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Paulo Paim: ‘Governo pune trabalhador mas não cuida da corrupção’

Palavra de petista: 

Senador gaúcho afirma que a população foi ‘enganada” e ameaça deixar o PT se o Congresso aprovar as propostas para mudar benefícios trabalhistas

Paulo Paim

Petista histórico, o ex-deputado constituinte e senador Paulo Paim (RS) está prestes a deixar o partido a que se filiou há 30 anos. Ele intergra a lista de pelo menos 16 senadores que apresentaram recentemente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) consultas sobre regras de migração partidária. Mas, ao contrário das motivações político-eleitorais que regem os interesses, por exemplo, da senadora Marta Suplicy (PT), que pretende disputar a prefeitura de São Paulo, Paim admite se filiar ao PMDB, PDT ou PSB e até mesmo fundar uma nova sigla se o governo insistir em aprovar, no Congresso Nacional, medidas que endurecem as regras para concessão de benefícios trabalhistas – como seguro-desemprego, pensão por morte e seguro-defeso. Para o senador, a população se sente “enganada” pelo governo, que nas eleições de outubro prometera manter intactas as conquistas previstas em lei. “Em vez de aumentar a fiscalização contra a corrupção, o trabalhador é mais uma vez chamado para pagar a conta”, diz. Leia a entrevista ao site de VEJA.

Como o senhor pretende atuar nas duas medidas provisórias que afetam os direitos dos trabalhadores? Eu fiquei constrangido e perplexo com as duas medidas provisórias que tiram direito dos trabalhadores. E essa não é uma reação só minha, é de todas as centrais, de todas as confederações, sindicatos, associações de trabalhadores, que não concordam com o que o governo fez. Sou o último dos parlamentares do PT que participou da Constituinte e hoje ainda está em atividade, sempre em uma linha de coerência. Como é que a essa altura do campeonato eu vou votar contra pescador, contra a viúva, contra o trabalhador desempregado? Não tem sentido. Não tem como mexermos nesses direitos trabalhistas.

O governo alega que são apenas correções e não supressão de direitos adquiridos. Claro que sou a favor de medidas moralizadoras. Mas a questão é ampliar a fiscalização, cruzar os dados nesses tempos de tecnologia para detectar as irregularidades. A gente sabe que dá para fazer. Podemos combater casos específicos de irregularidades, mas não fazer como o governo, mudar a lei e diminuir o valor dos benefícios dos trabalhadores. Não podemos aceitar que o governo use a desculpa de moralizar quando na verdade quer trazer prejuízo para o conjunto dos assalariados brasileiros e aposentados. Está aí o PIB de 0,1%. Em época de recessão, todos sabemos que o desemprego está aumentando. No Rio Grande do Sul, mais de 22.000 trabalhadores no polo naval foram demitidos. Como vou aceitar essa nova quarentena para o seguro-desemprego quando sabemos que a alta rotatividade é real?

Por que acha que a presidente Dilma decidiu editar as MPs contra os trabalhadores? Essas MPs vão na contramão de tudo que pregamos ao longo de nossas vidas. A base está, de fato, constrangida. Talvez a máquina do governo não quis enfrentar um outro debate, que é reforma tributária profunda para que de fato quem ganhe mais pague mais. Mas nesse país parece que é tudo ao contrário. Poderíamos ter enfrentado o debate de aumentar a fiscalização, mas o governo Dilma foi pelo caminho mais fácil. Poderíamos discutir como tributar fortunas, uma proposta defendida até pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Deveríamos chamar os empresários, os trabalhadores, a base do governo, a oposição e dialogar sobre esses temas.

A presidente Dilma então optou por punir os trabalhadores? Não usaria esse termo. Conheço Dilma há mais de 30 anos, como conheço o Lula há mais de 30 também. Na minha primeira candidatura à Presidência do sindicato dos metalúrgicos, a presidente Dilma e o então marido dela Carlos Araújo me ajudavam a entregar boletim na porta de fábrica. Por isso, não consigo assimilar que ela tenha optado por essas medidas contra os trabalhadores. Acho que o núcleo duro dentro do governo, liderado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, ganhou o debate interno e defende esse lado, que nos preocupa muito.

O senhor manifestou interesse de deixar o PT por causa do pacote de ajuste fiscal? Nos debates internos do PT me disseram que, como eu discordava tanto do pacote antitrabalhador, eu deveria sair do PT. Se tiver que sair, eu saio mesmo, não tem problema nenhum. Não vou votar contra aquilo que eu escrevi durante toda a minha vida. O PT também escreveu esse discurso a favor do trabalhador durante toda a vida e agora mudou. Se não houver negociação, eu não tenho outro caminho a não ser deixar o PT. Será meio que natural, como as águas do rio irem em direção ao mar A luta interna no PT é muito forte e muito dura. Se o Lula, com toda a popularidade que tinha na época, negociou a reforma da Previdência no seu governo e acabou concordando em votar um texto alternativo que ficou conhecido como PEC Paralela, por que nesse momento de crise a gente não negocia?

Que consequências projeta para a imagem do governo caso as medidas sejam aprovadas e diminuam os direitos do trabalhador? Ainda que o governo ganhe e consiga emplacar as medidas de ajuste fiscal, isso vai ser um tiro no pé. O povo humilde, que já está indignado, quando vir que o próprio Congresso consolidou esse desastre, vai se rebelar e alguém vai ter que pagar a conta politicamente. E quem vai pagar são todo o Congresso e os partidos aliados. Como vão explicar que votaram contra o trabalhador? Não tem como explicar.

Principalmente diante da promessa nas eleições de não mudar os direitos trabalhistas. Isso é fato e é real. Com essas medidas, o governo está se voltando contra eleitores que o apoiaram. E não tenho nenhuma dúvida de que essa fatia da população pode engrossar os protestos de rua marcados para 12 de abril. Sou um defensor da democracia, mas estamos colocando o próprio regime em xeque com medidas que não cabem.

Como o senhor avalia a situação do governo, que quer rever os benefícios trabalhistas ao mesmo tempo em que tem de lidar com escândalos de corrupção? Nesse escândalo do Carf, por exemplo, estimam fraudes de 19 bilhões de reais. Devemos combater a impunidade e a corrupção e aprovarmos uma lei dura para que aquele que roubou dinheiro da saúde, da educação e da habitação, além de condenações de cadeia, seja penalizado a devolver pelo menos o dobro do que roubou. Temos que assustar os corruptos. Já apresentei emenda à Constituição para tornar o crime de corrupção inafiançável e sem prescrição. Veja esse escândalo da Petrobras. Todos nós, em sã consciência, temos obrigação de exigir que se aprofunde a investigação doa a quem doer. Quem se apropriou do dinheiro público vai ter que responder pelo que fez. Será que cortar o 14º salário a pessoas que ganham até dois salários mínimos é o que dá o impacto negativo nas contas da Previdência? Ou são os bilhões e bilhões que são desviados em escândalos de corrupção? Em vez de aumentar a fiscalização, o trabalhador é mais uma vez chamado para pagar a conta.

O senhor acha que o eleitor vai se insurgir contra essas medidas? O governo vai ficar em uma situação muito difícil se não buscar uma saída negociada nessas medidas trabalhistas. Queiramos ou não, a população se sente enganada. Essa população que tanto nos apoiou e que sempre votou no PT se sente enganada. Vai ser muito ruim e o reflexo vai ser já nas eleições do ano que vem, com o povo rejeitando os políticos que ele vincula a este governo. Seria muito mais fácil eu ficar quietinho no meu canto vendo a tempestade passar e dar uma de avestruz, mas aí o povo vem e dá um chute na bunda. É o que vai acontecer.

Fonte: www.veja.com.br

Sérgio Reis defende impeachement de Dilma Rousseff

Cantor-deputado declara que se Dilma e Lula não sabiam da roubalheira, então são incompetentes e devem mudar de profissão

Por Congresso em Foco

Em 55 anos de carreira artística, ele transitou da Jovem Guarda para o sertanejo. Deu voz a canções como “Coração de papel”, “Menino da porteira”, “Panela velha” e “Pinga ni mim”, todas com lugar cativo no cancioneiro popular. Há duas semanas na Câmara, o agora deputado Sérgio Reis (PRB-SP) ainda aprende como toca a banda em seu novo palco – o plenário e as comissões. Mas já se revela mais afinado com os integrantes da oposição do que com seus parceiros de partido, o governista PRB. Sérgio brada em alto e bom som aquilo que os oposicionistas sussurram, alguns ainda de maneira constrangida: a defesa do impeachment da presidenta reeleita Dilma Rousseff (PT).

“Não podemos mais ficar assim. Tem de ter impeachment e dar satisfação sobre o que fizeram com o dinheiro. Este pessoal está quebrando o Brasil. Este povo não é dono do país. Este país é do povo que trabalha”, vocifera o deputado, do alto de seus quase dois metros de altura, nesta entrevista ao Congresso em Foco.

Eleitor de Aécio Neves (PSDB) nos dois turnos da disputa presidencial, apesar de seu partido ter apoiado a reeleição de Dilma e integrar o governo, Sérgio Reis classifica as irregularidades apontadas pela Operação Lava Jato, na Petrobras, como “o maior rombo do planeta” e diz não acreditar que Dilma e Lula não soubessem dos desvios. “Ela foi presidente do conselho da Petrobras. Se ela não sabe de nada, se o Lula não sabe de nada, que mudem de emprego. São incompetentes. Se você não controla sua casa, muda, vai pra outra”, dispara.

Até lideranças da oposição, como o próprio Aécio e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) admitem que não há elementos políticos ou jurídicos atualmente para o impedimento da petista. Os governistas alegam que qualquer tentativa nesse sentido é um golpe. Sérgio discorda. “O PT que criou essa situação delicada para o Brasil. Não queremos bagunça no país, não queremos tirar a presidente, mas queremos paz. Do jeito que está, não conseguimos.”

Amizade com Lula

Filiado ao PRB a convite do deputado Celso Russomanno (PRB-SP) – campeão de votos entre todos os 513 deputados –, o cantor diz manter boa relação com Dilma e seu irmão, Igor Rousseff, que vive em Minas Gerais, e considerar Lula um amigo. Mas ressalta que não mistura amizade com política. Em sua primeira semana de mandato, Sérgio foi um dos 52 deputados da base aliada a assinar o pedido de criação de uma nova CPI da Petrobras na Câmara.

O deputado afirma que não está preocupado com eventual reprimenda de seu partido por se insurgir contra a orientação partidária. “Se reclamar, eu pego as minhas trouxas e vou embora. Eu não vim aqui para mexer com partido, vim para defender meu povo. Tenho 55 anos de carreira e de caráter”, afirma o artista, eleito com 45.330 votos. “Se eu tiver medo de falar as coisas, largo e vou cantar”, acrescenta.

Falta de educação

Um dos quatro parlamentares do PRB que chegaram à Câmara graças à sobra da votação de Russomanno, que recebeu mais de 1,5 milhão de votos em outubro, Sérgio conta que ainda não se acostumou a ser chamado de deputado. Ele também se queixa da falta de educação dos novos colegas.

“É um pouco assustador. É muita gente falando junto. Acho isso uma baita falta de respeito, cada um tem o direito de falar. Quer conversar? Vem aqui no boteco”, diz. “É muita distância da verdade, porque se eu venho à Mesa falar de projetos, os caras não estão nem aí. Não sabe se o projeto é bom ou se é ruim, nem ouvem. Acho isso uma baita falta de educação”, completa.

Música e TV

Paulistano nascido no tradicional bairro de Santana em 22 de junho de 1940, Sérgio Reis fez parte da Jovem Guarda na década de 1960, criando em 1967 a música “Coração de papel”. Gravou seu primeiro disco de música sertaneja, em 1972, lançando a música “Menino da gaita”. Emplacou diversos sucessos como “Menino da porteira”, “Adeus, Mariana”, “Disco voador”, “Panela velha”, “Filho adotivo”, “Pinga ni Mim”, entre outros. Seu disco “O melhor de Sérgio Reis”, lançado em 1981, vendeu mais de um milhão de cópias.

O cantor optou por adotar o sobrenome de sua mãe, pois não achava o seu sobrenome Bavini, herdado do pai, adequado para o ramo artístico. Com 57 discos gravados e atuação em novelas como Pantanal e A história de Ana Raio e Zé Trovão, na extinta TV Manchete, e em Paraíso e O Rei do Gado, na Globo, Sérgio Reis diz que agora é hora de retribuir ao povo brasileiro tudo o que lhe foi dado em sua trajetória.

Bem-humorado, ele conversou por uma hora com os entrevistadores em uma mesa do “cafezinho” da Câmara, espécie de lanchonete com televisão, sofás, computadores, caixa eletrônico e acesso direto ao plenário. Alheio à estrutura parlamentar, iniciou a entrevista pegando um dos gravadores e, simulando que falava ao microfone, fez-se ouvir com seu sotaque caipira. Alternando instantes de seriedade, indignação, ironia e leveza, contou “causos”, cantarolou um ou outro verso, e fez rir com a franqueza de suas sentenças. “Se formos prender todo corrupto que roubou este país, vão ter de esvaziar o plenário e os palácios. Vai tudo pra cadeia”, fustigou.

Leia a íntegra da entrevista de Sérgio Reis

 

Entrevista: Larissa Rosado

Deputada estadual anuncia que vai comandar um programa de rádio e que seu grupo está aberto para conversas com Rosalba e Fafá 

Por César Santos Cafezinho-71

Deputada Larissa Rosado (PSB) a data de 31 de janeiro, quando a senhora conclui o mandato na Assembleia Legislativa, será um adeus ou um até já?

A pergunta feita à parlamentar, no “Cafezinho com César Santos”, teve na resposta a certeza que Larissa está mais do que viva para a sucessão municipal de Mossoró de 2016:

“Não é um adeus, nem um até já, porque vamos continuar a nossa luta em prol das pessoas.”

Larissa Rosado ficará sem mandato depois de 12 anos na Assembleia Legislativa. Isso, porém, não assusta a parlamentar. Para trabalhar pela população, diz, não é preciso ocupar mandato, mas, sim, ter vontade de servir às pessoas. O ensinamento, segundo ela, herdou do avô, deputado Vingt Rosado, transmitido pela mãe, deputada federal Sandra Rosado (PSB).

Nesta entrevista, Larissa Rosado faz uma avaliação dos seus três mandatos na Assembleia Legislativa, reconhece que o seu grupo político atravessa um momento de adversidade, mas garante que está inteiro para futuras disputas. No caso da sucessão mossoroense, a deputada manda o aviso:

“Vamos dialogar com os políticos, com os partidos e com a sociedade.”

A senhora vai ficar sem mandato a partir do dia 31 de janeiro, depois 12 anos na Assembleia Legislativa. Evidentemente, é uma mudança na sua vida pessoal e política. A senhora já definiu o que vai fazer a partir daí?

Primeiro, quero dizer que os nossos mandatos na Assembleia Legislativa foram bastante produtivos, principalmente em benefício para Mossoró e para toda nossa região. Tivemos uma atuação bem focada nos direitos das minorias, tivemos uma preocupação com a nossa economia, com a saúde, com habitação, com a educação. Através de nossa voz na Assembleia o clamor do povo chegou ao conhecimento das autoridades e assim fortalecemos a luta pela justiça social. Portanto, me sinto realizada pelo trabalho que fizemos e acredito que a população reconhece esse nosso trabalho, o que nos deixa com a sensação do dever cumprido.

 

E daqui pra frente, deputada?

Olha, César, embora eu tenha a consciência de que o nosso grupo passa por um momento de adversidade, quero afirmar que nós, tanto eu como a deputada Sandra Rosado, vamos continuar servindo ao povo de Mossoró. A deputada Sandra é assistente social, é advogada e com certeza continuará uma voz importante em defesa das pessoas. Cada um tem sempre um papel a desempenhar na sociedade e, para isso, não precisa de cargo político, por isso afirmo, o fato de ficar sem mandato não vai diminuir o nosso trabalho em prol de Mossoró e do Rio Grande do Norte. Então, tem muita coisa a ser feita, temos projetos que serão colocados em prática em breve e esses projetos vão mostrar que a nossa voz vai continuar firme em defesa de nossa cidade e do nosso estado.

Que projetos são esses?

Vou citar um exemplo de nossa participação no dia a dia da sociedade mossoroense. Nós temos em vista para logo após o nosso mandato a apresentação de um programa de rádio que terá o caráter social e com participação popular. Através do programa daremos a oportunidade da população se expressar, apresentar as suas reivindicações, reclamar do que está errado e elogiar o que é certo. Então, mesmo a nossa voz não estando mais na Assembleia Legislativa durante um período, porque da política não vamos desistir, estaremos através do programa de rádio trabalhando em prol das pessoas, da nossa cidade e do nosso estado.

 

A senhora falou que a voz não estará na Assembleia Legislativa durante um período. É o indicativo de que pretende voltar?

Não estou aqui afirmando que serei candidata, nem é o momento para falar sobre isso. Quero apenas dizer que para trabalhar pelas pessoas não é preciso ter mandato, mas sim o interesse da coletividade. Então, através do programa de rádio, a nossa voz continuará a missão de defender os interesses da população. Tenho gratidão pelos mandatos que o povo a mim conferiu e tenho muita fé e coragem para continuar a nossa caminhada, seja através de um programa de rádio ou de um trabalho social. Vamos continuar trabalhando pelas pessoas, isso é uma certeza.

 

A senhora disputou as últimas quatro eleições pela Prefeitura de Mossoró, sem sucesso, mas sempre deixou claro que não iria desistir do projeto político. É certo afirmar que a senhora tentará outra vez em 2016?

Olha, César, é natural que você me pergunte isso, é natural que se especule isso, principalmente por parte dos jornalistas que escrevem sobre política ou das pessoas que gostam de conversar sobre política. E isso não me incomoda, pelo contrário. É certo que o nosso grupo participará da disputa municipal do próximo ano, mas seria precipitado dizer aqui e agora que temos o candidato escolhido. Nós vamos, naturalmente, apresentar um candidato no momento certo. Veja bem, embora não tenhamos alcançado êxito nas eleições de 2014, a nossa votação em Mossoró foi expressiva, fomos a mais votada na cidade para a Assembleia Legislativa. Por isso, acredito que essa aceitação dos mossoroenses nos coloca sempre na lista de possíveis candidatos. Mas quero dizer que nesse momento não estamos pensando nas eleições, até porque ainda é certo e muita coisa tem para acontecer.

 

A senhora recebeu mais de 25 mil votos e superou em votação candidatos que foram eleitos por força da regra eleitoral. Essa votação, apesar de a senhora não ter sido reeleita, lhe garantirá a candidatura em 2016?

A votação que recebi principalmente em Mossoró nos deixou muito felizes, porque é a certeza de que as pessoas aprovaram o nosso mandato na Assembleia Legislativa. A nossa votação realmente foi expressiva em nossa cidade. Se você observar os números das últimas eleições vai ver que nenhum deputado eleito teve uma concentração de votos em uma cidade como eu tive em Mossoró. Guardadas as devidas proporções, quem chega mais perto é o deputado Fernando Mineiro (PT) que foi bem votado em Natal, mas menos votos do que eu na cidade de Mossoró. Isso, porém, não significa dizer que serei candidata em 2016. A discussão de um nome para disputar a Prefeitura vai ficar um pouco mais pra frente e envolverá todos os políticos e partidos que estejam abertos ao diálogo. Essa abertura de diálogo, quero aqui dizer, não se limitará apenas a quem tem mandato ou aos partidos políticos, mas à toda sociedade que esteja à disposição para discutir um projeto para Mossoró.

 

Nas eleições municipais de 2008 e 2012 a senhora teve a companhia do PT, inclusive, compondo chapa com o candidato a vice-prefeito. Hoje, o PT faz parte do atual governo municipal. Outros grupos, como o da ex-governadora Rosalba Ciarlini e da ex-prefeita Fafá Rosado estão distantes do seu grupo. Como é que a senhora vai costurar apoios para a sucessão de 2016?

Quando chegarmos mais próximos a 2016 nós vamos ter conversa com todos os partidos e grupos que queiram dialogar com o nosso grupo. Não vejo dificuldade de conversa com qualquer partido, até porque fazemos política dialogando. Hoje, é verdade, o PT ocupa um espaço no governo do prefeito Silveira Júnior (PSD), tendo a vice-prefeitura com Luiz Carlos Martins, mas não sei se até 2016 eles estarão fechados para conversa. A política é dinâmica e o quadro muda de acordo com o momento. O certo é que nós estaremos abertos para dialogar com nossos parceiros políticos e futuros aliados. Poderemos, por exemplo, dialogar com a ex-governadora Rosalba Ciarlini. Imagino que a dinâmica da política mossoroense, exposta nos últimos processos eleitorais, hoje todo mundo pode conversar com todo mundo. Assistimos recentemente mudanças em curto tempo e isso acabou formando um novo quadro.

 

Como assim, deputada?

Nas eleições de 2014, por exemplo, Rosalba Ciarlini declarou apoio à deputada federal do PT Fátima Bezerra para o Senado. Quem acreditaria nisso no passado recente? Então, da mesma maneira que Rosalba, até então filiada ao Democratas, que é adversário histórico do PT, deu esse apoio a Fátima, nós também estamos abertos a conversar com novos parceiros políticos. Mas vou repetir: nós vamos procurar tanto os partidos políticos que tenham a legitimidade de participar do processo eleitoral, como abriremos diálogo com a população. Vamos ouvir as pessoas porque elas é que vão dizer qual será a nossa posição política.

* VÍDEO SOBRE DIÁLOGO POLÍTICO: https://www.youtube.com/watch?v=mYdlBQpgA5Q&feature=youtu.be

 

Essa abertura de diálogo que a senhora defende inclui o grupo da ex-prefeita Fafá Rosado (PMDB), com quem o seu grupo briga, no sentido político, desde 2003?

É possível sim. Não vamos fechar portas para nenhum grupo político. Agora, não sei qual é a disposição e o que eles pensam para o futuro. O fato é que o nosso grupo, formado por nossa militância, amigos e dois vereadores (Lairinho Rosado e Vingt-un Neto, irmão e primo de Larissa, ambos do PSB), estará aberto para as conversas com vista às eleições do próximo ano.

Deputada, o seu grupo político estará fragilizado em termos de mandato a partir do dia 1º de fevereiro. Sem a cadeira na Câmara dos Deputados, que tinha há mais de cinco décadas, desde o mandato do seu avô Vingt Rosado, sem a vaga na Assembleia Legislativa, que era exercida desde 1986 com o mandato do seu pai, Laíre Rosado. Como o grupo pretende se reerguer na política do RN?

Eu não partiria do ponto que o nosso grupo se resume a mandatos, porque embora não tenhamos os mandatos, nós vamos continuar a nossa atuação, a nossa luta em defesa das pessoas. Eu vou lembrar uma passagem importante do meu avô Vingt Rosado: No momento que ele estava com muita dificuldade de saúde e já não exercia mais o mandato de deputado federal, ele recebeu uma visita do então governador Garibaldi Filho (PMDB) e, naquele momento, ao invés de lamentar dos problemas de saúde que enfrentava, ele entregou um papelzinho anotado o que Mossoró precisava; ele já estava reivindicando ao governador benefícios para a nossa cidade. Então, baseado no exemplo do meu Vingt Rosado, nós vamos continuar trabalhando pelas pessoas, e a nossa representatividade está legitimada pela grande quantidade de votos que tivemos em Mossoró e no Estado. Eu tenho certeza de que quando precisarmos falar com o governador Robinson Faria (PSD) ou precisar fazer uma reivindicação ao prefeito de Mossoró, eles não vão se negar a receber, porque nós vamos levar o desejo do povo de nossa cidade e do nosso Estado. É esse trabalho incansável que sempre realizamos e vamos continuar realizando. Isso vai fazer com que o nosso grupo permaneça grande.

* VÍDEO LEMBRA O AVÔ VINGT ROSADO: https://www.youtube.com/watch?v=VAti3R8UOzI&feature=youtu.be

 

Mas, deputada, embora a votação da senhora tenha sido expressiva em Mossoró, o eleitor de modo geral não renovou o seu mandato e o mandato de sua mãe deputada Sandra Rosado. Isso não sugere uma avaliação mais profunda?

Veja só, César, você está falando da decisão do eleitor, mas observe que existem vários deputados eleitos que não atingiram a nossa votação, mas foram eleitos por força da legislação eleitoral. Reconhecemos que houve uma mudança muito grande, porque a partir de agora Mossoró terá apenas um deputado federal em Brasília. Eu espero que Betinho Rosado (PP) possa ter um bom desempenho, que honre o mandato e lute por Mossoró como o deputado Betinho, o pai, e a deputada Sandra fizeram até aqui. Da nossa parte, afirmo, a deputada Sandra, mesmo depois do mandato, vai continuar o trabalho que ele vinha desempenhando desde o mandato de deputada estadual e em Brasília. Agora, é verdade que Mossoró perde em representação porque a deputada Sandra sempre foi aguerrida e sempre lutou com todas as suas forças em defesa de Mossoró. Se você fizer um levantamento de emendas parlamentares que beneficiaram a cidade, encontrará com facilidade o DNA da deputada Sandra. Também encontrará o DNA de Betinho Rosado, que sempre colocou o seu mandato à disposição de Mossoró. Entendo que sem os nossos deputados a cidade perdeu, isso é fato. Não estou fazendo críticas a outros parlamentares, mas apenas constando o que é fato e verdade. Agora, entendemos que o momento nos sugere uma reflexão e a certeza de que devemos continuar ainda mais próximos do nosso povo, que é quem nos ampara.

Como a senhora está acompanhando a gestão do prefeito Silveira Júnior?

Eu vou colocar aqui não apenas a minha avaliação, mas o que temos ouvido das pessoas: não está bom. Uma servidora pública municipal me fez um relato que não havia recebido o salário em sua totalidade. Isso mostra a falta de compromisso da gestão municipal com os servidores. Se aconteceu com essa servidora que me procurou, certamente acontece com outros. Quando nós andamos nas ruas da cidade, ouvimos as reclamações da precariedade da mobilidade urbana, que vai desde ruas esburacadas até o sistema do transporte coletivo caótico. São reclamações ligadas à saúde pública, feitas por pessoas que procuram atendimento e não são devidamente assistidas porque o sistema de saúde do município não está funcionando bem. O que a gente pode observar da gestão atual é que muita promessa feita e pouca promessa cumprida.

 

Mas, deputada, o prefeito Silveira Júnior tem recebido o respaldo, através do voto, em todas as disputas eleitorais que se envolveu até aqui. Isso não é aprovação popular?

Não tenho exatamente essa visão de que o voto dado a esse ou aquele candidato é o atendimento a uma pessoa. O eleitor tem a oportunidade de escolher. Vamos dar uma exemplo: a senadora diplomada Fátima Bezerra, que recebeu o apoio do prefeito, mas foi bem votada e eleita pelo desejo da população de uma maneira geral. Quando nós estamos na política temos que ter a compreensão de que existem os momentos da derrota e da vitória, mas também existem as formas como essas derrotas ou vitórias acontecem. Não vejo que as vitórias dos candidatos do prefeito sejam um julgamento mais puro da realidade que vive hoje Mossoró.

 

Esse não é o discurso de quem vai enfrentar o prefeito nas eleições de 2016?

Não. Esse é o sentimento que eu encontro na cidade. O sentimento da falta do compromisso, da falta de assistência às pessoas no dia a dia. Dos questionamentos do que estão sendo feitos e de como são aplicadas as verbas públicas, qual o grande projeto para Mossoró. Pode ser que daqui a poucos dias eu faça outra avaliação, reconhecendo que melhorou ou que alguma obra feita pelo prefeito foi interessante, mas hoje eu não vejo isso nas ruas da cidade de Mossoró. Eu não tenho nenhum problema como cidadã, como política, como mãe que sonha com uma sociedade mais justa para as famílias, fazer o reconhecimento de uma boa ação seja de uma pessoa ou de um gestor público. Mas não vamos antecipar 2016. Não estou fazendo discurso, apenas constando uma realidade.

Qual é o recado que a senhora manda para o seu eleitor, deputada?

Quero fazer um agradecimento não só ao nosso eleitor, mas à população como um todo: a nossa votação em Mossoró nos emocionou, nos fortaleceu para continuarmos na vida pública, independente de um mandato ou não. É com esse abraço, é com esse aperto de mão, é com a fé que foi depositada em mim nas ruas, que nós vamos continuar a nossa luta em prol da sociedade. Meu recado é de gratidão.

 

Para concluir, deputada, 31 de janeiro será uma despedida ou um até já?

Não será um adeus, também não será um até já, porque não haverá interrupção do nosso trabalho em prol das pessoas. A nossa posição é de continuidade.

Fonte: www.defato.com

“Comecei o diálogo com os partidos”, diz Robinson Faria sobre secretrariado

Entrevista – Robinson Faria
Governador eleito

O governador eleito Robinson Faria aposta no diálogo com os sindicatos para a negociação dos planos aprovados para as categorias. Cauteloso, o futuro chefe do Executivo evita falar que o projeto do Orçamento Geral do Estado de 2015 compromete os projetos feitos por ele para o primeiro ano de gestão. “Não podemos fazer disso um cavalo de batalha”, afirmou.

Robinson Faria - Governador eleito no RNE sobre os planos para o funcionalismo, Robinson Faria observou que ainda não têm todos os números referentes a gestão. “Eles (os sindicatos dos trabalhadores) compreendem esse momento que estou vivendo e quando for governador vou me sentar com eles para resolver. Até porque eu disse na campanha que o que puder fazer para resolver eu vou resolver”, destacou.

Sobre a sucessão para presidente da Assembleia Legislativa, Robinson Faria disse que fará “a mínima interferência”, mas confirmou que discutirá o assunto com os oito deputados que o apóiam (Galeno Torquarto, Gustavo Carvalho, José Dias, Dison Lisboa, Cristiane Dantas, Fernando Mineiro e Carlos Augusto Maia). A partir dessa conversa, o governador eleito disse que acatará o direcionamento adotado pelos deputados.

Robinson Faria afirma também que abriu o diálogo com os partidos sobre o secretariado e que o anúncio dos nomes poderá ser no início de dezembro.

Confira a entrevista que Robinson Faria concedeu esta semana a TRIBUNA DO NORTE:

O senhor visitou esta semana a Assembleia Legislativa, com que preocupação foi aquela Casa?
Foi uma visita de cortesia a minha Casa, como governador eleito. Um ex-deputado da Casa, foi abraçar os colegas. Não levei nenhuma pauta, apenas pedi a colaboração para o novo governo, estreitar essa parceria, fortalecer esse momento importante do Estado eu como governador. Espero que a Assembleia seja cooperativa com os projetos de interesse do povo.

Como atuará o governador eleito na sucessão da Assembleia Legislativa, onde já há quatro candidatos (Ricardo Motta, do PROS, Gustavo Carvalho, do PROS, Álvaro Dias, do PMDB, e Galeno Torquarto, do PSD)?
Esse assunto eu não trato agora (na Assembleia Legislativa).

Mas como o senhor vai atuar nessa disputa envolvendo o Legislativo?
Vou aguardar. Temos que conversar esse assunto com os deputados eleitos na nossa coligação. Temos seis deputados (Galeno Torquarto, Dison Lisboa, José Dias, Cristiane Dantas, Fernando Mineiro e Carlos Augusto Maia) e mais dois (que apoiaram no segundo turno, Gustavo Carvalho e José Adécio Costa). A partir daí, eles vão dizer qual é o sentimento da Casa.  Eu respeitarei o sentimento dos oito deputados que estiveram comigo. A partir deles vamos ter o consenso para saber qual será o direcionamento (que os deputados) irão apontar para trabalharmos juntos. Minha interferência será a mínima possível, a mínima da mínima.

O projeto do Orçamento Geral do Estado de 2015, agora detalhado pela equipe de transição, coloca em risco os projetos do senhor para o primeiro ano de gestão?
Isso pode ser corrigido. Não há  que se criar esse drama. Pode ter sido um equívoco, o governo está bastante cooperativo (com a equipe de transição), poderá fazer um novo orçamento. Vou falar com a governadora e sua equipe. Pode ser corrigido, não vejo como um cavalo de batalha.

O senhor é favorável ao aumento do Ministério Público, aprovado pela Assembleia Legislativa?
Esse aumento faz parte. É assunto interna corporis do Ministério Público. Eu respeitarei a Constituição Federal e Estadual. Os Poderes todos eles terão o respeito do governador. Faremos os repasses constitucionais, não vou interferir nos assuntos que dizem respeito interna corporis de cada poder.

As primeiras informações da equipe de transição soam como uma preocupação a mais para o senhor?
Ainda está muito incipiente. Estamos levantando dados. A folha de pagamento de servidor é o principal levantamento da equipe de transição.

O senhor já começou a definir o secretariado?
Comecei a dialogar com os partidos para começarem a pensar nos nomes que irão ser indicados.

O senhor trabalha com prazo para anunciar o secretariado?
Estamos dentro do prazo. Não há data determinado. Poderá ser início de dezembro.

A partir desse fator limitante do orçamento, como o senhor vai tratar a implantação do plano de cargos, carreiras e salários das categorias?
Os servidores terão comigo um diálogo permanente. Vou conversar com todos os sindicatos. Estamos iniciando, marcando algumas audiências com eles (os dirigentes sindicais). Eles têm a compreensão de que eu ainda estou ainda tomando pé de um governo, não posso me antecipar. Ainda não tenho a informação dos números do governo do Estado. Eles (os sindicatos dos trabalhadores) compreendem esse momento que estou vivendo e quando for governador vou me sentar com eles para resolver. Até porque eu disse na campanha que o que puder fazer para resolver eu vou resolver. Darei prioridade ao servidor público.

O senhor pretende manter algum secretário da gestão Rosalba Ciarlini no seu primeiro escalão?
Essa resposta eu não tenho. Mas tudo indica que governo novo é governo novo.

E o senhor fará convite a algum auxiliar do prefeito de Natal Carlos Eduardo?
Não foi feito nenhum convite.

O senhor já tem, pessoalmente, uma lista de auxiliares que gostaria de trabalhar na administração?
Eu não convidei ninguém. Não há convite feito até agora. Tenho pensamentos meus, mas por enquanto não revelo. São pessoas que acho que têm um perfil, mas cabe a mim me reservar esse direito de esperar o momento de convidar.

Que momento (para convidar os secretários) seria esse?
Depois de avançar um pouco na equipe de transição.

O PT terá um espaço privilegiado no seu Governo?
Claro. Os meus parceiros que viajaram comigo, andaram comigo o Estado terão parceria na gestão. Sou uma pessoa que tenho gratidão, coerência com meus parceiros. Não vou fazer o que outros fizeram no passado. Vou  manter coerência com meus aliados.

Preocupa o senhor o fato de não ter maioria na Assembleia Legislativa, já que tem oito deputados na base de apoio da Casa que tem 24 parlamentares?
Todos nós temos mandatos não só o governador. Todos temos responsabilidade com o crescimento do Estado. O Rio Grande do Norte não é só o governador, são deputados estaduais, federais, prefeitos. Todos terão que ter esse sentimento de colaboração. A eleição terminou, vamos desarmar os espíritos. Agora é pensar em salvar o Rio Grande do Norte. Meu pensamento é esse, coletivo, não é só de Robinson, os deputados têm que compreender que isso (o pensamento de salvar o Estado) é importante independente de cor partidária. A população precisa e quer melhorar sua vida. Os deputados foram eleitos pelo povo. E esse é um momento de desarmamento de todo. Vamos falar do Rio Grande do Norte. Não pode ser pequeno, tem que pensar grande, pensar no Estado.

Fonte: www.tribunadonorte.com.br

Entrevista: Túlio Ratto

Fundador fala sobre lançamento da Revista RN

Na próxima sexta-feira, 14, será lançado na rede mundial de computadores a Revista _rn, publicação informativa e 100% eletrônica. O projeto tem na editoria o chargista Túlio Ratto e conta com colunistas de todas as regiões do Rio Grande do Norte.

Novidade no ar. Vem aí a Revista _rn que aposta no crescimento e na força das redes sociais no nosso Estado e inova quando garante o envio pelo o WhatsApp a quem se cadastrar. “Apostamos nessa forma, que ainda  surpreende pela rapidez de se comunicar”, revela o fundador, jornalista Túlio Ratto nesse bate papo.

Jornalista Túlio Ratto, como surgiu o projeto da Revista _rn?

A revista _rn é fruto de um desejo antigo. Desde a época da revista Papangu – que editamos durante 8 anos -, a gente planejava uma edição digital. Mas, as ferramentas ainda engatinhavam. Se notava o vertiginoso crescimento dessa tecnologia – que agora já não é tão novidade. Há tempos, grandes publicações no mundo já utilizam essa ferramenta para facilitar o acesso. A maioria de forma paga – o que acaba afastando muitos internautas. Ocorre que, diante desse crescimento também em nossa região, achamos que esse seria o momento. Com um detalhe: o projeto será totalmente gratuito.

Qual a linha editorial norteará da Revista _rn?

A ideia é trazer para o internauta/leitor os assuntos que foram destaques durante a semana, principalmente na área politica e sempre com uma visão critica.

Como será o acesso dos internautas?

Teremos a versão Flip, para quem quiser acessar direto no computador, como também em smartphones e tablets.

Como será a atualização da Revista _rn?

A revista _rn será semanal e disponibilizada primeiramente ao leitor pelo WhatsApp. Pra isso, basta enviar uma mensagem para o número 84 9143-6757 – dizendo nome e cidade. Em seguida, publicaremos links da edição no Facebook e Twitter. Ressalto que já mais de mil pessoas já curtiram o Facebook.

A equipe da Revista _rn estará centrada só em Natal, ou em cidades como Mossoró também?

Não. A proposta é destacar o RN por completo. Tanto que nessa primeira edição já teremos a participação de  articulistas dos quatro cantos do Estado.

Como anunciar na Revista _rn?

Fácil. Basta ligar para o número 84 9710-8888.

Diante do crescente número de pessoas que estão fazendo da Internet seu canal principal de comunicação, qual a expectativa da equipe da Revista _rn?

A melhor possível. Temos como base estudos que mostram o quanto as redes sociais cresceram no Rio Grande do Norte. Apostamos nessa forma, que ainda  surpreende pela rapidez de se comunicar.

Os internautas também poderão acessar sua produção na Revista _rn?

Teremos diversas formas para que o internauta possa ter acesso à revista _rn. Breve estaremos com o site também. A ideia não é apenas “chegar”, é conversar com o leitor, saber a opinião de cada um. Mesmo que o cara a cara se dê através das redes.

Qual a importância da Internet nos tempos atuais para quem deseja ficar bem informado?

A internet é um item de primeira necessidade. Assim como a chegada da água e energia elétrica em nossas casas. O que antes sabíamos uma semana depois do ocorrido em outros cantos do mundo, hoje ficamos sabendo em segundos. Os governos têm a obrigação de criar políticas que permitam o acesso de todos à internet.

O que os internautas poderão esperar da Revista _rn?

Muito zelo e responsabilidade com a informação.

Aécio Neves: ‘Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou’

Aécio diz que vai ser oposição vigilante e fiscalizadora para que os escândalos não sejam “varridos para debaixo do tapete – O Globo / Pablo Jacob

Por Maria Lima, Lydia Medeiros e Silvia Fonseca

RIO – Aécio Neves chega caminhando sozinho pela rua. Vem do pediatra e entra na casa do amigo onde daria entrevista, em Ipanema, contando que os filhos gêmeos, nascidos prematuros, engordaram. Diz que depois de olhar tanto no olho da adversária que o derrotou na campanha mais acirrada da História não abdicará de seu papel de fazer oposição. Admite erros. Mas diz que, pela primeira vez, o PT enfrentará uma “oposição conectada com a sociedade, e isso os assusta”.

Como o senhor viu a entrevista da presidente Dilma, que chamou de lorota o corte de ministérios e de ideia maluca sua proposta de choque de gestão?

A candidata Dilma estaria muito envergonhada da presidente Dilma. Para a candidata, aumentar juros era tirar comida da mesa dos pobres. Três dias depois da eleição, o BC aumentou os juros. Para a candidata, não havia inflação. A presidente agora admite que há e que é preciso controlá-la. A candidata dizia que as contas públicas estavam em ordem, e descobrimos que tivemos um setembro com o pior resultado da história. A candidata dizia que cumpriria o superávit fiscal, e agora se prepara para pedir a revisão da meta de 1,9%. Estamos assistindo ao maior estelionato eleitoral da História. O choque de gestão, que incomoda tanto o PT, nada mais é do que gastar menos com o Estado e mais com as políticas fins. É o contrário do que o PT pratica. O próximo mandato, que se inicia, já começa envelhecido. A presidente não se acha no dever de sequer sinalizar como será a política econômica. E é curioso vermos a presidente correndo desesperada atrás de um banqueiro para a Fazenda. Eu hoje chego na minha casa, coloco a cabeça no travesseiro e durmo com a consciência muito tranquila. Fiz uma campanha falando a verdade, não fugi dos temas áridos, sinalizei na direção da política econômica que achava correta. Não sei se a candidata eleita pode fazer o mesmo.

A oposição também não está envelhecida?

A oposição sai extremamente revigorada da eleição. A campanha teve duas marcas muito fortes. A primeira, protagonizada pelo PT e pela candidata que venceu: a utilização sem limites da máquina pública, do terrorismo eleitoral, aterrorizando beneficiários do Bolsa Família, do Minha Casa Minha Vida. Inúmeras regiões ouviram durante meses, isso sim uma grande lorota, que, se o 45 ganhasse, seriam desfiliados dos programas. Infelizmente, essa é uma marca perversa. Mas há uma outra, extraordinária, que é um combustível para construir essa nova oposição. O Brasil acordou, foi às ruas. Minha candidatura passou a ser um movimento. Nosso e desafio é manter vivo esse sentimento de mudança, por ética.

Como atuar de forma diferente?

Pela primeira vez, o PT governará com uma oposição conectada com a sociedade. O sentimento pós-eleição foi quase como se tivéssemos ganhado. E os primeiros movimentos da presidente são de desperdiçar a oportunidade de renovar, de admitir equívocos, mudar rumos. Ela começa com o mesmo roteiro: reúne partidos para discutir um projeto de reforma política ou uma agenda de crescimento? Não! Reúnem-se em torno da divisão de ministérios, de nacos de poder. As pessoas não se sentam para ouvir da presidente: “Quero o apoio para um grande projeto de país.” Era o que eu faria. A grande pergunta dos brasileiros será: para que novo mandato se não há projeto novo de país? Para continuar distribuindo cargos e espaço de poder para as pessoas fazerem negócios? A presidente corre o risco de começar o mandato com sentimento de fim de festa.

O PSDB fará um “governo paralelo”?

Vamos constituir dez grupos, de dez áreas específicas, para acompanhar as ações do governo. Comparar compromissos de campanha com o que acontece em cada área. Queremos subsidiar nossos companheiros, lideranças da sociedade, vereadores, governadores, parlamentares.

Isso não reforça o discurso de que vocês precisam desmontar o palanque?

Chega a ser risível ouvir o PT falar que é hora de descer do palanque. O PT, sempre que perdeu, nunca desceu. E quando venceu também não desceu. E quem paga a conta são os brasileiros. Cumprimentei a presidente pela vitória. Agora vou cumprir o papel que me foi determinado por praticamente metade da população. Vamos ser oposição vigilante, fiscalizadora, e não vamos deixar que varram para debaixo do tapete, como querem fazer, esses gravíssimos escândalos que estão aí.

Mas não houve acordo na CPI da Petrobras para blindar políticos, com apoio do PSDB?

Quero dizer de forma peremptória e definitiva: vamos às últimas consequências nessas investigações, não importa a quem atinjam. Até pelo nível de insegurança de setores da base do governo, o que pode estar vindo por aí é algo muito, mas muito grave. Não depende mais apenas da ação do Congresso ou da Justiça no país, porque essa organização criminosa que, segundo a PF, se institucionalizou na Petrobras, tem ramificações fora do Brasil. E outros países estão agindo. Nosso papel é não permitir, do ponto de vista político, tentativas de limitação das investigações. Se alguém pensou em algum acordo, e no caso do deputado Carlos Sampaio ele foi ingenuamente levado a isso, será corrigido.

A desconstrução marcou a campanha. Como enfrentar isso em 2018?

O marketing petista deseduca a população porque não permite o debate. Será que vai dar certo sempre? Queremos transformar o Bolsa Família em política de Estado para que saia dessa perversa agenda eleitoral. Apresentamos o projeto, e agora ficou claro porque o PT votou contra. O PT prefere ter um programa para manipular as vésperas das eleições, como se fosse uma bondade. Há uma manipulação vergonhosa de instituições como Ipea e IBGE. A presidente usou o marketing de que tinha tirado não sei quantos milhões da miséria já sabendo que a miséria aumentara. Mais um estelionato. Setembro foi o pior mês do século em geração de emprego. Há 20 milhões de jovens sem ensino fundamental e médio. Nossa educação, comparativamente a nossos vizinhos, é péssima. E o governo acha que política social é o Bolsa Família. Não. Tem que ser saúde, educação de qualidade e geração de emprego para incorporar essas pessoas ao mercado formal.

Como o PSDB se manterá unido com uma disputa interna que se anuncia para 2018?

Antecipar uma divisão no PSDB hoje é uma bobagem. Não tenho obsessão em ser candidato a presidente. O que há hoje é um PSDB, ao lado de outras forças, conectado a setores da sociedade com os quais não estávamos vinculados. Esse é o grande fato novo. Lá na frente, o candidato será aquele que tiver melhores condições de vencer.

Há uma nova direita indo às ruas e pedindo a volta dos militares. Como fazer com que o PSDB não se confunda com esse movimento?

Com nosso DNA. Sou filho da democracia. O que houve foi a utilização de movimentos da sociedade por uma minoria nostálgica que nada tem a ver conosco e com nossa história. A agenda conservadora, antidemocrática, totalitária, é a do PT. Esse documento do PT, lançado depois das eleições, é muito grave. Fala no cerceamento da liberdade da imprensa, de um projeto hegemônico de país, sem alternância de poder. Fala de uma democracia direta que, de alguma forma, suplantaria ou diminuiria a participação do Congresso na definição das políticas públicas. Teve um momento na campanha do meu avô Tancredo, em 1984, que pregaram uns cartazes em Brasília com o símbolo do comunismo. Era um movimento da direita mais radical para dizer que ele era comunista. Tancredo disse: “Olha, para a esquerda não adianta me empurrar que eu não vou.” Ele era um homem de centro. E, agora, eu digo: “Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou”.

E os erros na campanha? Faltou conexão com minorias, movimentos de base?

Faltaram poucos votos que não conseguimos por falta de estrutura. Nas eleições municipais teremos candidatos com capilaridade em segmentos muito mais amplos. Em dezembro, reuniremos a Executiva com esse foco. Faremos ampla campanha, uma semana de filiação no Brasil. Com gente nas ruas, sindicatos, universidades. Estarei em Maceió, numa grande teleconferência, para sinalizar que o Nordeste sempre será prioridade para o PSDB. As pessoas estão procurando saber como participar, como se filiar. Isso nunca acontecera. Voltamos a ser depositários da confiança de parcela importante da sociedade que nunca fez política e está querendo fazer.

Quais foram os erros em Minas? É consenso que o senhor perdeu porque foi derrotado lá.

Ainda estou tentando entender. Meus adversários tiveram ação organizada muito forte nas regiões mais pobres de Minas. Temos imagens de deputados com megafones dizendo: “Aécio vai acabar com o Bolsa Família”. Os Correios não levavam nosso material, e não estávamos atentos. Houve talvez certa negligência do nosso pessoal. E nossa candidatura estadual também não foi bem. No segundo turno, a força do governador eleito acabou sendo um contraponto forte. Ninguém é invencível. Eu não sou infalível. É do jogo político. Souberam ser mais competentes do que nós. A responsabilidade é minha mesmo. Vamos recuperar esse espaço. Lançar candidato a prefeito em Belo Horizonte, onde ganhamos por 60% a 30%, e em todas a grandes cidades.

E a derrota no Rio?

Eu ter tido 45% dos votos no Rio foi um ato de heroísmo. Os dois candidatos do segundo turno estavam com Dilma. E ainda espalharam jornais apócrifos me colocando como inimigo do Rio.

A aliança de oposição será mantida?

É bom que a oposição tenha várias caras. É um erro estratégico, além de gesto de absoluta arrogância, achar que sou o líder das oposições. Não sou. Somos um conjunto de pessoas credenciadas para falar em nome de uma parcela importante da população. Sou cioso da autonomia do Congresso. Mas gostaria de ver alguma forma essa aliança reeditada na eleição para a presidência da Câmara. Quem sabe num gesto em direção do PSB. A mim agradaria, mas é uma decisão que será tomada com absoluta autonomia pelos deputados.

O senhor sempre repete a frase de Tancredo que ser presidente, mais do que projeto, é destino. Ainda concorda?

Não é obsessão, como jamais foi. Sou hoje um homem de bem com a vida, conheci um Brasil novo, vibrante, com esperança. Não é frase de efeito. Vi coisas de emocionar. Gente que via esperança em mim. E isso é muito sério.

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Exclusivo: “O Brasil perdeu o medo do PT”, diz Aécio

O candidato tucano tinha fortes razões para acreditar que venceria, mas reagiu rapidamente à derrota e se prepara para voltar a enfrentar Dilma como líder da oposição

O OPONENTE - Dois dias depois da derrota, Aécio Neves gravou um vídeo para ser distribuído nas redes sociais. O tom conciliatório do candidato vencido, exibido no discurso de domingo, deu lugar ao do oponente pronto para o combate

O OPONENTE - Dois dias depois da derrota, Aécio Neves gravou um vídeo para ser distribuído nas redes sociais. O tom conciliatório do candidato vencido, exibido no discurso de domingo, deu lugar ao do oponente pronto para o combate (Ricardo Moraes/Reuters)

Pelo telefone, a voz de Aécio Neves em nada se parece com a do candidato vencido que, no domingo, ao assumir a derrota, discursou em tom abatido por pouco mais de dois minutos. O timbre mudou — é de novo o de alguém em combate. De sua fazenda em Minas Gerais, o tucano falou a VEJA sobre os erros da campanha, os planos para o futuro e o novo país que ele acredita ter saído destas eleições.

O senhor saiu desta eleição com a maior votação que um candidato do PSDB já teve no segundo turno, o apoio de 51 milhões de brasileiros e o título de “líder natural da oposição”. Como pretende usar esse patrimônio?
Pretendo usá-lo para cumprir minha parte no que será a missão do nosso partido a partir de agora: ser a voz e o sentimento de mais de 50 milhões de brasileiros que demonstraram com a contundência do voto que estão cansados da incompetência e dos desvios éticos desse grupo que está no governo. Desvios éticos que na eleição ficaram ainda mais patentes como o modo de ser deles. O uso despudorado da máquina pública e o terrorismo com que o PT intimidou os eleitores são manifestações de uma mesma visão de mundo, a de que eles são donos do país e podem fazer impunemente tudo o que quiserem. Essa violência não tem paralelo na nossa história democrática. Foram cruéis com os eleitores ao mentir descaradamente para eles. Na baixeza para com seus adversários,
o PT estabeleceu também um novo e degradante patamar. Primeiro o Eduardo Campos e depois a Marina Silva foram tratados não como adversários políticos com visões diferentes das deles. Foram tratados como inimigos da humanidade, como seres humanos moralmente defeituosos, maus e insensíveis. Uma eleição ganha dessa maneira diminui o Brasil perante o mundo e perante nós mesmos. A torpeza de métodos do PT depois se voltou contra mim com toda a força, o que me fez pensar com mais carinho em Eduardo e Marina, pessoas decentes, figuras públicas com contribuições sociais extraordinárias para o povo brasileiro, destroçadas sem dó pela máquina do PT. Mas essa campanha produziu um avanço importante. Enquanto o PT envenenava o horário eleitoral, surgia nas ruas uma reação espontânea de resistência cívica popular. As pessoas retomaram as ruas, redescobriram a coragem. Finalmente, depois de tantos anos, o Brasil perdeu o medo do PT.

Esse sentimento cívico que o senhor despertou vai durar quanto tempo?
A vitalidade que esta campanha injetou nas pessoas é uma força que não se dissipará facilmente. Ela vai nos manter unidos. Esse Brasil sem medo do PT
vai ser percebido logo pelo governo. A sociedade está muito mais atenta, vigilante e serenamente imune ao discurso raivoso dos petistas. A oposição saiu revigorada desse processo. Estou pronto para assumir meu lugar nela.

Sem trégua nem lua de mel, como disse o senador (e candidato a vice na chapa tucana) Aloysio Nunes?
Os 51 milhões de brasileiros que se puseram na oposição nas eleições esperam que seus representantes no Congresso sejam vigilantes e firmes. Que se oponham ao governo, e não ao país. Seremos firmes porque nossos eleitores reprovaram nas urnas os métodos do PT, sua visão de mundo, seus desvios éticos, a forma como compõe o governo e a forma como governa. Não vamos permitir que o governo desvie a atenção dos brasileiros do maior escândalo de corrupção da nossa história, o da Petrobras.

Fonte: www.veja.com.br

Entrevista: Francisco José Júnior

Prefeito de Mossoró anuncia que está em condições e enfrentará qualquer adversário nas eleições de 2016

O prefeito de Mossoró anuncia que está em condições jurídicas de disputar mais um mandato e, assim sendo, em 2016, não teme enfrentar qualquer adversário. Sobre a vitória de Robinson Faria (PSD), em Mossoró, ele lembra que foi quem esteve nas ruas fazendo campanha para o governador eleito. Confira a entrevista do prefeito, ao blog da jornalista Thaisa Galvão:

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Por: Thaisa Galvão

Thaisa Galvão – Na disputa pelo governo do Estado, Robinson Faria, o vencedor. Em Mossoró, o prefeito Francisco José Júnior pode ser chamado de ‘o grande vencedor’?

Francisco José Jr – Posso dizer que nós saímos bastante fortalecidos, com uma musculatura política muito fortalecida, porque a classe política mossoroense, toda, se voltou contra a minha administração. Aí agora a gente sai desse processo eleitoral com a presidente, com a senadora, e com o governador. Então isso vai dar um impulso ainda maior na nossa administração. O resultado das urnas de Mossoró deixou a cidade com uma expectativa muito boa, e nos deixou também, politicamente, muito fortalecidos, não só pelos 3, mas também pela eleição de Galeno, que foi um candidato que a gente trabalhou somente 40 dias e teve uma votação acima de um deputado estadual de Mossoró, que foi o deputado Leonardo. Mostrou que a nossa administração está sendo reconhecida pela população, e acredito que nosso grupo saiu muito fortalecido.

 

Thaisa Galvão – No primeiro turno, Robinson teve uma maioria superior a 23 mil votos em Mossoró, e no segundo turno a maioria passou para 48 mil. O que aconteceu para essa maioria mais que dobrar?

Francisco José Jr –Robinson quando começou a campanha, ele estava 20 pontos atrás de Henrique. Henrique toda vida que foi candidato a federal teve de 5 a 10 mil votos em Mossoró, e Robinson pra deputado estadual nunca passou de 100 votos na cidade, então era bastante desconhecido. Nós começamos a ir às ruas diariamente, mostrar o que Robinson fez na Assembleia, e dizer da importância dele ser governador pra cidade de Mossoró. Como eram 5 candidatos que nós trabalhávamos diariamente, a gente fez um trabalho dizendo ‘vote nos candidatos do prefeito’. Acredito que foi importante esse vínculo à nossa imagem, pra Robinson se tornar conhecido. Agora o voto livre do mossoroense, as lideranças comunitárias, a nossa própria bancada de vereadores, que nós temos 13, de 21, tudo isso, essa soma de esforços, deu essa virada no primeiro turno para 23 mil votos no primeiro turno. No segundo turno fizemos uma campanha ainda mais maciça, nós tínhamos uma greve na Saúde que acabou na última semana da eleição, eu acho que isso contribuiu, o apoio do segmento evangélico que nós recebemos…

 

Thaisa Galvão – O grupo da governadora Rosalba Ciarlini diz que ela também deu apoio a Robinson no segundo turno. O que você diz?

Francisco José Jr – A gente sabe que uma vitória tem vários pais e uma derrota ela á órfã. A governadora, ela foi vítima desse acordão, teve o direito ceifado de ser candidata à reeleição, no primeiro turno votou nulo e no segundo turno, no sábado, ela foi a Mossoró e bateu uma foto com o 55 na roupa. Acredito que ela e o grupo político dela devem ter votado em Robinson, e isso, eu não quero contestar a liderança de Rosalba, mas eu quero dizer que a governadora Rosalba externou o voto, ela não trabalhou para o candidato Robinson. Ela não fez discurso, ela não fez campanha pra Robinson, ela externou seu voto. Que foi importante, foi, que contribuiu, contribuiu sim, mas não dizer que foi por causa dela que houve essa maioria. Como disse, foi uma soma de fatores, e principalmente o voto livre da nossa cidade.

 

Thaisa Galvão – O que se dizia era que o grupo dela trabalhava em silêncio…

Francisco José Jr – Olhe, o grupo dela é o mesmo grupo do deputado Betinho Rosado. E o grupo dele trabalhou conosco no primeiro turno e ajudou para que a gente pudesse ter essa maioria de 23 mil votos. Então não foi porque a governadora, no sábado, véspera da eleição, disse que votaria em Robinson, que teve essa maioria. Nós tínhamos 200 pessoas diariamente nas ruas, visitando as casas, mostrando a importância dessa eleição para o contexto político, administrativo e econômico da cidade.

Thaisa Galvão – O deputado eleito Betinho Rosado deu uma declaração atribuindo a ampliação da maioria de Robinson em Mossoró, à governadora Rosalba Ciarlini. Essa posição de Betinho pode significar um racha no grupo de Robinson em Mossoró?

Francisco José Jr – Acredito que não, até porque Betinho, Betinho pai e Betinho filho, eles sabem que o maior advogado que ele teve pra coligação com o nosso governador fui eu. Se não fosse, e eu digo sem medo de errar, e eles sabem disso, que se não fosse o papel do prefeito de Mossoró, Betinho não tinha conseguido se coligar com o nosso governador. Houve resistência muito grande de partidos aliados (ele não disse, mas a resistência foi do PT), mas eu cheguei a dizer que me afastaria da campanha se não aceitassem a coligação. Eu sei da importância de termos um deputado federal na cidade, assim como Fábio Faria, teremos dois deputados para trabalhar pela cidade. Há um respeito e o próprio Betinho (pai), já disse que iria ajudar, agora no fim do mandato, com emendas para o próximo ano. Acho que são fatos que estão criando de um racha, mas de alguém já pensando em 2016. Agora eu não penso em 2016, foram 3 eleições em 45 meses e eu tô cansado de eleição e concentrado 100% na nossa administração e eu sei que terei uma grande ajuda de Betinho em Brasília.

 

Thaisa Galvão – O prefeito de Mossoró vai indicar nomes para o Governo Robinson Faria?

Francisco José Jr – Primeiro eu apoiei Robinson por convicção, por idealismo, por ser presidente do meu partido, por conhecer trabalho dele como presidente da Assembleia, ele foi um dos melhores presidentes da Assembleia. Então sei do seu compromisso, da sua competência, da sua honestidade, e sei que fará um grande governo. E sei também que, por ser amigo dele, por conviver cm ele durante 14 anos, eu como prefeito da cidade não vou precisar marcar audiência pra conversar com ele, e vou ter um aliado político em Mossoró. Agora pela importância política que foi Mossoró, que levou Robinson para o segundo turno, que deu a maior votação proporcional, a maior maioria, eu acredito que Robinson deverá consultar, até pela aprovação de nossa administração, consultar algum venha a compor seu secretariado. Meu apoio nunca foi condicionado a ele e eu nunca escutei, da boca dele, esse assunto.

 

Thaisa Galvão – Você já teria algum nome? O nome do ex-deputado Francisco José pode ser um bom nome a ser indicado?

Francisco José Jr – Poder, pode. Meu pai é enfermeiro, foi vereador, foi secretário de estado, vai depender da pasta que me for oferecida porque temos que se preocupar nesse governo com uma composição técnica assim como fiz em Mossoró onde 60% do secretariado é composto por servidores de carreira, outros foram indicados pela universidade e o sucesso da nossa gestão é justamente esse governo técnico. Acredito que ele pregou isso na campanha e fará um governo técnico.

Thaisa Galvão – A eleição suplementar foi o primeiro embate do prefeito de Mossoró com os grandes grupos. Você enfrentou Sandra Rosado, Larissa Rosado, Garibaldi Filho, Henrique Alves, José Agripino. Na eleição estadual acrescente-se a estes nomes Fafá Rosado e Leonardo Nogueira. Nos dois casos os grandes grupos foram derrotados. O que está acontecendo?

Francisco José Jr – O eleitor está mais exigente e reconhece, como está mais politizado e antenado, reconhece um trabalho sério.  A marca da nossa gestão vem sendo transparência, seriedade e eficiência. É a primeira vez que um prefeito de Mossoró faz uma auditoria na sua folha de pagamento, nós fizemos. Estamos fazendo um cadastramento biométrico e vamos implementar ponto eletrônico em toda a estrutura do Município. No nosso governo só vai receber salario quem trabalhar, só vai receber hora extra e plantão, quem der. Além disso estamos ampliando e reformando 18 escolas, abrimos uma nova Base Integrada Cidadã, temos três UPAs, em Natal são duas e nós temos três, e com um diferencial: temos serviço de ortopedia, plantão odontológico que as UPAs de Natal não tem. Obras que tiramos do papel, adormecidas desde 2007, tudo isso em pouco tempo. Então a população reconhece isso e a nossa boa avaliação foi fundamental para o sucesso dessas urnas. E essa classe política de Mossoró, que ainda tem mandatos, porque são deputados de Mossoró, estavam boicotando a nossa gestão. Aí a população deu o recado.

 

Thaisa Galvão – A oposição ao seu nome em Mossoró costuma dizer que você teve sorte pois nunca passou de um vereador de 2 mil votos. Mas que tanta sorte é essa?

Francisco José Jr – Deus ajuda a quem trabalha. Eu sou uma pessoa que tem muita fé e estou cumprindo uma missão, Não acredito só em sorte, acredito em trabalho. Porque como é que se explica, o deputado Galeno, por exemplo, de São Miguel, foi o nosso candidato no lugar do meu pai que acabou não sendo, foram 40 dias de campanha e o deputado tirou 12.300 votos. Tirou 3 mil votos a mais do que o deputado Leonardo Nogueira. Isso é sorte? Deixo essa interrogação. Como é que o deputado Fábio Faria que em outras eleições tirou 3 mil votos, agora tirou 12.400? Como é que Robinson, um simples desconhecido, deu essa virada? Se for sorte, quero continuar com essa sorte porque, graças a Deus, todos os nossos candidatos estão ganhando as eleições. Ontem mesmo tivemos a vitória do presidente da Câmara, do PSD, Jório Nogueira, e como eu disse, quem trabalha Deus ajuda, e quem está com Deus está com sorte.

 

Thaisa Galvão – Você tem um vice do PT, Luís Carlos. O Planalto já deu sinais de que vai colaborar com sua gestão?

Francisco José Jr – O governo federal já vinha ajudando nessa minha administração, era um parceiro que eu tinha forte. A deputada Fátima Bezerra vem me ajudando. Nós conseguimos 14 médicos do programa Mais Médicos, casas do Minha Casa Minha Vida, ambulância, carros para conselhos tutelares, tudo isso em pouco tempo. E agora com certeza vamos ter uma ajuda ainda maior, porque Fátima sai de deputada para Senado, tem muita força com o PT e o PT tem duas secretarias no nosso governo, tem o vice-prefeito, então é uma parceria que vem dando certo.

 

Thaisa Galvão – Como está sua relação com os servidores? Você enfrentou a greve na Saúde e certamente não foi a última…

Francisco José Jr – Melhor impossível. Ficamos arranhados por esse período, mas é porque estávamos analisando todos os impactos na folha de pagamento e esse plano de carreiras é de 2007. De lá pra cá ninguém fez nada, ninguém implantou. E nós atendemos 8 pontos cruciais do pleito da categoria e eles saíram felizes, muito motivados, e tenho certeza que a saúde será outra após essa greve. Nunca tive problema com servidor, também como presidente da Câmara, até porque só acredito em serviço público eficiente tendo um servidor reconhecido e motivado. Esse é nosso objetivo, reduzir a folha, com a biometria e o ponto eletrônico, para valorizar os servidores do Município.

 

Thaisa Galvão – E o futuro de Francisco José Júnior, já está traçado? Vai pra reeleição?

Francisco José Jr – As pessoas falam em sorte, pois eu tive sorte de, como presidente da Câmara, assumir a Prefeitura na interinidade, mas tive a competência e o dinamismo de transformar essa oportunidade em vitórias. E como sou de muita fé, Deus está no comando de tudo, e eu acredito nessa luz divina que está me iluminando e o futuro pertence a Ele. Estou preocupado agora em fazer a melhor administração que um prefeito já fez na cidade, e se isso vai credenciar para projetos futuros, quem vai dizer é o povo. Acredito que irei para reeleição porque é pouco tempo para trabalhar, quatro anos é pouco, imagine dois anos e meio. Acredito que precisarei de mais tempo para fazer as mudanças necessárias.

 

Thaisa Galvão – Juridicamente, você pode tentar reeleição? Fala-se que este já éo seu segundo mandato.

Francisco José Jr – Certeza que posso, até porque eu só tenho um diploma de prefeito proferido pelo TRE, e eu assumi de forma interina por determinação da Justiça Eleitoral que afastou a prefeita e se eu não assumisse que perderia meu mandato, teria que renunciar. E nós temos uma decisão do ministro Delgado, do TSE, afirmando que o presidente da Câmara assumindo um mandato tampão ele pode ir pra uma reeleição, assim como onze jurisprudências de Tribunais Regionais Eleitorais pelo país. Estamos bastante tranquilos e convictos que podemos ser candidato.

 

Thaisa Galvão – Numa disputa pela reeleição, quem você vai enfrentar pela frente? Rosalba, Sandra Rosado, Larissa Rosado, Fafá Rosado…outra briga de gigantes em Mossoró…

Francisco José Jr – Já foram duas brigas de gigantes. A primeira foi enfrentar a deputada Larissa, que saiu quase eleita da disputa com Cláudia Regina. Ela era a prefeita de fato e perdeu por uma diferença muito pequena, na reta final. E aí na suplementar ela tinha o reforço do PMDB mas nós conseguimos derrotar. E agora na estadual, além de toda a classe política, ainda teve o apoio de Cláudia e de Fafá e derrotamos novamente. Então a gente está tranquilo para enfrentar qualquer adversário. Não estamos preocupados com isso agora, mas qualquer que seja o adversário, se nossa administração estiver bem avaliada, e com certeza teremos também o apoio do governador Robinson Faria, então não estaremos mais sozinhos e acreditamos que chegaremos fortes numa reeleição.

Entrevista – Henrique Eduardo Alves

‘Dilma tem dois meses para mudar estilo de governar’

Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves afirma que a presidente reeleita tem de adotar nova forma de negociação com o Congresso imediatamente e descarta assumir um ministério no ano que vem

Presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves

MÁGOA – O presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, derrotado na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte: “O Lula nunca tinha visto o Robinson na vida dele. Se amanhã passar do lado, acho que o Lula nem o reconhece mais” (Pedro França/Agência Senado/VEJA)

Marcela Mattos, de Brasília

Na primeira semana depois das eleições, o Congresso Nacional deu um claro recado à presidente reeleita Dilma Rousseff (PT): derrubou o decreto bolivariano que criava conselhos populares em órgão públicos, convocou ministros e a presidente da Petrobras, Graça Foster, para prestar esclarecimentos em comissões e ensaia desengavetar propostas que causam dor de cabeça ao Planalto, como o chamado Orçamento Impositivo. Para Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara dos Deputados, Dilma precisa saber “conversar e “compartilhar mais” já nos próximos dois meses, quando encerra seu primeiro mandato. “Não pode ser como vinha sendo: o PT escolhendo o que quisesse, principalmente os melhores ministérios, e deixando o resto para os outros. Não pode e não deve ser assim. A presidente Dilma tem dois meses para provar que as coisas não vão ser assim”, afirmou. Depois de onze mandatos na Câmara, Alves foi derrotado na disputa pelo governo do Rio Grande do Norte e ficará sem mandato em janeiro. Nos últimos dias, seu nome passou a figurar na bolsa de apostas do futuro ministério de Dilma, o que ele descarta. Mas, como reza o anedotário político de Brasília, quando se quer um cargo de ministro, o melhor a fazer é afirmar justamente o contrário – diz a máxima que, a partir daí, seu nome passará ser lembrado constantemente. Leia a entrevista ao site de VEJA.

Como o senhor viu o apoio de Lula ao seu adversário Robinson Faria (PSD) na disputa ao governo do Rio Grande do Norte? Eu fui surpreendido. O Lula nunca tinha visto o Robinson na vida. Esqueceram de avisar que o Robinson que ele apoiou neste ano é o mesmo contra quem ele gravou em 2010. Se amanhã passar ao lado, acho que o Lula nem o reconhece mais. Enquanto eu era líder do PMDB, sempre que havia uma votação importante, o Lula me chamava para conversar e para negociar. Agora, ele grava uma entrevista em um formato de bate-papo elogiando o Robinson, dizendo que ele vai mudar o Rio Grande do Norte. Isso foi decisivo para a derrota, foram muitas inserções ao longo de vários dias.

O senhor chegou a procurar o PT pedindo que as gravações não se repetissem no segundo turno? Eu procurei o Michel Temer, que na hora telefonou para o Lula pedindo para que não gravasse mais. Tudo bem que a chapa do Robinson estava com o PT para o Senado, mas no plano nacional eu estava com a Dilma. Depois que pedi para pararem, foi quando usaram as propagandas desbragadamente. O Lula não deve ter feito nenhum gesto para pararem de usar. O Temer também procurou o Rui Falcão, mas não adiantou. Ficou uma coisa muito constrangedora. O Lula ia lá toda hora e classificava o outro candidato como a mudança. Mas sou eu que o conheço, eu que o ajudei, que fui o seu parceiro.

Então como fica a relação entre o PT e o senhor depois destas eleições? A Dilma teve outro comportamento. Eu disse que ela poderia ir lá no Estado que todos estaríamos ao lado dela. Mas também disse que ia entender se ela achasse melhor não ir, e ela realmente não foi. Não tenho nada a reclamar dela. Mas, com o Lula, eu vou fazer o quê? Tem de ter maturidade e experiência para virar essa página. Eu reconheço que a participação dele foi muito importante para o resultado eleitoral. Mas, com ressentimentos, ficamos menores. E eu não quero ficar menor com isso.

A derrubada do decreto de Dilma foi um troco ao PT? Essa afirmativa é desinformação ou má-fé. Essa matéria aguardava votação há três meses. Eu decidi pautá-la, fiz um pronunciamento defendendo que o decreto era inconstitucional, tentei diversas vezes que o Aloizio Mercadante o retirasse e apresentasse um projeto de lei com urgência. O que nós queríamos era tirar a vinculação dos conselhos à Presidência da República. Toda votação que se abria, a oposição começava a obstruir enquanto não pautasse o decreto. Na hora que deu para ser votado, a obstrução do PT não teve efeito. Se já era meu desejo que ele fosse votado e derrubado e a pressão estava grande, não teve como ser diferente. A Câmara ia ficar em um impasse sem votar nada? Mas isso não tem nada a ver com situação nenhuma. Eu já falei com a Dilma, dei parabéns pela eleição, e ela sequer tocou neste assunto. A presidente ainda disse que na próxima semana, quando voltar de viagem, gostaria de falar comigo porque ia precisar muito da minha ajuda.

O que o senhor acha que tem de mudar na relação entre Executivo e Legislativo no novo governo? A Dilma nunca foi parlamentar e nunca passou nesta Casa, como todos os outros presidentes passaram e sabem das tensões que temos aqui, da necessidade de dar respostas. Ela exerceu uma função gerencial e se tornou presidente da República. Eu acho que ela precisa conversar mais. Quando convencer, muito bem. Quando não, que seja convencida. Acho que ela vai partir para isso, para um modelo diferente do primeiro mandato. Até porque antes ela tinha um contexto eleitoral muito favorável, mas agora não, está dividido. E aqui, pelo radicalismo da campanha, é um prato cheio para o Aécio, porque as coisas vão se tornar ainda mais radicais. Mais do que nunca vai exigir a colaboração do PMDB e ela própria vai ter de conversar mais com o setor produtivo, com representantes empresariais, com o setor sindical e com parlamentares.

Este ano foi marcado por tensões entre a bancada do PMDB e o Planalto. O que o Michel Temer disse sobre o novo governo depois da reeleição? Nada. Mas agora a situação é outra. Fora da janela do Palácio do Planalto há um país dividido. E tem haver muito cuidado para que amanhã não haja uma crise. É preciso calçar a sandália da humildade. A Dilma, na reta final das eleições, quando precisou da ajuda do Nordeste, recorreu ao Lula. Até então quase não se via o Lula participar das eleições, ele estava mais focado na disputa de São Paulo. A Dilma tem de compartilhar mais, de participar mais. Não pode ser como vinha sendo, o PT escolhendo o que quisesse, principalmente os melhores ministérios, e deixando o resto para os outros. Não pode e não deve ser assim. A Dilma tem dois meses para provar que as coisas não vão ser assim.

Qual o caminho natural para a presidência da Câmara? Antes uma aliança entre o PT e o PMDB era importante porque juntava muitos votos e quase conseguia maioria. Era um rodízio que se impunha por serem as duas grandes bancadas da Casa. Agora mudou a configuração e essas duas legendas não fazem 140 votos. O fato de elas se entenderem não é nenhuma garantia de que farão o presidente da Casa. Deve-se buscar o candidato que reflete o sentimento da Casa, da independência, que procure angariar apoio tanto da base quanto da oposição. Há, hoje, um PMDB que não votou em Dilma. Nessa configuração confusa e muito dividida, acho que o discurso vencedor vai ser de quem falar pelo Parlamento. Eu acho inevitável que o PMDB procure a todos, oposição e governo, e caracterize o discurso de Parlamento.

Há hoje um nome alternativo ao Eduardo Cunha? Não. Ele é a indicação da bancada. O Eduardo tem credibilidade, é respeitado pelos parceiros, pelos adversários e cumpre acordos. É um nome muito forte.

O senhor está na Câmara há 44 anos. Está preparado para não viver mais essa rotina?Preparadíssimo. Eu passei a minha vida inteira morando em hotel sozinho, passava dois ou três dias com a família e viajava. Imagine o que é pegar um avião toda terça e quinta ao longo de todo esse tempo. Agora eu estou preocupado com a minha qualidade de vida. Eu tenho uma empresa de comunicação e vou ficar no comando do PMDB do meu Estado. Continuo na política. Mas quero ter mais qualidade de vida, fazendo o que eu gosto.

E a possibilidade de assumir algum ministério? Muitos querem que eu fique em Brasília. Há pressão nesse sentido pela experiência que eu tenho aqui. Eu poderia ficar fazendo um meio de campo entre o Michel Temer e o Eduardo Cunha. Mas a indicação que eu tenho agora é ter uma qualidade de vida melhor.

Então o senhor descarta tornar-se ministro? Descarto. Qualquer ministério. Ministério é pior, porque a gente tem de estar aqui de segunda a sexta. A política sacrifica muito a família. Eu tenho dois filhos que quase não vejo. A gente começa a ver que o tempo está passando e está perdendo algumas oportunidades. Então há coisas que vêm pelo bem. Eu tenho um jornal, uma TV e vou ter participação política, mas vivendo com mais estabilidade.

Quem poderia ser capaz de fazer esse meio campo e melhorar o diálogo com o Parlamento? O Jaques Wagner, ex-governador da Bahia, é uma boa pessoa. Ele é experiente, competente, malandro. Eu acho que ele vai para Relações Institucionais. A Dilma não pode mais correr riscos. O país está dividido.

Fonte: www.veja.com.br

Entrevista: ACM Neto

Prefeito de Salvador diz que o PT quer ser proprietário do Nordeste

Entrevista com o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), em Salvador (BA)

Um dos principais aliados do presidenciável Aécio Neves (PSDB) na região Nordeste, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), critica a estratégia petista de disseminar no eleitorado nordestino o “medo” de uma possível vitória do tucano.

Em entrevista à Folha, o neto do senador e governador baiano Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) diz que o PT “quer tomar para si a condição de proprietário” do Nordeste.

“Não vamos aceitar”, disse o prefeito, que ainda criticou o governador baiano Jaques Wagner (PT) por relativizar a importância do tema “corrupção” na disputa presidencial:

Folha – Há cerca de 20 dias, o cenário da eleição era outro. O presidente do DEM, José Agripino, defendeu o apoio a Marina Silva no 2º turno. O sr. também disse que apoiaria Marina, caso Aécio não tivesse sucesso. Não acreditavam mais em Aécio?
ACM Neto – A declaração de Agripino foi distorcida. Em nenhum momento ele deixou de ter confiança na ida de Aécio para o segundo turno. Eu também mostrei toda minha confiança. O que disse foi que o mais importante era tirar o PT do poder.
Sempre estive nesse projeto muito menos por expectativa de poder e muito mais por compromisso de vida. Estou há dez anos na oposição e mantive minha coerência. Aécio se preparou para ser presidente e ocupou funções públicas de forma muito honrada. E, com todo o respeito que tenho aos candidatos de oposição que nos lideraram em outras eleições, ele é o mais preparado.

A presidente Dilma teve mais que o dobro de votos de Aécio no Nordeste no 1º turno. Como reverter esse cenário?
Procuramos fazer o esforço máximo. Crescemos em relação a 2010 no primeiro turno e queremos crescer mais no segundo turno. O desempenho de Aécio no Nordeste foi superior ao de Serra em 2010. O fundamental é enfrentar a tática do medo e mostrar que qualquer alinhamento tem que ser programático. Também acho inadmissível a tática do PT de querer dividir o Brasil. E o único capaz de unificar o Brasil é Aécio. Ele, aliás, foi o único candidato que desenhou um plano específico para o Nordeste.
Aécio vai ter um olhar muito especial para o Nordeste. Isso incomoda o PT porque eles querem chamar para si a condição de donos, de proprietários de uma região. E, isso, não vamos aceitar.

O ex-presidente FHC afirmou que o PT se apoia em “setores sobretudo mal informados”. O sr. concorda?
Não acho, de jeito nenhum. Acho que a fala de FHC foi descontextualizada e não vamos aceitar essa injustiça que o PT procurou fazer com o ex-presidente. Refuto qualquer tentativa de dividir regiões e classes sociais. Isso não existe. Tanto é que a gente encontra eleitores do PT nas classes economicamente mais avantajadas e antipetistas nas classes mais pobres. Não acho que seja divisão de classe.

O DEM tinha uma meta de eleger 30 deputados e um governador. Elegeu 22 deputados e nenhum governador. Onde o partido errou nas eleições?
Todos os deputados do partido que disputaram foram reeleitos. E Ronaldo Caiado [DEM-GO] e Davi Alcolumbre [DEM-AP] agora são senadores. Por isso, acho que o partido teve uma estratégia mais corajosa, pensando no médio e no longo prazo. Temos cinco senadores, podendo chegar a seis, se Aécio for eleito, 22 deputados e algumas prefeituras importantes como Salvador e Aracaju. Passada a eleição, vamos fazer um conjunto de debates para refinar a estratégia de futuro do partido.

O futuro passa por uma fusão?
Isso não está em pauta. Não quero nem descartar nem carimbar nenhuma hipótese. Vamos esperar passar a eleição e refletir as alternativas para o partido ganhar força e crescer. Mas estamos tranquilos. Nosso capital é importante, sobretudo pelo valor dos quadros do partido. O partido está unido, coeso e tem grandes quadros.

O governador Jaques Wagner disse que a corrupção é um tema rejeitado pela população. O sr. concorda com ele?
O PT, infelizmente, procurou banalizar o tema corrupção numa tentativa de nivelar todos os políticos por baixo. O governador [Jaques Wagner] certamente é uma das últimas pessoas que têm autoridade para falar sobre corrupção. Seja por sua relação direta com os petistas envolvidos em escândalos recentes, seja pelo fato de ter colocado [o ex-presidente da Petrobras] José Sérgio Gabrielli como um secretário forte de seu governo.
Essa nomeação traz para o governo da Bahia essa conexão com o escândalo da Petrobras, empresa que é o maior patrimônio dos brasileiros, mas que foi tomada de assalto pelo governo petista.

Considera correta essa estratégia de opor as candidaturas no campo ético?
Isso não é uma estratégia, é um fato. Os petistas estão atrás das grades, fruto do mensalão, e agora estão envolvidos com o escândalo da Petrobras. Os fatos mostram quem são os políticos que estão do lado de uma verdadeira mudança, da defesa de um novo momento da política, e aqueles que são o símbolo da corrupção na história recente da política brasileira.

Aécio tem uma trajetória política tradicional. Porque ele representaria um novo momento na política?
Aécio está disposto a fazer reformas e promover mudanças extremamente profundas. Não é mais possível continuar com um tipo de relação do poder Executivo com o Legislativo que foi construída pelo PT na base do toma-lá-dá-cá, da cooptação dos partidos, na base da troca de favores.
Aécio está determinado a promover essa ruptura. Ele vai não só usar toda sua força e capital político para promover uma reforma política, mas estabelecer uma relação com o Legislativo acerca de ideais e propostas. O tipo de relação [com o Congresso] construída pelo PT é a causa dos principais escândalos do governo petista.

Caso eleito, Aécio deve buscar o apoio do PMDB?
O Aécio deve dialogar com todo os partidos e com todos os deputados e senadores que queiram discutir um projeto para o Brasil. A maioria congressual ele terá por um reconhecimento de deputados e senadores do resultado das urnas, do que a sociedade está indicando.
As negociações têm que se dar em torno da pauta que for encaminhada para o Congresso. Tenho a confiança de que, eleito, Aécio vai reunir capital político necessário para ter uma maioria em torno das propostas que são desejadas pela sociedade.

O que o senhor defende como reforma política?
É fundamental rever a quantidade de partidos políticos. Não dá mais para ter essa facilidade para criação de um partido. Sou a favor do fim da reeleição, com mandato de cinco anos e com coincidência de eleições. Eleição de dois em dois anos é um problema.
É preciso acabar com a mercantilização do tempo de TV e reforçar a fidelidade partidária. A reforma tem que fortalecer os partidos.

Fonte: www.folha.com.br