MORO SOBRE LULA: “NÃO POSSO PAUTAR MINHA VIDA NUM ÁLIBI FALSO DE PERSEGUIÇÃO POLÍTICA”

JUIZ CONCEDE ENTREVISTA COLETIVA 

LULA

Moro fala sobre o processo do ex-presidente Lula. Diz que a condenação do ex-presidente à prisão não teve nenhuma relação com as eleições. “O que existe um crime que foi descoberto, investigado e provado e as cortes apenas cumpriram a lei. Não posso pautar minha vida num álibi falso de perseguição política.”

CONVITE

O juiz afirma ter sido procurado em 23 de outubro, antes do segundo turno, por Paulo Guedes (futuro ministro da Fazenda), para uma sondagem sobre uma participação no governo. E que em 1º de novembro se encontrou com Bolsonaro.

Sérgio Moro em coletiva em Curitiba

ARMAS

Questionado a respeito, Moro sinaliza ser favorável à flexibilização da legislação sobre armas, bandeira defendida na campanha por Bolsonaro. Mas pondera que “uma flexibilização excessiva pode ser utilizada como armamento para organizações criminosas. Tem que pensar quantas armas o indivíduo poderá ter em sua casa”.

CORRUPÇÃO

Sem dar detalhes, Moro afirma que apresentará uma série de propostas de combate ao crime organizado. A ideia, diz, é resgatar parte das “dez medidas contra a corrupção“, proposta encabeçada pelo Ministério Público Federal.

CONFRONTO

Moro volta a falar sobre confronto entre policiais e criminosos. “Embora a estratégia policial não seja o confronto, temos que entender que o confronto é uma possibilidade”. Ele dá exemplo de pessoas que vivem em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas. “A estratégia tem que [ser] evitar qualquer espécie de confronto. Havendo confronto, tem que discutir”. Ele entende que a lei já contempla essas situações, mas abre possibilidade de discussão. “Tem que ser avaliado se é necessário uma regulação melhor”.

CORRUPÇÃO

“Corrupção nunca vai se encerrar, nem os crimes. Mas os níveis de corrupção e de crimes no Brasil são muito altos”, diz Moro. “Nos acostumamos às vezes a ver esses índices de criminalidade com naturalidade”.

TERRORISMO

Não é “consistente” tratar movimentos sociais como “terroristas”, o que não significa que sejam “inimputáveis”, disse Moro. O presidente eleito Jair Bolsonaro defendeu na campanha tipificar como ações terroristas invasões de propriedades privadas.

SUBORDINADO

“Tenho muita ciência de que estou numa posição subordinada”, diz Moro, sobre o cargo que ocupará em relação ao presidente eleito Jair Bolsonaro.

NECESSIDADE

Moro afirmou também que não pode abrir mão da segurança. “Um efeito colateral desses grandes casos são as ameaças e os riscos que os juízes sofrem. Se peço exoneração hoje e daqui a um mês acontece algo comigo, como fica minha família? Fica sem nenhuma pensão para subsistência? Deixo no desamparo?”

O juiz disse que se afastou da jurisdição e, portanto, não há problema de conflito. “Só vou ser nomeado em janeiro. O que eu fiz por hora é me afastar da jurisdição e, no momento próximo à nomeação, vou me exonerar. Não estou praticando atos no presente, estou planejando minha participação num governo futuro.”

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

4 × 2 =