Michel Temer adverte:

Não há porquê o PMDB festejar a saída do governo 

POR RICARDO NOBLAT

No calendário montado pelo PMDB para finalmente chegar ao poder  dispensando intermediários, há três datas decisivas: a do desembarque do partido do governo; a da votação pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados de relatório favorável ao impeachment da presidente Dilma; e finalmente a da aprovação do impeachment pelo plenário da Câmara.

Se as três datas forem ultrapassadas com êxito, duas outras não deverão reservar surpresas. A saber: o recebimento pelo Senado do pedido de impeachment encaminhado pela Câmara; e a aprovação final pelo Senado do pedido de impeachment. Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, já informou a Dilma que seus colegas não terão condições de rejeitar o pedido depois que a Câmara o aprovar.

A primeira das três datas decisivas é hoje. Logo mais, a partir das 15h, na sala da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, o Diretório Nacional do PMDB decidirá por aclamação romper com o governo. A partir daí, ministros do partido e ocupantes de cargos públicos indicados pelo partido deverão abandonar o governo de imediato. Dos sete ministros até ontem do PMDB, um, o do Turismo, já saiu.

Alguns ministros foram dormir, ontem, com a disposição de resistir nos cargos, embora sujeitos à expulsão do partido. Um deles, o senador Eduardo Braga (PMDB-AM), das Minas e Energia, tomou o café da manhã com o vice Michel Temer no Palácio do Jaburu e tentou convencê-lo a adiar a reunião. Ou a permitir que ficassem no governo aqueles que desejassem ficar. Temer respondeu que já não seria mais possível.

Foi a mesma resposta que Temer havia dado a Lula que, no último domingo, conversou com ele por meia hora na sala VIP da presidência da República no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Dali, Temer voou para Brasília, onde foi recepcionado na Base Aérea pelos sete ministros do PMDB com o pedido de que adiasse a reunião do diretório. Foi Lula, depois da conversa com Temer, que articulou a recepção.

Ainda na Base Aérea, Temer admitiu adiar a reunião. Horas depois, no Jaburu, recuou e manteve a reunião marcada para hoje. Fez mais ontem à tarde: despachou Moreira Franco, um dos seus assessores, ao encontro do ex-senador José Sarney (PMDB-MA), recém-eleito presidente de honra do PMDB. E recebeu a visita de Renan no Jaburu. Moreira ainda estava com Sarney na casa dele quando Renan telefonou para Sarney.

Renan contou a Sarney que tivera uma conversa “muito boa” com Temer. E que concordara afinal com o desembarque do PMDB do governo. Não havia mais o que fazer àquela altura. Dos 119 membros do diretório, segundo Temer, 114 votariam pelo desembarque. Depois de decisão nesse sentido tomada pelo PMDB do Rio de Janeiro, igual decisão foi anunciada pelo PMDB de Minas Gerais.

Renan, Sarney e Temer combinaram não comparecer à reunião do diretório, que será conduzida pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR), vice-presidente do partido.  E Temer avisou a deputados e senadores que não receberá ninguém no Jaburu depois que a reunião acabar. “Nada haverá para ser comemorado”, disse ele a um amigo. De resto, Temer não quer passar a impressão de que conspira para derrubar Dilma.

Tudo indica que a Comissão Especial do impeachment votará seu relatório entre os dias 11 e 17 de abril. E que até o fim do mês, o plenário da Câmara terá aprovado ou rejeitado o impeachment. Não tem se passado ultimamente um só dia sem que se reduzam as chances de rejeição do impeachment.

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