Artigo: Traição e Polícia

Paulo Afonso Linhares discorre sobre a traição que está em voga na política RN

Paulo Artigo

Quando se inventou a palavra “tragédia” certamente a primeira sílaba foi tirada de “traição”, esta que tem sido cantada em verso e prosa e até foi mote para a peça de teatro musicada, escrita em 1973 por Chico Buarque e Ruy Guerra: “Calabar: o elogio da traição”. No belo texto da peça a traição (de Domingos Fernandes Calabar possivelmente nascido durante a primeira década do século XVII, no atual Estado de Alagoas, contra a colonização espano-lusitana) assume, para uns, até ares de nobre gesto; para outros, foi ele um reles traidor, ganancioso contrabandista e ladrão. Quais os motivos da sua traição? “Provavelmente, ele foi movido por um misto de motivos, tendo o amor à sua terra natal como leitmotiv. Porém, foi sempre uma motivação mesclada, pois “o coração tem razões que a própria razão desconhece” (Blaise Pascal)”, segundo afirma o historiador Frans Leonard Schalkwijk.

Na intrigante canção de rock moderado, intitulada “Metal contra as nuvens”, a banda Legião Urbana começa com este verso:” Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão/ Reconheço meu pesar/ Quando tudo é traição/O que venho encontrar/ É a virtude em outras mãos (…). Isto faz pensar na traição em sentido amplo, algo tão antigo quanto a humanidade, embora também fosse coisa muito ao gosto do deuses da mitologia greco-romana. Todo mundo traia todo mundo, por sexo, política, dinheiro, poder ou, na maioria das vezes, pelo simples prazer de trair. Algo bem divinamente humano.

Das tantas faces da traição, uma apenas interessa para esta ligeira conversa domingueira: a traição política. Aliás, recentemente li um excelente artigo de Andrés Ortega, no jornal espanhol El País, sobre o tema: La política como traición. Ortega abre o artigo com uma verdade de há muito conhecida, mas, quase sempre escamoteada pelos político: “Nenhuma outra atividade como a política, no sentido da luta pelo poder, implica tanta disposição de trair aos mentores que as vezes se apresentas como companheiros e amigos (…) Maquiavel, situo a traição dentro da virtú política, que pouco tem que ver com a moral nem com o ódio.”

Descendo para esta desconchambrada aldeia do índio Poti, ocorre-nos o velho, mas, não menos usado dito popular assevera que “trair e coçar é só começar”. Aliás, este é o título de uma peça teatral de Marcos Caruso, que serviu de roteiro para o filme homônimo rodado em 2006 pelo batalhense Moacyr Góes, filho do saudoso educador e historiador potiguar Moacyr de Góes (1930 – 2009). A alusão a este anexim quase chulo vem a propósito das últimas acontecências da política norte-rio-grandense e que culminaram com o rompimento da governadora Rosalba Ciarlini e respectivo consorte/mentor, ex-deputado estadual Carlos Augusto Rosado, com o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia.

O resultado da última reunião do diretório estadual do DEM, ocorrida em Natal no último dia 2 de junho deste 2014, foi uma rejeição à candidatura de Rosalba para mais um mandato frente ao governo do Estado. Dos 58 votos possível, somente 10 sufragaram o projeto da atual governadora do Rio Grande do Norte; 45 disseram preferir uma aliança com o PMDB de Henrique Alves/Garibaldi Filho, 2 se abstiveram e um anulou o voto. Apesar de o voto ser secreto e, portanto, sem maior possibilidade de se dizer quem votou o quê, as baterias dos (agora) rarefeitos defensores da Rosa se voltaram contra o senador Agripino: traíra, traidor, traição. Entre choros e ranger de dentes, só faltam cantar aquele rapzinho safado do Edcity: “Cara de santinho, dizia ser irmão/ Mas já diz o ditado quem ver cara não ver coração /Traíra, traíra você tá na mira!/Traíra, traíra você tá na mira! /Andava entre os leprosos, pregando a união/ Foi beijado no rosto, tremenda traição/ Traíra, traíra você tá na mira!” Quem traiu quem? Difícil saber.

O senador Agripino disse que há meses não falava com Carlos Augusto/Rosalba. De outra feita disse que não tinha nenhum prestígio no governo da correligionária. Do lado rosalbista, são alegados todos os agrados políticos que o senador do DEM teria recebido desde quando Rosalba conquistou a Prefeitura de Mossoró, em, 1988. O negócio é “ficar peixe” (não necessariamente uma traíra…). O ex-ministro Nelson Jobim, do alto de sua experiência nas futricas da política tupiniquim deu a receita, em entrevista à Folha de São Paulo, em 26/7/2011: “Em politica ressentimento é coisa para amadores e até a raiva é combinada!” Pode? Claro, o que prevalece é o interesse de cada um, seja pessoa, grupo ou partido político; nada de fidelidade eterna. O que conta mesmo são os interesses efêmeros e circunstanciais. É o que se extrai das lições do velho Niccolò Machiavelli, do astuto cardeal Mazzarino, do indiano Kautilya e, sobretudo, daquela ótima safra de políticos mineiros do porte de José Maria Alkmin, Milton Campos, Benedito Valadares, Tancredo Neves, além dos mais genial de todos os políticos brasileiros que foi o gaúcho Getúlio Vargas. No mais, remanesce a (quase) romântica frase, catada na Web, dita pelo obscuro pensador de nome chamado João Vitor Rocha: ”As flores mais belas e perfumadas escondem o doce veneno da traição”. Assim,como diz o samba famoso, “pois é”.

Podcast Antenado: Fátima Bezerra

Deputada federal Fátima Bezerra, PT, fala sobre possibilidade de aliança com o PP, de Betinho Rosado e de voto de Rosalba e seus aliados.

Confira o áudio:

https://soundcloud.com/carlos-skarlack/fatima-bezerra

Vídeocast Antenado: Francisco José Júnior

Prefeito de Mossoró fala sobre o Pingo da Mei’Dia

Veja o vídeo:

Entrevista: Henrique e Garibaldi querem Fafá para deputado federal no Oeste e no Alto Oeste

Leonardo Nogueira revela detalhes de reunião ocorrida entre ele e Fafá com Henrique e Garibaldi, em Natal, na quinta-feira, 5

A ex-prefeita de Mossoró, Fafá Rosado, DEM, ao lado de seu marido, o deputado estadual, Leonardo Nogueira, DEM, tiveram uma reunião com o deputado federal e presidente do PMDB-RN e da Câmara Federal, Henrique Eduardo Alves e com o ministro da Previdência Social, Garibaldi Filho. O encontro realizado nesta quinta-feira, 5, no apartamento do presidente do PMDB, em Natal, foi o primeiro entre Fafá e Leonardo com Henrique e Garibaldi, depois das eleições municipais suplementares de 4 de maio. Em entrevista ao novo Blog do Skarlack, Leonardo Nogueira revela alguns detalhes tratados na reunião. Confira uma síntese da conversa do parlamentar com o editor do blog.

Avaliação
A reunião com o deputado Henrique Alves e com o ministro Garibaldi Filho, foi muito positiva. Dentro do que nós esperávamos que fosse acontecer. Foi um clima cordial em que colocamos nossas posições e Henrique e Garibaldi apresentam seus argumentos. Sempre com muita cordialidade como sempre foi o nosso relacionamento.

Suplementares
O presidente da Câmara Federal, Eduardo Eduardo Alves, considerou que Fafá Rosado teve um grande crescimento durante as eleições municipais suplementares de Mossoró. Ele também elogiou o prefeito de Mossoró, Francisco José Júnior e disse que no contato que teve com o mesmo, em Brasília, há alguns dias, ficou impressionado com sua postura.

Passado
Henrique Alves afirmou que as eleições municipais suplementares de Mossoró passou. É passado. Agora, é pensar no futuro. É trabalhar pelo futuro.

Interlocutora
O deputado Henrique Alves disse que em sendo eleito governador do Rio Grande do Norte, Fátima (Fafá Rosado) será a interlocutora, o elo entre ele o prefeito Francisco José Júnior. Para Henrique será importante se trabalhar em parceria com a Prefeitura Municipal, em benefício do povo de Mossoró. E no pensamento do presidente do PMDB, Fafá é a pessoal que vai fazer o canal entre Governo do Estado e Prefeitura de Mossoró. Entre ele e o prefeito.

Sintonia
Durante a reunião, tanto eu como Fátima (Fafá Rosado), colocamos a sintonia que chegamos nesse período, com o prefeito de Mossoró, Francisco José Júnior. Essa é uma parceria que não poderemos quebrar, pois estamos afinados e vamos continuar trabalhando por Mossoró, pois acreditamos que o prefeito Francisco José Júnior vai continuar fazendo um grande governo.

Candidatura
Os líderes do PMDB não abrem mão da candidatura de Fátima (Fafá Rosado) para a Câmara Federal. Henrique declarou que será importante a eleição de Walter Alves, porém, afirmou que o PMDB precisa de outro nome forte. E esse nome é Fátima.

Compromisso
Henrique Alves e Garibaldi Filho avaliam como de extrema importância a candidatura de Fátima (Fafá Rosado), a partir de Mossoró. O compromisso do PMDB é de que a ex-prefeita de Mossoró será o nome do partido no Oeste e no Alto Oeste, com Walter Alves trabalhando a partir de Natal, na grande Natal, no Agreste, no Seridó.

Sugestão
Também nos foi sugerido que, caso Fátima (Fafá Rosado) não deseje disputar a cadeira de deputado federal, eu poderia ser o candidato para a Câmara Federal e ela disputaria a cadeira de deputado estadual. É uma opção que foi conversada.

Secretaria
O deputado federal Hernqiue Alves também nos disse que caso eu não deseje disputar mais um mandato de deputado estadual, ele sendo eleito governador do Estado, eu seria um nome para o secretariado. Todas essas são possibilidades que iremos avaliar ao longo da próxima semana.

Tempo
Ficou acertado que na próxima sexta-feira, teremos uma reunião decisiva, em Natal, com Henrique e Garibaldi. Então, até lá, vamos conversar com os amigos, ouvir o que cada um acha e tomaremos uma decisão em conjunto. E como sempre temos feito, eu e Fátima e nossos amigos, vamos fazer a escolha que for melhor para Mossoró.

Necessidade
Diante do cenário que se apresenta, considero necessário e importante, a candidatura de Fátima (Fafá Rosado) para deputado federal. Por onde nós temos andado, encontramos pessoas querendo, defendendo e até cobrando que ela seja candidata a deputado federal. E isso, também, em outros municípios da região. Então, diante dessa posição dos líderes do PMDB, vamos ouvir os amigos e avaliar o que será melhor para a cidade e região.

Reunião
Nesta sexta-feira – dia 6 -, inclusive, o deputado Henrique Alves terá uma reunião decisiva com o senador José Agripino, presidente do PMDB. Eles vão adiantar os entendimentos para a aliança entre o PMDB e demais partidos que apoiam a candidatura do presidente da Câmara Federal, Henrique Alves.