Entrevista: Henrique Eduardo Alves

Candidato ao Governo do Estado pelo PMDB defende fim do radicalismo

Henrique na Tribuna

Henrique Alves na Tribuna do Norte – Foto: Alex Régis

Anna Ruth Dantas
Margareth Grillo
Vicente Neto

Repórteres

Presidente da Câmara dos Deputados e presidente estadual do PMDB, o deputado federal Henrique Eduardo Alves disputa pela primeira vez o Governo do Rio Grande do Norte. Traz o tom do discurso da conciliação e da união para superar grandes desafios. Na área da saúde, a proposta é reaparelhar os hospitais regionais e centralizá-los no atendimento de média complexidade. Ele defende, ainda, a união de esforços de todas as entidades e o Governo Federal para construir o Hospital de Trauma, projeto da administração atual que não saiu do papel . Diante do quadro de insegurança, o candidato analisa que é necessário um trabalho concentrado da Polícia Militar, Civil, Corpo de Bombeiros e Defesa Civil. Para Henrique Eduardo Alves é inconcebível que cada uma dessas entidades “falem linguagens diferentes” quando o foco da segurança é único. 
A situação financeira do Estado é o quadro de maior preocupação. Ele chama atenção para o fato que o reequilíbrio financeiro ocorrerá a partir de uma parceria com o Governo Federal, renegociação do estoque de dívidas do Estado e a celebração de parcerias público privada. Se eleito, Henrique Eduardo garante implantar sistemas de meritocracia para avaliar a carreira dos servidores estaduais.  “Precisaremos da compreensão dos aliados políticos porque a equipe de Governo precisa ser centrada na capacidade técnica e não nas indicações políticas”, avisa o candidato. Confira, abaixo, a entrevista concedida à TRIBUNA DO NORTE:

Observando o palanque dos partidos que integram a sua aliança, o senhor defende a candidatura de Dilma Rousseff. O senador José Agripino Maia é aliado do presidenciável Aécio Neves. A vice-prefeita de Natal Wilma de Faria apoia Eduardo Campos. Como explicar isso ao eleitor?
Não é difícil. Essa é uma qualidade que eu agradeço a Deus ter me dado. Ele me deu a credibilidade, pela minha vida pública, de poder, nesta hora, unir tantos que lutaram em palanques diferentes no passado e hoje entendem que esta é a hora de unir o Rio Grande do Norte. As dificuldades que já coloquei aqui mostram a necessidade de unir esse Estado. Temos que somar inteligência, experiência, pessoas de boa fé, independente de onde estejam. E não é só aqueles que vão ganhar conosco a eleição. Tem também aqueles que até podem não estar conosco na campanha, mas por qualidade poderão amanhã estar no Governo, com espírito público, com ética, com compromisso com o Estado que tenha a se somar. Esse Estado não pode mais ficar no radicalismo do passado, em que metade puxava para cima e metade puxava para baixo. Era um radicalismo emocional, as pessoas conseguiam um voto aqui e acolá, mas depois para governar cadê a união? Cadê a interação, o compromisso, a solidariedade? Isso não pode mais acontecer. Neste caso em que você cita de vários partidos, não ocorre só aqui. As realidades estaduais superam a questão nacional. As realidades estaduais se impõem nessa montagem de palanques em cada Estado. Então seria para mim uma vantagem, e o destino até me beneficiando, se amanhã a minha candidata Dilma se eleger eu já teria, com certeza, um apoio que nos ajudaria a abrir as portas para o Rio Grande do Norte. Se por acaso vencer Aécio Neves eu terei no aliado José Agripino e no Rogério Marinho, do PSDB, as mesmas certezas de que teremos portas abertas e simpáticas ao Rio Grande do Norte. Se for Eduardo Campos temos a senadora Wilma, que eu espero que se eleja, para também abrir essas portas juntamente comigo, pela minha experiência e convivência. Trabalhei muitos anos em Brasília e, com este trabalho, abri portas para o Estado. O segmento evangélico tem um candidato que eu respeito muito, o pastor Everaldo, do PSC, que também está no nosso palanque. Então, isso é uma qualidade para o Rio Grande do Norte. Não há nenhum radicalismo para termos portas fechadas. Haverá sim, portas abertas para aqueles projetos que levaremos para buscar parcerias com o Governo Federal, que serão fundamentais para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte.

O senhor estaria defendendo o fim de posições radicais na política potiguar?
Como um Estado tão rico é tão pobre? Tem a eólica que é o primeiro lugar do Brasil, tem a fruticultura que exporta para o mundo inteiro, tem minério, turismo, petróleo. Tem o aeroporto que não é ponto de chegada, mas ponto de partida para o desenvolvimento,, como esse Estado não tem o mínimo para oferecer ao cidadão. Como esse Estado é tão forte e deveria ser e e é tão fraco. Esse contraditório temos que enfrentar. E só enfrentaremos se o Estado entender que não cabe mais o radicalismo político. Eleição não é mais uma guerra onde as pessoas vão se matar uns aos outros. Quem ganha não era um vencedor, mas um sobrevivente, saia todo mutilado pelo radicalismo da campanha. Precisamos mudar essa mentalidade.

O candidato Robinson Faria, do PSD, vem dizendo que é o único candidato de fato de oposição, já que o Democratas, partido da governador Rosalba Ciarlini, está no palanque do senhor. O seu discurso de oposição se enfraquece por ter o DEM como aliado?
Veja bem, se isso é verdadeiro, respeito muito o meu colega Robinson Faria. Ele pode ficar tranquilo que teremos uma campanha de alto nível, no que depender de mim até pela relação que tenho com sua família toda. Nossos pais eram muito amigos. Hoje, ainda temos uma relação próxima de amizade. Mas ele (Robinson Faria) está sendo muito infeliz, ou injusto, ou desinformado ou desatento. Pode escolher uma das quatro opções. Porque o cunhado da governadora, o deputado Betinho Rosado, que comanda o Partido Progressista no Rio Grande do Norte, está aqui ou está lá (com Robinson Faria)? Se fosse essa a recomendação da governadora Rosalba o seu cunhado Betinho Rosado, deputado federal, teria todas razões para estar aqui (no palanque de Henrique Alves), mas está lá. Isso mostra que eu não tenho esse apoio, esse compromisso com o Governo Rosalba. Isso não é verdadeiro e está na hora do Rio Grande do Norte ter os seus políticos falando a verdade. 

Mas, até ser candidato o senhor foi aliado da governadora Rosalba Ciarlini.
Mesmo que se possa não agradar, mas a verdade impõe respeito. Eu a respeito a governadora Rosalba como política, como mulher, não há nada que venha a denegrir sua imagem. Nossa discordância foi o modelo de governo, que não interagiu, não descentralizou. Não deu direito a voz e a vez dos seus aliados que queriam apenas construir na crítica, buscar caminhos novos e não conseguimos sequer um espaço para isso. Essa foi a razão principal de ter saído do governo. Queríamos ajudar, mas não estava havendo receptividade a nossas ponderações e advertências. Na hora que saímos do governo, assim e de forma respeitosa e respeitada pela governadora, não teria nenhum sentido hoje ter o apoio político do governo. Eu espero ser o governador de todo Rio Grande do Norte, de todos os norte-rio-grandenses, sem intolerância, sem mágoa com quem quer que seja. Eu quero o voto de todos, como cidadãos, até porque terei que ser governador de todos os norte-rio-grandenses.

O empresário Flávio Rocha chegou a dizer que há um ambiente hostil aos empresários no Rio Grande do Norte. Em caso de um governo seu, como será o relacionamento com o empresariado?
Uma licença ambiental no Rio Grande do Norte leva de 18 a 24 meses a ser concedida e todo financiamento hoje, seja Banco do Nordeste seja BNDES, todo ele está exigindo e corretamente a licença ambiental. Se você chega em Pernambuco ou no Ceará, você tira a licença ambiental em dois meses, três meses. Como vamos competir com o Estado com essa agilidade da questão ambiental? Saindo daí vem a burocracia dos processos em andamento, você encontra servidores desmotivados, um servidor público sem estímulo para crescer, até com atraso de salário. Você gera no Estado um clima de baixo estima. 

Fonte: www.tribunadonorte.com.br

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