 

Mas, deputada, embora a votação da senhora tenha sido expressiva em Mossoró, o eleitor de modo geral não renovou o seu mandato e o mandato de sua mãe deputada Sandra Rosado. Isso não sugere uma avaliação mais profunda?

Veja só, César, você está falando da decisão do eleitor, mas observe que existem vários deputados eleitos que não atingiram a nossa votação, mas foram eleitos por força da legislação eleitoral. Reconhecemos que houve uma mudança muito grande, porque a partir de agora Mossoró terá apenas um deputado federal em Brasília. Eu espero que Betinho Rosado (PP) possa ter um bom desempenho, que honre o mandato e lute por Mossoró como o deputado Betinho, o pai, e a deputada Sandra fizeram até aqui. Da nossa parte, afirmo, a deputada Sandra, mesmo depois do mandato, vai continuar o trabalho que ele vinha desempenhando desde o mandato de deputada estadual e em Brasília. Agora, é verdade que Mossoró perde em representação porque a deputada Sandra sempre foi aguerrida e sempre lutou com todas as suas forças em defesa de Mossoró. Se você fizer um levantamento de emendas parlamentares que beneficiaram a cidade, encontrará com facilidade o DNA da deputada Sandra. Também encontrará o DNA de Betinho Rosado, que sempre colocou o seu mandato à disposição de Mossoró. Entendo que sem os nossos deputados a cidade perdeu, isso é fato. Não estou fazendo críticas a outros parlamentares, mas apenas constando o que é fato e verdade. Agora, entendemos que o momento nos sugere uma reflexão e a certeza de que devemos continuar ainda mais próximos do nosso povo, que é quem nos ampara.

Como a senhora está acompanhando a gestão do prefeito Silveira Júnior?

Eu vou colocar aqui não apenas a minha avaliação, mas o que temos ouvido das pessoas: não está bom. Uma servidora pública municipal me fez um relato que não havia recebido o salário em sua totalidade. Isso mostra a falta de compromisso da gestão municipal com os servidores. Se aconteceu com essa servidora que me procurou, certamente acontece com outros. Quando nós andamos nas ruas da cidade, ouvimos as reclamações da precariedade da mobilidade urbana, que vai desde ruas esburacadas até o sistema do transporte coletivo caótico. São reclamações ligadas à saúde pública, feitas por pessoas que procuram atendimento e não são devidamente assistidas porque o sistema de saúde do município não está funcionando bem. O que a gente pode observar da gestão atual é que muita promessa feita e pouca promessa cumprida.

 

Mas, deputada, o prefeito Silveira Júnior tem recebido o respaldo, através do voto, em todas as disputas eleitorais que se envolveu até aqui. Isso não é aprovação popular?

Não tenho exatamente essa visão de que o voto dado a esse ou aquele candidato é o atendimento a uma pessoa. O eleitor tem a oportunidade de escolher. Vamos dar uma exemplo: a senadora diplomada Fátima Bezerra, que recebeu o apoio do prefeito, mas foi bem votada e eleita pelo desejo da população de uma maneira geral. Quando nós estamos na política temos que ter a compreensão de que existem os momentos da derrota e da vitória, mas também existem as formas como essas derrotas ou vitórias acontecem. Não vejo que as vitórias dos candidatos do prefeito sejam um julgamento mais puro da realidade que vive hoje Mossoró.

 

Esse não é o discurso de quem vai enfrentar o prefeito nas eleições de 2016?

Não. Esse é o sentimento que eu encontro na cidade. O sentimento da falta do compromisso, da falta de assistência às pessoas no dia a dia. Dos questionamentos do que estão sendo feitos e de como são aplicadas as verbas públicas, qual o grande projeto para Mossoró. Pode ser que daqui a poucos dias eu faça outra avaliação, reconhecendo que melhorou ou que alguma obra feita pelo prefeito foi interessante, mas hoje eu não vejo isso nas ruas da cidade de Mossoró. Eu não tenho nenhum problema como cidadã, como política, como mãe que sonha com uma sociedade mais justa para as famílias, fazer o reconhecimento de uma boa ação seja de uma pessoa ou de um gestor público. Mas não vamos antecipar 2016. Não estou fazendo discurso, apenas constando uma realidade.

Qual é o recado que a senhora manda para o seu eleitor, deputada?

Quero fazer um agradecimento não só ao nosso eleitor, mas à população como um todo: a nossa votação em Mossoró nos emocionou, nos fortaleceu para continuarmos na vida pública, independente de um mandato ou não. É com esse abraço, é com esse aperto de mão, é com a fé que foi depositada em mim nas ruas, que nós vamos continuar a nossa luta em prol da sociedade. Meu recado é de gratidão.

 

Para concluir, deputada, 31 de janeiro será uma despedida ou um até já?

Não será um adeus, também não será um até já, porque não haverá interrupção do nosso trabalho em prol das pessoas. A nossa posição é de continuidade.

Fonte: www.defato.com

“Comecei o diálogo com os partidos”, diz Robinson Faria sobre secretrariado

Entrevista – Robinson Faria
Governador eleito

O governador eleito Robinson Faria aposta no diálogo com os sindicatos para a negociação dos planos aprovados para as categorias. Cauteloso, o futuro chefe do Executivo evita falar que o projeto do Orçamento Geral do Estado de 2015 compromete os projetos feitos por ele para o primeiro ano de gestão. “Não podemos fazer disso um cavalo de batalha”, afirmou.

Robinson Faria - Governador eleito no RNE sobre os planos para o funcionalismo, Robinson Faria observou que ainda não têm todos os números referentes a gestão. “Eles (os sindicatos dos trabalhadores) compreendem esse momento que estou vivendo e quando for governador vou me sentar com eles para resolver. Até porque eu disse na campanha que o que puder fazer para resolver eu vou resolver”, destacou.

Sobre a sucessão para presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria disse que fará “a mínima interferência”, mas confirmou que discutirá o assunto com os oito deputados que o apóiam (Galeno Torquarto, Gustavo Carvalho, José Dias, Dison Lisboa, Cristiane Dantas, Fernando Mineiro e Carlos Augusto Maia). A partir dessa conversa, o governador eleito disse que acatará o direcionamento adotado pelos deputados.

Robinson Faria afirma também que abriu o diálogo com os partidos sobre o secretariado e que o anúncio dos nomes poderá ser no início de dezembro.

Confira a entrevista que Robinson Faria concedeu esta semana a TRIBUNA DO NORTE:

O senhor visitou esta semana a Assembleia Legislativa, com que preocupação foi aquela Casa?
Foi uma visita de cortesia a minha Casa, como governador eleito. Um ex-deputado da Casa, foi abraçar os colegas. Não levei nenhuma pauta, apenas pedi a colaboração para o novo governo, estreitar essa parceria, fortalecer esse momento importante do Estado eu como governador. Espero que a Assembleia seja cooperativa com os projetos de interesse do povo.

Como atuará o governador eleito na sucessão da Assembleia Legislativa, onde já há quatro candidatos (Ricardo Motta, do PROS, Gustavo Carvalho, do PROS, Álvaro Dias, do PMDB, e Galeno Torquarto, do PSD)?
Esse assunto eu não trato agora (na Assembleia Legislativa).

Mas como o senhor vai atuar nessa disputa envolvendo o Legislativo?
Vou aguardar. Temos que conversar esse assunto com os deputados eleitos na nossa coligação. Temos seis deputados (Galeno Torquarto, Dison Lisboa, José Dias, Cristiane Dantas, Fernando Mineiro e Carlos Augusto Maia) e mais dois (que apoiaram no segundo turno, Gustavo Carvalho e José Adécio Costa). A partir daí, eles vão dizer qual é o sentimento da Casa.  Eu respeitarei o sentimento dos oito deputados que estiveram comigo. A partir deles vamos ter o consenso para saber qual será o direcionamento (que os deputados) irão apontar para trabalharmos juntos. Minha interferência será a mínima possível, a mínima da mínima.

O projeto do Orçamento Geral do Estado de 2015, agora detalhado pela equipe de transição, coloca em risco os projetos do senhor para o primeiro ano de gestão?
Isso pode ser corrigido. Não há  que se criar esse drama. Pode ter sido um equívoco, o governo está bastante cooperativo (com a equipe de transição), poderá fazer um novo orçamento. Vou falar com a governadora e sua equipe. Pode ser corrigido, não vejo como um cavalo de batalha.

O senhor é favorável ao aumento do Ministério Público, aprovado pela Assembleia Legislativa?
Esse aumento faz parte. É assunto interna corporis do Ministério Público. Eu respeitarei a Constituição Federal e Estadual. Os Poderes todos eles terão o respeito do governador. Faremos os repasses constitucionais, não vou interferir nos assuntos que dizem respeito interna corporis de cada poder.

As primeiras informações da equipe de transição soam como uma preocupação a mais para o senhor?
Ainda está muito incipiente. Estamos levantando dados. A folha de pagamento de servidor é o principal levantamento da equipe de transição.

O senhor já começou a definir o secretariado?
Comecei a dialogar com os partidos para começarem a pensar nos nomes que irão ser indicados.

O senhor trabalha com prazo para anunciar o secretariado?
Estamos dentro do prazo. Não há data determinado. Poderá ser início de dezembro.

A partir desse fator limitante do orçamento, como o senhor vai tratar a implantação do plano de cargos, carreiras e salários das categorias?
Os servidores terão comigo um diálogo permanente. Vou conversar com todos os sindicatos. Estamos iniciando, marcando algumas audiências com eles (os dirigentes sindicais). Eles têm a compreensão de que eu ainda estou ainda tomando pé de um governo, não posso me antecipar. Ainda não tenho a informação dos números do governo do Estado. Eles (os sindicatos dos trabalhadores) compreendem esse momento que estou vivendo e quando for governador vou me sentar com eles para resolver. Até porque eu disse na campanha que o que puder fazer para resolver eu vou resolver. Darei prioridade ao servidor público.

O senhor pretende manter algum secretário da gestão Rosalba Ciarlini no seu primeiro escalão?
Essa resposta eu não tenho. Mas tudo indica que governo novo é governo novo.

E o senhor fará convite a algum auxiliar do prefeito de Natal Carlos Eduardo?
Não foi feito nenhum convite.

O senhor já tem, pessoalmente, uma lista de auxiliares que gostaria de trabalhar na administração?
Eu não convidei ninguém. Não há convite feito até agora. Tenho pensamentos meus, mas por enquanto não revelo. São pessoas que acho que têm um perfil, mas cabe a mim me reservar esse direito de esperar o momento de convidar.

Que momento (para convidar os secretários) seria esse?
Depois de avançar um pouco na equipe de transição.

O PT terá um espaço privilegiado no seu Governo?
Claro. Os meus parceiros que viajaram comigo, andaram comigo o Estado terão parceria na gestão. Sou uma pessoa que tenho gratidão, coerência com meus parceiros. Não vou fazer o que outros fizeram no passado. Vou  manter coerência com meus aliados.

Preocupa o senhor o fato de não ter maioria na Assembleia Legislativa, já que tem oito deputados na base de apoio da Casa que tem 24 parlamentares?
Todos nós temos mandatos não só o governador. Todos temos responsabilidade com o crescimento do Estado. O Rio Grande do Norte não é só o governador, são deputados estaduais, federais, prefeitos. Todos terão que ter esse sentimento de colaboração. A eleição terminou, vamos desarmar os espíritos. Agora é pensar em salvar o Rio Grande do Norte. Meu pensamento é esse, coletivo, não é só de Robinson, os deputados têm que compreender que isso (o pensamento de salvar o Estado) é importante independente de cor partidária. A população precisa e quer melhorar sua vida. Os deputados foram eleitos pelo povo. E esse é um momento de desarmamento de todo. Vamos falar do Rio Grande do Norte. Não pode ser pequeno, tem que pensar grande, pensar no Estado.

Fonte: www.tribunadonorte.com.br