José Adécio e o fantasma da cassação

Deputado corre o risco de perder o mandato 

Por Thaisa Galvão
Com a inelegibilidade sentenciada nesta sexta-feira pelo juiz de Pedro Avelino, Otto Bismarck, em decisão ainda em primeiro grau, o deputado José Adécio poderá começar o mandato em fevereiro sob os efeitos do fantasma da cassação.
Assim como aconteceu com o deputado Dibson Nasser, eleito para o mandato que se encerra no final de janeiro.
Nos 4 anos, Dibson conviveu com o tal fantasma, tendo sido afastado mais de uma vez, e por período que ultrapassou um ano, tendo como substituto o suplente José Adécio.
A sentença do juiz Otto Bismarck, que torna José Adécio inelegível por 8 anos subsequentes ao pleito de 2012, não tem efeito suspensivo, logo, não afeta a eleição recente do democrata que, no primeiro turno apoiou a candidatura de Henrique Alves ao Governo, mas no segundo, depois de tecer críticas à coordenação da campanha, passou a apoiar o governador eleito Robinson Faria (estaria uma coisa relacionada a outra?).
Não afeta…a não ser que alguém entre com recurso contra a expedição do diploma do deputado.
Se tem alguém sonhando em tomar posse no lugar de José Adécio…aí é outra história.
Suplente para isso é o que não falta.
Entenda o caso:
O juiz da comarca de Pedro Avelino, Otto Bismarck Nobre, condenou à inelegibilidade “por 8 anos subsequentes ao pleito de 2012″, o deputado eleito José Adécio, sua esposa, ex-prefeita do município, Neide Suely e Joaldo Bezerra da Costa.
Neide e Joaldo foram candidatos em 2012 e denunciados por prática de abuso de poder.
A denúncia aponta ainda que, como dirigente da Ceasa, José Adécio atuou na contratação de empresa nas áreas de limpeza e segurança, onde, apesar da Ceasa ser na capital, 85% dos cargos comissionados eram de Pedro Avelino, o que conotou o vínculo do emprego ao voto na candidata à prefeita esposa de Adécio.
Apesar da derrota da chapa apoiada pelo então diretor da Ceasa, o processo seguiu e foi julgado nesta sexta-feira, mais de dois meses depois de José Adécio ter sido eleito deputado estadual.

LAVA-JATO – O “Dia do Juízo Final” e o Apocalipse do petismo

Artigo

Por Reinaldo Azevedo

Diga-se pela enésima vez: o PT não inventou a corrupção. É claro que não! O que o partido fez foi transformá-la num sistema e alçá-la à categoria de uma ética de resistência. Nesse particular, sem dúvida, inovou. Se, antes, a roubalheira generalizada era atributo de larápios, de ladrões, de safados propriamente, ela se tornou, com a chegada dos companheiros ao poder, uma espécie de imperativo do “sistema”. Recorrer às práticas mais asquerosas, contra as quais o partido definiu o seu emblema na década de 80 — “Ética na política” —, passou a ser chamado de “pragmatismo”.

Observem que o partido não se tornou “pragmático” apenas nessas zonas em que a ação pública se transforma em questão de polícia. Também a sua política de alianças passou a ter um único critério de exclusão: “Está do nosso lado ou não?”. Se estiver, pouco importa a qualidade do aliado. Inimigos juramentados de antes passaram à condição de fieis aliados. O símbolo dessa postura, por óbvio, é José Sarney. No ano 2000, Lula demonizava Roseana nos palanques; em 2003, os petistas celebraram com a família uma aliança de ferro.

Os demônios que vão saindo das profundezas da Petrobras são estarrecedores. Não se trata, como todos podemos perceber, de desvios aqui e ali, como se fossem exceções a regras ancoradas no rigor técnico. Não! A corrupção era, tudo indica, sistêmica; não se tratava de um corpo estranho; era ela o organismo. E, convenham, parece que não havia valhacouto mais acolhedor e seguro do que a estatal. A Petrobras, com a devida vênia, nunca foi exatamente um exemplo de transparência, já antes de Roberto Campos ter-lhe pespegado a pecha de “Petrossauro”.

Em nome do nacionalismo mais tosco — antes, meio direitoso, com cheiro de complexo burocrático-militar; depois, com o viés esquerdoso, tão bocó como o outro, só que ainda mais falsificado —, há muitos anos a empresa se impõe ao país, não o contrário. Não foram poucas as vezes em que mais a Petrobras governou o Brasil do que o Brasil, a Petrobras. Com a chegada do PT ao poder, o que já era nefasto ganhou ares de desastre.

A empresa passou a ser o “bode exultório” — que é o oposto do “bode expiatório” — da esquerdofrenia petista. E porque o partido é esquerdofrênico? Porque o estatismo advogado pelos “companheiros” só pode ser exercido, como é óbvio, com o concurso do capital privado, com o auxílio de alguns potentados da economia, com o amparo de quem reúne a expertise para tocar a infraestrutura. E o resultado é o que se tem aí.

Não vou livrar a cara das empreiteiras, não. Quem não quer não corrompe nem se corrompe. Mas não dá para esquecer o depoimento de Alberto Youssef ao juiz Sérgio Moro, em que sobressaem duas informações importantes:
1) o doleiro afirmou que era pegar ou largar; ou as empreiteiras aceitavam pagar o preço — ou melhor, incluir a propina no preço —, ou estavam fora do jogo; e boa parte preferiu jogar;
2) indagado por Moro se as empreiteiras costumavam cumprir a sua parte no acordo, Youssef disse que sim. E explicou os motivos: ela tinham muitos interesses em outras áreas do governo, não apenas na Petrobras. Afinal, também constroem hidrelétricas, estradas, infraestrutura de telecomunicações etc.

Assim, duas conclusões se fazem inevitáveis:
1) as empreiteiras, tudo indica, atuaram como corruptoras, sim, mas é razoável supor que falavam a linguagem que o outro lado queria ouvir;
2) não há por que o padrão de governança das demais estatais e órgãos públicos federais ser diferente. Como já afirmei neste blog muitas vezes, estamos diante de um método, não de um surto ou de um lapso da razão.

Governo em parafuso
Já está mais do que evidente, a esta altura, que Lula e Dilma foram suficientemente advertidos para parte ao menos dos descalabros. Os que se lançaram a tal empreitada, talvez ingenuamente, imaginavam que a dupla não sabia de nada. A questão, meus caros, desde  sempre, é outra: havia como não saber? Tendo a achar que não. O TCU alerta, por exemplo, para os desvios da refinaria de Abreu e Lima desde 2008.

Recorram aos arquivos. A partir de 2010, o então presidente Lula começou a atacar os órgãos de fiscalização e controle, muito especialmente o TCU. No dia 12 de março daquele ano, foi ao Paraná inaugurar a primeira etapa das obras de modernização e ampliação Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. O Tribunal de Contas havia recomendado a suspensão de verbas para a Repar justamente por suspeita de fraude e superfaturamento. Lula não deu pelota e ainda atacou o TCU. Leiam:
“Sou favorável a toda e qualquer fiscalização que façam, até 24 horas, via satélite. Acontece que as coisas são complicadas. Muitas vezes, as pessoas levantam suspeitas de uma obra, paralisam a obra e, só depois da obra paralisada, chegam à conclusão de que está correta. Quem paga o prejuízo da obra paralisada? Não aparece. O povo brasileiro paga porque não tem obra”.

Pois é… Vejam quanto “o povo brasileiro” está pagando pelo método Lula de fazer política.

O terremoto que está em curso abalou as empreiteiras, aquelas que ou pagavam a propina ou ficavam fora do negócio.. Pesos pesados do setor estão na cadeia, alguns em prisão preventiva, e outros, em prisão provisória. Mas estamos bem longe do topo na escala. Estima-se que o esquema possa enredar nada menos de 70 políticos, muitos deles com mandato. A delação premiada pode devastar parte considerável da classe política brasileira. E, aí sim, talvez saibamos o que é a terra a tremer.

E a gente se espanta ao constatar que o segundo mandato de Dilma ainda não começou. Talvez só em janeiro muita gente se dê conta de que pode haver mais quatro anos de mais do mesmo, só que num cenário à beira do abismo.

Policiais Federais chamaram esta sexta de “Dia do Juízo Final”, que é apenas uma passagem do Apocalipse!

Fonte: www.veja.com.br

Petrolão: nova fase da Lava Jato atinge o clube do bilhão

Escândalo de corrupção na Petrobras leva à cadeia representantes de oito das maiores empreiteiras do país e mais um ex-diretor da estatal ligado ao PT

Rodrigo Rangel e Hugo Marques
CHEFE – Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, preso na sexta-feira passada: o "capo" do cartel da Petrobras gostava de repetir que tinha um único amigo no governo – "o Lula"

CHEFE – Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, preso na sexta-feira passada: o “capo” do cartel da Petrobras gostava de repetir que tinha um único amigo no governo – “o Lula” (Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo) Em um país de instituições mais frágeis, a prisão por suspeita de corrupção de altos

Em um país de instituições mais frágeis, a prisão por suspeita de corrupção de altos executivos das maio­­res empresas nacionais não se efetivaria nunca ou produziria uma crise institucional profunda. Antes, portanto, de entrarmos nos detalhes dessa pescaria da Polícia Federal em águas sujas da elite empresarial, celebremos a maturidade institucional do Brasil — a mesma que foi posta à prova e passou com louvor quando o Supremo Tribunal Federal (STF) mandou para a penitenciária a cúpula do partido no poder responsável pelo escândalo do mensalão.

Esse senhor pesadão, bem vestido, puxando uma maleta com algumas mudas de roupa e itens de higiene pessoal, não está se dirigindo a um hangar de jatos executivos para mais uma viagem de negócios. Ele está sendo conduzido por policiais para uma temporada na cadeia. A foto ao lado mostra o engenheiro Ricardo Pessoa, dono da empreiteira UTC, apontado por investigações da Operação Lava-Jato como o “chefe do clube”. Um clube muito exclusivo, diga-se. Dele só podiam fazer parte grandes empresas que aceitassem as regras do jogo de corrupção na Petrobras. Por mais de uma década, os membros desse clube se associaram secretamente a diretores da estatal e a políticos da base aliada do governo para operar um dos maiores esquemas de corrupção já desvendados no Brasil — e, por sua duração, volume de dinheiro e penetração na mais alta hierarquia política do país, talvez um dos maiores do mundo.

Dono de uma holding que controla investimentos bilionários nas áreas industrial, imobiliária, de infraestrutura e de óleo e gás, Pessoa foi trancafiado numa cela da carceragem da Polícia Federal. Ele e outros representantes de grandes empreiteiras que se juntaram para saquear a maior estatal brasileira e, com o dinheiro, sustentar uma milionária rede de propinas que abasteceu a campanha de deputados, senadores e governadores — e, mais grave ainda, segundo declaração do doleiro Alberto Youssef à Justiça, tudo isso teria se passado sob o olhar complacente do ex-presidente Lula e de sua sucessora reeleita, Dilma Rousseff.

Na ação policial de sexta-feira foram presos dirigentes de empresas que formam entre as maiores e politicamente mais influentes do Brasil: OAS, Camargo Corrêa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, UTC, Engevix, Iesa e Galvão Engenharia. Essas companhias são responsáveis por quase todas as grandes obras do país. Os policiais federais vasculharam as salas das empresas ocupadas pelos suspeitos presos e também suas casas. Embora tendo executivos seus citados por Youssef e Paulo Roberto Costa, o e­­x-diretor da Petrobras preso em março, que está contribuindo nas investigações, não foram alvos das investidas policiais da sexta-feira passada dirigentes de outros dois gigantes do ramo: a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. O juiz Sergio Moro recebeu pedido dos procuradores para emitir ordem de prisão contra dois altos executivos da Odebrecht. Negou os dois, mas autorizou uma incursão na sede da empresa em busca de provas.

Márcia Poletto/Agência o Globo

O ELO – Renato Duque, ex-diretor da Petrobras, que cobrava 3% de propina para o PT: preso depois que a Polícia Federal descobriu que ele tinha contas secretas no exterior

“Hoje é um dia republicano. Não há rosto e bolso na República”, declarou o procurador Carlos Fernando Lima, integrante da força-tarefa encarregada da Lava-Jato, a origem da investigação.

No rol dos empreiteiros caçados pela polícia estavam megaempresários, como Sérgio Mendes, da Mendes Júnior, João Auler e Eduardo Hermelino Leite, da Camargo Corrêa, Ildefonso Colares Filho e Othon Zanoide, da Queiroz Galvão, Léo Pinheiro, da OAS, e Gerson Almada, da Engevix. Uma parte dos alvos não havia sido localizada pela polícia até o fim da tarde de sexta. Alguns estavam em viagem no exterior e foram incluídos na lista de procurados da Interpol. O juiz Moro bloqueou 720 milhões de reais em bens dos investigados.

O papel central de Ricardo Pessoa, da UTC, no esquema foi detectado logo no princípio das investigações. Não demorou muito para que os policiais e procuradores não tivessem mais dúvida. Aos curiosos com sua prosperidade crescente nos últimos anos, Ricardo Pessoa dava uma explicação que, até o estouro do escândalo, parecia apenas garganta: “Só tenho um amigo no governo: o Lula”. Pessoa coordenava o cartel, do qual participavam treze empreiteiras. Esse grupo de privilegiados se encontrava para decidir o preço das obras na Petrobras, dividir as responsabilidades pela execução de cada uma delas — e, o principal, o valor da propina que deveria sobrar para abastecer os escalões políticos. Tecnicamente, esse era o grupo dos corruptores. Os diretores da Petrobras participantes do esquema eram os corruptos. De cada contrato firmado com a Petrobras, os empresários recolhiam 3% do valor, que se destinava a um caixa clandestino. O pagamento era feito de diversas maneiras: em dinheiro vivo e em depósitos no exterior ou no Brasil mesmo, em operações maquiadas como prestação de serviços, principalmente de consultoria — um termo vazio de significado, mas que transmite um certo ar de austeridade e necessidade.

As empreiteiras do esquema firmavam contratos de consultoria com empresas de fachada que embolsavam o dinheiro e davam notas fiscais para “limpar” as operações, que pareciam protegidas por uma inexpugnável confraria de amigos posicionados nos lugares certos em Brasília e na Petrobras. Os recursos desviados abasteciam o PT, o PMDB e o PP, os três principais partidos da base de apoio do governo federal. A investigação mapeou o caminho da propina paga por várias das integrantes do clube. Entre 2005 e 2014, o grupo OAS, por exemplo, repassou pelo menos 17 milhões em propinas apenas por meio do doleiro Alberto Youssef.

Além dos empreiteiros e de seus principais executivos, também foi preso o ex-diretor da Petrobras Renato Duque, apontado como o homem que, no fatiamento da propina, cuidava da parte que cabia ao PT. Esse elo que a polícia começa a fechar entre o diretor corrupto e a empresa corruptora tem atormentado deputados, senadores petistas e altos dirigentes do governo. Funcionário de carreira, Duque entrou na Petrobras em 1978 — um ano depois de Paulo Roberto Costa — por concurso. Galgou alguns postos ao longo de sua trajetória, mas sua nomeação como diretor, em 2003, surpreendeu a todos. Duque era, então, chefe de setor, alguns níveis hierárquicos abaixo da diretoria. Nunca antes na história da Petrobras um chefe de setor havia ascendido sem escalas à cúpula. A explicação logo se tornou pública. Duque era o escolhido de José Dirceu, com quem tinha um relacionamento antigo. Discreto e de temperamento afável, Duque procurava não ostentar. Entre 2003 e 2012, ele reinou absoluto na diretoria de Serviços. Paulo Roberto Costa revelou à Justiça que, por lá, 3% do valor dos contratos era repassado exclusivamente ao PT.

VEJA

EXPLOSÃO – Fernando Baiano: o lobista, que está foragido, ameaça contar o que sabe e elaborou uma lista com beneficiários de propina ligados ao PMDB

A polícia já descobriu onde estão as contas bancárias que receberam parte desses recursos. Elas foram identificadas por Julio Camargo, dirigente da Toyo, outra empreiteira envolvida no escândalo, que também fez acordo com a Justiça para contar o que sabe. E ele sabe muito, principalmente sobre a distribuição de dinheiro ao partido que está no governo há doze anos e a alguns de seus altos dirigentes. Foi com base no depoimento de Julio que a polícia decidiu pedir a prisão temporária de Duque e colocar outro funcionário da Petrobras no radar: Pedro José Barusco, que atuou como gerente de engenharia. Barusco só não foi preso porque propôs um acordo de delação premiada. Os policiais também chegaram a uma personagem que leva o escândalo ao coração do PT: Marice Correa de Lima, cunhada de João Vaccari, tesoureiro do partido, outro investigado. Marice lidava com o que o doleiro Youssef chama de “reais vivos”. Em dezembro do ano passado, a cunhada do tesoureiro do PT recebeu no apartamento onde mora, em São Paulo, 110 000 reais. Origem das cédulas: a construtora OAS. Marice é também mais um elo a ligar o petrolão ao mensalão. A petista apareceu nas investigações do grande escândalo do governo Lula como encarregada de pagamentos. Outro alvo da operação de sextafeira, o lobista Fernando Soares, o Baiano, é apontado como o arrecadador do PMDB na Petrobras. Baiano estava foragido. Sua prisão vai ajudar a esclarecer outras frentes de corrupção na estatal — entre elas, a rede de propinodutos instalada no negócio da compra da refinaria de Pasadena, no Texas. E os resultados da Operação Lava-Jato estão apenas começando a aparecer.

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Outros destaques de VEJA desta semana

Coluna Painel – UOL/FOLHA

Ligação entre ex-diretor da Petrobras e tesoureiro do PT preocupa Planalto

Laços do passado Apesar de esperada há meses no Planalto, a prisão de Renato Duque provoca calafrios entre auxiliares de Dilma Rousseff e dirigentes do PT. Eles relatam que será impossível camuflar as ligações entre o ex-diretor da Petrobras e o tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Assim como Paulo Roberto Costa, Duque também não foi oficialmente demitido da Petrobras, mas renunciou ao cargo, conforme ata de reunião do conselho de administração da estatal do dia 2 de maio de 2012.

Volte sempre O conselho, presidido pelo ministro Guido Mantega (Fazenda), fez a Duque os mesmos agradecimentos que fez a Costa, pelos relevantes serviços prestados à companhia no desempenho de suas funções.

Vai ter bolo Ao se referir ao grau de intimidade entre Duque e Vaccari, petistas lembram que o tesoureiro do partido compareceu, inclusive, ao casamento de uma das filhas do ex-diretor da Petrobras, realizado no Rio.

De casa Diferentemente da prisão de Paulo Roberto Costa, a de Duque abateu o corpo técnico da Petrobras, por se tratar de um funcionário com mais de 20 anos de carreira, respeitado na estatal. A empresa está de luto, relata um conhecedor.

Cientista… No despacho em que autoriza as prisões de ontem da Operação Lava Jato, o magistrado Sergio Moro se permite uma reflexão: celebra que as investigações receberam apoio de Dilma Rousseff e de Aécio Neves.

… político Apesar de adversários políticos na recente eleição presidencial, ambos, em consenso, afirmaram, na interpretação deste julgador, a importância do processo para o quadro institucional, escreveu o juiz.

Thriller Do advogado de Alberto Youssef, Antônio Figueiredo Basto, sobre os desdobramentos de ontem: Essa operação toma uma dimensão surpreendente até para nós que acompanhamos o caso desde o início.

Pow! Todos os contratos assinados pelas empreiteiras investigadas pela Polícia Federal com a MO Consultoria, empresa do doleiro preso, foram redigidas na fonte Comic Sans estilo usado em histórias em quadrinhos.

Bola… A surpresa do Palácio do Planalto com o novo sorteio que definiu Gilmar Mendes como relator das contas de campanha eleitoral de Dilma não se justifica.

… nas costas Há mais de um mês está na mesa da presidente a lista tríplice para a vaga do ex-relator, Henrique Neves, cujo mandato terminou na quinta-feira.

Replay Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso almoçaram juntos depois do ato de ontem. Ao deixar o restaurante, nos Jardins, o ex-presidenciável tucano foi aplaudido, e agradeceu nos mesmos termos que fez no evento do PSDB.

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Desapega De um peemedebista sobre a resistência de ministros em colocar os cargos à disposição: “Tem gente que vai dizer que a carta de demissão foi extraviada pelos Correios. Outros vão mandar carta ao Papai Noel: ‘Não esqueça o meu ministério’”.

Visitas à Folha Rodrigo Janot, procurador-geral da República, visitou ontem a Folha, onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Eduardo Pelella, chefe de gabinete, Fábio Moreira, secretário-executivo, e Renata Martinelli, secretária-adjunta de comunicação.

Cassio Clemente, diretor-presidente da Apae, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Isa Degaspari, gerente de desenvolvimento institucional, e Cláudia Santos, assessora de imprensa.


TIROTEIO

O PT é contraditório. Pede reformas que ele mesmo não fez em 12 anos de Planalto e ataca a direita, que participa do seu governo.

DO DEPUTADO SILVIO TORRES (PSDB-SP), sobre as bandeiras levantadas nas manifestações feitas por entidades próximas do partido durante a semana.


CONTRAPONTO

Tietagem pós-eleitoral

Aécio Neves (PSDB) fez ontem sua primeira visita a São Paulo desde a derrota na disputa presidencial de outubro. Veio agradecer os quase sete milhões de votos de vantagem que teve sobre Dilma Rousseff (PT) no Estado.

Recebido em uma sala de cinema em um centro comercial na avenida Paulista, o tucano se disse surpreso com a quantidade de pessoas que enchiam o local.

—Eu imaginava algo menor, com trinta pessoas, em que eu pudesse pegar na mão de cada um…— disse.

Da segunda fileira da plateia, uma tiete gritou:

—Pode pegar na minha, senador!

Fonte: www.uol.com.br

CONTAS PÚBLICAS

O GOVERNO NÃO FEZ SUA PARTE

Elviro

Elviro Rebouças é economista e empresário

Eu era menino, estudando no hoje centenário Colégio Diocesano Santa Luzia, de Mossoró, início da década de sessenta, quando mencionaram em comentários a frase “Le Brésil n’est pas un pays serieux” – “O Brasil não é um país sério” – atribuída ao grande Presidente francês Charles de Gaulle, por ocasião da chamada guerra da lagosta.. Vem muito bem a calhar em momentos recorrentes da história nacional nos últimos tempos. Ganha particular relevo quando formulada pela figura mais respeitada da política francesa no século XX e reserva moral da velha democracia europeia.

Quando agora o Palácio do Planalto, só com 15 dias depois das eleições presidenciais vencidas, em renhido segundo turno, por uma mínima margem de votos pela ocupante atual do governo, a Presidente Dilma Rousseff, e até então o governo tentava aparentar céu de brigadeiro ao orçamento da república, propõe mudar a Lei de Diretrizes Orçamentárias porque não conseguiu poupar o prometido para o serviço da dívida, quebrando a coluna mestra do corpo da Lei de Responsabilidade Fiscal, em vigor desde 05.05.2000, no governo de Fernando Henrique Cardoso e que orienta e é principal instrumento das contas públicas do Brasil, e que vinha sendo cumprida à risca até agora, passando, inclusive por oito anos do mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A Ministra do Planejamento Miriam Belchior nega que seja ‘cheque em branco’ e alega necessidade de gastar mais- sua frase textual é exótica, para não dizer extravagante: “Não temos como cravar uma meta neste momento, porque a receita está muito errática”. Sinceramente é tempo de relembrar o dito pelo majestoso estadista que a França apresentou ao planeta, embora eu, particularmente, fique incomodado, como brasileiro, toda vez que ouço ou leio essa menção, desde os tempos de colégio. Para evitar o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o governo enviou ao Congresso projeto que permite abatimento de todas as despesas com PAC e desonerações da meta de superávit primário. Esses gastos somam R$ 138 bilhões este ano, mais que os R$ 116,1 bilhões de esforço fiscal até então prometido. Na prática, a mudança dá aval para o país ter déficit, ou seja, gastar mais do que arrecada. Analistas temem que a piora nas contas públicas leve ao rebaixamento do Brasil por agências de rating. – Objetivamente, a mudança desobriga o governo de fazer qualquer esforço fiscal este ano, uma vez que, juntos, esses gastos já somam R$ 138 bilhões (R$ 54 bilhões com PAC e R$ 84 bilhões com desonerações). Isso é mais do que a meta definida para o governo federal na LDO, de R$ 116,1 bilhões. A mudança proposta pelo governo foi criticada por analistas do mercado. Eles avaliam que o governo desmontou uma das pernas do tripé da política macroeconômica, que é justamente a realização de superávits primários, e apontam o risco de o Brasil sofrer um novo rebaixamento pelas agências de classificação de risco. No auge da crise mundial, em 2009, quando os incentivos eram cruciais, o esforço fiscal do governo foi de 2,06% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Para o mercado, seria melhor que o governo reconhecesse que não vai cumprir a meta de superávit. Com receitas em queda e despesas em alta, o setor público acumula um déficit primário de R$ 15,3 bilhões até setembro. É a tal história – Essa emenda saiu pior do que o soneto. Isto pode ser um enorme telhado de vidro para o Brasil. Embora o mercado e a oposição tenham feito contas indicando que o resultado primário de 2014 pode ser um déficit, a ministra afirmou que a equipe econômica não abaterá todos os investimentos do PAC, como permite a proposta. Os analistas também apontam que a deterioração das contas públicas em 2014 tornará praticamente impossível para o governo realizar o superávit primário de 2% a 2,5% do PIB fixado na LDO de 2015. No entanto, a ministra do Planejamento evitou tocar no assunto. Segundo ela, os novos parâmetros econômicos para 2015 serão enviados ao Congresso ainda em novembro, mas ela não quis dizer se será mudada a meta de superávit de 2015. Na exposição de motivos encaminhada ao Congresso, o Executivo ressalta que a previsão de crescimento da economia brasileira foi revisada ao longo deste ano em relação à utilizada no início de 2013. O governo diz ainda que outros países também estão revisando suas estimativas de crescimento. Considerando o setor público consolidado, que inclui estados e municípios, a meta de superávit prevista na LDO de 2014 chega a R$ 167,4 bilhões, ou 3,1% do PIB. Mas a lei desobriga o governo federal de cumprir a meta dos demais entes. Ao longo do ano, o governo já tinha revisto o compromisso fiscal para baixo e se comprometeu a fazer uma meta de R$ 99 bilhões. Enquanto a oposição ameaça dificultar a aprovação da mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2014, que desobriga o governo de fazer superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida) este ano, a base governista se articula para aprovar a medida em tempo recorde. O notável poeta e filósofo inglês William Shakespeare dizia, meu caro leitor, “Quem me rouba a honra priva-me daquilo que não o enriquece e faz-me ser verdadeiramente POBRE.” Você concorda com ele?

Família de Diran Ramos do Amaral agradece

Lúcia Rosado fala em nome de sua família

Lúcia Rosado agradece homenagem ao nome de Diran Amaral – Foto e vídeo: iPad Skarlack

O destaque na solenidade de entrega da obra de reforma do Terminal Rodoviária Diran Ramos do Amaral, na tarde desta sexta-feira, 14, foi o agradecimento de Lúcia Rosado, mãe do filhos do ex-empresário de saudosa memória.

Ela emocionou-se e emocionou aos presentes, com seu agradecimento objetivo, sintético, porém, tocante.

Veja o agradecimento:

Há 20 dias, VEJA publicou na capa a notícia ratificada pelo editorial do Estadão: Lula e Dilma sabiam da corrupção na Petrobras

Editorial do Estadão confirma capa da Veja

Por Augusto Nunes

ELES SABIAM DE TUDO, informou VEJA na edição distribuída em 24 de outubro, dois dias antes da eleição presidencial. “Eles” eram Lula e Dilma Rousseff, cujos rostos dividiam a capa da revista. “Tudo” resumia o aluvião de maracutaias protagonizadas por um bando de corruptos que, protegido pelo governo ao qual servia, reduziu a Petrobras a uma usina de negociatas bilionárias.

Na mesma sexta-feira, a candidata a um segundo mandato usou seis minutos do último dia da propaganda na TV para enfileirar falácias, pretextos e desculpas que, somadas, davam zero. Durante o palavrório, ameaçou o mensageiro da má notícia com uma ação judicial que jaz no mausoléu das bravatas eleitoreiras.

O fabricante do poste que desgoverna o país esperou alguns dias para jura, fantasiado de repórter de TV, que VEJA é um partido político que sonha obsessivamente com o extermínio do PT. O conto da imprensa golpista é a mais recente invenção do vigarista decadente. Um grupo de devotos da seita liberticida nem aguardou que fosse aplicado para desempenhar o papel de otário. Já no dia 24, pichadores companheiros exercitaram a vocação para o vandalismo nas imediações da sede da Editora Abril.

“Lula e Dilma sempre souberam”, ratificou nesta sexta-feira o editorial do Estadão. Exemplares do jornal começavam a chegar aos assinantes quando também começou a ofensiva da Polícia Federal que resultou na captura de outra leva de saqueadores da Petrobras. Desta vez, como se verá no próximo post, juntaram-se à população carcerária figurões de empreiteiras corruptoras, além de outro ex-diretor da estatal apadrinhado por José Dirceu.

O editorial sobre o maior escândalo político-policial ocorrido desde a chegada das caravelas não surpreendeu os leitores de VEJA, que acompanham desde março a cobertura da espantosa procissão de abjeções descobertas pela Operação Lava-Jato. As revelações vêm acelerando perigosamente os batimentos do coração do poder. O fechamento do cerco aos quadrilheiros do Petrolão vai chegando aos chefões. O enfarte parece inevitável.

“Em janeiro de 2010, quando ocupava a Presidência da República e Dilma Rousseff era ministra-chefe da Casa Civil, Lula vetou os dispositivos da lei orçamentária aprovada pelo Congresso que bloqueavam o pagamento de despesas de contratos da Petrobrás consideradas superfaturadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Lula sabia exatamente o que estava fazendo, tanto que se empenhou em justificar longamente sua decisão, na mensagem de veto encaminhada ao Congresso. E é impossível que Dilma Rousseff ignorasse o assunto, pois o veto foi encaminhado ao Congresso pela Mensagem n.º 41, de 26/1/2010, da Casa Civil.

Até um cego enxerga que os governos petistas permitiram, quando não estimularam, as irregularidades na Petrobrás. E agora está claro e confirmado que Lula e Dilma não desconheciam o assalto à maior empresa brasileira. Tudo está registrado no Diário Oficial da União.

As evidências são abundantes, resultado do trabalho do TCU, da Controladoria-Geral da União (CGU), da Polícia Federal (PF) e também do Congresso Nacional. E agora a empresa holandesa SBM Offshore, fornecedora da Petrobrás, faz um acordo com o Ministério Público de seu país pelo qual pagará US$ 240 milhões em multas e ressarcimentos para evitar processo judicial por corrupção por ter feito “pagamentos indevidos” para obter contratos no Brasil, na Guiné Equatorial e em Angola. Os pagamentos incluem US$ 139 milhões relativos a contratos com a estatal brasileira. No Brasil, o assunto já é objeto de investigação pela CGU.

Sempre que é questionada sobre os sucessivos escândalos envolvendo a Petrobrás, Dilma alega que os “malfeitos” aparecem porque ela própria “manda investigar”, como se o TCU, a CGU e a PF dependessem de ordem direta da Presidência da República para cumprir suas obrigações constitucionais. Ao contrário de “mandar” investigar, o governo tem feito o contrário, tentando, por exemplo, esvaziar o trabalho das duas comissões de inquérito do Congresso ou vetando medidas profiláticas como as sugeridas pelo TCU.

O vínculo do PT com a corrupção na gestão da coisa pública não se explica apenas pela vocação de notórios larápios, mas principalmente pela marota convicção de que, num ambiente dominado pelos famosos “300 picaretas”, é indispensável dispor sempre de “algum” para ajeitar as coisas. Em outras palavras: a governabilidade exige engrenagens bem azeitadas.

Pois foi exatamente com esse espírito que Lula, com o óbvio conhecimento de Dilma, ignorou solenemente o acórdão do TCU que apontava graves irregularidades em obras da Petrobrás e vetou os dispositivos da lei orçamentária que, acatando a recomendação do Tribunal de Contas, impediam os repasses considerados superfaturados. Só com isso, Lula permitiu a liberação de R$ 13,1 bilhões para quatro obras da Petrobrás, dos quais R$ 6,1 bilhões eram destinados à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Ao vetar, “por contrariedade ao interesse público”, os dispositivos da lei de meios que coibiam a bandalheira, Lula argumentou que a aceitação das recomendações do TCU sobre as quatro obras implicaria “a paralisação delas, com prejuízo imediato de aproximadamente 25 mil empregos e custos mensais da ordem de R$ 268 milhões, além de outros decorrentes da desmobilização e da degradação de trabalhos já realizados”. Ou seja, a corrupção embutida nos contratos da Petrobrás, comprovada pelo TCU, seria um mal menor. Perfeitamente aceitável para quem acredita e apregoa que “excessos de moralismo” são coisas de “udenistas” e “burgueses reacionários”.

Mesmo se admitindo – só para argumentar e na mais indulgente das hipóteses – que o veto de Lula, afinal, tenha beneficiado o interesse público, é o caso de perguntar: o que foi feito, daí para a frente, para coibir os notórios “malfeitos” na Petrobrás? Os operadores da bandalheira permaneceram rigorosamente intocados, enriquecendo e distribuindo o dinheiro da Petrobrás para políticos amigos até o fim do mandato de Lula.

Depois de assumir o governo, Dilma jamais deu importância ao assunto publicamente, limitando-se a garantir que “mandou apurar” tudo”.

Fonte: www.veja.com.br

Na Petrobrás, Brasil atinge pré-sal da corrupção

A roubalheira na Petrobrás na opinião de colunista do UOL

Por Josias de Souza 

A política brasileira caminhava em direção a um metafórico fundo do poço há muitos anos. Até aqui, tinha-se uma vaga visão do que seria uma cleptocracia perfeita. Imaginava-se que o fundo do poço fosse parecido com o inferno. Um lugar que todos sabiam insuportável. Mas que ninguém desejava conhecer para saber, em detalhes, como funciona. As pessoas se apegavam ao fato de que o Brasil já havia roçado o fundo do poço várias vezes. E nem por isso o brasileiro deixara de tomar o seu café com leite, pagar o seu crediário e assistir à novela das nove.

Pois bem. De tanto adiar, brasileiramente, seu encontro com o impensável, o Brasil ultrapassou o fundo do poço sem perceber. A prospecção da roubalheira nas profundezas da Petrobras levou as sondas da Procuradoria da República e da PF até a camada espessa de lama que se formou numa espécie de pré-sal da corrupção. Fica abaixo do inferno. Nesta sexta-feira, dia 14 de novembro de 2014, ao prender prepostos, operadores e financiadores de políticos, varejando-lhes residências e escritórios, a PF deflagrou uma incursão do Brasil pelo insondável.

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Operação Lava Jato da PF49 fotos

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O presidente da construtora UTC, empresário Ricardo Pessoa, chega preso à Superintendência da Polícia Federal no bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo. Ele é um dos alvos da sétima fase da Operação Lava Jato, na qual são cumpridos 27 mandados de prisão nos Estados do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco e Distrito Federal Leia mais Marcos Bezerra/Futura Press/Estadão Conteúdo

A perversão brasileira mudou de patamar. Tudo o que veio antes parece nada perto do muito que está por vir. O brasileiro já havia se acostumado com os escândalos. Quando se imaginava que o lodo terminal e irremediável fora tocado, um novo escândalo tomava o noticiário de assalto para informar à nação que o percurso rumo às profundezas ainda teria novas escalas.

Ao fundo do poço da fisiologia à Sarney sobreveio o fundo do poço da dupla Collor-PC, que foi seguido pelo fundo do poço dos anões do orçamento, que foi anulado pelo fundo do poço das privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”, ofuscado pelo fundo do poço da violação do painel do Senado, suplantado pelo fundo do poço do mensalão do PT, atenuado pelo fundo do poço dos mensalões do PSDB mineiro e do DEM brasiliense, derrotado pelo fundo do poço da quebra do sigilo do caseiro, sobrepujado pelo fundo do poço do dossiê dos aloprados petistas, ultrapassado pelo fundo do poço do lobista de empreiteira bancando as despesas do presidente do Senado, humilhado pelo fundo do poço do bicheiro Cachoeira…

A cada novo fundo do poço, ouviam-se as vozes do “corte na própria carne”, do “doa a quem doer”. A cada nova onda de lama, afirmava-se que, dessa vez, a apuração seria levada às “últimas consequências”. A abertura de uma ala mensaleira na Papuda estimulara a esperança de que o Brasil tomaria o caminho de volta, rumo à borda do poço. Tolice. A primeira vítima da petrorroubalheira foi a metáfora do fundo do poço. Já não há um poço. Pior: roubaram o fundo.

Logo, logo irão às manchetes os nomes dos políticos que provaram do óleo queimado da Petrobras. E Dilma Rousseff, ex-ministra de Minas e Energia, ex-mãezona da Casa Civil, ex-presidente do Conselho de Administração da Petrobras e presidente reeleita da República virá à boca do palco para repetir Lula mais uma vez: “Eu não sabia”. Nessa hora, o brasileiro talvez se dê conta de que não é um espectador inocente das crises em série que condenam a nação a esse abismo eterno.

Fonte: www.uol.com.br

Discurso de Rosalba

Governadora culpa até Deus por seu fracasso como governadora

Veja parte do discurso da governadora do Estado, Rosalba Ciarlini (DEM) na entrega da reforma no Terminal Rodoviário Diran Ramos do Amaral:

Perplexidade em Brasília

A casa continua caindo

Por Gerson Camaroti 
Um clima de perplexidade tomou conta do mundo político em Brasília com a nova etapa da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Parlamentares da base aliada estão preocupados com o que consideram um avanço rápido das investigações em cima dos corruptores – os executivos de grandes empreiteiras.

No Palácio do Planalto o ambiente é de preocupação. Apesar da ressalva de assessores do governo de que pessoalmente a presidente Dilma Rousseff está blindada, há o reconhecimento interno de que o aprofundamento das investigações vai criar uma crise política sem precedentes, além de fragilizar a imagem da Petrobras, a maior estatal do país.

Um integrante do governo reconhece, porém, que apesar da blindagem de Dilma, a gestão da estatal durante o período do governo Lula já está atingida. Assessores mais próximos da presidente já defendem internamente que é preciso fazer um discurso preventivo para mostrar que Dilma iniciou mudanças na estatal, com demissão dos ex-diretores. E que, por isso, é preciso estabelecer uma separação entre as administrações da Petrobras no período Lula e no período Dilma.

Se aliados estão em pânico, no PT a situação consegue ser pior, com a prisão do ex-diretor da Petrobras Renato Duque, ligado diretamente ao partido. Quando foi nomeado para a Diretoria de Serviços da estatal, em 2004, o padrinho político dele era conhecido por todos no Palácio do Planalto: o ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que depois foi condenado no processo do mensalão.

O dúvida no PT é sobre a capacidade de resistência de Duque dentro da prisão. No partido, todos citam que a resistência do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa foi enorme. Mas que fragilizado psicologicamente depois de meses de prisão num regime rígido, acabou entregando todo mundo. O mesmo aconteceu com o doleiro Alberto Youssef.

Advogados de políticos estão sendo consultados pelos clientes desde que foi noticiada a operação da PF no início da manhã desta sexta (14). Senadores e deputados de partidos aliados foram surpreendidos com a prisão dos diretores e executivos das empreiteiras fornecedoras da Petrobras. Muitos desses executivos têm relação de proximidade com políticos já citados nas delações premiadas.

“Todo mundo está querendo entender a extensão dessa investigação. Ninguém imaginava uma operação dessa dimensão da Polícia Federal. Tudo está andando numa velocidade muito maior do que foi no escândalo do mensalão. Muito em breve, a operação vai atingir a classe política. Já é a maior crise política depois do impeachment de Collor”, avaliou um senador da base aliada, para em seguida completar: “E esse ambiente irá contaminar definitivamente o governo Dilma”.

Fonte: G1