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O melhor para o Brasil é Lula na cadeia

Editorial de O Estadão

O Estadão, em editorial, desmonta a farsa de que a prisão de Lula representa um perigo para a ordem democrática.

Leia um trecho:

“Esgotados os frágeis argumentos jurídicos de sua defesa, o sr. Lula da Silva apela para a farsa política, dando a entender que seria mais poderoso do que as instituições do País. O medo de que Lula seja transformado em mártir não é, assim, consequência de uma preocupação com o interesse nacional e a ordem pública. É a velha manipulação petista da realidade, numa canhestra tentativa de mais uma vez enganar a população. O engodo é evidente. Incapaz de mostrar a inocência do seu líder ante a condenação em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, a legenda em frangalhos deseja que o povo acredite que as instituições nacionais são frágeis e, portanto, não devem ousar enfrentar o mito Lula.

O bom funcionamento da Justiça não produz mártires. Quando o Poder Judiciário atua de forma isenta, aplicando a lei equanimemente, não há alvoroços políticos e sociais. O resultado, na verdade, é um ambiente de mais segurança, mais serenidade, mais racionalidade; enfim, mais paz. Foi o que se viu após o julgamento da 8.ª Turma do TRF-4 (…).

Se a lei diz que o sr. Lula da Silva, por força de seus atos criminosos, deve, em vez de ser candidato, ir para a cadeia, o melhor para o País é que, como todo cidadão, ele seja submetido à lei. Afinal, sem a espada e a venda, a Justiça nada é.”

O ENFADO DAS MORTES ANUNCIADAS

OPINIÃO

POR PAULO AFONSO LINHARES

Paulo Linhares é jurista e diretor geral das Rádios Difusora de Mossoró e Costa Branca de Areia Branca

Nada mais enfadonho que a linearidade das coisas, a mesmice mortalmente previsível, as
bobagens do politicamente correto, a cega crença em valores que nada valem, como é o caso da
justiça que, na certeira concepção do filósofo Nietzsche, é apenas uma concessão de quem detém
efetivamente o poder. Como um ser-em-si a justiça não existe. Justiça, não deixa de ser aquela
ilusão de equidade, categoria conceitualmente indefinida que não raro se converte na vontade
política de uma elite perversa e não menos grotesca que impõe à sociedade o seu modo de existirno-mundo.
É no poço da equidade que os juízes ‘encontram’ as razões de decidir que até podem
transcendem o direito posto – a lei, a jurisprudência, os uso e costumes – para formar seu livre
convencimento na apreciação das provas, mesmo quando estas não existem.
Lamentável que o “povo do PT”, além de outros equívocos, acreditava que a fronte áurea e
o argênteo peitoral da deusa Themis reluziriam a verdade no julgamento da apelação do expresidente
Lula pela 8ª Turma do TRF4, ocorrido em 24 de janeiro de 2018. Mortal engano.
Enquanto o fatigada divindade se consumia nalgum bordel do Olimpo, de Paris, Hong Kong, Miami
ou de Istambul, esses meninos traquinos, pomposamente denominados ‘desembargadores federais’,
em seu nome, solenes e circunspectos, envergaram mortalmente o direito, enxovalharam a
Constituição do Brasil, para impor terríveis castigos a esse retirante nordestino que um dia ousou,
como um Prometeu caboclo, inverter a equação dos senhores da Casa-Grande. Querem devorar o
seu fígado, sentença a sentença. Outros processos, igualmente aleijões jurídico-processuais, estão
nas retortas do Califado de Curitiba e desaguarão na mesma vala comum do caso recentemente
julgado em Porto Alegre. Resultados previsíveis.
Longas e não menos enfadonhas preleções destituída de juridicidade e da lógica mais
elementar, tornadas mais bizarras e desconexas à medida em que escorregavam das bocas togadas
desses meninos-juízes-poderosos do Tribunal Regional Federal da Quarta Região. Mentiras
ganharam foros de incontestáveis verdades; provas que eram meros simulacros de verdade passará à
condição de absolutas certezas. Sim, esse sonhador e não menos ingênuo retirante nordestino que
lutou para resgatar da miséria mais de trinta milhões de brasileiros deveria pagar por tamanha
ousadia. Ora, não deveriam ele e seus ‘protegidos’ esperar que o Mercado-deus lhes absolvesse,
sobretudo ele, o Lula que tantas concessão fez aos poderosos da “livre iniciativa”? Adjuva nos et
redime nos!
Coisa nenhuma! A chibata da lei tergiversante deve vergastar impiedosamente o lombo de
Lula até que ele se lembre de onde veio e para onde jamais poderia ter ido. A retórica implacável
do meninos-togados da 8ª Turma do TRF-5 vai jogá-lo naquele círculo do inferno destinado aos
ingênuos, que o poeta Dante sequer ousou descrever. E espicharam uma pena que já era ridícula em
nove para pesados doze anos, para gáudio da Rede Globo e congêneres do baronato midiático, dos
conservadores e idiotas de todos os matizes. Lula na cadeia tudo se resolve? Parece que sim, pelo
que se vê dessa confusão de vozes que grassa no terreno pantanoso das redes sociais.
Certo é que essas coisas anunciadas, como foi a manutenção da sentença do califa Sérgio
Moro pelos juízes da 8ª Turma do TRF4, no julgamento da apelação do ex-presidente Lula, ocorrido
em 24 de janeiro de 2018, não deixam de ser enfadonhas: de um ou de outro lado, todos sabiam que
‘ferrar’ uma possível candidatura presidencial do líder petista começaria com a sua condenação por
um órgão colegiado de segunda instância, nos marcos da Lei da Ficha Limpa que, aliás, recebeu a
sanção de Lula, à época poderoso inquilino do Palácio do Planalto. Ele foi na onda do politicamente
correto e ajudou trazer a lume uma lei que atropelou importantes direitos fundamentais, como a
presunção da inocência que proíbe a prisão antes de esgotados todos os recursos processuais.
Enfim, Lula fez o laço que agora querem apertar no seu pescoço.
A sentença de primeiro grau não apenas foi mantida, como ampliado o período de prisão de
Lula, de nove para doze anos, em regime fechado. De um lado, pessoas indignadas com essa pouco
compreensível livre convicção que ronda as cabeças dos empoderados juízes deste país e que
constitui num álibi perfeito para todas as teratologia que possam parir enquanto privilegiados
intérpretes e aplicadores das leis segundo suas próprias convicções. Do outro, aqueles que, por
múltiplas razões, querem ver esse cabeça-chata nordestino a espiar o grave pecado de ter sonhado
com um Brasil para todos, sem miséria e com cidadania. Infelizmente, para conseguir essas coisas,
ele se juntou com quem não devia. Lula e seu partido pagarão um alto preço pelas alianças espúrias
que fizeram com conservadores e corruptos de todas extrações, para garantir o acesso ao poder e a
governabilidade.
O artifício jurídico de impedir a candidatura de Lula não encerra a questão nem evita que o
seu nome continue na ponta das pesquisas eleitorais, algo que se ampliará com sua quase certa
prisão. Fato é que, onde quer que ele esteja terá peso na eleição presidencial deste 2018: o seu apoio
poderá eleger o próximo presidente da República. Isto nenhum tribunal poderá impedir. No mais, é
torcer para que as forças vivas desta nação tupiniquim possam acertar um projeto comum que
fortaleça as conquistas políticas e materiais da sociedade brasileira. Já é tempo.

EM DEFESA DE PRIVILÉGIOS 2: Em troca do combate à corrupção, 60 dias de férias, auxílio-moradia, auxílio-livro, auxílio-paletó, auxílio-creche, auxílio-mudança, auxílio-lanche, auxílio pós-graduação…

OPINIÃO

POR REINALDO AZEVEDO

Representantes de entidades que vão promover o ato de juízes e membros do Ministério Público nesta quinta falaram com a imprensa.

A presidente da Conamp (Associação Nacional dos Membros do Ministério Público), Norma Cavalcanti, tem a coragem de perguntar: “Por que só nós? Porque estamos combatendo a corrupção?” Como assim? Que “só nós” é esse? A reforma da Previdência é para todos. Ademais, combater a corrupção não é um favor que o MP faz ao país, mas o cumprimento de uma obrigação.

Para o presidente da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Jayme de Oliveira, há “movimentos coordenados que tentam enfraquecer a democracia no país”. Eu só não consegui entender em que medida a reforma da Previdência enfraquece a democracia. Pensei que ela saísse fortalecida à medida que não teremos mais brasileiros de primeira e de segunda classes.

Já Roberto Veloso, presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), cita o que considera a grande obra das duas categorias nestes tempos: a prisões de Eduardo Cunha, de Sérgio Cabral e a condenação de Lula. Entendi. Por isso, então, eles merecem os mais altos salários da República, 60 dias de férias, auxílio-livro, auxílio-paletó, auxílio-creche, auxílio-mudança, auxílio-lanche, auxílio pós-graduação…

Daqui a pouco alguém ainda tem a coragem de defender também a condenação sem provas…

Querem saber? Agradeço a toda essa gente. Quando eu dizia que boa parte do esforço para destruir a classe política era só uma tentativa de setores do Judiciário e do Ministério Público de se colocar como o “Poder dos Poderes” da República, alguns acusavam meu exagero.

Aí está. Vejam quanto custa por ao ano ao país só o auxílio-moradia — R$ 1,6 bilhão — e depois pensem quanto tem nos custado, considerando a aposentadoria integral, entre outras benesses, a dedicação dessa gente ao combate à corrupção.

Essa turma perdeu a noção do ridículo. Mas, aos menos, as coisas estão postas agora no seu devido lugar.

STAND-UP POLÍTICO: LULA PEDE SOCORRO AO AMIGO FERNANDO HENRIQUE CARDOSO

EX-PRESIDENTE E LÍDER DO PSDB SE REUNIU COM FERNANDO HADDAD QUE REPRESENTOU LULA

O condenado Lula, o seu PT e esbirros (PC do B, PCB, PSB, PSOL, REDE) e puxadinhos (CUT, MST), ainda tentam manter a farsa de sua candidatura, de público.

Todavia, porém, entretanto, no entanto, nos bastidores, o grande ladravaz, Lula, e seus comparsas, buscam socorro.

Na tentativa de evitar sua prisão, Lula – o condenado -. pediu socorro ao seu velho “companheiro” ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

O emissário de Lula foi o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

Em nome de Lula, Haddad se reuniu com FHC esta semana.

O Velho Apache Antenado não se conteve; nem segurou a gargalhada – eheheheheheheh…

MINISTRO DO STF LIQUIDA O EMBUSTE DE LULA

A JUSTIÇA NÃO SE APEQUENA DIANTE DE LULA

EDITORIAL

O ministro Humberto Martins, do STJ, liquidou o embuste de que Lula é perseguido pela Lava Jato.

Leia um trecho do editorial do Estadão:

“A intenção dos advogados de Lula não é defendê-lo, mas sim denunciar ao mundo que seu cliente é vítima de perseguição política por ser quem é, como se vivêssemos num estado de exceção. Para esse fim, Lula contratou até um advogado australiano, Geoffrey Robertson, para representá-lo no Comitê de Direitos Humanos da ONU – e Mister Robertson não tem decepcionado: segundo ele, a Justiça brasileira é ‘arcaica’ e ‘enviesada’, sendo incapaz de dar a Lula um julgamento ‘justo’.

Felizmente, o ministro Humberto Martins, do STJ, a quem coube avaliar o pedido de habeas corpus, não se deixou abalar pelos argumentos politiqueiros dos advogados. Ao indeferir o pedido, o ministro Martins ignorou por completo a ladainha da defesa, atendo-se ao que é matéria de direito. E, segundo o magistrado, não há dúvida: habeas corpus só pode ser concedido para evitar iminente prisão ilegal. No caso de Lula, a prisão nem é iminente, pois a execução provisória da pena só acontecerá depois de esgotados os recursos na corte de apelação, nem será ilegal.

O mérito do habeas corpus ainda será julgado pela Quinta Turma do STJ. Se lá também for rejeitado, como se espera, não há dúvida que a defesa de Lula levará o caso ao Supremo Tribunal Federal, o que provavelmente era sua intenção desde o início, contando com o fato de que aquela corte tem se mostrado permeável a pressões políticas. Interessa a Lula provocar o Supremo a rever a orientação segundo a qual a execução provisória da pena pode começar logo depois da condenação em segunda instância.

Seria imenso retrocesso se isso acontecesse, antes de mais nada porque significaria que o Supremo acataria casuísmos. Felizmente, a presidente do Supremo, ministra Cármen Lúcia, disse que revisar a decisão sobre a prisão em segunda instância com base no caso do ex-presidente seria ‘apequenar’ o tribunal. Mais do que isso: pode-se dizer que o Brasil se apequenaria diante de Lula.”

PESQUISA ELEITORAL

JOSIAS DE SOUZA COMENTA

POR JOSIAS DE SOUZA

A pouco mais de oito meses da eleição presidencial de 2018, o futuro político do Brasil está nas mãos dos eleitores desanimados (votos brancos), irados (votos nulos) e desnorteados (indecisos). Juntos, eles somam 36% do eleitorado no principal cenário sem Lula, revela o Datafolha. É o dobro do percentual atribuído ao líder provisório Bolsonaro (18%). A legião dos sem candidato é quase equivalente aos 39% amealhados pelos quatro potenciais presidenciáveis que se acotovelam no pelotão secundário: Marina (13%), Ciro (10%), Alckmin (8%) e até Huck (8%). É coisa jamais vista desde a redemocratização.

Diante de uma conjuntura assim, tão perturbadora, é impossível fazer prognósticos. Mais de um terço do eleitorado revela-se incapaz de confiar nos candidatos. E há males que vêm para pior: os candidatos revelam-se incapazes de inspirar confiança. Na Era da Lava Jato, uma das características fundamentais da dificuldade de julgamento do eleitorado é ter que ouvir os políticos para chegar à conclusão de que a maioria não tem nada a dizer. Afora a deficiência de caráter, o principal déficit localiza-se entre as orelhas dos presidenciáveis.

A pesquisa trouxe uma má notícia para Bolsonaro. Embora continue na primeira colocação, o ”fenômeno” parou de crescer. Um sinal de que a empulhação tem limites. A sondagem forneceu uma boa notícia para o PT. O potencial de transferência de votos de Lula caiu. Mas 27% dos pesquisados ainda declaram que o apoio do condenado a 12 anos e 1 mês de cadeia “com certeza” influenciaria seu voto. Outros 17% dizem que “talvez” escolhessem um candidato indicado por Lula. Significa dizer que não são negligenciáveis as chances de o ex-mito colocar um poste no segundo turno. Evidência de que ainda sobra matéria prima para a fabricação de tolos.

Bolsonaro continuará murchando? Lula eletrificará mais um poste desde a cadeia? Quantos votos do futuro presidiário petista migrarão para Marina. Quantos serão herdados por Ciro? Quem emergirá como alternativa viável do centro? Com a palavra os eleitores desanimados, irados e desnorteados. O futuro da eleição presidencial pertence aos sem candidato.

Submetido à podridão revelada pela Lava Jato, o eleitor brasileiro entrou em parafuso. Para complicar, os candidatos rodam como roscas espanadas. Não saem do lugar. Exibem poucas ideias. Muitas são ruins. Outras nem são deles. Os que falam de improviso passam a impressão de que procuram as ideias desesperadamente —mais ou menos como um cachorro que escondeu o osso e esqueceu a localização do esconderijo.

(RE)TWITTANTO

OPINIÃO

Essa parte da pesquisa fica “ escondida” na “ grande imprensa”, aquela q Lula e o PT atacam no público e “ compram “ no privado, com o nosso rico dinheirinho.

BANGUELA. O NOSSO HERÓI SEM CARÁTER

ARTIGO

POR PAULO CASTELO BRANCO

A luta de Banguela pela paz e igualdade social nasceu com ele. Ainda criança andava pelas ruas pobres do seu miserável barraco em busca de alimento e de algum dinheiro para colocar em casa. De família numerosa, o pai irresponsável os abandonou para mudar de vida na cidade grande.

A mãe, desconhecendo o paradeiro do marido, catou seus pertences e, também, seguiu para o sul com a filharada.

Enquanto os irmãos engraxavam sapatos, usando suas caixinhas de madeira, Banguela vagava pelas ruas procurando caminhos mais suaves para progredir. Com a ajuda de entidades sociais, fez curso profissionalizante e, ainda na juventude, passou a trabalhar na indústria. Logo sofreu um acidente que o afastou do trabalho por invalidez.

Com a pequena grana garantida, observou que poderia aproveitar o seu tempo para se dedicar à causa proletária. Sem estudo, mas inteligente, se aproximou de alguns líderes sindicais, passando a fazer parte da elite. Fez carreira rápida. Com discurso fluente e populista foi identificado como perigoso oposicionista. Não era. Quando foi levado às grades por subversão, conquistou seus carcereiros e se transformou num parceiro para conter a violência.

Daí para frente, Banguela abriu caminho para a política e o poder. Aliado a intelectuais encantados com o sindicalista franco e supostamente honesto, chegou ao ápice assumindo o poder em poucas décadas.

No controle do país, aplicou seus conceitos em relação ao povo desamparado tornando-se personagem reconhecido mundialmente. Nas viagens, como não gostava de ler, determinava a assessores que fizessem resumos de assuntos importantes e conheceu o seu herói: Nelson Mandela, político africano que, depois de passar 27 anos na cadeia, foi libertado, presidiu e libertou a África do Sul. Queria ser tal qual o seu herói.

Durante algum tempo foi o cara, o mais aguerrido torcedor do Corinthians, o querido da imprensa, o sonho de cada sogra, até que a casa caiu.

Fingindo juntar recursos para ficar no poder até a morte, como seus amigos Fidel e Chávez, foi pego em roubalheiras. Processado, desconfiou que seria preso como vários dos seus companheiros mais próximos. Transferiu algum dinheiro para países que o acolhessem em caso de condenação.

Foi julgado e condenado. Saiu às ruas se dizendo injustiçado e perseguido por golpistas. A imprensa virou inimiga, aliados se transformaram em traidores, Deus e o diabo invocados a cada instante. A vida um inferno.

Após o julgamento, sem constrangimentos, partiu de jato privado para a África de Mandela. O pretexto da viagem é a luta contra a fome; a mesma fome que restaram de seus governos. Lá, na Etiópia, imagina que, se necessário, pedirá asilo usando os argumentos de perseguição política.

É possível que em alguma ditadura, tão comum por aquelas bandas, Banguela possa se livrar da cadeia e visitar o local onde seu herói passou seus longos anos de cárcere. Verificará que a história de Mandela é inversa à sua. Mandela ficou 27 anos preso e saiu para governar o destino do seu país; Banguela, que governou o país por 13 anos, saiu do poder depois de arruinar o país e passará, por enquanto, 12 anos e 1 mês trancafiado. É o nosso Macunaíma.

Lindbergh 1: O senador não é de nada!

Sabe-se que a coragem física não é compatível com demagogia falastrona

POR REINALDO AZEVEDO

Os irresponsáveis estão à solta. E o maior deles atende pelo nome de Lindbergh Farias, senador pelo PT do Rio. Aliás, ele tem de ter um mínimo de vergonha na cara e levar a sério aquilo que diz. Tem de renunciar ao mandato de senador. Por que afirmo isso? Ao discursar na quinta à noite para militantes do PT, afirmou (veja vídeo):
Vamos parar de ilusões. Será que alguém acha que é pelo caminho institucional que nós vamos derrotar o golpe? Muita gente discordou da fala dura da senadora Gleisi [Hoffmann], da minha fala, porque tinha ilusão de que a gente fosse ganhar no TRF-4. Eles não entenderam que esse sistema judicial faz parte do golpe, conspira pelas elites, contra o povo trabalhador. Será que alguém aqui ainda tem a ilusão de que nós vamos derrotar o golpe, garantir a candidatura do Lula, ganhando uma liminar no Supremo, no STJ? Chega, pessoal! Só há um caminho para derrotar o golpe, que é apostar nas ruas, no enfrentamento social, na rebelião cidadã, na desobediência civil. Nós não vivemos numa democracia, temos o direito de nos indignar e de ir para as ruas. É campanha toda a semana, mobilização toda a semana, não podemos abandonar as ruas“E eu mando aqui um recado para eles, para essa corja. Se eles acham que vão prender o Lula… Para prender o Lula, tem de prender nós todos aqui, que estamos nesse ato (…).”

O Senado é a chamada Câmara Alta da nossa República. É um dos pilares da institucionalidade. Se ele não serve à luta de Lindbergh, ele tem de deixar de ser covarde e de cair fora. Mais: que tenha a coragem adicional de pregar a luta armada, ora bolas! Como é que alguém pode descartar o caminho institucional recebendo um salário nababesco, morando de graça em apartamento funcional, tendo carro com motorista, plano de saúde de primeira linha e pelo menos 21 funcionários — esse número é de 2016?

É a institucionalidade que garante ao senhor Lindbergh a imunidade parlamentar, que lhe permite fazer esse discurso destrambelhado, que, entendo eu, incita a violência, ainda que de maneira oblíqua porque, como já disse, a fala se esconde atrás da covardia. Quero saber o que quer dizer “rebelião cidadã”, “desobediência civil’ e “enfrentamento social”. Na pratica, isso se traduz em quê?

Lindbergh não é de nada. O inimigo mais poderoso que já enfrentou é a irrelevância. Esse é do tipo que, num pega-pra-capar, se esconderia logo no primeiro tiro. Quem se dispõe ao enfrentamento não faz esse tipo de discurso. Os vividos sabem que a coragem física não é compatível com a demagogia e a fanfarronice.

Acontece que sua fala pode açular a fúria de uns pobres-diabos que não sabem que o senador está apenas fazendo política rasteira, mixuruca. Se ele próprio se levasse a sério, não aceitaria integrar o Senado, então, de uma não-democracia — a menos, claro, que fosse uma ditadura de esquerda. Como não leva nem é sério, então se aproveita das mordomias nababescas do Senado Federal.

Ah, sim: no discurso, ele deixou claro que, caso o PT volte ao poder, quer um regime bolivariano, ainda que Lula e o partido já estejam articulando uma nova “Carta ao Povo Brasileiro” para evidenciar, justamente, que bolivariano não é… Mas a plataforma de Lindbergh é outra. Afirmou:
“A esquerda tá renascendo, o PT tá renascendo, mas, desta vez, a gente vai fazer mais: vai democratizar os meios de comunicação, a gente vai tributar as grandes fortunas, a gente vai chamar uma Constituinte e fazer uma reforma desse Judiciário, que só decide a favor das elites. Companheiros, agora é hora de luta! Chega! Não é hora de uma esquerda frouxa, acomodada, burocratizada. Agora é hora de uma esquerda com vontade lutar para defender Lula (…)

As palavras podem ter consequências. Se grupelhos de esquerda saírem quebrando tudo por aí… Se extremistas decidirem praticar atentados terroristas contra as chamadas “elites”; se destrambelhados houverem por bem transformar em alvos os tribunais país afora, o que posso dizer? Quem assim agir estará dando consequência à fala de Lindbergh.

Já sugeri que o petista colocasse o senador e sua colega de bancada, Gleisi Hoffmann em prisão domiciliar partidária. Mas eles continuam por aí, à solta, falando o que lhe dá na veneta. E Lula, ora vejam, está pagando o pato. O recolhimento de seu passaporte é uma resposta errada e também destrambelhada da Justiça a discursos como o de Lindbergh.

Vergonha na cara, senador! Renuncie à função institucional que exerce e tenha a coragem de viver segundo aquela que o senhor diz ser a sua concepção de mundo….

Mas ele não o fará, não é? Imaginem só… Na luta armada, nos arrabaldes das grandes cidades ou na selva, no calor da batalha, com balas zunindo, quem vai se encarregar de aplicar Botox, não é?, para garantir aquele ar de Dorian Gray do capitalismo periférico e do socialismo retardatário?

O discurso de Lindbergh é próprio de quem quer Lula da cadeia. Resta, agora, saber por quê.

MORAL DE MOLAMBO

OPINIÃO

POR MIGUEL MULAMBO

O cantor e compositor Chico César gravou um vídeo-poesia cujo conteúdo reserva aos juízes do TRF-4, em Porto Alegre, o “lixo da história”. É uma reação ao julgamento da apelação criminal do ex-presidente Lula contra a condenação imposta pelo Juízo Federal de Curitiba, titularizado por Sérgio Moro.

O termo “lixeira da história” foi cunhado por Leon Trotsky quando os bolcheviques tomaram o poder na Rússia, em 7 de novembro de 1917. Os comunistas perderam feio para os revolucionários de esquerda na Assembleia Constituinte, por isso cercaram o prédio onde se reuniam os eleitos de todo o país e fecharam a assembleia, decretando um golpe de Estado, liderado por Wladimir Ulianov, o Lênin.

Trotsky, então o segundo em importância entre os bolcheviques, disse para a maioria que eles terminariam no lixo da história se não aderissem à minoria armada.

Nu da cintura para cima, como forma de desrespeitar ainda mais os juízes, Chico César ainda lançou uma ironia preconceituosa contra um dos magistrados, referindo-se à sua “fala fina”.

Como são contraditórios os companheiros! Chico César, quando estudante de Comunicação na Paraíba e no início de sua curta carreira jornalística, vivia a soltar o verbo contra os reacionários corruptos  e preconceituosos. Chegou a fazer greve de fome para impedir que fosse instituída cobrança de taxa no Restaurante Universitário.

O artista era bem magrinho, ficando esquelético após a greve de fome. Sumiu por uns tempos, até que o vi andando pelo centro de São Paulo, em 1988, com um violão nas costas. Não demorou para que revelasse talento e fizesse sucesso em todo o Brasil. Reapareceu bem gordo, com um penteado tipo pé de coentro, compôs, cantou e resolveu voltar à militância política, na Paraíba.

Mesmo tendo sido secretário de Estado na Paraíba, insurge-se contra as instituições do Estado Democrático de Direito. Tão rigoroso contra os corruptos do passado e inclusivo com as minorias quando é de seu interesse ideológico, revela sua verdadeira face ao relevar o grande assalto que Lula e seus aliados fizeram aos cofres públicos e ainda insinuar maledicências preconceituosas contra um juiz que, apesar da “fala fina”, fala mais grosso do que muita gente cuja moral virou molambo.

 

Miguel Lucena é Delegado de Polícia Civil do DF, jornalista e escritor.