Setor salineiro será tema de debate na Câmara

Audiência pública acontece na próxima quinta-feira

A Câmara Municipal de Mossoró realizará audiência pública sobre a indústria salineira do Rio Grande do Norte, quinta-feira (19), às 9h, no plenário. A proposição é de autoria da vereadora Sandra Rosado (PSB).

O debate definirá cronograma de ações pós-audiência com o presidente Michel Temer, no último dia 27 de setembro, no Palácio do Planalto, em Brasília (DF).

Sandra Rosado informa que a reunião, em Mossoró, compõe a mobilização pelo reconhecimento do sal produzido no Estado como de interesse social. O pleito foi apresentado a Temer.

“Vamos decidir os próximos passos, porque esse assunto precisa ser acompanhado de perto, além de aprofundar o debate sobre soluções para o setor”, diz a vereadora.

A audiência pública terá caráter regional e reunirá representantes da indústria salineira, dos municípios produtores de sal, como prefeitos e vereadores, e outras lideranças políticas.

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As escutas ilegais na Procuradoria Geral da República

Como foi montado um esquema de escutas clandestinas por Janot

POR ISTOÉ

Antes de ser procurador-geral da República, entre 2003 e 2005, Rodrigo Janot fez estágio no posto de secretário-geral da PGR. Àquela altura, Cláudio Fonteles ocupava a cadeira mais importante do Ministério Público Federal. Foi ali que Janot começou a tomar intimidade com os métodos pouco ortodoxos de investigação. Quando era subprocurador, Janot foi um dos responsáveis por incorporar ao patrimônio do MPF sofisticados equipamentos de escuta telefônica, a exemplo do Sistema Guardião empregado pela Polícia Federal em investigações especiais. Para justificar o alto investimento, ele afirmava que o aparato tecnológico ajudaria a interceptar as tramóias dos agentes do crime, entre eles, políticos que transgrediam a lei. Ao assumir a chefia da PGR, em 2013, Janot incrementou o serviço de espionagem já existente. E ampliou os alvos de seu monitoramento: passou a usar a estrutura para bisbilhotar os passos de procuradores que ocupavam gabinetes vizinhos ao seu na Procuradoria-Geral.

O responsável pela grampolândia, termo adotado pelos procuradores ouvidos por ISTOÉ, era o ex-secretário-geral Lauro Pinto Cardoso Neto. Um procurador conhecido como homem de pouca fala, educado e ao mesmo tempo muito misterioso. Cardoso Neto foi um dos poucos nomes que Rodrigo Janot aproveitou da equipe do antecessor Roberto Gurgel. A permanência dele não foi à toa. Ele havia acumulado muita informação adquirida no mandato de Gurgel. Além disso, era qualificado para a função. Tinha experiência no Exército Brasileiro como oficial. Lá, era apontado como colaborador do Centro de Inteligência do Exército (CIE) nos anos de chumbo da ditadura militar, com a atribuição de investigar opositores do regime.

MÉTODOS OBSCUROS

Tão logo recebeu a missão em 2013, Lauro tratou de montar uma espécie de aparelho de inteligência na PGR. Experiente e bem relacionado com especialistas no submundo da espionagem de Brasília, o procurador convenceu Janot a requisitar a cessão de 15 policiais militares do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Distrito Federal. Para camuflar a verdadeira missão dos militares dentro da PGR, Lauro usou o pretexto de que eles dariam curso de capacitação para os 850 agentes de segurança do MPF. Em quatro anos no MPF, eles só realizaram um treinamento de tiro, assim mesmo, para cerca de 30 agentes do ministério. Na verdade, o serviço dos PMs nada tinha a ver com aprendizagem: eles eram arapongas da PGR.

Ao apurar detalhes sobre o esquema, ISTOÉ ouviu subprocuradores e teve acesso a documentos sigilosos. As fontes trouxeram à luz os métodos obscuros e ilegais. Métodos esses que extrapolaram o limite de atuação de um procurador, que deveria seguir apenas a letra fria da lei, e não usar a estrutura que dispunha para alcançar seus interesses pessoais. Eles revelaram que os alvos dos grampos clandestinos de Janot não eram somente políticos ou outros implicados em operação de combate à corrupção. Mas, principalmente, seus adversários na PGR.

A reportagem de ISTOÉ apurou que um dos que teve os passos monitorados foi o subprocurador Antônio Augusto Brandão de Aras. Procurado, ele confirmou a informação. Segundo ISTOÉ apurou com fontes do MPF, desconfiado que estava sendo gravado por escutas ambientais e em seu telefone, Aras importou um equipamento detector de grampos. A amigos próximos, o subprocurador contou que guardou-o dentro da gaveta. Mas, para sua surpresa, o equipamento simplesmente desapareceu. Mesmo com Janot fora do cargo desde 17 de setembro, quando foi substituído pela procuradora Raquel Dodge, Aras acredita que continua sendo monitorado. Ele lembra que, há poucas semanas, manteve uma conversa com um grupo de procuradores sobre uma reportagem que dizia respeito à PGR. Em seguida, recebeu um telefonema estranho de Eduardo Pelella, que foi chefe de gabinete de Janot, como se ele soubesse do conteúdo da conversa. Para despistar, Pelella disse que estava ligando para avisar que havia trocado de número. “Bem, eu nunca tive o número dele. Nem tampouco ele teve o meu. Foi muita coincidência ou uma intimidação?”, questiona. Aras chegou a apoiar Janot em seu primeiro mandato. Mas, segundo fontes ouvidas pela reportagem de ISTOÉ, o procurador decidiu descolar sua imagem da do ex-PGR depois de saber dos métodos pouco convencionais adotados pelo colega com o objetivo de extrair informações a respeito de seus rivais. A partir do rompimento, Aras foi escanteado de todas as grandes operações que resultaram em processo na PGR.

Com destemor, o subprocurador Moacir Guimarães Morais Filho confirmou que ele e outros colegas da PGR vêm pedindo varredura nos gabinetes desde à época em que Janot era secretário-geral de Cláudio Fonteles. Porém, o serviço nunca ocorreu. Ele espera que a varredura seja encomendada pela nova procuradora-geral Raquel Dodge. Somente após Rodrigo Janot ter deixado o posto é que Moacir passou a usar o telefone corporativo. “Janot usa todos os métodos para combater os inimigos”, denuncia.

O BRAÇO DIREITO

A atual procuradora-geral da República, Raquel Dodge, chegou a suspeitar de que foi alvo de espionagem. No dia 3 de novembro de 2014, a luminária do teto do seu gabinete desabou. Ao se deparar com a bagunça, Raquel resolveu rearrumar sua sala e verificou que havia sinais de digitais em objetos da estante e no teto da copa do gabinete. Ela encaminhou ofício a Rodrigo Janot pedindo que fosse instaurada uma investigação para apurar a suposta invasão. Mas o trabalho só foi iniciado no dia 21 daquele mês. Mesmo assim, houve uma varredura capenga, já que não contou com a coleta de provas.

O secretário de Segurança Institucional da PGR na época era o delegado Delfim Loureiro de Queiroz, apontado como o braço-direito de Lauro Cardoso no esquema da grampolândia. Delfim é delegado da Polícia Civil do DF desde 2005. Mas nunca chegou a atuar em uma delegacia ou em qualquer repartição da corporação, pois logo foi requisitado pelo MPF.

Com gratificações e salário de origem, recebe ao todo R$ 31 mil. O delegado comandava o grupo composto por 15 policiais do Bope. Entre eles, nove cabos, dois sargentos, um subtenente, um capitão e um major. O contingente foi desfalcado pelo sargento Francisco Lurandir Moura de Oliveira. Ele se “desincompatibilizou” para disputar as eleições de 2014, quando concorreu ao cargo de deputado distrital do DF. Lurandir era importante no esquema. Mesmo sem vínculo com a PGR, participou de operações do MPF. Por ano, a folha de pagamento com esse efetivo gira em torno de R$ 1,2 milhão.

O TCU determinou a devolução dos policiais cedidos, mas eles
permanecem trabalhando na estrutura da procuradoria-geral

NA SOMBRA

Recentemente, a Associação dos Agentes de Segurança do Ministério Público Federal (Agempu) encaminhou a todos os secretários-gerais do Ministério Público um manifesto sobre a permanência dos policiais militares na PGR. A ata chegou ao secretário-geral do MPF na PGR, Blal Yassine Dalloul, que substituiu Lauro Cardoso em 2016. Mas nada foi feito. Os agentes envolvidos na estrutura de grampos ilegais continuariam a agir na sombra. Para surpresa e decepção dos demais subprocuradores, Lauro foi incorporado à equipe de Rachel Dodge.

Embora o Tribunal de Contas da União (TCU) tenha determinado a imediata devolução dos servidores cedidos, a PGR contraria a decisão e ainda mantém os policiais em seus quadros. Continua tudo como d’antes no quartel de Janot. Resta saber, agora, se Rachel Dodge está disposta a tomar providências para se livrar da herança do antecessor, em desarmonia com as boas práticas administrativas.

O VELHO ARAPONGA

Recrutado por Rodrigo Janot para comandar a arapongagem, o ex-secretário-geral da PGR Lauro Pinto Cardoso Neto foi colaborador do Centro de Inteligência do Exército na ditadura militar. Homem de poucas palavras, mas dono de uma aura de mistério, Cardoso Neto usou sua expertise e a boa relação com especialistas no submundo da espionagem de Brasília para cumprir a tarefa à risca. Qual seja, a de bisbilhotar procuradores apontados por Janot como inimigos internos.

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Governo do Estado paga quem recebe entre R$ 2 ml e R$ 3 mil

Desembolso será efetuado neste sábado

O Governo do RN paga neste sábado, 14, os salários dos servidores ativos, aposentados e pensionistas que recebem entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. O montante pago será de R$ 48.345.938,50.

Com o pagamento deste sábado o Governo terá atendido 75.452 servidores, equivalente a 68% do total de pessoal.

Somando o pagamento já feito aos servidores da Educação e dos órgãos da administração indireta com arrecadação própria, que já receberam os salários, o valor pago referente ao mês de setembro é de R$ 134.424.379.150.

Os vencimentos dos servidores que ganham acima de R$ 3 mil serão creditados o mais breve possível, a partir da disponibilidade de recursos.

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PC do B tem novo comando em Mossoró

Pedro Lúcio é o novo presidente da sigla

POR CÉSAR SANTOS

O empresário, geólogo e publicitário Gutemberg Dias não é mais presidente do PC do B de Mossoró. O partido agora está o sob o controle da porção comunista da Petrobras.

O novo presidente chama-se Pedro Lúcio Gois, um jovem de 26 anos, que faz carreira de sindicalista dentro no Sindicato dos Petroleiros (SINDIPETRO-RN). Ele também é advogado e está filiado ao PC do B há cinco anos.

Outra novidade é o desembarque do ex-reitor da Ufersa, professor Josivan Barbosa, que também assume cargo na direção municipal. Ex-PMDB e ex-PT, Barbosa retorna à política.

A nova direção foi eleita na Conferência Municipal, encerrada na quarta-feira (11), com a presença de alguns de alguns militantes, principalmente petroleiros.

 

LEGADO

Nas eleições municipal de 2016, Gutemberg Dias, candidato a prefeito, obteve cerca de 11 mil votos (10% dos votos válidos). Ele teve como vice a acadêmica Rayane Andrade, do PT.

A votação empolgou novos militantes, que acreditam que partidos de esquerda têm relevo na cidade. E sequer aceitam a tese de que o votos foram dados ao candidato Gutemberg, que surpreende fazendo uma campanha propositiva, com bom discurso.

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Aluno da UFERSA lançará documentário na Áustria

Francisco Bezerra Dantas é do 6º período de Licenciatura em Educação do Campo

POR GUTEMBERG MOURA

O cineasta e aluno do 6° período da Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), Francisco Bezerra Dantas Filho, lança no dia 19 de outubro o seu mais novo documentário intitulado “Carne de Santa”. O evento acontece a partir das 9h, no Auditório da PROEC, Lado Leste do Campus Central.
O filme conta a história de Damião, idoso, gay, preto, rezador, salineiro, que teve sua vida dedicada a generosidade da pequena comunidade de Porto do Mangue, RN, cidade situada à beira do manguezal. Damião traz na sua narrativa sua infância e juventude, ficou órfão ainda adolescente, mora sozinho à beira do mangue, vive de ajudar as pessoas e de rezar nos recém-nascidos da comunidade. Um ser que carrega em suas carnes o modelo de ser humano digno e as marcas de calos nas mãos de quem se eternizou, mesmo no olhar daqueles que o invisibilizam.
Além do lançamento, o estudante e cineasta tem mais motivos para comemorar: ele foi recentemente convidado para participar do 5° Festival de Cultura Brasileira, promovido pela Associação Cultural ÁustriaBrasil no período de 17 a 20 de novembro. O discente irá representar as artes visuais do Rio Grande do Norte por meio da exibição dos documentários “Mulheres da Lama”, também de sua direção, e “Carne Santa”, que foram selecionados pela equipe de curadoria do evento.
_Me sinto honrado em ter um trabalho reconhecido em um festival desse porte, principalmente por ser aluno da Ufersa, uma universidade que sempre apostou em mim e sempre esteve me apoiando e acreditando nos meus projetos. Para minha cidade de Porto do Mangue é de uma alegria magnífica, pois tem um sabor relevante para uma cidade que culturalmente se veste em uma nova perspectiva e que tem um povo cheio de histórias de vidas. Porto do mangue tem agora mais um documentário vencedor e inserido na grade do Canal Futura_, comemora o discente.
Fonte: www.gutembergmoura.com.br
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Xô Aftosa é tema de ações educativas durante a Festa do Boi

Evento se estende até domingo

Todos os dias alunos de escolas públicas visitam o estande. As crianças da Escola municipal Benigna Silva, em São Gonçalo do Amarante, ficaram atentas às perguntas sobre a encenação educativa desenvolvida para Festa do Boi. ‘‘Os alunos gostam quando entendem um assunto é uma aula diferente e motivadora’’, diz a professora Jacicleia Braz que trouxe a turma do 4° e 5° ano.

 

‘‘Fazemos diariamente mais de 10 apresentações com o objetivo de desenvolver a campanha de vacinação com os bonecos inseridos em histórias educativas. Aqui estamos trabalhando o tema: Xô aftosa’’, ressalta Débora Vilar, técnica do IDIARN.  

 

A expectativa do Governo do RN é vacinar 95% do rebanho potiguar, índice 3% maior do que o conquistado na primeira etapa de 2015 e 4,5% maior do que o alcançado em novembro do ano passado, quando foi realizada a segunda fase. Depois de imunizado o rebanho, o produtor precisa declarar a vacina, o que pode ser feito até o dia 15 de junho nos escritórios do IDIARN, Emater/RN ou secretarias municipais de Agricultura.

 

A apresentação teatral acontece em frente ao espaço da Central de Agricultura Familiar que fica localizada próximo a Fazendinha Modelo.  

 

A Festa do Boi segue até domingo (15) no Parque Aristófanes Fernandes.

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Rosalba autoriza e cirurgias eletivas iniciam na próxima segunda-feira (16)

Nesta sexta-feira a Secretaria de Saúde começa a contactar pacientes que estão na fila de espera

A prefeita Rosalba Ciarlini autorizou nesta quinta-feira, 12, a retomada das cirurgias eletivas em Mossoró. Os procedimentos iniciam na segunda (16). A Secretaria Municipal de Saúde, através da Central de Regulação, começa na sexta a contactar pacientes que estão na fila de espera. O investimento é da ordem de cerca de R$19 milhões, com contrapartida de R$ 7 milhões do município.

Serão 400 cirurgias realizadas mensalmente, tais como ginecológicas, cirurgias geral, ortopédicas e oftalmológicas. Os hospitais credenciados são a Associação de Assistência e Proteção à Maternidade e à Infância de Mossoró (Apamim), Wilson Rosado e Casa de Saúde Santa Luzia, pertencente a Liga Mossoroense de Estudos e Combate ao Câncer (LMECC).

Com os encaminhamentos, os pacientes vão dar início aos procedimentos pré-operatórios, como a realização de consultas e exames. “Vamos seguir rigorosamente a fila de espera e os pacientes serão informados sobre a ordem de atendimento”, explica a prefeita Rosalba Ciarlini. Atualmente são cerca de 1.200 pacientes que serão submetidos às cirurgias.

Além da contrapartida, a prefeita Rosalba Ciarlini autorizou a complementação de leitos de UTI e cateterismo cardíaco.

As cirurgias eletivas serão realizadas a partir de um termo de cooperação firmado com o Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Saúde.

Participaram da assinatura do contrato, o secretário municipal de Saúde, Benjamim Bento, o superintendente da LMECC, Wogelsanger Oliveira, além de auxiliares e assessores da Prefeitura de Mossoró.

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João Gentil pode deixar o PV

Vereador tem fortalecido o partido em seus 13 anos como filiado

A imagem pode conter: 8 pessoas, pessoas em pé

O Partido Verde poderá sofrer uma grande baixa.

O vereador João Gentil pode se desligar da sigla.

Em 13 anos como filiado ao PV, João Gentil tem contribuído para o fortalecimento partidário em Mossoró.

O vereador teria várias opões partidárias.

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Cármen Lúcia e seu patético momento

Barroso fala inverdade ao acusar impunidade dos parlamentares

Cármen Lúcia estava com medo. E por que devemos ter medo de Cármen Lúcia…

A presidente do Supremo, Cármen Lúcia, viveu ontem o seu “patético momento”, mas não no sentido de um belo poema de Cecília Meirelles, que afirma: “Aqui está minha dor — este coral quebrado,/ sobrevivendo ao seu patético momento.” Poucos sabem, “patético” não tem o sentido de tolo, boboca, constrangedor, como usamos habitualmente. Designa, na verdade, o que provoca piedade, dor, tristeza. Mas também expressa “tragédia” e “terror”.

Então ficamos assim: vimos uma Cármen Lúcia diante da “tragédia” e do “terror”.

Nesta quarta, o STF votou, como sabemos, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade para definir se medidas cautelares impostas pelo tribunal a parlamentares têm ou não de passar pela Casa Legislativa de onde ele é originário. Por 6 a 5, depois dos ajustes de votos, a resposta foi “sim”. Acontece, e este é o problema mais grave, que as ditas medidas não estão previstas em lugar nenhum da Carta. Elas estão estampadas no Artigo 319 do Código de Processo Penal e só podem ser aplicadas como alternativas à prisão preventiva, definida pelo Artigo 312 do mesmo código. Parlamentares estão sujeitos a ambos? Não! Estão abrigados pelo Artigo 53 da Constituição, que estabelece:
– só podem ser presos em flagrante de crime inafiançável, que são os hediondos (Parágrafo 2º);
– ainda assim, Senado ou Câmara podem reverter a decisão (também Parágrafo 2º);
– essas mesmas Casas podem, inclusive, suspender qualquer processo (Parágrafos 3º, 4º e 5º).

Isso significa, então, que temos cidadãos de primeira e segunda linhas, como sustentou, num rasgo detestável de demagogia, o ministro Roberto Barroso? Uma ova! Ele estava apenas fazendo embaixadinha para a torcida, como é de seu estilo. Os senhores parlamentares podem, desde sempre, ter cassados os seus respectivos mandatos por quebra do decoro parlamentar. E isso já aconteceu muitas vezes.

Isso à parte, será que vigora a mais desbragada impunidade, inclusive na esfera penal, e nada acontece com o deputado ou senador flagrado cometendo crime? Isso é igualmente mentira.  Ao declarar que parlamentares não estariam sujeitos a nenhuma sanção, Barroso enganou aqueles que o ouviam. Diz o Artigo 55 da Constituição:

Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:
I – que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo 54;
II – cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar;
III – que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada;
IV – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;
V – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição;
VI – que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.
§ 1º – É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas.
§ 2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.
§ 3º Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será declarada pela Mesa da Casa respectiva, de ofício ou mediante provocação de qualquer de seus membros, ou de partido político representado no Congresso Nacional, assegurada ampla defesa.

Fazendo a exata contabilidade dos votos, tivemos o seguinte:
– cinco ministros afirmaram que, ao arrepio da Constituição, o Supremo impõe a medida cautelar que quiser ao parlamentar, incluindo o afastamento do mandato, e tal decisão é auto-aplicável. Foram eles: Edson Fachin, Roberto Barroso, Rosa Weber, Luiz Fux e Celso de Mello.

– cinco ministros consolidaram uma posição: as medidas cautelares podem ser aplicadas, em situação excepcionalíssima, mas têm de passar pelo crivo da Casa a que pertence o parlamentar. Na verdade, Alexandre de Moraes, que abriu a divergência, Gilmar Mendes e Marco Aurélio, inicialmente, recusavam as cautelares. Acabaram aderindo ao voto de Dias Toffoli, que as admite em situação excepcional, desde que submetidas ao Parlamento. Assim também votou Ricardo Lewandowski: 5 a 5

Coube a Cármen o voto de Minerva, e ela era o sinônimo do patético como “terror” e “tragédia”. Ela sabia que as redes sociais queriam sangue. Ela sabia que o maior grupo de comunicação também queria as artérias abertas dos políticos. Mas tinha consciência de que, no curso de seu mandato, um choque inédito poderia se dar entre Judiciário e Legislativo.

Decidiu, então, algo exótico: o afastamento haveria de ser submetido à Câmara ou ao Senado, mas não as demais medidas. Nova confusão. Como resumir o que queria aquela atrapalhada senhora? Celso de Mello veio em seu socorro: passará pelo crivo parlamentar toda medida cautelar que interferir no exercício pleno e regular do mandato. E por que a confusão de Cármen? É que ela estava com medo.

Seu voto era mais próximo do de Alexandre de Moraes, que abriu a divergência, do que do de Fachin, o relator. Mas ela insistia que votava com Fachin — não queria ficar de mal com a galera.

Instaurou-se a confusão, e o próprio Fachin, não sei se num rasgo de bom senso ou para assustá-la ainda mais, resumiu mais ou menos com estas palavras: “Presidente, Vossa Excelência não está alinhada com o meu voto; são seis votos a cinco em favor da submissão da decisão à Casa Legislativa. Meu voto foi vencido”.

Mas ela insistia que não! Tinha medo de, ao QUASE cumprir a Constituição, em vez de rasgá-la, ser considerada uma pessoa leniente com a corrupção.

Assim, meus caros, vivemos dias em que cumprir a Constituição, garantindo aos parlamentares brasileiros prerrogativas que existem em todas as democracias do mundo, se confunde com tolerância com a corrupção.

Por 6 a 5, em suma, caberá ao Congresso referendar ou não as cautelares, como já lhe cabe fazer sobre a prisão preventiva. Tempos sombrios.

Como enfrentá-los? Ora, com coragem! E esta, visivelmente, faltou a Cármen na hora do seu “patético momento”. Convenham, aquilo não é pra ela!

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Potiguares já podem votar para decidir destino de emendas parlamentares

Deputado federal Beto Rosado cria o “Mandato Participativo” através da internet

Já está no ar o site www.mandatoparticipativorn.com, lançado pelo deputado federal Beto Rosado (PP), nesta quarta-feira (11), para dar aos potiguares o poder de decisão sobre o destino de R$ 1 milhão em emendas parlamentares do seu mandato ao Orçamento de 2018. A votação segue até o dia 11 de novembro.
No site, o internauta pode escolher entre 10 ações para destinar os recursos. Em seguida, o município para o qual deseja a realização. As três ações mais votadas com os três municípios respectivamente mais indicados serão escolhidas. A primeira cidade receberá R$ 500 mil. A segunda é a terceira, R$ 250 mil cada.
“Criamos esse mecanismo para possibilitar ao povo a decisão sobre o envio de recursos federais para os municípios do Estado. É simples, rápido e fácil. Os municípios que tiverem melhor poder de mobilização e conquistarem mais votos sairão vencedores”, explicou Beto Rosado.
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