Category Archives: Artigos

Protestos dos “trabalhadores” que não trabalham são um fiasco; o dos trabalhadores que trabalham acontece no domingo

Ou: O movimento das pessoas direitas

Por Reinaldo Azevedo

Micaram, Brasil afora, os atos, como dizem seus promotores, “em defesa da Petrobras”. Na verdade, tratava-se de uma tentativa de blindar a presidente Dilma, antecipadamente, do protesto de domingo. Os esquerdistas criaram transtornos nas cidades em que se manifestaram, mas, quase sempre, havia mais balões do que pessoas, mais bandeiras do que brasileiros, mais palavras de ordem do que ideias. E há um dado que é especialmente saboroso: a convocação do Partido dos Trabalhadores, da Central Única dos Trabalhadores e daqueles que se dizem trabalhadores do MST é feita para uma sexta-feira útil, dia em que, afinal, trabalhadores costumam estar trabalhando.

Mas não eles. Porque trabalhadores não são. Na maioria dos casos, são sindicalistas e apaniguados de aparelhos sindicais que vivem, isto sim, do trabalho alheio. Os que se dizem “defensores da Petrobras” são sanguessugas de quem realmente acorda cedo, pega no batente, tem uma família a alimentar.

Já a manifestação daqueles que  petistas, cutistas e emessetistas chamam “elite”; daqueles que petistas, cutistas e emessetistas chamam “coxinhas”; daqueles que petistas, cutistas e emessetistas chamam “direita golpista”, ah, essa será feita no domingo. Sabem por quê? Porque, para a larga maioria, esse é o único dia de descanso. Os coxinhas, os direitistas, como eles dizem, vivem do seu trabalho, não integram a aristocracia sindical, não vivem pendurados nas tetas do governo. Aqueles que as esquerdas estão hostilizando geram impostos, em vez de apenas consumi-los; geram riquezas, em vez de apenas querer dividi-las, constroem o Brasil, em vez de apenas querer destruí-lo com a sua militância truculenta.

Que país exótico este em que vivemos, não? Aqueles que se dizem de esquerda vivem de renda — sim, meus caros: viver do imposto sindical e da transferência de recursos públicos para ditos movimentos sociais é uma forma de rentismo. E o que o rentismo? É um dinheiro que cai nas mãos do beneficiado sem que, para tanto, ela tenha produzido um miserável parafuso ou mesmo uma miserável ideia. É o dinheiro que saiu dos bolsos de quem trabalha para os de quem não trabalha.

E aqueles que merecem a pecha de “elite”? Ah, esses trabalham muitas horas por dia. Com alguma frequência, buscam ter até mais de um emprego para tentar garantir algum conforto adicional e seus familiares. Vivemos a era em que os que trabalham são obrigados a prestar reverência a quem não trabalha. Vivemos a era em que os que metem a mão na massa são hostilizados por aqueles que vivem de fazer proselitismo. Vivemos numa espécie de nova escravidão, esta de caráter moral, em que o esforço é demonizado, o talento é desprezado, a qualidade é tida por reacionária, a eficiência é vista com maus olhos.

Por isso, a Petrobras está no chão. Por isso, o país tem juros de 12,75% ao ano; por isso, a inflação roça os 8%; por isso, o Brasil vive uma recessão. Os que hoje dirigem o Brasil desprezaram todas as ideias generosas e sensatas de administração responsável do dinheiro público. Não puseram o seu partido e os seus sindicatos a serviço da nação, mas a nação a serviço de seu partido e de seus sindicatos. O resultado é este que vemos: continuamos a ser um país rico com uma população, no mais das vezes, pobre: pobre de saúde, pobre de educação, pobre de segurança pública, pobre… de verdade!

É a direita, como eles dizem, que vai protestar no domingo? Não! Quem vai protestar no domingo são as pessoas direitas — sejam elas “de direita” ou não. É um ato contra um indivíduo chamado Dilma Rousseff? Não! É um ato contra a impunidade, contra a roubalheira, contra o cinismo, contra a trapaça eleitoral, contra a mistificação. Se essa pauta atinge o governante de turno, e se esse governante é uma governanta, então não há o que fazer.

Os que vão para as ruas estarão exercendo o Inciso IV do Artigo 5º da Constituição, o das cláusulas pétreas, imutáveis. Lá está escrito: “É livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”. Todos nós sabemos o que nos custou essa carta de princípios, depois de 21 anos de ditadura. Infelizmente, em 1988, o PT se negou a homologá-la, num ato absurdo. Talvez por isso ignore agora os seus termos. Talvez por isso o próprio governo Dilma tenha negociado com black blocs, mas hostiliza quem tem a coragem de mostrar a cara.

A presidente Dilma exerce legítima e legalmente o seu mandato. Ninguém jamais contestou essa evidência. Mas o mesmo diploma que lhe garante essa legalidade e essa legitimidade assegura o direito à manifestação e o direito de apresentar petições ao poder público, inclusive o impeachment da presidente. Golpe é querer rasgar a Constituição em vez de aplicá-la. Há algum petista que negue esse fundamento? Pode vir aqui dizer que não é assim. Pode vir aqui tentar provar que isso que digo agride o regime democrático. Vamos ver com quais argumentos.

Querem saber? O verdadeiro protesto de trabalhadores é o que vai acontecer no domingo, já que trabalhadores trabalham. O verdadeiro ato em defesa da Petrobras será o de domingo, já que milhares de pessoas querem proteger a estatal da sanha dos quadrilheiros.

Não! Este não é um editorial de direita. Este é um editorial para pessoas direitas.

Fonte: www.veja.com,br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Em Mossoró ato público do PT também é um fracasso retumbante

Poucos militantes tentaram parar o centro da cidade nesta sexta-feira

IMG_5592

Ato público do PT fracassa em Mossoró, assim como em todo Brasil

 

Ratifico aqui o que já escrevi em outras oportunidades sobre a honradez, honestidade, seriedade e ética de um grande número de petistas de Mossoró.

Do poeta Crispiniano Neto ao vice-prefeito Luiz Carlos, passando por Valmir Alves, Nelson Gregório, o jovem Íbero, Rômulo Arnoud, Gilberto Diógenes, Adi Canário, Socorro Batista e outros não menos honrados, o listão pode, facilmente, ser ampliado.

Inclusive, para vereador, meu primeiro voto foi no meu poeta preferido, o amigo Crispiniano Neto.

Também já votei em Lula, para presidente, mais pelo prestígio do bom poeta para com o editor desta página.

Porém, com certa tristeza, pelo amigos e amigas petistas mossoroenses, não tenho como deixar de registrar o que ficou patente, no final da tarde, desta sexta-feira, 13, na Praça Rodolfo Fernandes: o ato público do PT, em Mossoró, foi um fracasso. Retumbante fracasso.

A derrota em forma de esvaziamento do movimento foi estrondosa. Inquestionável.

Tudo condicionado pelo desastre fraudulento em que se transformou o (des)governo Dilma Rousseff, que está fazendo tudo de ruim que acusou, em campanha eleitoral, que seria o adversário, senador Aécio Neves, que faria se eleito fosse.

O estelionato eleitoral perpetrado pela presidente, somado ao mar de lama espargido da Petrobrás, no maior escândalo de desvio e roubo de dinheiro público da história do Brasil – quiçá do mundo -,  estão colocando a grande maioria do povo brasileiro do outro lado.

Muito facilmente, o ato do PT, de hoje, será superado no domingo, pela manifestação popular e espontânea que deve acontecer na cidade.

E, com uma diferença: hoje, o manifesto do PT, da CUT e outros esbirros do petismo, amparados pela máquina federal.

Domingo, será um ato público do povo, das famílias que se sentem achacadas por Dilma, Lula e sua trupe. 

 

 

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Domingo é dia ato público

Se chover, você não é de açucar

Conjunto de recomendações para a grande manifestação de domingo, 15, que pode tomar o país inteiro. De bom senso e de consenso.

1 – Bandeiras de partidos políticos e outras organizações ligadas aos mesmos não são bem-vindas.

2 – A marcha é do povo, e ninguém a utilizará para autopromoção.

3 – Se você vir qualquer movimento ou atitude suspeitos, utilize a melhor arma que tem para isso: seu celular. Filme tudo e entregue o arquivo para a organização do ato, a fim de que providências legais sejam tomadas.

4 – Se surgir qualquer foco de violência ou vandalismo contra o patrimônio público ou privado, todos deverão sentar-se até que os policiais que farão a escolta, fardados ou à paisana, capturem o meliante.

5 – Se houver provocações oriundas de qualquer grupo estranho ao ato, apenas ignore. Eles estão desesperados, pois tudo o que construíram está ruindo. Nós somos a ameaça aos seus interesses escusos. Somos o golpe de misericórdia contra o PT.

6 – Atenção às mensagens que serão enviadas do carro de som!

7 – Evite roupas vermelhas ou pretas. Elas lembram o PT e os black blocs. Não compareça ao evento com camisetas que façam alusão a partidos políticos.

8 – Verde e amarelo são as cores ideais para o dia de indignação. Pinte o rosto!

9 – Confeccione faixas e cartazes. Leve bandeiras do Brasil, nariz de palhaço, cornetas, apitos, faça barulho! Leve também balões azuis, amarelos e verdes. Vamos chamar atenção para nossa causa.

10 – Durante a marcha, fique atento às palavras de ordem que serão estimuladas pela organização! Nada de coros que não são pertinentes ao ato. Lembre-se: você está nas ruas para reivindicar direitos.

11 – A Polícia é nossa amiga. Gente ordeira e trabalhadora não teme aqueles que nos protegem. Eles estarão presentes para garantir que tudo corra bem. Não trate esses bravos servidores públicos de forma hostil.

12 – Convide amigos e vizinhos. Vá com sua família ao ato! Ensine seus filhos desde pequenos que política é algo bom e deve ter à frente pessoas de bem. Estimule-os a fazer parte da história e não apenas a vê-la passar. Um povo que luta por seus direitos e participa é respeitado por seu governo.

13 – Respeite os veículos que se aproximarem da marcha. Não bata nos vidros, tampouco na lataria dos carros. Não jogue lixo no chão. Recolha papéis e outros objetos e deposite em lixeiras. Somos civilizados.

14 – Permaneça no roteiro da marcha. A intenção é mostrar nossa força, não travar o trânsito.

15 – Se chover, vá mesmo assim! Leve seu guarda-chuva, mas não deixe de comparecer. Não somos feitos de açúcar. Temos força e raça! Nada impedirá nossa luta pelo Brasil que queremos!

16 – Caso alguém passe mal no evento, forneça ajuda e contate a organização.

17 – Qualquer crítica ou sugestão serão bem-recebidas por aqueles que organizam o ato.

18 – Leve água para se hidratar durante o percurso. Respeite crianças e idosos.

19- Desejamos uma ótima marcha a todos!!

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Acredite, puxa! É o que eles lhe suplicam

Dá para acreditar que o encontro fora marcado em dezembro último como disse o ministro. Afinal, há documento que prova isso

Por Ricardo Noblat

Curiosíssimo!

Em Brasília, do apontador do jogo do bicho que faz ponto na Esplanada dos Ministérios, à manicure do presidente do Senado, só se comenta o escândalo de corrupção na Petrobras e a crise política que se abateu sobre o governo Dilma.

E, no entanto…

Dilma, Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil da presidência da República, e o ministro José Eduardo Cardoso, da Justiça, se reuniram com o ministro Dias Toffoli, futuro presidente da turma do Supremo Tribunal Federal que julgará os envolvidos com a roubalheira na Petrobras, e nada conversarem a respeito.

Dá para acreditar que o encontro fora marcado em dezembro último como disse o ministro. Afinal, há documento que prova isso.

Mas quanto ao teor da conversa…

Imagine os três apenas discutindo a “formalização de uma proposta de recadastramento biométrico de todos os brasileiros”, apresentada por ´Toffoli quando assumiu a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, no ano passado.

E nada mais.

Fonte: www.oglobo.com

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

UM DOCUMENTO HISTÓRICO! ACHEI PARA VOCÊS A DENÚNCIA OFERECIDA CONTRA COLLOR EM 1992: SUGIRO QUE A COPIEM EM 2015.

Ou: Para tentar proteger Dilma, esquerdas abandonam critério empregado contra o que diziam ser “a direita”

Por Reinaldo Azevedo

Há, sim, algumas diferenças fundamentais entre 1992 e 2015; entre as circunstâncias que acompanharam  a denúncia apresentada à Câmara contra Fernando Collor, que resultou no seu afastamento, e as que estão presentes no debate sobre o impeachment de Dilma Rousseff. Em 1992, Barbosa Lima Sobrinho, então presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), era um dos signatários da petição. Em 2015, a ABI empresta a sua sede para Lula promover um ato de suposta defesa da Petrobras. À porta da entidade, milicianos desceram o braço em pessoas que protestavam contra Dilma. Em 1992, Marcelo Lavenère, então presidente da OAB, assinava a petição junto com Barbosa. Em 2015, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, presidente da entidade, é candidato ao Supremo e espera contar com a boa vontade de Dilma. Entenderam o ponto? Em 1992, a esquerda queria chegar ao poder. Em 2015, os esquerdistas já estão no poder. E que fique claro: havia uma penca de motivos para denunciar Collor. Como acho que há uma penca de motivos para denunciar Dilma.

Trago uma peça nem tão fácil de encontrar. Se vocês clicarem aqui, encontrarão em PDF o Dário do Congresso Nacional de 3 de setembro de 1992 que traz a íntegra da denúncia formulada contra Collor com base na Lei 1.079, a Lei do Impeachment. Se e quando tiverem tempo, vale a pena dar uma lida.

Se a história aceitasse recall com base em algumas avaliações influentes no presente, seria o caso de devolver o mandato a Collor, que lhe teria sido tomado, então, injustamente. Se faltam motivos para pedir o impeachment de Dilma Rousseff — porque, segundo dizem, não há provas contra ela —, então cabe perguntar quais eram as provas que existiam contra o então ex-presidente. A pergunta seria absurda, dado tudo o que se sabia, e se sabe, da promiscuidade entre o agora senador e PC Farias? Seria, sim! Mas não menos do que essa história de que, até agora, nada pesa contra Dilma.

Collor foi denunciando com base no Inciso 7 do Artigo 8º e no Inciso 7 do Artigo 9º da Lei 1.079. Ele foi acusado de permitir infração de lei federal e de atentar contra o decoro do cargo. A lei exige que se se apresentem provas. A dupla alinhavou algumas evidências colhidas pela CPI — e não custa lembrar que o homem foi absolvido pelo Supremo —, mas deixava claro, desde o início, que a questão realmente relevante era a política. Lá estava escrito:

“O impeachment não é uma pena ordinária contra criminosos comuns. É a sanção extrema contra o abuso e a perversão do poder político. Por isso mesmo, pela condição eminente do cargo do denunciado e pela gravidade excepcional dos delitos ora imputados, o processo de impeachment deita raízes nas grandes exigências da ética política e da moral pública, à luz das quais hão ser interpretadas as normas do direito positivo”.

Petição anti-collor 1

A mim, então, me parece bem. Quando sei que existe uma cadeia de comando na Petrobras, que chega à presidente da República, e se sei que uma quadrilha lá está instalada com o intuito, entre outros, de arrecadar dinheiro para o partido do poder — dinheiro que, segundo consta, inundou a sua própria campanha —, parece-me que as raízes da ética na política e da moral pública foram desafiadas.

A petição contra Collor ensinava mais:
“Nos regimes democráticos, o grande juiz dos governantes é o próprio povo, é a consciência ética popular. O governante eleito que se assenhoreia do poder em seu próprio interesse, ou no de seus amigos e familiares, não pratica apenas atos de corrupção pessoal, de apropriação indébita ou desvio da coisa pública: mais do que isso, ele escarnece e vilipendia a soberania popular.”

Petição anti-collor 2-1

petição anti-collor 2-2

E o texto prossegue:
“É por essa razão que a melhor tradição política ocidental atribui competência, para o juízo de pronúncia dos acusados de crime de responsabilidade, precisamente ao órgão de representação popular. Representar o povo significa, nos processos de impeachment, interpretar e exprimir o sentido ético dominante, diante dos atos de abuso ou traição da confiança nacional.
A suprema prevaricação que podem cometer os representantes do povo, em processos de crime de responsabilidade, consiste em atuar sob pressão de influências espúrias ou para a satisfação de interesses pessoais ou partidários.”

Petiçao anti-Collor 3

Acho que está tudo aí. Se e quando alguém resolver apresentar uma denúncia contra Dilma na Câmara, sugiro que copiem os termos da petição apresentada por Barbosa Lima Sobrinho, no tempo em que a ABI não abrigava milicianos, e por Lavenère, no tempo em que a OAB não se comportava como esbirro de um projeto de poder e de um partido político.

Falei?

Fonte: www.veja.com.br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Dilma discursa, e o país vaia

A mulher “dura” deveria pôr na rua todos os “homens meigos” e incompetentes que não a impediram de fazer mais uma bobagem. Ou: Uma fala sobre o nada

Por Reinaldo Azevedo

Se eu fosse dar um conselho de amigo à presidente Dilma Rousseff, seria este: “Governanta, chame todos os seus auxiliares que concordaram com a forma, o tom, o conteúdo e os alvos de seu pronunciamento deste domingo, dia 8 de março, e ponha-os na rua. Sem exceção. De A a T, de Aloizio Mercadante a Thomas Traumann.  Como perguntaria um pastor de Virgílio: “Quae te dementia cepit, Dilma?” .Que tipo de maluquice passou pela cabeça da presidente uma semana antes dos protestos que estão sendo programados país afora?

Nas redes sociais, havia, sim, um chamamento discreto para um panelaço na hora em que a presidente fizesse a sua suposta homenagem às mulheres — é “suposta” porque a petista usou o Dia Internacional da Mulher como mero pretexto. Bastou que a governanta viesse com aquele vocativo espontâneo de sempre — “Meus queridos brasileiros (…) —, e uma vaia estrepitosa uniu a cidade de São Paulo como raramente se viu. Abaixo, há um vídeo que me foi enviado pela leitora Andréia, também ouvinte da Jovem Pan. É do bairro de Perdizes.  Há centenas de outros nas redes. Houve protestos em pelo menos 12 capitais: São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba, Porto Alegre, Goiânia, Belém, Recife, Maceió e Fortaleza.

Quem já estava disposto a vaiar e a bater panela não deve ter prestado muita atenção ao que disse Dilma, não é? Só por isso, creio, os protestos não foram ainda mais contundentes. Os petistas com um todo, e Dilma Rousseff em particular, perderam a noção da realidade; perderam a leitura da política; perderam o pulso da população. E fazem, então, bobagens em penca até segundo aquele que deveria ser o seu ponto de vista.

É possível que a “Lista de Janot”, arrematada com o “nada consta contra a presidente”, de Teori Zavascki, tivesse até dado uma refreada nos ânimos. Os dois eventos não foram propriamente mobilizadores. Ora, sendo assim, com a popularidade em queda livre, cumpria a Dilma ser o mais discreta que conseguisse. Que fizesse uma fala curta em homenagem às mulheres, vá lá; que anunciasse o agravamento da pena para o chamado “feminicídio” (debate o mérito outra hora), ok. Que aproveitasse a deixa para lamentar a corrupção na Petrobras, seria aceitável também. Mas o que foi aquilo???

A íntegra de sua fala está disponível neste blog. Dilma já largou mal sugerindo que os descontentes estão mal informados. A imprensa foi o seu primeiro alvo. Segundo a presidente, “os noticiários são úteis, mas nem sempre são suficientes”. “Muitas vezes — disse a gênia — até nos confundem mais do que nos esclarecem.” Entendi. Não é de hoje que os petistas consideram que a falta de informação é útil a seu projeto de poder. Isso explica a sua disposição para controlar e censurar a imprensa.

Com a compulsão de sempre para a mistificação, disse a governanta: “Pela primeira vez na história, o Brasil, ao enfrentar uma crise econômica internacional, não sofreu uma quebra financeira e cambial”. Bem, trata-se apenas de uma mentira. Instruída sabe-se lá por quais feiticeiros, incorporou o conceito de que governo e sociedade são polos necessariamente opostos. O primeiro teria já pagado o pato da crise; agora, teria chegado a vez do povo. Leiam isto: “Na tentativa correta de defender a população, o governo absorveu, até o ano passado, todos os efeitos negativos da crise. Ou seja: usou o seu orçamento para proteger integralmente o crescimento, o emprego e a renda das pessoas. (…) Absorvemos a carga negativa até onde podíamos e, agora, temos que dividir parte deste esforço com todos os setores da sociedade”.

Nessa fala, “sociedade” e “governo” têm matrizes distintas e interesses específicos, que podem, eventualmente, entrar em contradição e se opor. Ainda que Dilma fosse uma ultraliberal, em vez de uma esquerdista atrapalhada, a fala estaria errada.

 

A presidente se referiu, sim, às tais medidas amargas que, segundo ela, seriam implementadas pelo tucano Aécio Neves caso vencesse a eleição. Afirmou: “Foi por isso que começamos cortando os gastos do governo, sem afetar fortemente os investimentos prioritários e os programas sociais. Revisamos certas distorções em alguns benefícios, preservando os direitos sagrados dos trabalhadores. E estamos implantando medidas que reduzem, parcialmente, os subsídios no crédito e também as desonerações nos impostos, dentro de limites suportáveis pelo setor produtivo”. Sei. Há pouco mais de quatro meses, essa mesma senhora fazia uma campanha eleitoral só com amanhãs sorridentes. Sabíamos, ela também, que um estelionato estava em curso.

Dilma, já escrevi isso aqui outro dia e reitero, é hoje a principal propagandista do protesto do dia 15. Mais de uma vez ela já se definiu como uma “mulher dura, cercada de homens meigos”. Bem, está na hora de seus meigos estudarem um pouco de política. Hoje, ela só é uma mulher em apuros, cercada de homens incompetentes.

Fonte: www.veja.com.br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

OPERAÇÃO LAVA-DILMA – Planalto ajudou a “pensar” a Lista de Janot. Zavascki carimba o “nada consta contra a presidente”

Cunha e Renan reagem. Ou ainda — Silvio Santos pergunta sobre a relação Janot-Cardozo: “É namoro ou amizade?” A plateia decide

Por Reinaldo Azevedo

A peça produzida pelo Ministério Público Federal, sob o comando de Rodrigo Janot, tinha um objetivo, digamos, central: a declaração de que nada há contra a presidente Dilma Rousseff. Isso, não foi o próprio procurador quem disse. NaPetição 5.263, aquela em que remete o caso de Antonio Palocci para a Justiça Federal de Curitiba, ele se limita a lembrar que a presidente não pode, no exercício do cargo, ser responsabilizada por atos anteriores à sua investidura. Mas parecia pouco.

Coube a Teori Zavascki, relator do petrolão no Supremo, bater o martelo: a presidente está livre de qualquer investigação não apenas por um impedimento legal, mas porque nada haveria contra ela. E ponto. José Eduardo Cardozo, o indignado, se encarregou de chamar atenção para a declaração na mesma entrevista em que voltou a negar que o governo tenha tido qualquer interferência na lista. É bem verdade que a Folha noticia mais um encontro secreto entre Rodrigo Janot e Cardozo — este na Argentina. Como num antigo programa de Silvio Santos, a plateia decide se é namoro ou só amizade.

Eu não me canso de revisitar aquela fantástica lista apresentada por Janot. A primeira piada que me vem à mente é a seguinte: “Com tanto pepista lá, cadê Paulo Maluf???”. Ninguém tratava da Petrobras com “Doutor Paulo”? Quanta injustiça! Mas sigamos. Então era mesmo o PP que comandava a festa, né? É bem verdade que essa lista nasce principalmente das delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef e que outros pedidos de inquérito podem chegar ao Supremo. Mas não contem com uma ampliação substancial, não.

Os petralhas, que já estavam quase se convencendo de que seu partido era mesmo o mais corrupto da Terra, agora podem se acalmar: talvez seja apenas o terceiro mais corrupto, perdendo feio para o PP, esta potência que manda na República, e para o PMDB, o que prova, gente, mais uma vez!, que petistas são bonzinhos por natureza; as más companhias é que os tiram do rumo.

Voltem à lista. Aquela penca de pepistas lá citados é irrelevante porque pepistas são irrelevantes. Ponto. No PT, Gleisi Hoffmann e Humberto Costa têm alguma importância — ele é líder da bancada no Senado —, mas ninguém ateará fogo às vestes pela dupla. Já o caso do PMDB… Pois é: Janot encontrou, até agora, apenas sete peemedebistas que estariam enrolados no caso: um é presidente da Câmara, e o outro, do Senado. O PT comanda a República há 12 anos, aparelha até batizado e velório, e o petista mais graduado a ser investigado, por enquanto, é… Humberto Costa!

No Twitter, Eduardo Cunha reagiu: “Sabemos exatamente o jogo político que aconteceu. O procurador agiu como aparelha visando a imputação política de indícios como se todos fossem partícipes da mesma lama. É lamentável ver o procurador, talvez para merecer sua recondução, se prestar a esse papel”.

“Dilma p… da vida”
Na Folha, lê-se a seguinte declaração do presidente do Senado: “Ela [Dilma] só soube que o Aécio estava fora na noite de terça, quando o Janot entregou os nomes para o Supremo. Ficou p… da vida”.

Destrincho a fala para vocês. O que Renan está afirmando é que Dilma havia sido informada, e muito bem informada, de que o presidente do PSDB estava na lista. E, como já escrevi aqui, até terça à tarde, estava mesmo, ainda que a inclusão do seu nome conseguisse ser mais ridícula do que a de Antonio Anastasia. Como vocês leram neste blog, parlamentares da base governista que circulavam entre os palacianos ouviam a garantia de que o senador mineiro estava na dita-cuja. E por que foi retirado? Porque, nesse particular, fazer a vontade do Planalto correspondia a desmoralizar o Ministério Público. E houve, sim, até dedo em riste!

Convenham: o que se tem até aqui da “Operação Lava-Dilma” já é uma enormidade, não? Reparem, meus caros: até agora, o petrolão não tem um centro político. Até agora, neste Oscar de Roteiro Adaptado, empresários maus e cúpidos se reúnem para subornar servidores pervertidos, que repassavam (depois de tirar o seu) o dinheiro para um bando de parlamentares, a maioria do…PP!!!

Você já está cansado da imagem da pizza? Que tal, então, “O pastelão do Doutor Janot”. Se fosse um filme, Cardozo poderia ser o roteirista, e Dilma, a diretora.

Há milhares de versões por aí. Sugiro que vocês fiquem com os fatos.

Fonte; www.veja.com.br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

A LISTA DE JANOT

Artigo

Por Paulo Afonso Linhares 

Paulo Linhares

Paulo Afonso Linhares é jurista e diretor da Rádio e Portal Difusora

 

Em muitas situações da vida as listas mexem com as cabeças das pessoas, inclusive, naqueles casos em que se nominam até os que literalmente podem perder as cabeças. Neste modelo, certamente tornou-se famosa e não menos temível a lista que carregava no bolso do colete Louis Antoine Léon de Saint-Just, revolucionário francês eleito membro do Comitê de Salvação Pública, em 1793, quando sem destacou como implacável acusador dos nobres aprisionados durante a Revolução Francesa e, por fim, guilhotinados às pencas naquele período denominado como “Terror”. Foi o enorme talento retórico do sectário Saint-Just, apelidado como “Arcanjo da Revolução”, que levou à guilhotina o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta e outros tantos de “sangue azul” (“não se pode reinar inocentemente” e “todo rei é um rebelde ou um usurpador”, repetia ele). Sua lista era temida e ninguém queria dela fazer parte, até que chegou o 10 Thermidor (décimo-primeiro mês do Calendário Revolucionário Francês, que vigorou de 22 de setembro de 1792 a 31 de dezembro de 1805, e correspondia ao período entre 19 de julho e 17 de agosto do Calendário Gregoriano), quando “L’archange de la Terreur”, com apenas 26 anos de idade, junto com outros partidários de Maximilien Robespierre, teve o mesmo trágico e patético fim de tantos que condenou à guilhotina.

Entretanto, noutra lista famosa todos queriam entrar: a Lista de Schindler. Com efeito, num gesto inexplicável, o Oskar Schindler, o industrial alemão, espião e membro do Partido Nazista, salvou da morte, em campos de concentração, mais de 1200 judeus que empregou em sua fábrica de esmaltes e munições, instalada em Cracóvia, durante a Segunda Guerra Mundial e que compunham uma lista de pessoas por ele requisitadas às autoridades nazistas para trabalhar naquela unidade industrial que fazia parte do esforço de guerra alemão. Na verdade, de princípio ele queria apenas explorar a mão de obra judia, bem mais barata, embora tenha posteriormente aderido à causa da salvação daqueles que, no futuro, passariam a ser conhecidos como os “judeus de Schindler”. Herói do povo judeu, Schindler tem protagonizado várias obras artísticas e científicas, inclusive o famoso filme de Steven Spielberg, A lista de Schindler, ganhador de sete Óscares,

inclusive o de melhor filme, ademais de merecer o título que lhe deu o Estado de Israel de “Justos entre as nações”.

Essas listas, uma ruim e outra boa, são lembradas, aqui, apenas para enfatizar a expectativa que tem causado a divulgação da lista com os nomes de (mais ou menos quarenta) personalidades políticas brasileiras supostamente envolvidas no megaescândalo da Petrobras, recentemente encaminhada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com pedido de abertura de investigação, ao ministro Teori Albino Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, relator dos processos que envolvem a chamada “Operação Lava-Jato”, que investiga a corrupção ocorrida na maior empresa estatal brasileira.

É a “lista de Janot” – na verdade – são 28 pedidos de abertura de inquéritos contra 54 pessoas, algumas com mandatos parlamentares outras não, porém, que teriam sido beneficiárias do esquema de desvio de recursos da Petrobras, feitos pelo procurador-geral da República à frente de uma força-tarefa formada por mais 11 procuradores da República – que está a tirar o sono de muita gente. Por expressa determinação legal, coube ao ministro Zavascki divulgá-la ao tempo em que autorizou a abertura dos inquéritos. E o fez na noite de sexta-feira, dia 6 de março de 2015. Curioso é que a Lista de Janot, além do galicismo do nome, tem muito a ver com Saint-Just e nada com Schindler. Todavia, acarretará muitos transtornos aos envolvidos, mormente, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, aliás, este já um veterano neste tipo de investigação.

Por enquanto, a Lista de Janot causa enorme frisson nos meios políticos da capital da República, mesmo antes da divulgação oficial, já que se constituiu um autêntico segredo de Polichinelo, porquanto houve vazamento acerca de todos os ilustres nomes nela perfilados, em especial, os dos atuais presidentes da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e do presidente do Senado Federal, Renan Calheiros, antes referidos. A surpresa ficou por conta dos nomes excluídos da poderosa lista, com destaque para os de Aécio Neves e Henrique Eduardo Alves que, embora citados na delação de Paulo Roberto Costa, não tiveram indiciamentos pedidos por Janot.

No mais, a lista atinge em cheio a base parlamentar da presidente Dilma Rousseff, quando arrola políticos do PP, PMDB e PT, embora haja alguns ligados à oposição, aexemplo do senador mineiro Antônio Anastasia. Que vai sair fumacinha preta nos céus de Brasília, isso vai. Curiosa a coincidência, com lembra o jornalista Ricardo Rosado, em nota publicado no blog Fator RH, de que nessa lista figurem os  senadores Fernando Collor de Mello e Lindberg Farias, entre os beneficiários dos recursos desviados da Petrobras: Collor foi apeado da presidência da República através de impeachment, acusado de corrupção; o jovem senador Lindberg Farias (PT-RJ) foi um dos principais líderes do movimento estudantil dos caras-pintadas contra o então presidente Fernando Collor de Mello. Agora, ao que parece, companheiros de infortúnios dividirão o mesmo banco dos réus. Aliás, todo esse imbroglio que abala esta República tupiniquim nos remete àquela sentença de Marcus Tullius Cicero, na sua Primeira Oração contra Catilina: “O tempora, o mores! Senatus haec intellegit” (“Ó tempos, ó costumes! O Senado sabe dessas coisas.”). Nós outros, comuns mortais, também merecemos saber.

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

ECONOMIA EM QUEDA, INFLAÇÃO EM ALTA E A DESTRUIÇÃO DO REAL

Uma avaliação incisiva sobre a situação do Brasil por quem entende do assunto 

Por Elviro Rebouças 

elviro_rebouas

Elviro Rebouças é economista e empresário

 

Nunca, na história republicana brasileira, um Presidente da República eleito pelo voto popular, com apenas sessenta dias depois de empossado, (a Presidente Dilma Rousseff já foi reeleita), trouxe tanta desesperança aos seus próprios apoiadores e eleitores, quanto a atual Chefe de Estado. E tivemos aí figuras exóticas como Jânio Quadros, com uma vassoura na mão e, dentro da sua loucura, com suas forças ocultas nunca esclarecidas, e o fantasmagórico Fernando Collor de Mello, que injustamente, na eleição de 1989, fez crer que Lula eleito confiscaria a poupança popular, quando ele próprio, de forma pirotécnica, insana e cruel, já estava preparado para fazê-lo. Mas Alagoas, que já foi chamada de terra dos marechais e que nos deu figuras expressivas como Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, depois do impeachment do inimigo dos marajás já o brindou com dois mandatos, de oito anos cada , como seu Senador da República. Talvez hoje os mais animados correligionários da Presidente, fora da área do Partido dos Trabalhadores, sejam Renan Calheiros e Eduardo Cunha, os Presidentes das duas casas legislativas.

INFLAÇÃO DE DILMA CHEGA A 30,80%-

Em quatro anos e dois meses de mandato, a inflação pelo IPCA do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística –IBGE – acumula 30,80%, a maior para 50 meses consecutivos, desde a implantação do Plano Real, em 01.07.1994. Em fevereiro último foi de 1,22%, e de março de 2014 a fevereiro de 2015, chega a 7,7%, extrapolando o teto da meta do próprio governo.

ATIVIDADE ECONÔMICA EM QUEDA -0,40% DO PIB-

A economia brasileira encolheu cerca de 0,40% em 2014, é a precificação do próprio Ministro da Fazenda Joaquim Levy, embora o IBGE só oficialize o percentual no final de março. A desaceleração da indústria ocorre desde o ano passado, mas começou a apertar o passo este ano, com a retração mais intensa dos consumidores e fim de incentivos tributários concedidos pelo governo e que eram condicionados a compromissos de manutenção de empregos no setor. A indústria brasileira de veículos produziu 200,1 mil veículos em fevereiro, um recuo de 28,9% na comparação com o mesmo mês de 2014, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), nesta última quinta-feira. Na comparação com janeiro a retração foi menor: 2,3%. Com o resultado, o setor acumula perda de produção de 22% em relação ao acumulado do primeiro bimestre do ano passado, a 404,9 mil unidades. A ANFAVEA comunicou ao governo que espera uma retração superior a 15% para este ano, em relação a 2014.

DÓLAR JÁ CUSTA R$3,051 – AUMENTO DE 83,54% –

Em 31.12.2010, último dia do segundo mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dólar americano valia R$.1,665. Nesta última sexta-feira (dia 06), ele chegou a R$.3,056, uma estúpida elevação de 83,54% nos cinquenta meses do governo de Dilma Rousseff. Com um profundo agravante, hoje o Brasil tem sucessivos déficits na balança comercial, já que estamos importando muito mais do que exportamos, reversão que aniquila as perspectivas do nosso crescimento. A melhor maneira de aferir a saúde de uma moeda é analisando a evolução de sua taxa de câmbio em relação às outras moedas do mundo. A taxa de câmbio é um preço formado instantaneamente pela interação voluntária de bilhões de agentes econômicos ao redor do mundo. Se esses bilhões de agentes econômicos acreditam que a inflação de preços no seu país será baixa, sua moeda irá se valorizar. Se eles acreditam que a inflação está alta ou que ela será alta, sua moeda irá se desvalorizar. Grosso modo, a taxa de câmbio representa, em tempo real, a razão entre o nível geral de preços vigentes em dois países distintos. A taxa de câmbio entre dois países é igual à razão de seus níveis de preços relativos. Sendo assim, a evolução da taxa de câmbio é uma narrativa da evolução do poder de compra atual de sua moeda em relação a todas as outras. A conclusão, portanto, é que com a taxa de câmbio não há segredo: se ela está se desvalorizando por muito tempo, então é porque o país está em rota inflacionária. Se ela está se valorizando com o tempo, então é porque o país está em rota sadia. Não há mensurador mais confiável e mais acurado do que esse. O Real é a segunda moeda mais desvalorizada este ano frente ao dólar, já derreteu 14,75%, só perde para o bolívar venezuelano. Caso o leitor faça uma avaliação de que as notícias econômicas são todas ruins, eu tenho a dizer que, no momento, não vemos nenhuma favorável a pinçar. O próprio Banco Central do Brasil acaba de elevar a taxa SELIC – base de juros da economia nacional – para 12,75% ao ano, a maior dos últimos seis anos – desde janeiro de 2009. Portanto, infelizmente, nada a comemorar.

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+

Uma lista, uma análise e uma pergunta:

Cadê o Poder Executivo?

Por Reinaldo Azevedo

Ah, que delícia! O segredo de aborrecer é mesmo dizer tudo, né? Quando se diz antes, então, tanto melhor. Ontem — sim, nesta quinta! —, escrevi aqui umpost em que expressava, com certa ironia (para bons leitores), a minha curiosidade sobre quantas pessoas da “Lista de Janot” seria ligados ao Poder Executivo, este que é chefiado por Dilma Rousseff. Leiam trecho.

o que eu disse sobre lista

Voltem à lista no post anterior. Só há dois nomes ali que tiveram função relevante no Executivo: Edison Lobão e Gleisi Hoffmann. E apenas ele foi ministro do governo Lula, que é quando o circo de horrores prosperou na Petrobras pra valer.

Assim, vejam que coisa fantástica. Por enquanto ao menos — vamos ver o que mais virá, se vier —, o escândalo do petrolão teria sido, então, uma maquinação de empreiteiros e de funcionários corruptos da empresa para beneficiar parlamentares, na sua maioria, do PP, que, como sabemos, é o partido que comanda os destinos da República, né???

Do Poder Executivo, ora vejam, ninguém participou, com a possível exceção de duas pessoas em 54. E, ainda assim — não li os depoimentos que citam a dupla —, as citações podem dizer respeito ao período em que estavam no Parlamento.

Se alguma esperança me resta, deriva do fato de que a coisa ainda não acabou. Como depoimentos ainda estão sendo tomados, pode até ser que esse troço acabe entrando nos eixos. Por enquanto, merece o Oscar, como disse, de “Roteiro Adaptado” — adaptado, no caso, do desfecho do mensalão. “Ah, mas é que essa lista decorre basicamente dos depoimentos de Paulo Roberto Costa, que era homem do PP, e de Alberto Youssef”. Sim, eu sei. Continua estranho.

De novo: quem sabe venha mais novidade por aí. Como a coisa está, sem a participação do Poder Executivo, resta-me dizer como Padre Quevedo: “Non ecziste”.

Ah, sim: o que escrevo não impede que todos da lista sejam culpados — que se apure! — e mereçam punição. Mas digam sinceramente: vocês acham essa lista compatível com o tamanho do escândalo, que, obviamente, não se restringe à Petrobras?

Fonte: www.veja.com.br

Email this to someoneShare on FacebookTweet about this on TwitterPin on PinterestShare on Google+